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A resposta do Dicastério para a Doutrina da Fé, aprovada pelo Papa, responde à solicitação de um bispo filipino: reafirmada a irreconciliabilidade entre a adesão às lojas e a fé católica

Por Vatican News

Os católicos continuam proibidos de se filiar à maçonaria. É o que reafirma a resposta do Dicastério para a Doutrina da Fé datada de 13 de novembro de 2023, assinada pelo prefeito Victor Fernandéz e com a aprovação do Papa Francisco. O dicastério respondeu a uma solicitação de dom Julito Cortes, bispo de Dumanguete, nas Filipinas. Cortes, “depois de ilustrar com preocupação a situação em sua diocese, devido ao aumento contínuo de fiéis filiados à maçonaria, pediu sugestões sobre como lidar adequadamente com essa realidade do ponto de vista pastoral, levando em conta também as implicações doutrinárias”.

Em resposta à pergunta, o dicastério decidiu responder envolvendo também a Conferência Episcopal das Filipinas, “notificando que seria necessário implementar uma estratégia coordenada entre cada bispo que envolve duas abordagens”.

A primeira diz respeito ao nível doutrinário: o dicastério reitera que “a filiação ativa de um fiel à maçonaria é proibida, devido à irreconciliabilidade entre a doutrina católica e a maçonaria (cf. a Declaração da Congregação para a Doutrina da Fé de 1983, e as mesmas Diretrizes publicadas pela Conferência episcopal em 2003)”.

Portanto, esclarece a nota, “aqueles que formalmente e conscientemente estão inscritos em lojas maçônicas e abraçaram os princípios maçônicos, se enquadram nas disposições da Declaração acima mencionada. Essas medidas também se aplicam a eventuais eclesiásticos inscritos na maçonaria”.

A segunda abordagem diz respeito ao nível pastoral: o dicastério propõe aos bispos filipinos que “realizem uma catequese popular em todas as paróquias sobre as razões da irreconciliabilidade entre a fé católica e a maçonaria”. Por fim, os bispos das Filipinas são convidados a considerar se devem fazer um pronunciamento público sobre esse assunto.

A Declaração de novembro de 1983 foi publicada às vésperas da entrada em vigor do novo Código de Direito Canônico. O Código substituiu o de 1917 e, entre as novidades era observada – por alguns com satisfação, por outros com preocupação – a ausência da condenação explícita da maçonaria e da excomunhão para seus afiliados, que estava presente no texto antigo. A Declaração, assinada pelo então cardeal Joseph Ratzinger e pelo secretário da Congregação, Jérôme Hamer, e aprovada por João Paulo II, reiterou que os católicos afiliados a lojas maçônicas estão “em estado de pecado grave”.

Fonte: Vatican News


Um cartum de 1891 mostra o Papa Leão XIII combatendo a Maçonaria.

A verdadeira razão pela qual os Católicos não podem ser Maçons

O antagonismo recíproco entre a Igreja Católica e a Maçonaria está bem firmado e é de longa data. Durante a maior parte dos últimos 300 anos, as duas instituições têm sido reconhecidas, mesmo pela mentalidade secular, como implacavelmente opostas uma à outra.

Em décadas recentes, a animosidade entre elas tem-se apagado da consciência pública em grande medida, devido ao menor envolvimento direto da Igreja em assuntos civis e à derrocada dramática da Maçonaria, tanto em números quanto em importância. Mas, por ocasião dos 300 anos da Maçonaria, vale a pena rever o que sempre esteve no “núcleo” da absoluta oposição da Igreja a esse grupo. Aparentemente, a Maçonaria pode não passar de um clube esotérico masculino, mas ela já foi, e continua sendo, um movimento filosófico altamente influente — e que impactou de modo dramático, ainda que sutil, a sociedade e a política modernas no Ocidente.

A história da Franco-maçonaria preenche, por si só, vastas páginas. A sua gradual transformação de guildas de pedreiros medievais em uma rede de sociedades secretas, com uma filosofia e um rito gnósticos próprios, pode ser lida com grande interesse. A versão mais recente da Franco-maçonaria teve início com a formação da Grande Loja da Inglaterra, em 1717, em um bar chamado Goose & Gridiron, próximo à Catedral londrina de São Paulo Apóstolo. Nos primeiros anos, antes que a Igreja fizesse qualquer pronunciamento formal sobre o assunto, muitos católicos já faziam parte da associação e a “diáspora” dos católicos e jacobitas ingleses foi crucial para espalhar a Franco-maçonaria na Europa continental. Ela chegou a se tornar, em alguns lugares, tão popular entre os católicos que o Rei Francisco I da Áustria serviu de protetor formal da instituição.

A proibição rigorosa da Igreja devia-se não a motivos políticos, mas ao cuidado com as almas.

Mesmo assim, a Igreja se converteu na maior inimiga das lojas maçônicas. Entre o Papa Clemente XII, em 1738, e a promulgação do primeiro Código de Direito Canônico, em 1917, oito papas ao todo escreveram condenações explícitas à Franco-maçonaria. Todas previam a mais estrita pena eclesiástica para quem se associasse: excomunhão automática reservada à Sé Apostólica.

Mas o que a Igreja entendia, e entende hoje, por Franco-maçonaria? Que características fizeram com que ela merecesse uma tal condenação?

É comum ouvirmos dizer que a Igreja se opôs à Franco-maçonaria por causa do caráter supostamente revolucionário ou sedicioso das lojas. Está relativamente difundida a ideia de que as lojas maçônicas eram células essencialmente políticas para republicanos e outros reformistas, e a Igreja se opunha a elas para defender o velho regime absolutista, ao qual ela estava institucionalmente atrelada. No entanto, embora a sedição política eventualmente se sobressaísse na oposição da Igreja à Maçonaria, essa não era, em hipótese alguma, a razão originária de sua rejeição. O que Clemente XII denunciou originalmente não era uma sociedade republicana revolucionária, mas um grupo que propagava o indiferentismo religioso: a ideia de que todas as religiões (e nenhuma delas) têm igual validade, e que na Maçonaria estão todas unidas para servirem a um entendimento comum e mais elevado da virtude. Os católicos, como membros, deveriam colocar sua adesão à loja acima de sua pertença à Igreja. Em outras palavras, a proibição rigorosa da Igreja devia-se não a motivos políticos, mas ao cuidado com as almas.

Desde o princípio, a preocupação primária da Igreja foi a de que a Maçonaria submete a fé de um católico à da loja, obrigando-o a colocar uma fraternidade secularista fundamental acima da comunhão com a Igreja. A linguagem legal e as penalidades aplicadas nas condenações à Franco-maçonaria eram, na verdade, muito similares àquelas usadas na supressão dos albigenses: a Igreja vê a Franco-maçonaria como uma forma de heresia. Ainda que os próprios ritos maçônicos contenham um material considerável que pode ser chamado de herético — e até de explicitamente anticatólico, em alguns casos —, a Igreja sempre esteve muito mais preocupada com a filosofia geral da Franco-maçonaria do que com a ostentação de seus rituais.

https://youtube.com/watch?v=L1W3VBc_O2I%3Frel%3D0

Ao longo dos séculos XVIII e XIX, a Igreja Católica e o seu lugar de privilégio no governo e na sociedade de muitos países europeus tornaram-se objeto de crescente oposição secular e até mesmo de violência. Existem, é verdade, poucas evidências históricas — se é que as há — de que as lojas maçônicas tenham desempenhado um papel ativo no início da Revolução Francesa. De qualquer modo, a causa dos horrores anticlericais e anticatólicos da Revolução pode ser encontrada na mentalidade secularista descrita pelas várias bulas papais que condenam a Maçonaria. As sociedades maçônicas foram condenadas não porque pretendessem ameaçar as autoridades civis e eclesiásticas, mas porque uma tal ameaça, na verdade, constituía a consequência inevitável de sua existência e crescimento. A revolução era o sintoma, não a doença.

A coincidência de interesses entre Igreja e Estado, e o ataque a elas empreendido por sociedades secretas revolucionárias, foram mais claros nos Estados Papais da Península Itálica, onde a Igreja e o Estado eram uma só coisa. Assim que começou o século XIX, ganhou notoriedade uma imitação da Franco-maçonaria, de caráter revolucionário explícito e oposição declarada à Igreja: eles se chamavam de Carbonari (“carbonários”, palavra italiana para “carvoeiros”) e, em sua campanha por um governo constitucional secular, praticavam tanto o assassinato quanto a insurreição armada contra os vários governos da Península Itálica, sendo identificados como uma ameaça imediata à fé, aos Estados Papais e à própria pessoa do Pontífice Romano.

A mais grave ameaça colocada por essas células violentamente revolucionárias era a sua filosofia secularista.

A ligação entre a ameaça passiva da filosofia secreta maçônica e a conspiração ativa da Carbonária foi explicada na Constituição Apostólica Ecclesiam a Jesu Christo, do Papa Pio VII, promulgada em 1821. Mesmo tratando e condenando a oposição aberta e declarada dos Carbonari à governança temporal dos Estados Papais, ainda assim era claro que a mais grave ameaça colocada por essas células violentamente revolucionárias era a sua filosofia secularista.

Ao longo de todas as várias condenações papais à Franco-maçonaria, mesmo quando as lojas financiavam ativamente campanhas militares contra o papa, como fizeram com a conquista de Garibaldi e a unificação da Itália, o que sempre constituiu a primeira objeção da Igreja à Loja foi a ameaça que ela representava à fé dos católicos e à liberdade da Igreja de agir em sociedade. O fato de os ensinamentos da Igreja serem minados nas lojas, e a sua autoridade em matéria de fé e moral ser questionada, era repetidamente descrito como uma conspiração contra a fé, tanto nos indivíduos quanto em sociedade.

Na encíclica Humanum Genus, o Papa Leão XIII descreveu a agenda maçônica como sendo a exclusão da Igreja da participação em assuntos públicos e a perda gradual de seus direitos como um membro institucional da sociedade. Durante o seu tempo como papa, Leão escreveu um grande número de condenações à Franco-maçonaria, tanto no âmbito pastoral quanto no âmbito legislativo. Ele sublinhou em detalhes o que a Igreja considerava ser a agenda maçônica, agenda esta que, lida com um olhar contemporâneo, ainda é de uma relevância surpreendente.

Ele se referiu especificamente ao objetivo de secularizar o Estado e a sociedade. Ressaltou em particular a exclusão do ensino religioso das escolas públicas e o conceito de que “o Estado, que deve ser absolutamente ateu, tem o inalienável direito e dever de formar o coração e os espíritos de seus cidadãos” ( Dall’Alto dell’Apostolico Seggio, n. 6). Também denunciou abertamente o desejo maçônico de tirar da Igreja qualquer forma de controle ou influência sobre escolas, hospitais, instituições de caridade públicas, universidades e qualquer outra associação que servisse ao bem comum. Também deu um destaque específico ao impulso maçônico de repensar o matrimônio como um mero contrato civil, promover o divórcio e apoiar a legalização do aborto.

É praticamente impossível ler esta agenda e não reconhecer nela a base de quase todo o nosso discurso político contemporâneo. O fato de muitos de nossos principais partidos políticos, se não todos, apoiarem tranquilamente essas ideias, e o próprio conceito de Estado secular e suas consequências sobre a sociedade ocidental, incluindo a pervasiva cultura do divórcio e a disponibilidade quase universal do aborto, tudo isso é uma vitória da agenda maçônica. E isso levanta questões canônicas muito sérias sobre a participação católica no atual processo político secular.

Ao longo de séculos de condenações papais à Franco-maçonaria, era normal que cada papa incluísse nomes de novas sociedades que compartilhavam da filosofia e da agenda maçônicas e que, por isso, também deveriam ser entendidas pelos católicos, nos termos da lei canônica, como “maçônicas”. No século XX, isso chegou a incluir partidos políticos e movimentos como o comunismo.

Quando o Código de Direito Canônico foi reformado, após o Vaticano II, o cânon específico que proibia os católicos de aderirem a “seitas maçônicas” foi revisado. No novo código, promulgado em 1983 por São João Paulo II, a menção explícita à Franco-maçonaria foi retirada completamente. O novo cânon 1374 refere-se somente a associações “que maquine[m] contra a Igreja”. Muitos entenderam essa mudança como um indicativo de que a Franco-maçonaria não mais era considerada má aos olhos da Igreja. Na verdade, os membros do comitê responsável pela reforma esclareceram que eles queriam se referir não apenas aos franco-maçons, mas a muitas outras organizações; a conspiração da agenda secularista maçônica tinha-se espalhado para tão além das lojas que continuar usando um termo abrangente como “maçônico” seria confuso. O então Cardeal Ratzinger emitiu um esclarecimento da nova lei em 1983, no qual deixou claro que o novo cânon havia sido formulado para encorajar uma interpretação e uma aplicação mais abrangentes.

Dado o entendimento cristalino, no ensinamento da Igreja, do que a conspiração ou a agenda maçônica incluem — a saber, o matrimônio como um mero contrato civil aberto ao divórcio à vontade; o aborto; a exclusão do ensino religioso das escolas públicas; a exclusão da Igreja do provimento de bem-estar social ou do controle de instituições de caridade —, parece-nos impossível não perguntar: quantos de nossos partidos políticos no Ocidente não estariam agora sob a proibição do cânon 1374? A resposta talvez não agrade muito aqueles que querem ver um fim para a chamada “guerra cultural” dentro da Igreja.

Mais recentemente, o Papa Francisco tem falado repetidas vezes de sua grave preocupação com uma infiltração maçônica na Cúria e em outras organizações católicas. Ao mesmo tempo, ele alertou contra a Igreja se tornar uma mera ONG em seus métodos e objetivos — perigo que vem diretamente dessa mentalidade secularista a que a Igreja sempre chamou “filosofia maçônica”.

A infiltração maçônica na hierarquia e na Cúria tem sido tratada há muito tempo como uma espécie de versão católica do “bicho-papão” embaixo da cama, ou da paranoia macarthista com infiltrados comunistas. De fato, quando se conversa com pessoas que trabalham no Vaticano, rapidamente se descobre que, para cada dois ou três que riem dessa história, há pelo menos um que deparou diretamente com esse fato. Eu mesmo conheço pelo menos duas pessoas que, durante o tempo em que trabalharam em Roma, foram abordadas para se associarem. O papel das lojas maçônicas como ponto de encontros confidencial para pessoas com ideias e agendas heterodoxas mudou pouco desde a França pré-revolucionária até o Vaticano de hoje. 300 anos após a fundação da primeira Grande Loja Maçônica, o conflito entre a Igreja e a Franco-maçonaria nunca esteve tão vivo.

Edward Condon – Advogado canónico, escreveu a sua tese de Doutoramento sobre a história das sanções legais da Igreja contra os Maçons


 
 
 

A resposta do Dicastério para a Doutrina da Fé, aprovada pelo Papa, responde à solicitação de um bispo filipino: reafirmada a irreconciliabilidade entre a adesão às lojas e a fé católica

Por Vatican News

Os católicos continuam proibidos de se filiar à maçonaria. É o que reafirma a resposta do Dicastério para a Doutrina da Fé datada de 13 de novembro de 2023, assinada pelo prefeito Victor Fernandéz e com a aprovação do Papa Francisco. O dicastério respondeu a uma solicitação de dom Julito Cortes, bispo de Dumanguete, nas Filipinas. Cortes, “depois de ilustrar com preocupação a situação em sua diocese, devido ao aumento contínuo de fiéis filiados à maçonaria, pediu sugestões sobre como lidar adequadamente com essa realidade do ponto de vista pastoral, levando em conta também as implicações doutrinárias”.

Em resposta à pergunta, o dicastério decidiu responder envolvendo também a Conferência Episcopal das Filipinas, “notificando que seria necessário implementar uma estratégia coordenada entre cada bispo que envolve duas abordagens”.

A primeira diz respeito ao nível doutrinário: o dicastério reitera que “a filiação ativa de um fiel à maçonaria é proibida, devido à irreconciliabilidade entre a doutrina católica e a maçonaria (cf. a Declaração da Congregação para a Doutrina da Fé de 1983, e as mesmas Diretrizes publicadas pela Conferência episcopal em 2003)”.

Portanto, esclarece a nota, “aqueles que formalmente e conscientemente estão inscritos em lojas maçônicas e abraçaram os princípios maçônicos, se enquadram nas disposições da Declaração acima mencionada. Essas medidas também se aplicam a eventuais eclesiásticos inscritos na maçonaria”.

A segunda abordagem diz respeito ao nível pastoral: o dicastério propõe aos bispos filipinos que “realizem uma catequese popular em todas as paróquias sobre as razões da irreconciliabilidade entre a fé católica e a maçonaria”. Por fim, os bispos das Filipinas são convidados a considerar se devem fazer um pronunciamento público sobre esse assunto.

A Declaração de novembro de 1983 foi publicada às vésperas da entrada em vigor do novo Código de Direito Canônico. O Código substituiu o de 1917 e, entre as novidades era observada – por alguns com satisfação, por outros com preocupação – a ausência da condenação explícita da maçonaria e da excomunhão para seus afiliados, que estava presente no texto antigo. A Declaração, assinada pelo então cardeal Joseph Ratzinger e pelo secretário da Congregação, Jérôme Hamer, e aprovada por João Paulo II, reiterou que os católicos afiliados a lojas maçônicas estão “em estado de pecado grave”.

Fonte: Vatican News


Um cartum de 1891 mostra o Papa Leão XIII combatendo a Maçonaria.

A verdadeira razão pela qual os Católicos não podem ser Maçons

O antagonismo recíproco entre a Igreja Católica e a Maçonaria está bem firmado e é de longa data. Durante a maior parte dos últimos 300 anos, as duas instituições têm sido reconhecidas, mesmo pela mentalidade secular, como implacavelmente opostas uma à outra.

Em décadas recentes, a animosidade entre elas tem-se apagado da consciência pública em grande medida, devido ao menor envolvimento direto da Igreja em assuntos civis e à derrocada dramática da Maçonaria, tanto em números quanto em importância. Mas, por ocasião dos 300 anos da Maçonaria, vale a pena rever o que sempre esteve no “núcleo” da absoluta oposição da Igreja a esse grupo. Aparentemente, a Maçonaria pode não passar de um clube esotérico masculino, mas ela já foi, e continua sendo, um movimento filosófico altamente influente — e que impactou de modo dramático, ainda que sutil, a sociedade e a política modernas no Ocidente.

A história da Franco-maçonaria preenche, por si só, vastas páginas. A sua gradual transformação de guildas de pedreiros medievais em uma rede de sociedades secretas, com uma filosofia e um rito gnósticos próprios, pode ser lida com grande interesse. A versão mais recente da Franco-maçonaria teve início com a formação da Grande Loja da Inglaterra, em 1717, em um bar chamado Goose & Gridiron, próximo à Catedral londrina de São Paulo Apóstolo. Nos primeiros anos, antes que a Igreja fizesse qualquer pronunciamento formal sobre o assunto, muitos católicos já faziam parte da associação e a “diáspora” dos católicos e jacobitas ingleses foi crucial para espalhar a Franco-maçonaria na Europa continental. Ela chegou a se tornar, em alguns lugares, tão popular entre os católicos que o Rei Francisco I da Áustria serviu de protetor formal da instituição.

A proibição rigorosa da Igreja devia-se não a motivos políticos, mas ao cuidado com as almas.

Mesmo assim, a Igreja se converteu na maior inimiga das lojas maçônicas. Entre o Papa Clemente XII, em 1738, e a promulgação do primeiro Código de Direito Canônico, em 1917, oito papas ao todo escreveram condenações explícitas à Franco-maçonaria. Todas previam a mais estrita pena eclesiástica para quem se associasse: excomunhão automática reservada à Sé Apostólica.

Mas o que a Igreja entendia, e entende hoje, por Franco-maçonaria? Que características fizeram com que ela merecesse uma tal condenação?

É comum ouvirmos dizer que a Igreja se opôs à Franco-maçonaria por causa do caráter supostamente revolucionário ou sedicioso das lojas. Está relativamente difundida a ideia de que as lojas maçônicas eram células essencialmente políticas para republicanos e outros reformistas, e a Igreja se opunha a elas para defender o velho regime absolutista, ao qual ela estava institucionalmente atrelada. No entanto, embora a sedição política eventualmente se sobressaísse na oposição da Igreja à Maçonaria, essa não era, em hipótese alguma, a razão originária de sua rejeição. O que Clemente XII denunciou originalmente não era uma sociedade republicana revolucionária, mas um grupo que propagava o indiferentismo religioso: a ideia de que todas as religiões (e nenhuma delas) têm igual validade, e que na Maçonaria estão todas unidas para servirem a um entendimento comum e mais elevado da virtude. Os católicos, como membros, deveriam colocar sua adesão à loja acima de sua pertença à Igreja. Em outras palavras, a proibição rigorosa da Igreja devia-se não a motivos políticos, mas ao cuidado com as almas.

Desde o princípio, a preocupação primária da Igreja foi a de que a Maçonaria submete a fé de um católico à da loja, obrigando-o a colocar uma fraternidade secularista fundamental acima da comunhão com a Igreja. A linguagem legal e as penalidades aplicadas nas condenações à Franco-maçonaria eram, na verdade, muito similares àquelas usadas na supressão dos albigenses: a Igreja vê a Franco-maçonaria como uma forma de heresia. Ainda que os próprios ritos maçônicos contenham um material considerável que pode ser chamado de herético — e até de explicitamente anticatólico, em alguns casos —, a Igreja sempre esteve muito mais preocupada com a filosofia geral da Franco-maçonaria do que com a ostentação de seus rituais.

https://youtube.com/watch?v=L1W3VBc_O2I%3Frel%3D0

Ao longo dos séculos XVIII e XIX, a Igreja Católica e o seu lugar de privilégio no governo e na sociedade de muitos países europeus tornaram-se objeto de crescente oposição secular e até mesmo de violência. Existem, é verdade, poucas evidências históricas — se é que as há — de que as lojas maçônicas tenham desempenhado um papel ativo no início da Revolução Francesa. De qualquer modo, a causa dos horrores anticlericais e anticatólicos da Revolução pode ser encontrada na mentalidade secularista descrita pelas várias bulas papais que condenam a Maçonaria. As sociedades maçônicas foram condenadas não porque pretendessem ameaçar as autoridades civis e eclesiásticas, mas porque uma tal ameaça, na verdade, constituía a consequência inevitável de sua existência e crescimento. A revolução era o sintoma, não a doença.

A coincidência de interesses entre Igreja e Estado, e o ataque a elas empreendido por sociedades secretas revolucionárias, foram mais claros nos Estados Papais da Península Itálica, onde a Igreja e o Estado eram uma só coisa. Assim que começou o século XIX, ganhou notoriedade uma imitação da Franco-maçonaria, de caráter revolucionário explícito e oposição declarada à Igreja: eles se chamavam de Carbonari (“carbonários”, palavra italiana para “carvoeiros”) e, em sua campanha por um governo constitucional secular, praticavam tanto o assassinato quanto a insurreição armada contra os vários governos da Península Itálica, sendo identificados como uma ameaça imediata à fé, aos Estados Papais e à própria pessoa do Pontífice Romano.

A mais grave ameaça colocada por essas células violentamente revolucionárias era a sua filosofia secularista.

A ligação entre a ameaça passiva da filosofia secreta maçônica e a conspiração ativa da Carbonária foi explicada na Constituição Apostólica Ecclesiam a Jesu Christo, do Papa Pio VII, promulgada em 1821. Mesmo tratando e condenando a oposição aberta e declarada dos Carbonari à governança temporal dos Estados Papais, ainda assim era claro que a mais grave ameaça colocada por essas células violentamente revolucionárias era a sua filosofia secularista.

Ao longo de todas as várias condenações papais à Franco-maçonaria, mesmo quando as lojas financiavam ativamente campanhas militares contra o papa, como fizeram com a conquista de Garibaldi e a unificação da Itália, o que sempre constituiu a primeira objeção da Igreja à Loja foi a ameaça que ela representava à fé dos católicos e à liberdade da Igreja de agir em sociedade. O fato de os ensinamentos da Igreja serem minados nas lojas, e a sua autoridade em matéria de fé e moral ser questionada, era repetidamente descrito como uma conspiração contra a fé, tanto nos indivíduos quanto em sociedade.

Na encíclica Humanum Genus, o Papa Leão XIII descreveu a agenda maçônica como sendo a exclusão da Igreja da participação em assuntos públicos e a perda gradual de seus direitos como um membro institucional da sociedade. Durante o seu tempo como papa, Leão escreveu um grande número de condenações à Franco-maçonaria, tanto no âmbito pastoral quanto no âmbito legislativo. Ele sublinhou em detalhes o que a Igreja considerava ser a agenda maçônica, agenda esta que, lida com um olhar contemporâneo, ainda é de uma relevância surpreendente.

Ele se referiu especificamente ao objetivo de secularizar o Estado e a sociedade. Ressaltou em particular a exclusão do ensino religioso das escolas públicas e o conceito de que “o Estado, que deve ser absolutamente ateu, tem o inalienável direito e dever de formar o coração e os espíritos de seus cidadãos” ( Dall’Alto dell’Apostolico Seggio, n. 6). Também denunciou abertamente o desejo maçônico de tirar da Igreja qualquer forma de controle ou influência sobre escolas, hospitais, instituições de caridade públicas, universidades e qualquer outra associação que servisse ao bem comum. Também deu um destaque específico ao impulso maçônico de repensar o matrimônio como um mero contrato civil, promover o divórcio e apoiar a legalização do aborto.

É praticamente impossível ler esta agenda e não reconhecer nela a base de quase todo o nosso discurso político contemporâneo. O fato de muitos de nossos principais partidos políticos, se não todos, apoiarem tranquilamente essas ideias, e o próprio conceito de Estado secular e suas consequências sobre a sociedade ocidental, incluindo a pervasiva cultura do divórcio e a disponibilidade quase universal do aborto, tudo isso é uma vitória da agenda maçônica. E isso levanta questões canônicas muito sérias sobre a participação católica no atual processo político secular.

Ao longo de séculos de condenações papais à Franco-maçonaria, era normal que cada papa incluísse nomes de novas sociedades que compartilhavam da filosofia e da agenda maçônicas e que, por isso, também deveriam ser entendidas pelos católicos, nos termos da lei canônica, como “maçônicas”. No século XX, isso chegou a incluir partidos políticos e movimentos como o comunismo.

Quando o Código de Direito Canônico foi reformado, após o Vaticano II, o cânon específico que proibia os católicos de aderirem a “seitas maçônicas” foi revisado. No novo código, promulgado em 1983 por São João Paulo II, a menção explícita à Franco-maçonaria foi retirada completamente. O novo cânon 1374 refere-se somente a associações “que maquine[m] contra a Igreja”. Muitos entenderam essa mudança como um indicativo de que a Franco-maçonaria não mais era considerada má aos olhos da Igreja. Na verdade, os membros do comitê responsável pela reforma esclareceram que eles queriam se referir não apenas aos franco-maçons, mas a muitas outras organizações; a conspiração da agenda secularista maçônica tinha-se espalhado para tão além das lojas que continuar usando um termo abrangente como “maçônico” seria confuso. O então Cardeal Ratzinger emitiu um esclarecimento da nova lei em 1983, no qual deixou claro que o novo cânon havia sido formulado para encorajar uma interpretação e uma aplicação mais abrangentes.

Dado o entendimento cristalino, no ensinamento da Igreja, do que a conspiração ou a agenda maçônica incluem — a saber, o matrimônio como um mero contrato civil aberto ao divórcio à vontade; o aborto; a exclusão do ensino religioso das escolas públicas; a exclusão da Igreja do provimento de bem-estar social ou do controle de instituições de caridade —, parece-nos impossível não perguntar: quantos de nossos partidos políticos no Ocidente não estariam agora sob a proibição do cânon 1374? A resposta talvez não agrade muito aqueles que querem ver um fim para a chamada “guerra cultural” dentro da Igreja.

Mais recentemente, o Papa Francisco tem falado repetidas vezes de sua grave preocupação com uma infiltração maçônica na Cúria e em outras organizações católicas. Ao mesmo tempo, ele alertou contra a Igreja se tornar uma mera ONG em seus métodos e objetivos — perigo que vem diretamente dessa mentalidade secularista a que a Igreja sempre chamou “filosofia maçônica”.

A infiltração maçônica na hierarquia e na Cúria tem sido tratada há muito tempo como uma espécie de versão católica do “bicho-papão” embaixo da cama, ou da paranoia macarthista com infiltrados comunistas. De fato, quando se conversa com pessoas que trabalham no Vaticano, rapidamente se descobre que, para cada dois ou três que riem dessa história, há pelo menos um que deparou diretamente com esse fato. Eu mesmo conheço pelo menos duas pessoas que, durante o tempo em que trabalharam em Roma, foram abordadas para se associarem. O papel das lojas maçônicas como ponto de encontros confidencial para pessoas com ideias e agendas heterodoxas mudou pouco desde a França pré-revolucionária até o Vaticano de hoje. 300 anos após a fundação da primeira Grande Loja Maçônica, o conflito entre a Igreja e a Franco-maçonaria nunca esteve tão vivo.

Edward Condon – Advogado canónico, escreveu a sua tese de Doutoramento sobre a história das sanções legais da Igreja contra os Maçons


 
 
 

Como estamos verificando nos textos anteriores, uma imensa série de nomes e imagens foi tirada da antiguidade clássica para legitimar a nova fé revolucionária. Dois nomes relativamente negligenciados tiveram importância central para o desenvolvimento de uma identidade ideal em meio aos intelectuais revolucionários: a imagem do revolucionário como um Pitágoras moderno e de seu ideal social como uma Filadélfia. Esses dois tópicos ilustravam o alcance proto-romântico de um distante ideal grego como uma alternativa majestosa às imagens romanas de poder e conquista que haviam dominado a França à medida que esta, assim como a Roma antiga, passava da república para o império sob o governo de Napoleão. Pitágoras e Filadélfia representavam uma destilação dos altos ideais fraternos comuns tanto às irmandades ocultistas da maçonaria e do iluminismo quanto à mobilização idealista de jovens para defender a revolução de 1792-1794. Houve uma recessão das esperanças revolucionárias ao fim do século XVIII e começo do XIX. Pitágoras, o semi-lendário filósofo grego, que fundou (uma espécie de seita político-religiosa com ritos secretos) em Crotona, na Itália meridional. Pitágoras (que provavelmente nada escreveu) e o antigo pitagorismo estão envolvidos pela lenda e é impossível distinguir a doutrina pessoal do mestre da dos seu discípulos. Certamente nem todo o conteúdo doutrinário do pitagorismo é antigo quanto Pitágoras (representado pela lenda como profeta e Taumaturgo) mas, por outro lado, é exagerado atribuir à antiga escola apenas um caráter místico e ritual. Com toda probabilidade duas doutrinas fundamentais (da “transmigração das almas” e dos “Números”) são antigas quanto a Escola. Pitágoras serviu de modelo para o intelectual-transformado-em-revolucionário. Tornou-se uma espécie de o padroeiro dos revolucionários românticos, que precisavam de novos santo símbolos de santidade secular. De acordo com a tradição, no século VI a.C. o grande geômetra da antiguidade deixou a cidade de Samos, na Grécia, e foi para Crotona, no sul da Itália, onde supostamente fundou uma irmandade religiosa-filosófica para transformar a sociedade. Reformadores intelectuais radicais, ao longo de toda a antiguidade, reviveram e embelezaram essa tradição. Neopitagóricos surgiram na Alexandria no século II a.C.; e um grupo posterior de pitagóricos produziu Apolônio de Tiana no século II, um sábio taumaturgo que foi, na sua época, um grande rival de Cristo. Embora grupos organizados tenham desaparecido, as ideias pitagóricas vieram a reaparecer na cristandade medieval, que por certo tempo representou Pitágoras como um elo judeu oculto entre Moisés e Platão. Houve uma corrente de fascínio pelo pensamento pitagórico no Renascimento e no Iluminismo que ganhou um espírito de ira durante a Revolução Francesa. O projeto final de Weishaupt de um iluminismo politizado, escrito durante o primeiro ano da Revolução, era intitulado Pitágoras; e, à medida que os extremistas procuravam princípios simples, porém sólidos, com base nos quais reconstruir a sociedade, cada vez mais passaram a buscar orientação nas crenças pitagóricas em números primos e formas geométricas. Antes, revolucionários românticos buscaram atalhos ocultistas para as verdades íntimas da natureza, e assim diversas vezes deram importância aos principais números primos do misticismo pitagórico: um, três, sete, e sobretudo cinco. Panfletários de direita sugeriram que os números primos propiciavam um código organizacional secreto para os revolucionários; uma elaboração particularmente engenhosa de 1797 derivava do número dezessete toda a estrutura da história revolucionária. Por mais esquisita que possa a revolucionários e historiadres posteriores, essa paixão pitagórica influenciou seriamente as atividades a organizacionais dos primeiros revolucionários. Estamos vendo como os iluminados fizeram os primeiros e hesitantes esforços de usar da maçonaria ocultista em conspirações ulteriores – abrindo caminho para Bonneville, Buonarroti e os primeiros revolucionários profissionais. Ocultistas se tornaram políticos e fizeram especial emprego de dois dos mais importantes símbolos geométricos pitagóricos o círculo e o triângulo ao dramatizarem seu desafio ao poder estabelecido. Essas duas formas se tornaram símbolos que representava o divino no cristianismo medieval. Passaram a progressivamente dominar os hieróglifos das ordens maçônicas mais altas e também a imaginação de arquitetos utópicos pré-revolucionários que, com frequência, buscavam fazer edificações só com base em “figuras geométricas do triângulo ao círculo”. Como muitos dos primeiros líderes da revolução viam a si mesmos como maçons-arquitetos, sentiram alguma afinidade com a campanha então em andamento de combate ao estilo rococó aristocrático com o “poder da geometria”. Assegurados pela lei da gravidade de Newton quanto à harmonia circular do universo, sentiram que o domínio das leis matemáticas tornava o homem “possuidor do segredo do universo solar” destinado a organizar a sociedade humana racionalmente. Ao mesmo tempo, a filosofia proto – romântica do ocultismo alemão levou muitos a verem o homem não como uma engrenagem, mas como um dinâmico “ponto vivo destinado a se tornar um círculo. Mas, antes que as fronteiras pudessem se expandir, monumentos precisavam ser construídos em seu centro. A forma piramidal se tornou popular após o retorno de Napoleão do Egito, embora tenha sido logo ultrapassada em locais públicos por obeliscos. Mesmo antes da revolução, arquitetos utópicos se sentiram atraídos pela “sublime magnificência da esfera”. Essa forma pura reapareceu no esboço de um Memorial de Newton (uma esfera tendo dentro de si apenas um pequeno túmulo iluminado por um único raio de sol) e de um proposto Templo da Igualdade (uma imensa esfera erguida sobre colunas, contendo uma esfera menor em seu interior). O círculo Os pitagóricos tinham sido a primeira escola da antiguidade clássica a sustentar sistematicamente que a Terra e o universo eram esféricos em sua forma e finitos em sua extensão. Os números e a música expressavam as harmonias ocultas de uma derradeira e esférica perfeição natural. A realidade central da vida humana era a transmigração de almas humanas de um corpo para o outro – tudo a se mover em ciclos como o próprio universo. Pitagóricos do século XVIII ficaram especialmente entusiasmados com a ideia dos Iluminados de uma progressiva purificação humana desde círculos mais baixos da natureza animal até as esferas de pura inteligência. A hierarquia de círculos dos Iluminados – Movendo-se desde a “Igreja” para o “sínodo” e, por fim, para o centro areopagita – sugeria os círculos concêntricos do próprio universo. A chama ao centro do último e mais interno círculo era tomada como uma imagem do fogo interno do universo redor do qual a Terra e todos os outros planetas giravam. Ocultistas podem até não ter acreditado sempre nisso, mas sentiam jazer em algum secreto círculo interno a promessa tanto de redenção pessoal como de compreensão cósmica. Acrescia-se a essa crença tradicional numa sabedoria esotérica superior a nova promessa de libertação que vinha do romantismo alemão. O conceito de um círculo interno encantado de dimensão espacial ao desejo romântico de liberdade. A vida “do círculo era uma vida de libertação – libertando-se até das limitações corporais na esferas celestes, libertando a sociedade das amarras da tradição herdada. Ao que parece, Weishaupt foi o primeiro a utilizar o termo “círculo” para descrever um novo tipo de organização política que fazia reivindicações tanto de ordem moral quanto de ordem ideológica universal. Weishaupt descreveu o recrutamento de Iluminados no interior de lojas maçônicas em Munique como “o progresso do ⊙” na área política. Ele introduziu variantes destacadas em itálico da palavra latina (circul, circl) em seus escritos alemães para explicar a politização do movimento, que ele divulgava de “circulares” e “circulação”. Luchet descrevia o “círculo” como a principal célula da conspiração constituída por nove homens: o “comitê administrativo” para um tipo inteiramente novo de sociedade humana, no qual “cada membro de um círculo pertence igualmente a todos os outros” e “rompeu com todos laços que o ligavam à sociedade”. [Luchet, Essai, pp. 54, 67, 91; e os capítulos “Circles” e “Proofs used to Concentrate Illuminist member of a Circle”]. Os conservadores rosacruzes, que dominavam a corte prussiana após a ascensão de Frederico William 11 em 1786, criaram o seu próprio conceito rival de um Zirkel composto de nove homens. Disseminadores do ideal dos Iluministas tentaram repetidamente atacar os “círculos de corrupção” dos rosacruzes e/ou incorporá-los em seus próprios planos de “circulação” ocultista, Já vimos como Bonneville tinha por meta uma transformação global segundo o modelo dos Iluminados a ser feita através de “círculos mágicos” que irradiariam as idéias do seu “círculo social” ao centro para todo o CERCLE DU PEUPLE FRANC. Com o recesso das expectativas revolucionárias ao fim da década de 1790, Bonneville (e companheiros seus como Thomas Paine – como, antes dele, Weishaupt no exílio e Sylvain Maréchal) se apoiou na imagem de si mesmo como um Pitágoras: um intelectual exilado mas “relevante”, a construir uma nova irmandade de libertação para o futuro. Já antes da revolução, Bonneville fizera o ideal dos Iluminados remontar a Pitágoras, o qual “trouxe do Oriente o seu sistema de verdadeiros ensinamentos maçons para iluminar o Ocidente” 102 Após o fracasso de sua tentativa de “multiplicar o círculo social” 103 por meio de suas organizações do início dos anos 1790, Bonneville escreveu versos sobre “os números de Pitágoras”, 104 proclamando que “o homem é Deus” e “se tornará angélico” ao ampliar o círculo da irmandade universal: [Ó Círculo Social! Esperança cada vez mais doce, de um pacto geral, Dos povos oprimidos sua liga fraterna Jura libertação, inteira, universal.” Esperança sempre mais doce de um pacto geral, Tua irmandade de povos oprimidos Jurou libertação total, universal]. Thomas Paine, que viveu num ménage à trois com Bonneville e sua esposa de 1797 a 1802, acreditava que os druidas e os pitagóricos tinham se unido para oferecer uma alternativa ideológica ocultista ao cristianismo. Seu “Um ensaio sobre a origem da maçonaria”, escrito após seu retorno aos Estados Unidos (com a esposa de Bonneville) e imediatamente traduzido para francês por Bonneville, insistia em que a adoração natural do sol cultivada pelos druidas não havia desaparecido, mas apenas passado para dentro da maçonaria. No apogeu de sua influência em 1782, o Círculo Social começou a publicar novas obras cripto-revolucionárias do sumo-sacerdote do misticismo de Lyon Louis-Claude de Saint-Martin. Ele havia subitamente descoberto no misterioso caos da revolução a possibilidade de construir uma nova Jerusalém através de formas e números pitagoricos “Um radiante sol se desprendeu do firmamento e veio se instalar sobre Paris desde onde espalha sua luz universal”. O “novo homem” pode perceber essa luz ao contemplar os círculos concêntricos que convergem sobre um ponto dentro da chama de uma vela acesa, assim a se “reintegrar” com os elementos primais do ar, da terra e da água. À medida que o homem se encaminhar para o puro espírito, a democracia revolucionária se tornará “deocracia”. A imagem de Pitágoras como modelo heróico para todos os revolucionários foi desenvolvida em toda sua intensidade na grande obra de despedida de Sylvain Maréchal: suas monumentais, em seis volumes, Viagens de Pitágoras, de 1799. O Pitágoras de Maréchal incitava ao levante armado (“não com palavras, [mas com] arco e flecha”), invocando uma metáfora que viria a se tornar clássica na retórica revolucionária: É preciso apanhar o momento propício […] com a menor das centelhas se pode Iniciar um grande incêndio […] O ideal dos herdeiros de Pitágoras é: Compartilhar a posse de tudo, nada para você mesmo […] a igualdade da natureza […] a república dos iguais. O volume final das Viagens, ao listar supostas 3506 “leis de Pitágoras”, O volume final das Viagens, ao listar supostas 3506 “leis de Pitágoras”, Advertia em “Revolução” que […] a história de todo um povo muito frequentemente se encontra na vida de um punhado de homens. Os líderes das revoluções não eram militares, mas jornalistas-intelectuais, eram influenciados não tanto pelo racionalismo do Iluminismo francês, e sim mais pelo ocultismo do nascente romantismo alemão. A obra de Maréchal era amplamente distribuída no mundo de fala alemã; mas, profeticamente, era mais prezada no distante Império Russo, na atmosfera de vaga religiosidade e disperso reformismo sob o governo do Tzar Alexandre I. A começar em 1804, as Viagens de Maréchal passaram a aparecer em jornais governamentais oficiais em tradução russa ao ritmo de um volume por ano. Outro jornal russo publicou, paralelamente, 150 “regras de Pitágoras” tiradas do sexto volume de Maréchal. O agente russo de Maréchal era o protegido de Nicholas Novikov, um ocultista encarcerado cujo pseudônimo era “amante da verdade” e cujas reuniões secretas ao fim do século XVIII tinham dado início à kruzhkovshchina (mania de círculos da tradição radical moderna na Rússia. O sonho de uma organização pitagórica revolucionária animou o primeiro fluxo de atividade política juvenil no Império Russo depois da derrota de Napoleão. Um grupo de estudantes de Vilnius se reunia em encontros noturnos em locais de beleza natural para ouvir a sabedoria ocultista de um visitante “arquiiluminado” vindo de um círculo mais interno; e a tradição de “pitagóricos livres” se espraiou pelas regiões do Império onde havia influência polonesa. Na Ucrânia ocidental, três jovens russos formaram uma “sociedade de Pitágoras” em maio de 1818 e estabeleceram as “regras da seita pitagórica”. Propuseram os três clássicos círculos concêntricos o terceiro a representar a República de Platão. Desse grupo viria a surgir a Sociedade dos Eslavos Unidos, que objetivava realizar seu ideal helênico por todo o mundo eslavo e dera feição russa aos três graus de associação:, “irmãos, homens e boiardo”. Os primeiros radicais russos com frequência argumentavam em termos de leis de Pitágoras que concorriam entre si – alguns enfatizando as “duas leis de Pitágoras” que proibiam a propriedade privada e exigiam a posse comum; outros enfatizando a “regra” segundo a qual as armas e a amizade podiam tudo conquistar; outros insistindo na primazia da perfeição moral sobre a reforma legal: “Não criem leis para o povo; criem um povo para as leis”. Um dos primeiros grupos a alimentar a Revolta Dezembrista de 1825 foi o ainda misterioso Lâmpada Verde. Um de seus líderes escreveu para sua organização um retrato utópico de São Petersburgo trezentos anos no futuro, quando o tzarismo e a ortodoxia teriam, afinal, sido substituídos por formas pitagóricas. Há um templo circular com um altar plano e branco, feito de mármore, e um arco ao ar livre. A música é a única arte permitida. Uma fênix segurando um ramo de oliveira substituiu a decapitada águia de duas cabeças (as duas cabeças do selo imperial, que supostamente representavam o despotismo e a superstição). Alexander Puchkin, o maior poeta russo, referia-se à Lâmpada Verde como um círculo no qual a “amada igualdade se sentava à mesa redonda trajando um barrete frígio”. Embora não tão envolvido com círculos revolucionários ocultistas quanto o seu congênere polonês, Adam Mickiewicz, Puchkin compartilhava com ele o fascínio pela dedicação e sacrifício que pareciam poder ser encontrados somente em símbolo supremo do que uma canção maçônica russa da época chamava de um círculo mágico de jovens revolucionários. O “círculo” era, em suma, o símbolo supremo do que uma canção maçônica russa da época chamava de Aquelas verdades da santa lei A ti dadas pela Geometria. A maçonaria russa desenvolveu no mínimo dois conjuntos de símbolos geométricos como equivalentes às letras do alfabeto. No próximo artigo falaremos do triângulo

 
 
 
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