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Por Papa BentoXVI Tradução: Vaticano Fonte: Vaticano

Amados irmãos e irmãs!

Estamos a reflectir, nestas catequeses, sobre as grandes figuras da Igreja nascente. Hoje falamos de São Justino, filósofo e mártir, o mais importante dos Padres apologistas do segundo século. A palavra “apologistas” designa aqueles escritores cristãos antigos que se propunham defender a nova religião das pesadas acusações dos pagãos e dos judeus, e difundir a doutrina cristã em termos adequados à cultura do próprio tempo. Assim nos apologistas está presente uma dupla solicitude: a mais propriamente apologética, de defender o cristianismo nascente (apologhía em grego significa precisamente “defesa”) e a “missionária”, que expõe os conteúdos da fé numa linguagem e com categorias de pensamento compreensíveis aos contemporâneos.

Justino nasceu por volta do ano 100 na antiga Siquém, em Samaria, na Terra Santa; ele procurou por muito tempo a verdade, peregrinando nas várias escolas da tradição filosófica grega. Finalmente como ele mesmo narra nos primeiros capítulos do seu Diálogo com Trifão uma personagem misteriosa, um idoso encontrado à beira-mar, inicialmente pô-lo em dificuldade, demonstrando-lhe a incapacidade do homem de satisfazer unicamente com as suas forças a aspiração pelo divino. Depois indicou-lhe nos antigos profetas as pessoas às quais se dirigir para encontrar o caminho de Deus e a “verdadeira filosofia”. Ao despedir-se dele, o idoso exortou-o à oração, para que lhe fossem abertas as portas da luz. A narração vela o episódio crucial da vida de Justino: no final de um longo itinerário filosófico de busca da verdade, ele alcançou a fé cristã.

Fundou uma escola em Roma, onde gratuitamente iniciava os alunos na nova relagião, considerada como a verdadeira filosofia. De facto, nela tinha encontrado a verdade e portanto a arte de viver de modo recto. Por este motivo foi denunciado e foi decapitado por volta do ano de 165, sob o reinado de Marco Aurélio, o imperador filósofo ao qual o próprio Justino tinha dirigido a sua Apologia.

São estas as duas Apologias e o Diálogo com o Judeu Trifão as únicas obras que nos restam dele. Nelas Justino pretende ilustrar antes de tudo o projecto divino da criação e da salvação que se realiza em Jesus Cristo, o Logos, isto é o Verbo eterno, a Razão eterna, a Razão criadora. Cada homem, como criatura racional, é partícipe do Logos, leva em si uma “semente”, e pode colher os indícios da verdade. Assim o mesmo Logos, que se revelou como figura profética aos Judeus na Lei antiga, manifestou-se parcialmente, como que em “sementes de verdade”, também na filosofia grega. Mas, conclui Justino, dado que o cristianismo é a manifestação histórica e pessoal do Logos na sua totalidade, origina-se que “tudo o que foi expresso de positivo por quem quer que seja, pertence a nós cristãos” (2 Apol. 13, 4). Deste modo Justino, mesmo contestando à filosofia grega as suas contradições, orienta decididamente para o Logos toda a verdade filosófica, motivando do ponto de vista racional a singular “pretensão” de verdade e de universalidade da religião cristã. Se o Antigo Testamento tende para Cristo como a figura orienta para a realidade significada, a filosofia grega tem também por objectivo Cristo e o Evangelho, como a parte tende a unir-se ao todo. E diz que estas duas realidades, o Antigo Testamento e a filosofia grega, são como os dois caminhos que guiam para Cristo, para o Logos. Eis por que a filosofia grega não se pode opor à verdade evangélica, e os cristãos podem inspirar-se nela com confiança, como num bem próprio. Por isso, o meu venerado Predecessor, o Papa João Paulo II, definiu Justino “pioneiro de um encontro positivo com o pensamento filosófico, mesmo se no sinal de um cauto discernimento”: porque Justino, “mesmo conservando depois da conversão grande estima pela filosofia grega, afirmava com vigor e clareza que tinha encontrado no cristianismo “a única filosofia segura e proveitosa” (Dial. 8, 1)” (Fides et ratio, 38).

Na sua totalidade, a figura e a obra de Justino marcam a opção decidida da Igreja antiga pela filosofia, mais pela razão do que pela religião dos pagãos. Com a religião pagã, de facto, os primeiros cristãos rejeitaram corajosamente qualquer compromisso. Consideravam-na idolatria, à custa de serem acusados por isso de “impiedade” e de “ateísmo”. Em particular Justino, especialmente na sua primeira Apologia, fez uma crítia implacável em relação à religião pagã e aos seus mitos, por ele considerados diabólicas “despistagens” no caminho da verdade. A filosofia representou ao contrário a área privilegiada do encontro entre paganismo, judaísmo e cristianismo precisamente no plano da crítica à religião pagã e aos seus falsos mitos. “A nossa filosofia…”: assim, do modo mais explícito, definiu a nova religião outro apologista contemporâneo de Justino, o Bispo Melitão de Sardes (ap. Hist. Eccl. 4, 26, 7).

De facto, a religião pagã não percorria os caminhos do Logos, mas obstinava-se pelas do mito, até a filosofia grega o considerava privado de consistência na verdade. Por isso o ocaso da religião pagã era inevitável: fluía como consequência lógica do afastamento da religião reduzida a um conjunto artificial de cerimónias, convenções e hábitos da verdade do ser. Justino, e com ele os outros apologistas, selaram a tomada de posição clara da fé cristã pelo Deus dos filósofos contra os falsos deuses da religião pagã. Era a opção pela verdade do ser contra o mito do costume.

Alguns decénios após Justino, Tertuliano definiu a mesma opção dos cristãos com uma sentença lapidária e sempre válida: “Dominus noster Christus veritatem se, non consuetudinem, cognominavit Cristo afirmou ser a verdade, não o costume” (De virgin. vel. 1, 1). A este propósito observe-se que a palavra consuetudo, aqui empregada por Tertuliano referindo-se à religião pagã, pode ser traduzida nas línguas modernas com as expressões “moda cultural”, “moda do tempo”.

Numa época como a nossa, marcada pelo relativismo no debate sobre os valores e sobre a religião assim como no diálogo inter-religioso esta é uma lição que não se deve esquecer. Para esta finalidade proponho-vos e assim concluo as últimas palavras do idoso misterioso, que o filósofo Justino encontrou à beira-mar: “Tu reza antes de tudo para que as portas da luz te sejam abertas, porque ninguém pode ver e compreender, se Deus e o seu Cristo não lhe concedem discernir” (Dial. 7, 3).

 
 
 

O prêmio é outorgado pelo progresso da religião


CIDADE DO VATICANO, quinta-feira, 8 de maio de 2008 (ZENIT.org).- Bento XVI expressou sua satisfação pela entrega do Prêmio Templeton 2008 (www.templetonprize.org) para o progresso da religião ao sacerdote e cosmólogo polonês Michal Heller.

O prêmio, entregue nesta quarta-feira em Londres, durante uma cerimônia privada em Buckingham Palace, pelo príncipe Felipe, duque de Edimburgo, premia o progresso conseguido por pe. Heller pela pesquisa no campo das relações entre ciência e religião.

O sacerdote, professor de Física Teórica, Cosmologia Relativista e Filosofia da Ciência na Academia Pontifícia de Teologia de Cracóvia, destacou-se por sua teoria sobre as origens e a causa do universo, elaborada através de estudos multidisciplinares nos campos da Física, da Cosmologia, da Teologia e da Filosofia, centradas no interrogante sobre a necessidade de uma causa para a origem do universo.

Para a ocasião, Bento XVI enviou a pe. Heller – nascido em Tarnów em 1936 e ordenado sacerdote em 1959 – uma mensagem assinada pelo arcebispo Fernando Filoni, substituto da Secretaria de Estado para Assuntos Gerais.

No texto, de 30 de abril de 2008, revela-se a satisfação do Papa pela concessão do Prêmio ao sacerdote em virtude de sua «extraordinária contribuição ao diálogo entre ciência e religião».

O arcebispo Filoni recorda que o Papa sublinhou repetidamente a «importância de um encontro frutífero entre fé e razão, as duas asas sobre as quais o espírito humano se eleva à contemplação da verdade, e deseja animar todos aqueles que dedicam sua vida a explorar os profundos conhecimentos que se podem adquirir pela investigação científica desenvolvida no contexto da fé religiosa».

Por este motivo, acrescenta, Bento XVI «reza para que seu trabalho no campo da cosmologia e da filosofia possa contribuir para difundir a mensagem de que ‘os céus proclamam a glória de Deus e o firmamento exalta a obra de suas mãos’ (Sal 18, 2)».

Sir John Templeton instituiu o Prêmio «ao progresso para a investigação ou os descobrimentos sobre as realidades espirituais» em 1972.

Sua dotação econômica é a mais elevada do mundo. Este ano supera 1,2 milhão de euros.

O criador do Prêmio estabeleceu que seu valor deve ser sempre superior ao do Nobel para sublinhar que a investigação e os progressos nos descobrimentos espirituais podem ser quantitativamente mais significativos que os das disciplinas reconhecidas pelo Prêmio fundado por Alfred Nobel.

Pe. Heller revelou querer destinar o dinheiro a criar em Cracóvia um centro de pesquisa sobre ciência, titulado Nicolau Copérnico.

A primeira pessoa que recebeu o Prêmio Templeton foi a beata Madre Teresa de Calcutá, em 1973, quando ainda era conhecida só entre os pobres da grande cidade indiana. Um ano depois foi a vez do irmão Roger (1915-2005), fundador da Comunidade Ecumênica de Taizé, França.

Entre as personalidades que obtiveram o reconhecimento, figuram em 1976 o cardeal Leo Jozef Suenens (1904-1996), arcebispo de Malinas-Bruxelas, descrito como «pioneiro na busca e na temática do movimento da Renovação Carismática», e em 1977 Chiara Lubich, fundadora do Movimento dos Focolares, por ter favorecido o compromisso laical e o diálogo entre os cristãos das diversas confissões.

[Para mais informação. www.templeton.org]

 
 
 

Reunião da Comissão bilateral em Jerusalém

JERUSALÉM, terça-feira, 20 de março de 2007 (ZENIT.org).- A última reunião do organismo mais representativo do diálogo entre judeus e católicos lançou um chamado à defesa da liberdade religiosa.

«A liberdade religiosa e de consciência e seus limites» foi precisamente o tema do encontro da Comissão bilateral, da qual faz parte a Delegação da Comissão da Santa Sé para as Relações Religiosas com os Judeus e a delegação para as Relações com a Igreja Católica do Grão-Rabinato de Jerusalém.

O encontro, celebrado em Jerusalém de 11 a 13 de março, foi presidido pelo cardeal argentino Jorge María Mejía, arquivista e bibliotecário emérito da Santa Igreja romana, e pelo rabino-chefe Shear Yashuv Cohen.

«A capacidade humana para escolher é uma manifestação da imagem divina segundo a qual todas as pessoas foram criadas, e o fundamento do conceito bíblico da responsabilidade humana e da justiça divina», começa dizendo a declaração final citando o Gênesis e o Deuteronômio.

«A liberdade de escolha se deriva de Deus e por este motivo não é absoluta, deve refletir a vontade e a lei divinas», segue dizendo o texto publicado nesta terça-feira.

«Deste modo, os seres humanos estão chamados a obedecer livremente a vontade divina tal como se manifesta na Criação e em sua Palavra revelada», acrescenta.

Agora, declaram os representantes de judeus e católicos, «a idéia do relativismo moral está contra esta visão religiosa do mundo e constitui uma séria ameaça para a humanidade».

«Ainda que o Iluminismo tenha propiciado uma purificação do abuso da religião, a sociedade secular continua necessitando de fundamentos religiosos para justificar valores morais duradouros», constata o documento.

«Entre estes princípios, tem uma importância decisiva o caráter sagrado da vida humana e sua dignidade — acrescenta. O monoteísmo ético afirma que se trata de direitos humanos invioláveis.»

«Ainda que o estado, em virtude deste princípio, não deve limitar a liberdade religiosa de indivíduos e comunidades, nem a liberdade de consciência, contudo, tem a responsabilidade de garantir o bem-estar e a segurança da sociedade», declara.

«Por este motivo, tem a obrigação de intervir onde e quando se dê uma ameaça através da promoção, do ensino ou do exercício da violência, e especificamente do terrorismo e da manipulação psicológica, em nome da religião», sublinham os representantes religiosos.

«É legítimo que uma sociedade com uma identidade religiosa predominante possa preservar seu caráter, sob a condição de que isso não limite a liberdade das comunidades minoritárias e dos indivíduos a professar um compromisso religioso alternativo, nem a integridade de seus direitos civis», declara o comunicado.

«Ao longo da história, as comunidades religiosas não foram sempre fiéis a esses valores. Por este motivo, os líderes religiosos têm uma especial obrigação de prevenir o uso inapropriado da religião e de educar no respeito da diversidade, que é essência para assegurar uma sociedade sadia, estável e pacífica.»

«Neste sentido, têm um papel especial as famílias, as escolas e as autoridades do estado e da sociedade, assim como os meios de comunicação, para transmitir estes valores às futuras gerações.»

A declaração da Comissão bilateral conclui com um chamado desde Jerusalém aos líderes religiosos e políticos da região para que trabalhem «com determinação pela promoção da paz, da dignidade, da segurança e da tranqüilidade na Terra Santa, a favor de seus povos e do mundo em seu conjunto».

 
 
 
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