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Comentário do Pe. Raniero Cantalamessa, ofmcap., sobre a liturgia do próximo domingo (30/07)

ROMA, sexta-feira, 28 de julho de 2006 (ZENIT.org).- Publicamos o comentário do Pe. Raniero Cantalamessa, ofmcap. — pregador da Casa Pontifícia — sobre a liturgia do próximo domingo, XVII do tempo comum.

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Recolhei os pedaços que sobraram

XVII Domingo do tempo comum (B) 2 Reis 4, 42-44; Efésios 4, 1-6; João 6, 1-15

Durante vários domingos, o Evangelho está tomado do discurso que Jesus pronunciou sobre o pão da vida na sinagoga de Cafarnaum, e que o evangelista João refere. A passagem deste domingo vem do episódio da multiplicação dos pães de dos peixes, que se torna uma introdução ao discurso eucarístico.

Não é por acaso que a apresentação da Eucaristia começa com o relato da multiplicação dos pães. Com isso, o que se quer dizer é que não se pode separar, no homem, a dimensão religiosa da material; não é possível prover suas necessidades espirituais e eternas, sem preocupar-se, ao mesmo tempo, por suas necessidades terrenas e materiais.

Foi precisamente esta, por um motivo, a tentação dos apóstolos. Em outra passagem do Evangelho, se lê que eles sugeriram a Jesus que despedisse a multidão para que fosse aos povoados vizinhos para buscar o que comer. Mas Jesus respondeu: «Dai-lhes vós mesmos de comer!» (Mateus 14, 16). Com isso, Jesus não pede aos seus discípulos que façam milagres. Pede que façam o que puderem. Pôr em comum e compartilhar o que cada um tem. Na aritmética, multiplicação e divisão são duas operações opostas, mas neste caso são a mesma coisa. Não existe «multiplicação» sem «partição» (ou compartilhar)!

Este vínculo entre o pão material e o espiritual era visível na forma em que se celebrava a Eucaristia nos primeiros tempos da Igreja. A Ceia do Senhor, chamada então de ágape, acontecia no marco de uma refeição fraterna, na que se compartilhava tanto pão comum como o eucarístico. Isso fazia com que fossem consideradas escandalosas e intoleráveis as diferenças entre quem não tinha nada para comer e quem se «embriagava» (1 Cor 11, 20-22). Hoje, a Eucaristia já não se celebra no contexto da refeição comum, mas o contraste entre quem tem o supérfluo e quem carece do necessário não diminuiu, pelo contrário, assumiu dimensões planetárias.

Sobre este ponto, o final do relato também tem algo a nos dizer. Quando todos se saciaram, Jesus ordenou: «Recolhei os pedaços que sobraram, para que nada se perca». Nós vivemos em uma sociedade onde o desperdício é habitual. Passamos, em cinqüenta anos, de uma situação na que as pessoas iam ao colégio ou à Missa dominical levando, até a porta, os sapatos na mão para não gastá-los, a uma situação na que se joga fora o calçado quase novo para adaptar-se à moda mutante.

O desperdício mais escandaloso acontece no setor da alimentação. Uma pesquisa do Ministério de Agricultura dos Estados Unidos revela que um quarto dos produtos alimentícios acaba cada dia no lixo, isso sem falar do que se destrói deliberadamente antes que chegue ao mercado. Jesus não disse aquele dia: «Destruam os pedaços que sobraram, para que o preço do pão e do peixe não baixe no mercado». Mas é precisamente o que se faz hoje em dia.

Sob o efeito de uma publicidade maçante, «gastar, não economizar» é atualmente a senha na economia. Certo: não basta economizar. O ato de economizar deve permitir que os indivíduos e as sociedades dos países ricos sejam mais generosos na ajuda aos países pobres. Se não, é mais avareza do que economia.

[Traduzido por Zenit]

 
 
 

Ao rezar o Ângelus neste domingo, no qual em muitos países se celebrou o Corpus Christi

CIDADE DO VATICANO, domingo, 18 de junho de 2006 (ZENIT.org).- Qual é o segredo das obras de amor que a Igreja oferece ao mundo? A Eucaristia, respondeu Bento XVI neste domingo, ao rezar o Ângelus.

«Da comunhão com Cristo Eucaristia surge a caridade que transforma nossa existência e apóia o caminho de todos até a pátria celestial», declarou, falando desde a janela de seu escritório, ante os milhares de peregrinos congregados na praça de São Pedro, no Vaticano.

O pontífice dedicou ao «tesouro da Igreja», a Eucaristia, sua tradicional alocução deste domingo, no qual em muitos países se celebrou a solenidade do Corpus Christi, ainda que normalmente a liturgia prevê esta festividade na quinta-feira anterior.

A Eucaristia, declarou, é «a preciosa herança que seu Senhor» deixou à Igreja. «Mas este tesouro, que está destinado aos batizados, não esgota seu raio de ação no âmbito da Igreja: a Eucaristia é o Senhor Jesus que se entrega ?pela vida do mundo?», sublinhou.

«Em todo tempo e lugar», Cristo «quer encontrar-se com o homem e dar-lhe a vida de Deus». Por este motivo, declarou, «a festa do Corpus Christi se caracteriza particularmente pela tradição de levar o Santíssimo Sacramento em procissão, um gesto cheio de significado».

«Ao levar a Eucaristia pelas ruas e as praças, queremos submergir o Pão descido do céu no cotidiano de nossa vida; queremos que Jesus caminhe onde nós caminhamos, que viva onde vivemos», explicou.

«Nosso mundo, nossas existências, têm que converter-se em seu templo», alentou o Papa, quem na quinta-feira passada presidiu a procissão eucarística em Roma desde a basílica de São João de Latrão até a basílica de Santa Maria a Maior.

No Corpus Christi, acrescentou, a comunidade cristã «proclama que a Eucaristia é tudo para ela, que é sua própria vida, a fonte do amor que triunfa sobre a morte».

O bispo de Roma concluiu pedindo, por intercessão da Virgem Maria, que «todo cristão aprofunde sua fé no mistério eucarístico, para que viva em comunhão constante com Jesus e seja sua testemunha válida».

 
 
 

Respostas do Catecismo da Igreja Católica

O que é a Eucaristia? É o próprio sacrifício do Corpo e do Sangue do Senhor Jesus, que Ele instituiu para perpetuar pelos séculos, até seu retorno, o sacrifício da cruz, confiando assim à sua Igreja o memorial de sua Morte e Ressurreição. É o sinal da unidade, o vínculo da caridade, o banquete pascal, no qual se recebe Cristo, a alma é coberta de graça e é dado o penhor da vida eterna.

Quando Cristo instituiu a Eucaristia? Instituiu-a na Quinta-feira Santa, “na noite em que ia ser entregue” (1Cor 11,23), celebrando com os seus Apóstolos a Última Ceia.

O que representa a Eucaristia na vida da Igreja? É fonte e ápice de toda a vida cristã. Na Eucaristia, atingem o seu clímax a ação santificante de Deus para conosco e o nosso culto para com Ele. Ele encerra todo o bem espiritual da Igreja: o mesmo Cristo, nossa Páscoa. A comunhão da vida divina e a unidade do Povo de Deus são expressas e realizadas pela Eucaristia. Mediante a celebração eucarística, já nos unimos à liturgia do Céu e antecipamos a vida eterna.

Como Jesus está presente na Eucaristia? Jesus Cristo está presente na Eucaristia de modo único e incomparável. Está presente, com efeito, de modo verdadeiro, real, substancial: com o seu Corpo e o seu Sangue, com a sua Alma e a sua Divindade. Nela está, portanto, presente de modo sacramental, ou seja, sob as espécies eucarísticas do pão e do vinho, Cristo todo inteiro: Deus e homem.

O que significa transubstanciação? Transubstanciação significa a conversão de toda a substância do pão na substância do Corpo de Cristo e de toda a substância do vinho na substância do seu Sangue. Essa conversão se realiza na oração eucarística, mediante a eficácia da Palavra de Cristo e da ação do Espírito Santo. Todavia, as características sensíveis do pão e do vinho, ou seja, as ?espécies eucarísticas?, permanecem inalteradas.

O que se requer para receber a santa comunhão? Para receber a santa Comunhão, deve-se estar plenamente incorporado à Igreja católica e estar em estado de graça, ou seja, sem consciência de pecado mortal. Quem estiver consciente de ter cometido um pecado grave deve receber o sacramento da Reconciliação antes de se aproximar da comunhão. Importantes são também o espírito de recolhimento e de oração, a observância do jejum prescrito pela Igreja e a atitude do corpo (gestos, roupas), em sinal de respeito a Cristo.

“Na Eucaristia, nós partimos ‘o único pão que é remédio de imortalidade, antídodo para não morrer, mas para viver em Jesus Cristo para sempre’ ” (Santo Inácio de Antioquia)

Jesus é Luz, é Amor!

 
 
 
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Esta obra é inteiramente dedicada à Santíssima Virgem Maria!

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