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Por Bob Stanley Tradução: n/c Fonte: Veritatis Splendor

Autoridade: o que é isto? O que significa? Sua raiz está na palavra “autor”, que significa “criador” ou “originador”. Vem do latim “auctoritas”: “o poder do criador para comandar ou tomar decisões”. O dicionário define como: “o poder de executar a lei, exigir obediência, comandar, determinar ou julgar. Também significa: “aquele que foi investido de poder, especialmente um governador”.

Então a palavra pode se aplicar tanto a uma forma de governo quanto a um indivíduo. O Senado tem a autoridade de fazer leis, a Suprema Corte tem a autoridade de interpretar aquelas leis e o Presidente tem a autoridade de executá-las.

O que você acha que aconteceria se não houvesse autoridade? Haveria anarquia, tumulto, caos, todo mundo “fazendo o que bem quiser”. A civilização, do jeito que a conhecemos, iria se desmoronar rapidamente. Veja o caso da Albânia: poucos dias depois do colapso da autoridade, houve anarquia, com milhares tentando fugir para salvar suas vidas. A Escritura nos recorda que: “Por falta de direção cai um povo; onde há muitos conselheiros, ali haverá salvação.” (Pr 11,14; 24,6).

A autoridade vem do “Autor da Vida”: At 3,15. Toda autoridade vem de DEUS: “Cada qual seja submisso às autoridades constituídas, porque não há autoridade que não venha de Deus; as que existem foram instituídas por Deus. Assim, aquele que resiste à autoridade, opõe-se à ordem estabelecida por Deus; e os que a ela se opõem, atraem sobre si a condenação.” (Rm 13,1-2). Perceba que DEUS é seletivo com quem Ele dá justa autoridade.

A Igreja Católica tem uma forma de governo chamada teocracia e opera com uma “Hierarquia”. Como qualquer outra forma de governo, tem que ter “autoridade” para funcionar. A Igreja recebeu sua autoridade de seu fundador, Jesus Cristo:

  1. “E Eu te declaro: tu és Pedro, e sobre esta pedra edificarei a Minha Igreja; as portas do inferno não prevalecerão contra ela” (Mt 16,18). Jesus vai construir sua Igreja em rocha sólida. Ele é a “pedra angular” (Salmo 118,22; Ef 2,20-22), a “fundação” (pedra angular) (1Cr 3,11), e a “rocha” (1Cr 10,4). As “Portas do Inferno não prevalecerão contra ela”, significa: Ele a defenderá por dentro e por fora, contra todos os adversários, para sempre.

  2. Os Apóstolos são a fundação, Jesus Cristo é a “Pedra angular-chefe” (Ef 2,20).

  3. Jesus Cristo deu uma autoridade superior para resolver disputas entre pessoas, mesmo quando há duas ou mais testemunhas. Ele lhes disse para apelar para a Igreja em Mt 18,17: “Mas se recusa a ouvi-los, dize-o à Igreja. E se recusar ouvir também a Igreja, seja ele para ti como um pagão e um publicano (um coletor de impostos para o Império Romano).” Aqui, Cristo deu autoridade total à Sua Igreja.

  4. Paulo adverte aqueles que se recusam a aceitar a autoridade dada à Igreja e diz o que acontecerá com eles se recusarem em Rm 13,1-2: “Cada qual seja submisso às autoridades constituídas, porque NÃO HÁ AUTORIDADE QUE NÃO VENHA DE DEUS; AS QUE EXISTEM FORAM INSTITUÍDAS POR DEUS. Assim, AQUELE QUE RESISTE À AUTORIDADE, OPÕE-SE À ORDEM ESTABELECIDA POR DEUS; E OS QUE A ELA SE OPÕEM, ATRAEM SOBRE SI A CONDENAÇÃO.”

  5. O Próprio Jesus Cristo é a cabeça da Igreja que Ele fundou, a “Cabeça de Seu Corpo” (Ef 1,22). Não pode haver maior autoridade do que esta.

  6. Jesus Cristo se certificou de que Sua Igreja era digna da autoridade que Ele lhe deu. Ele se certificou de que sua Igreja não tinha mancha: “Para apresentá-la a Si mesmo toda gloriosa, sem mácula, sem ruga, sem qualquer outro defeito semelhante, mas santa e irrepreensível.” (Ef 5,27). Ele se certificou de que Sua Igreja era digna de ser chamada “Casa de DEUS”, e a “Coluna da Verdade”: …como deves comportar-te na Casa de DEUS, que é a Igreja de DEUS vivo, coluna e sustentáculo da verdade” (1Tm 3,15).

  7. Jesus Cristo ama a Igreja que Ele fundou (Ef 5,29). E você?

  8. DEUS disse que estará com Sua Igreja para sempre: “Não te deixarei nem te desampararei” (Hb 13,5). Em Mt 28,20, Jesus disse: “Eis que estou convosco todos os dias, até o fim do mundo.” Isto significa que Ele estará com Sua Igreja todo dia, em cada século, até o fim dos tempos. Qual Igreja era a Igreja Dele quando estes versículos foram pronunciados?

DEUS deu autoridade a inúmeras pessoas na Bíblia. Ele muda o nome da pessoa para significar que passou autoridade para ela. Alguns exemplos são:

  1. DEUS mudou o nome de Abrão para Abraão quando Ele o fez “Pai de uma Multidão de Nações”, em Gn 17,5.

  2. DEUS mudou o nome de Sarai para Sara quando a fez “Mãe de Nações”, em Gn 17,15-16.

  3. DEUS mudou o nome de Jacó para Israel, o nome da Nação Judaica, e ele se tornou o primeiro Israelita, em Gn 32,29.

  4. DEUS mudou o nome de Simão para Pedro quando o fez cabeça de Sua Igreja, em Mt 16,18. DEUS deu autoridade a Pedro e DEUS mudou o seu nome para enfatizar isto. Em Mt 16,19, Jesus Cristo deu a Pedro mais autoridade ainda. Ele lhe deu – e a nenhum outro – as “chaves do reino dos céus”, e lhe disse: “Tudo o que ligares na terra será ligado nos céus, e tudo o que desligares na terra será desligado nos céus.” Muita autoridade foi dada nesses dois versículos a Simão – agora Pedro – uma mera criatura de DEUS.

  5. Há mais de 50 versículos na Bíblia que se referem à supremacia de Pedro sobre todos os Apóstolos. O nome de Pedro aparece mais frequentemente do que o nome de qualquer um dos outros Apóstolos no Novo Testamento. Quando os Apóstolos são nomeados, Pedro é sempre citado primeiro em todos os casos exceto em Gl 2,9. Em Mt 10,2, Pedro é até mesmo chamado “o primeiro”: “Eis os nomes dos doze Apóstolos: O PRIMEIRO, Simão, chamado Pedro…”. Em At 15,7, Pedro diz: “Irmãos, vós sabeis que já há muito tempo DEUS me escolheu dentre vós, para que da “MINHA BOCA” os pagãos ouvissem a palavra do Evangelho e cressem.” Pedro reafirmou sua supremacia, conforme DEUS lhe tinha dado em Mt 16,18-19. Em Lc 22,31-32, Jesus disse: “Simão, Simão, eis que Satanás vos reclamou para vos peneirar como o trigo; mas eu roguei por ti, para que a tua confiança não desfaleça; e tu, por tua vez, confirma teus irmãos.” Aqui Jesus apontou Pedro para fortalecer os outros, outro sinal claro de sua supremacia. Finalmente, em Jo 21,15-17, é a Pedro, e somente a Pedro, que o Senhor ordena três vezes que alimente seu rebanho. Pedro foi o Apóstolo supremo. O Bispo supremo no tempo presente, o Bispo de Roma, é o Papa. Sucessor direto de Pedro em uma longa série de Papas.

  6. Jesus Cristo deu autoridade total aos seus Apóstolos quando, em Lc 10,16, Ele diz: “Quem vos ouve, a mim ouve; e quem vos rejeita, a mim rejeita; e quem me rejeita, rejeita aquele que me enviou.” Nós ouvimos Suas palavras através de Sua Igreja. Assim sendo, essas palavras se aplicam também à Sua Igreja “quem rejeita Minha Igreja, rejeita a Mim.”. Este versículo também impede o Papa de ensinar heresia; então, quando o Papa fala sobre assuntos de fé e moral, ele está falando como Cristo falaria e com a Sua autoridade. Paulo reconheceu a autoridade dada aos Apóstolos em 2Cor 10,8: “Ainda que eu me orgulhasse um pouco em demasia da autoridade que o Senhor nos deu, para vossa edificação e não para vossa ruína, não teria de que envergonhar-me.”

  7. Jesus deu autoridade a 72 outros discípulos em Lc 10,1-12, e lhes disse que Ele os enviaria como “cordeiros em meio aos lobos”. Ele disse a eles para sacudir a poeira de seus pés quando saíssem das cidades que não os recebessem.

  8. Nós somos ordenados a obedecer aos nossos superiores (sacerdotes, Bispos e o Papa) e de nos sujeitarmos a eles, pois eles têm que prestar contas de nossas almas (Hb 13,17).

  9. DEUS colocou também outros em Sua Igreja: “Na Igreja, DEUS constituiu primeiramente os Apóstolos, em segundo lugar os profetas, em terceiro lugar os doutores, depois os que têm o dom dos milagres, o dom de curar, de socorrer, de governar, de falar diversas línguas” (1Cor 12,28). A sua Igreja tem todos estes?

Sabendo, é claro, que os Apóstolos não viveriam para sempre, e que Sua Igreja continuaria até “o fim dos tempos” (Mt 28,20), Jesus Cristo tomou providências para passar a autoridade de geração a geração:

  1. “Segundo a graça que Deus me deu, como sábio arquiteto lancei o fundamento, ninguém pode pôr outro diverso daquele que já foi posto: Jesus Cristo.” (1Cor 3,10-11). Então haverá seguidores que irão construir sobre o fundamento.

  2. “Não fostes vós que Me escolhestes, mas Eu vos escolhi e vos constituí para que vades e produzais fruto, e o vosso fruto permaneça…” (Jo 15,16).

  3. “…para acabares de organizar tudo e estabeleceres anciãos (sacerdotes) em cada cidade, de acordo com as normas que te tracei,” (Tito 1,5). Paulo ordena-lhes que designem novos sacerdotes.

  4. “Cuidai de vós mesmos e de todo o rebanho sobre o qual o Espírito Santo vos constituiu Bispos, para pastorear a Igreja de DEUS” (At 20,28). Aqui, o Espírito Santo dá autoridade aos Bispos de governarem a Igreja que Jesus Cristo fundou. A sua Igreja tem Bispos?

  5. “Agora eu vos encomendo a DEUS e à palavra da Sua graça, àquele que é poderoso para edificar e dar a herança com os santificados” (At 20,32). Passar a autoridade a seus herdeiros.

  6. O Papa e os Bispos são os legítimos sucessores dos Apóstolos. Se nós rejeitamos a autoridade deles, então rejeitamos a Cristo.

É o Espírito Santo que guia e guarda a Igreja que Jesus Cristou fundou. Ele é a autoridade suprema e final:

  1. “E eu rogarei ao Pai, e ele vos dará outro Paráclito, para que fique eternamente convosco. É o Espírito da Verdade, que o mundo não pode receber, porque não o vê nem o conhece, mas vós o conhecereis, porque permanecerá convosco e estará em vós.” (Jo 14,16-17.26; 15,26; 16,13). O Espírito Santo habitará na Igreja que Jesus Cristo fundou e Ele estará para sempre com aquela Igreja.

Nem tudo será revelado à Igreja de uma vez só porque não poderíamos suportar. Tudo será revelado no tempo. Esta é a autorização para a Igreja revelar doutrinas tais como a da Imaculada Conceição:

  1. “Muitas coisas ainda tenho a dizer-vos, mas não as podeis suportar agora. Quando vier o Paráclito, o Espírito da Verdade, ensinar-vos-á toda a verdade,…e anunciar-vos-á as coisas que virão.” (Jo 16,12-15).

  2. “Eu vos dei leite a beber, e não alimento sólido que ainda não podíeis suportar…Eu plantei…mas só Deus é que faz crescer.” (1Cor 3,1-15).

  3. Ef 4,11-16: “…para o aperfeiçoamento dos cristãos, para o desempenho da tarefa que visa à construção do corpo de Cristo, até que todos tenhamos chegado à unidade da fé e do conhecimento do Filho de DEUS, até atingirmos o estado de homem feito, a estatura da maturidade de Cristo… Para que não continuemos crianças ao sabor das ondas, agitados por qualquer sopro de doutrina, ao capricho da malignidade dos homens e de seus artifícios enganadores…”

  4. Fl 1,5-11: “…aquele que iniciou em vós esta obra excelente lhe dará o acabamento justo até o dia de Jesus Cristo… peço, na minha oração, que a vossa caridade se enriqueça cada vez mais de compreensão e critério.” DEUS está nos dizendo claramente que o conhecimento crescerá com o tempo.

Agora para responder à importantíssima questão: “Quem tem a autoridade?”

A fim de que haja uma só verdade, é necessário que haja uma só autoridade. A Igreja que Jesus Cristo fundou recebeu autoridade conforme mostrado nessa carta. A sua Igreja preenche todos os requisitos da Escritura fornecidos nesse texto? Você pode traçar sua Igreja para trás até Cristo? Se não pode, então sua Igreja não tem autoridade. Se sua Igreja não tem autoridade, então por que você está lá? A principal diferença entre a Igreja Católica e as outras Igrejas é que a Igreja Católica, e somente a Igreja Católica, tem autoridade…

Eu sugeriria a todos que lessem Números 16: é sobre uma rebelião contra a autoridade de Moisés por parte de Coré e seus seguidores. Moisés fez tudo o que podia para tentar convencer Coré, argumentando que ele estava errado ao fazer isso, e mesmo assim Coré e seus seguidores rejeitaram suas súplicas. Leia o desenlace final da rebelião de Coré em Números 16,30-35. Não é nada bonito, mas Coré não ouviu a Moisés, que era o homem na terra a quem DEUS tinha escolhido para conduzir Seu povo.

Agora leia sobre Martinho Lutero e sua rebelião contra a autoridade da Igreja Católica e você verá que a história de Números 16 se repete. Agora leia Números 16 novamente, mas desta vez substitua o nome de Coré pelo nome do fundador da sua igreja e o nome de Moisés pelo nome do Papa. Aqueles que não aproveitam nada da história estão fadados a repetir seus erros.

“Nada há de novo debaixo do sol, e nenhum homem pode dizer: Eis que isso é novo; pois já existia em tempos passados.” (Eclesiastes 1,10).

Você já leu o Salmo 127,1? “Se o Senhor não edificar a casa, em vão trabalham os que a constroem.”

Agora mostre-me o versículo da Bíblia que dá autoridade a alguma criatura humana de fundar outra igreja além da ÚNICA IGREJA que Jesus Cristo fundou…

Mostre-me o versículo (s) que autoriza alguém a simplesmente erguer uma Bíblia e proclamar: “Esta é a minha autoridade”.

 
 
 

VATICANO / A HAVANA, 31 Ago. 08 / 08:10 am (

ACI).- Este meio-dia milhares de fiéis e peregrinos chegaram até Castelgandolfo para rezar o Ângelus dominical com o Papa Bento XVI, quem em suas palavras introdutórias à oração Mariana lembrou que diante do mal, a única resposta é a força do amor que vence ao ódio pelo que para todo cristão levar a Cruz não é algo facultativo a não ser uma missão que deve ser abraçada com amor.

O Pontífice meditou sobre o Evangelho de hoje dirigindo-se à figura do Apóstolo Pedro, quem “enquanto no domingo passado admiramos por sua sincera fé em Jesus, proclamado Messias e Filho de Deus, esta vez mostra uma fé ainda imatura e muito apegada à ‘mentalidade deste mundo’”.

“É evidente que o Mestre e o discípulo seguem dois modos de pensar opostos. Pedro, segundo uma lógica humana, está convencido que Deus não permitiria nunca que seu Filho termine sua missão morrendo na cruz. Jesus, pelo contrário, sabe que o Pai, em seu imenso amor pelos homens, enviou-o a dar a vida por eles, e que se isto implicar a paixão e a cruz, é justo que assim seja”, precisou o Papa.

Do mesmo modo, o Santo Padre fez notar que Jesus “sabe que a última palavra será a ressurreição. O protesto de Pedro, embora é pronunciada de boa fé e por sincero amor para o Mestre, é vista por Jesus como uma tentação, um convite a salvar-se a si mesmo, quando somente perdendo sua vida poderá receber a nova e eterna vida para todos nós”.

Continuando com sua meditação, Bento XVI lembrou que “se para nos salvar, o Filho de Deus teve que sofrer e morrer crucificado, não é certamente por um cruel desígnio do Pai celeste” mas sim se deve à “gravidade da enfermidade da que nos tinha que curar: um mal tão sério e mortal ao ponto de exigir todo o seu sangue”.

“Em efeito –prosseguiu– é com sua morte e ressurreição que Jesus venceu ao pecado e à morte restabelecendo a senhoria de Deus. Mas a luta não terminou: o mal existe e resiste todas as gerações até nossos dias. O que são os horrores da guerra, a violência contra os inocentes, a miséria e a injustiça com os fracos, senão a oposição do mal ao reino de Deus? E como responder a tanta maldade se não ser com a força desarmada do amor que vence o ódio, da vida que não teme a morte?”

Mais adiante o Papa destacou que para cumprir a obra de salvação o Redentor chama homens e mulheres a tomar a cruz e segui-lo e que “para os cristãos o levar a cruz não é algo facultativo, porém é uma missão que deve ser abraçada por amor. Cristo não cessa de fazer a todos um claro convite: quem quiser ser o meu discípulo, que renuncie ao próprio egoísmo e leve comigo a cruz”.

Seguidamente, o Santo Padre rezou o Ângelus, saudou aos presentes em diversas línguas e deu a sua Bênção Apostólica.

 
 
 

A doutrina católica sobre o papado é bíblica e decorre do primado de São Pedro entre os Apóstolos. Como todas as doutrinas cristãs, desenvolveu-se ao longo dos séculos mas não se afastou dos seus elementos essenciais, presentes na liderança e nas prerrogativas do Apóstolo São Pedro. Tais prerrogativas foram dadas a São Pedro por Nosso Senhor Jesus Cristo, reconhecidas por seus contemporâneos e aceitas pela Igreja Primitiva. Os dados bíblicos sobre o Primado Petrino são muito fortes e inelutáveis em virtude de seu peso cumulativo. Tal peso fica especialmente claro com o auxílio de comentários bíblicos. A evidência da Sagrada Escritura se segue logo abaixo:

  1. Mt 16,18: “E eu te digo, tu és Pedro, e sobre esta pedra eu edificarei a minha Igreja, e os poderes da morte não prevalecerão contra ela”.

A pedra (em grego, petra) aqui mencionada é o próprio São Pedro e não a sua fé ou Jesus Cristo {a}. Cristo não aparece aqui como a fundação, mas como o arquiteto que “constrói”. A Igreja é edificada, não sobre confissões, mas sobre confessores – pessoas vivas (ver, por exemplo, 1Pd 2,5).

Hoje o consenso da grande maioria dos eruditos e comentadores bíblicos se encontra a favor da interpretação católica. Aqui é dito que São Pedro é a pedra de fundação da Igreja, a cabeça e o superior da família de Deus (vemos aí a “semente” da doutrina do papado). Além disso, a palavra “pedra” expressa uma metáfora análoga à usada por São Pedro para designar o Messias sofredor e desprezado (1Pd 2,4-8; cf. Mt 21,42). Sem uma fundação sólida qualquer casa desaba. São Pedro é o fundamento, mas não o fundador da Igreja; administrador, mas não o Senhor da Igreja. O Bom Pastor (Jo 10,11) nos dá também outros pastores (Ef 4,11).

{a} – N. do T.: Alguns protestantes objetam que o nome de Pedro em grego, petros, significa “pequena pedra”, e que, portanto, Cristo refere-se a si próprio como rocha fundamental da Igreja, petra, “grande pedra”. Tal objeção não se sustenta porque: I – No grego koiné do NT as palavras petros e petra não possuem significados distintos [ver as seguintes fontes protestantes que confirmam este fato: Joseph H. Thayer, Thayer’s Greek-English Lexicon of the New Testament (Peabody: Hendrickson, 1996), 507; D.A. Carson, “Matthew,” in Frank E. Gaebelein, ed., The Expositor’s Bible Commentary (Grand Rapids: Zondervan, 1984), vol. 8, 368]. II – A palavra grega para designar “pequena pedra” é lithos. Por exemplo, em Mt 4,3, o demônio tenta o Senhor a operar um milagre transformando algumas pedras, lithoi, em pães; em Jo 10,31, os judeus apanham pedras, lithoi, para apedrejar Jesus. III – Jesus falava aramaico, não grego, e em aramaico ele usou a mesma palavra para designar Pedro e pedra: kefa (cfr. Jo 1,42). Se o Senhor tencionasse chamar o Apóstolo de “pequena pedra”, teria usado o termo aramaico correspondente, evna. IV – O evangelista usou petros enquanto forma masculina de petra, para evitar uma impropriedade de gênero, a designação de um sujeito masculino – o Apóstolo – com um nome feminino – petra. V -Especialistas em grego reconhecem que petros = petra na sentença de Mt 16,18. A sintaxe da frase não deixa lugar para dúvidas. Petros é o mesmo sujeito que é designado sob o nome de petra, ou seja, São Pedro.
  1. Mt 16,19: “Eu te darei as chaves do Reino dos Céus…”

O “poder das chaves” tem a ver com a disciplina eclesiástica e a autoridade administrativa com respeito às exigências da fé, como em Is 22,2 (cf. Is 9,6; Jó 12,14. Ap 3,7). É deste poder que derivam o uso de censuras, a excomunhão, a absolvição, a disciplina batismal, a imposição de penitências e os poderes legislativos. No AT um mordomo, ou primeiro ministro, é o “maior da casa”, o homem que ficava acima da assembléia (Gn 41,40; 43,19; 44,4; 1Rs 4,6; 16,9; 18,3; 2Rs 10,5; 15,5; 18,18; Is 22,15.20-21).

  1. Mt 16,19: “…o que tu ligares sobre a terra será ligado no Céu, e o que desligares sobre a terra será desligado no Céu”.

“Ligar” e “desligar” eram termos técnicos usados pelos rabinos, que significavam “proibir” e “permitir” com referência à interpretação da Lei. Secundariamente significavam o poder de condenar ou absolver. Portanto, a São Pedro e a seus sucessores, os papas, foi dada a autoridade de estabelecer as leis para a doutrina e a vida, em virtude da Revelação e da assistência do Espírito Santo (Jo 16,13), e de receber a obediência da Igreja. “Ligar” e “desligar” representam os poderes judiciais e legislativos do papa e do bispos (Mt 18,17-18; Jo 20,23). São Pedro, no entanto, é o único Apóstolo que recebeu esses poderes individualmente, o que o põe em lugar de preeminência no Colégio Apostólico.

  1. O nome de Pedro ocorre em primeiro lugar em todas as listas dos Apóstolos (Mt 10,2; Mc 3,16; Lc 6,14; At 1,13). Mateus chega a chamá-lo de “primeiro” (10,2). Judas Iscariotes é invariavelmente mencionado em último lugar.

  2. Pedro é quase sempre mencionado primeiro, quando seu nome aparece junto de outros. Em um exemplo que contradiz esta regra (o único), Gl 2,9, no qual “Cefas” é listado depois de Tiago e antes de João, Pedro aparece claramente em destaque, levando-se em conta o contexto do versículo (p. ex., 1,18-19; 2,7-8). Alguns códices registram variações nas quais Pedro aparece em primeiro lugar.

  3. Apenas Pedro, entre todos os Apóstolos, recebe um novo nome, “pedra”, solenemente conferido (Jo 1,42; Mt 16,18).

  4. Da mesma forma, Pedro é colocado por Jesus como o Pastor Chefe depois dele mesmo (Jo 21,15-17) sobre a Igreja Universal, embora outros possuam um papel parecido mas subordinado (At 20,28; 1Pd 5,2).

  5. Jesus ora apenas por Pedro, dentre todos os Apóstolos, para que a sua fé não desfaleça (Lc 22,32).

  6. Apenas Pedro, entre todos os Apóstolos, é exortado por Jesus: “fortalece teus irmãos” (Lc 22,32).

  7. Pedro é o primeiro a confessar a divindade de Cristo (Mt 16,16).

  8. Apenas de Pedro se diz que recebeu conhecimento divino através de uma revelação especial (Mt 16,17).

  9. Pedro é considerado pelos Judeus (At 4,1-13) como o líder e porta-voz dos cristãos.

  10. Pedro é considerado pelo povo da mesma forma (At 2,37-41; 5,15).

  11. Jesus Cristo paga o imposto para si mesmo e para Pedro (Mt 17,24-27).

  12. Cristo ensina da barca de Pedro, e a pesca milagrosa que se segue (Lc 5,1-11) é talvez uma metáfora sobre o papa como “pescador de homens” (cf. Mt 4,19).

  13. Pedro foi o primeiro Apóstolo a partir para, e a entrar em, o sepulcro vazio (Lc 24,12; Jo 20,6).

  14. Um anjo destaca Pedro entre os discípulos como líder e representante dos Apóstolos (Mc 16,7).

  15. Pedro lidera os Apóstolos na pesca (Jo 21,2-3.11). A “barca” de Pedro tem sido considerada pelos católicos como uma figura da Igreja, com Pedro no leme.

  16. Apenas Pedro anda sobre as águas para encontrar-se com Jesus (Jo 21,7).

  17. As palavras de Pedro são as primeiras a serem registradas e as mais importantes no Cenáculo, antes de Pentecostes (At 1,15-22).

  18. Pedro toma a liderança na convocação para a escolha de um substituto para Judas (At 1,22).

  19. Pedro é a primeira pessoa a falar (e a única registrada) depois de Pentecostes, de modo que ele foi o primeiro cristão a “pregar o Evangelho” no tempo da Igreja (At 2,14-36).

  20. Pedro opera o primeiro milagre do tempo da Igreja, curando um aleijado de nascença (At 3,6-12).

  21. Pedro lança o primeiro anátema (sobre Ananias e Safira), enfaticamente confirmado por Deus (At 5,2-11)!

  22. A sombra de Pedro opera milagres (At 5,15).

  23. Pedro é o primeiro depois de Cristo a ressuscitar uma pessoa morta (At 9,40).

  24. Um anjo instrui Cornélio a procurar Pedro para conhecer a fé cristã (At 10,1-6).

  25. Pedro é o primeiro a receber os gentios, após uma revelação de Deus (At 10,9-48).

  26. Pedro ensina aos outros Apóstolos sobre a catolicidade (universalidade) da Igreja (At 11,5-17).

  27. Pedro é o objeto da primeira intervenção divina em favor de um indivíduo no tempo da Igreja (um anjo o liberta da prisão – At 12,1-17).

  28. A Igreja inteira ora por Pedro enquanto o mesmo está preso (At 12,5).

  29. Pedro preside e abre o primeiro Concílio da História da Igreja, e lança vários princípios que serão adotados por todos os cristãos (At 15,7-11).

  30. Paulo distingue as aparições do Senhor a Pedro após a ressurreição das aparições realizadas diante dos demais Apóstolos (1Cor 15,4-8). Os dois discípulos na estrada de Emaús fazem a mesma distinção (Lc 24,34), na ocasião mencionando apenas Pedro (“Simão”), mesmo tendo eles mesmos acabado de ver o Cristo ressuscitado (Lc 24,33).

  31. Pedro é muitas vezes distinguido entre os apóstolos (Mc 1,36; Lc 9,28.32; At 2,37; At 5,29; 1Cor 9,5).

  32. Pedro é quase sempre o porta-voz dos outros Apóstolos, especialmente nos momentos mais importantes (Mc 8,29; Mt 18,21; Lc 9,5; Lc 12,41; Jo 6,67ss).

  33. O nome de Pedro é sempre o primeiro a ser listado dentro do “círculo íntimo” dos discípulos (Pedro, Tiago e João – Mt 17,1; Mt 26,37.40; Mc 5,37; Mc 14,37).

  34. Pedro é muitas vezes figura central junto a Jesus em cenas dramáticas do Evangelho, como a caminhada sobre as águas (Mt 14,28-32; Lc 5,1ss; Mc 10,28; Mt 17,24ss).

  35. Pedro é o primeiro a reconhecer e refutar a heresia, contra Simão o Mago (At 8,14-24).

  36. O nome de Pedro é mais citado do que todos os discípulos juntos: 191 vezes (162 como Pedro ou Simão Pedro, 23 como Simão e 6 como Cefas). João é o segundo colocado com apenas 48 referências. Pedro está presente em 50% das vezes em que João é mencionado na Bíblia! O arcebispo Fulton Sheen calculou que todos os outros discípulos combinados somam 130 referências. Se isto é correto, 60% das referências a discípulos são referências a São Pedro.

  37. O discurso de Pedro em Pentecostes (At 2,14-41) contém uma interpretação da Escritura feita com autoridade, uma decisão doutrinal e um decreto disciplinar referente aos membros da “Casa de Israel” (2,36) – um exemplo do poder de “ligar e desligar”.

  38. Pedro foi o primeiro “carismático”, tendo julgado com autoridade a primeira manifestação do dom de línguas como genuína (At 2,14-21).

  39. Pedro é o primeiro a pregar o arrependimento cristão e o batismo (At 2,38).

  40. Pedro (presume-se) esteve à frente do primeiro batismo em massa registrado (At 2,41).

  41. Pedro ordenou o batismo do primeiro cristão vindo da gentilidade (At 10,44-48).

  42. Pedro foi o primeiro missionário itinerante, e o primeiro a exercer o que seria chamado de “visita às igrejas” (At 9,32-38.43). Paulo pregou em Damasco imediatamente após a sua conversão (At 9,20), mas não tinha viajado até aquela cidade com esse propósito (Deus alterou seus planos!). Suas jornadas missionárias começam apenas em At 13,2.

  43. Paulo partiu para Jerusalém especialmente para ver Pedro, por quinze dias, no começo de seu ministério (Gl 1,18), e foi encarregado por Pedro, Tiago e João (Gl 2,9) de pregar para os gentios.

  44. Pedro age (fortemente indicado) como o bispo/pastor chefe da Igreja (1Pd 5,1), uma vez que ele exorta todos os demais bispos, ou “anciãos”.

  45. Pedro interpreta profecia (2Pd 1,16-21).

  46. Pedro corrige aqueles que interpretam mal os escritos paulinos (2Pd 3,15-16).

  47. Pedro escreve sua primeira epístola da cidade de Roma, de acordo com muitos estudiosos, sendo seu bispo, e como bispo universal (ou papa) da Igreja primitiva. “Babilônia” (1Pd 5,13) é uma espécie de codinome para Roma.

Em conclusão, é necessário muita credulidade para achar que Deus colocaria São Pedro em tal posição de preeminência na Bíblia sem que esta preeminência tenha algum significado ou importância para a história cristã posterior; em particular para o governo da Igreja. A doutrina sobre o papado é, de longe, a que melhor se ajusta ao dado bíblico. Considerando a Tradição e a História, a conclusão por sua veracidade é inescapável.

Traduzido e adaptado do inglês por Ewerton Wagner Santos Caetano. “50 NEW TESTAMENT PROOFS FOR PETRINE PRIMACY AND THE PAPACY”, Copyright 1994 by Dave Armstrong. All rights reserved.

 
 
 
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