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Comentário do padre Raniero Cantalamessa, ofm cap., ao Evangelho dominical

ROMA, sexta-feira, 5 de maio de 2006 (ZENIT.org).- Publicamos o comentário ao Evangelho do próximo domingo, o «Bom Pastor», IV de Páscoa, do padre Raniero Cantalamessa, ofm.cap, pregador da Casa Pontifícia.

* * *

IV Domingo de Páscoa ? B (Atos 4, 8-12; I João 3, 1-2; João 10, 11-18)

Eu sou o Bom Pastor

Chama-se o IV domingo do tempo pascal de «domingo do Bom Pastor». Para compreender a importância que tem na Bíblia o tema do pastor, há que se remontar à história. Os beduínos do deserto dão-nos hoje uma idéia da que foi, em um tempo passado, a vida das tribos de Israel. Nesta sociedade, a relação entre pastor e rebanho não é só de tipo econômico, baseada no interesse. Desenvolve-se uma relação quase pessoal entre o pastor e o rebanho. Passam dias e dias juntos em lugares solitários, sem ninguém mais ao redor. O pastor acaba conhecendo tudo de cada ovelha; a ovelha reconhece e distingue entre todas as vozes a voz do pastor, que freqüentemente fala com as ovelhas.

Isto explica por que Deus serviu-se deste símbolo para expressar sua relação com a humanidade. Um dos salmos mais belos do saltério descreve a segurança do crente em ter Deus como pastor: «O Senhor é meu pastor, nada me faltará…».

Posteriormente, dá-se o título de pastor, por extensão, também aos que fazem as vezes de Deus na terra: os reis, os sacerdotes, os chefes em geral. Mas, neste caso, o símbolo divide-se: já não evoca somente imagens de proteção, de segurança, mas também as de exploração e opressão. Junto à imagem do bom pastor faz sua aparição a do mau pastor, a do mercenário. No profeta Ezequiel encontramos uma terrível acusação contra os maus pastores, que apascentam só a si mesmos, e em seguida a promessa de Deus de ocupar-se Ele mesmo de seu rebanho (Ez 34, 1ss).

Jesus no Evangelho retoma este esquema do bom e mau pastor, mas com uma novidade: «Eu –diz– sou o Bom Pastor!». A promessa de Deus fez-se realidade, superando qualquer expectativa. Cristo faz o que nenhum pastor, por bom que seja, estará disposto a fazer: «Eu dou minha vida pelas ovelhas».

O homem de hoje rejeita com desdém o papel de ovelha e a idéia de rebanho, mas não nota que está completamente dentro. Um dos fenômenos mais evidentes de nossa sociedade é a massificação. Deixamo-nos guiar de maneira indiferente por todo tipo de manipulação e de persuasão oculta. Outros criam modelos de bem-estar e de comportamento, ideais e objetivos de progresso, e nós os seguimos; vamos detrás, temerosos de perder o passo, condicionados e seqüestrados pela publicidade. Comemos o que nos dizem, vestimos como nos ensinam, falamos como ouvimos falar, por slogan. O critério pelo que a maioria se deixa guiar nas próprias opções é o «Così fan tutti» («Todos são assim». Ndr) de mozartiana memória.

Olhai como se desenvolve a vida da multidão em uma grande cidade moderna: é a triste imagem de um rebanho que sai junto, agita-se e se amontoa em hora fixa nos vagões do trem e do metrô, e depois, pela tarde, regressa, junto ao redil, vazio de si e de liberdade. Sorrimos divertidos quando vemos uma filmagem em câmera rápida com as pessoas que se movem aos saltos, velozmente, como marionetes, mas é a imagem que teríamos de nós mesmos se nos olhássemos com olhos menos superficiais.

O Bom Pastor que é Cristo propõe-nos fazer com Ele uma experiência de libertação. Pertencer a seu rebanho não é cair na massificação, mas ser preservados dela. «Onde está o Espírito do Senhor, ali está a liberdade» (2 Coríntios 3, 17), diz São Paulo. Ali surge a pessoa com sua irrepetível riqueza e com seu verdadeiro destino. Surge o filho de Deus ainda escondido, do que fala a segunda carta deste domingo: «Queridos, agora somos filhos de Deus e ainda não se manifestou o que seremos».

[Traduzido por Zenit]

 
 
 

CIDADE DO VATICANO, sexta-feira, 14 de abril de 2006 (ZENIT.org).- Com a denúncia da especulação, da manipulação midiática e da negação à qual é submetida a Paixão e Morte de Cristo, o pregador da Casa Pontifícia iniciou sua homilia desta Sexta-Feira Santa ante Bento XVI.

O tema é de extrema importância, pois, como recordou, «Deus é amor, e a cruz de Cristo é a prova suprema disso, a demonstração histórica».

Na Basílica de São Pedro ressoaram as palavras do apóstolo Paulo pela boca do padre Raniero Cantalamessa, ofm cap.: «Pois virá algum tempo em que alguns não suportarão a sã doutrina; pelo contrário, segundo os seus próprios desejos, como que sentido comichão nos ouvidos, rodear-se-ão de mestres. Desviarão os seus ouvidos da verdade, orientando-os para as fábulas».

Esta palavra da Escritura –sobretudo a menção ao desejo de ouvir coisas novas– está-se realizando de modo novo e impressionante em nossos dias», lamentou o pregador do Papa.

«Enquanto nós celebramos aqui a lembrança da Paixão e Morte do Salvador, milhões de pessoas são induzidas por hábeis contadores de lendas antigas a crer que Jesus de Nazaré nunca foi, na realidade, crucificado», advertiu.

Citou por exemplo o «best-seller» do momento nos Estados Unidos, «uma edição do ?Evangelho de Tomé?, apresentado como o evangelho que ?nos evita a crucifixão, faz desnecessária a ressurreição e não nos obriga a crer em nenhum Deus chamado Jesus?».

«Pessoas que não se dão ao trabalho de ler uma análise séria das tradições históricas sobre a paixão, morte e ressurreição de Jesus ficam fascinadas por toda nova teoria segundo a qual ele não foi crucificado e não morreu, especialmente se a seqüência da história compreende sua fuga com Maria Madalena para a Índia [ou para a França, segundo a versão mais atualizada]?», alertou o padre Cantalmessa, citando palavras do estudioso bíblico Raymond Brown.

«Estas teorias demonstram que quando se trata da Paixão de Jesus, a despeito da máxima popular, a fantasia supera a realidade, e é, querendo ou não, também mais rentável», prossegue a citação do biblista.

«Fala-se muito da traição de Judas, e não se percebe que se está repetindo –denunciou o padre Cantalamessa–. Cristo continua sendo vendido, já não aos chefes do Sinédrio por trinta moedas, mas a editores e livrarias por milhares de moedas».

Igualmente alertou de que esta «onda especulativa» não tem freio e de que inclusive «registrará um crescer com o iminente lançamento de certo filme».

Reconheceu –na Basílica vaticana, em plena celebração da Paixão e Morte do Senhor– que estes temas «não mereceriam ser tratados neste lugar e neste dia».

«Mas não podemos permitir –manifestou– que o silêncio dos crentes seja tomado pela vergonha e que a boa fé (ou a ignorância?) de milhões de pessoas seja manipulada pelos meios de comunicação sem levantar um grito de protesto em nome não só da fé, mas também do sentido comum e da sã razão».

As «fantasias» citadas têm, segundo disse o pregador da Casa Pontifícia, uma explicação: «Estamos na era dos meios de comunicação, e à mídia, mais que a verdade, interessa a novidade».

Autor: Rogério Amaral Silva Fonte: Zenit.org

 
 
 

Recorda o pregador do Papa em sua homilia da Sexta-Feira Santa

CIDADE DO VATICANO, sexta-feira, 14 de abril de 2006 (ZENIT.org).- Com a certeza de que nada nos poderá separar do amor de Deus e falando de que amor se trata, o pregador do Papa abordou a recordação da Paixão e Morte de Jesus na celebração desta Sexta-Feira Santa na Basílica Vaticana.

Para isso, aprofundou em sua homilia nos ensinamentos que nos chegam «do amor de Deus», cuja «demonstração histórica» é «a cruz de Cristo», apoiando-se, perante Bento XVI, em sua encíclica, «Deus caritas est».

O padre Raniero Cantalamessa, ofm. cap, leu do documento: «O olhar fixo no lado trespassado de Cristo, de que fala João, compreende o que serviu de ponto de partida a esta Carta Encíclica: ?Deus é amor?. É lá que esta verdade pode ser contemplada. E começando de lá, pretende-se agora definir em que consiste o amor. A partir daquele olhar, o cristão encontra o caminho do seu viver e amar»

«Sim, Deus é amor!», exclamou o pregador do Papa. «O amor de Deus é luz, é felicidade, é plenitude de vida», aonde chega «cura e suscita vida», «sacia toda sede» e «está ao alcance da mão», «capaz de iluminar e aquecer tudo em nossa vida».

Contudo, «passamos a existência na escuridão e no frio», e este –advertiu o padre Cantalamessa– «é o único motivo verdadeiro de tristeza da vida».

Deus amou-nos «com amor de generosidade, na criação, quando nos encheu de dons, dentro e fora de nós», e «com amor de sofrimento na redenção, quanto inventou sua própria entrega, sofrendo por nós os mais terríveis padecimentos, a fim de convencer-nos de seu amor», recordou.

«Por isso –afirmou–, é na cruz que se deve contemplar já a verdade de que Deus é amor».

E aludiu «à paixão de amor» que «Deus desde sempre alimenta para com o gênero humano e que, na plenitude dos tempos, levou-o a vir à terra e padecer por nós».

Citando a encíclica, sublinhou que o amor de Deus pelo homem não só «se dá totalmente gratuito, sem nenhum mérito anterior», mas que também «é amor que perdoa». Uma qualidade que igualmente «resplandece no grau máximo no mistério da cruz», assinalou o pregador da Casa Pontifícia.

«O amor de Cristo na cruz» «é um amor de misericórdia, que desculpa e perdoa, que não quer destruir o inimigo –apontou–, mas sim a inimizade».

«É precisamente desta misericórdia e capacidade de perdão que temos necessidade hoje, para não afundar cada vez mais no abismo de uma violência globalizada», advertiu o padre Cantalamessa.

«A humanidade está envolta por tanta escuridão e inclinada sob tanto sofrimento que deveríamos também ter um pouco de compaixão e de solidariedade uns com os outros», refletiu.

«Há outro ensinamento que nos vem do amor de Deus manifestado na cruz de Cristo» –prosseguiu–: «o amor de Deus pelo homem é fiel e eterno». «Deus fez a aliança para amar para sempre, privou-se da liberdade de voltar atrás», «é este o sentido profundo da aliança que em Cristo se transformou em ?nova e eterna?».

Recordou que, como diz Bento XVI em sua encíclica, «o desenvolvimento do amor para com suas mais altas cotas» leva que «agora aspire ao definitivo», tanto no sentido de «exclusividade –?somente esta pessoa?–» como no sentido do «para sempre», pois o amor engloba todas as dimensões da existência, «inclusive também o tempo»: «o amor tende à eternidade».

E por fim afirmou que o amor de Deus é «vitorioso», e a ele canta São Paulo, que «nos convida a realizar» «uma maravilhosa experiência de cura interior».

O Apóstolo «pensa em todas as coisas negativas e nos momentos críticos de sua vida (…) –disse o pregador do Papa–. Contempla-os à luz da certeza do amor de Deus e grita: ?Mas em tudo isso somos mais que vencedores, graças àquele que nos amou!?».

«Levanta então o olhar –continuou–; desde sua vida pessoal passa a considerar o mundo que o circunda e o destino humano universal, e de novo a mesma jubilosa certeza: ?Pois estou convencido de que nem a morte nem a vida…, nem o presente nem o futuro, nem as potestades, nem altura, nem a profundeza, nem qualquer outra criatura poderá nos separar do amor de Deus manifestado em Cristo Jesus, nosso Senhor?»

Com estas palavras de Paulo no coração, o padre Cantalamessa convidou a adorar nesta Sexta-Feira Santa a cruz de Cristo.

 
 
 
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