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Entrevista com o presidente da Comissão diocesana da Ostensão 2010

Por Chiara Santomiero

TURIM, quarta-feira, 14 de abril de 2010 (ZENIT.org).- Com o começo da Solene Ostensão do Santo Sudário, ZENIT pediu ao monsenhor Giuseppe Ghiberti, presidente da Comissão diocesana do Sudário, que explique o valor religioso do véu que, segundo a tradição, teria envolvido o corpo de Jesus antes da Ressurreição.

–Somente uma resposta positiva sobre a autenticidade do Santo Sudário legitima a relação religiosa entre o crente e este objeto? –Monsenhor Ghiberti: O problema da justificação da relação religiosa com o Sudário é visto de diversas maneiras. Não são poucas as pessoas que consideram que somente a segurança de sua autenticidade dá legitimidade a sua veneração por parte dos fieis. A teoria oposta afirma por outro lado: trata-se de um objeto venerável e portanto é autêntico.

Ambas posições não parecem convincentes. A relação religiosa do fiel com o Santo Sudário, quer dizer, de uma pessoa que viveu em uma tradição na qual a pessoa e as circunstâncias da vida de Jesus são centrais, nasce ao se dar conta – no momento em que se aproxima do manto – que há uma perfeita correspondência entre o que é visto e o que se refere ao relato evangélico a propósito da Paixão de Jesus.

Pode-se qualificar como uma “função precursora”. São João Batista afirmava a respeito de Jesus: ”Ele deve crescer e eu diminuir. Ele é o Esposo, e eu, o amigo do Esposo”; para o Sudário é o mesmo, em sua pobreza está sua nobreza, porque seu valor não está no que é, mas sim ao que remete.

Há um caráter pré-científico nesse tipo de relação com o Sudário. Nesse ponto, ainda não estabeleço questionamentos sobre sua autenticidade: simplesmente tomo a mensagem que dele emana e que consiste em uma referência ao relato evangélico da Paixão.

Só em seguida eu pergunto à ciência se nesse manto esteve o corpo de Jesus. Isso para o meu coração é importantíssimo. Na ciência estou, portanto, interessado, mas não sou influenciado por ela. Essa forma de raciocínio creio que oferece uma proposta precisa e, aceitando-a, estou muito mais livre.

–Portanto, o Santo Sudário tem uma função auxiliar para a fé? –Monsenhor Ghiberti: Quando se adquire esta liberdade interior – e olha que eu sou um “fã” da autenticidade do Sudário!” – o resultado não influi na recepção da mensagem. Devemos perguntar: Qual o significado do Santo Sudário para mim, para a pastoral, para a Igreja?

As coisas estão ligadas umas às outras. O Sudário não é certamente objeto de fé, são outras as verdades fundamentais em que acreditar. João Paulo II o disse claramente na ostensão de 1998. Mas me ajuda a acreditar. É que um desses meios que o Senhor põe no caminho de seus filhos para chamá-los a Si. Não é necessário – há muitos cristãos que foram santos sem o Sudário, bastou o Evangelho e sua consciência –, mas da mesma forma que o Senhor quis que estes fossem meus pais e que este fosse meu caminho na vida, Ele quis que eu deparasse o Sudário e, como eu, muitas pessoas.

Essas são cada vez mais, talvez porque a cultura de nosso tempo tenha uma maior sensibilidade para a imagem, apesar de que seja muito distinta das que são celebradas hoje: ainda que pelas dimensões harmoniosas corporais se pode notar que o do Santo Sudário é um homem bonito, trata-se contudo de um corpo destruído pela tortura.

As pessoas sempre pedem para permanecer mais tempo diante do manto, mas quem pode estar diante dele por mais tempo, como aconteceu comigo, deve se esforçar para não fugir, porque é um testemunho de sofrimento indescritível. A dor que transparece através dele, em uma civilização da imagem como a nossa, é mais eloquente que muitos discursos. João Paulo II, nessa mesma ocasião, disse: “Não poderia nos amar mais”.

–Ícone ou relíquia? –Monsenhor Ghiberti: O primeiro a usar a terminologia de ícone foi o cardeal Ballestrero e lhe criticaram por usar um escamotage, um conceito para evitar a pronúncia de relíquia no momento em que se proclamavam os resultados do carbono 14 que conduzia à datação da Idade Média, para resguardar sua santidade. Essa é uma polêmica injustificada. O conceito de ícone é útil não só para evitar o problema da autenticidade, porque ainda que essa não se demonstrasse, não haveria dificuldade em usá-lo. Porém o problema hoje é poder usar o conceito de relíquia, ou seja, de objeto que teria contato com Jesus.

No jogo entre os dois conceitos, o de ícone tem algo mais e algo a menos. Tem a vantagem de não ter de se expressar com respeito ao contato físico com o corpo de Jesus – sem negá-lo, não se pronuncia nesse aspecto –;  no menos, adverte-se como um conceito um pouco mais distante. O conceito de relíquia tem a desvantagem de antecipar, no sentido comum, conclusões que ainda não foram dadas.

Ainda que em uma acepção ampla de termo, relíquia pode indicar algo que teve referência com um santo sem necessariamente supor contato físico. Nesse sentido, é um termo que se pode utilizar também para o Sudário, especificando o significado com o qual se usa.

A teologia do ícone tem uma grande densidade de significado enquanto que expressa, segundo a tradição do uso que está presente na Escritura e no cristianismo antigo, o conceito de uma semelhança que tende inclusive à identificação com o ponto de partida.

–Pode-se dizer que essa incerteza sobre a autenticidade do Sudário tem em si uma função educativa que Deus oferece aos crentes? –Monsenhor Ghiberti: É um dos aspectos da pobreza que é característica do mistério da Encarnação. Se algo nos diz este mistério, é o escondimento da divindidade no corporeidade, o aspecto mais tangível da presença de uma pessoa humana. Ao tomar o Sudário como ajuda para a fé, mas sem libertá-lo das incertezas científicas, Deus nos convida a concentrar no essencial da mensagem, que remete a seu Filho, encarnado em um corpo, morto e ressuscitado. Também na pobreza dos sinais que estão no estilo de Jesus, que servem de instrumentos “frágeis” para converter os corações.

–Por um lado está o milhão e meio de peregrinos inscritos para a ostensão, por outro há ceticismo sobre o Sudário entre muitos crentes: por que na incerteza é mais fácil acreditar que ele não é autêntico, mais que o contrário? –Monsenhor Ghiberti: Teria de perguntar se muitos crentes acreditam verdadeiramente nas verdades de fé como a Ressurreição e a presença real de Jesus na Eucaristia. É muito difícil, quando se trata de acolher na consciência os conteúdos dessas afirmações fundamentais da fé, dizer “eu creio”. Mesmo alguns que vão à Igreja regularmente talvez pensem que são modos de falar.

O aspecto extraordinário, com o passar dos anos, torna-se convidativo relativizar; cada um que vive uma quantidade de experiências que não são em si extraordinárias, e o que não passou em minhas experiências coloco entre parênteses e excluo. Algo semelhante acontece com a fé. No momento em que sinto o convite para acreditar, digo sim, sei que é um convite para ir além, só que à medida que o tempo passa, tiro do coração o que me havia lançado a ir além.

Quando, como na minha idade, em que se aproximam os últimos momentos da vida, o pensamento de um futuro no qual esta minha realidade tem uma transformação beatificante não é fácil de confirmar nem de aceitar. Acreditar é um processo de conquista que tem suas dificuldades e suas alegrias em todas as idades, e não me surpreende que a respeito do Santo Sudário suceda algo semelhante. É mais preocupante para as verdades da fé. O Sudário eu posso colocá-lo entre parênteses: talvez eu fique mal, porque perco uma ajuda, mas o Senhor não me pedirá contas disso, como me pedirá se eu renunciar a uma ou mais verdades de fé. Trata-se, contudo, de âmbitos que apresentam semelhanças. Acontece que o que serve para a fé tem as mesmas dificuldades que a própria fé para ser aceita.

–O que pode se recomendar aos peregrinos, qual atitude, como abordar esse mistério?

–Monsenhor Ghiberti: Para se desejar surpreender por essa realidade é necessário se empenhar em silêncio, renunciar os comentários, viver este momento de modo pessoal. É necessário também cuidar da preparação, para não ficar completamente em falta.

Para que não se limite a uma emoção, existe a possibilidade de se dirigir à capela da adoração, ou encaminhar-se à confissão. Muitos voltam a cruzar o portão central da catedral para ficar diante do Santo Sudário com mais calma, ainda que de longe.

Isso se refere ao amor infinito de Jesus: esta é a mensagem acima de todas as considerações possíveis.

 
 
 

A dor do apóstolo, «ver que Deus não é conhecido»

CIDADE DO VATICANO, domingo, 3 de maio de 2009 (ZENIT.org).- Ao ordenar dezenove sacerdotes neste domingo, Bento XVI constatou que «o mundo», entendido no sentido evangélico, também contamina a Igreja.

Na homilia da celebração eucarística, presidida na Basílica de São Pedro no Vaticano, o pontífice ofereceu pistas para viver uma vida de santidade aos novos presbíteros da diocese de Roma.

A metade dos até agora diáconos procediam da Cidade Eterna ou de sua província; outros três eram italianos de outras localidades, e seis de diferentes países: Nigéria, Haiti, Croácia, República Tcheca, Chile e Coréia do Sul. O Papa lhes alentou a viver uma vida de entrega total a Deus, como a dos apóstolos que mudaram o curso da história anunciando a salvação no nome de Cristo.

«O discípulo, e especialmente o apóstolo, experimenta o mesmo gozo de Jesus ao conhecer o nome e o rosto do Pai; e compartilha também sua mesma dor ao ver que Deus não é conhecido, que seu amor não é experimentado», explicou o Santo Padre.

«Por um lado exclamamos, como João em sua primeira Carta: “Olhai que amor nos teve o Pai para chamar-nos filhos de Deus, pois o somos!”; e por outra parte, com amargura, constatamos: “O mundo não nos conhece porque não conheceu a ele” (1 Jo 3, 1)».

«É verdade – reconheceu o Papa –, e nós, os sacerdotes, o sabemos por experiência: o “mundo”, na acepção de João, não compreende o cristão, não compreende aos ministros do Evangelho. Em parte, porque de fato não conhece a Deus; e em parte, porque não quer conhecê-lo».

«O mundo não quer conhecer Deus e escutar seus ministros, pois isto o poria em crise», declarou. O mundo, disse, insistindo no sentido evangélico deste termo, «insidia também à Igreja, contagiando seus membros e os próprios ministros ordenados».

O «mundo», sublinhou, «é uma mentalidade, uma maneira de pensar e de viver que pode contaninar inclusive à Igreja, e de fato a contamina, e portanto exige constante vigilância e purificação».

«Estamos ‘no’ mundo, e corremos também o risco de ser ‘do’ mundo. E, de fato, às vezes o somos». Para poder tender à entrega total a Deus, à santidade, o Papa recomendou aos novos sacerdotes vida de oração, «antes de tudo, na santa missa cotidiana».

«A celebração eucarística é o ato de oração maior e mais alto e constitui o centro e a fonte da qual também as demais formas de oração recebem a “seiva”: a liturgia das horas, a adoração eucarística, alectio divina, o santo Rosário, a meditação».

«O sacerdote que reza muito e reza bem, vai ficando progressivamente despojado de si mesmo e fica cada vez mais unido a Jesus, Bom Pastor e Servo dos irmãos», assegurou o Papa.

«Em conformidade com ele, também o sacerdote ‘dá a vida’ pelas ovelhas que lhe foram encomendadas», concluiu.

 
 
 

Comentário do Pe. Cantalamessa à liturgia da Solenidade de Todos os Santos

ROMA, quarta-feira, 31 de outubro de 2007 (ZENIT.org).- Publicamos o comentário do Pe. Raniero Cantalamessa, ofmcap. – pregador da Casa Pontifícia ¬– sobre a liturgia da Solenidade de Todos os Santos.

* * *

Solenidade de Todos os Santos Apocalipse 7, 2-4. 9-14; João 3, 1-3; Mateus 5, 1-12a

Quem são os santos

Faz tempo que os cientistas enviam sinais ao cosmos em espera de respostas por parte de seres inteligentes em algum planeta perdido. A Igreja desde sempre mantém um diálogo com os habitantes de outro mundo, os santos. É o que proclamamos ao dizer: «Creio na comunhão dos santos». Ainda que existissem habitantes fora do sistema solar, a comunicação com eles seria impossível, porque entre a pergunta e a resposta passariam milhões de anos. Aqui, ao contrário, a resposta é imediata, porque existe um centro de comunicação e de encontro comum que é Cristo Ressuscitado.

Talvez também pelo momento do ano em que cai, a Solenidade de Todos os Santos tem algo especial que explica sua popularidade e as numerosas tradições ligadas a ela em alguns setores da cristandade. O motivo está no que diz João na segunda leitura. Nesta vida, «somos filhos de Deus e ainda não se manifestou o que seremos»; somos como o embrião no seio da mãe que anseia nascer. Os santos «nasceram» (a liturgia chama «dia do nascimento», dies natalis, no dia de sua morte); contemplá-los é contemplar nosso destino. Enquanto ao nosso redor a natureza se desnuda e caem as folhas, a festa de todos os santos nos convida a olhar para o alto; e nos recorda que não estamos destinados a ficar na terra para sempre, como as folhas.

A passagem do Evangelho é a das bem-aventuranças. Uma em particular inspirou a escolha da passagem: «Bem-aventurados os que têm fome e sede de justiça, porque serão saciados». Os santos são aqueles que tiveram fome e sede de justiça, isto é, na linguagem bíblica, de santidade. Não se resignaram à mediocridade, não se contentaram com meias palavras.

A primeira leitura da Solenidade nos ajuda a entender quem são os santos. São «os que lavaram suas vestes no sangue do Cordeiro». A santidade se recebe de Cristo; não é uma produção própria. No Antigo Testamento, ser santos queria dizer «estar separados» de tudo o que é impuro; na acepção cristã, quer dizer o contrário, ou seja, «estar unidos», mas a Cristo.

Os santos, isto é, os salvos, não são só os que o calendário ou o santoral enumeram. Existem os «santos desconhecidos»: que arriscaram suas vidas pelos irmãos, os mártires da justiça e da liberdade, ou do dever, os «santos leigos», como alguém os chamou. Sem saber, também suas vestes foram lavadas no sangue do Cordeiro, se viveram segundo a consciência e lhes importou o bem dos irmãos.

Surge espontaneamente uma pergunta: o que os santos fazem no paraíso? A resposta está, também aqui, na primeira leitura: os salvos adoram, deixam suas coroas ante o trono, exclamando: «Louvor, honra, bênção, ação de graças…». Realiza-se neles a verdadeira vocação humana, que é a de ser «louvor da glória de Deus» (Ef 1, 14). Seu coro é guiado por Maria, que no céu continua seu canto de louvor: «Minha alma proclama a grandeza do Senhor». É neste louvor que os santos encontram sua bem-aventurança e seu gozo: «Meu espírito se alegra em Deus». O homem é aquilo que ama e aquilo que admira. Amando e louvando a Deus, ele se une Deus, participa de sua glória e de sua própria felicidade.

Um dia, um santo, São Simeão, o Novo Teólogo, teve uma experiência mística de Deus tão forte que exclamou para si: «Se o paraíso não for mais que isso, já me basta!». Mas a voz de Cristo lhe disse: «És bem mesquinho se te contentas com isso. O gozo que experimentaste em comparação com o do paraíso é como um céu pintado no papel com relação ao verdadeiro céu».

[Tradução realizada por Zenit]

 
 
 
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