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PIO IX:

“E, apoiando-se nos funestíssimos erros do comunismo e do socialismo, asseguram que a “sociedade doméstica tem sua razão de ser somente no direito civil” (Quanta Cura, 5).

LEÃO XIII:

“Não ajudar o socialismo – 34. Tomai ademais sumo cuidado para que os filhos da Igreja Católica não dêem seu nome nem façam favor nenhum a essa detestável seita” (Quod Apostolici Muneris, no. 34).

“Porque enquanto os socialistas, apresentando o direito de propriedade como invenção humana contrária a igualdade natural entre os homens; enquanto, proclamando a comunidade de bens, declaram que não pode tratar-se com paciência a pobreza e que impunemente se pode violar a propriedade e os direitos dos ricos, a Igreja reconhece muito mais sabia e utilmente que a desigualdade existe entre os homens, naturalmente dissemelhantes pelas forças do corpo e do espírito, e que essa desigualdade existe até na posse dos bens. 29. Ordena, ademais, que o direito de propriedade e de domínio, procedente da própria natureza, se mantenha intacto e inviolado nas mãos de quem o possui, porque sabe que o roubo e a rapina foram condenados pela lei natural de Deus” (Quod Apostolici Muneris, – Encíclica contra as seitas socialistas, no. 28/29).

“Entretanto, embora os socialistas, abusando do próprio Evangelho para enganar mais facilmente os incautos, costumem torcer seu ditame, contudo, há tão grande diferença entre seus perversos dogmas e a puríssima doutrina de Cristo, que não poderia ser maior” (Quod Apostolici Muneris, 14).

“25. Daquela heresia (protestantismo) nasceu no século passado o filosofismo, o chamado direito novo, a soberania popular, e recentemente uma licença, incipiente e ignara, que muitos qualificam apenas de liberdade; tudo isso trouxe essas pragas que não longe exercem seus estragos, que se chamam comunismo, socialismo e nihilismo, tremendos monstros da sociedade civil” (Diuturnum, Encíclica sobre a origem do poder- n° 25).

“A Igreja, pregando aos homens que eles são todos filhos do mesmo Pai celeste, reconhece como uma condição providencial da sociedade humana a distinção das classes; por esta razão Ela ensina que apenas o respeito recíproco dos direitos e deveres, e a caridade mútua darão o segredo do justo equilíbrio, do bem estar honesto, da verdadeira paz e prosperidade dos povos. (…) “Mais uma vez Nós o declaramos: o remédio para esses males [da sociedade] não será jamais a igualdade subversiva das ordens sociais” ( Alocução de 24/01/1903 ao Patriarcado e à Nobreza Romana).

” Importa, por conseqüência que nada lhe seja à democracia cristã mais sagrado do que a justiça que prescreve a manutenção integral do direito de propriedade e de posse; que defenda a distinção de classes que sem contradição são próprias de um Estado bem constituído”. ( Leão XIII, Graves de Communi Re n° 4).

“A sociedade humana, tal qual Deus a estabeleceu, é formada de elementos desiguais, como desiguais são os membros do corpo humano; torná-los todos iguais é impossível: resultaria disso a própria destruição da sociedade humana.”

“A igualdade dos diversos membros sociais consiste somente no fato de todos os homens terem a sua origem em Deus Criador; foram resgatados por Jesus Cristo e devem, segundo a regra exata dos seus méritos, serem julgados por Deus e por Ele recompensados ou punidos.”

“Disso resulta que, segundo a ordem estabelecida por Deus, deve haver na sociedade príncipes e vassalos, patrões e proletários, ricos e pobres, sábios e ignorantes, nobres e plebeus, os quais todos, unidos por um laço comum de amor, se ajudam mutuamente para alcançarem o seu fim último no Céu e o seu bem-estar moral e material na terra.” (extraída da Encíclica Quod Apostolici Muneris)

S. PIO X:

“Se [Cristo] chamou junto de si, para os consolar, os aflitos e os sofredores, não foi para lhes pregar o anseio de uma igualdade quimérica” (Notre Charge Apostolique n. 38).

PIO XI:

Não é verdade que na sociedade civil todos temos direitos iguais, e que não exista hierarquia legítima (Divini Redemptoris n° 33).

“A fim de pôr termo às controvérsias que acerca do domínio e deveres a ele inerentes começam a agitar-se, note-se em primeiro lugar o fundamento assente por Leão XIII, de que o direito de propriedade é distinto do seu uso (Encíclica Rerum Novarum, n°35). Com efeito, a chamada justiça comutativa obriga a conservar inviolável a divisão dos bens e a não invadir o direito alheio, excedendo os limites do próprio domínio; mas que os proprietários não usem do que é seu, senão honestamente, é da alçada não da justiça, mas de outras virtudes, cujo cumprimento não pode urgir-se por vias jurídicas (cfr. Rerum Novarum, n° 36)” – Encíclica Quadragesimo Anno.

“Sem razão afirmam alguns que o domínio e o seu uso são uma e a mesma coisa; e muito mais ainda é alheio à verdade dizer que se extingue ou se perde o direito de propriedade com o não uso ou abuso dele” -Encíclica Quadragesimo Anno.”

“E se o socialismo estiver tão moderado no tocante a luta de classes e a propriedade particular, que já não mereça nisto a mínima censura? Terá renunciado por isso a sua natureza essencialmente anticristã? (…)Para lhes respondermos, como pede a Nossa paterna solicitude, declaramos: o socialismo, quer se considere como doutrina, quer como fato histórico, ou como “ação”, se é verdadeiro socialismo, mesmo depois de se aproximar da verdade e da justiça nos pontos sobreditos, não pode conciliar-se com a doutrina católica, pois concebe a sociedade de modo completamente avesso a verdade cristã. (…) ” (Quadragesimo Anno, nos. 117 e 120)

“Socialismo religioso, socialismo cristão, são termos contraditórios: ninguém pode ao mesmo tempo ser bom católico e socialista verdadeiro” (Quadragesimo Anno, no. 119)

“Estas doutrinas, que Nós de novo com a nossa suprema autoridade solenemente declaramos e confirmamos (…)” (Quadragesimo Anno, no. 120)

PIO XII:

“Pois bem, os irmãos não nascem nem permanecem todos iguais: uns são fortes, outros débeis; uns inteligentes, outros incapazes; talvez algum seja anormal, e também pode acontecer que se torne indigno. É pois inevitável uma certa desigualdade material, intelectual, moral, numa mesma família (…) Pretender a igualdade absoluta de todos seria o mesmo que pretender idênticas funções a membros diversos do mesmo organismo” (Discurso de 4/4/1953 a católicos de paróquias de S. Marciano)

JOÃO XXIII:

“Da natureza humana origina-se ainda o direito à propriedade privada, mesmo sobre os bens de produção” (Pacem in Terris, n°. 21).

PAULO VI:

Em 1965 durante o Concílio Vaticano II, Paulo VI recebeu o Conselho Episcopal Latino-Americano e na sua alocução ele atenta para o “Ateísmo marxista”. Ele o apresenta como uma força perigosa, largamente difundido e extremamente nociva, que se infiltra na vida econômica e social da América Latina e pregando a “Revolução violenta como único meio de resolver os problemas” (Extraído do livro “Le Rhin se jette dans le tibre”, pág 273. Ralph Wiltgen. Ed Editions du Cédre 1974, 5a tiragem)

JOÃO PAULO II:

“Nesta luta contra um tal sistema (o Papa está falando do capitalismo selvagem) não se veja, como modelo alternativo, o sistema socialista, que, de fato, não passa de um capitalismo de estado, mas uma sociedade do trabalho livre, da empresa e da participação” (no. 35) “A Igreja reconhece a justa função do lucro, como indicador do bom funcionamento da empresa” (no. 35) “Aquele Pontífice (Leão XIII), com efeito, previa as conseqüências negativas, sob todos os aspectos – político, social e econômico – de uma organização da sociedade, tal como a propunha o “socialismo”, e que então estava ainda no estado de filosofia social e de movimento mais ou menos estruturado. Alguém poderia admirar-se do fato de que o Papa começasse pelo “socialismo” a crítica das soluções que se davam à “questão operária”, quando ele ainda não se apresentava – como depois aconteceu – sob a forma de um Estado forte e poderoso, com todos os recursos à disposição. Todavia Leão XIII mediu bem o perigo que representava, para as massas, a apresentação atraente de uma solução tão simples quão radical da “questão operária”. (n°. 12).

” Aprofundando agora a reflexão delineada (…) é preciso acrescentar que o erro fundamental do socialismo é de caráter antropológico. De fato, ele considera cada homem simplesmente como um elemento e uma molécula do organismo social, de tal modo que o bem do indivíduo aparece totalmente subordinado ao funcionamento do mecanismo econômico-social, enquanto, por outro lado, defende que esse mesmo bem se pode realizar prescindindo da livre opção, da sua única e exclusiva decisão responsável em face do bem e do mal. O homem é reduzido a uma série de relações sociais, e desaparece o conceito de pessoa como sujeito autônomo de decisão moral, que constrói, através dessa decisão, o ordenamento social. Desta errada concepção da pessoa deriva a distorção do direito, que define o âmbito do exercício da liberdade, bem como a oposição à propriedade privada”. (no. 13).

“Na Rerum Novarum, Leão XIII com diversos argumentos, insistia fortemente, contra o socialismo de seu tempo, no caráter natural do direito de propriedade privada. Este direito, fundamental para a autonomia e desenvolvimento da pessoa, foi sempre defendido pela Igreja ate nossos dias” (Enc. Centesimus Annus, tópico 30 da ed. Paulinas)

 
 
 

Por Vicente Jara Vera

MADRI, domingo, 2 de agosto de 2009 (ZENIT.org).- Uma mulher de 61 anos, testemunha de Jeová, faleceu no sábado passado em Sevilha (Espanha), após ter sofrido um acidente de carro, porque em um documento de vontades antecipadas, rejeitava receber qualquer tipo de transfusão sanguínea devido às suas convicções religiosas.

Está baseada na Bíblia a proibição de comer ou receber sangue, inclusive por transfusão, ou de qualquer outra forma? A esta questão responde nesta análise Vicente Jara Vera, membro da Rede Ibero-americana de Estudo das Seitas (RIES), diretor do programa “Conheça as seitas”, emitido quinzenalmente pela Rádio Maria na Espanha.

* * *

O problema

São numerosas as notícias sobre negativas de membros da seita das Testemunhas de Jeová para realizar transfusões de sangue, e de complicações, às vezes com o falecimento do paciente, ao não poder atendê-los devidamente em um hospital diante de uma cirurgia ou um transplante de órgão. Muitos destes acontecimentos podem ser conhecidos na documentação da Rede Ibero-americana de Estudo das Seitas (RIES), especialmente no boletim eletrônico Info-RIES.

Sobre a seita das Testemunhas de Jeová

Recordemos que as Testemunhas de Jeová não são cristãs. São uma seita, já que se fazem passar pelo que não são, por cristãos. E não podem ser uma igreja cristã porque não acreditam no dogma da Trindade e na divindade de Jesus como Filho de Deus encarnado, a quem consideram como criatura excelsa, primeira no plano de Deus, que para eles é similar ao arcanjo Miguel.

As Testemunhas de Jeová mudaram várias passagens da Bíblia para adaptá-las às suas próprias ideias, que nenhum estudioso, crente ou não, poderia encontrar nos textos originais. Portanto, são um grupo com expressões e formas religiosas parecidas com as cristãs, mas que tentam fazer-se passar por uma igreja cristã sem sê-lo. Em definitivo, são uma seita, que pretende ter mais e mais adeptos e mais e mais dinheiro deles e, assim, maior influência.

Em que as Testemunhas de Jeová baseiam sua negativa de receber sangue?

Os textos que eles utilizam para negar-se a receber sangue são os seguintes, principalmente do Antigo Testamento, e um do Novo Testamento – este último analisaremos posteriormente em outra parte; vamos agora aos textos do Antigo Testamento:

Gênesis 9, 3-6: “Tudo o que se move e possui vida vos servirá de alimento, tudo isso eu vos dou, como vos dei a verdura das plantas. Mas não comereis a carne com sua alma, isto é, o sangue. Pedirei contas, porém, do sangue de cada um de vós. Pedirei contas a todos os animais e ao homem, aos homens entre si, eu pedirei contas da alma do homem. Quem derrama o sangue do homem, pelo homem terá seu sangue derramado. Pois à imagem de Deus o homem foi feito”.

Levítico 3, 17: “É para todos os vossos descendentes uma lei perpétua, em qualquer lugar onde habitardes: não comereis gordura nem sangue”.

Levítico 17, 10: “Todo homem da casa de Israel ou estrangeiro residente entre vós, que comer sangue, qualquer que seja a espécie de sangue, voltar-me-ei contra esse que comeu sangue e o exterminarei do meio do seu povo”.

Levítico 17, 13-14: “Qualquer pessoa, filho de Israel ou estrangeiro residente entre vós, que caçar um animal ou ave que é permitido comer, deverá derramar o seu sangue e recobri-lo com terra. Pois a vida de toda carne é o sangue, e eu disse aos israelitas: ‘Não comereis o sangue de carne alguma, pois a vida de toda carne é o sangue, e todo aquele que o comer será exterminado’”.

Deuteronômio 12, 23: “Sê firme, contudo, para não comeres o sangue, porque o sangue é a vida. Portanto, não comas a vida com a carne”.

Todos estes textos são claros e rotundos em sua proibição: não é lícito comer sangue animal porque é comer a vida. Analisaremos a seguir seu sentido e os situaremos em seu contexto, deixando para mais adiante o texto do Novo Testamento, que também utilizam para apoiar suas ideias.

O significado do sangue para os povos semíticos

Nos povos semitas do Oriente, o sangue era visto como o elemento onde residia a vida, o elemento vital e vitalizante dos seres vivos. Ao matar um animal, na morte de qualquer pessoa ou em um sacrifício, o sangue vertido indicava claramente que a vida ia embora conforme o sangue ia saindo.

A perda de sangue era também sintoma de fraqueza, de perda de vitalidade, de vida. Para os antigos, o sangue brotava do coração e a parada cardíaca indicava a morte da pessoa. Recordemos, além disso, como a mitologia da Mesopotâmia conta que o deus Marduk (deidade babilônica), o principal dos deuses, propôs-se a criar os homens para que adorassem as divindades; para isso, amassou argila com o sangue de um deus rebelde – posteriormente considerado um demônio – de nome Kingu.

Com este transfundo mesopotâmico, fica claro que nos antigos sacrifícios animais do povo de Israel se oferecia a vida a Deus e isso significava derramar o sangue do animal sacrificado. O sangue era a vida e ela era propriedade de Deus; daí que não se podia tomar o que pertencia a Deus. O pecado, a infração, estava, portanto, em tomar pelo homem o que não lhe correspondia, o que é de Deus.

Esta visão do sangue como vida é também a razão pela qual do mais terrível dos demônios mesopotâmicos, Lilitu ou Labartu – que no Poema de Gilgamesh se denomina como Lillake – se dizia que matava as crianças e bebia o sangue delas, isto é, seu pecado era arrancar-lhes a vida, propriedade de Deus, sendo por isso a primeira figura vampírica conhecida da história.

E não nos esqueçamos como, “na noite em que foi entregue, o Senhor Jesus tomou o pão e, depois de dar graças, partiu-o e disse: ‘Isto é o meu corpo, que é para vós; fazei isso em memória de mim’. Do mesmo modo, após a ceia, também tomou o cálice, dizendo: ‘Este cálice é a Nova Aliança em meu sangue; todas as vezes que dele beberdes, fazei-o em memória de mim’”. (1 Cor 11,24-25).

Recordemos que, na Antiga Aliança, o pão e o vinho eram oferecidos como sacrifício entre as primícias da terra, em sinal de oferenda a Deus. Também o sacerdote Melquisedeque, figura de Cristo, ofereceu pão e vinho (Gn 14, 18). Junto a isso, a saída de Israel do Egito e o contexto do Êxodo dão ao vinho – no qual nos centramos – um caráter festivo no final do banquete judaico e uma dimensão escatológica de espera messiânica. O vinho é “verdadeira bebida” e bebê-lo é “ter a vida em Cristo, que é Deus, e permanecer n’Ele” (cf. Jo 6, 53-56).

Na antropologia semita, o princípio vital do sangue se relaciona com o suspiro ou a respiração, é o “ser vivente”, a vida, e se designa como nefesh. A nefesh ainda permanece na carne morta, no cadáver – daí que se possa tomar essa vitalidade quando se toma o sangue do animal ou da pessoa morta. Uma coisa diferente ocorre com seu espírito, o ruaj que, ao morrer o homem, vai para o além ou sheol. Daí que na antropologia semítica exista tanta unidade entre a carne (basar) e o princípio vital ou nefesh, mas é a ausência da ruaj que, ao não estar presente após a morte do ser humano, torna-o não-vivo.

Por outro lado, os animais não têm ruaj, mas basar e nefesh. Recordemos que os gregos traduziram nefesh como psykhé e este termo passou ao latim como anima, que é a nossa “alma”, ainda que é mais correto dizer que a alma está na ruaj (que se transformou em “espírito”) e não no psíquico, no nefesh que, como dizemos, ainda permanece no cadáver.

O sangue em si mesmo

Ainda sendo um assunto muito conhecido em sua existência, somente nos séculos XIX e XX conseguiu-se entender o seu verdadeiro significado fisiológico, sendo o que mais motivou a inventiva e o que maior impacto teve no pensamento popular, mítico e religioso durante todas as épocas e culturas ao longo do mundo.

Como qualquer povo, o povo de Israel se desenvolveu sob uma influência e uma cultura centralizadas nas civilizações do Oriente Médio, o que levou a assumir muitas ideias pré-científicas próprias do seu entorno. As leis sobre o sangue se enquadram em uma época determinada, uma cultura, uma mentalidade; e assim ocorreu com os demais povos e civilizações.

Plínio o Velho contava que por volta de 100 da nossa era, no circo as pessoas eram lançadas à arena para beber o sangue dos gladiadores ainda moribundos e assim poder adquirir sua força e valentia. Outros grupos étnicos da Ásia e da América Central e do Canadá tinham por costume, há dois milênios, tomar o sangue dos seus inimigos e de animais para fortalecer-se e adquirir as propriedades dos animais.

Pesquisadores e cientistas do século XVII que começaram a realizar as primeiras transfusões sanguíneas às vezes davam sangue animal a pessoas com o fim de variar o caráter do receptor, havendo inclusive histórias de uma mulher que, tendo recebido sangue de gato, miava às noites sobre o telhado de sua casa.

Deixando de lado aspectos insustentáveis, temos de dizer que até pouco tempo atrás era considerada pela ciência, em seu desconhecimento do sangue, sua função, utilidade e variedade em tipos, que verdadeiramente de alguma forma possuía em si mesmo a propriedade daquele de quem provinha, o que se confirma nos dois casos anteriormente comentados, muitos próximos no tempo da nossa atualidade, o que deve nos levar a não cair na rápida crítica histórica, anacrônica e injusta, portanto, das leis do Antigo Testamento referentes ao uso de sangue animal, por considerar-se como sede da vida, do vital, a alma do animal. Achar que no sangue residia a vida, a psykhé do seu proprietário foi algo suposto até 300 anos atrás por homens de ciência na Europa.

A Bíblia não é um livro científico, nem de medicina, nem de astronomia, nem de matemática e nem de biologia

Como disse o Concílio Vaticano II em sua constituição dogmática Dei Verbum, em seus números 11 e 12, “os livros da Escritura ensinam com certeza, fielmente e sem erro a verdade que Deus, para nossa salvação. (…) Importa, além disso, que o intérprete busque o sentido que o hagiógrafo em determinadas circunstâncias, segundo as condições do seu tempo e da sua cultura, pretendeu exprimir e de fato exprimiu servindo se os gêneros literários então usados. Com efeito, para entender retamente o que autor sagrado quis afirmar, deve atender-se convenientemente, quer aos modos nativos de sentir, dizer ou narrar em uso nos tempos do hagiógrafo, quer àqueles que costumavam empregar-se frequentemente nas relações entre os homens de então”.

A Bíblia não deve ser lida como um livro de ciência e seus textos não devem ser lidos fora do contexto cultural de sua época. Como disse Santo Agostinho no século V, “a Bíblia não nos ensina como vai o céu, e sim como se vai ao céu”.

O Antigo Testamento à luz do Novo Testamento

Ler o Antigo Testamento deve levar a ler o Novo. A Bíblia (Antigo e Novo Testamentos) é o livro do Povo de Deus, o meio pelo qual Deus foi educando e continua educando seus filhos. A salvação se desenvolve no tempo e foi sendo revelada na história. Como diz a Carta aos Hebreus em seu início, “Muitas vezes e de modos diversos falou Deus, outrora, aos pais pelos profetas; agora, nestes dias que são os últimos, falou-nos por meio do Filho” (Hb 1,1-2).

O Concílio Vaticano II, na Dei Verbum, dirá que “Foi por isso que Deus, inspirador e autor dos livros dos dois Testamentos, dispôs tão sabiamente as coisas, que o Novo Testamento está latente no Antigo, e o Antigo está patente no Novo. Pois, apesar de Cristo ter alicerçado à nova Aliança no seu sangue, os livros do Antigo Testamento, ao serem integralmente assumidos na pregação evangélica adquirem e manifestam a sua plena significação no Novo Testamento, que por sua vez iluminam e explicam” (DV cap. 4. 16).

Além disso, justamente antes, explicou que “a ‘economia’ do Antigo Testamento destinava-se sobretudo a preparar, a anunciar profèticamente e a simbolizar com várias figuras o advento de Cristo, redentor universal, e o do reino messiânico. Mas os livros do Antigo Testamento, segundo a condição do gênero humano antes do tempo da salvação estabelecida por Cristo, manifestam a todos o conhecimento de Deus e do homem, e o modo com que Deus justo e misericordioso trata os homens. Tais livros, apesar de conterem também coisas imperfeitas e transitórias, revelam, contudo, a verdadeira pedagogia divina” (DV cap. 4. 15).

A leitura, portanto, das passagens do Antigo Testamento deve ser feita sempre, especialmente nas passagens que revestem um ponto de vista dogmático ou moral, sob a luz do Novo Testamento, já que a perfeição chegou com Cristo. Fica claro que a leitura da Bíblia deve ser feita a partir de sua totalidade.

Algumas passagens pertinentes do Novo Testamento

Já o apóstolo São Paulo deixou claro na Carta aos Gálatas que, “antes que chegasse a fé, nós éramos guardados sob a tutela da Lei para a fé que havia de se revelar. Assim a Lei se tornou nosso pedagogo até Cristo, para que fôssemos justificados pela fé. Chegada, porém, a fé, não estamos mais sob pedagogo” (Gl 3, 23-25).

Um texto similar da Carta aos Hebreus recorda a inutilidade dos sacrifícios animais diante do único e somente válido sacrifício de Cristo na Cruz: “Possuindo apenas a sombra dos bens futuros, e não a expressão própria das realidades, a lei é totalmente incapaz, apesar dos mesmos sacrifícios sempre repetidos, oferecidos sem fim a cada ano, de levar à perfeição aqueles que se aproximam de Deus. (…) Mas, ao contrário é por meio destes sacrifícios que, anualmente se renova a lembrança dos pecados. Além do mais, é impossível que o sangue de touros e de bodes elimine os pecados.” (Hb 10, 1.3-4).

Jesus dá perfeito cumprimento às leis de Moisés, à Lei em seu conjunto, à Torá, porque, como nos recorda o evangelista Mateus, “Digo-vos que aqui está algo maior do que o Templo. (…) Pois o Filho do Homem é senhor do sábado” (Mt 12, 6.8)

O texto do Novo Testamento que as Testemunhas de Jeová citam a seu favor

Anteriormente, deixamos para mais adiante uma passagem do Novo Testamento que avalizava a teoria das Testemunhas de Jeová. Agora é um momento de considerá-la, levando em consideração o que foi comentado nas seções anteriores.

Só existe uma passagem onde expressamente se menciona o uso do sangue no Novo Testamento, e é o relato do Concílio de Jerusalém, no qual, após a discussão dos diversos pontos de vista entre as facções ou comunidades cristãs de Pedro, Paulo e Tiago em referência ao comportamento imposto aos gentios e aos cristãos provenientes do judaísmo – é a abertura da evangelização muito além dos limites judaicos e o reconhecer que práticas do judaísmo podiam permanecer e quais se manteriam frente à irrupção que a mensagem e a pessoa de Jesus Cristo supôs – chega-se à conclusão seguinte, após a fala do representante das comunidades mais próximas do judaísmo, Tiago: “De fato, pareceu bem ao Espírito Santo e a nós não vos impor nenhum outro peso além destas coisas necessárias: que vos abstenhais das carnes imoladas aos ídolos, do sangue, das carnes sufocadas e das uniões ilegítimas” (Atos 15, 28-29).

Para compreender este texto, analisemos outro que dará luz ao que ocorreu aqui:

Posteriormente, Pedro e Paulo se encontram em Antioquia e Pedro, que seguia as normas das refeições dos gentios, aos chegarem membros das comunidades cristãs de Tiago, deixará de comer com eles e se sentará à mesa dos cristãos provenientes do judaísmo. Diante disto, Paulo jogará na cara de Pedro seu comportamento e lhe dirá que a justificação se dá pela fé e não pelas obras da lei (de Moisés) (Gl 2, 11-21). Certamente, aqui não se menciona o sangue nem de que preceitos alimentares estavam falando, ainda que se pode supor que alguns membros voltavam a comportar-se como antes, sem levar em conta o que foi dito no Concílio de Jerusalém.

Na Carta aos Romanos, (Rm 14, 1-23), Paulo oferece uma solução conciliadora para que os costumes alimentares dos gentios não “entristeçam” (Rm 14, 15) os cristãos vindos do judaísmo, pedindo-lhes que não escandalizem os “fracos na fé” (Rm 14, 1): “Acolhei o fraco na fé sem querer discutir suas opiniões. Um acha que pode comer de tudo, ao passo que o fraco só come verdura. (…) Se por causa de um alimento teu irmão fica contristado, já não procedes com amor. (…) Porque o Reino de Deus não consiste em comida e bebida, mas é justiça, paz e alegria no Espírito Santo”.

E já em uma carta pastoral como a de Timóteo, ainda que em um contexto contra as ideias dos gnósticos, podemos ler que “tudo o que Deus criou é bom, e nada é desprezível (os alimentos que Deus criou), se tomado com ação de graças, porque é santificado pela Palavra de Deus e pela oração” (1 Tm 4, 4-5).

As transfusões de sangue

Sobre as transfusões sanguíneas, que não existiam na época do Antigo e do Novo Testamentos, não se diz nada na Bíblia. No entanto, como o sangue era considerado como sede da vida e algo ligado à própria pessoa em sua cultura semítica, poderíamos pensar que a transfusão de sangue deveria ser negada por igual princípio: não seria permitido colocar sangue de uma pessoa em outra, não se poderia colocar o nefesh, a psykhé de uma pessoa em outra, é algo óbvio.

Pessoalmente, não concordo com considerar que, como a Bíblia não fala de transfusões, estas são permitidas por ela. E mais ainda, acabamos de dizer, que tivessem existido transfusões naquela época, também teriam sido negadas. Mas não é este o critério de leitura e interpretação bíblica, e sim a busca do sentido da proibição mosaica, que reside, como dissemos, na crença científica errônea – hoje sabemos disso – da residência do vital do ser humano ou do animal no sangue. Portanto, esta lei moral e alimentar está baseada em uma concepção científica errônea, que inclusive no século XVII vimos com um exemplo, era considerada pela própria ciência médica hematológica.

A leitura correta da Bíblia diante das transfusões é que é uma prática puramente médica diante da qual a Bíblia e a Igreja não têm nada a dizer, ao não ir contra a moral natural nem a lei positiva de Deus, sendo, em todo caso, uma prática adequada e necessária frente à qual a Igreja se pronunciou favoravelmente, uma vez que se estabeleceu cientificamente no século XX quais eram suas classes, com a descoberta dos tipos A, B, O e AB, e começou-se a compreender a ciência das transfusões.

Conclusão

Usar o sangue (como bebida ou de qualquer outra forma) está ligado absolutamente à alimentação das partes animais, criaturas de Deus e abençoadas por Deus em todas as suas partes, e não ao uso da vitalidade ou da alma (animal), ou à suposta aquisição de propriedades animais. Qualquer crença em sentido contrário se baseia em um conhecimento científico inadequado do tecido sanguíneo, que hoje em dia não podemos manter.

Devemos entender que alguns preceitos da antiguidade têm seu sentido somente no contexto de sua época e se baseiam em concepções pré-científicas. Se é este o caso, como mostramos, não podemos manter sua extensão à atualidade como fazendo parte da lei divina. Foram leis que tiveram sua vigência em certos momentos para o povo de Israel, mas que hoje não têm, dado que temos um conhecimento maior da realidade criada.

Por outro lado, a transfusão sanguínea é um método da ciência de extraordinária ajuda para a vida do receptor em inúmeras situações médicas orientadas sempre à vida e nunca contra o doador. É por isso que neste ponto citamos as palavras de Cristo em referência ao valor da vida frente a qualquer prescrição da Lei:

“Partindo dali, entrou na sinagoga deles. Ora, ali estava um homem com a mão atrofiada. Então perguntaram-lhe, a fim de acusá-lo: ‘É lícito curar aos sábados?’ Jesus respondeu: ‘Quem haverá dentre vós que, tendo uma só ovelha e caindo ela numa cova em dia de sábado, não vai apanhá-la e tirá-la dali? Ora, um homem vale muito mais do que uma ovelha! Logo, é lícito fazer o bem aos sábados’.” (Mt 12, 9-12).

É por tudo isso que a negativa da seita das Testemunhas de Jeová de usar o sangue, seja como comida, bebida ou de qualquer outra forma, ou negar-se a receber transfusões de sangue por ser um mandato divino pela vitalidade supostamente residir no sangue, a parte anímica do ser vivo, é um erro.

 
 
 

Autor: Pe. Alessander Carregari Capalbo Paróquia Santa Maria dos Pobres – Paranoá – DF Pároco Fonte: www.santamaria.org.br

Sem dúvida nenhuma, despertou no meu interior o desejo de escrever este artigo, baseado numa matéria publicada no dia 23 de junho do corrente ano, que fazia referência a proliferação das seitas em locais carentes.

O primeiro susto, ou melhor, a primeira pergunta que nasceu dentro de mim foi: será que Cristo fundou 300 igrejas (seitas) numa cidade satélite com um pouco mais de 100.000 habitantes? A coerência diante da História rapidamente respondeu minha pergunta através dos fatos ocorridos. Um dos grandes erros da Reforma foi afirmar que só a escritura basta, levando como conseqüência a livre interpretação da palavra de Deus. Neste fato já respondemos ao porquê da proliferação de tantas “igrejinhas”. É muito simples de fundar: aluga uma garagem, ou na própria casa, pega a bíblia e começa o grande empreendimento.

Faço esta afirmação porque por detrás de tantas seitas está o dinheiro e o engano das pessoas, alcançado durante sua permanência no culto numa verdadeira lavagem cerebral. Tudo começa com a afirmação de que a pessoa está endemoninhada, que sua vida está amarrada (pela falta de emprego, por ser pobre, por passar dificuldades, etc.). Então a pessoa é chamada a arriscar. Neste momento o pastor usa uma voz distorcida imitando as “vozes do além”, a música e os focos de luzes do teatro estão estrategicamente a postos para provocar a histeria coletiva: pessoas desmaiam, têm ataques psicológicos que produzem efeitos no subconsciente e a conclusão sempre é a mesma: o demônio. É até engraçado!… Estes dias passando diante de uma destas seitas parei e fiquei olhando: apagaram todas as luzes do “templo” e acenderam uma luz vermelha que piscava, parecia filme de terror. Muitas pessoas naquele momento como afirmava o pastor estavam possuídas e por quem? Pelo diabo, é claro. Mas o mais importante é o que vem depois do “desencapetamento”: as promessas das bênçãos. Aqui deve entrar uma boa oferta porque o dinheiro é do demônio. Então tens que pagar o dízimo, tens que fazer oferta para ser levada à fogueira santa ou até mesmo para ser queimada (apesar de nunca ter escutado ou visto uma seita que queimasse o dinheiro).

Aqui começa tudo, a pessoa cada vez mais tem a necessidade de dar porque quer um emprego, tudo gira em torno do ser rico, ganhar muito, ter muito dinheiro, saúde, amor, etc.

Aqui está a explicação das “igrejas” que ficam o dia inteiro com as portas abertas: quanto mais pessoas, mais dinheiro e mais sucessos. Pessoas que diante do sofrimento de cada dia vão buscar um consolo e não sabem onde estão caindo!…

No mesmo dia 23 deste mês, num site de noticias (ACI) se publicava uma matéria da KIRCHE IN NOT (Organização Internacional), sobre uma análise desta realidade, onde estas seitas oferecem roupas, comida, sapatos, etc.. Tudo para as pessoas começarem a freqüentar tal estabelecimento. Parece brincadeira, mas é assim que começam a comprar e a induzir as pessoas fragilizadas pela vida que se aproximam, e como estas são simples, caem facilmente no conto do “chapeuzinho vermelho”.

Há mais ou menos três semanas atrás, recebi uma pessoa que freqüentou por seis anos uma destas seitas onde tudo lhe foi prometido. Foi “desencapetada” e era fiel no seu dízimo, passando até por privações em sua casa porque Deus precisava do seu dinheiro para abençoá-la. Depois de um tempo não tendo mais nada para ofertar, fez empréstimos no banco. Final da história: ficou com uma dívida grandíssima. Preocupada com a situação, procurou o pastor da igreja que freqüentava e lhe perguntou onde estavam as bênçãos que Deus lhe prometera… Estava cheia de dividas e não tivera nenhuma prosperidade na vida… Resposta do pastor: ”você é filha do demônio, por isso você não foi abençoada”.

Agora termino com duas simples perguntas:

1 – Parece séria uma resposta destas a uma mulher que fez tudo inocentemente e enganada?

2 – Você já se perguntou quantas vezes a “igreja” que você pertence já se dividiu?

Na tradução grega a palavra Diabolus significa divisor. Na origem de novas seitas, estão quase sempre divisões e desentendimentos entre pastores, e por isso proliferam. Ao não se entender com o outro pastor, logo forma a sua “igrejinha”. E o pior, ao invés de ajudarem, enganam pessoas simples que pensam estar no caminho certo. Formam-se seitas para todos os gostos do mercado: numa “igreja” é permitido aos jovens fazerem de tudo, na outra é possível casar várias vezes, na outra é fazer política partidária… E assim vai… A religião tem se tornado um meio de enriquecimento para poucos, enquanto os simples e pobres bancam tudo isso na esperança de uma mudança.

Na escritura, Cristo faz uma afirmação muito categórica: “Guardai-vos dos falsos profetas… eles falam em meu nome… mas são lobos vorazes…” (Mt 7,15), prontos para devorar os que sofrem, os “pequenos” de quem fala o Evangelho. Mas será que Cristo ensinou a divisão, ensinou uma vida tranqüila?

Pare e pense, porque você pode ser uma pessoa que está sendo enganada.

Virgem Maria rogai por nós!

 
 
 
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