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Primeira pregação da Quaresma ao Papa e à Cúria

CIDADE DO VATICANO, sexta-feira, 9 de março de 2007 (ZENIT.org).- «Bem-aventurados os puros de coração, porque verão Deus — As bem-aventuranças evangélicas» é o tema da primeira pregação da Quaresma que, ante Bento XVI e a Cúria, pronunciou nesta sexta-feira o Pe. Raniero Cantalamessa O.F.M. Cap, pregador da Casa Pontifícia.

Oferecemos na íntegra o texto da pregação.

* * *

Pe. Raniero Cantalamessa

“BEM-AVENTURADOS OS PUROS DE CORAÇÃO, PORQUE VERÃO A DEUS” Primeira pregação da Quaresma

1.Da pureza ritual à pureza de coração

Continuando com a nossa reflexão sobre as bem-aventuranças evangélicas iniciada no Advento, nesta primeira meditação de Quaresma queremos refletir sobre a bem-aventurança dos limpos de coração. Qualquer um que lê ou ouve proclamar hoje: «Bem-aventurados os puros de coração, porque verão Deus», pensa instintivamente na virtude da pureza, a bem-aventurança é quase o equivalente positivo e interiorizado do sexto mandamento: «Não cometerás atos impuros». Esta interpretação, proposta esporadicamente no curso da história da espiritualidade cristã, se fez predominante a partir do século XIX.

Na verdade, a pureza de coração não indica, no pensamento de Cristo, uma virtude particular, mas uma qualidade que deve acompanhar todas as virtudes, a fim de que elas sejam de verdade virtudes e não, ao contrário, «esplêndidos vícios». Seu contrário mais direto não é a impureza, mas a hipocrisia. Um pouco de exegese e de história nos ajudará a compreender melhor.

O que Jesus entende por «pureza de coração» se deduz claramente do contexto do Sermão da Montanha. Segundo o Evangelho, o que decide a pureza ou impureza de uma ação — seja esta a esmola, o jejum ou a oração — é a intenção: isto é, se realizada para ser vistos pelos homens ou por agradar a Deus:

«Quando dês esmola, não vai tocando trompete adiante como fazem os hipócritas nas sinagogas e pelas ruas, com o fim de ser honrado pelos homens; em verdade vos digo que já recebem seu pagamento. Tu, ao contrário, quando dês esmola, que não saiba tua mão esquerda o que faz tua direita, assim tua esmola ficará em segredo; e teu Pai, que vê no segredo, te recompensará.» (Mt 6, 2-6)

A hipocrisia é o pecado denunciado com mais força por Deus ao longo de toda a Bíblia e o motivo é claro. Com ela o homem rebaixa Deus, coloca-o no segundo lugar, situando no primeiro as criaturas, o público. «O homem olha a aparência, o Senhor vê o coração» (1 Salmo 16, 7): cultivar a aparência mais que o coração significa dar mais importância ao homem que a Deus.

A hipocrisia é, portanto, essencialmente, falta de fé; mas é também falta de caridade para com o próximo, no sentido de que tende a reduzir as pessoas a admiradores. Não lhes reconhece uma dignidade própria, mas as vê só em função da própria imagem.

O juízo de Cristo sobre a hipocrisia não tem volta de folha: Receperunt mercedem suam: já receberam sua recompensa! Uma recompensa, também, ilusória até no plano humano, porque a glória, sabemos, foge de quem a segue e segue a quem foge dela.

Ajudam a entender o sentido da bem-aventurança dos limpos de coração também as palavras que Jesus pronuncia com relação aos escribas e fariseus, todas centradas na oposição entre «o de dentro» e «o de fora», o interior e o exterior do homem:

«Ai de vós, escribas e fariseus hipócritas, pois sois semelhantes a sepulcros caiados, que por fora parecem bonitos mas por dentro estão cheios de ossos de mortos e de toda imundice! Assim também vós, por fora pareceis justos ante os homens, mas por dentro estais cheios de hipocrisia e iniqüidade» (Mt 23, 27-28).

A revolução levada a cabo neste campo por Jesus é de um alcance incalculável. Antes d’Ele, exceto alguma rara alusão nos profetas e nos salmos (Salmo 24, 3: «Quem subirá ao monte do Senhor? Quem tem mãos inocentes e coração puro»), a pureza se entendia em sentido ritual e cultural; consistia em manter-se afastado de coisas, animais, pessoas ou lugares considerados capazes de contagiar negativamente e de separar da santidade de Deus. Sobretudo aquilo que está ligado ao nascimento, à morte, à alimentação e à sexualidade entra neste âmbito. Em formas ou com pressupostos diferentes, o mesmo ocorria em outras religiões, fora da Bíblia.

Jesus elimina todos estes tabus. Antes de tudo, com os gestos que realiza: come com os pecadores, toca aos leprosos, freqüenta os pagãos: todas coisas consideradas altamente contaminadoras: depois, com os ensinamentos que ministra. A solenidade com a qual introduz seu discurso sobre o puro e o impuro permite entender quão consciente Ele era mesmo da novidade de seu ensinamento.

«Chamou outra vez as pessoas e lhes disse: ‘Ouvi-me todos e entendei. Nada há fora do homem que, entrando nele, possa contaminá-lo; mas o que sai do homem, isso é o que contamina o homem… Porque de dentro do coração dos homens saem as intenções más: fornicações, roubos, assassinatos, adultérios, avarezas, maldades, fraude, libertinagem, inveja, injúria, insolência, insensatez. Todas estas perversidades saem de dentro e contaminam o homem”» (Mc 7, 14-15. 21-23).

«Assim declarava puros todos os alimentos», observa quase com estupor o evangelista (Mc 7, 19). Contra a tentativa de alguns judeu-cristãos de restabelecer a distinção entre puro e impuro nos alimentos e em outros setores da vida, a Igreja apostólica afirmará com força: «Tudo é puro para quem é puro», omnia munda mundis (Tt 1, 15; Rm 14, 20).

A pureza, entendida no sentido de continência e castidade, não está ausente da bem-aventurança evangélica (entre as coisas que contaminam o coração Jesus situa também, ouvimos, «fornicações, adultérios, libertinagem»); mas ocupa um posto limitado e por assim dizer «secundário». É um âmbito junto a outros nos quais se põe de relevância o lugar decisivo que ocupa o «coração», como quando diz que «quem olha a uma mulher com desejo, já cometeu adultério com ela em seu coração» (Mt 5, 28).

Na realidade, os termos «puro» e «pureza» (katharos, katharotes) nunca se utilizam no Novo Testamento para indicar o que com eles entendemos nós hoje, isto é, a ausência de pecados da carne. Para isso se usam outros termos domínio de si (enkrateia), temperança (sophrosyne), castidade (hagneia).

Por quanto se disse, parece claro que o puro de coração por excelência é o próprio Jesus. D’Ele seus próprios adversários se vêem obrigados a dizer: «Sabemos que és veraz e que não te importas por ninguém, porque não olhas a condição das pessoas, mas ensinas com franqueza o caminho de Deus» (Mc 12, 14). Jesus podia dizer de si: «Eu não busco minha glória» (Jo 8, 50).

2. Um olhar à história

Na exegese dos Padres, vemos delinear-se logo as três direções fundamentais nas quais a bem-aventurança dos puros de coração será recebida e interpretada na história da espiritualidade cristã: a moral, a mística e a ascética. A interpretação moral põe o acento na retidão de intenção, a interpretação mística, na visão de Deus, a ascética, na luta contra as paixões da carne. Nós as vemos exemplificadas, respectivamente, em Agostinho, Gregório de Nisa e João Crisóstomo.

Atendendo-se fielmente ao contexto evangélico, Agostinho interpreta a bem-aventurança em chave moral, como rejeição a «praticar a justiça ante os homens para ser por eles admirados» (Mt 6, 1), portanto como simplicidade e fraqueza que se opõe à hipocrisia «Tem o coração simples, puro — escreve — só quem supera os louvores humanos e ao viver está atento e busca ser agradável só àquele que é o único que escruta a consciência» [1].

O fator que decide a pureza ou não do coração é aqui a intenção. «Todas as nossas ações são honestas e agradáveis na presença de Deus se as realizamos com o coração sincero, ou seja, com a intenção voltada para o alto na finalidade do amor… Portanto, não se deve considerar tanto a ação que se realiza, quanto a intenção com que se realiza» [2]. Este modelo interpretativo que fala sobre a intenção permanecerá ativo em toda a tradição espiritual posterior, especialmente inaciana [3].

A interpretação mística, que tem em Gregório de Nisa seu iniciador, explica a bem-aventurança em função da contemplação. É preciso purificar o próprio coração de todo vínculo com o mundo e com o mal; deste modo, o coração do homem voltará a ser aquela pura e límpida imagem de Deus que era o princípio e na própria alma, como em um espelho, a criatura poderá «ver Deus». «Se, com um teor de vida diligente e atenta, lavas as fealdades que se depositaram em teu coração, resplandecerá em ti a divina beleza… Contemplando-te a ti mesmo, verás em ti àquele que é o desejo de teu coração e serás santo» [4].

Aqui o peso está todo na apódose, no fruto prometido à bem-aventurança; ter o coração limpo é o meio; o fim é «ver Deus». Nota-se, no contexto da linguagem, uma influência da especulação de Plotino, que se faz ainda mais descoberta em São Basílio [5].

Também esta linha interpretativa terá continuidade em toda a história sucessiva da espiritualidade cristã que passa por São Bernardo, São Boaventura e os místicos renanos [6]. Em alguns ambientes monásticos se acrescenta, no entanto, uma idéia nova e interessante: a da pureza como unificação interior que se obtém desejando uma coisa só, quando esta «coisa» é Deus. Escreve São Bernardo: «Bem-aventurados os puros de coração porque verão Deus. Como se dissesse: purifica o coração, separa-te de tudo, sê monge, só, busca uma coisa só do Senhor e persegue-a (Salmo 27, 4), liberta-te de tudo e verás Deus (Salmo 46, 11)» [7].

Bastante isolada está, no entanto, nos Padres e nos autores medievais, a interpretação ascética em função da castidade que se converterá em predominante, dizia, desde o século XIX em diante. Crisóstomo dá o exemplo mais claro [8]. Situando-se nesta mesma linha, o místico Ruusbroec distingue uma castidade do espírito, uma castidade do coração e uma castidade do corpo. A bem-aventurança evangélica se refere à castidade do coração. Ela — escreve — «mantém reunidos e reforça os sentidos externos, enquanto, no interior, freia e domina os instintos brutais… Fecha o coração às coisas terrenas e às ilusões falazes, enquanto que o abre às coisas celestiais e à verdade» [9].

Com graus diversos de fidelidade, todas estas interpretações ortodoxas permanecem dentro do horizonte novo da revolução aperada por Jesus, que reconduz todo discurso moral ao coração. Paradoxalmente, os que traíram a bem-aventurança evangélica dos puros (katharoi) de coração são precisamente os que tomaram o nome dela: os cátaros com todos os movimentos afins que lhes precederam e seguiram na história do cristianismo. Estes caem na categoria dos que fazem a pureza consistir em estar separados, ritual e socialmente, de pessoas e coisas julgadas em si mesmas impuras, em uma pureza mais exterior que interior. São os herdeiros do radicalismo sectário dos fariseus e dos essênios, mais que do Evangelho de Cristo.

3. A hipocrisia leiga

Freqüentemente se destaca o alcance social e cultural de algumas bem-aventuranças. Não é estranho ler «Bem-aventurados os que trabalham pela paz» nos cartazes que acompanham as manifestações dos pacifistas, e a bem-aventurança dos mansos que possuirão a terra é justamente invocada a favor do princípio da não-violência, isso sem falar depois da bem-aventurança dos pobres e dos perseguidos pela justiça. No entanto, jamais se fala da relevância social da bem-aventurança dos puros de coração, que parece estar reservada exclusivamente ao âmbito pessoal. Estou certo, no entanto, de que esta bem-aventurança pode exercer hoje uma função crítica entre as mais necessárias em nossa sociedade.

Vimos que no pensamento de Cristo, a pureza de coração não se opõe primariamente à impureza, mas à hipocrisia, e a hipocrisia é o vício humano talvez mais difundido e menos confessado. Existem hipocrisias individuais e hipocrisias coletivas.

O homem — escreveu Pascal — tem duas vidas: uma é a vida autêntica, a outra é a vida imaginária que vive na opinião, sua ou das pessoas. Trabalhamos sem descanso para enfeitar e conservar nosso ser imaginário e descuidamos o verdadeiro. Se possuímos alguma virtude ou mérito, corremos para dá-lo a conhecer, de uma forma ou de outra, para enriquecer de tal virtude o nosso ser imaginário, dispostos até a tirá-lo de nós, para acrescentar algo a ele, até consentir, às vezes, em ser covardes, com tal de parecer valentes e dar até a vida, para que as pessoas falem disso [10].

A tendência evidenciada por Pascal cresceu enormemente na cultura atual, dominada pelos meios de comunicação massivos, cinema, televisão e mundo do espetáculo em geral. Descartes disse: «Cogito, ergo sum», penso, logo existo; mas hoje se tende a substituí-lo com «aparento, logo existo».

Originariamente, o termo «hipocrisia» estava reservado à arte teatral. Significava simplesmente recitar, representar no cenário. Santo Agostinho o recorda em seu comentário sobre a bem-aventurança dos puros de coração: «os hipócritas — escreve — são agentes de ficção, do mesmo estilo dos que apresentam a personalidade de outros nas representações teatrais» [11].

A origem do termo nos dá as dicas para descobrir a natureza da hipocrisia. É fazer da vida um teatro, no qual se recita para um público; é usar uma máscara, deixar de ser pessoa e passar a ser personagem. Eu li em algum lugar esta caracterização das duas coisas: «O personagem não é senão a corrupção da pessoa. A pessoa é um rosto, o personagem, uma careta. A pessoa é a nudez radical, o personagem é todo roupagem. A pessoa ama a autenticidade e a essencialidade, o personagem vive de ficção e de artifícios. A pessoa obedece às próprias convicções, o personagem obedece a um roteiro. A pessoa é humilde e suave, o personagem é pesado e ostentoso».

Mas a ficção teatral é uma hipocrisia inocente porque mantém sempre a diferença entre o cenário e a vida. Ninguém que assiste a representação de Agamenon (é o exemplo citado por Agostinho) pensa que o ator seja de verdade Agamenon. O fato novo e inquietante de hoje é que se tende a anular também esta distância, transformando a própria vida em um espetáculo. É o que pretendem os chamados «reality show» que inundam já redes televisivas de todo o mundo.

Segundo o filósofo francês Jean Baudrillard, falecido há três dias, tornou-se difícil distinguir os acontecimentos reais (11-S, ou a guerra do Golfo) de sua representação pelos meios. Realidade e virtualidade se confundem.

O chamado à interioridade que caracteriza nossa bem-aventurança e todo o Sermão da Montanha é um convite a não se deixar enrolar por esta tendência que tende a esvaziar a pessoa, reduzindo-a a imagem, ou pior (segundo o termo usado por Baudrillard) a simulacro.

Kierkegaard evidenciou a alienação que resulta de viver de pura exterioridade, sempre e só em presença dos homens, e nunca só em presença de Deus e do próprio eu. Um pastor — observa — pode ser um «eu» frente a suas vacas, se vivendo sempre com elas não tem mais que essas com as quais medir-se. Um rei pode ser um eu de frente aos súditos e se sentirá um «eu» importante. A criança se percebe como um «eu» em relação com os pais, um cidadão ante o Estado… Mas será sempre um «eu» imperfeito, porque falta a medida. «Que realidade infinita adquire ao contrário meu «eu», quando toma consciência de existir ante Deus, convertendo-se em um «eu» humano cuja medida é Deus… Que acento infinito cai sobre o «eu» no momento em que obtém Deus como medida!».

Parece um comentário à fala de São Francisco de Assis: «O que o homem é ante Deus, isso é, e nada mais» [12].

4. A hipocrisia religiosa

A pior coisa que se pode fazer, falando de hipocrisia, é utiliza-la somente para julgar os outros, a sociedade, a cultura, o mundo. É justamente a esses a quem Jesus aplica o título de hipócritas: «Hipócrita, tira primeiro a trave do teu olho e assim verás para tirar a palha do olho do teu irmão» (Mt 7, 5).

Como crentes, devemos recordar a fala de um rabino judeu do tempo de Cristo, segundo o qual 90% da hipocrisia do mundo se encontrava então em Jerusalém [13]. O mártir Santo Inácio de Antioquia sentia a necessidade de prevenir seus irmãos na fé, escrevendo: «É melhor ser cristãos sem dizê-lo, que dizê-lo sem sê-lo».

A hipocrisia afeta sobretudo as pessoas piedosas e religiosas; o motivo é simples: onde mais forte é a estima dos valores do espírito, da piedade e da virtude (ou da ortodoxia!), aí também é mais forte a tentação de ostentá-los para não parecer que se está faltando a isso. Às vezes, é a própria função que desempenhamos o que nos empurra a fazê-lo.

«Certos compromissos do consórcio humano — escreve Santo Agostinho nas Confissões — nos obrigam a fazer-nos amar e temer pelos homens; portanto, o adversário de nossa verdadeira felicidade persegue e dissemina por todas as partes os laços do ‘Bravo, bravo’, para prender-nos por trás enquanto os recolhemos com avidez, a fim de separar nossa alegria de vossa verdade e uni-la à mentira dos homens, para fazer-nos saborear o amor e o temor não obtidos em vosso nome, mas em vosso lugar.» [15]

A hipocrisia mais perniciosa é esconder… a própria hipocrisia. Em nenhum esquema de exame de consciência eu me lembro de ter encontrado a pergunta: «Fui hipócrita? Preocupei-me pelo olhar dos homens sobre mim, mais que pelo olhar de Deus?». Em certo momento da vida, eu tive de introduzir por minha própria conta essas perguntas em meu exame de consciência, e raramente pude passar incólume à pergunta seguinte…

Um dia, a leitura do Evangelho da Missa era a parábola dos talentos. Escutando-o, entendi imediatamente uma coisa. Entre fazer render os talentos ou não, existe uma terceira possibilidade: a de colocá-los para renderem, sim, mas não por si mesmos, não pelo dono, mas pela própria glória ou pelo proveito pessoal, e isso é um pecado talvez maior que enterrá-los. Aquele dia, no momento da comunhão, tive de fazer como certos ladrões flagrados no momento do roubo, que, cheios de vergonha, esvaziam os bolsos e colocam nos pés do proprietário o que lhe haviam roubado.

Jesus nos deixou um meio simples e insuperável para retificar várias vezes no dia as nossas intenções, as primeiras três petições do Pai Nosso: «Santificado seja o vosso nome. Venha a nós o vosso Reino. Seja feita a vossa vontade». Elas podem ser recitadas como orações, mas também como declaração de intenções: tudo o que faço, quero fazê-lo para que o vosso nome seja santificado, para que venha o vosso Reino e para que vossa vontade seja feita.

Seria uma belíssima contribuição para a sociedade e para a comunidade cristã se a bem-aventurança dos puros de coração nos ajudasse a manter desperta em nós a nostalgia de um mundo limpo, verdadeiro, sincero, sem hipocrisia, nem religiosa nem leiga; um mundo em que as ações correspondessem às palavras, as palavras aos pensamentos, e os pensamentos do homem aos de Deus. Isso não acontecerá plenamente senão na Jerusalém celeste, toda de cristal, mas devemos pelo menos tender a isso.

Uma escritora de fábulas redigiu «O país de cristal». Fala de uma jovem que termina, por magia, em um país todo de cristal: casas de cristal, pássaros de cristal, árvores de cristal, pessoas que se movem como delicadas estatuetas de cristal. Apesar de tudo, ninguém ainda havia se quebrado, porque todos aprenderam a mover-se no país com delicadeza para não causar danos. As pessoas, ao encontrar-se, respondem às perguntas antes de que estas sejam formuladas, porque até os pensamentos se tornaram abertos e transparentes; ninguém já busca mentir, sabendo que todos podem ler o que se tem na cabeça [16].

Dá arrepio só de pensar o que aconteceria se isso acontecesse entre nós; mas é sadio pelo menos tender a tal ideal. É o caminho que leva à bem-aventurança que tentamos comentar: «bem-aventurados os puros de coração, porque verão Deus».

———————————————————– [1] S. Agostinho, De sermone Domini in monte, II, 1,1 (CC 35, 92) [2] Ib. II, 13, 45-46. [3] Jean-François de Reims, La vraie perfection de cette vie, 2ª parte, Paris 1651, Instr. 4, p.160 s). [4] Gregório de Nisa, De beatitudinibus, 6 (PG 44, 1272). [5] S. Basílio, Sullo Spirito Santo, IX,23; XXII,53 (PG 32, 109.168). [6] Cf. Michel Dupuy, Pureté, purification, in DSpir. 12, coll,2637-2645. [7] S. Bernardo de Claraval, Sententiae, III, 2 (S. Bernardi Opera, ed. J. Leclerq – H. M. Rochais). [8] S. João Crisóstomo, Homiliae in Mattheum, 15,4. [9] Giovanni Ruusboec, Lo splendore delle nozze spirituali, Roma, Città Nuova 1992, pp.72 s. [10] Cf. B. Pascal, Pensieri, 147 Br. [11] S. Agostinho, De sermone Domini in monte, 2,5 (CC 35, p. 95). [12] S. Francisco de Assis, Ammonizioni, 19 (Fonti Francescane, n.169). [13] Cf. Strack-Billerbeck, I, 718. [14] S. Igácio de Antioquia, Efesini 15,1 («È meglio non dire ed essere che dire e non essere»: «É melhor não dizer e ser, que dizer e não ser») y Magnesiani, 4 («Bisogna non solo dirsi cristiani, ma esserlo»: «É necessário não somente dizer-se cristãos, mas sê-lo»). [15] Cf. S. Agostinho, Confessioni, X, 36, 59. [16] Lauretta, Il bosco dei lillà, Ancora, Milão, 2° ed. 1994, pp. 90 ss.

 
 
 

Missão que Dom Comastri confia aos jovens

ROMA, segunda-feira, 6 de março de 2007 (ZENIT.org).- Ser «sinais da trilha da felicidade» no mundo foi a mensagem que o vigário geral do Santo Padre para a Cidade do Vaticano deixou aos jovens empenhados em obras de caridade, no curso de uma conferência organizada em Roma.

O arcebispo Angelo Comastri se reuniu em 1º de março com centenas de jovens presentes, no auditório do instituto das religiosas Franciscanas Missionárias do Coração Imaculado de Maria, para recordar-lhes que a fé que receberam do Senhor «é para que muita gente não se desiluda conosco, discípulos de Cristo».

Citando a Beata Teresa de Calcutá, de quem se considera filho espiritual, o prelado denunciou que se no sul do mundo as pessoas morrem por falta de pão, no norte morrem por falta de amor, «por falta de Deus».

«Vós, com vossa obra, recriais um espaço para Deus, construís pequenos presépios, onde se pode encontrar o Senhor, porque Deus se encontra só no amor», explicou.

O encontro com Deus, observou Dom Comastri, se dá «quando se sai do egoísmo». O desafio é o de «não voltar a entrar na jaula», levar adiante a opção de caridade que nos converte em «sinais da trilha da felicidade para muitos jovens que a buscam», «sinais justos» «para muitos jovens distraídos do caminho da alegria».

É o dom que enriquece, declarou, e quando se deixa de pensar em si mesmo, encontra-se a Deus.

Uma das maiores mentiras da sociedade de hoje, acrescentou o arcebispo, «é fazer os jovens acreditarem que a felicidade se encontra onde ela não está». Os jovens estão, portanto, «bravos, reagem com violência, estão desiludidos».

No entanto, a caridade é que a que produz alegria, observou: «Quem dá se enriquece, torna-se um gigante, inclusive se estiver em uma cadeira de rodas ou em uma cama. Quantos gigantes existem sem pernas e sem saúde, e quantos, com pernas e com saúde, são pessoas que estão como em uma cadeira de rodas, porque não caminham!».

O prelado, que foi colaborador da Beata Teresa de Calcutá, concluiu com um fato sobre ela. A um fotógrafo que lhe perguntava por que ela se via cheia de alegria, a beata lhe respondeu: «Meus olhos estão felizes porque minhas mãos enxugam lágrimas. Faça assim você também. Eu lhe garanto que funciona».

 
 
 

Uma das mais freqüentes acusações que nós, católicos, sofremos de nossos irmãos protestantes, é a de praticar a “idolatria”, porque, segundo eles, “adoramos” imagens. Trata-se de uma acusação absolutamente sem fundamento, que somente se explica pelo desconhecimento da Palavra de Deus. Com efeito, os protestantes falam esse tipo de coisa dos católicos, muitas vezes com violência e de modo agressivo, simplesmente porque não sabem o que é idolatria.

Idolatria não é o uso de imagens no culto divino, mas prestar a uma criatura o culto de adoração que devemos exclusivamente a Deus. É por isso que São Paulo Apóstolo nos adverte que a avareza é uma idolatria (cf. Col 3,5), uma vez que o avarento coloca o dinheiro no lugar de Deus, como o valor supremo de sua vida.

Todo o comportamento humano depende de valores: é em vista de um determinado valor que escolhemos agir de um modo ou de outro. Se, por exemplo, preferimos gastar nosso tempo dando catequese para crianças, é porque essa opção nos pareceu mais valiosa do que outras.

Assim sendo, a forma como ordenamos as nossas ações vai depender de como hierarquizamos os valores que adotamos para reger nossas vidas. Se colocamos como valor supremo o prazer da vida corporal, certamente não poderemos levar uma vida de pureza e abnegação. Todavia, a forma como hierarquizamos esses valores, em nossa subjetividade, deve coincidir com a hierarquia objetiva dos valores presente no universo. Se isto não se der, haverá uma distorção entre a forma com que vemos o mundo e o próprio mundo.

Repetindo: a nossa hierarquia subjetiva de valores deve coincidir com a ordem objetiva de valores presente no cosmos. Se não for assim, estaremos dando a certas coisas mais importância do que elas merecem, enquanto a outras não prestamos o devido valor. Isto é introduzir a desordem em nossa alma, é quebrar a harmonia que deve existir em nosso interior.

Ora, o que há de mais importante no universo é Deus, pois é Ele quem o criou e sustenta no ser. Todo o cosmos depende de Deus para existir. Logo, também em nossa hierarquia de valores, Deus deve ocupar o primeiro lugar, como valor supremo. Todos os demais valores e ideais devem submeter-se a ele. Quando colocamos outro bem, valor ou ideal no lugar que é exclusivo de Deus, destoamos da ordem do cosmos e caímos na idolatria. Afinal de contas, todo o universo canta a glória de Deus (cf. Sl 18,2). Diz o salmista: “Louve a Deus tudo o que vive e que respira, / tudo cante os louvores do Senhor!” (Sl 150,5).

Quem, portanto, não coloca a Deus como valor supremo de sua vida, não apenas nega a adoração exclusivamente a Ele devida, como também prejudica a si próprio. Por isso Deus ordenou no primeiro mandamento de sua Lei: “Eu sou o Senhor teu Deus, que te tirei da terra do Egito, da casa da escravidão. Não terás outros deuses diante de mim” (Ex 20,2-3). Do mesmo modo o Senhor Jesus, quando repeliu o demônio que o tentava, repetiu o preceito: “Adorarás o Senhor teu Deus, e só a Ele servirás” (Mt 4,10).

Todavia, se devemos adorar somente a Deus, isso não significa que não devemos honrar e invocar seus santos e anjos. O mesmo Deus que ordenou que adorássemos só a Deus, também mandou honrar os pais (cf Ex 20,12), as autoridades públicas (cf. Rom 13) os nossos superiores e as pessoas mais idosas. Prestar honra a essas pessoas, simples criaturas, em nada prejudica a adoração devida exclusivamente ao Criador.

Se devemos honrar os governantes deste mundo, quanto mais os anjos, de cujo ministério Deus se serve para governar não só a Igreja, como também todas as coisas criadas. Foi por isso que Abraão prostrou-se diante dos três anjos que lhe apareceram em forma humana, para anunciar o nascimento de seu filho Isaac (cf. Gen 18,2).

Ensina a Igreja e a Sagrada Escritura que desde o início até a morte a vida humana é cercada pela proteção e intercessão do anjo da guarda: “Eis que eu enviarei o meu anjo, que vá adiante de ti, e te guarde pelo caminho” (Ex 23,20). Pela invisível assistência dos anjos, somos quotidianamente preservados dos maiores perigos, tanto da alma como do corpo. Com a maior boa vontade, patrocinam a nossa salvação e oferecem a Deus as nossas orações e nossas lágrimas. O Senhor Jesus advertiu que não se devia dar escândalo aos pequeninos, porque “seus anjos nos céus vêem incessantemente a face de seu Pai, que está nos céus” (cf. Mt 18,10). Se os anjos contemplam a Deus sem cessar, por que não seriam merecedores de grande honra?

Também o culto aos santos, longe de diminuir a glória de Deus, lhe dá o maior incremento possível. Canta a Virgem Maria no Magníficat que “o Poderoso fez em mim maravilhas” (Lc 1,49). Quando honramos retamente um santo, proclamamos as maravilhas que a graça de Deus operou na vida dele. Como se diz no Prefácio dos Santos, “na assembléia dos santos vós sois glorificado e, coroando seus méritos, exaltai vossos próprios dons”. A santidade que veneramos nos homens santos é dom do único Santo. Honrando os santos, glorificamos a Deus que os santificou.

Deus é um Pai amoroso, a quem muito agrada ver seus filhos intercedendo uns pelos outros. Ademais, quis associar suas criaturas na obtenção e distribuição de suas graças. Muitas coisas Deus não as concede, se não houver a intervenção de um intercessor. Para que os amigos de Jó fossem perdoados, por exemplo, foi necessária a sua intercessão: “O meu servo Jó orará por vós; admitirei propício a sua intercessão para que se não vos impute esta estultícia, porque vós não falastes de mim o que era reto” (Jó 42,8). Também não é sinal de falta de fé em Deus, recorrermos à intercessão dos santos em nossas orações. O centurião, por exemplo, recorreu à intercessão dos anciãos dos judeus (cf. Lc 7,3) para que Jesus curasse seu servo, mas nem por isso o Senhor deixou de enaltecer sua fé com os maiores elogios: “Em verdade vos digo que não encontrei tanta fé em Israel” (Lc 7,9).

É verdade que temos um único Mediador na pessoa de Jesus Cristo Nosso Senhor. Só Ele nos reconciliou com o Pai pelo oferecimento de seu precioso sangue, entrando uma só vez no Santo dos Santos, consumou uma Redenção eterna (cf. Hebr 9,11-12) e não cessa de interceder por nós (cf. Hebr 7,25). Todavia, o fato de termos um único Mediador de Redenção, não significa que não podemos ter junto dele outros mediadores de intercessão. Se recorrer à intercessão dos santos prejudicasse a glória devida unicamente a Cristo Mediador, o Apóstolo Paulo não pediria, com tanta insistência, que seus irmãos rezassem por ele: “Rogo-vos, pois, irmãos, por Nosso Senhor Jesus Cristo e pela caridade do Espírito Santo, que me ajudeis com as vossas orações por mim a Deus” (Rom 15,30). “Se vós nos ajudardes também, orando por nós…” (2Cor 1,11). Se as orações dos que vivem nesta terra são úteis e eficazes para que sejamos ouvidos por Deus, quem dirá as orações daqueles que já estão em glória, contemplando a Deus face a face.

No livro dos Atos dos Apóstolos, conta-se que “Deus fazia milagres não vulgares por mão de Paulo, de tal modo que até, sendo aplicados aos enfermos os lenços e aventais que tinham tocado no seu corpo, não só saiam deles as doenças, mas também os espíritos malignos se retiravam” (At 19,11-12). E também que “traziam os doentes para as ruas e punham-nos em leitos e enxergões, a fim de que, ao passar Pedro, cobrisse ao menos a sua sombra algum deles” (At 5,15). Se as vestes, os lenços e a sombra dos santos, já antes de sua morte, removiam doenças e expulsavam demônios, quem será louco de dizer que Deus não possa fazer os mesmos milagres por intermédio deles, depois de mortos? E também disso as Sagradas Escrituras dão testemunho, quando se narra o episódio do cadáver lançado na sepultura do profeta Eliseu: “Logo que o cadáver tocou os ossos de Eliseu, o homem ressuscitou e levantou-se sobre os seus pés” (2Rs 13,21).

Todavia, se devemos honrar e venerar os santos e anjos como fiéis servidores do Senhor, é gravíssimo pecado colocá-los no lugar de Deus, prestando-lhes culto de adoração. Este abuso é estranho a verdadeira doutrina católica.

Quanto às imagens, é verdade que o Antigo Testamento proibia que fossem feitas: “Não farás para ti imagem alguma do que há em cima no céu, e do que há embaixo na terra, nem do que há nas águas debaixo da terra” (Ex 20,4). Todavia, precisamos compreender a razão desta proibição.

Os hebreus viviam no meio de povos idólatras, cujos deuses eram concebidos como tendo formas visíveis, muitas vezes com figura de animais. Para ressaltar a transcendência e a espiritualidade do Deus verdadeiro, este preceito proibia que os israelitas representassem a divindade com imagens. Com efeito, Deus em si mesmo não está ao alcance da nossa vista: é um ser puramente espiritual, não tem corpo, não cabe nos limites do espaço, nem pode ser representado por nenhuma figura. “Não vistes figura alguma no dia em que o Senhor vos falou sobre o Horeb do meio do fogo” (Dt 4,15).

Todavia, a encarnação do Filho de Deus superou a proibição de se fazer imagens. Isso porque, quando “o Verbo se fez carne, / e habitou entre nós” (Jo 1,14), Ele se tornou visível a nós como homem. Invisível em sua divindade, Deus se tornou visível na humanidade de nossa carne. Como diz o Prefácio do Natal do Senhor, “reconhecendo a Jesus como Deus visível a nossos olhos, aprendemos a amar nele a divindade que não vemos”.

A diferença do cristianismo com todas as outras as religiões é que o nosso Deus se fez homem. O centro da Fé cristã é o mistério de Jesus Cristo, Deus e homem verdadeiro. Perfeitamente homem, sem deixar de ser Deus. Mesmo depois da Ressurreição, o Cristo manteve a sua natureza humana na sua integridade e perfeição, como fez questão de sublinhar aos Apóstolos: “Olhai para as minhas mãos e pés, porque sou eu mesmo; apalpai, e vede, porque um espírito não tem carne, nem ossos, como vós vedes que eu tenho” (Lc 24,39). Até hoje, no Céu, dentro do peito de Jesus bate incessantemente um coração de carne, em suas veias corre sangue verdadeiramente humano.

Jesus Cristo é “a imagem visível de Deus invisível” (cf. Col 1,15). Se antes eu não podia fazer imagens de Deus, pois enquanto tal Ele é invisível; após a Encarnação do Verbo eu não apenas posso como devo fazer imagens, para atestar que Deus se fez visível aos olhos dos homens. Ensina São João Damasceno: “Quando virmos aquele que não tem corpo tornar-se homem por nossa causa, então poderemos executar a representação de seu aspecto humano. Quando o Invisível, revestido de carne, torna-se visível, então representa a imagem daquele que apareceu…”

Assim sendo, toda vez que honramos uma imagem sagrada, damos testemunho da nossa Fé no mistério da Encarnação do Filho de Deus. Portanto, quem renega as imagens, de certo modo atenta contra a fé nesse mistério. Este foi o critério que São João propôs para discernir o anticristo: “Todo espírito que confessa que Jesus Cristo veio na carne, é de Deus; todo espírito que divide Jesus, não é de Deus, mas é um anticristo, do qual vós ouvistes que vem, e agora está já no mundo” (1Jo 4,2-3).

Rejeitar as imagens sagradas é voltar à Antiga Lei, quando Deus ainda não tinha se feito homem. Quem defende isso, para ser coerente, deve também praticar a circuncisão e guardar o sábado, como é prescrito na Lei de Moisés. Para essas pessoas, o Cristo não veio ainda.

Portanto, beijar uma imagem ou acender diante dela uma vela não são práticas idolátricas, mas atos de piedade. Somente pessoas ignorantes, que não compreendem os dogmas da Fé em seu verdadeiro sentido, podem ter a audácia de chamar de idolatria essas práticas.

Quem venera uma imagem, venera a pessoa que nela está representada. Aquilo que a Bíblia nos ensina com palavras, as imagens nos anunciam com figuras visíveis. A imagem re+presenta, ou seja, torna presente a pessoa simbolizada. Por isso podemos rezar diante das imagens como se estivéssemos diante das personagens que elas representam. Todavia, não podemos confundir essa presença, que é meramente uma presença simbólica, com a presença real de Nosso Senhor no Santíssimo Sacramento da Eucaristia. Na imagem Jesus está presente como em um símbolo, na Eucaristia como realidade substancial. Por isso, diante do Santíssimo Sacramento fazemos genuflexão, diante de uma imagem fazemos o sinal-da-cruz ou uma simples reverência de cabeça.

Prefácio dos Santos, I (Missal Romano)

Na verdade, é justo e necessário, é nosso dever e salvação dar-vos graças, sempre e em todo lugar, Senhor, Pai santo, Deus eterno e todo-poderoso.

Na assembléia dos santos vós sois glorificado e, coroando seus méritos, exaltai vossos próprios dons. Nos vossos santos ofereceis

um exemplo para a nossa vida, a comunhão que nos une, a intercessão que nos ajuda. Assistidos por tão grandes testemunhas, possamos correr, com perseverança, no certame que nos é proposto e receber com eles a coroa imperecível, por Cristo, Senhor Nosso.

Enquanto esperamos a glória eterna, com os anjos e todos os santos, nós vos aclamamos, cantando a uma só voz:

Santo, Santo, Santo, Senhor Deus do universo. O céu e a terra proclamam a vossa glória. Hosana nas alturas! Bendito o que vem em nome do Senhor. Hosana nas alturas!

Autor: Dr. Rodrigo Pedroso

 
 
 
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