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Por Carlos Martins Nabeto Fonte: Agnus Dei

INTRODUÇÃO

Este artigo pode, a princípio, parecer anti-ecumênico, mas não é. Muito pelo contrário, visa esclarecer fatos históricos. Pessoalmente, torço para o êxito do ecumenismo, que tem uma árdua tarefa na busca da aproximação, diálogo e consenso entre as várias denominações cristãs. Contudo, sou obrigado a registrar que, em virtude da imperfeição do ser humano, o ecumenismo caminha a passos lentos… muito lentos mesmo! Na verdade, a discórdia reinante entre os cristãos é fruto mais de interesses pessoais e políticos do que religiosos. É claro que existem diferenças de pontos doutrinais, criados a partir da necessidade de separação e identificação, mas será que existe vontade de discuti-los fraternalmente, a ponto, até, de reconhecê-los como errados?

Volta e meia a imprensa noticia que milhares e milhares de católicos estão indo seguir outras religiões. Vemos, assim, que o católico costuma a ser pacífico, bom ouvinte, o que, aliás, é uma boa virtude ecumênica. Por outro lado, sabemos que muitos católicos assim se declaram porque foram batizados quando crianças, não tendo, após isso, uma verdadeira vida cristã: nunca foram à Igreja (exceto para “pagar” promessas ou participar de missas de sétimo dia), nunca tiveram interesse de participar dos grupos comunitários e nunca se aprofundaram no estudo bíblico e doutrinário da Igreja (no máximo, fizeram a primeira – e única! – comunhão). Infelizmente, vemos atitudes pouco ecumênicas por parte da maioria dos dirigentes de outras igrejas que, aproveitando o fato do pouco conhecimento religioso de boa parte dos católicos, coverte-os às suas respectivas religiões usando, para isso, de artimanhas verdadeiramente anti-ecumênicas. Para discutir esse fenômeno, existem, hoje, duas correntes de pensamento dentro da própria Igreja católica: a primeira acha ótimo esse “êxodo”, já que ocorre uma purificação interna dentro da própria Igreja, uma vez que, como está comprovado, só deixam de ser católicos aqueles que pouco interesse têm pela Igreja. A segunda, embora reconhecendo que essa “purificação” é positiva e que contribui para o aumento da qualidade dos fiéis católicos, afirma que não é justo permitir o afastamento do “joio” já que estes foram, na maioria das vezes, conquistados de forma ilícita, isto é, por desconhecerem a sã doutrina da Igreja, mudaram de fé graças a argumentos duvidosos (apresentados por fiéis de outras igrejas), para os quais não tinham uma explicação satisfatória… De uma forma, como de outra, a própria Igreja católica reconhece que é necessária uma nova evangelização, buscando aprofundar as raízes de todos os fiéis católicos bem como de todos os homens de boa vontade.

TUDO É HISTÓRIA

Ao contrário de todas as demais religiões, o judaísmo, o cristianismo e o islamismo são religiões históricas, não foram criadas a partir de mitos! Logo, todas as ações realizadas pelos fiéis dessas três grandes religiões ficaram registradas no tempo! São fatos, não lendas; é história, não estória! Não vamos falar sobre os judeus, pois sabemos que eles não aceitaram Jesus como o verdadeiro Messias porque sua visão de Messias, na época de Jesus, era estritamente política: o enviado de Deus que libertaria o povo da dominação romana (aliás, a destruição de Jerusalém em 135 dC pelos romanos foi motivada por essa falsa visão: três anos antes, Bar-Khokba fôra proclamado pelas autoridades religiosas como o Messias libertador). Quanto aos islâmicos, cuja fé baseia-se em Maomé, bem sabemos pela História que trata-se de uma religião com grandes influências do judaísmo e cristianismo.

Vamos, portanto, nos concentrar na fé cristã e ver o que é histórico, o que é verdadeiro, já que, na esmagadora maioria das vezes, os conflitos e divisões são gerados pelos próprios cristãos.

A IGREJA CATÓLICA

Jesus manifestou o interesse de fundar a Igreja (Mt 16,18), Igreja esta que teria autoridade (Mt 18,17), cujo sinal de unidade seria a pessoa de Pedro (Mt 16,18-19; Jo 21,15-17; etc). A Igreja foi oficialmente fundada após a ressurreição de Jesus, no domingo de Pentecostes, com o derramamento do Espírito Santo (At 2). A Igreja cresceu em número, primeiro em Jerusalém, e foi se espalhando pelo mundo graças à pregação e cuidado dos apóstolos. É de conhecimento geral que, naquela época, Roma era a senhora do mundo, o mais vasto império que a humanidade já conheceu. Foram os próprios apóstolos que viram a necessidade do deslocamento do Cristianismo para o centro do império romano a fim de facilitar a pregação do Evangelho. É fato histórico que Pedro e Paulo foram perseguidos e martirizados em Roma. Clemente Romano, ainda no séc. I, nos testemunha esses martírios. Irineu de Lião apresenta, no séc. II, a lista dos sucessores de Pedro, até aquela data. A arqueologia, através de escavações, confirmou a morte de Pedro e Paulo em Roma ao encontrar seus respectivos túmulos. Ao estudarmos a doutrina da Igreja católica, percebemos que ela não se afastou um milímetro sequer desde a sua fundação, ou seja, a Igreja católica atual é a mesma de 2000 anos atrás.

A PRIMEIRA DIVISÃO

A primeira divisão dentro do Cristianismo ocorreu em 1054 dC (aproximadamente mil anos após a fundação da Igreja). É o que se chama de Cisma Oriental. Antes disso, grandes polêmicas tinham surgido dentro do seio do Cristianismo mas, mesmo assim, sempre se chegava a um consenso geral através da realização de grandes Concílios Ecumênicos, que reuniam bispos de todo o mundo até então conhecido. Aqueles que não se adequavam às decisões eram afastados da Igreja, criando – como hoje em dia – comunidades heréticas que o próprio tempo tratou de exterminá-las. Mas o Cisma Oriental foi a primeira divisão que realmente abalou o mundo cristão. Doutrinariamente, os orientais, baseados em Constantinopla, acusaram a Igreja do ocidente de ter acrescentado o termo filioque ao credo niceno-constantinopolitano, resultando na procedência do Espírito Santo a partir do Pai e do Filho e não apenas do Pai, como originalmente registrava tal credo, o que dava a impressão que o Espírito Santo passou a “existir” após o Pai e o Filho. Muito embora a Igreja católica tenha demonstrado e comprovado que tal acréscimo nada modifica na fórmula original, nem impõe uma ordem de procedência já que trata-se do Deus único, a Igreja Ortodoxa jamais aceitou voltar à plena comunhão com a Igreja de Roma, o que bem demonstra que a divisão não ocorreu por motivo simplesmente doutrinário.

Mas então qual seria o verdadeiro motivo da separação? Política! Desde o séc. VII, Constantinopla, capital do Império Romano do Oriente, desejava ter os mesmos direitos da sé de Roma, tendo conseguido obter, no máximo, o reconhecimento do privilégio de segunda, logo depois de Roma. Assim, o argumento do “acréscimo ilícito” do filioque foi usado apenas para garantir a separação na ordem política! Isso é História.

AS DEMAIS DIVISÕES

Após a separação da Igreja Ortodoxa, foram necessários mais 500 anos, aproximadamente, para que nova divisão viesse abalar a Igreja do Ocidente. Também é fato histórico que na Igreja medieval ocorriam vários abusos, a grande maioria ocasionados pelo fato da ligação íntima entre Igreja e Estado; era o Estado que nomeava os bispos, sendo estes pouco preparados a nível religioso. Então era comum encontrarmos bispos que compravam determinada sede episcopal, que eram casados irregularmente, que eram impiedosos por falta de vocação religiosa, etc… Era necessária uma Reforma dentro da Igreja! Vários homens lutaram por essas reformas, cada qual a seu jeito. Francisco de Assis é um desses exemplos: lutou por reformas e conseguiu! Não precisou dividir a Igreja, pois reconhecia sua importâcia e autoridade. Mesmo assim, a Igreja ainda não estava totalmente reformada. Infelizmente, homens como Lutero e Calvino, ao invés de se inspirarem no grande exemplo de São Francisco, acharam mais fácil romper com a Igreja, fundando novas religiões… foi a chamada Reforma Protestante. Lendo a história de maneira completamente imparcial, vemos que, mais uma vez, a política se intrometia no campo religioso. Lutero, para impor suas doutrinas, aliou-se aos príncipes alemães descontentes com as boas relações entre o Imperador e o Papa. Calvino fez de Genebra um Estado cuja política era guiada por preceitos religiosos radicais, com visível orientação antipapal e anticatólica. Ao contrário de Lutero e Calvino, o rei Henrique VIII da Inglaterra estava preocupado em conseguir um descendente (filho) do sexo masculino para ser seu sucessor no trono; como Catarina de Aragão, sua esposa, não conseguia dar-lhe esse filho tão esperado e o Papa não consentisse o divórcio, obrigou ao clero inglês a reconhecê-lo como chefe supremo da igreja na Inglaterra. Observemos, portanto, como os argumentos religiosos são usados por todos, desde o princípio, como justificativa para implantação de idéias meramente políticas.

Lutero havia afirmado que quem dirige o crente é o Espírito Santo, de forma que este não necessita da autoridade de Igreja para ajudá-lo a interpretar a Bíblia, única fonte de fé que deve ser considerada pelo cristão. Esse mesmo ponto de vista foi adotado por Calvino e por todo o mundo protestante. Mesmo sendo oposta à própria Bíblia (2Pd 3,15-16), a livre interpretação ocasionou a fragmentação do Cristianismo em mais de 20 mil ramos, o que é um absurdo, já que cada ramo se julga a verdadeira Igreja de Cristo, tendo como único ponto comum o anticatolicismo. Mas, não reconhecendo a autoridade de Igreja, mais uma vez se voltam contra a Bíblia, pois esta afirma que o fundamento e coluna da verdade é a Igreja (cf. 1Tm 3,15), logo, apesar de possuirem alguns pontos verdadeiros (que são iguais aos da Igreja Católica!!!), não são a verdadeira Igreja de Cristo.

Vejamos a seguinte lista, organizada em ordem cronológica e incompleta, já que seria impossível listar as 20 mil igrejas cristãs hoje existentes:AnoDenominaçãoOrigemFundador~33Fundação da Igreja CatólicaPalestinaJesus~55Igreja Católica se fixa em Roma, com Pedro e Paulo1054Igreja OrtodoxaConstantinoplaMiguel Cerulário1521Igreja LuteranaAlemanhaMartinho Lutero1523AnabatistasAlemanhaZwickau1523Batistas MenonitasHolandaMenno Simons1531Igreja AnglicanaInglaterraHenrique VIII1536Igreja PresbiterianaSuiçaJoão Calvino1592Igreja CongregacionalistaInglaterraJohn Greenwood e outros1612Igreja Batista Arminiana ou GeralInglaterraJohn Smith~1630Sociedade dos Amigos (Quakers)InglaterraGeorge Fox1641Igreja Batista Regular ou ParticularInglaterraRichard Blount1739Igreja MetodistaInglaterraJohn Wesley1816Igreja AdventistaEUAWillian Miller1830MórmonsEUAJoseph Smith1865Exército da SalvaçãoInglaterraWillian Booth1878Testemunhas de JeováEUACharles T.Russel1901Igreja PentecostalEUACharles Parham1903Igreja Presbiteriana IndependenteBrasilOthoniel C. Mota1909Congregação Cristã no BrasilBrasilLuís Francescon1910Igreja Assembléia de DeusEUA/BrasilD.Berg/G.Vingren1918Igreja do Evangelho QuadrangularEUAAimée McPherson1945Igreja Católica Apostólica Brasileira (ICAB)BrasilCarlos D.Costa1955Cruzada o Brasil para CristoBrasilManoel de Mello1962Igreja Deus é AmorBrasilDavid Miranda1977Igreja Universal do Reino de DeusBrasilEdir Macedo

Outros Ramos:

  1. Adventistas: Adventistas da Era Vindoura, Adventistas do Sétimo Dia, Adventistas Evangélicos, Cristãos Adventistas, Igreja de Deus, União da Vida e do Advento, etc.

  2. Batistas: Batistas Abertos, Batistas das Duas Sementes no Espírito, Batistas das Novas Luzes, Batistas das Velhas Luzes, Batistas do Livre Arbítrio, Batistas do Sétimo Dia, Batistas dos Seis Princípios, Batistas Fechados, Batistas Primitivos, Batistas Reformados, Velhos Batistas, etc.

  3. Pentecostais:Cruzada da Nova Vida, Cruzada Nacional de Evangelização, Igreja Cristo Pentecostal da Bíblia, Igreja da Restauração, Igreja Jesus Nazareno, Reavivamento Bíblico, Tabernáculo Evangélico de Jesus (Casa da Bênção), etc.

Como cada uma dessas igrejas defende sua própria doutrina como verdadeira, apesar de se autonomearem como cristãos, excluem-se mutuamente. Contudo, a única Igreja cristã que existe desde a época de Cristo é a Igreja católica. E observando-se que sua doutrina permaneceu imutável nestes 2000 anos, temos que ela é a Igreja de Cristo, apesar das demais possuírem elementos verdadeiros, vestígios de sua ligação comum com a Igreja católica. Uma brincadeira de criança ilustra muito bem nosso ponto de vista: a brincadeira do “quem conta um conto, aumenta um ponto”. Uma pessoa transmite uma mensagem para uma segunda pessoa; entra, então, uma terceira pessoa, que recebe a informação da segunda pessoa, e assim, sucessivamente. Não são necessárias muitas pessoas, pois já na quarta ou quinta pessoa, a informação está completamente distorcida da informação original. O mesmo ocorre no campo religioso: como pode, igrejas sem nenhuma ligação com Jesus proclamar-se detentoras da verdade? E como podem essas igrejas atribuir suas mais diversas doutrinas ao mesmo Espírito Santo, sendo estas completamente contraditórias entre si? Não seria uma blasfêmia dizer que o Espírito Santo está ocasionando divisões entre os cristãos se Jesus Cristo afirmou que haveria um só rebanho e um só pastor? (Jo 10,16)

Além da pergunta: “quem fundou a sua igreja?”, outra pergunta interessante a ser feita aos cristãos não católicos é: “qual seria a sua religião se você nascesse há mil anos atrás?”. Nessa época, havia unidade total entre os cristãos e a resposta seria apenas uma: católica. Ora, se não houve mudanças na doutrina desde a fundação da Igreja, é ilógico e contraditório aceitar atualmente doutrinas que não se alinham com as da Igreja católica!!! Pode-se aceitar ritos e disciplinas diferentes, mas não doutrinas!

Quem dá sustentação e vida à árvore é sua raiz! Uma árvore sem raiz não sobrevive nem se mantém segura de pé! E o que temos na raiz desta grande árvore que é o Cristianismo? Na base (raiz) está a Igreja católica (é fato histórico; observe mais uma vez a tabela acima)! Sua raiz bebe diretamente Daquele que dá e é a água viva (cf. Jo 4,10), Jesus Cristo, o Filho de Deus. E é por isso que ela, ainda nos dias de hoje, tem se demonstrado forte e vigorosa (apesar da sua idade), e assim será até a consumação dos séculos (cf. Mt 28,20b).

Para citar este artigo: NABETO, Carlos Martins. Apostolado Veritatis Splendor: Quem fundou a sua Igreja?. Disponível em http://www.veritatis.com.br/article/4477. Desde 6/8/2007.

 
 
 

Primeira pregação da Quaresma ao Papa e à Cúria

CIDADE DO VATICANO, sexta-feira, 9 de março de 2007 (ZENIT.org).- «Bem-aventurados os puros de coração, porque verão Deus — As bem-aventuranças evangélicas» é o tema da primeira pregação da Quaresma que, ante Bento XVI e a Cúria, pronunciou nesta sexta-feira o Pe. Raniero Cantalamessa O.F.M. Cap, pregador da Casa Pontifícia.

Oferecemos na íntegra o texto da pregação.

* * *

Pe. Raniero Cantalamessa

“BEM-AVENTURADOS OS PUROS DE CORAÇÃO, PORQUE VERÃO A DEUS” Primeira pregação da Quaresma

1.Da pureza ritual à pureza de coração

Continuando com a nossa reflexão sobre as bem-aventuranças evangélicas iniciada no Advento, nesta primeira meditação de Quaresma queremos refletir sobre a bem-aventurança dos limpos de coração. Qualquer um que lê ou ouve proclamar hoje: «Bem-aventurados os puros de coração, porque verão Deus», pensa instintivamente na virtude da pureza, a bem-aventurança é quase o equivalente positivo e interiorizado do sexto mandamento: «Não cometerás atos impuros». Esta interpretação, proposta esporadicamente no curso da história da espiritualidade cristã, se fez predominante a partir do século XIX.

Na verdade, a pureza de coração não indica, no pensamento de Cristo, uma virtude particular, mas uma qualidade que deve acompanhar todas as virtudes, a fim de que elas sejam de verdade virtudes e não, ao contrário, «esplêndidos vícios». Seu contrário mais direto não é a impureza, mas a hipocrisia. Um pouco de exegese e de história nos ajudará a compreender melhor.

O que Jesus entende por «pureza de coração» se deduz claramente do contexto do Sermão da Montanha. Segundo o Evangelho, o que decide a pureza ou impureza de uma ação — seja esta a esmola, o jejum ou a oração — é a intenção: isto é, se realizada para ser vistos pelos homens ou por agradar a Deus:

«Quando dês esmola, não vai tocando trompete adiante como fazem os hipócritas nas sinagogas e pelas ruas, com o fim de ser honrado pelos homens; em verdade vos digo que já recebem seu pagamento. Tu, ao contrário, quando dês esmola, que não saiba tua mão esquerda o que faz tua direita, assim tua esmola ficará em segredo; e teu Pai, que vê no segredo, te recompensará.» (Mt 6, 2-6)

A hipocrisia é o pecado denunciado com mais força por Deus ao longo de toda a Bíblia e o motivo é claro. Com ela o homem rebaixa Deus, coloca-o no segundo lugar, situando no primeiro as criaturas, o público. «O homem olha a aparência, o Senhor vê o coração» (1 Salmo 16, 7): cultivar a aparência mais que o coração significa dar mais importância ao homem que a Deus.

A hipocrisia é, portanto, essencialmente, falta de fé; mas é também falta de caridade para com o próximo, no sentido de que tende a reduzir as pessoas a admiradores. Não lhes reconhece uma dignidade própria, mas as vê só em função da própria imagem.

O juízo de Cristo sobre a hipocrisia não tem volta de folha: Receperunt mercedem suam: já receberam sua recompensa! Uma recompensa, também, ilusória até no plano humano, porque a glória, sabemos, foge de quem a segue e segue a quem foge dela.

Ajudam a entender o sentido da bem-aventurança dos limpos de coração também as palavras que Jesus pronuncia com relação aos escribas e fariseus, todas centradas na oposição entre «o de dentro» e «o de fora», o interior e o exterior do homem:

«Ai de vós, escribas e fariseus hipócritas, pois sois semelhantes a sepulcros caiados, que por fora parecem bonitos mas por dentro estão cheios de ossos de mortos e de toda imundice! Assim também vós, por fora pareceis justos ante os homens, mas por dentro estais cheios de hipocrisia e iniqüidade» (Mt 23, 27-28).

A revolução levada a cabo neste campo por Jesus é de um alcance incalculável. Antes d’Ele, exceto alguma rara alusão nos profetas e nos salmos (Salmo 24, 3: «Quem subirá ao monte do Senhor? Quem tem mãos inocentes e coração puro»), a pureza se entendia em sentido ritual e cultural; consistia em manter-se afastado de coisas, animais, pessoas ou lugares considerados capazes de contagiar negativamente e de separar da santidade de Deus. Sobretudo aquilo que está ligado ao nascimento, à morte, à alimentação e à sexualidade entra neste âmbito. Em formas ou com pressupostos diferentes, o mesmo ocorria em outras religiões, fora da Bíblia.

Jesus elimina todos estes tabus. Antes de tudo, com os gestos que realiza: come com os pecadores, toca aos leprosos, freqüenta os pagãos: todas coisas consideradas altamente contaminadoras: depois, com os ensinamentos que ministra. A solenidade com a qual introduz seu discurso sobre o puro e o impuro permite entender quão consciente Ele era mesmo da novidade de seu ensinamento.

«Chamou outra vez as pessoas e lhes disse: ‘Ouvi-me todos e entendei. Nada há fora do homem que, entrando nele, possa contaminá-lo; mas o que sai do homem, isso é o que contamina o homem… Porque de dentro do coração dos homens saem as intenções más: fornicações, roubos, assassinatos, adultérios, avarezas, maldades, fraude, libertinagem, inveja, injúria, insolência, insensatez. Todas estas perversidades saem de dentro e contaminam o homem”» (Mc 7, 14-15. 21-23).

«Assim declarava puros todos os alimentos», observa quase com estupor o evangelista (Mc 7, 19). Contra a tentativa de alguns judeu-cristãos de restabelecer a distinção entre puro e impuro nos alimentos e em outros setores da vida, a Igreja apostólica afirmará com força: «Tudo é puro para quem é puro», omnia munda mundis (Tt 1, 15; Rm 14, 20).

A pureza, entendida no sentido de continência e castidade, não está ausente da bem-aventurança evangélica (entre as coisas que contaminam o coração Jesus situa também, ouvimos, «fornicações, adultérios, libertinagem»); mas ocupa um posto limitado e por assim dizer «secundário». É um âmbito junto a outros nos quais se põe de relevância o lugar decisivo que ocupa o «coração», como quando diz que «quem olha a uma mulher com desejo, já cometeu adultério com ela em seu coração» (Mt 5, 28).

Na realidade, os termos «puro» e «pureza» (katharos, katharotes) nunca se utilizam no Novo Testamento para indicar o que com eles entendemos nós hoje, isto é, a ausência de pecados da carne. Para isso se usam outros termos domínio de si (enkrateia), temperança (sophrosyne), castidade (hagneia).

Por quanto se disse, parece claro que o puro de coração por excelência é o próprio Jesus. D’Ele seus próprios adversários se vêem obrigados a dizer: «Sabemos que és veraz e que não te importas por ninguém, porque não olhas a condição das pessoas, mas ensinas com franqueza o caminho de Deus» (Mc 12, 14). Jesus podia dizer de si: «Eu não busco minha glória» (Jo 8, 50).

2. Um olhar à história

Na exegese dos Padres, vemos delinear-se logo as três direções fundamentais nas quais a bem-aventurança dos puros de coração será recebida e interpretada na história da espiritualidade cristã: a moral, a mística e a ascética. A interpretação moral põe o acento na retidão de intenção, a interpretação mística, na visão de Deus, a ascética, na luta contra as paixões da carne. Nós as vemos exemplificadas, respectivamente, em Agostinho, Gregório de Nisa e João Crisóstomo.

Atendendo-se fielmente ao contexto evangélico, Agostinho interpreta a bem-aventurança em chave moral, como rejeição a «praticar a justiça ante os homens para ser por eles admirados» (Mt 6, 1), portanto como simplicidade e fraqueza que se opõe à hipocrisia «Tem o coração simples, puro — escreve — só quem supera os louvores humanos e ao viver está atento e busca ser agradável só àquele que é o único que escruta a consciência» [1].

O fator que decide a pureza ou não do coração é aqui a intenção. «Todas as nossas ações são honestas e agradáveis na presença de Deus se as realizamos com o coração sincero, ou seja, com a intenção voltada para o alto na finalidade do amor… Portanto, não se deve considerar tanto a ação que se realiza, quanto a intenção com que se realiza» [2]. Este modelo interpretativo que fala sobre a intenção permanecerá ativo em toda a tradição espiritual posterior, especialmente inaciana [3].

A interpretação mística, que tem em Gregório de Nisa seu iniciador, explica a bem-aventurança em função da contemplação. É preciso purificar o próprio coração de todo vínculo com o mundo e com o mal; deste modo, o coração do homem voltará a ser aquela pura e límpida imagem de Deus que era o princípio e na própria alma, como em um espelho, a criatura poderá «ver Deus». «Se, com um teor de vida diligente e atenta, lavas as fealdades que se depositaram em teu coração, resplandecerá em ti a divina beleza… Contemplando-te a ti mesmo, verás em ti àquele que é o desejo de teu coração e serás santo» [4].

Aqui o peso está todo na apódose, no fruto prometido à bem-aventurança; ter o coração limpo é o meio; o fim é «ver Deus». Nota-se, no contexto da linguagem, uma influência da especulação de Plotino, que se faz ainda mais descoberta em São Basílio [5].

Também esta linha interpretativa terá continuidade em toda a história sucessiva da espiritualidade cristã que passa por São Bernardo, São Boaventura e os místicos renanos [6]. Em alguns ambientes monásticos se acrescenta, no entanto, uma idéia nova e interessante: a da pureza como unificação interior que se obtém desejando uma coisa só, quando esta «coisa» é Deus. Escreve São Bernardo: «Bem-aventurados os puros de coração porque verão Deus. Como se dissesse: purifica o coração, separa-te de tudo, sê monge, só, busca uma coisa só do Senhor e persegue-a (Salmo 27, 4), liberta-te de tudo e verás Deus (Salmo 46, 11)» [7].

Bastante isolada está, no entanto, nos Padres e nos autores medievais, a interpretação ascética em função da castidade que se converterá em predominante, dizia, desde o século XIX em diante. Crisóstomo dá o exemplo mais claro [8]. Situando-se nesta mesma linha, o místico Ruusbroec distingue uma castidade do espírito, uma castidade do coração e uma castidade do corpo. A bem-aventurança evangélica se refere à castidade do coração. Ela — escreve — «mantém reunidos e reforça os sentidos externos, enquanto, no interior, freia e domina os instintos brutais… Fecha o coração às coisas terrenas e às ilusões falazes, enquanto que o abre às coisas celestiais e à verdade» [9].

Com graus diversos de fidelidade, todas estas interpretações ortodoxas permanecem dentro do horizonte novo da revolução aperada por Jesus, que reconduz todo discurso moral ao coração. Paradoxalmente, os que traíram a bem-aventurança evangélica dos puros (katharoi) de coração são precisamente os que tomaram o nome dela: os cátaros com todos os movimentos afins que lhes precederam e seguiram na história do cristianismo. Estes caem na categoria dos que fazem a pureza consistir em estar separados, ritual e socialmente, de pessoas e coisas julgadas em si mesmas impuras, em uma pureza mais exterior que interior. São os herdeiros do radicalismo sectário dos fariseus e dos essênios, mais que do Evangelho de Cristo.

3. A hipocrisia leiga

Freqüentemente se destaca o alcance social e cultural de algumas bem-aventuranças. Não é estranho ler «Bem-aventurados os que trabalham pela paz» nos cartazes que acompanham as manifestações dos pacifistas, e a bem-aventurança dos mansos que possuirão a terra é justamente invocada a favor do princípio da não-violência, isso sem falar depois da bem-aventurança dos pobres e dos perseguidos pela justiça. No entanto, jamais se fala da relevância social da bem-aventurança dos puros de coração, que parece estar reservada exclusivamente ao âmbito pessoal. Estou certo, no entanto, de que esta bem-aventurança pode exercer hoje uma função crítica entre as mais necessárias em nossa sociedade.

Vimos que no pensamento de Cristo, a pureza de coração não se opõe primariamente à impureza, mas à hipocrisia, e a hipocrisia é o vício humano talvez mais difundido e menos confessado. Existem hipocrisias individuais e hipocrisias coletivas.

O homem — escreveu Pascal — tem duas vidas: uma é a vida autêntica, a outra é a vida imaginária que vive na opinião, sua ou das pessoas. Trabalhamos sem descanso para enfeitar e conservar nosso ser imaginário e descuidamos o verdadeiro. Se possuímos alguma virtude ou mérito, corremos para dá-lo a conhecer, de uma forma ou de outra, para enriquecer de tal virtude o nosso ser imaginário, dispostos até a tirá-lo de nós, para acrescentar algo a ele, até consentir, às vezes, em ser covardes, com tal de parecer valentes e dar até a vida, para que as pessoas falem disso [10].

A tendência evidenciada por Pascal cresceu enormemente na cultura atual, dominada pelos meios de comunicação massivos, cinema, televisão e mundo do espetáculo em geral. Descartes disse: «Cogito, ergo sum», penso, logo existo; mas hoje se tende a substituí-lo com «aparento, logo existo».

Originariamente, o termo «hipocrisia» estava reservado à arte teatral. Significava simplesmente recitar, representar no cenário. Santo Agostinho o recorda em seu comentário sobre a bem-aventurança dos puros de coração: «os hipócritas — escreve — são agentes de ficção, do mesmo estilo dos que apresentam a personalidade de outros nas representações teatrais» [11].

A origem do termo nos dá as dicas para descobrir a natureza da hipocrisia. É fazer da vida um teatro, no qual se recita para um público; é usar uma máscara, deixar de ser pessoa e passar a ser personagem. Eu li em algum lugar esta caracterização das duas coisas: «O personagem não é senão a corrupção da pessoa. A pessoa é um rosto, o personagem, uma careta. A pessoa é a nudez radical, o personagem é todo roupagem. A pessoa ama a autenticidade e a essencialidade, o personagem vive de ficção e de artifícios. A pessoa obedece às próprias convicções, o personagem obedece a um roteiro. A pessoa é humilde e suave, o personagem é pesado e ostentoso».

Mas a ficção teatral é uma hipocrisia inocente porque mantém sempre a diferença entre o cenário e a vida. Ninguém que assiste a representação de Agamenon (é o exemplo citado por Agostinho) pensa que o ator seja de verdade Agamenon. O fato novo e inquietante de hoje é que se tende a anular também esta distância, transformando a própria vida em um espetáculo. É o que pretendem os chamados «reality show» que inundam já redes televisivas de todo o mundo.

Segundo o filósofo francês Jean Baudrillard, falecido há três dias, tornou-se difícil distinguir os acontecimentos reais (11-S, ou a guerra do Golfo) de sua representação pelos meios. Realidade e virtualidade se confundem.

O chamado à interioridade que caracteriza nossa bem-aventurança e todo o Sermão da Montanha é um convite a não se deixar enrolar por esta tendência que tende a esvaziar a pessoa, reduzindo-a a imagem, ou pior (segundo o termo usado por Baudrillard) a simulacro.

Kierkegaard evidenciou a alienação que resulta de viver de pura exterioridade, sempre e só em presença dos homens, e nunca só em presença de Deus e do próprio eu. Um pastor — observa — pode ser um «eu» frente a suas vacas, se vivendo sempre com elas não tem mais que essas com as quais medir-se. Um rei pode ser um eu de frente aos súditos e se sentirá um «eu» importante. A criança se percebe como um «eu» em relação com os pais, um cidadão ante o Estado… Mas será sempre um «eu» imperfeito, porque falta a medida. «Que realidade infinita adquire ao contrário meu «eu», quando toma consciência de existir ante Deus, convertendo-se em um «eu» humano cuja medida é Deus… Que acento infinito cai sobre o «eu» no momento em que obtém Deus como medida!».

Parece um comentário à fala de São Francisco de Assis: «O que o homem é ante Deus, isso é, e nada mais» [12].

4. A hipocrisia religiosa

A pior coisa que se pode fazer, falando de hipocrisia, é utiliza-la somente para julgar os outros, a sociedade, a cultura, o mundo. É justamente a esses a quem Jesus aplica o título de hipócritas: «Hipócrita, tira primeiro a trave do teu olho e assim verás para tirar a palha do olho do teu irmão» (Mt 7, 5).

Como crentes, devemos recordar a fala de um rabino judeu do tempo de Cristo, segundo o qual 90% da hipocrisia do mundo se encontrava então em Jerusalém [13]. O mártir Santo Inácio de Antioquia sentia a necessidade de prevenir seus irmãos na fé, escrevendo: «É melhor ser cristãos sem dizê-lo, que dizê-lo sem sê-lo».

A hipocrisia afeta sobretudo as pessoas piedosas e religiosas; o motivo é simples: onde mais forte é a estima dos valores do espírito, da piedade e da virtude (ou da ortodoxia!), aí também é mais forte a tentação de ostentá-los para não parecer que se está faltando a isso. Às vezes, é a própria função que desempenhamos o que nos empurra a fazê-lo.

«Certos compromissos do consórcio humano — escreve Santo Agostinho nas Confissões — nos obrigam a fazer-nos amar e temer pelos homens; portanto, o adversário de nossa verdadeira felicidade persegue e dissemina por todas as partes os laços do ‘Bravo, bravo’, para prender-nos por trás enquanto os recolhemos com avidez, a fim de separar nossa alegria de vossa verdade e uni-la à mentira dos homens, para fazer-nos saborear o amor e o temor não obtidos em vosso nome, mas em vosso lugar.» [15]

A hipocrisia mais perniciosa é esconder… a própria hipocrisia. Em nenhum esquema de exame de consciência eu me lembro de ter encontrado a pergunta: «Fui hipócrita? Preocupei-me pelo olhar dos homens sobre mim, mais que pelo olhar de Deus?». Em certo momento da vida, eu tive de introduzir por minha própria conta essas perguntas em meu exame de consciência, e raramente pude passar incólume à pergunta seguinte…

Um dia, a leitura do Evangelho da Missa era a parábola dos talentos. Escutando-o, entendi imediatamente uma coisa. Entre fazer render os talentos ou não, existe uma terceira possibilidade: a de colocá-los para renderem, sim, mas não por si mesmos, não pelo dono, mas pela própria glória ou pelo proveito pessoal, e isso é um pecado talvez maior que enterrá-los. Aquele dia, no momento da comunhão, tive de fazer como certos ladrões flagrados no momento do roubo, que, cheios de vergonha, esvaziam os bolsos e colocam nos pés do proprietário o que lhe haviam roubado.

Jesus nos deixou um meio simples e insuperável para retificar várias vezes no dia as nossas intenções, as primeiras três petições do Pai Nosso: «Santificado seja o vosso nome. Venha a nós o vosso Reino. Seja feita a vossa vontade». Elas podem ser recitadas como orações, mas também como declaração de intenções: tudo o que faço, quero fazê-lo para que o vosso nome seja santificado, para que venha o vosso Reino e para que vossa vontade seja feita.

Seria uma belíssima contribuição para a sociedade e para a comunidade cristã se a bem-aventurança dos puros de coração nos ajudasse a manter desperta em nós a nostalgia de um mundo limpo, verdadeiro, sincero, sem hipocrisia, nem religiosa nem leiga; um mundo em que as ações correspondessem às palavras, as palavras aos pensamentos, e os pensamentos do homem aos de Deus. Isso não acontecerá plenamente senão na Jerusalém celeste, toda de cristal, mas devemos pelo menos tender a isso.

Uma escritora de fábulas redigiu «O país de cristal». Fala de uma jovem que termina, por magia, em um país todo de cristal: casas de cristal, pássaros de cristal, árvores de cristal, pessoas que se movem como delicadas estatuetas de cristal. Apesar de tudo, ninguém ainda havia se quebrado, porque todos aprenderam a mover-se no país com delicadeza para não causar danos. As pessoas, ao encontrar-se, respondem às perguntas antes de que estas sejam formuladas, porque até os pensamentos se tornaram abertos e transparentes; ninguém já busca mentir, sabendo que todos podem ler o que se tem na cabeça [16].

Dá arrepio só de pensar o que aconteceria se isso acontecesse entre nós; mas é sadio pelo menos tender a tal ideal. É o caminho que leva à bem-aventurança que tentamos comentar: «bem-aventurados os puros de coração, porque verão Deus».

———————————————————– [1] S. Agostinho, De sermone Domini in monte, II, 1,1 (CC 35, 92) [2] Ib. II, 13, 45-46. [3] Jean-François de Reims, La vraie perfection de cette vie, 2ª parte, Paris 1651, Instr. 4, p.160 s). [4] Gregório de Nisa, De beatitudinibus, 6 (PG 44, 1272). [5] S. Basílio, Sullo Spirito Santo, IX,23; XXII,53 (PG 32, 109.168). [6] Cf. Michel Dupuy, Pureté, purification, in DSpir. 12, coll,2637-2645. [7] S. Bernardo de Claraval, Sententiae, III, 2 (S. Bernardi Opera, ed. J. Leclerq – H. M. Rochais). [8] S. João Crisóstomo, Homiliae in Mattheum, 15,4. [9] Giovanni Ruusboec, Lo splendore delle nozze spirituali, Roma, Città Nuova 1992, pp.72 s. [10] Cf. B. Pascal, Pensieri, 147 Br. [11] S. Agostinho, De sermone Domini in monte, 2,5 (CC 35, p. 95). [12] S. Francisco de Assis, Ammonizioni, 19 (Fonti Francescane, n.169). [13] Cf. Strack-Billerbeck, I, 718. [14] S. Igácio de Antioquia, Efesini 15,1 («È meglio non dire ed essere che dire e non essere»: «É melhor não dizer e ser, que dizer e não ser») y Magnesiani, 4 («Bisogna non solo dirsi cristiani, ma esserlo»: «É necessário não somente dizer-se cristãos, mas sê-lo»). [15] Cf. S. Agostinho, Confessioni, X, 36, 59. [16] Lauretta, Il bosco dei lillà, Ancora, Milão, 2° ed. 1994, pp. 90 ss.

 
 
 

O site Veritatis Splendor tem sido vítima de uma campanha de perseguição na Wikipedia. O texto abaixo visa alucidar o leitor sobre este fato e incentivar a defesa da Fé Católica que esta sendo atacada com essa atitude dos moderadores da Wikipedia.

***

Para quê serve a Wikipedia?

Como Professor sou fascinado por iniciativas que visam o desenvolvimento cultural da sociedade, especialmente provendo acesso gratuito sobre as informações.

O advento da Internet possibilitou a democratização da informação. Hoje muitíssimas pessoas no mundo possuem acesso a obras antigas e raras, artigos sobre os mais variados assuntos. Para isto baste estarem diante de um computador conectado à grande rede.

Em 2001 é criada a Wikipedia por Jimmy Wales, que segundo ela mesma tem o objetivo “de desenvolver e manter projetos de conteúdo livre em diversos idiomas, desenvolvidos através do sistema colaborativo wiki, tendo seus conteúdos disponibilizados ao público livre de encargos financeiros. O conteúdo de seus projetos é desenvolvido por voluntários localizados em diversas partes do mundo, e os custos financeiros para manter os projetos são cobertos através de doações” (1).

Uma enciclopédia é um compêndio de conhecimento, conhecimento gera informação, informação gera sabedoria.

A Wikipedia se propõe a ser uma enciclopédia livre (conteúdo livre, não submetidos à lei de direitos autorais e colaboração livre, qualquer um pode colaborar com a iniciativa), mas não é isso que acontece na prática.

Como muitos já constataram (2), usuários com privilégios especiais chamados administradores fazem valer suas opiniões, suas crenças e sua força, revertendo edições de outros usuários e até mesmo chegando a bloqueá-los. Para agirem desta forma citam as políticas da Wikipedia como justificativa, mas sem fazer uso das motivações e orientações que constam nas próprias regras.

Um exemplo recente foi o bloqueio do editor Arlima (na Wikipedia os editores são identificados por login) e a remoção de TODAS as referências ao nosso site nos verbetes Catolicismo, Apologética Católica e Patrística. Acusaram Arlima de estar praticando SPAM.

As orientações constantes na própria Wikipedia sobre a criação de ligações externas, assim dizem: “As ligações externas são uma breve lista de endereços (links) de páginas (websites, URL) que não fazem parte da Wikipédia e postos no fim de cada artigo. A função primordial das ligações externas é oferecer acesso a páginas que aprofundam o assunto tratado no artigo, mas não constituem seu conteúdo” (1).

Será que o Veritatis Splendor com suas 30 seções e mais de 4.500 artigos não é um sítio que oferece “acesso a páginas que aprofundam o assunto tratado no artigo” sobre Catolicismo, Apologética Católica e Patrística?

Qualquer editor que se atreva a colocar links para o Veritatis Splendor em verbetes relacionados ao Catolicismo e na devida seção (Ligações Externas) está sujeito a ter suas edições desfeitas e ser bloqueado se insistir, sob as acusações de vandalismo e SPAM e serem rotulados como meus seguidores! Lanço aqui um desafio e comprovem!

A única coisa que é livre mesmo naquele espaço é a política de bairro que lá se impetrou e com a total conivência dos administradores mais antigos.

Este comportamento indevido se fez notar de forma tão significativa que na Inglaterra foi criado o Wikitruth, sítio dedicado a questionar a conduta dos administradores da Wikipedia.

Um outro agravante é o seu conteúdo que não é nada confiável. Enquanto todos os esforços dos administradores da Wikipedia estão na censura daqueles que pensam diferente deles, o conteúdo daquela enciclopédia “colaborativa” não é nada confiável. Não deveriam seus administradores zelar pela confiabilidade do conteúdo que lá está?

O próprio Jimmy Wales, “afirmou que sua invenção pode prejudicar estudantes universitários. Isso porque, segundo diversos e-mails recebidos pelo executivo, os alunos usam informações do site –muitas vezes erradas– para fazer seus trabalhos”. (4).

Aí fica a pergunta: Para quê serve a Wikipedia?

Referências

(1) http://pt.wikipedia.org/wiki/Wikimedia, ver seção Objetivos.

(2) http://www.cfgigolo.com/archives/2006/06/cuidado_com_os_wikipedistas.html

(4) http://www1.folha.uol.com.br/folha/informatica/ult124u20203.shtml.

Autor: Prof. Alessandro Lima.

 
 
 
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