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Leia o texto da histórica homilia que o Cardeal Sarah entregou aos peregrinos na Catedral de Notre Dame de Chartres no final da peregrinação de Chartres. Os temas da homilia serão familiares para qualquer um que tenha lido seus livros, O Poder do Silêncio e Deus ou Nada: silêncio, devoção à liturgia tradicional, o papel sagrado do clero (mais que os assistentes sociais), o imenso valor dos monásticos a vida e a depravação da sociedade ocidental que rejeitou Deus.

Homilia do Card. Robert Sarah na Catedral de Nossa Senhora de Chartres

Peregrinação Paris-Chartres 2018

Segunda-Feira de Pentecostes, 21 de maio de 2018

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Permitam-me em primeiro lugar agradecer calorosamente a Sua Excelência, Dom Philippe Christory, bispo de Chartres, pelo seu acolhimento nesta maravilhosa Catedral.

Queridos peregrinos de Chartres,

“A luz veio ao mundo”, diz-nos hoje o Evangelho, “e os homens preferiram as trevas”.

E vocês, queridos peregrinos, acolheram a única Luz que não engana? Acolheram a Luz de Deus? Vocês caminharam durante três dias. Rezaram, cantaram, sofreram debaixo do sol e da chuva… Acolheram a Luz em seus corações? Renunciaram realmente às trevas? Escolheram seguir o Caminho, seguindo Jesus, que é a Luz do mundo?

Queridos amigos, permitam-me fazer esta pergunta radical, porque, se Deus não é a nossa Luz, todo o resto se torna inútil. Sem Deus, tudo é escuridão.

Deus veio até nós e se fez homem. Revelou-nos a única verdade que salva, foi morto para nos resgatar do pecado e, no Pentecostes, nos deu o Espírito Santo e nos ofereceu a Luz da fé. Mas nós preferimos as trevas!

Olhemos ao nosso redor! A sociedade ocidental decidiu se organizar sem Deus. Ela está agora entregue às luzes cintilantes e enganadoras da sociedade do consumismo, do lucro a qualquer preço, do individualismo sem medida.

Um mundo sem Deus é um mundo de trevas, de mentiras e de egoísmo.

Sem a Luz de Deus, a sociedade ocidental se tornou como um barco sem rumo na noite! Ela já não tem amor para receber os filhos, para os proteger desde o seio materno, para os preservar da agressão da pornografia.

Privada da Luz de Deus, a sociedade ocidental já não sabe respeitar os seus idosos, nem acompanhar os seus doentes no caminho da morte, nem dar lugar aos mais pobres e aos mais fracos.

Ela foi entregue às trevas do medo, da tristeza e do isolamento. Não tem mais do que um vazio e um nada para oferecer. Deixa proliferar as ideologias mais loucas.

Uma sociedade ocidental sem Deus pode tornar-se o berço de um terrorismo ético e moral mais viral e mais destrutivo que o terrorismo dos islamistas. Lembrem-se de que Jesus nos disse:

“Não temais aqueles que matam o corpo e não podem matar a alma; antes, tenham medo daquele que pode fazer perecer a alma e o corpo no inferno” (Mt 10, 28).

Queridos amigos, perdoem-me esta descrição, mas é preciso ser lúcido e realista. Se eu lhes falo assim, é porque, no meu coração de padre e de pastor, eu sinto muito por tantas almas perdidas, tristes, inquietas e sozinhas!

Quem as conduzirá rumo à Luz?

Quem lhes mostrará o caminho da verdade, o verdadeiro caminho da liberdade, que é o caminho da Cruz?

Vamos deixá-las entregar-se ao erro, ao niilismo desesperado ou ao islamismo agressivo sem fazer nada?

Nós devemos gritar ao mundo que a nossa esperança tem um nome: Jesus Cristo, o único Salvador do mundo e da humanidade!

Queridos peregrinos da França, olhem para esta catedral! Os antepassados de vocês a construíram para proclamar a sua fé!

Tudo, na sua arquitetura, na sua escultura, nos seus vitrais, proclama a alegria de ser salvo e amado por Deus. Os seus antepassados não eram perfeitos, não estavam livres de pecado. Mas eles queriam deixar a luz da fé iluminar as suas trevas!

Hoje também vocês, povo da França, acordem! Escolham a luz! Renunciem às trevas!

Como?

O Evangelho nos responde: “Aquele que age segundo a verdade vem para a luz”. Deixemos a Luz do Espírito Santo iluminar as nossas vidas concretamente, simplesmente, até os recônditos mais profundos do nosso ser!

Agir segundo a verdade é, em primeiro lugar, colocar Deus no centro da nossa vida, como a Cruz é o centro desta catedral. Meus irmãos, escolhamos voltar-nos a Ele todos os dias!

Agora, assumamos o compromisso de reservar todos os dias alguns minutos de silêncio para nos voltarmos a Deus, para dizer a Ele: “Senhor, reina em mim! Eu Te entrego a minha vida!”

Queridos peregrinos, sem silêncio não há luz. As trevas se alimentam do barulho incessante do mundo, que nos impede de nos voltarmos para Deus.

Tomemos como exemplo a liturgia de hoje. Ela nos leva à adoração, ao temor filial e amoroso perante a grandeza de Deus. Ela culmina na consagração, onde todos juntos, voltados para o altar, de olhar fixo na Eucaristia, na cruz, comungamos em silêncio, no recolhimento e na adoração.

Queridos irmãos, amemos essas celebrações litúrgicas que nos fazem saborear a presença silenciosa e transcendente de Deus e nos fazem voltar para o Senhor.

Queridos irmãos padres, eu quero me dirigir agora especialmente a vocês. O Santo Sacrifício da Missa é o lugar onde vocês encontrarão a luz para o seu ministério. O mundo em que vivemos pede a nossa atenção sem cessar. Nós estamos constantemente em movimento, sem nos preocuparmos em parar e dedicar um tempo a procurar um lugar deserto para descansar um pouco, na solidão e no silêncio, na companhia do Senhor. Grande seria o perigo de nos tornarmos apenas “trabalhadores sociais”. Se isso acontecesse, nós não daríamos mais a Luz de Deus, mas a nossa própria luz, que não é a Luz que os homens esperam. O que o mundo espera dos padres é Deus e a Luz da Sua Palavra, proclamada sem ambiguidade nem falsificação.

Saibamos voltar-nos para Deus numa celebração litúrgica recolhida, cheia de respeito, de silêncio e marcada pela sacralidade. Não inventemos nada na liturgia: recebamos tudo de Deus e da Igreja. Não procuremos nela o espetáculo ou o sucesso. A liturgia nos ensina: ser sacerdote não é, em primeiro lugar, fazer muito, mas sim estar com o Senhor na cruz!

A liturgia é o lugar onde o homem encontra Deus cara a cara. A liturgia é o momento mais sublime onde Deus nos ensina a “reproduzir em nós a imagem do Seu Filho Jesus Cristo, para que Ele seja o primogênito de uma multidão de irmãos” (Rm 8, 29). Ela não é nem deve ser uma ocasião de ruptura, de luta ou de disputa.

Na forma ordinária, assim como na forma extraordinária do rito romano, o essencial é nos voltarmos à Cruz, a Cristo, nosso Oriente, nosso Tudo e nosso único Horizonte! Seja da forma que for, ordinária ou extraordinária, saibamos sempre celebrar, como neste dia, segundo o que nos ensina o Concílio Vaticano II: com nobre simplicidade, sem sobrecargas inúteis, sem estética fictícia e teatral, mas com o sentido do sagrado, a preocupação primeira da glória de Deus e com verdadeiro espírito de filhos da Igreja de hoje e de sempre!

Queridos irmãos sacerdotes, guardem sempre esta certeza: estar com Cristo na cruz, é isto o que o celibato sacerdotal proclama ao mundo! O projeto, de novo proposto por alguns, de desvincular o celibato do sacerdócio, conferindo o sacramento da ordem a homens casados (os viri probati), por, dizem eles, “razões ou necessidades pastorais”, teria graves consequências, na realidade, de romper com a tradição apostólica. Nós fabricaríamos um sacerdócio à nossa medida humana, mas não perpetuaríamos, não prolongaríamos o sacerdócio de Cristo, obediente, pobre e casto. De fato, o sacerdote não é somente “alter Christus”, mas é, verdadeiramente, “Ipse Christus”: o próprio Cristo! E é por isso que o caminho para seguir a Cristo e a Igreja será sempre um sinal de contradição!

A vocês, queridos cristãos leigos, comprometidos na vida das cidades, eu quero me dirigir com força: não tenham medo! Não tenham medo de levar a esse mundo a Luz de Cristo!

O primeiro testemunho de vocês deve ser sempre o seu exemplo: ajam segundo a verdade! Nas suas famílias, na sua profissão, nas suas realidades sociais, econômicas, políticas, que seja Cristo a sua Luz! Não tenham medo de testemunhar que a sua alegria vem de Cristo!

Eu lhes peço, não escondam a fonte da sua esperança! Pelo contrário: proclamem, testemunhem, evangelizem! A Igreja precisa de vocês! Lembrem a todos que somente “Cristo crucificado revela o sentido autêntico da liberdade!” (São João Paulo II, Veritatis Splendor, 85).

Com Cristo, libertem a liberdade hoje acorrentada pelos falsos direitos humanos, todos orientados para a autodestruição do homem.

A vocês, queridos pais, quero dirigir uma mensagem bem particular. Ser pai e mãe de família no mundo de hoje é uma aventura cheia de sofrimentos, de obstáculos e preocupações. A Igreja lhes diz: obrigada! Sim, obrigada pela doação generosa de vocês mesmos!

Tenham a coragem de educar os seus filhos na Luz de Cristo. Vocês terão que lutar, às vezes, contra os ventos dominantes, suportar a zombaria e o desprezo do mundo.

“Nós proclamamos Cristo crucificado, escândalo para os judeus e loucura para os pagãos” (1 Cor 1, 23-23).

Não tenham medo! Não renunciem! A Igreja, pela voz dos Papas, especialmente todos desde a encíclica Humanae Vitae, confia a vocês uma missão profética: testemunhar perante todos a nossa alegria e confiança em Deus, que fez de nós guardiões inteligentes da ordem natural. Vocês anunciam aquilo que Jesus nos revelou com a Sua própria vida: a liberdade se realiza no amor, isto é, na doação de si mesmo.

Queridos pais e mães de família, a Igreja ama vocês! Amem também vocês a Igreja! Ela é a sua Mãe. Não se misturem com quem dela zomba, porque eles só vêm as rugas do seu rosto envelhecido pelos séculos de sofrimentos e provas. Ainda hoje, ela é bela e brilha de santidade.

Por fim, quero agora me dirigir a vocês, os mais jovens, que estão aqui em tão grande número!

No entanto, eu peço que vocês escutem um “velho” que tem mais autoridade do que eu: o evangelista São João. Para além do exemplo da sua vida, São João deixou também uma mensagem escrita para os mais jovens. Na sua primeira carta, nós encontramos estas palavras emocionantes de um velho para os jovens das igrejas que ele tinha fundado; escutem a sua voz, cheia de vigor, de sabedoria e de calor:

“Jovens, eu vos escrevi porque sois fortes e a palavra de Deus permanece em vós, e vencestes o maligno. Não ameis o mundo, nem as coisas do mundo” (1 Jo 2, 14-15).

O mundo que nós não devemos amar, comentava o padre Raniero Cantalamessa na sua homilia da Sexta-Feira Santa de 2018, é aquele ao qual não devemos nos conformar; não é, como sabemos, o mundo criado e amado por Deus, não são as pessoas do mundo a quem devemos sempre nos voltar, especialmente aos pobres e aos últimos dos pobres, para amá-los e servi-los humildemente… Não! O mundo que não devemos amar é outro: o mundo tal como ele se tornou sob o domínio de Satanás e do pecado. O mundo das ideologias que negam a natureza humana e destroem as famílias… As estruturas da ONU, que impõem uma nova ética global, têm um papel decisivo e se tornaram, hoje, um poder avassalador, que chega às massas através das possibilidades ilimitadas da tecnologia. Em muitos países ocidentais, hoje é crime rejeitar submeter-se a essas ideologias horríveis. É isto o que chamamos de adaptação ao espírito do tempo, o conformismo. Um grande e crente poeta britânico do século passado, Thomas Stearns Eliot, escreveu três versos que dizem muito mais do que livros inteiros:

“Num mundo de fugitivos, quem vai na direção oposta será visto como desertor”.

Queridos jovens cristãos, se é permitido que um “velho”, como foi São João, se dirija diretamente a vocês, também eu os exorto e lhes digo: vocês venceram o maligno. Combatam qualquer lei contrária à natureza que hoje querem lhes impor, oponham-se a toda lei contrária à vida, contrária à família. Sejam aqueles que vão na direção oposta! Atrevam-se a ir contra a corrente! Para nós, cristãos, a direção oposta não é um lugar: é uma Pessoa, é Jesus Cristo, nosso Amigo e nosso Redentor. Uma tarefa é confiada muito particularmente a vocês: salvar o amor humano da trágica deriva em que ele caiu; o “amor” que não é mais a doação de si mesmo, mas a posse do outro, quase sempre violenta e tirânica. Na cruz, Deus Se revelou como “Ágape”, isto é, como Amor que Se entrega a Si mesmo até a morte. Amar verdadeiramente é morrer pelo outro, como aquele jovem policial francês, o coronel Arnaud Beltrame!

Queridos jovens, vocês experimentam, sem dúvida, na sua alma, a luta entre as trevas e a Luz. Vocês são, às vezes, seduzidos pelos prazeres fáceis do mundo. De todo o meu coração de padre, eu lhes digo: não fiquem divididos! Jesus lhes dará tudo! Seguindo-o para serem santos, vocês não perdem nada! Vocês ganham a única alegria que não decepciona jamais!

Queridos jovens, se hoje Cristo os chama a segui-lo como sacerdotes, religiosos ou religiosas, não hesitem! Digam “fiat”, “faça-se”! Um “sim” entusiasta e sem condições. Deus quer precisar de vocês! Que graça, que alegria!

O Ocidente foi evangelizado pelos santos e pelos mártires. Vocês, jovens de hoje, vocês serão os santos e os mártires que as nações esperam para uma nova evangelização! As suas pátrias tem sede de Cristo! Não as decepcionem! A Igreja confia em vocês! Eu rezo para que muitos de vocês respondam, hoje, nesta missa, ao chamamento de Deus a segui-lo, a deixar tudo por Ele, pela Sua Luz.

Queridos jovens, não tenham medo! Deus é o único amigo que não faltará nunca. Quando Deus chama, Ele é radical. Isso quer dizer que Ele vai até o fim, até a raiz.

Queridos amigos, nós não somos chamados a ser cristãos medíocres! Não, Deus nos chama inteiramente, até o fim, até a doação total, até o martírio do corpo ou do coração.

Querido povo da França, foram os mosteiros que fizeram a civilização do seu país! Foram os homens e mulheres que aceitaram seguir Jesus radicalmente até o fim que construíram uma civilização bela e pacífica, como esta catedral.

Povo da França, povos do Ocidente, vocês não encontrarão a paz e a alegria se não buscarem somente a Deus! Voltem à Fonte! Voltem aos mosteiros! Sim, vocês todos, atrevam-se a passar alguns dias num mosteiro! Neste mundo de tumulto, de feiúra e de tristeza, os mosteiros são oásis de beleza e de alegria. Vocês verão que é possível colocar Deus no centro de toda a nossa vida. Vocês experimentarão a alegria que não passa!

Queridos peregrinos, renunciemos às trevas. Escolhamos a Luz!

Peçamos à Santíssima Virgem Maria que nos ensine a dizer “fiat”, a dizer “sim” plenamente, como ela; que saibamos acolher a Luz do Espírito Santo como ela. Neste dia, em que graças às disposições do Santo Padre, o Papa Francisco, nós festejamos Maria, Mãe da Igreja, peçamos a essa Mãe Santíssima que tenhamos um coração ardente para anunciar aos homens a Boa Nova; um coração generoso, um coração grande, como o de Maria, com as dimensões da Igreja, com as dimensões do Coração de Jesus!

Que assim seja.

 
 
 

Roberto Alvim, 46 anos, carioca, católico de Missa diária, diretor teatral e dramaturgo, conta em um testemunho incrível como ocorreu sua conversão.

O diretor carioca Roberto Alvim, hoje com 46 anos, despontou nos palcos paulistanos no fim da década de 2000. Ao lado de sua mulher, a atriz Juliana Galdino, ele fundou a Cia. Club Noir em 2006 e beirou a unanimidade nos anos de 2010 com espetáculos marcantes, como Tríptico Samuel Beckett e Leite Derramado, que sempre vinham seguidos de enormes elogios de artistas e formadores de opinião.

Assista na íntegra a entrevista transmitida na estreia do programa “NA VERDADE” do dia 20/07/2019 na Rede Século XXI:


Após assistir o vídeo na qual ele dá muitos detalhes e ênfase ao seu testemunho de conversão, leia também sua entrevista ao jornal Gazeta do Povo na qual ele conta como sua vida mudou profissionalmente.

Boicotado pela esquerda, diretor Roberto Alvim desabafa: “Minha carreira praticamente acabou”

“O diretor de teatro Roberto Alvim atendeu a reportagem da Gazeta do Povo na sexta-feira (7), por telefone, de dentro de seu teatro, a Companhia Club Noir, que ele e esposa, a atriz Juliana Galdino, mantêm há 12 anos na rua Augusta, em São Paulo. Logo no início da conversa, informou: “Estou aqui no meio dos escombros do teatro, porque a gente está fazendo a mudança, tirando equipamentos de luz, som, cadeiras, tudo. Estou fechando meu teatro no dia 25. Hoje, a minha carreira praticamente acabou por conta do meu apoio ao presidente Jair Bolsonaro e por conta da minha admiração declarada ao professor Olavo de Carvalho”.

Nascido no Rio de Janeiro, Alvim tem 45 anos e dirige peças de teatro desde os 18. Conduziu algumas das montagens mais premiadas na história recente do Brasil, como Homem sem Rumo, Fedra e Leite Derramado, esta baseada no romance homônimo de Chico Buarque, de quem era amigo pessoal. Entre 2009 e 2015, coordenou o Núcleo de Dramaturgia do Sesi em Curitiba. “Dei aulas em Curitiba durante sete anos. Foi muito bom, porque formou uma geração inteira de dramaturgos e diretores que estão produzindo direto agora”, ele diz.

Alvim vivia das oficinas de atuação que realizada no Club Noir, quatro ao ano, sempre com cerca de 15 alunos, e também chegou a dirigir 16 peças por ano, incluindo textos de Shakespeare, Ibsen, Jean Genet, Samuel Beckett e Harold Pinter. Tudo isso acabou depois que ele declarou apoio ao candidato à presidência Jair Bolsonaro.

Na entrevista, Roberto Alvim explica que era de esquerda, ainda que não convicto, até ficar à beira da morte, há dois anos. Desde então, sua vida mudou completamente. Todos os seus amigos o abandonaram e as ameaças se acumularam. No momento em que nenhum aluno apareceu para suas oficinas e o Sesc informou por e-mail que uma peça pronta para estrear seria cancelada, Alvim percebeu que não tinha mais espaço no teatro nacional.

A doença

“Eu tive uma conversão bem radical de dois anos para cá. Tive um problema de saúde muito sério, descobri um tumor no intestino. Até fazer a biópsia, eu me considerava condenado à morte. Esse tumor na verdade era benigno, mas estava causando uma série de problemas, e eu estava muito mal. Tenho 1,90 m de altura e estava pesando 75 quilos. Tinha febre permanentemente. Até que um dia, chegando em casa depois de uma noite no hospital, a babá do meu filho, que era evangélica, pediu para fazer uma oração. Falei para ela sair do meu quarto. Como todo intelectual, eu era ateu convicto. Mas a minha mulher falou, ‘deixa ela fazer a oração, mal não fará’. E ela colocou a mão na minha cabeça e começou a orar. E eu senti uma energia, uma luz. Eu levantei da cama, no dia seguinte fui para o hospital, o tumor tinha praticamente desaparecido. Foi um milagre”.

A conversão religiosa

“Foi então que eu vi que existiam coisas que eu não conhecia. Comecei a frequentar a igreja católica diariamente, indo a duas missas por dia. Tive uma série de epifanias, de iluminações. Me tornei cristão convicto, na minha vida hoje há a misericórdia de Nosso Senhor Jesus Cristo, diretamente. Comecei a fazer cursos de teologia com o padre Paulo Ricardo. E mergulhei de cabeça nos escritos do professor Olavo de Carvalho”.

Recuo inicial

“Demorei muito para sair do armário como o conservador que eu tinha me tornado. Quando houve a facada no candidato Bolsonaro, eu fiquei tão chocado que me pronunciei publicamente em redes sociais. Foi na véspera da estreia do Drácula, uma peça com Cacá Carvalho, no Centro Cultural Banco do Brasil, aqui em São Paulo. E a peça estreou no dia seguinte sem o Cacá Carvalho falar comigo. Era um monólogo, e meu ator não falava mais comigo. O pessoal da classe teatral, meus amigos de décadas, deram as costas para mim no foyer do teatro. Eu estendi a mão para uma pessoa célebre aqui em São Paulo e ela virou a cara diante da minha mão estendida. Eu passava e as pessoas falavam: ‘fascista!’. Tive muito medo de ter destruído a minha carreira. E voltei atrás. Apaguei uma série de postagens que já tinha feito, disse que eu tinha me solidarizado com o candidato como me solidarizaria com qualquer outro que tivesse sido vítima de violência por motivação ideológica. Tenho vergonha disso, de ter me acovardado, mas tive medo porque comecei a sentir que a barra ficou muito pesada da noite para o dia”.

Posicionamento definitivo

“Depois da eleição do presidente, eu não aguentei mais. O meu medo de estar destruindo a minha carreira foi menor do que a consciência da verdade. Então eu saí do armário de vez em dezembro. De lá para cá, eu, a minha mulher e a minha companhia temos sofrido agressões. A minha mulher foi chamada de racista. As pessoas organizaram uma invasão a uma apresentação de uma montagem minha de Fedra, do Racine, no CCBB de Belo Horizonte. Eles organizaram uma invasão do teatro. A partir daí, a gente teve que fazer todas as sessões com presença da polícia. No Rio de Janeiro, pessoas que foram meus alunos publicaram posts dizendo que, se eu tentar entrar na cidade com algum espetáculo, eu não saio vivo de lá”.

Reação dos colegas

“Antes de eu ficar doente, dois dos meus melhores amigos eram o Chico Buarque e o Vladimir Safatle, um dos maiores filósofos da esquerda radical aqui em São Paulo. Hoje não tenho mais os direitos da minha adaptação do texto Leite Derramado. Uma série de atores de São Paulo escreveu que se envergonhava de ter trabalhado comigo. Pessoas que iriam trabalhar em espetáculos comigo desistiram. E agora, o Sesc cancelou, por e-mail, de forma sumária, um espetáculo que estava sendo negociado desde o ano passado. Faltava uma semana para os ensaios começarem. E agora ninguém atende mais meus telefonemas no Sesc. Todos os meus projetos foram cancelados. Trabalhei com milhares de atores de teatro, e muitas celebridades também. E hoje é impossível que algum ator da rede Globo atenda meu telefonema. As pessoas me bloquearam, em redes sociais e no WhatsApp. Quando eu puxo o contato da pessoa, ela não existe mais na minha lista”.

Contra o aborto

“Há um esquerdismo introjetado de uma tal maneira que a ideia de você ser conservador, de direita, apoiador do presidente, é relacionada diretamente à encarnação do mal. Não há possibilidade de diálogo, porque há um ódio, uma defenestração automática. Eu sou radicalmente antiaborto, por exemplo, o que já causa um problema muito sério, na medida em que meus melhores amigos sempre foram ‘abortistas’ de carteirinha. Na classe teatral é impossível você ser contra o aborto. Estou numa situação completamente à margem”.

Pacto de mediocridade

Qualquer pessoa tira a roupa. Agora, para atuar precisa de talento, trabalho, elaboração. Então é muito mais fácil você abrir um festival de teatro com 20 pessoas se contorcendo enquanto toca uma música estridente, porque qualquer idiota da plateia sabe que também pode fazer isso. Cria-se um pacto de mediocridade. O cara entra em cena e conta a história pessoal dele, como ele saiu do armário, porque ele é homossexual. Não há a criação de um personagem, de uma gestualidade, de uma voz específica. Quando, na verdade, a obra de arte é a elaboração poética, é a transfiguração do real por meio justamente da criação de narrativas, de símbolos, de signos, de arquétipos em cena. Contar a própria história pessoal por uma hora e meia não acrescenta nada para a história da arte. Obras de arte desvelam a complexidade do ser humano, que é algo que a esquerda mais rechaça. O que ela quer afirmar é que o ser humano não tem complexidade nenhuma”.

Futuro

“Não sei o que vou fazer com essa carreira de mais de cem espetáculos, montados no Brasil inteiro e em sete países do mundo. Estou à espera de um milagre, à espera de que alguma coisa aconteça para me dar munição, estrutura, para que um teatro alinhado aos valores conservadores, ao desvelamento da complexidade da condição humana, ao amor aos clássicos, aos mestres do passado, uma arte alinhada consiga ser erigida no Brasil dentro do campo do teatro a partir de agora. Aos 46 anos de idade, estou começando do zero. Não conheço os caminhos de Deus, mas sei que, se tudo isso está acontecendo, é porque tem um propósito. Tenho fé de que esse propósito vai se revelar em breve para mim. Não acredito que eu tenha tido uma segunda chance na vida para naufragar no vazio”.”

Leia a entrevista completa em: Gazeta do Povo

 
 
 

Roberto Alvim, 46 anos, carioca, católico de Missa diária, diretor teatral e dramaturgo, conta em um testemunho incrível como ocorreu sua conversão.

O diretor carioca Roberto Alvim, hoje com 46 anos, despontou nos palcos paulistanos no fim da década de 2000. Ao lado de sua mulher, a atriz Juliana Galdino, ele fundou a Cia. Club Noir em 2006 e beirou a unanimidade nos anos de 2010 com espetáculos marcantes, como Tríptico Samuel Beckett e Leite Derramado, que sempre vinham seguidos de enormes elogios de artistas e formadores de opinião.

Assista na íntegra a entrevista transmitida na estreia do programa “NA VERDADE” do dia 20/07/2019 na Rede Século XXI:


Após assistir o vídeo na qual ele dá muitos detalhes e ênfase ao seu testemunho de conversão, leia também sua entrevista ao jornal Gazeta do Povo na qual ele conta como sua vida mudou profissionalmente.

Boicotado pela esquerda, diretor Roberto Alvim desabafa: “Minha carreira praticamente acabou”

“O diretor de teatro Roberto Alvim atendeu a reportagem da Gazeta do Povo na sexta-feira (7), por telefone, de dentro de seu teatro, a Companhia Club Noir, que ele e esposa, a atriz Juliana Galdino, mantêm há 12 anos na rua Augusta, em São Paulo. Logo no início da conversa, informou: “Estou aqui no meio dos escombros do teatro, porque a gente está fazendo a mudança, tirando equipamentos de luz, som, cadeiras, tudo. Estou fechando meu teatro no dia 25. Hoje, a minha carreira praticamente acabou por conta do meu apoio ao presidente Jair Bolsonaro e por conta da minha admiração declarada ao professor Olavo de Carvalho”.

Nascido no Rio de Janeiro, Alvim tem 45 anos e dirige peças de teatro desde os 18. Conduziu algumas das montagens mais premiadas na história recente do Brasil, como Homem sem Rumo, Fedra e Leite Derramado, esta baseada no romance homônimo de Chico Buarque, de quem era amigo pessoal. Entre 2009 e 2015, coordenou o Núcleo de Dramaturgia do Sesi em Curitiba. “Dei aulas em Curitiba durante sete anos. Foi muito bom, porque formou uma geração inteira de dramaturgos e diretores que estão produzindo direto agora”, ele diz.

Alvim vivia das oficinas de atuação que realizada no Club Noir, quatro ao ano, sempre com cerca de 15 alunos, e também chegou a dirigir 16 peças por ano, incluindo textos de Shakespeare, Ibsen, Jean Genet, Samuel Beckett e Harold Pinter. Tudo isso acabou depois que ele declarou apoio ao candidato à presidência Jair Bolsonaro.

Na entrevista, Roberto Alvim explica que era de esquerda, ainda que não convicto, até ficar à beira da morte, há dois anos. Desde então, sua vida mudou completamente. Todos os seus amigos o abandonaram e as ameaças se acumularam. No momento em que nenhum aluno apareceu para suas oficinas e o Sesc informou por e-mail que uma peça pronta para estrear seria cancelada, Alvim percebeu que não tinha mais espaço no teatro nacional.

A doença

“Eu tive uma conversão bem radical de dois anos para cá. Tive um problema de saúde muito sério, descobri um tumor no intestino. Até fazer a biópsia, eu me considerava condenado à morte. Esse tumor na verdade era benigno, mas estava causando uma série de problemas, e eu estava muito mal. Tenho 1,90 m de altura e estava pesando 75 quilos. Tinha febre permanentemente. Até que um dia, chegando em casa depois de uma noite no hospital, a babá do meu filho, que era evangélica, pediu para fazer uma oração. Falei para ela sair do meu quarto. Como todo intelectual, eu era ateu convicto. Mas a minha mulher falou, ‘deixa ela fazer a oração, mal não fará’. E ela colocou a mão na minha cabeça e começou a orar. E eu senti uma energia, uma luz. Eu levantei da cama, no dia seguinte fui para o hospital, o tumor tinha praticamente desaparecido. Foi um milagre”.

A conversão religiosa

“Foi então que eu vi que existiam coisas que eu não conhecia. Comecei a frequentar a igreja católica diariamente, indo a duas missas por dia. Tive uma série de epifanias, de iluminações. Me tornei cristão convicto, na minha vida hoje há a misericórdia de Nosso Senhor Jesus Cristo, diretamente. Comecei a fazer cursos de teologia com o padre Paulo Ricardo. E mergulhei de cabeça nos escritos do professor Olavo de Carvalho”.

Recuo inicial

“Demorei muito para sair do armário como o conservador que eu tinha me tornado. Quando houve a facada no candidato Bolsonaro, eu fiquei tão chocado que me pronunciei publicamente em redes sociais. Foi na véspera da estreia do Drácula, uma peça com Cacá Carvalho, no Centro Cultural Banco do Brasil, aqui em São Paulo. E a peça estreou no dia seguinte sem o Cacá Carvalho falar comigo. Era um monólogo, e meu ator não falava mais comigo. O pessoal da classe teatral, meus amigos de décadas, deram as costas para mim no foyer do teatro. Eu estendi a mão para uma pessoa célebre aqui em São Paulo e ela virou a cara diante da minha mão estendida. Eu passava e as pessoas falavam: ‘fascista!’. Tive muito medo de ter destruído a minha carreira. E voltei atrás. Apaguei uma série de postagens que já tinha feito, disse que eu tinha me solidarizado com o candidato como me solidarizaria com qualquer outro que tivesse sido vítima de violência por motivação ideológica. Tenho vergonha disso, de ter me acovardado, mas tive medo porque comecei a sentir que a barra ficou muito pesada da noite para o dia”.

Posicionamento definitivo

“Depois da eleição do presidente, eu não aguentei mais. O meu medo de estar destruindo a minha carreira foi menor do que a consciência da verdade. Então eu saí do armário de vez em dezembro. De lá para cá, eu, a minha mulher e a minha companhia temos sofrido agressões. A minha mulher foi chamada de racista. As pessoas organizaram uma invasão a uma apresentação de uma montagem minha de Fedra, do Racine, no CCBB de Belo Horizonte. Eles organizaram uma invasão do teatro. A partir daí, a gente teve que fazer todas as sessões com presença da polícia. No Rio de Janeiro, pessoas que foram meus alunos publicaram posts dizendo que, se eu tentar entrar na cidade com algum espetáculo, eu não saio vivo de lá”.

Reação dos colegas

“Antes de eu ficar doente, dois dos meus melhores amigos eram o Chico Buarque e o Vladimir Safatle, um dos maiores filósofos da esquerda radical aqui em São Paulo. Hoje não tenho mais os direitos da minha adaptação do texto Leite Derramado. Uma série de atores de São Paulo escreveu que se envergonhava de ter trabalhado comigo. Pessoas que iriam trabalhar em espetáculos comigo desistiram. E agora, o Sesc cancelou, por e-mail, de forma sumária, um espetáculo que estava sendo negociado desde o ano passado. Faltava uma semana para os ensaios começarem. E agora ninguém atende mais meus telefonemas no Sesc. Todos os meus projetos foram cancelados. Trabalhei com milhares de atores de teatro, e muitas celebridades também. E hoje é impossível que algum ator da rede Globo atenda meu telefonema. As pessoas me bloquearam, em redes sociais e no WhatsApp. Quando eu puxo o contato da pessoa, ela não existe mais na minha lista”.

Contra o aborto

“Há um esquerdismo introjetado de uma tal maneira que a ideia de você ser conservador, de direita, apoiador do presidente, é relacionada diretamente à encarnação do mal. Não há possibilidade de diálogo, porque há um ódio, uma defenestração automática. Eu sou radicalmente antiaborto, por exemplo, o que já causa um problema muito sério, na medida em que meus melhores amigos sempre foram ‘abortistas’ de carteirinha. Na classe teatral é impossível você ser contra o aborto. Estou numa situação completamente à margem”.

Pacto de mediocridade

Qualquer pessoa tira a roupa. Agora, para atuar precisa de talento, trabalho, elaboração. Então é muito mais fácil você abrir um festival de teatro com 20 pessoas se contorcendo enquanto toca uma música estridente, porque qualquer idiota da plateia sabe que também pode fazer isso. Cria-se um pacto de mediocridade. O cara entra em cena e conta a história pessoal dele, como ele saiu do armário, porque ele é homossexual. Não há a criação de um personagem, de uma gestualidade, de uma voz específica. Quando, na verdade, a obra de arte é a elaboração poética, é a transfiguração do real por meio justamente da criação de narrativas, de símbolos, de signos, de arquétipos em cena. Contar a própria história pessoal por uma hora e meia não acrescenta nada para a história da arte. Obras de arte desvelam a complexidade do ser humano, que é algo que a esquerda mais rechaça. O que ela quer afirmar é que o ser humano não tem complexidade nenhuma”.

Futuro

“Não sei o que vou fazer com essa carreira de mais de cem espetáculos, montados no Brasil inteiro e em sete países do mundo. Estou à espera de um milagre, à espera de que alguma coisa aconteça para me dar munição, estrutura, para que um teatro alinhado aos valores conservadores, ao desvelamento da complexidade da condição humana, ao amor aos clássicos, aos mestres do passado, uma arte alinhada consiga ser erigida no Brasil dentro do campo do teatro a partir de agora. Aos 46 anos de idade, estou começando do zero. Não conheço os caminhos de Deus, mas sei que, se tudo isso está acontecendo, é porque tem um propósito. Tenho fé de que esse propósito vai se revelar em breve para mim. Não acredito que eu tenha tido uma segunda chance na vida para naufragar no vazio”.”

Leia a entrevista completa em: Gazeta do Povo

 
 
 
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