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Faltando três dias para a votação do segundo turno, o acalorado debate eleitoral ganhou um interlocutor de peso: o Papa Bento XVI. Num discurso pronunciado, nesta manhã de quinta-feira, para bispos do Nordeste – reconhecida base eleitoral do PT de Dilma Rousseff – Bento XVI condenou com clareza “os projetos políticos” que “contemplam, aberta ou veladamente, a descriminalização do aborto”.

Com o discurso de hoje, Bento XVI rompe, desde o mais alto grau da hierarquia católica, o patrulhamento ideológico que o PT vem impondo a bispos do Brasil através de ameaças, pressões diplomáticas, xingamentos e abusos de poder. É conhecida a absurda apreensão, a pedido do PT, de milhares de folhetos contendo o “Apelo a Todos os Brasileiros e Brasileiras”, em que a Comissão em Defesa da Vida, da Regional Sul I da CNBB, exortava os católicos a não votar em políticos que defendam a descriminalização do aborto. É conhecida a denúncia do bispo de Guarulhos, Dom Luiz Gonzaga Bergonzini, de que tem sido vítima de censura e perseguição por parte do PT (cf. Revista Veja). É arquiconhecida a prisão de leigos católicos que realizavam o “ato subversivo” de distribuir nas ruas o documento dos bispos de São Paulo.

O Papa convida os bispos à coragem de romper este patrulhamento e falar. Ao defender a vida das crianças no ventre das mães, os bispos não devem temer “a oposição e a impopularidade, recusando qualquer acordo e ambigüidade”. O pronunciamento de Bento XVI ainda exorta os bispos a cumprirem “o grave dever de emitir um juízo moral, mesmo em matérias políticas”. E, numa clara alusão a uma das propostas do PNDH-3 do PT, se opõe à ausência “de símbolos religiosos na vida pública”.

Com seu discurso, o Papa procura evitar que o Brasil continue protagonista de um fenômeno que seria mais típico do feudalismo medieval, do que de uma suposta democracia moderna. De fato, durante a Baixa Idade Média, era comum que os posicionamentos e protestos mais decididos fossem os do Papa, enquanto os do episcopado local, mais exposto às pressões e ao poder imediato dos senhores feudais, eram como os de um cão atado à coleira. Pode até ensaiar uns latidos, mas quem passa por perto sabe que se trata de barulho inofensivo.

Ao apagar das luzes da campanha de segundo turno, o Pontífice parece preparar o terreno para que a Igreja do Brasil compreenda, sejam quais forem os resultados das eleições, que é inútil apelar para um currículo de progressos sociais e de defesas dos oprimidos do Partido dos Trabalhadores, quando seu “projeto político” está tão empenhado em eliminar os seres humanos mais fracos e indefesos no ventre das mães.

Segue abaixo o discurso do Santo Padre

Amados Irmãos no Episcopado,

«Para vós, graça e paz da parte de Deus, nosso Pai, e do Senhor Jesus Cristo» (2 Cor 1, 2). Desejo antes de mais nada agradecer a Deus pelo vosso zelo e dedicação a Cristo e à sua Igreja que cresce no Regional Nordeste 5. Lendo os vossos relatórios, pude dar-me conta dos problemas de caráter religioso e pastoral, além de humano e social, com que deveis medir-vos diariamente. O quadro geral tem as suas sombras, mas tem também sinais de esperança, como Dom Xavier Gilles acaba de referir na saudação que me dirigiu, dando livre curso aos sentimentos de todos vós e do vosso povo.

Como sabeis, nos sucessivos encontros com os diversos Regionais da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil, tenho sublinhado diferentes âmbitos e respectivos agentes do multiforme serviço evangelizador e pastoral da Igreja na vossa grande Nação; hoje, gostaria de falar-vos de como a Igreja, na sua missão de fecundar e fermentar a sociedade humana com o Evangelho, ensina ao homem a sua dignidade de filho de Deus e a sua vocação à união com todos os homens, das quais decorrem as exigências da justiça e da paz social, conforme à sabedoria divina.

Entretanto, o dever imediato de trabalhar por uma ordem social justa é próprio dos fiéis leigos, que, como cidadãos livres e responsáveis, se empenham em contribuir para a reta configuração da vida social, no respeito da sua legítima autonomia e da ordem moral natural (cf. Deus caritas est, 29). O vosso dever como Bispos junto com o vosso clero é mediato, enquanto vos compete contribuir para a purificação da razão e o despertar das forças morais necessárias para a construção de uma sociedade justa e fraterna. Quando, porém, os direitos fundamentais da pessoa ou a salvação das almas o exigirem, os pastores têm o grave dever de emitir um juízo moral, mesmo em matérias políticas (cf. GS, 76).

Ao formular esses juízos, os pastores devem levar em conta o valor absoluto daqueles preceitos morais negativos que declaram moralmente inaceitável a escolha de uma determinada ação intrinsecamente má e incompatível com a dignidade da pessoa; tal escolha não pode ser resgatada pela bondade de qualquer fim, intenção, conseqüência ou circunstância. Portanto, seria totalmente falsa e ilusória qualquer defesa dos direitos humanos políticos, econômicos e sociais que não compreendesse a enérgica defesa do direito à vida desde a concepção até à morte natural (cf. Christifideles laici, 38). Além disso no quadro do empenho pelos mais fracos e os mais indefesos, quem é mais inerme que um nascituro ou um doente em estado vegetativo ou terminal? Quando os projetos políticos contemplam, aberta ou veladamente, a descriminalização do aborto ou da eutanásia, o ideal democrático – que só é verdadeiramente tal quando reconhece e tutela a dignidade de toda a pessoa humana – é atraiçoado nas suas bases (cf. Evangelium vitæ, 74). Portanto, caros Irmãos no episcopado, ao defender a vida «não devemos temer a oposição e a impopularidade, recusando qualquer compromisso e ambigüidade que nos conformem com a mentalidade deste mundo» (ibidem, 82).

Além disso, para melhor ajudar os leigos a viverem o seu empenho cristão e sócio-político de um modo unitário e coerente, é «necessária — como vos disse em Aparecida — uma catequese social e uma adequada formação na doutrina social da Igreja, sendo muito útil para isso o “Compêndio da Doutrina Social da Igreja”» (Discurso inaugural da V Conferência Geral do Episcopado Latino-Americano e do Caribe, 3). Isto significa também que em determinadas ocasiões, os pastores devem mesmo lembrar a todos os cidadãos o direito, que é também um dever, de usar livremente o próprio voto para a promoção do bem comum (cf. GS, 75).

Neste ponto, política e fé se tocam. A fé tem, sem dúvida, a sua natureza específica de encontro com o Deus vivo que abre novos horizontes muito para além do âmbito próprio da razão. «Com efeito, sem a correção oferecida pela religião até a razão pode tornar-se vítima de ambigüidades, como acontece quando ela é manipulada pela ideologia, ou então aplicada de uma maneira parcial, sem ter em consideração plenamente a dignidade da pessoa humana» (Viagem Apostólica ao Reino Unido, Encontro com as autoridades civis, 17-IX-2010).

Só respeitando, promovendo e ensinando incansavelmente a natureza transcendente da pessoa humana é que uma sociedade pode ser construída. Assim, Deus deve «encontrar lugar também na esfera pública, nomeadamente nas dimensões cultural, social, econômica e particularmente política» (Caritas in veritate, 56). Por isso, amados Irmãos, uno a minha voz à vossa num vivo apelo a favor da educação religiosa, e mais concretamente do ensino confessional e plural da religião, na escola pública do Estado.

Queria ainda recordar que a presença de símbolos religiosos na vida pública é ao mesmo tempo lembrança da transcendência do homem e garantia do seu respeito. Eles têm um valor particular, no caso do Brasil, em que a religião católica é parte integral da sua história. Como não pensar neste momento na imagem de Jesus Cristo com os braços estendidos sobre a baía da Guanabara que representa a hospitalidade e o amor com que o Brasil sempre soube abrir seus braços a homens e mulheres perseguidos e necessitados provenientes de todo o mundo? Foi nessa presença de Jesus na vida brasileira, que eles se integraram harmonicamente na sociedade, contribuindo ao enriquecimento da cultura, ao crescimento econômico e ao espírito de solidariedade e liberdade.

Amados Irmãos, confio à Mãe de Deus e nossa, invocada no Brasil sob o título de Nossa Senhora Aparecida, estes anseios da Igreja Católica na Terra de Santa Cruz e de todos os homens de boa vontade em defesa dos valores da vida humana e da sua transcendência, junto com as alegrias e esperanças, as tristezas e angústias dos homens e mulheres da província eclesiástica do Maranhão. A todos coloco sob a Sua materna proteção, e a vós e ao vosso povo concedo a minha Benção Apostólica.

Fonte: Vaticano

 
 
 

Por Thomas E. Woods Tradução: Kandungus Fonte: EWTN/YouTube

Já ouvimos todos esse papo antes, não ouvimos?

“A Igreja Católica é inimiga da ciência, do progresso e da razão”.

Bom, isso é tudo tolice e nós iremos provar sem dó.

Bem-vindos ao “A Igreja Católica: Construtora da Civilização”. Sou seu anfitrião, Thomas Woods, e gostaria de começar esta série com um fato bem óbvio para a maioria: há um certo “duplo padrão” no mundo quando se fala em Igreja Católica. Você pode dizer o que quiser sobre a Igreja Católica; sua carreira não terminará, ninguém se importará, não haverá indivíduos ofendidos, nem greves de fome… Você diz o que quiser e está tudo bem. Na verdade, você será ainda melhor tratado nos círculos em voga do que antes.

Então, qual o resultado disso?

O resultado é que você pode escapar impune mesmo dizendo as coisas mais absurdas e ridículas sobre a Igreja Católica. E as pessoas acreditam! Elas tendem a acreditar em toda e qualquer calúnia absurda contra a Igreja Católica; mas, pior ainda, alguns católicos – eu acredito – começaram a incorporar algumas dessas críticas e, no fundo, acho que eles mesmos se perguntam: “A Igreja foi, afinal das contas, uma influência positiva na História? Não foi ela responsável só por repressão e ignorância? Não foi ela uma oponente das ciências?” Todos fomos ensinados a acreditar nisto… Aliás, seria um milagre se não acreditássemos!

Porém, não é verdade! E nesta série mostraremos por quê. Iremos exibir a verdadeira glória da Igreja Católica.

Os ataques à Igreja Católica e à crença religiosa em geral aceleraram-se nos últimos cinco anos, mais ou menos. Nós vimos em anos recentes best-sellers escritos por Richard Dawkins, Daniel Dennett e Sam Harris, condenando a crença religiosa em geral como “irracional” e “imbecil”; na verdade, eles estão dizendo às crianças deste país: “Seus pais são tolos por ensiná-los a religião”.

Pior do que isso é que depois do atentado de 7 de julho de 2005 em Londres, o que vemos é essa tendência do terrorismo islâmico dar a intelectuais uma justificativa para que se oponham à todas as religiões, com o argumento de que “toda religião é irracional; toda religiâo pode causar violência; então todas devem ser condenadas”. Por exemplo, no escocês “Sunday Herald”, Muriel Gray afirma: “A causa de toda esta miséria, desordem, violência, terror e ignorância é, evidentemente, a própria religião”.

E ela chama a religião de “disparate da Idade das Trevas”: “Para o governo de um país secular como o nosso” – ela diz – “tratar a religião como se esta tivesse mérito verdadeiro ao invés de tomá-la como um anacronismo absurdo, que educação, conhecimento e experiência podem ‘esperançosamente’ superar com o tempo, é um dos eventos mais deploráveis do século XXI”.

Vou deixar de lado o fato de que ela não sabe usar corretamente a palavra ‘esperançosamente’. Isso é um outro assunto; o principal é que esta é a crítica.

Outra crítica: Polly Toynbee, do “London Guardian” diz: “Chegou o momento de ser sério sobre toda religião e traçar uma linha firme entre o mundo real e o mundo dos sonhos”.

No “London Spectator”, Matthew Parris diz: “Aquilo que une um Mulá extremista a um padre católico ou pastor evangélico protestante é, na verdade, muito mais significativo e interessante do que aquilo que os separam”.

Estas críticas tornaram-se rotina; ouvimo-las [sempre], entra dia, sai dia. Toda religião é inimiga do progresso, mas a Igreja Católica em particular é consistentemente vista como inimiga da ciência e do progresso; do conhecimento, principalmente. Por que isso? Como aconteceu?

Em parte, começou há 200 anos ou pouco mais, durante o assim chamado “Iluminismo”, que apareceu no século XVIII da História Europeia, época em que a classe intelectual se tornou incomumente hostil à Igreja. Eles depreciaram sistematicamente a Idade Média – aliás, é por isso que usaram a palavra “iluminismo”, pois a ideia era que, antes do “ilumininismo”, antes do formidável século XVIII, só havia miséria, atraso e ignorância estimulados pela Igreja Católica; mas então, felizmente, tínhamos intelectuais seculares para nos trazer “esclarecimento”.

Às vezes, acredito que o trabalho mais deprimento do mundo deve ser o de professor de História da Idade Média. Deve ser o trabalho mais deprimente… Imagine você, durante o dia inteiro ensinando sobre a Idade Média e dizendo: “A Idade Média não foi tão ruim! Em verdade, muitas coisas importantes aconteceram na Idade Média! A Igreja Católica tornou possível vários acontecimentos notáveis!” Leciona-se isso durante o dia inteiro; você escreve livros e artigos; você vai inclusive à televisão, ao rádio; você palestra sobre o assunto e o que acontece? Você chega em casa, liga a TV e nada do que fez surtiu efeito… Todos ainda acreditam que o Medievo foi um período de ignorância e repressão; e foi tudo culpa da Igreja Católica! É algo impossível de mudar. Deve ser muito deprimente…

Por quê? Por que são tão resistentes à verdade? Por que é tão difícil fazê-los mudar de ideia? Desde o Iluminismo, algo que se enraizou em nossa cultura e pensamento, foi a presunção de que a Igreja Católica está errada e o Secularismo, a ideia de organizar a sociedade e a vida sem referenciar a Deus, é a fonte do progresso. Assim, naturalmente, tudo que se ligue à Igreja envolve retrocesso, enquanto que se há algo que um intelectual secular nos traz, essa coisa é o progresso. Esta tem sido a lente pela qual a História tem sido vista nos últimos dois séculos.

É por isso que apenas nos últimos, digamos, 50 anos, é que vemos historiadores, enfim, desmentindo esses absurdos e dizendo: “Esperem! A Igreja não só jamais obstruiu as ciências como pode ter as promovido! Os secularistas não apenas nunca criaram, por exemplo, a Ciência Econômica, como na realidade foram padres e professores católicos que a desenvolveram séculos antes!” E por aí vai.

Mas está se levando muito tempo para refutar essa ideia em geral aceita de que a Igreja é responsável por retrocesso e ignorância. Está demorando demais… Vamos refletir sobre algumas dessas áreas em que a Igreja Católica realmente construiu a nossa Civilização.

Escolhi essa palavra conscientemente. Por que pode-se considerar a Igreja Católica sua construtora? Ora, por exemplo, considere a maneira como vemos a “caridade”, o trabalho caridoso: acreditamos que você está fazendo caridade quando ajuda alguém sem nenhuma expectativa de retribuição; quando você o faz porque é bom e porque é certo fazê-lo; você o faz porque sabe que, numa visão mais ampla, aquela pessoa desafortunada é, de algum modo, seu semelhante feito à imagem e semelhança de Deus; então você a ajuda. Você não a ajuda por esperar, três anos depois, visitá-la e dizer: “Lembra-se daqueles 50 dólares que eu te dei?”; ou visitá-la e dizer: “Preciso de votos; preciso de apoio político; me ajude”. Não fazemos isso para poder dizer ao mundo: “Ei! Vejam o quanto eu sou maravilhoso! Eu dei àquele sujeito 10 dólares!” Não fazemos caridade por essas razões; fazemos pelos motivos que já citei: motivos puramente desinteressados.

De onde veio essa ideia? Essa ideia veio da Igreja Católica. Na antiga Grécia ou Roma, se você dissesse: “Oh! Vou ajudar alguém sem nenhuma expectativa de reciprocidade; farei isso por pura bondade”, achariam você demente: “Do que você está falando?!!” Ainda pior seria a ideia de orar e até mesmo tentar ajudar os próprios inimigos: “Quê?!! Ficou louco?!!” Mas hoje admitimos isso como o ideal, como os princípios que um bom homem tenta incorporar. Mas, novamente: de onde eles vêm? Eles vêm da Igreja Católica! A Igreja ensina isso sobre a caridade; o mundo antigo, não.

Então aqui está uma área em que temos as coisas por certo (este é o modo como pensamos: temos por certo!). De onde vêm? Vêm da Igreja Católica. Direi mais da caridade em um [momento] futuro.

E quanto à ideia de “Direito”, de que tenho “direito à propriedade”, ou “direito de não ser assassinado”, por exemplo? De onde vem essa ideia? Sempre nos disseram que os secularistas no Iluminismo, ou pouco antes disto, surgiram com essa ideia no século XVII. De repente, surgiram os direitos! Bom… Isso também não é verdade. E, novamente, a investigação moderna vem para resgatar o Catolicismo. Eu sei que parece estranho… Vocês imaginam que pesquisadores modernos deveriam estar do “outro lado”, mas na verdade professores honestos, tanto católicos quanto não-católicos, dizem que a ideia de Direito remonta ao século XII e que surgiu com juristas de Direito Canônico. Essa ideia tem um significado simples: eu tenho uma certa imunidade contra uma ofensa sua, ou seja, você não pode me matar ou tomar a minha propriedade, coisas assim. O Direito é isso: que seria errado você interferir nessas áreas que são minhas. De onde vem essa ideia libertadora? Do coração da Igreja!

Ou, novamente, a Ciência Econômica… Por acaso, Adam Smith simplesmente pensou em Economia no século XVIII? Saiu tudo da cabeça dele? Ele tinha essa cabeça gigante e toda a Economia brotou dela? Não, na realidade, nos últimos 50 anos, o que os historiadores têm dito? Eles têm dito que os católicos escolásticos, professores que ensinavam principalmente em universidades espanholas e, mais especificamente, na Universidade de Salamanca, é que criaram a Ciência Econômica moderna. Foram eles os fundadores da Economia, não os secularistas do Iluminismo. Isso está sendo descoberto agora. Na parede do meu escritório tenho um retrato em moldura da Universidade de Salamanca. Muitos entrariam lá e perguntariam: “Como assim? Por que, de todas as universidades, você escolheu esta aqui?” É porque eu sei que foi lá que nasceu a Economia; e se você for um profundo interessado como eu, você amará Economia…

Finalmente, o que dizer sobre o nosso comprometimento com a razão? Não nos orgulhamos sempre da civilização ocidental por esse compromisso com o uso da razão? Que usamos a racionalidade para resolver disputas e solucionar debates? Bom, certamente! Mas de onde vem isso? Isso também vem da Igreja Católica! Por quê? Porque o sistema universitário que a Igreja estimulou encorajava o debate rigoroso e a racionalidade era tida como o maior árbitro para decidir todas as questões a se debater. Isto não é o oposto do que te contaram? Nos contaram que a Igreja Católica é inimiga da razão. Pelo contrário: nunca houve maior defensor da razão! Mas não é apenas da razão; é mais das aplicações específicas dela.

Por exemplo, as ciências em especial. As ciências, mais do que imaginamos, devem muito à Igreja. Como isso? É o oposto do que nos dizem. Mas, acreditem ou não, historiadores dos últimos 50 anos dizem que a Igreja Católica é mais e mais responsável pelas ciências. […]

Quantos dos fatos que descobrimos apenas agora são escondidos em escolas regularmente? Nem preciso perguntar. […] Eu acho este o aspecto mais deturpado e adulterado da História católica e mais usado para golpear a Igreja. Quero mostrar que isso é em grande medida feito injustamente. Digo “apenas agora”, pois na verdade nos últimos 50 anos cientistas que escrevem a História da Ciência começaram a repensar os velhos argumentos contra a Igreja, dizendo: “Querem saber? Pensando melhor, a Igreja fez coisas muito importantes!”

Há uma razão pela qual a ciência foi estabelecida e mantida por tanto tempo na civilização ocidental enquanto não o foi em outras. No fim das contas, isso não ocorre “apesar” da Igreja Católica, mas em certos aspectos “por causa” dela. Há 100 anos, tudo bem, você poderia ter lido um livro de Andrew Dickson White sobre uma lendária guerra entre Ciência e Religião no Ocidente. Hoje, esse livro é considerado praticamente uma piada entre professores; é tão ultrapassado quanto ridículo.

Hoje, há professores como Edward Grant escrevendo livros editados pela Universidade de Cambridge; Thomas Goldstein, A.C.Crombie, David Lindberg e muitos outros. E todos eles concordam que você não pode dizer simplesmente que a Igreja foi uma oponente das ciências. Pelo contrário, há aspectos do pensamento católico que foram indispensáveis para o desenvolvimento da ciência; e veremos especificamente quais foram eles. Mas, neste momento, desejo que saiba que esse velho mito está sendo derrubado por professores. Infelizmente, as descobertas desses mestres ainda não conseguiram chegar ao público mais geral; é o que tentaremos fazer nesta série [de artigos].

Deixe-me dar um exemplo de história típica sobre a Igreja Católica em que as pessoas são ensinadas a crer [nesses mitos] e então refletir por que elas acreditavam tão prontamente quando não havia nem a menor evidência para tanto. Aqui vai um exemplo que até muitos espectadores podem ter acreditado… Até eu acreditei! Não havia razão para pensar de outro modo… É a ideia de que Cristóvão Colombo, quando empregou suas famosas navegações, estava em parte tentando provar que a Terra não era plana, mas sim esférica. Todos nós já ouvimos a história habitual, que Colombo foi avisado: “Não, Colombo, não! Não navegue tão longe! Você irá cair [no abismo] na extremidade da Terra! A Terra é um grande disco plano! Você cairá da margem e será devorado por dragões e aranhas radioativas e gigantes”, algo assim… Ele foi advertido a não fazer aquilo; mesmo assim, ele fez e isso mostraria o quão valente e formidável ele era.

Veja: não duvido que Colombo era mesmo um grande navegador, mas se ele estivesse aqui hoje, lhe diria que não estava tentando provar que a Terra era redonda. Por quê? Porque todos já sabiam disso! Todos já sabiam que o planeta era uma esfera! Nenhum indivíduo instruído na Europa acreditava que a Terra era plana! Isso é um mito, um mito absurdo! Tente encontrar alguém na História do mundo cristão que acreditava nisso! Procure por eles! Se todos acreditavam, não deve ser assim tão difícil! E, apesar disso, não se consegue encontrar nenhum exemplo. Bem, quero dizer, você pode encontrar 2 exemplos de pessoas de quem você nunca ouviu falar:

1) Lactâncio, por exemplo, que viveu entre os séculos III e IV, não tinha influência alguma e, em todo caso, falava alegoricamente.

2) Outro possível crente foi uma pessoa do século VI chamado Cosmas Indicopleustes. Já ouviram falar dele? Nem eu! E nem ninguém na Europa ocidental, pois Cosmas escrevia em grego e, naquela época, poucos no Ocidente conheciam grego. São Gregório Magno, que foi Papa de 590 a 604, nem ele sabia sequer uma palavra em grego. Então dificilmente alguém poderia ter lido Cosmas; ele só foi traduzido para o latim em 1706!

Logo, qualquer um que possa ter ensinado sobre a “Terra Plana” foi ouvido por 1 ou 2 pessoas! Não tiveram influência nenhuma! A verdade é que todos entendiam que a Terra era uma esfera! O que havia era uma relutância em patrocinar a viagem de Colombo, mas não porque acreditassem que ele cairia da extremidade; o motivo para que tivessem medo era que eles pensavam que Colombo havia subestimado muito o tamanho dessa esfera… Colombo dizia: “Oh, não! Não se preocupem! A Terra não é tão grande! Só vou dar uma voltinha e volto logo! Tudo terminará bem!” Mas diziam a ele: “Não, a Terra é muito maior do que você pensa e você acabará morrendo de fome! Você vai navegar, navegar e navegar e não haverá terra alguma”. Para sorte de Colombo, uma porção de continentes “brotou” lá no meio, ao contrário das suas expectativas e para sorte dele e da sua tripulação. É por isso que não queriam que ele fosse e não porque achavam que ele ia cair da extremidade [da Terra].

Percebo que isso é tão oposto ao que lhe ensinaram, que você deve estar achando que estou inventando isso tudo, não? “É claro que acreditavam em Terra Plana”. Mas prometo a vocês que não. Existe até um livro inteiro escrito para resolver a questão que segue: se ninguém acreditava em Terra Plana, como esse mito pode ter começado? E a resposta vem em um pequeno livro escrito por um rapaz chamado Jeffrey Burton Russell; ele escreveu um livro chamado “Inventando a Terra Plana”. Ele descobriu que havia um pequenino grupo de intelectuais no século XIX que deu à luz esse mito: eles o criaram porque fazia a Igreja Católica parecer ridícula, porque no século XIX havia muito debate e disputa com a Igreja sobre Darwin e outros assuntos e a ideia era a de que se podia retratar a Igreja como sendo tão ridícula que chegou ao ponto de ensinar que a Terra era plana; então, poderiam mostrá-la como uma oponente absolutamente desprezível. Assim, inventaram essa história para colocar a Igreja sob um juízo absurdo.

Tenho certeza de que eles não tinham ideia da durabilidade desse mito, que ainda no século XXI ainda o ensinariam! Tenho certeza de que em algum lugar, neste momento, alguém é ensinado: “A Igreja idiota dizia que a Terra era plana e o bravo e heróico Colombo a desmentiu”. Isso nunca tem fim… Mas por que não tem? Por que possui tanta durabilidade? A razão é que o mito serve bem a este estereótipo iluminista: “A Igreja Católica é estúpida; ela impede o progresso; ela nos força a acreditar em asneiras”. É precisamente o que vemos no mito da Terra Plana, não? Quem acreditaria que a Terra era plana? Os antigos gregos até mediram a circunferência da Terra! Obviamente sabiam que era redonda! Como é que a Igreja pensou diferente?

Aqui está um bom exemplo de que o mito pode ser facilmente derrubado, mas ele não foi porque serve a um propósito. Tentasse você inventar um mito agora, sobre qualquer pessoa famosa que pudesse pensar, e dissesse que Fulano e Sicrano acreditavam em tal e qual coisa, duraria uns três segundos! Contudo, as pessoas crêem naquilo em que estão preparadas para crer; e as pessoas estão preparadas para crer no pior sobre a Igreja Católica.

O objetivo desta série [de artigos] […] é ir atrás não apenas desses pequenos mitos, mas construir um edifício para mostrar as glórias da Igreja Católica; não apenas para dizer: “Oh, a Igreja, na verdade, não fez isso; a Igreja não foi tão má nessa questão”. Não iremos avançar se a nossa mensagem for: “A Igreja Católica: não tão má quanto você pensava”. Precisamos de algo mais vigoroso; mais vigor em nossa mensagem. Precisamos dizer: “Não apenas a Igreja Católica não é tão má quanto você pensava, como não ensinava que a Terra era plana”. Não dá para vencer só correndo para apagar os incêndios; ninguém jamais construiu um casa só apagando o fogo! Incêndios devem ser apagados, é verdade, mas achamos que não dá para construir se só fazemos isso. Se sempre deixarmos que os oponentes da Igreja definam o debate, então sempre ficaremos na defensiva. Parece-me que, dado o estado da nossa Civilização, já é tempo de partir para a ofensiva e mostrar às pessoas todas as glórias da Igreja, mostrar toda essa história oculta, para que não precisemos dizer: “Oh, não somos tão maus quanto vocês pensam”.

Somos muito mais gloriosos do que nós mesmos imaginamos! E estaremos contra, francamente, pessoas muitíssimo influentes neste mundo…

Tenho certeza de que vocês se recordam que a Constituição da União Europeia exclui toda menção à influência cristã na Civilização Ocidental. Quão teimoso você precisaria ser, para cercado por catedrais e obras religiosas, e dos frutos que a Igreja nos deu; quão cego você teria de ser para não mencionar que a Igreja teve algum papel na criação dessa Civilização? A Constituição da União Europeia inicia e termina com a ideia de qual “Civilização Ocidental”? “Isso aí vem da Antiguidade Greco-Romana e, depois, da Renascença e do Iluminismo”. E aquele período de cerca de 1000 anos entre essas coisas, sei lá o que ocorreu! Provavelmente nada demais…

Essa é a concepção padrão, a mesma que muitos tinham até uns 50 ou 100 anos atrás. Hoje, qualquer historiador de Idade Média digno do seu salário sabe que isso tudo são asneiras e as rejeitaria com uma gargalhada. Mas os arquitetos da União Europeia excluem a menção à Igreja ou a Cristo em seu documento de fundação. Não é que sejam idiotas – se fosse isso, seria simples: apresentaríamos os fatos e tudo estaria bem -, é que eles são hostis à Igreja. Nada mais óbvio. Veja o que fazem na União Europeia! Por acaso eles se parecem com católicos devotos? Eles não têm interesse em propagar a verdade sobre a Igreja e é por isso que nós, católicos, temos uma obrigação especial: temos de aprender tudo o que pudermos sobre a nossa Fé, temos de espalhar esse conhecimento e temos de contar às pessoas a verdadeira História da Igreja Católica, porque se não nos defendermos, ninguém o fará por nós!

Escrevi um livro chamado “Como a Igreja Católica construiu a Civilização Ocidental”, porque achei que já fosse tempo de contar a nossa História. É o que farei nos próximos [artigos]: contar a nossa História. Os próximos 3 [artigos] serão dedicados ao tema “Igreja e Ciência” e vocês terão tanta munição que não saberão o que fazer com ela depois de concluirmos esses próximos [artigos]…

Vocês sabiam, por exemplo, que os Jesuítas – a Companhia de Jesus – foram tão exímios nas ciências que, neste exato momento, 35 crateras lunares têm o nome de cientistas jesuítas? Sabiam que 1 entre cada 20 dos maiores matemáticos da História fazia parte da Companhia de Jesus? Ou que os Jesuítas ajudaram a fundar e se tornaram os maiores praticantes do estudo de terremotos, a Sismologia?

E poderíamos citar tantos outros exemplos: teoria atômica; estudo do Antigo Egito; física; e eu poderia aqui continuar citando… Há muitas maneiras pelas quais a Igreja contribuiu com as ciências! Então, até o próximo [artigo] da série: “A Igreja Católica: Construtora da Civilização”.

VOCÊ SABIA?

  1. Que a Igreja Católica Romana forneceu mais ajuda e apoio financeiro ao estudo da Astronomia, por mais de seis séculos – da recuperação do saber antigo da Baixa Idade Média ao Iluminismo -, do que qualquer outra e, provavelmente, todas as outras instituições? (J.L.Heilbron – Universidade da Califórnia, em Berkeley).

  2. Que a Igreja Católica teve de empreender a tarefa de introduzir a lei do Evangelho e o Sermão da Montanha entre os povos bárbaros que tinham o homicídio como a mais honrosa ocupação e a vingança como sinônimo de justiça? (Christopher Dawson).

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