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Introdução

Desde os tempos apostólicos a Igreja ensina que os que morreram na amizade do Senhor, não só podem como estão orando pela salvação daqueles que ainda se encontram na terra. Tal conceito é conhecido como a intercessão dos santos.

A Doutrina

Sobre a doutrina da intercessão dos santos, o Catecismo da Igreja Católica ensina:

“Pelo fato que os do céu estão mais intimamente unidos com Cristo, consolidam mais firmemente a toda a Igreja na santidade… Não deixam de interceder por nós ante o Pai. Apresentam por meio do único Mediador entre Deus e os homens, Cristo Jesus, os méritos que adquiriram na terra… Sua solicitude fraterna ajuda, pois, muito a nossa debilidade.” (CIC 956)

Por tanto para a Igreja Católica, os santos intercedem por nós junto ao Pai, não pelos seus méritos, mas pelos méritos de Cristo Nosso Senhor, o único Mediador entre Deus e os homens.


Objeções

Os adeptos do fundamentalismo bíblico normalmente apresentam uma série de objeções à doutrina da intercessão dos santos. Neste artigo iremos confrontar as principais:

1a. objeção: Cristo é o único mediador entre Deus e os homens.

Esta é a principal objeção à doutrina da intercessão dos Santos. Os adeptos desta objeção fundamentam sua posição em 1 Tim 2,5 onde lemos: “Pois há um só Deus, e um só mediador entre Deus e os homens, um homem, Cristo Jesus”. Para eles, a Sagrada Escritura não deixa dúvidas de que só Jesus pode interceder pelos homens junto a Deus.

Se isto é verdade, por que São Paulo ensinaria que nós cristãos devemos dirigir orações a Deus em favor de outras pessoas? Vejam 1Tim 2,1: “Acima de tudo, recomendo que se façam súplicas, pedidos e intercessões, ações de graças por todos os homens, pelos reis e por todos os que estão constituídos em autoridade, para que possamos viver uma vida calma e tranqüila, com toda a piedade e honestidade.”

No exposto acima não está São Paulo nos pedindo para que sejamos intercessores (mediadores) junto a Deus por todas as pessoas da terra? Estaria então o Santo apóstolo se contradizendo? É claro que não. A questão é que a natureza da mediação tratada no versículo 1 é diferente da do versículo 5.

A mediação tratada em 1Tm 2,5 refere-se à Nova e Eterna Aliança. No AT a mediação entre Deus e os homens se dava através da prática da Lei. No NT, é Cristo que nos reconcilia com Deus, através de seu sacrifício na cruz. É neste sentido que Ele é nosso único mediador, pois foi somente através Dele que recuperamos para sempre a amizade com Deus, como bem foi exposto por São Paulo: “Assim como pela desobediência de um só homem foram todos constituídos pecadores, assim pela obediência de um só todos se tornarão justos.” (Rom 5,19)

Por tanto, a exclusividade da medição de Cristo refere-se à justificação dos homens. A mediação da intercessão dos santos é de outra natureza, referindo-se à providência de Deus em favor do nosso semelhante. Desta forma, o texto de 1Tm 2,5 dentro de seu contexto não oferece qualquer obstáculo à doutrina da intercessão dos santos.

2a. objeção: os santos não podem interceder por que após a morte não há consciência

Os defensores desta objeção usam como fundamento as palavras do Eclesiastes: “Com efeito, os vivos sabem que hão de morrer, mas os mortos não sabem mais nada; para eles não há mais recompensa, porque sua lembrança está esquecida.” (Ecl. 9,5) e ainda “Tudo que tua mão encontra para fazer, faze-o com todas as tuas faculdades, pois que na região dos mortos, para onde vais, não há mais trabalho, nem ciência, nem inteligência, nem sabedoria.” (Ecl. 9,10).

Já que a Bíblia é um conjunto coeso de livros, não podemos aceitar a doutrina da “dormição” ou “inconsciência” dos mortos simplesmente pelo fato de que há versículos claros na Sagrada Escritura que mostram que os mortos não estão nem “dormindo” e nem “inconscientes” (cf. Is 14, 9-10; 1Pd 3,19; Mt 17,3; Ap 5,8; Ap 7,10; Ap 6,10); o que faria alguém pensar que há contradições na Bíblia.

A questão é que os versículos citados do Eclesiastes não fazem referência a um estado mental dos mortos, mas sim ao infortúnio espiritual em que se encontram por causa do lugar onde estão. Os mortos os quais os textos se referem são aqueles que morreram na inimizade de Deus, e não a qualquer pessoa que morreu. Vejamos os versículos abaixo:

“Ignora ele que ali há sombras e que os convidados [da senhora Loucura] jazem nas profundezas da região dos mortos.” (Prov 9,18)

“O sábio escala o caminho da vida, para evitar a descida à morada dos mortos.” (Prov 15,24)

Os versículos acima mostram que a região dos mortos é um lugar de desgraça, onde são encaminhados os inimigos de Deus. Isto é ainda mais evidente em Prov 15,24. O sábio é aquele que guarda a ciência de Deus, este quando morrer não vai para a “morada dos mortos”. As expressões “morada dos mortos” ou “região dos mortos” fazem alusão a um lugar de desgraça, onde os inimigos de Deus estão privados da Sua Graça.

Voltando aos versículos do Eclesiastes, o escritor sagrado ao escrever que para os mortos “não há mais recompensa”, “não há mais trabalho, nem ciência, nem inteligência, nem sabedoria”, refere-se unicamente ao infortúnio que existe “na região dos mortos, para onde” eles vão. Eles quem? Os que estão mortos para Deus.

Por tanto, dentro de seu contexto, os versículos do Eclesiastes também não oferecem qualquer imposição à doutrina da intercessão dos santos.

3a. objeção: os santos não podem ouvir as orações dos que estão na terra porque não são oniscientes e nem onipresentes

São Paulo nos ensina que a Igreja é o corpo de Cristo . Desta forma, os que estão unidos a Cristo através de seu ingresso na Igreja, são membros do Seu corpo. Isso quer dizer que tantos nós que estamos na terra, como os que já morreram na amizade do Senhor, todos somos membros do Corpo Místico de Cristo, onde Ele é a cabeça. Vejam:

  1. São Paulo ensina que a Igreja é corpo de Cristo: “Agora me alegro nos sofrimentos suportados por vós. O que falta às tribulações de Cristo, completo na minha carne, por seu corpo que é a Igreja.” (Col 1,24)

  2. São Paulo ensina que somos membros do corpo de Cristo e por isto os cristãos estamos ligados uns aos outros: “assim nós, embora sejamos muitos, formamos um só corpo em Cristo, e cada um de nós é membro um do outro.” (Rom 12,5)

  3. São Paulo ensina que Cristo é a cabeça do seu corpo que é a Igreja: “Ele é a Cabeça do corpo, da Igreja.” (Col 1,18)

Isso quer dizer que nós e os santos (que estão na presença de Deus) estamos ligados, pois somos membros de um mesmo corpo, o corpo de Cristo, que é a Igreja.

Assim como minha mão direita não pode se comunicar com a esquerda sem que esse comando tenha sido coordenado pela minha cabeça (caso contrário seria um movimento involuntário), da mesma forma, no Corpo de Cristo os membros não podem se comunicar sem que essa comunicação aconteça através da cabeça que é Cristo. Desta forma, quando nós pedimos para que os santos intercedam por nós junto a Deus (comunicação de um membro com o outro no corpo de Cristo), isso acontece através de Cristo. Assim como a nossa cabeça pode coordenar movimentos simultâneos entre os vários membros de nosso corpo, Cristo que é a cabeça da Igreja e é onisciente e onipresente possibilita a comunicação entre os membros do Seu corpo.

Por tanto, a falta de onipresença e onisciência dos santos não apresenta qualquer impedimento para que eles conheçam ou recebam nossos pedidos e então possam interceder por nós junto a Deus.

4a. objeção: nós não podemos dirigir nossa orações aos santos pois isto caracteriza evocação dos mortos que é severamente proibida na Bíblia.

Esta objeção baseia-se principalmente nos versículos abaixo:

“Não se ache no meio de ti quem pratique a adivinhação, o sortilégio, a magia, o espiritismo, a evocação dos mortos: porque todo homem que fizer tais coisas constitui uma abominação para o Senhor” (Dt 18, 9-14) (grifos nossos).

“Se uma pessoa recorrer aos espíritos, adivinhos, para andar atrás deles, voltarei minha face contra essa pessoa e a exterminarei do meio do meu povo. (…) Qualquer mulher ou homem que evocar espíritos, será punido de morte” (Lev 20, 6 – 27). (grifos nossos).

Conforme vimos, Deus abomina a evocação dos mortos. No entanto, há uma diferença tremenda entre evocar os mortos e dirigir nossos pedidos de orações aos santos.

A evocação dos mortos é caracterizada pelo pedido de que o espírito do defunto se apresente e então se comunique com os vivos como se ainda estivesse na terra. Esta prática é condenada por Deus, pois em vez de confiarmos na Providência Divina quanto ao futuro e às coisas que necessitamos, deseja-se confiar nas instruções dos espíritos. Conforme a Sagrada Escritura dá testemunho em I Samuel 28.

Na intercessão dos santos, não estamos pedindo que o santo se apresente para “bater um papo” a fim obter qualquer tipo de informação, mas sim, dirigimos a eles nossos pedidos de oração, como se estivéssemos enviando uma carta solicitando algo (o que é bem diferente de evocar mortos). Na intercessão dos santos continuamos confiando na Providência Divina, pois os santos são apenas mediadores. Quem atende aos nossos pedidos é Deus.

Desta forma, as proibições divinas quanto à prática de espiritismo não se aplicam à doutrina da intercessão dos santos.

5a. objeção: não há sequer uma única referência bíblica em relação à intercessão dos santos

Há diversos versículos bíblicos que mostram que os santos oram na presença de Deus. Vejamos:

“Quando abriu o quinto selo, vi debaixo do altar as almas dos homens imolados por causa da palavra de Deus e por causa do testemunho de que eram depositários. E clamavam em alta voz, dizendo: Até quando tu, que és o Senhor, o Santo, o Verdadeiro, ficarás sem fazer justiça e sem vingar o nosso sangue contra os habitantes da terra? Foi então dada a cada um deles uma veste branca, e foi-lhes dito que aguardassem ainda um pouco, até que se completasse o número dos companheiros de serviço e irmãos que estavam com eles para ser mortos.” (Ap 6,9-11).

No trecho acima, os santos estão clamando a Deus por Justiça. Alguém poderia dizer: “mas eles estão intercedendo por eles mesmos e não pelos que ficaram na terra”. Ora, e o que impede que o façam pelos que estão na terra? São Paulo mesmo não recomenda que oremos pelos outros? (cf. 1Tm 2,1). Por alguma razão estariam os santos incapazes de continuarem orando pelos que estão na terra? Ora, alguém que esteja no seu juízo perfeito, há de convir que, o fato dos santos estarem na presença de Deus, não é motivo impeditivo para que intercedam pelos outros, muito pelo contrário, não há melhor lugar e momento para fazê-lo. Veja ainda:

“Os quatro viventes e os vinte e quatro anciões se prostraram diante do Cordeiro. Tinha cada um uma cítara e taças de ouro cheias de perfumes, que são as orações dos santos” (Ap 5,8). “A fumaça dos perfumes subiu da mão do anjo com as orações dos santos, diante de Deus.” (Ap 8,4).

Nos versículos acima os santos oram para Deus. Por que estariam orando, já que estão salvos e gozando da presença do Senhor? Oram em nosso favor, para que os que estão na terra também possam um dia estar com eles na presença do Senhor.

No livro do profeta Jeremias lemos:

“Disse-me, então, o Senhor: Mesmo que Moisés e Samuel se apresentassem diante de mim, meu coração não se voltaria para esse povo. Expulsai-o para longe de minha presença! Que se afaste de mim!” (Jr 15,1).

No tempo do profeta, ambos Moisés e Samuel estavam mortos. Que sentido teria este versículo caso não fosse possível que os dois intercedessem por Israel?

O Testemunho dos primeiros cristãos

Vejamos agora o que professava os cristãos no tempo em que não havia divisão na Cristandade, em relação à doutrina da intercessão dos santos:

“O Pontífice não é o único a se unir aos orantes. Os anjos e as almas dos juntos também se unem a eles na oração” (Orígenes, 185-254 d.C. Da Oração).

“Se um de nós partir primeiro deste mundo, não cessem as nossa orações pelos irmãos” (Cipriano de Cartago, 200-258 d.C. Epístola 57)

“Aos que fizeram tudo o que tiveram ao seu alcance para permanecer fiéis, não lhes faltará, nem a guarda dos anjos nem a proteção dos santos”. (Santo Hilário de Poitiers, 310-367 d.C).

“Comemoramos os que adormeceram no Senhor antes de nós: patriarcas, profetas, Apóstolos e mártires, para que Deus, por suas intercessões e orações, se digne receber as nossas.” (São Cirilo de Jerusalém, 315-386 d.C. Catequeses Mistagógicas).

“Em seguida (na Oração Eucarística), mencionamos os que já partiram: primeiro os patricarcas, profetas, apóstolos e mártires, para que Deus, em virtude de suas preces e intercessões, receba nossa oração” (São Cirilo de Jerusalém, 315-386 d.C. Catequeses Mistagógicas).

“Se os Apóstolos e mártires, enquanto estavam em sua carne mortal, e ainda necessitados de cuidar de si, ainda podiam orar pelos outros, muito mais agora que já receberam a coroa de suas vitórias e triunfos. Moisés, um só homem, alcançou de Deus o perdão para 600 mil homens armados; e Estevão, para seus perseguidores. Serão menos poderosos agora que reinam com Cristo? São Paulo diz que com suas orações salvara a vida de 276 homens, que seguiam com ele no navio [naufrágio na ilha de Malta]. E depois de sua morte, cessará sua boca e não pronunciará uma só palavra em favor daqueles que no mundo, por seu intermédio, creram no Evangelho?” (São Jerônimo, 340-420 d.C, Adv. Vigil. 6).

“Portanto, como bem sabem os fiéis, a disciplina eclesiástica prescreve que, quando se mencionam os mártires nesse lugar durante a celebração eucarística, não se reza por eles, mas pelos outros defuntos que também aí se comemoram. Não é conveniente orar por um mátir, pois somos nós que devemos encomendar suas orações” (Santo Agostinho, 391-430 d.C. Sermão 159,1)

“Não deixemos parecer para nós pouca coisa; que sejamos membros do mesmo corpo que elas (Santa Perpétua e Santa Felicidade) (…) Nós nos maravilhamos com elas, elas sentem compaixão de nós. Nós nos alegramos por elas, elas oram por nós (…) Contudo, nós todos servimos um só Senhor, seguimos um só Mestre, atendemos um só Rei. Estamos unidos a uma Cabeça; nos dirigimos a uma Jerusalém; seguimos após um amor, envolvendo uma unidade” (Santo Agostinho, 391-430 d.C. Sermão 280,6)

“Por vezes, é a intercessão dos santos que alcança o perdão das nossas faltas (1Jo 5,16; Tg 5,14-15) ou ainda a misericórdia e a fé” (São João Cassiano. 360-435 d.C. conferência 20).

Conclusão

Como pudemos ver, a doutrina da intercessão do santos, não é invenção do catolicismo (como pensam alguns), mas sim, uma legítima doutrina cristã, embasa tanto nas Sagradas Escrituras, quanto na Tradição Apostólica. Os primeiros cristãos jamais tiverem dúvidas quanto a ela (note que este tema jamais foi centro de disputas conciliares). Esta doutrina confirma o Amor de Deus para conosco e Seu plano de que sejamos uns para outros instrumentos deste Amor.

Autor: Prof. Alessandro Lima. Fonte: Veritatis Splendor

 
 
 

Arcebispo Metropolitano de Belo Horizonte (Brasil)

BELO HORIZONTE, domingo, 16 de julho de 2006 (ZENIT.org).- Publicamos artigo de Dom Walmor Oliveira Azevedo, arcebispo de Belo Horizonte (Minas Gerais), difundido essa semana pelo site da Arquidiocese de Belo Horizonte.

“Jesus chamou os doze”

‘Jesus chamou os doze’. Este gesto sela o mais profundo vínculo do discípulo com o seu Mestre e Senhor. Só Deus pode chamar. Chamar é ato próprio do amor de Deus. Um ato de amor que se constitui em fonte sustentadora de toda a vida. O amor de Deus se revela, pois, no chamamento. A iniciativa nasce do coração de Deus e se derrama no coração de todo aquele que é chamado. Na verdade, o gesto amoroso de Deus ao chamar configura o núcleo mais profundo da consciência do discípulo. O discípulo não é por si. O que ele é nasce e se sustenta neste gesto amoroso de chamamento. Esta luz é que mantém acesa a consciência do discípulo em relação àquele que o chama. Só na medida em que esta consciência de chamado preside o dia a dia do discípulo é que ele consegue força e sabedoria para construir sua conduta e vivê-la com fidelidade. A consciência de ser chamado é a consciência de ser amado e de amar. A quem se ama, de verdade, o amor experimentado não permite esquecimento em momento algum. É uma força de presença que alimenta o vínculo e todo gesto, e cada momento se reporta àquele que se ama. Compreende-se assim que o gesto amoroso de Deus chamando é a base da consciência do discípulo. Uma consciência que se desdobra na compreensão da missão que ele recebe d’Aquele que o chama e o envia. E a vida se torna, em tudo e em cada circunstância, um ser e um fazer que expressa esta intimidade profunda com força de gerar a novidade da vida e o poder de transformação das suas condições. A força vem d’Aquele que chama. Aquele que é chamado ganha d’Ele a força de sua ação.


A Missão

A missão não é uma simples tarefa. Uma ocupação qualquer. A missão é conseqüência desta intimidade estabelecida e cultivada do coração daquele que chama ao coração daqueles que são chamados. Na verdade, a missão é a conseqüência de um modo de ser gerando um jeito de fazer para concretizar o modo de ser amoroso e redentor de Deus que chama. Compreende-se, então, como é possível que o discípulo receba do coração do seu Mestre o seu mesmo poder de ação. Esta possibilidade só se verifica na medida em que, profundamente, o discípulo, no seu dia a dia, cultiva a consciência de ser chamado diante d’Aquele que o chama. Um cultivo de amor e de pertença que alimenta a competência de atuar em nome d’Aquele que o chama e o envia. Cada gesto, em todas as circunstâncias, é comprovadamente a continuação da presença amorosa e redentora do Mestre que chama e envia. Não há outra dinâmica para explicar a possibilidade de o discípulo ser o Mestre continuado nas circunstâncias da vida. E o discípulo sabe que só esta intimidade nele constitui e alimenta o poder de agir em nome do seu Senhor e Mestre, sem pretensões, na alegria de saber a fonte verdadeira que o torna, no coração do mundo, na condição de discípulo, presença do seu Senhor.

Um jeito novo de ser

Esta intimidade profunda do discípulo com o seu Mestre e Senhor gera um jeito novo de ser. Um jeito novo de ser que se renova cada dia sob o impulso da inesgotável fonte de amor que é o coração do Mestre, encharcando o coração do discípulo. O discípulo não simplesmente faz o que o Mestre recomenda. Não é um repetidor de coisas. Ele é elevado, pela força do amor-intimidade, à condição de presença do seu próprio Senhor, no mundo, realizando, mesmo pelos limites de sua condição, a grandeza do que é próprio do Mestre que o chama e o envia. Compreende-se que a conseqüência é um novo jeito de ser, alimentando a ação do discípulo e criando as condições próprias de sua ação para realizar tudo aquilo que é próprio do seu Mestre e Senhor. E o discípulo se torna, sempre mais, a própria presença do seu Senhor, com a força de ação que vem do seu coração.

E Jesus recomendou-lhes

A eficácia da missão se liga, pois, ao cultivo permanente da intimidade com Aquele que chama enquanto núcleo central e ativador da consciência do discípulo. Os desdobramentos conseqüentes configuram o jeito de ser. Um jeito de ser recomendado pelo Mestre, com força de fecundação, para a ação missionária que o discípulo é enviado a realizar. Ao enviá-los dois a dois o Mestre marca no horizonte a dinâmica da partilha e o sentido da missão que é dada a todos, cultivada no coração e na singularidade de cada um. Uma missão dada a todos para ser realizada no vínculo que cada um há de estabelecer com cada outro alimentado por este vínculo o que o Senhor estabelece com cada um pelo gesto amoroso e único do chamamento. O sustento do vínculo amoroso e fraterno há de alimentar e impulsionar a dinâmica própria do exercício da missão que supõe daquele que é chamado e enviado a coragem e a disposição de estar sempre indo ao encontro para realizar, em nome do seu Senhor, a sua ação redentora. Indo e vindo, o discípulo compreende e realiza a obra do seu Mestre de estar presente e intervindo no mundo para dele expulsar os demônios. Isto é, estabelecer a dinâmica do amor de Deus. Um estabelecimento do amor alimentado pelo amor d’Aquele que chama e testemunha num jeito de ser marcado pela simplicidade, proximidade, desapego, e audácia de não se deixar corromper, na liberdade que nasce da compreensão do amor. E o discípulo é Jesus Mestre e Senhor na vida do mundo.

Dom Walmor Oliveira de Azevedo Arcebispo Metropolitano de Belo Horizonte

 
 
 

02 de abril de 2006 Gonzalo Aranda

É o anúncio de Jesus Cristo. Ele mesmo é a “boa notícia” (Evangelho) que os Apóstolos desde o princípio proclamavam. Como dizia São Paulo: “Recordo-vos, irmãos, o Evangelho que vos anunciei, esse precisamente que recebestes, no qual perseverais, pelo qual também sois salvos (…) Porque vos transmiti, em primeiro lugar, o que também havia recebido: Cristo morreu pelos nossos pecados, segundo as Escrituras, foi sepultado e ressuscitou ao terceiro dia, segundo as Escrituras; e apareceu a Cefas e depois aos Doze” (1 Cor. 15, 3-5).

Essa mensagem refere-se diretamente à morte e à ressurreição de Jesus Cristo ” levadas a cabo para a nossa salvação ” e também inclui que Jesus é o Messias (Cristo) enviado por Deus, tal como fora prometido a Israel. O anúncio de Jesus Cristo abarca, portanto, a fé no único Deus: Criador do mundo e do homem, e principal protagonista da História da Salvação.

A mensagem cristã anuncia que com Jesus Cristo a revelação de Deus ao homem realizou-se plenamente: “Ao chegar a plenitude dos tempos, Deus enviou o Seu Filho, nascido de mulher, nascido sob a Lei, para redimir os que estavam sujeitos à Lei, a fim de recebermos a filiação adotiva” (Gál. 4,4-5). Jesus revela quem é Deus de um modo novo, mais profundo que o da revelação já feita ao povo de Israel; revela Deus como sendo o seu Pai num sentido tão singular que chega a dizer: “Eu e o Pai somos um” (João 10,30). Apoiada nos ensinamentos dos Apóstolos, a Igreja anuncia Jesus Cristo como sendo o Filho de Deus e verdadeiro Deus, da mesma natureza que o Pai.

Jesus atuou durante a sua vida na Terra com o poder de Deus e do Espírito de Deus, que estava nEle (Lc. 4,18-21). Além disso, prometeu enviar-nos o Espírito após a sua ressurreição e a sua glorificação junto ao Pai (João 14,16; entre outras passagens). Quando os Apóstolos receberam o Espírito Santo, no dia de Pentecostes, compreenderam que Jesus cumprira a sua promessa. Experimentaram a força transformadora do Espírito Santo, que desde então continua vivificando a Igreja: é a sua alma. A mensagem cristã inclui, portanto, o Espírito Santo, verdadeiro Deus e terceira Pessoa da Santíssima Trindade.

A mensagem cristã também anuncia aquilo que o próprio Jesus anunciava: o Reino de Deus (Mc. 1,15). Cristo deu um pleno conteúdo a essa expressão simbólica, usando-a para indicar a presença de Deus na História (e ao final da História também) e a união de Deus com o homem. Jesus anunciava que o Reino de Deus já havia começado, porque ele já estava entre os homens e as suas ações já os estavam libertando do poder do demônio e do mal (Mt. 12,28). Essa mesma presença e essas mesmas ações de Jesus Cristo são as que a Igreja dá continuidade, em virtude da força do Espírito Santo.

Na História humana, a Igreja é como a semente desse Reino, que culminará com a segunda vinda de Cristo no final dos tempos. Enquanto isso, nela o homem passa a ter ” mediante o Batismo ” uma nova relação com Deus: a relação de filho de Deus unido a Jesus Cristo; uma relação que também culminará após a morte, na ressurreição final. Cristo continua estando realmente presente na Igreja: na Eucaristia e atuando também nos outros Sacramentos, que são sinais eficazes da Sua graça. O amor de Deus a todos os homens manifesta-se também mediante a ação dos cristãos, se estes viverem bem a caridade. Tudo isso entra na mensagem cristã.

BIBLIOGRAFIA

Catecismo da Igreja Católica.

 
 
 
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