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Por Thomas E. Woods Tradução: Kandungus Fonte: EWTN/YouTube

Já ouvimos todos esse papo antes, não ouvimos?

“A Igreja Católica é inimiga da ciência, do progresso e da razão”.

Bom, isso é tudo tolice e nós iremos provar sem dó.

Bem-vindos ao “A Igreja Católica: Construtora da Civilização”. Sou seu anfitrião, Thomas Woods, e gostaria de começar esta série com um fato bem óbvio para a maioria: há um certo “duplo padrão” no mundo quando se fala em Igreja Católica. Você pode dizer o que quiser sobre a Igreja Católica; sua carreira não terminará, ninguém se importará, não haverá indivíduos ofendidos, nem greves de fome… Você diz o que quiser e está tudo bem. Na verdade, você será ainda melhor tratado nos círculos em voga do que antes.

Então, qual o resultado disso?

O resultado é que você pode escapar impune mesmo dizendo as coisas mais absurdas e ridículas sobre a Igreja Católica. E as pessoas acreditam! Elas tendem a acreditar em toda e qualquer calúnia absurda contra a Igreja Católica; mas, pior ainda, alguns católicos – eu acredito – começaram a incorporar algumas dessas críticas e, no fundo, acho que eles mesmos se perguntam: “A Igreja foi, afinal das contas, uma influência positiva na História? Não foi ela responsável só por repressão e ignorância? Não foi ela uma oponente das ciências?” Todos fomos ensinados a acreditar nisto… Aliás, seria um milagre se não acreditássemos!

Porém, não é verdade! E nesta série mostraremos por quê. Iremos exibir a verdadeira glória da Igreja Católica.

Os ataques à Igreja Católica e à crença religiosa em geral aceleraram-se nos últimos cinco anos, mais ou menos. Nós vimos em anos recentes best-sellers escritos por Richard Dawkins, Daniel Dennett e Sam Harris, condenando a crença religiosa em geral como “irracional” e “imbecil”; na verdade, eles estão dizendo às crianças deste país: “Seus pais são tolos por ensiná-los a religião”.

Pior do que isso é que depois do atentado de 7 de julho de 2005 em Londres, o que vemos é essa tendência do terrorismo islâmico dar a intelectuais uma justificativa para que se oponham à todas as religiões, com o argumento de que “toda religião é irracional; toda religiâo pode causar violência; então todas devem ser condenadas”. Por exemplo, no escocês “Sunday Herald”, Muriel Gray afirma: “A causa de toda esta miséria, desordem, violência, terror e ignorância é, evidentemente, a própria religião”.

E ela chama a religião de “disparate da Idade das Trevas”: “Para o governo de um país secular como o nosso” – ela diz – “tratar a religião como se esta tivesse mérito verdadeiro ao invés de tomá-la como um anacronismo absurdo, que educação, conhecimento e experiência podem ‘esperançosamente’ superar com o tempo, é um dos eventos mais deploráveis do século XXI”.

Vou deixar de lado o fato de que ela não sabe usar corretamente a palavra ‘esperançosamente’. Isso é um outro assunto; o principal é que esta é a crítica.

Outra crítica: Polly Toynbee, do “London Guardian” diz: “Chegou o momento de ser sério sobre toda religião e traçar uma linha firme entre o mundo real e o mundo dos sonhos”.

No “London Spectator”, Matthew Parris diz: “Aquilo que une um Mulá extremista a um padre católico ou pastor evangélico protestante é, na verdade, muito mais significativo e interessante do que aquilo que os separam”.

Estas críticas tornaram-se rotina; ouvimo-las [sempre], entra dia, sai dia. Toda religião é inimiga do progresso, mas a Igreja Católica em particular é consistentemente vista como inimiga da ciência e do progresso; do conhecimento, principalmente. Por que isso? Como aconteceu?

Em parte, começou há 200 anos ou pouco mais, durante o assim chamado “Iluminismo”, que apareceu no século XVIII da História Europeia, época em que a classe intelectual se tornou incomumente hostil à Igreja. Eles depreciaram sistematicamente a Idade Média – aliás, é por isso que usaram a palavra “iluminismo”, pois a ideia era que, antes do “ilumininismo”, antes do formidável século XVIII, só havia miséria, atraso e ignorância estimulados pela Igreja Católica; mas então, felizmente, tínhamos intelectuais seculares para nos trazer “esclarecimento”.

Às vezes, acredito que o trabalho mais deprimento do mundo deve ser o de professor de História da Idade Média. Deve ser o trabalho mais deprimente… Imagine você, durante o dia inteiro ensinando sobre a Idade Média e dizendo: “A Idade Média não foi tão ruim! Em verdade, muitas coisas importantes aconteceram na Idade Média! A Igreja Católica tornou possível vários acontecimentos notáveis!” Leciona-se isso durante o dia inteiro; você escreve livros e artigos; você vai inclusive à televisão, ao rádio; você palestra sobre o assunto e o que acontece? Você chega em casa, liga a TV e nada do que fez surtiu efeito… Todos ainda acreditam que o Medievo foi um período de ignorância e repressão; e foi tudo culpa da Igreja Católica! É algo impossível de mudar. Deve ser muito deprimente…

Por quê? Por que são tão resistentes à verdade? Por que é tão difícil fazê-los mudar de ideia? Desde o Iluminismo, algo que se enraizou em nossa cultura e pensamento, foi a presunção de que a Igreja Católica está errada e o Secularismo, a ideia de organizar a sociedade e a vida sem referenciar a Deus, é a fonte do progresso. Assim, naturalmente, tudo que se ligue à Igreja envolve retrocesso, enquanto que se há algo que um intelectual secular nos traz, essa coisa é o progresso. Esta tem sido a lente pela qual a História tem sido vista nos últimos dois séculos.

É por isso que apenas nos últimos, digamos, 50 anos, é que vemos historiadores, enfim, desmentindo esses absurdos e dizendo: “Esperem! A Igreja não só jamais obstruiu as ciências como pode ter as promovido! Os secularistas não apenas nunca criaram, por exemplo, a Ciência Econômica, como na realidade foram padres e professores católicos que a desenvolveram séculos antes!” E por aí vai.

Mas está se levando muito tempo para refutar essa ideia em geral aceita de que a Igreja é responsável por retrocesso e ignorância. Está demorando demais… Vamos refletir sobre algumas dessas áreas em que a Igreja Católica realmente construiu a nossa Civilização.

Escolhi essa palavra conscientemente. Por que pode-se considerar a Igreja Católica sua construtora? Ora, por exemplo, considere a maneira como vemos a “caridade”, o trabalho caridoso: acreditamos que você está fazendo caridade quando ajuda alguém sem nenhuma expectativa de retribuição; quando você o faz porque é bom e porque é certo fazê-lo; você o faz porque sabe que, numa visão mais ampla, aquela pessoa desafortunada é, de algum modo, seu semelhante feito à imagem e semelhança de Deus; então você a ajuda. Você não a ajuda por esperar, três anos depois, visitá-la e dizer: “Lembra-se daqueles 50 dólares que eu te dei?”; ou visitá-la e dizer: “Preciso de votos; preciso de apoio político; me ajude”. Não fazemos isso para poder dizer ao mundo: “Ei! Vejam o quanto eu sou maravilhoso! Eu dei àquele sujeito 10 dólares!” Não fazemos caridade por essas razões; fazemos pelos motivos que já citei: motivos puramente desinteressados.

De onde veio essa ideia? Essa ideia veio da Igreja Católica. Na antiga Grécia ou Roma, se você dissesse: “Oh! Vou ajudar alguém sem nenhuma expectativa de reciprocidade; farei isso por pura bondade”, achariam você demente: “Do que você está falando?!!” Ainda pior seria a ideia de orar e até mesmo tentar ajudar os próprios inimigos: “Quê?!! Ficou louco?!!” Mas hoje admitimos isso como o ideal, como os princípios que um bom homem tenta incorporar. Mas, novamente: de onde eles vêm? Eles vêm da Igreja Católica! A Igreja ensina isso sobre a caridade; o mundo antigo, não.

Então aqui está uma área em que temos as coisas por certo (este é o modo como pensamos: temos por certo!). De onde vêm? Vêm da Igreja Católica. Direi mais da caridade em um [momento] futuro.

E quanto à ideia de “Direito”, de que tenho “direito à propriedade”, ou “direito de não ser assassinado”, por exemplo? De onde vem essa ideia? Sempre nos disseram que os secularistas no Iluminismo, ou pouco antes disto, surgiram com essa ideia no século XVII. De repente, surgiram os direitos! Bom… Isso também não é verdade. E, novamente, a investigação moderna vem para resgatar o Catolicismo. Eu sei que parece estranho… Vocês imaginam que pesquisadores modernos deveriam estar do “outro lado”, mas na verdade professores honestos, tanto católicos quanto não-católicos, dizem que a ideia de Direito remonta ao século XII e que surgiu com juristas de Direito Canônico. Essa ideia tem um significado simples: eu tenho uma certa imunidade contra uma ofensa sua, ou seja, você não pode me matar ou tomar a minha propriedade, coisas assim. O Direito é isso: que seria errado você interferir nessas áreas que são minhas. De onde vem essa ideia libertadora? Do coração da Igreja!

Ou, novamente, a Ciência Econômica… Por acaso, Adam Smith simplesmente pensou em Economia no século XVIII? Saiu tudo da cabeça dele? Ele tinha essa cabeça gigante e toda a Economia brotou dela? Não, na realidade, nos últimos 50 anos, o que os historiadores têm dito? Eles têm dito que os católicos escolásticos, professores que ensinavam principalmente em universidades espanholas e, mais especificamente, na Universidade de Salamanca, é que criaram a Ciência Econômica moderna. Foram eles os fundadores da Economia, não os secularistas do Iluminismo. Isso está sendo descoberto agora. Na parede do meu escritório tenho um retrato em moldura da Universidade de Salamanca. Muitos entrariam lá e perguntariam: “Como assim? Por que, de todas as universidades, você escolheu esta aqui?” É porque eu sei que foi lá que nasceu a Economia; e se você for um profundo interessado como eu, você amará Economia…

Finalmente, o que dizer sobre o nosso comprometimento com a razão? Não nos orgulhamos sempre da civilização ocidental por esse compromisso com o uso da razão? Que usamos a racionalidade para resolver disputas e solucionar debates? Bom, certamente! Mas de onde vem isso? Isso também vem da Igreja Católica! Por quê? Porque o sistema universitário que a Igreja estimulou encorajava o debate rigoroso e a racionalidade era tida como o maior árbitro para decidir todas as questões a se debater. Isto não é o oposto do que te contaram? Nos contaram que a Igreja Católica é inimiga da razão. Pelo contrário: nunca houve maior defensor da razão! Mas não é apenas da razão; é mais das aplicações específicas dela.

Por exemplo, as ciências em especial. As ciências, mais do que imaginamos, devem muito à Igreja. Como isso? É o oposto do que nos dizem. Mas, acreditem ou não, historiadores dos últimos 50 anos dizem que a Igreja Católica é mais e mais responsável pelas ciências. […]

Quantos dos fatos que descobrimos apenas agora são escondidos em escolas regularmente? Nem preciso perguntar. […] Eu acho este o aspecto mais deturpado e adulterado da História católica e mais usado para golpear a Igreja. Quero mostrar que isso é em grande medida feito injustamente. Digo “apenas agora”, pois na verdade nos últimos 50 anos cientistas que escrevem a História da Ciência começaram a repensar os velhos argumentos contra a Igreja, dizendo: “Querem saber? Pensando melhor, a Igreja fez coisas muito importantes!”

Há uma razão pela qual a ciência foi estabelecida e mantida por tanto tempo na civilização ocidental enquanto não o foi em outras. No fim das contas, isso não ocorre “apesar” da Igreja Católica, mas em certos aspectos “por causa” dela. Há 100 anos, tudo bem, você poderia ter lido um livro de Andrew Dickson White sobre uma lendária guerra entre Ciência e Religião no Ocidente. Hoje, esse livro é considerado praticamente uma piada entre professores; é tão ultrapassado quanto ridículo.

Hoje, há professores como Edward Grant escrevendo livros editados pela Universidade de Cambridge; Thomas Goldstein, A.C.Crombie, David Lindberg e muitos outros. E todos eles concordam que você não pode dizer simplesmente que a Igreja foi uma oponente das ciências. Pelo contrário, há aspectos do pensamento católico que foram indispensáveis para o desenvolvimento da ciência; e veremos especificamente quais foram eles. Mas, neste momento, desejo que saiba que esse velho mito está sendo derrubado por professores. Infelizmente, as descobertas desses mestres ainda não conseguiram chegar ao público mais geral; é o que tentaremos fazer nesta série [de artigos].

Deixe-me dar um exemplo de história típica sobre a Igreja Católica em que as pessoas são ensinadas a crer [nesses mitos] e então refletir por que elas acreditavam tão prontamente quando não havia nem a menor evidência para tanto. Aqui vai um exemplo que até muitos espectadores podem ter acreditado… Até eu acreditei! Não havia razão para pensar de outro modo… É a ideia de que Cristóvão Colombo, quando empregou suas famosas navegações, estava em parte tentando provar que a Terra não era plana, mas sim esférica. Todos nós já ouvimos a história habitual, que Colombo foi avisado: “Não, Colombo, não! Não navegue tão longe! Você irá cair [no abismo] na extremidade da Terra! A Terra é um grande disco plano! Você cairá da margem e será devorado por dragões e aranhas radioativas e gigantes”, algo assim… Ele foi advertido a não fazer aquilo; mesmo assim, ele fez e isso mostraria o quão valente e formidável ele era.

Veja: não duvido que Colombo era mesmo um grande navegador, mas se ele estivesse aqui hoje, lhe diria que não estava tentando provar que a Terra era redonda. Por quê? Porque todos já sabiam disso! Todos já sabiam que o planeta era uma esfera! Nenhum indivíduo instruído na Europa acreditava que a Terra era plana! Isso é um mito, um mito absurdo! Tente encontrar alguém na História do mundo cristão que acreditava nisso! Procure por eles! Se todos acreditavam, não deve ser assim tão difícil! E, apesar disso, não se consegue encontrar nenhum exemplo. Bem, quero dizer, você pode encontrar 2 exemplos de pessoas de quem você nunca ouviu falar:

1) Lactâncio, por exemplo, que viveu entre os séculos III e IV, não tinha influência alguma e, em todo caso, falava alegoricamente.

2) Outro possível crente foi uma pessoa do século VI chamado Cosmas Indicopleustes. Já ouviram falar dele? Nem eu! E nem ninguém na Europa ocidental, pois Cosmas escrevia em grego e, naquela época, poucos no Ocidente conheciam grego. São Gregório Magno, que foi Papa de 590 a 604, nem ele sabia sequer uma palavra em grego. Então dificilmente alguém poderia ter lido Cosmas; ele só foi traduzido para o latim em 1706!

Logo, qualquer um que possa ter ensinado sobre a “Terra Plana” foi ouvido por 1 ou 2 pessoas! Não tiveram influência nenhuma! A verdade é que todos entendiam que a Terra era uma esfera! O que havia era uma relutância em patrocinar a viagem de Colombo, mas não porque acreditassem que ele cairia da extremidade; o motivo para que tivessem medo era que eles pensavam que Colombo havia subestimado muito o tamanho dessa esfera… Colombo dizia: “Oh, não! Não se preocupem! A Terra não é tão grande! Só vou dar uma voltinha e volto logo! Tudo terminará bem!” Mas diziam a ele: “Não, a Terra é muito maior do que você pensa e você acabará morrendo de fome! Você vai navegar, navegar e navegar e não haverá terra alguma”. Para sorte de Colombo, uma porção de continentes “brotou” lá no meio, ao contrário das suas expectativas e para sorte dele e da sua tripulação. É por isso que não queriam que ele fosse e não porque achavam que ele ia cair da extremidade [da Terra].

Percebo que isso é tão oposto ao que lhe ensinaram, que você deve estar achando que estou inventando isso tudo, não? “É claro que acreditavam em Terra Plana”. Mas prometo a vocês que não. Existe até um livro inteiro escrito para resolver a questão que segue: se ninguém acreditava em Terra Plana, como esse mito pode ter começado? E a resposta vem em um pequeno livro escrito por um rapaz chamado Jeffrey Burton Russell; ele escreveu um livro chamado “Inventando a Terra Plana”. Ele descobriu que havia um pequenino grupo de intelectuais no século XIX que deu à luz esse mito: eles o criaram porque fazia a Igreja Católica parecer ridícula, porque no século XIX havia muito debate e disputa com a Igreja sobre Darwin e outros assuntos e a ideia era a de que se podia retratar a Igreja como sendo tão ridícula que chegou ao ponto de ensinar que a Terra era plana; então, poderiam mostrá-la como uma oponente absolutamente desprezível. Assim, inventaram essa história para colocar a Igreja sob um juízo absurdo.

Tenho certeza de que eles não tinham ideia da durabilidade desse mito, que ainda no século XXI ainda o ensinariam! Tenho certeza de que em algum lugar, neste momento, alguém é ensinado: “A Igreja idiota dizia que a Terra era plana e o bravo e heróico Colombo a desmentiu”. Isso nunca tem fim… Mas por que não tem? Por que possui tanta durabilidade? A razão é que o mito serve bem a este estereótipo iluminista: “A Igreja Católica é estúpida; ela impede o progresso; ela nos força a acreditar em asneiras”. É precisamente o que vemos no mito da Terra Plana, não? Quem acreditaria que a Terra era plana? Os antigos gregos até mediram a circunferência da Terra! Obviamente sabiam que era redonda! Como é que a Igreja pensou diferente?

Aqui está um bom exemplo de que o mito pode ser facilmente derrubado, mas ele não foi porque serve a um propósito. Tentasse você inventar um mito agora, sobre qualquer pessoa famosa que pudesse pensar, e dissesse que Fulano e Sicrano acreditavam em tal e qual coisa, duraria uns três segundos! Contudo, as pessoas crêem naquilo em que estão preparadas para crer; e as pessoas estão preparadas para crer no pior sobre a Igreja Católica.

O objetivo desta série [de artigos] […] é ir atrás não apenas desses pequenos mitos, mas construir um edifício para mostrar as glórias da Igreja Católica; não apenas para dizer: “Oh, a Igreja, na verdade, não fez isso; a Igreja não foi tão má nessa questão”. Não iremos avançar se a nossa mensagem for: “A Igreja Católica: não tão má quanto você pensava”. Precisamos de algo mais vigoroso; mais vigor em nossa mensagem. Precisamos dizer: “Não apenas a Igreja Católica não é tão má quanto você pensava, como não ensinava que a Terra era plana”. Não dá para vencer só correndo para apagar os incêndios; ninguém jamais construiu um casa só apagando o fogo! Incêndios devem ser apagados, é verdade, mas achamos que não dá para construir se só fazemos isso. Se sempre deixarmos que os oponentes da Igreja definam o debate, então sempre ficaremos na defensiva. Parece-me que, dado o estado da nossa Civilização, já é tempo de partir para a ofensiva e mostrar às pessoas todas as glórias da Igreja, mostrar toda essa história oculta, para que não precisemos dizer: “Oh, não somos tão maus quanto vocês pensam”.

Somos muito mais gloriosos do que nós mesmos imaginamos! E estaremos contra, francamente, pessoas muitíssimo influentes neste mundo…

Tenho certeza de que vocês se recordam que a Constituição da União Europeia exclui toda menção à influência cristã na Civilização Ocidental. Quão teimoso você precisaria ser, para cercado por catedrais e obras religiosas, e dos frutos que a Igreja nos deu; quão cego você teria de ser para não mencionar que a Igreja teve algum papel na criação dessa Civilização? A Constituição da União Europeia inicia e termina com a ideia de qual “Civilização Ocidental”? “Isso aí vem da Antiguidade Greco-Romana e, depois, da Renascença e do Iluminismo”. E aquele período de cerca de 1000 anos entre essas coisas, sei lá o que ocorreu! Provavelmente nada demais…

Essa é a concepção padrão, a mesma que muitos tinham até uns 50 ou 100 anos atrás. Hoje, qualquer historiador de Idade Média digno do seu salário sabe que isso tudo são asneiras e as rejeitaria com uma gargalhada. Mas os arquitetos da União Europeia excluem a menção à Igreja ou a Cristo em seu documento de fundação. Não é que sejam idiotas – se fosse isso, seria simples: apresentaríamos os fatos e tudo estaria bem -, é que eles são hostis à Igreja. Nada mais óbvio. Veja o que fazem na União Europeia! Por acaso eles se parecem com católicos devotos? Eles não têm interesse em propagar a verdade sobre a Igreja e é por isso que nós, católicos, temos uma obrigação especial: temos de aprender tudo o que pudermos sobre a nossa Fé, temos de espalhar esse conhecimento e temos de contar às pessoas a verdadeira História da Igreja Católica, porque se não nos defendermos, ninguém o fará por nós!

Escrevi um livro chamado “Como a Igreja Católica construiu a Civilização Ocidental”, porque achei que já fosse tempo de contar a nossa História. É o que farei nos próximos [artigos]: contar a nossa História. Os próximos 3 [artigos] serão dedicados ao tema “Igreja e Ciência” e vocês terão tanta munição que não saberão o que fazer com ela depois de concluirmos esses próximos [artigos]…

Vocês sabiam, por exemplo, que os Jesuítas – a Companhia de Jesus – foram tão exímios nas ciências que, neste exato momento, 35 crateras lunares têm o nome de cientistas jesuítas? Sabiam que 1 entre cada 20 dos maiores matemáticos da História fazia parte da Companhia de Jesus? Ou que os Jesuítas ajudaram a fundar e se tornaram os maiores praticantes do estudo de terremotos, a Sismologia?

E poderíamos citar tantos outros exemplos: teoria atômica; estudo do Antigo Egito; física; e eu poderia aqui continuar citando… Há muitas maneiras pelas quais a Igreja contribuiu com as ciências! Então, até o próximo [artigo] da série: “A Igreja Católica: Construtora da Civilização”.

VOCÊ SABIA?

  1. Que a Igreja Católica Romana forneceu mais ajuda e apoio financeiro ao estudo da Astronomia, por mais de seis séculos – da recuperação do saber antigo da Baixa Idade Média ao Iluminismo -, do que qualquer outra e, provavelmente, todas as outras instituições? (J.L.Heilbron – Universidade da Califórnia, em Berkeley).

  2. Que a Igreja Católica teve de empreender a tarefa de introduzir a lei do Evangelho e o Sermão da Montanha entre os povos bárbaros que tinham o homicídio como a mais honrosa ocupação e a vingança como sinônimo de justiça? (Christopher Dawson).

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“No décimo quinto ano do reinado de Tibério César, sendo Pôncio Pilatos governador da Judéia, Herodes tetrarca da Galiléia, seu irmão Filipe tetrarca da região da Ituréia e Traconites, e Lisânias tetrarca de Abilene…” (Lc 3,1)

Algumas pessoas afirmam que Jesus Cristo nunca existiu. Alegam que a vida de Jesus e os evangelhos são mitos criados pela Igreja. Essa lamentável afirmação se baseia, principalmente, na crença de que não existem registros históricos de Jesus.

Tal carência de registros seculares (isto é, não ligados à esfera religiosa) não deve surpreender os cristãos de hoje. Primeiro, porque apenas uma pequena fração dos registros escritos sobreviveram ao tempo (nada, nada, são 20 séculos!). Segundo, porque existiam poucos – se é que de fato realmente existiam – “jornalistas” na Palestina do tempo de Jesus. Terceiro, porque os romanos viam o povo judeu como apenas mais um dos grupos étnicas que precisavam tolerar; os romanos tinham pouquíssima consideração para com o povo judeu. Finalmente, porque os líderes judeus também anseiavam esquecer Jesus. Assim, os escritores seculares somente começaram a se referir sobre o Cristianismo quando este movimento religioso tornou-se popular e começou a incomodar o estilo de vida que tinham.

Ainda que os testemunhos seculares sobre Jesus sejam raros, existem alguns poucos que sobreviveram ao tempo e faz referências a Ele. Não é de se surpreender que os registros não cristãos mais antigos tenham sido feitos por judeus. Flávio Josefo, que viveu até 98 dC, era um historiador judeu romanizado. Ele escreveu livros sobre a História dos Judeus para o povo romano. Em seu livro, “Antiguidades Judaicas”, ele faz algumas referências a Jesus. Em uma delas, ele escreve:

“Por esse tempo apareceu Jesus, um homem sábio, que praticou boas obras e cujas virtudes eram reconhecidas. Muitos judeis e pessoas de outras nações tornaram-se seus discípulos. Pilatos o condenou a ser crucificado e morto. Porém, aqueles que se tornaram seus discípulos pregaram sua doutrina. Eles afirmam que Jesus apareceu a eles três dias após a sua crucificação e que está vivo. Talvez ele fosse o Messias previsto pelos maravilhosos prognósticos dos profetas”(Josefo, “Antiguidades Judaicas” XVIII,3,2).

Muito embora diversas formas deste texto em particular tenham sobrevivido nestes vinte séculos, todas elas concordam com a versão citada acima. Tal versão é considerada a mais próxima do original – reduzindo as suspeitas de adulteração do texto por mãos cristãs. Em outros lugares de sua obra, Josefo também registra a execução de São João Batista (XVIII,5,2) e o martírio de São Tiago o Justo (XX,9,1), referindo-se a este como “o irmão de Jesus que era chamado Cristo”. Deve-se notar que o emprego do verbo “ser” no passado, na expressão “Jesus que ERA chamado Cristo” testemunha contra uma possível adulteração cristã já que um cristão certamente escreveria “Jesus que É chamado Cristo”.

Uma outra fonte judaica, o Talmude, faz algumas referência históricas a Jesus. De acordo com o Dicionário da American Heritage, o Talmude é “a coleção de antigos escritos rabínicos que consiste da Mishná e da Gemara, e que constitui a base da autoridade religiosa para o Judaísmo tradicional”. Ainda que não faça referência explícita ao nome de Jesus, os rabinos identificam a pessoa em questão com Jesus. Essas referências a Jesus não são simpáticas nem a Ele nem à sua Igreja. Esses escritos também foram preservados através dos séculos pelos judeus, de maneira que os cristão não podem ser acusados de terem adulterado o texto.

O Talmude registra os milagres de Jesus; não é feita nenhuma tentativa de negá-los, mas relaciona-os como frutos de artes mágicas do Egito. Também sua crucificação é datada como tendo “ocorrido na véspera da Festa da Páscoa”, em concordância com os evangelhos (Luc 22,1ss; Jo 19,31ss). Também de forma semelhante ao evangelho (Mat 27,51), o Talmude registra a ocorrência do terremoto e o véu do templo que se dividiu em dois durante a morte de Jesus. Josefo, em sua obra “A Guerra Judaica” também confirma esses eventos.

No início do séc. II, os romanos começaram a escrever sobre os cristãos e Jesus. Plínio o Moço, procônsul na Ásia Menor, em 111 dC escreveu em uma carta dirigida ao imperador Trajano:

“…[os cristãos] têm como hábito reunir-se em uma dia fixo, antes do nascer do sol, e dirigir palavras a Cristo como se este fosse um deus; eles mesmos fazem um juramento, de não cometer qualquer crime, nem cometer roubo ou saque, ou adultério, nem quebrar sua palavra, e nem negar um depósito quando exigido. Após fazerem isto, despedem-se e se encontram novamente para a refeição…”(Plínio, Epístola 97).

Uma atenção especial deve ser dada à frase “a Cristo como se este fosse um deus”; trata-se de um testemunho secular primitivo atestando a crença na divindade de Cristo (Jo 20,28; Fil 2,6). Também é interessante comparar esta passagem com At 20,7-11, que é uma narração bíblica sobre a primitiva celebração cristã do domingo.Um outro historiador romano, Tácito, respeitado pelos modernos pesquisadores por causa de sua precisão histórica, escreveu em 115 dC sobre Cristo e sua Igreja:

“O fundador da seita foi Crestus, executado no tempo de Tibério pelo procurador Pôncio Pilatos. Essa superstição perniciosa, controlada por certo tempo, brotou novamente, não apenas em toda a Judéia… mas também em toda a cidade de Roma…”(Tácito, “Anais” XV,44).

Mesmo desprezando a fé cristã, Tácito tratou a execução de Cristo como fato histórico, fazendo relação com eventos e líderes romanos (cf. Luc 3,1ss).

Outros testemunhos seculares ao Jesus histórico incluem Suetônio em sua “Biografia de Cláudio”, Phlegan (que registrou o eclipse do sol durante a morte de Jesus) e até mesmo Celso, um filósofo pagão. Precisamos manter em mente que a maioria dessas fontes não eram apenas seculares mas também anti-cristãs. Esses autores seculares, inclusive os escritores judeus, não desejavam ou intencionavam promover o Cristianismo. Eles não tinham motivação alguma para distorcer seus registros em favor do Cristianismo. Plínio realmente punia os cristãos pela sua fé. Se Jesus fosse um simples mito ou sua execução uma mentira, Tácito teria relatado tal fato; certamente, ele não teria ligado a execução de Jesus com líderes romanos. Esses escritos, portanto, apresentam Jesus como um personagem real e histórico. Negar a confiabilidade dessas fontes que citam Jesus seria negar todo o resto da história antiga.

Não é intenção deste artigo provar que esses antigos escritos seculares testemunham que Jesus seja o Filho de Deus ou o Cristo. Porém, esses registros mostram que um homem virtuoso chamado Jesus viveu nesta Terra no início do séc. I dC e fundou um movimento religioso que perdura até os nossos dias. Esse Homem foi chamado de Cristo – o Messias. Os cristãos do primeiro século também O consideravam como Deus. Por fim, esses escritos suportam outros fatos encontrados na Bíblia a respeito da vida de Jesus. Logo, afirmar que Jesus nunca existiu e que sua vida é um mero mito compromete a confiabilidade de toda a história antiga.

Fonte: Veritatis Splendor Tradução: Carlos Martins Nabeto

 
 
 

“Farás também dois querubins de ouro; de ouro batido os farás, nas duas extremidades do propiciatório.” (Ex 25,18)

Muitas vezes andando nas ruas encontramos pessoas vestidas com ternos e com uma Bíblia na mão, ensinando que usar imagens em igrejas é idolatria.

Por este motivo costumam chamar os católicos de idólatras, isto é, adoradores de ídolos, que quer dizer adoradores de falsos deuses. E ainda acusam a Igreja Católica de ensinar a adoração destas imagens.

Os protestantes encaram o uso das imagens sacras como um insulto ao mandamento divino que consta em Ex 20,4 que proíbe a confecção delas.

A Igreja Católica sempre defendeu o uso das imagens. Estaria a Igreja Católica desobedecendo a ordem divina em Ex 20,4?

A Igreja Católica é a única Igreja que tem ligação direta com os apóstolos de Cristo, sendo ela a guardiã da doutrina ensinada por eles e por Cristo, sem lhe inculcar qualquer mudança. Se ela quisesse mesmo agir contra a ordem divina, teria adulterado a Bíblia nas passagens em que há a condenação das imagens.

Na Bíblia católica – pois a Bíblia protestante não contém sete livros relativos ao Velho Testamento- o Livro da Sabedoria condena como nenhum outro a idolatria (Sb 13-15). Não poderia a Igreja repudiar o livro como fizeram os protestantes?

Na Sagrada Escritura há outras passagens que condenam a confecção de imagens como por exemplo: Lv 26,1; Dt 7,25; Sl 97,7 e etc. Mas também há outras passagens que defendem sua confecção como: Ex 25,17-22; 37,7-9; 41,18; Nm 21,8-9; 1Rs 6,23-29.32; 7,26-29.36; 8,7; 1Cr 28,18-19; 2Cr 3,7,10-14; 5,8; 1Sm 4,4 e etc.

Pode Deus infinitamente perfeito entrar em contradição consigo mesmo? É claro que não. E como podemos explicar esta aparente contradição na Bíblia?

Isto é muito simples de ser explicado. Deus condena a idolatria e não a confecção de imagens. Quando o objetivo da imagem é representar, ou ser um ídolo que vai roubar a adoração devida a somente a Deus, ela é abominável. Porém quando é utilizada ao serviço de Deus, no auxílio à adoração a Deus, ela é uma benção. Vejamos os textos abaixo:

“Não farás para ti imagem de escultura, nem alguma semelhança do que há em cima nos céus, nem embaixo da terra, nem nas àguas debaixo da terra. Não te encurvarás a elas nem as servirás; porque Eu, o Senhor teu Deus, sou zeloso, que visito a maldade dos pais nos filhos até a terceira geração daqueles que me aborrecem.”(Ex 20,4-5)

Note que nesta passagem a função da imagem é roubar a adoração devida somente a Deus. O texto bíblico condena a confecção da imagem porque ela está roubando o culto de adoração ao Senhor. A existência deste mandamento se deve pelo fato do povo judeu ser inclinado à idolatria, por ter vivido no Egito que era uma nação idólatra e por estar cercado de nações pagãs, que não adoravam a Deus, e que construíam seus próprios deuses. Deus quer dizer aqui “não construam deuses para vocês, pois Eu Sou o Deus Único e Verdadeiro”.

“Farás também dois querubins de ouro; de ouro batido os farás, nas duas extremidades do propiciatório. Farás um querubin na extremidade de uma parte, e outro querubin na extremidade de outra parte; de uma só peça com o propiciatório fareis os querubins nas duas extremidades dele.” (Ex 25,18-19)

Neste versículo, Deus ordena a Moisés que construa duas imagens de querubins que serão colocadas em cima da arca-da-aliança, onde estavam as tábuas da lei, dos dez mandamentos. Veja que os querubins aqui não são objetos de adoração, mas de ornamentação da arca. Salomão também manda construir dois querubins de madeira, que serão colocados no altar para enfeitar o templo (1Rs 6,23-29).

Para deixar mais claro ainda a proibição e a permissão do uso das imagens sacras, vejamos os próximos versículos:

“E disse o Senhor a Moisés: Faze uma serpente ardente e põe-na sobre uma haste; e será que viverá todo mordido que olhar para ela. E Moisés fez uma serpente de metal e pô-la sobre uma haste; e era que, mordendo alguma serpente a alguém, olhava para a serpente de metal e ficava vivo.” (Nm 21,8-9)

“Este [Ezequias] tirou os altos, e quebrou as estátuas, e deitou abaixo os bosques e fez em pedaços a serpente de metal que Moisés fizera, porquanto até aquele dia os filhos de Israel lhe queimavam incenso e lhe chamavam Neustã.”(2Rs 18,4)

Note que no primeiro texto de Nm 21,8-9, Deus não só permitiu o uso da imagem, como também a utiliza para o seu serviço; e a transforma em objeto de benção para seu povo, sinal de Seu amor por Israel.

E no segundo texto de 2Rs 18,4 a mesma serpente de metal que outrora foi construída por Moisés, é repudiada por Deus. Tornou-se objeto de adoração pois “os filhos de Israel lhe queimavam insenso”. Deram a ela o culto devido somente a Deus. A Serpente de metal perdeu como nos mostra o texto, o seu sentido original, porque os filhos de Israel “não obedeceram à voz do Senhor, seu Deus; antes, tranpassaram seu concerto; e tudo quanto Moisés, servo do Senhor, tinha ordenado, nem o ouviram nem o fizeram.”(2Rs 18,12)

Aí fica mais que claro que Deus não condena o uso das imagens sacras e sim a idolatria. É importante lembrarmos que há muitas outras formas de idolatria, como o amor ao dinheiro, aos bens materias, etc; que substituem o amor que devemos ter somente por Deus.

Autor: Alessandro Ricardo Lima Fonte: Veritatis Splendor

 
 
 
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