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Pela segunda vez, Jesus avisa os discípulos sobre seu fim trágico. Esta informação não entra na cabeças dos discípulos. Esse tipo de anuncio não se enquadra naquilo que eles esperam de Jesus. Os discípulos não conseguem conciliar poder com fraqueza: como pode cair “nas mãos dos homens”, aquele que expulsa as forças malignas? Para eles era incompreensível essa espécie de contradição.

Para seguir um líder, antes precisamos conhecer seus projetos. A multiplicação dos pães, a pesca milagrosa, as curas e as próprias bem-aventuranças criaram um estado de ânimo favorável a Jesus.

Mas era preciso acrescentar outra dimensão: o sofrimento. Isso eles não compreenderam e tinham medo de perguntar. Suspeitavam que a resposta viesse desestabilizá-los ainda mais. Seguir Jesus é caminhar a luz da fé. E não podemos ter medo de dar os passos necessários.

Os discípulos foram desafiados a abrir mão de seus esquemas e pensar como Jesus. Este processo foi penoso, mas sem a disposição de pensar como Jesus, o discipulado fica inviabilizado. O passo da fé exige a postura previa do conhecimento e da aceitação do caminho, só então, é possível reconhecer no crucificado, o Messias, o Filho querido do Pai. Os discípulos só entenderão o ensinamento com clareza, após a ressurreição quando Jesus abrir a inteligência deles para compreenderem as Escrituras: “Está escrito que o Messias, tinha que sofrer e ressuscitar dos mortos no terceiro dia” (Lc 24, 45).

Rezemos: Senhor, abre a minha mente e me ajude a pensar igualmente a Ti. Ser obediente ao Pai no despojamento de si.


 
 
 

Reflexão do Evangelho de de Jesus Cristo segundo São Lucas 9,7-9

Naquele tempo:

O tetrarca Herodes ouviu falar de tudo o que estava acontecendo, e ficou perplexo, porque alguns diziam que João Batista tinha ressuscitado dos mortos.

Outros diziam que Elias tinha aparecido; outros ainda, que um dos antigos profetas tinha ressuscitado.

Então Herodes disse: ‘Eu mandei degolar João. Quem é esse homem, sobre quem ouço falar essas coisas?’ E procurava ver Jesus.

Palavra da Salvação.

Veja a reflexão:






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27º Domingo – Tempo Comum

3 de Outubro de 2021 –  Cor: Verde

1ª Leitura – Gn 2,18-24 Salmo – Sl 127,1-2.3.4-5.6 (R. cf. 5) 2ª Leitura – Hb 2,9-11 Evangelho – Mc 10,2-16











1ª LEITURA – GN 2,18-24

Leitura do Livro do Gênesis 2, 18-24

18O Senhor Deus disse: ‘Não é bom que o homem esteja só. Vou dar-lhe uma auxiliar semelhante a ele’. 19Então o Senhor Deus formou da terra todos os animais selvagens e todas as aves do céu, e trouxe-os a Adão para ver como os chamaria; todo o ser vivo teria o nome que Adão lhe desse. 20E Adão deu nome a todos os animais domésticos, a todas as aves do céu e a todos os animais selvagens; mas Adão não encontrou uma auxiliar semelhante a ele. 21Então o Senhor Deus fez cair um sono profundo sobre Adão. Quando este adormeceu, tirou-lhe uma das costelas e fechou o lugar com carne. 22Depois, da costela tirada de Adão, o Senhor Deus formou a mulher e conduziu-a a Adão. 23E Adão exclamou: ‘Desta vez, sim, é osso dos meus ossos e carne da minha carne! Ela será chamada’mulher’ porque foi tirada do homem’. 24Por isso, o homem deixará seu pai e sua mãe e se unirá à sua mulher, e eles serão uma só carne. Palavra do Senhor.

SALMO – SL 127,1-2.3.4-5.6 (R. CF. 5)


R.O Senhor te abençoe de Sião, cada dia de tua vida.

1Feliz és tu se temes o Senhor / e trilhas seus caminhos!2Do trabalho de tuas mãos hás de viver, / serás feliz, tudo irá bem!

R.

3A tua esposa é uma videira bem fecunda / no coração da tua casa; / os teus filhos são rebentos de oliveira / ao redor de tua mesa.

R.

4Será assim abençoado todo homem / que teme o Senhor. 5O Senhor te abençoe de Sião, / cada dia de tua vida, / para que vejas prosperar Jerusalém,

R.

6E os filhos dos teus filhos. / Ó‚ Senhor, que venha a paz a Israel, / que venha a paz ao vosso povo!

R.

2ª LEITURA – HB 2,9-11


Tanto o Santificador, quanto os

santificados descendem do mesmo ancestral.

Leitura da Carta aos Hebreus 2, 9-11

Irmãos: 9Jesus, a quem Deus fez pouco menor do que os anjos, nós o vemos coroado de glória e honra, por ter sofrido a morte. Sim, pela graça de Deus em favor de todos, ele provou a morte. 10Convinha de fato que aquele, por quem e para quem todas as coisas existem, e que desejou conduzir muitos filhos à glória, levasse o iniciador da salvação deles à consumação, por meio de sofrimentos. 11Pois tanto Jesus, o Santificador, quanto os santificados, são descendentes do mesmo ancestral; por esta razão, ele não se envergonha de os chamar irmãos. Palavra do Senhor.

EVANGELHO – MC 10,2-16


O que Deus uniu, o homem não separe!

+ Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo Marcos 10, 2-16

Naquele tempo: 2Alguns fariseus se aproximaram de Jesus. Para pô-lo à prova, perguntaram se era permitido ao homem divorciar-se de sua mulher. 3Jesus perguntou: ‘O que Moisés vos ordenou?’4Os fariseus responderam: ‘Moisés permitiu escrever uma certidão de divórcio e despedi-la’. 5Jesus então disse: ‘Foi por causa da dureza do vosso coração que Moisés vos escreveu este mandamento. 6No entanto, desde o começo da criação, Deus os fez homem e mulher. 7Por isso, o homem deixará seu pai e sua mãe e os dois serão uma só carne. 8Assim, já não são dois, mas uma só carne. 9Portanto, o que Deus uniu, o homem não separe!’10Em casa, os discípulos fizeram, novamente, perguntas sobre o mesmo assunto. 11Jesus respondeu: ‘Quem se divorciar de sua mulher e casar com outra, cometerá adultério contra a primeira. 12E se a mulher se divorciar de seu marido e casar com outro, cometerá adultério’. 13Depois disso, traziam crianças para que Jesus as tocasse. Mas os discípulos as repreendiam. 14Vendo isso, Jesus se aborreceu e disse: ‘Deixai vir a mim as crianças. Não as proibais, porque o Reino de Deus é dos que são como elas. 15Em verdade vos digo: quem não receber o Reino de Deus como uma criança, não entrará nele’. 16Ele abraçava as crianças e as abençoava, impondo-lhes as mãos. Palavra da Salvação.







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Voltar ao princípio para criar algo novo

“No entanto, desde o princípio da criação Deus os fez homem e mulher” (Mc 10,6)

O Mestre Jesus, em sua itinerância missionária, depara-se com diferentes perguntas sobre aspectos da vida, pessoal ou comunitária. Todas elas acabam se revelando uma ocasião privilegiada para Ele anunciar a Boa Notícia do Reino.

No evangelho deste domingo (27º TC), partindo da pergunta que lhe fazem, Jesus não foca tanto na questão do divórcio (ou repúdio), quanto no lugar e na dignidade da mulher; sua resposta vai centrar-se em outra direção, pela qual não lhe haviam perguntado. Para Jesus, não se pode tolerar uma lei machista segundo a qual o marido pode abandonar a sua esposa como se fosse uma mercadoria; os dois são pessoas com a mesma dignidade. O que isso significa é bem simples: situar o homem e a mulher em pé de igualdade. Ou, dito de outro modo, desativar o machismo que, como ainda hoje em nosso contexto, leva a considerar a mulher como “propriedade” do homem ou, ao menos, como aquela que deve estar ao seu serviço.  É claro que tais atitudes machistas contradizem flagrantemente aquele primeiro princípio bíblico que falava de “ser os dois uma só carne”.

Na realidade, a atitude de Jesus é coerente com toda sua trajetória. Se algo fica claro, no relato evangélico, é seu posicionamento decidido a favor dos “últimos”, dos “pequenos”, das “crianças”, das mulheres… Por tudo isso, não parece casual que, depois do relato no qual defende a igualdade da mulher com relação ao homem, apareça a cena de Jesus abraçando as crianças.

Seja qual for o motivo da pergunta feita pelos fariseus, a resposta de Jesus vai se centrar neste ponto: a “intuição primeira” (e, portanto, também o “horizonte”) para a qual tende a relação amorosa entre homem e mulher: “o que Deus uniu o homem não separe”. Mas Deus não une pelas leis canônicas e sim pelo amor cuja intenção é a plena comunhão entre duas pessoas. Uma coisa é a indissolubilidade canônica e outra é a fidelidade que o casal deve atualizar cada dia e em cada instante de sua convivência.

No meio de uma cultura marcadamente machista e patriarcal, Jesus desativou o machismo e rompeu com tabus intocáveis, adotando uma atitude de reconhecimento e valorização da mulher em nível de igualdade com o homem; e isso desde “o princípio”, ou seja, por vontade divina. Em um contexto no qual o mundo feminino era invisível, Jesus o fez visível, superando preconceitos e atitudes de dominação.

Ao renunciar sacralizar a sociedade patriarcal de sua época, Jesus restituiu à sua fonte original a relação entre homem e mulher, o matrimônio e a família. Mulheres e homens aparecem em seu projeto como iguais, sem prioridade de um sexo sobre o outro.  No discipulado igualitário de Jesus, as mulheres encontraram espaço para se desenvolver em liberdade, rompendo a submissão à ordem patriarcal. Jesus as emancipou e as fez companheiras itinerantes, em companhia dos homens, para escândalo daqueles que olhavam o corpo da mulher como perigoso e contaminante.

Sabemos que o ser humano se humaniza quando em companhia, e uma estável relação de casal alcança o grau mais profundo de realização humana. Esta é a chave de todo o discurso de Jesus. Este projeto matrimonial é para Jesus a suprema expressão do amor humano. É Deus mesmo que atrai mulheres e homens para viverem unidos por um amor livre e gratuito. O matrimônio é a verdadeira escola do amor. Nenhuma outra relação humana chega a tal grau de profundidade. 

O amor não é puro instinto, não é paixão, não é interesse, não é simples amizade nem simples desejo de um querer mútuo. É a capacidade de ir ao(à) outro(a) e encontrar-se com ele(ela) como pessoa, para que, no mútuo crescimento e experimentando-se como dom, ambos possam se ajudar para serem mais humanos. E uma das qualidades mais bonitas do amor é que deve estar crescendo toda a vida.

“O amor é faísca de Javé” (Ct. 8,6-7) Nesse sentido, o matrimônio não é uma realidade estática, mas dinâmica, é chama divina, é mudança, é abertura ao novo, é projeto a ser construído cotidianamente a dois, é movimento na direção de um “Amor maior”, “amar melhor”, fundado sobre o amor incondicional de Deus. 

A questão fontal, portanto, não é só disciplinar, de ascese e de uma moral rígida, mas a mística do amor; sem ela, o matrimônio se reduz a “um castelo de cartas” que se desmonta facilmente.

O Vat. II define a vida matrimonial como “comunhão de vida e de amor”.

  1. Comunhão de amor. Não de amor como mero enamoramento transitório; homem e mulher uniram-se em matrimônio não só porque se queriam, senão para plenificar o amor entre ambos.

  2. Comunhão de vida, porque prometeram percorrer, mutuamente unidos, o caminho de sua vida, não meramente “até que a morte os separe”, mas “até que a vida inteira, percorrida em uníssono, os una por completo”.

Ao envelhecer juntos, meta desafiante, consuma-se o matrimônio. Assim é que se realiza a vida juntos, fazendo-se companhia digna, ajudando-se mutuamente a se tornarem mais humanos; uma companhia experimentada como dom, com alegrias e sombras, querendo-se muito e também sendo mútuo suporte, mesmo no outono da vida. Por isso, ao falar de “indissolubilidade matrimonial”, é preciso assumir com lucidez e serenidade o caráter processual da relação de “duas pessoas unindo-se” em “comunhão de vida e amor”. 

Os trâmites legais que certificam o consentimento conjugal se firmam em um momento. Mas a união de duas pessoas em “comunhão de vida e amor” não é momento, mas processo; não tem efeito instantâneo a partir de uma declaração legal, nem de uma fusão biológica, nem de um artifício mágico, nem sequer de uma benção religiosa; não é uma foto estática e morta, mas um processo dinâmico e vivo. 

A expressão “sim, eu quero”, não é uma fórmula mágica que produz automaticamente um vínculo indissolúvel. Para o casamento, basta meia hora. Para a consumação do matrimônio “de maneira humana”, é preciso uma vida inteira. Por isso, ao invés de usar a expressão “um casal unido”, deveríamos optar por esta outra: “um casal unindo-se”. O casamento é um momento, mas o matrimônio é um processo; o matrimônio deve ser reinventado, reconstruído cada dia. Isso implica ser criativo na maneira de vivê-lo, buscar novas expressões, novos gestos… A cada dia, o casal deveria dizer, um ao outro: “Hoje eu te recebo novamente como minha esposa/meu esposo, e te prometo ser fiel, na alegria e na tristeza…”. 

A indissolubilidade matrimonial não é um caráter selado a fogo como um carimbo, mas uma meta, fim e horizonte do processo em direção a uma profunda unidade de vida: “Serão os dois um só ser” (Gn 2,24); unidade sem costuras, na qual não se nega a diferença, mas esta fica integrada ou abraçada na Unidade maior que nada deixa fora. 

“Projeto a dois”, mas sem anular a identidade, a originalidade do outro. O amor faz do homem e da mulher não “duas metades” que se encontram, mas dois inteiros que se doam, e que generosamente acolhem e transbordam o Amor de Deus semeado em seus corações, desde sempre. Por isso, nas congratulações do dia do casamento, este deveria ser o desejo expresso aos noivos: “que realizeis vossa união, acompanhando-vos mutuamente através de uma longa vida”.

Texto bíblico:  Mc 10,2-16

Na oração: Toda opção vocacional – matrimônio, vida consagrada, sacerdócio, solteiro(a) – é marcada com o selo do “sim”. É preciso, continuamente, re-encantar o “sim” e carregá-lo de sentido, de afeto, de ternura… Sim que se prolonga…

O “sim” proclamado diante de Deus, torna-se sagrado, compromete, faz cúmplice… Não é um “sim” que se fecha, mas que se expande, repercute nos outros, desencadeia outros “sins”… Sim com a marca da coragem, da ousadia… que arranca do imobilismo e desperta o sentido dos pequenos “sins” cotidianos.

– Fazer memória dos “sins” que significaram um salto qualitativo na sua vida.

Pe. Adroaldo Palaoro sj

FONTE: https://www.centroloyola.org.br/

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