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A MORAL E A PENITÊNCIA PARA A SANTIFICAÇÃO

O casamento e o celibato:

Uma vida santificada uma vida santificada — Este é o ideal cristão. Será necessário acrescentar que se trata de um ideal que pressupõem uma vida moralmente transformada?

O grande chamado de Cristo, aquele que se fez ouvir ao longo de toda a sua mensagem, foi sempre este: “convertei-vos”. Viver no Senhor seguir o seu exemplo, é o mesmo que levar a cabo uma renovação tão completa quanto possível. Esta a base da moral Cristã. Não se trata da doutrina de um filósofo, cujos preceitos possamos ou devemos escutar; trata-se simplesmente de um reforço para a luz acender a luz e identificarmos com Cristo. São Paulo, e muitas paisagens das suas epístolas, tinha feito compreender perfeitamente Qual o alicerce sobre o qual devia as entrar a moral dos batizados: a semelhança com Cristo, a identificação com Cristo. Sede puros, porque os vossos corpos são membros de Cristo (1Cor. 6,15). Sede generosos como Cristo, que, sendo Rico, se fez pobre por nosso amor, para que fôssemos ricos pela sua pobreza (2Cor.8 9-11). Esquecei-vos de vós mesmos, como aquele que, sendo Deus, tomou para si a condição de servo (Fil 2, 5-7). Maridos, Amai as vossas esposas. Como Cristo amou a sua igreja (Ef 5, 25). Não há nenhum 2 princípios da moral que não se encontre transfigurados pela ideia da identificação Sobrenatural com Cristo.

Em volta desta noção fundamental, nos encontrar em todos os textos da Igreja Primitiva, os pensadores cristãos, os primeiros padres, irão desenvolver os seus ensinamentos de acordo com o temperamento de cada um. Em atenção a uma concepção moral mousse simples, muito humana, como o autor da Didaquê, que se limita a extrair os seus preceitos da escritura; ou como Hermas, o autor do pastor, Telecine assim o ideal dos verdadeiros cristãos: “constantemente simples, felizes, sem azedume no trato mútuo, cheio de compaixão para com todos e repletos de uma candura infantil”. Outros, como Santo Inácio de Antioquia, acentuaram o lado Místico do esforço moral; e o outros ainda, como Clemente, para quem a vida é “um combate espiritual”, sublinharão o lado ascético. Não se trata aqui senão de simples matizes; O que conta é o desejo de renovação, que o chefe da igreja exige incessantemente dos fiéis; é essa imagem perfeita do homem, encarnada em Jesus, que propõe a meditação dos fiéis.

Vejamos, por exemplo, Os Problemas do Casamento e da vida sexual. É conhecida a gravidade de que esses problemas se revestiam na sociedade romana. O divórcio e o celibato minam os alicerces da família, e a escravidão, pela facilidade com que põe à disposição dos Senhores as mulheres, por toda parte uma gente desmoralização. A condição normal do cristão é ser casado. São Paulo estabelecerá já com justiça os princípios do casamento dos fiéis. A igreja não só não rejeita o casamento, como ser o Point na gente a todos os hereges que os condenam. “Mostremos, exclama Tertuliano, mostremos a felicidade do casamento, , que é a oblação confirma, que a benção sela, que os anjos conhecem e que o Pai ratifica”. Não foi o próprio Cristo que ordenou aos esposos que fossem “uma só carne” e que nunca se separassem? O divórcio é, pois, inadimissível segundo a ótica Cristã, e o celibato só é compreensível se tiver em vista uma realização mais alta, uma união Mística com a pureza absoluta. A concepção Cristã da virgindade liga-se a esse mesmo ideal. Muito antes da aparição dos monges e das Freiras, há na igreja homens e mulheres que renunciam ao casamento para se entregarem a Deus. Era um costume que já foram posto em prática em Israel pelos nazarenos e pelos essênios. No cristianismo primitivo, as mulheres virgens são mais numerosas que os homens, Por que aqueles que queriam consagrar a sua existência ao Senhor faziam-se sacerdotes. Desde os primeiros tempos, como por exemplo em Antioquia na época de Santo Inácio, as virgens formam um grupo à parte, muito venerado na igreja. São Cipriano denominá-las-á “a coroa da igreja”, e Origines exclamará: “um corpo imaculado, eis a hóstia viva agradável ao Senhor!”. É, com efeito, sobre o duplo aspectos de uma Perfeição no ideal de Pureza e de um matrimônio místico com Cristo que temos de conceber esta instituição e especificamente Cristã. Fala-se da virgindade como um verdadeiro substituto do martírio, abundante em Graças; e quando o conselho hispânico de Elvira, Por volta do ano 300, declara excomungados as virgens cristãs que tenham violado os seus votos, não faz se não homologar um uso corrente. É nesta concepção da virgindade, virtude superior e união com Cristo, que devemos ver a origem do celibato dos sacerdotes, que os apóstolos e os primeiros discípulos não tinham posto em prática e que só veio a estabelecer se lentamente.

Mas, segundo o cristianismo, o próprio casamento assume um sentido novo e se torna diferente do casamento Pagão, embora Ester na mente adote os seus principais usos: os cortejos, as coroas, as manifestações de regozijo. O acordo dos casais, que os pagãos reconhece ainda em muitos casos como indispensável ubi Gaius, ibi Gaia —, não é suficiente. A necessidade social de ter filhos, os deveres familiares, cujos princípios foram perfeitamente expostos por Clemente de Alexandria e em nome dos quais os imperadores tinham legislado inutilmente, não constituem as verdadeiras bases da União Cristã. É em Deus que os esposos se devem unir, no espírito de amor e de Pureza semelhante em tudo àquele que Cristo demonstrou para com a sua igreja. E Tertuliano evoca esses esposos que “se apoiam mutuamente nas vias do Senhor, que oram juntos, que se aproximam juntos da mesa de Deus e que, juntos, enfrentam as provações”. O casamento tornou-se assim, não já uma instituição que as melhores leis podem proteger, mais um Sacramento. Eu no dia em que a sociedade for Cristã, encontrará nele um dos alicerces que mais abaladas estavam no mundo Pagão. (A Igreja Primitiva mostra-se hostil a um segundo casamento. No entanto, São Paulo tinha dito que as viúvas jovens deviam tornar a casar-se(1tim 5,14). Mas as segundas núpcias foram criticados e até proibidas em algumas comunidades. Atenágoras classifica-ad como “um adultério decente”. Não podemos negar que havia grandeza nesta concepção do casamento, Dom em que os esposos se entregam um ao outro uma só vez em Deus e por ele, e que a própria morte não podia romper, porque a vida eterna era uma certeza. “Por quem fazes a tua oferenda — perguntava-se há um que se casaram novamente —, pela tua mulher morta ou pela viva?” Com efeito, a qual delas se juntaria ele, após a ressurreição? Mas este rigorismo não se Manteve e a igreja passou a aceitar essas uniões, Possivelmente para evitar abusos).

A mesma mudança se opera atitude do homem em relação aos bens deste mundo. Não é que o fiel os devo rejeitar sistematicamente; não se julgue que os membros desta Igreja Primitiva eram um povo de monges e de ascetas. “Lembremos — diz Tertuliano — do grande conhecimento que devemos a Deus. Não há um único fruto das suas obras que nós recusemos!” O que o cristianismo Condena é o abuso, o excesso de afeição que o homem dedica aos bens da terra e que o faz diz conhecer o verdadeiro sentido e valor limitado que tem. Clemente de Alexandria e muitos outros padres denunciam com Rigor o luxo, os vestuários de riscos coloridos, “as sandálias bordadas a ouro, sobre as quais os pregos se enrolam em espiral”, a gulodice desmedida dos ricos, as gastronomia requintadas “e a vã habilidade dos doceiros”. O ensinamento da igreja é que se deve fazer uso de tudo aquilo que Deus deu aos homens, mas com gratidão, com medida, sem perder de vista as riquezas celestes que não passam e o alimento Celeste que é “o único prazer seguro e puro”.

Bibliografia: Daniel Rops, A Igreja dos Apóstolos e Mártires

 
 
 

O primeiro mandamento proibe prestar honra a outros deuses afora o único senhor que se revelou a seu povo. Proscreve a superstição e a ireligião. A superstição representa, de certo modo, um excesso perverso da religião; a irreligião é um vício oposto por deficiência a virtude da religião (CIC 2010).

ASTROLOGIA, SUPERSTIÇÕES E MAGIAS

“A superstição é o desvio do sentimento religioso e das práticas que ele impõe. Pode afetar também o culto que prestamos ao verdadeiro Deus, por exemplo: quando atribuímos uma importância de alguma maneira mágica a certas práticas, em si mesmo legítimas pou necessárias Atribuir eficácia exclusivamente à materialidade das orações ou dos sinais sacramentais, sem levar em conta as disposições interiores que exigem, é cair na superstição. Todas as formas de adivinhação hão de se rejeitadas: recurso a Satanás ou aos demônios, evocação dos mortos ou outras práticas que erroneamente se supõe “descobrir” o futuro. A consulta dos horóscopos, a astrologia, a quiromancia, a interpretação dos presságio e da sorte, os fenômenos de visão, o recurso a médiuns escondem uma vontade de poder sobre o tempo, sobre a história e, finalmente, sobre os homens, ao mesmo tempo que um desejo de ganhar para si os poderes ocultos. Estas práticas contradizem a honra e o respeito que, unidos ao amoroso temor, devemos exclusivamente a Deus. Todas as práticas de magia ou de feitiçaria com as quais a pessoa pretende domésticar os poderes ocultos para coloca-los a seu serviço, e obter um poder sobrenatural sobre o próximo – mesmo que seja para proporcionar a este a saúde – são gravemente contrárias à virtude da religião cristã. Essas práticas são ainda mas condenadas quando acompanhadas de uma intenção de prejudicar a outrem, ou quando recorrem à intervenção dos demônios. O uso de amuletos também é repreensível. O espiritismo implica frequentemente práticas de adivinhação ou de magia. Por isso, a igreja adverte os fiéis a evitá-lo. O recurso aos assim chamados remédios tradicionais não legítima em votação dos poderes joão alérgicos nem a exploração da credor idade alheia” (2111,2116,2117).

Didaqué

” Meu filho: não seja dado à adivinhação, pois a adivinhação leva à idolatria. Também não pratica encantamentos, astrologia ou purificações, nem queira ver ou ouvir sobre estas coisas, pois de todas essas coisas provém a idolatria” (3,4).

Justino de Roma

“De antemão vos avisamos que tenhais cuidado para não serdes enganados por esses mesmos demônios que acabamos de acusar e, assim, eles vos impeçam totalmente de ler entender o que dizemos, pois eles lutam para tê-los como seus escravos e servidores. Por aparições em sonhos ou por artes de magia, eles se a poderam de todos aqueles que, de um modo ou de outro, não trabalham por sua própria salvação. Depois de crer no verbo, nós nos afastamos deles e, por meio do filho seguimos o único Deus unigênito” (1° Apologia 14,1).

Taciano da Síria

“O objetivo da perversão deles (os demônios) são os homens, pois, mostrando-lhes, como os jogadores de dados, uma tábua com a descrição da posição dos astros, introduziram o destino – império extremamente injusto -porque foram produzidos conforme o destino tanto o que julga como aquele que é julgado (…) dessa forma, o colérico e o sofrido, temperante e o intemperante, o pobre e o rico dependem dos demônios que estabeleceram a lei do seu horóscopo. Com efeito, a configuração do círculo do zodíaco é obra de seus “deuses” e a luz de um deles, quando predomina, triunfa sobre todos os outros, embora aquele que afora foi derrotado, costume, depois, vencer. Mas os que se divertem com eles são os sete planetas, com aqueles que jogam os dados. Nós, porém, somos superiores ao destino e, ao invés de demônios errantes, reconhecemos um só senhor inerrante, e aqueles de nós que são conduzidos pelo “destino” rejeitaram aqueles que estabeleceram suas leis (…) Portanto, como vou reconhecer horóscopo do nascimento, quando vejo tais ‘administradores do destino’ (os demônios)”? (discurso contra os gregos 8.10. 11).

“Uma mulher que bebe água enlouquece e com as perfumes incenso sai de si mesma, e tu dizes que ela adivinha. Apolo foi profeta e mestre de adivinhos e, no entanto, dafne o enganou. Por tua vida, dize-me: como é que um carvalho adivinha, pássaros predizem o futuro, e tu és inferior às plantas e aos pássaros? Portanto, seria bom que te convertesses em árvore fatídica e tomasses as asas do habitantes do ar! Aquele que te torna avaro é o que te vaticana como enriquecer-te; aquele que provoca sedições e batalhas, esse mesmo de profetiza a vitória na guerra. Se tornasses superior às tuas paixões, desprezarias tudo o que existe no mundo” (discurso contra os gregos 19).

Bibliografia: A fé cristã primitiva, Carlos Martins Nabeto

 
 
 


O problema da revelação não preocupa os capadócios. Em seu horizonte o primeiro plano é ocupado pela trindade e pela cristologia, entretanto, a heresia de Eumônio oferece-lhes ocasião para apresentarem a doutrina tradicional. Os primeiros escritores > Justino, Irineu, Clemente de Alexandria, Orígenes > afirmavam que o conhecimento da essência divina está além das forças naturais do homem. Pelo fim do século quarto, Eumônio pretendia, pelo contrário, que a essência divina uma vez revelada, já não apresentaria nenhum mistério. Diante desse erro, Gregório de Nazianzo, Basílio, Gregório de Nissa insistem na imcompreensibilidade da essência divina, misteriosa mesmo para a inteligência iluminada pela revelação. A partir do mundo visível, pode o homem chegar a conhecer a Deus, sua existência e seus atributos, mas a essência mesma de Deus continua sendo trevas que não se podem penetrar totalmente.

1- são Basílio São Basílio ensina que somente o filho e o espírito santo conhecem intimamente o pai. Mesmos as testemunhas de Deus que receberam suas confidências, Davi, Isaías, Paulo, confessavam que a essência divina é inacessível. O que sabemos dos segredos se Deus, o sabemos pelo Cristo que nos faz conhecer o pai. “Aos que estão presos sob as trevas da ignorância, ele os ilumina: é por isso a luz verdadeira. Ele é a verdade. Dele, que é o mestre, recebemos uma “doutrina necessária e salutar”, que se deve guardar integra, à qual nos devemos agarrar. Essa doutrina se encontra na escritura, que é a palavra de verdade e na tradição oral, autorizada e garantida pela igreja. A São Basílio porém, mais do que o dom da doutrina revelada, interessa sua plena assimilação e frutificação na alma por uma iluminação da gnose. Gnose que é um elemento essencial da assimilação progressiva a Deus, da divinização do cristão. É um conhecimento superior de Deus, sob a influência do espírito santo. É de modo INTEIRAMENTE INTELECTUAL que Basílio entende a ação santificadora do espírito santo. Ele deifica iluminando, revelando, fazendo a alma participar de sua própria luz. Irradia sua luz na alma que assim se torna mais transparente e espiritual, mais penetrante, podemos chegar a uma inteligência maior das coisas divinas. Tal gnose não é privilégio de alguns iniciados, destina-se a todos os batizados. Pouco a pouco o espírito de verdade, de sabedoria, manifesta-lhes no Cristo a glória do filho vindo do pai. Sob a luz irradiante do espírito, a inteligência ergue-se, pelo filho, até ao pai, penetrando cada vez mais nos mistérios divinos. O espírito conhece as as profundezas de Deus e dele recebe a criatura a revelação dos mistérios.


SÃO GREGÓRIO DE NISSA




Como são Basílio, Gregório de Nissa insiste, contra Eumônio, na inacessibilidade da essência divina. Deve-se, contudo, distinguir entre conhecimento de Deus autor do mundo e o de sua essência. Gregório compara o universo a uma obra que permite reconhecer não a natureza, mas a existência e a arte do artifície. “Olhando a ordem da criação, podemos fazer uma idéia, não dá essência, mas da sabedoria de quem tudo dez sabiamente….; O invisível por natureza torna-se visível por sua atividade que algo nos manifesta acerca de sua natureza. É, pois, um conhecimento analógico de Deus a partir das perfeições visíveis de suas criaturas. Deus não apenas se deixa conhecer pela pregação silenciosa do universo, mas vem ao encontro do homem estabelecendo com ele uma comunicação pessoal. Tipo da testemunha das confidências de Deus no antigo testamento é Moisés. Foi “instruído….. Pelo ensinamento inefável de Deus”; foi iniciado nos segredos divinos; recebeu “o conhecimento dos mistérios ocultos”, os “mandamentos divinos”. Sobre a montanha santa, observa Gregório de Nissa, Moisés recebeu “pela palavra”, o mesmo ensinamento que lhe fora dado pelas trevas para que, penso eu, nossa fé nessa doutrina fosse garantida pelo testemunho da palavra divina”. “Os ensinamentos recebidos do mestre celeste “. Gregório nota muito bem que a doutrina revelada sobre a criação e a queda nos foi comunicada sob a forma de uma história. “Moisés narra mais como um historiador…. Apresentando-nos doutrina sob a forma de relatos”. Com o tempo, fez-se a palavra divina cada mais clara. Débil ainda, sob a lei e os profetas, brilha e ressoa na pregação do evangelho, levada pelo sopro do espírito santo até os confins da terra. No Cristo e nos apóstolos a revelação atinge seu auge. Com precisão Gregório descreve essa ação divina. Insistentemente repete que nossa fé é segura, instruídos e ensinados que fomos pelo próprio senhor “a fé dos cristãos….. não vem dos homens, nem pelos homens, nem pelos homens, mas por nosso senhor Jesus Cristo, que é o verbo de Deus, vida, luz e verdade, Deus e sabedoria, por sua própria natureza”. Encarnou-se o verbo para que os homens não mais se apoiassem nas suas próprias opiniões como se fossem verdades. “Certos de que Deus se manifestou na carne, acreditemos nesse único verdadeiro mistério de piedade, que nos foi transmitido pelo próprio verbo, que pessoalmente falou aos apóstolos”. Se “o verbo em pessoa nos dá um testemunho no evangelho”, devemos acreditar nele pois “que testemunha mais digna de fé que o próprio senhor poderemos encontrar? Muitas vezes Gregório de Nissa apresenta o idéia de revelação com o termo paulino de mistério, isto é, o segundo desde a eternidade oculto em Deus e manifestado pelo Cristo. É, como em são Paulo, o mistério da piedade” e o “mistério da economia da encarnação”. Mistério que diversamente dos mistérios pagãos, destina-se essencialmente a ser promulgado . Assim Pedro revela claramente a economia oculta do mistério. João é o arauto do mistério do conhecimento de Deus. O mistério, enquanto revelado, é essencialmente a boa nova, o “mistério evangélico”. Chega ao conhecimento dos homens pela palavra de Deus, a palavra do mistério, e os apóstolos são os “servidores do mistério”. No modo de falar de Gregório, a verdade trazida por Cristo aos homens é o ensinamento da religião, a doutrina nova, o evangelho, a doutrina de Deus, a graça do Evangelho, a doutrina do mistério, os ensinamentos revelados. Os capadócios, ao mesmo tempo que se opõe a Eumônio, reconhecem duplo caminho de acesso no conhecimento da fé. Por Cristo nos vem o conhecimento dos mistérios divinos. São Basílio vê no Cristo e no seu ensinamento a luz dos homens. Insiste, como Clemente de Alexandria, no movimento de frutificação que a adesão da fé inicia na alma. Sob a iluminação do espírito santo, a alma penetra mais nos mistérios do filho e do pai. Gregório de Nissa vê na revelação a iniciativa benévola de Deus que confia seus segredos a suas testemunhas, os profetas e os apóstolos, e por seu intermédio, à humanidade. No Cristo e no evangelho culmina a revelação. Então é o próprio verbo que testemunha e nos introduz nos segredos divinos. Aos apóstolos compete a missão de proclamar o mistério de piedade como uma Boa nova.


SÃO JOÃO CHRISOSTOMOS

Na esteira



de são Basílio, Gregório de Nissa e Cirillo de Jerusalém, são João Crisóstomo, escrevendo contra os anomeus, repete que Deus, mesmo depois da revelação, continua o Deus oculto e incompreensível. Fala, porém de forma mais pastoral. Deus é invisível, inenarrável, inescrutável, inacessível, incompreensível, irrepresentável: será para sempre o abismo, a escuridão. É radical essa imcompreensibilidade. Atinge todas as criaturas: o salmista, Isaías, Abraão, Moisés, os anjos. Inacessível não é apenas a essência divina, mas também sua presença no mundo, ou seja, o ministério de seus caminhos, de seus desígnios e de sua realização, tão impenetrável quanto sua transcendência quando os profetas afirmam ter visto a Deus, não viram senão sinais figurativos, na medida de sua fraqueza humana. Antes o incompreensível, deve o homem reconhecer que ele nada sabe, a menos que pretendesse poder chegar a um conhecimento completo da essência divina. O perfeito conhecimento de Deus é privilégio exclusivo do filho e do espírito( Hom. 15,1;59,98). Podem penetrar o próprio Deus apenas o espírito de verdade “que perscruta as profundezas de Deus” ( 1cor.2,10) e o filho unigênito que vive no seio do pai, conhece-o exata, plena, e inteiramente( Hom. 15, 2:59, 98-100). Apesar de tudo, sabemos algo a respeito de Deus, pois ele falou aos homens ” por si mesmo no começo”, (Gen.1, Hom.2,2:53,27-28), depois “pelos profetas”, finalmente “pelo filho”, que “falou aos apóstolos e por eles a muitos” (Heb. 1, Hom. 1,1:63,15-16). Em Jesus Cristo nos é dado o conhecimento do mistério oculto aos povos e aos anjos. O que somente Deus conhecia, ele nos revelou em seu filho Jesus Cristo. Foi Deus, e não um homem que nos ensinou a fé cristã. A doutrina anunciada por Cristo contém um conjunto de verdades que a inteligência humana não poderia nem atingir nem suspeitar. Mesmo após a revelação continuam impenetráveis os mistérios. Os profetas e os apóstolos que receberam a revelação dos segredos divinos proclamam, apesar de tudo, sua sabedoria incompreensível. Ante a imensidade de Deus, o homem é tomado pela admiração, pelo estupor como Zacarias, tremem os anjos num terror sagrado. Ante a santidade divina, a criatura adora, glorifica e se cala. Ante Deus que fala ou se revela, presta a homenagem da fé. Assim foi com Abraão, a seu exemplo, quando Deus fala, o homem deve apresentar-lhe um espírito disponível e desembaraçado de toda sabedoria profana; na fé, acolher as palavras divinas. “Quando Deus fala, ou quando faz milagres, devemos crer e obedecer”. S. João Crisóstomo não proíbe ao cristão aprofundar sua fé; recusa as especulações racionalistas. Se Deus fala, deve o homem conformar sua vida aos ensinamentos divinos. E, uma vez que Deus nos fala por seu filho, vivamos de uma forma que seja digna de tão grande honra. Seria ridículo, que dignando-se Jesus Cristo falar-nos por si mesmo e não mais por seus servos, não fizéssemos mais que aqueles que nos precederam. Tiveram Moisés por mestre, e nós temos por doutor o mestre de Moisés.. Jesus não nos trouxe uma doutrina celeste senão para que ao céu elevássemos o nosso pensamento e para que imitássemos nosso doutor, à medida de nossas forças e capacidades”. Os profetas, que reconhecem a Jesus Cristo antes mesmo de sua encarnação, que souberam e anunciaram que ele deveria vir para entre os homens(Jo. Hom. 8,1;59,66), em favor dele prestaram seu testemunho que a escritura conserva. Assim também os apóstolos são testemunhas do cristo, mas do cristo entre nós. Viram e ouviram o Cristo desde o começo, comeram e beberam em sua companhia, também eles testemunham o que viram e ouviram. Instrui-os Cristo, confiou-lhes seus segredos, comunicou-lhes sua doutrina. É missão deles divulgar no universo a doutrina que de Cristo receberam. O que anunciam é a palavra viva do cristo, o evangelho, a boa nova, “isto é, a libertação das penas, o perdão dos pecados, a justiça, a santificação, a redenção, a adoção dos filhos de Deus, a herança de seu reino e a glória de nos tornarmos irmãos de seu filho único” ( mt. Hom. 1, 1:57-15). Se todos os atos dos filhos tem por finalidade salvar o homem, podemos dizer que o tema do evangelho é o Cristo e a economia da salvação pela cruz. Numa palavra: É a história sagrada ou “a palavra da cruz”(Mt. Hom. 1,2:57,16). Os apóstolos, meros ministros do evangelho, transmitiram-no em sua pureza integral. Sua doutrina conserva-se, sem aliterações, na escritura é na tradição da igreja. São João Crisóstomo nada nos apresenta de sistemático sobre a revelação. Refutando os anomeus e nas suas homilias sobre a escritura tem, ocasião, se não de explicar, pelo menos de afirmar é descrever a revelação. Contra os anomeus insiste na imcompreensibilidade de Deus. Só o filho e o espírito santo conhecem perfeitamente a Deus. O que deles sabemos, nos vem pelos profetas e principalmente pelo Cristo, o filho do pai que veio trazer aos homens o conhecimento da economia salvífica oculta aos anjos e as nações. Anunciada por Cristo a boa-nova da salvação, os apóstolos, suas testemunhas, receberam a missão de pregá-la e transmiti-la à igreja. Os homens são convidados a dar resposta à mensagem de Cristo, crendo e conformando sua vida à doutrina ouvida.

 
 
 
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Esta obra é inteiramente dedicada à Santíssima Virgem Maria!

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