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02 de abril de 2006 Vicente Balaguer

Um dos dados mais seguros da vida de Jesus é que constituiu um grupo de doze discípulos aos quais denominou os ?Doze Apóstolos?. Esse grupo era formado por homens que Jesus chamou pessoalmente, que lhe acompanhavam em sua missão de instaurar o Reino de Deus e seriam testemunhas de suas palavras, de suas obras e de sua ressurreição.

O grupo dos Doze aparece nos escritos do Novo Testamento como um grupo estável ou fixo. Seus nomes são ?Simão, a quem deu o nome de Pedro; Tiago, filho de Zebedeu, e João seu irmão, aos quais deu o nome de Boanerges, ou seja, filhos do Trovão; André e Felipe, Batolomeu e Mateus, Tomé e Tiago, filho de Alfeu, e Tadeu e Simão Cananeu; e Judas Iscariotes, o que O entregou? (Mc 3, 16-19).

Nas listas que aparecem em outros Evangelhos e nos Atos dos Apóstolos, há poucas variações. Chama-se Tadeu de Judas, mas não é significativo, pois é notório que várias pessoas se chamavam da mesma maneira ? Simão, Tiago ? e se distinguiam pelo patronímico ou por um segundo nome. Trata-se, pois, de Judas Tadeu. O significativo é que no livro dos Atos não se fale do trabalho evangelizador de muitos deles: sinal que se dispersaram rapidamente e de que, apesar disso, a tradição dos nomes dos Apóstolos está bem assentada (At 1,26).

São Marcos (3,13-15) diz que Jesus ?subindo ao monte chamou aos que quis e foram para onde Ele estava. E constituiu a doze, para que estivessem com ele e para enviá-los a pregar com poder de expulsar demônios?. Assinala dessa maneira a iniciativa de Jesus e a função do grupo dos Doze: estar com Ele e ser enviados a pregar com a mesma potestade de Jesus.

Os Evangelistas ? São Mateus (10,1) e São Lucas (6,12-13) ? expressam-se no mesmo tom. Ao longo do evangelho, percebe-se como acompanham Jesus, participam de sua missão e recebem um ensino particular. Os evangelistas não escondem que muitas vezes não entendem as palavras do Senhor e que O abandonaram no momento da provação. Mas assinalam também a confiança renovada que Jesus lhes outorga.

É muito significativo que o número dos eleitos seja doze. Esse número remete às doze tribos de Israel (cf. Mt 19,28; Lc 22, 30; etc) e não a outros números comuns naquele tempo ? os membros do Sinédrio eram 71, os membros do Conselho de Qumrán, 15 ou 16, e os membros adultos necessários para o culto na sinagoga, 10. Dessa maneira, Jesus parece deixar claro que não quer restaurar o reino de Israel (At 1,6) sobre a base do território, do culto e do povo, mas instaurar o Reino de Deus sobre a terra. Isso se torna evidente também pelo fato de que, antes da vinda do Espírito Santo no Pentecostes, Matias ocupe o lugar de Judas Iscariotes e complete o número dos Doze.

BIBLIOGRAFIA

GNILKA, J. Jesús de Nazaret, Herder, Barcelona 1993. PUIG, A. Jesús. Una biografía, Destino, Barcelona 2005. SEGALLA, G. Panoramas del Nuevo Testamento, Verbo Divino, Estella 2004.

 
 
 
Jesus nasceu em Belém ou em Nazaré?

02 de abril de 2006 Vicente Balaguer

São Mateus diz de maneira explícita que Jesus nasceu em ?Belém de Judá, no tempo do rei Herodes? (Mt 2,1 cfr. 2, 5.6.8.16) e São Lucas diz o mesmo (Lc 2, 4.15). O evangelho de São João menciona o fato de maneira indireta. ?Produziu-se uma discussão a propósito da identidade de Jesus e alguns daquela multidão diziam: Este é realmente o profeta. Mas outros diziam: Este é o Cristo. Mas outros protestavam: É acaso da Galiléia que há de vir o Cristo? Não diz a Escritura: O Cristo há de vir da família de Davi, e da aldeia de Belém, onde vivia Davi?? (Jo 7, 40-43).

O quarto evangelista serve-se aqui de uma ironia: ele e o leitor cristão sabem que Jesus é o Messias e que nasceu em Belém. Alguns opositores de Jesus querem demonstrar que não é ele o Messias dizendo que, se assim fosse, teria nascido em Belém. Afirmam que sabem (pensam saber) que nasceu em Nazaré. Esse tipo de procedimento é habitual no quarto evangelho (Jo 3, 12; 6, 42; 9, 40-1). Por exemplo, na pergunta da mulher samaritana: ?És, porventura, maior do que nosso pai Jacó?? (Jo 4, 12), os ouvintes de João sabem que Jesus é o Messias, Filho de Deus, superior a Jacó. De modo que a pergunta da mulher era uma afirmação dessa superioridade. Portanto, o evangelista prova que Jesus é o Messias inclusive com as afirmações de seus opositores. Esse foi o consenso comum entre fiéis e pesquisadores durante mais de 1900 anos.

No entanto, no século passado, alguns pesquisadores afirmaram que Jesus é tido em todo o Novo Testamento como ?o Nazareno?, isto é, que provém de Nazaré, e que a menção de Belém como lugar de nascimento seria uma invenção dos primeiros evangelistas que revestem Jesus com características que, naquele momento, atribuíam-se ao futuro messias: ser descendente de Davi e nascer em Belém. É certo que uma argumentação como essa não prova nada. No século I, diziam-se várias coisas do futuro messias que não se cumprem em Jesus e, pelo nosso conhecimento atual, o nascimento em Belém não parece ter sido uma das principais provas para demonstrar a legitimidade do Messias.

Deve-se pensar na direção contrária: os evangelistas descobrem nos textos do Antigo Testamento que se cumpre nEle esse atributo messiânico justamente porque Jesus, que era de Nazaré, ou seja, que lá foi criado, havia nascido em Belém. Além disso, todos os testemunhos da tradição garantem os dados evangélicos. São Justino ? nascido na Palestina por volta do ano 100 d.C. ? menciona, uns cinqüenta anos mais tarde, que Jesus nasceu em uma cova de Belém (Diálogo 78). Orígenes também dá testemunho do fato (Contra Celso I, 51). Os evangelhos apócrifos atestam o mesmo (Pseudo-Mateus, 13; Protoevangelho de São Tiago, 17ss.; Evangelho, 2-4).

Em resumo, o parecer comum dos estudiosos contemporâneos considera que não há argumentos fortes para contradizer o que afirmam os evangelhos e o que assegura a tradição: Jesus nasceu em Belém de Judá, no tempo do rei Herodes.

BIBLIOGRAFIA

PUIG, A. Jesús. Una biografía, Destino, Barcelona 2005. GONZÁLEZ ECHEGARAY, J. Arqueología y evangelios, Verbo Divino, Estella 1994. MUÑOZ IGLESIAS, S. Los evangelios de la infancia, BAC, Madrid, 1990.

 
 
 

Esta cronologia apresenta uma seqüência dos eventos bíblicos e extrabíblicos que refletiram sobre a formação do cânon da Bíblia, tanto do Antigo quanto do Novo Testamento. Afirma-se por aí que dois pesquisadores da Bíblia não conseguem concordar sobre uma cronologia apostólica… Com efeito, a cronologia que apresentamos aqui é aceitável para alguns, mas não pode ser considerada “universal”. Serve apenas para fornecer pontos de referência para os eventos que se sucederam e suas conseqüências [sobre o cânon das Escrituras].EVENTO DATAOBRAPregação de João Batista27Vinda do Espírito Santo sobre a Igreja30Estêvão é martirizado por lapidação36/37Conversão de Paulo e sua primeira viagem missionária45/49Concílio [Apostólico] de Jerusalém50Segunda viagem missionária de Paulo50/52511ª e 2ª Epístolas aos TessalonicensesTerceira viagem missionária de Paulo53/5854-57Epístola aos Gálatas571ª e 2ª Epístolas aos Coríntios58Epístola aos RomanosViagem [de Paulo] a Roma59/601ª prisão de Paulo em Roma61-63Epístola a FilemonEpístola aos ColossensesEpístola aos EfésiosEpístola aos FilipensesEpístola de Tiago65Evangelho de Marcos1ª Epístola a TimóteoEpístola a TitoO apóstolo Tiago é martirizado. Paulo é levado para Roma63/64Pedro em Roma (Pedro é o primeiro Bispo de Roma)641ª Epístola de Pedro2ª prisão de Paulo e martírio672ª Epístola a TimóteoMorte de Pedro. Lino é Bispo de RomaEpístola aos HebreusDestruição de Jerusalém68-7070sEvangelho de MateusEvangelho de Lucas e Atos dos ApóstolosAnacleto é Bispo de Roma7870s/90sEpístola de Judas90sEvangelho de João1ª, 2ª e 3ª Epístolas de JoãoLivro do ApocalipseClemente é Bispo de Roma92-1011ª Epístola de ClementeMorte do [apóstolo] João em Éfeso98Sínodo dos rabinos/judeus em Jâmnia99-100Cânon palestinense em hebraico1º Cânon Cristão do Antigo Testamentoc. 100Cânon alexandrino em grego100-1252ª Epístola de PedroDidaquéMelitão, bispo de Sardesc. 170Primeira tentativa cristã conhecida de relacionar o cânon do Antigo Testamento. Melitão lista os livros do AT segundo a ordem da Septuaginta, mas apresenta apenas os protocanônicos do AT, com exceção de Ester.Ireneu, bispo de Lião185Apresenta um cânon do Novo Testamento (sem 3João, Tiago e 2Pedro)c. 200Fragmento de Muratori apresenta um cânon semelhante ao do [Concílio de] TrentoEusébio, bispo de Cesaréiac. 325Escreve a “História Eclesiástica”; refere-se a Tiago, Judas, 2Pedro e 2-3João como “controversos, ainda que aceitos pela maioria”Concílio [Regional] de Laodicéiac. 360Apresenta um cânon de livros semelhante ao de TrentoPapa Dâmaso382Decreto listando os livros canônicos, da mesma forma que em TrentoConcílio [Regional] de Roma382Aceitação do decreto de DâmasoConcílio [Regional] de Hipona (norte da África)393Aprovado um cânon do Antigo e do Novo Testamento (igual ao de Trento)Concílio [Regional] de Cartago (norte da África)397Aprovado um cânon do Antigo e do Novo Testamento (igual ao de Trento)Exupério, bispo de Toulouse405Escreve ao papa Inocêncio I pedindo uma lista dos livros canônicos. Papa Inocêncio oferece uma lista idêntica ao cânon de Trento

Autor: Charles the Hammer Fonte: Catholicapologetics.Net Tradução: Carlos Martins Nabeto

 
 
 
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