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Penitenciário-mor da Igreja Católica, James Stafford, presidiu peregrinação a Fátima

FÁTIMA, quinta-feira, 13 de julho de 2006 (ZENIT.org).- Segundo o penitenciário-mor da Igreja Católica, a «pureza está intimamente associada à dignidade do corpo humano».

O cardeal James Francis Stafford abordou o tema da pureza e da castidade ao presidir esta quarta e quinta-feira a Peregrinação Internacional Aniversária a Fátima, celebrativa dos 89 anos da terceira aparição de Nossa Senhora em Fátima, a 13 de julho de 1917.

No contexto do tema da peregrinação –«Crescei e multiplicai-vos»–, o cardeal explorou em sua homilia proferida durante a Eucaristia da vigília noturna de oração dessa quarta-feira «a mais misteriosa das virtudes», a pureza, na qual os «cristãos nunca teriam sequer pensado» «se não tivessem olhado em frente para a ressurreição do corpo».

Segundo o penitenciário-mor da Igreja, «muitos daqueles que ainda se encontram influenciados pelas teorias mecanicistas do século XIX acham que os ensinamentos da Igreja no que respeita à virtude são horríveis e de modo especial rejeitam os seus ensinamentos no que toca às virtudes da castidade e da pureza».

«Zombam da observância do sexto mandamento como sendo causa de perturbações emocionais, afirmando mesmo ser completamente repugnante e contra a natureza», afirma.

Dom Stafford afirma que é fundamentalmente a lembrança do Mistério Pascal de Cristo e do batismo de cada um aquilo que fornece a fundação e a motivação para a prática da virtude da pureza e de todas as outras virtudes.

«São Paulo –afirma o cardeal– ensinou exatamente a mesma norma quando escreveu: “Finalmente, irmãos, nós vos suplicamos e exortamos no Senhor Jesus que, do mesmo modo que aprendestes de nós como deveis viver e agradar a Deus, o que estais precisamente fazendo, assim também procurai fazê-lo cada dia mais e mais… Pois esta é a vontade de Deus: a vossa santificação; que eviteis a impureza” (1 Tes.4-1,3)».

E explica que «em todo o Novo Testamento a prática da virtude era baseada na manifestação do ‘escathon’, isto é, na obra de salvação de Jesus pela Sua Morte e Ressurreição».

O cardeal confidenciou no decorrer de sua homilia o «quão profundamente» o afetou a canonização, no dia 24 de junho de 1950, da jovem virgem-mártir Maria Goretti.

«Presentes na Praça de São Pedro naquela ocasião encontravam-se a mãe dela e o seu assassino, Alessandro Serenelli. Ao tempo do seu martírio em defesa de sua pureza, eu tinha 17 anos de idade. O seu testemunho de pureza e coragem tornou-se a estrela polar da minha geração», diz.

O cardeal narra a história do martírio: «Começou a 5 de Julho de 1902. A família do seu atacante partilhava a mesma casa com a família Goretti. Situava-se por cima de um velho palheiro numa zona de pobres lavradores, os pântanos Pontine, a Sul de Roma».

«O seu atacante, Alessandro, tinha vinte anos de idade na altura do ataque contra Maria de 12 anos. Ele testemunhou mais tarde que Maria apelou a que ele parasse com o ataque para salvação de sua alma e que não cometesse tão grave pecado. Antes de morrer no dia seguinte das facadas infligidas, ela perdoou-lhe e rezou para que Deus lhe perdoasse também».

Segundo o cardeal Stafford, «como Flannery O’Connor, S. Maria Goretti, cuja memória a Igreja acaba de celebrar no dia 6 de julho, percebeu que a pureza está intimamente associada à dignidade do corpo humano».

«Ela estava consciente de que a Igreja ensinava que não era a alma mas o corpo que havia de ressuscitar glorioso. Em união com a Igreja ela professava todos os domingos: “Eu creio na ressurreição da carne (do corpo)”. Ela deu testemunho deste mistério: que a Encarnação e Ressurreição de Jesus constituem as verdadeiras leis da natureza, da carne e do físico», afirma.

 
 
 

02 de abril de 2006 Vicente Balaguer

Os livros da Sagrada Escritura ensinam de modo firme, com fidelidade e sem erros, a verdade que Deus queria que ficasse registrada para nossa salvação. Falam, pois, de fatos reais.

Mas se pode expressar os fatos com veracidade servindo-se de vários gêneros literários, e cada gênero tem seu próprio estilo de contar as acontecimentos. Por exemplo, quando nos Salmos se diz que ?os céus proclamam a glória de Deus e o firmamento anuncia a obra das suas mãos? (Sl 19, 2), não se pretende dizer que os céus pronunciam palavras ou que Deus tem mãos; expressa-se o fato real de que a natureza dá testemunho de Deus, que é o seu criador.

A história é um gênero literário que na atualidade tem o seu modo peculiar de contar os fatos; modo este diverso daqueles utilizados nas literaturas do antigo Oriente Médio e inclusive na Antigüidade greco-latina. Todos os livros da Bíblia, tanto do Antigo como do Novo Testamento, foram escritos há 2-3 mil anos, de modo que seria um anacronismo qualificá-los de ?históricos? no sentido em que hoje damos a essa palavra, já que não foram pensados nem escritos com base nos esquemas conceituais atualmente em uso.

Todavia, o fato de não se poder qualificá-los de ?históricos? nesse sentido atual não implica na transmissão de informações ou noções falsas ou enganosas, e que por isso não mereçam credibilidade. Eles transmitem verdades e fazem referência a fatos realmente acontecidos no tempo e no mundo em que vivemos, contados através de modos de falar e de se expressar distintos, mas igualmente válidos.

Esses livros não foram escritos para satisfazer nossa curiosidade sobre detalhes irrelevantes para a mensagem que transmitem, como por exemplo sobre alimentação, vestuários ou hábitos dos personagens dos quais fala. O que proporcionam é sobretudo uma valoração dos fatos do ponto de vista da fé de Israel e da fé cristã.

Os textos bíblicos nos permitem conhecer o que ocorreu até melhor do que as testemunhas diretas dos acontecimentos, já que eles podiam não ter todos os dados necessários para avaliar em seu justo alcance o que estavam presenciando. Por exemplo, uma pessoa que passasse junto ao Gólgota no dia em que crucificaram Jesus dar-se-ia conta de que estavam executando um condenado à morte pelos romanos, mas o leitor dos evangelhos, além disso, sabe que esse crucificado é o Messias, e que nesse exato momento está a culminar a redenção do gênero humano.

BIBLIOGRAFIA

G. Segalla, Panoramas del Nuevo Testamento, Verbo Divino, Estella 2004; P. Grelot, Los evangelios, Verbo Divino, Estella 1984; R. Brown, Introducción al Nuevo Testamento, Trotta, Madrid 2002; V. Balaguer (ed), Comprender los evangelios, Eunsa, Pamplona 2005; M. Hengel, The four Gospels and the one Gospel of Jesus Chris : an investigation of the collection and origin of the Canonical Gospels, Trinity Press International, Harrisburg 2000.

Fonte: Opus Dei

 
 
 

A Igreja sempre considerou a Oração do Senhor (Pai Nosso) como a oração Cristã por excelência. Na antiga Igreja da África, por exemplo, os rudimentos da fé (em que cremos) foram transmitidos a partir dela; no seu catecumenato quando imersos no conhecimento da oração (o que oramos).Depois de terem uma explanação sobre o Credo (tradição) eles tinham que recitá-la publicamente de memória (redição); a passagem entre esta ‘tradição’ e ‘redição’ era a Oração do Senhor. Tertuliano não era o único a considerar a Oração do Senhor como sendo o compêndio e a síntese do Antigo e do Novo Testamento.

“Em suas poucas palavras, estão resumidas as falas dos profetas, os evangelhos, os Apóstolos; os discursos, as parábolas, os exemplos e dos ensinamentos do Senhor e, ao mesmo tempo, muitas de nossas necessidades são preenchidas. Na invocação do Pai, nos honramos a Deus; no Nome está o testemunho da fé; em Sua vontade está a oferta da obediência; no Reino está a recordação da esperança; no Pão coloca-se a questão da vida; no pedido de perdão está a confissão dos pecados; no pedido de proteção está o medo da tentação. Por que medo? Somente Deus poderia ensinar-nos como Ele queria que orássemos” (De Oratione 9,1-3).

Apesar de Lucas 11,2-4, eu examinarei apenas o texto de Mateus 6,9-13. Ele aparece inserido justamente após a segunda de três virtudes ? caridade (6,1-3), oração (6,4-15) e jejum (6,16-18) ? todas como formas superiores à justiça dos Judeus.

Mateus 6,9-13 esta estruturado em três partes. Começa com uma invocação, continua com três pedidos com referência a Deus, e encerra com três pedidos relativo ao povo messiânico. A oração tinha uma clara orientação escatológica e presume uma sinergia Deus-homem.


1. A INVOCAÇÃO DE ABERTURA: “PAI NOSSO QUE ESTAIS NO CÉU”a) ‘Pai Nosso’Em todos os tempos, a humanidade tem se voltado para a divindade a quem chama ‘Pai’. Com isto, a humanidade pretende reconhecer Sua autoridade e suplicar o Seu amor.O Antigo Testamento ? Não surpreende que entre os livros inspirados do Antigo Testamento, vinte e dois textos Hebreus, Aramáicos ou Gregos atribuam ao Senhor Iahweh o nome ‘Pai’. Deus é o primeiro de todos os pais do povo de Israel. Esta paternidade divina singular é relacionada a eventos históricos envolvendo o povo de Israel. Deus é o pai de Israel porque Deus estabeleceu por meio de eleição e pacto, uma existência para Israel que o transformou no filho primogênito de Deus, um povo propriedade de Deus (Ex 4,22-23; Dt 32,6-8). Há dois componente na paternidade divina: autoridade e amor. Deus é Pai de Israel. Desta forma Ele merece a soberania, o prestígio, o poder e a legítima autoridade de pai de família, daqueles filhos que dependem dEle e que Lhe são subordinadas, para lhe mostrar respeito e obediência (Is 64,4; 1,2; 30,9; Ml 1,6).

Deus é o pai de Israel. Cuidadoso e carinhoso com Seus filhos, Ele os cerca de amor gratuito, sempre misericordioso e fiel. (Is 49,15; 66,15; Sl 131,2; Os 11,1-4.8).

Deus é também o pai das pessoas que se relacionam intimamente com Israel. Isto envolve pessoas notáveis como o rei ou o Messias. (Sl 89,27; 2Sm 7,14; Sl 2,7).

Em relação à paternidade de Deus para as pessoas, os autores dos últimos livros do Antigo Testamento trabalham voltados para um mudança de perspectivas, isto é, em direção a um grande universalismo. Cada ser humano pode se tornar um filho de Deus, sem dúvida isto será realidade se ele/ela for santo e fiel a Deus. (Eclo 23,1-4; 51,10; Sb 2,13.16.18;5,5;14,3). De qualquer modo, esta é uma negação da idéia do Deus “solitário” do Islamismo (Alcorão 112,4.171; 5,116-117).

O Novo Testamento ? Com Jesus, a revelação bíblica da paternidade divina entra numa nova fase. Deus é o pai de Jesus Cristo e o pai dos Cristãos. Não é raro encontrar nas Epístolas Paulinas a expressão ‘o pai de Nosso Senhor Jesus Cristo’ (Rm 15,6; 2Cor 1,3; 11,31; Ef 1,13; Cl 1,3). Por outro lado, Jesus nunca diz ‘Pai Nosso”, mas ‘Meu Pai e vosso Pai’ (Jo 20,17) distinguindo entre ‘meu Pai’ (Mt 7,21) e ‘vosso Pai” (Mt 5,16).

O auto-conhecimento da filhação de Jesus é muito claro no Evangelho (Lc 2,49; Mc 13,32). Ele freqüentemente declara-se o enviado do Pai (Jo 3,17.34; 5,23.36.37; 6,44,57 etc…), em Hb 3,1 é chamado “o apóstolo”, isto é, “o enviado”. Jesus também afirma que sua pregação são palavras do Pai (Jo 3,34; 12,49-50; 14,10) e dão testemunhos do Pai (Jo 5,19.36;9,4).

Os Evangelhos contém muitas orações de Jesus. Mas apenas em Mc 15,34 invoca “Deus”: “Meu Deus, meu Deus, porque me abandonaste?”. Mas este grito do Crucificado é uma citação do Sl 22,2. Todas as outras preces começam com “Pai”; para louvar (Mt 11,25-26), na invocação durante a agonia no Getsêmani (Mt 26,39.42), na súplica na Cruz (Lc 23,34.36).

O Segundo Evangelho mostra-nos como Jesus se dirige a Deus com a expressão “Abba” (Mc 14,16). É uma palavra aramáica usada como forma de tratamento íntimo com uma pessoa mais velha, e muitas vezes adotada na linguagem usada pelas crianças na família, mesmo quando adultos se dirigem ao pai. Ao chamara Deus de “Abba”, Jesus demonstrou o singular relacionamento entre Ele e Deus, e ao mesmo tempo mostrou a familiaridade, a fidelidade, o respeito, a disposição que ele possui. Na oração, o judaísmo antigo, litúrgica ou particularmente, nunca ousou dirigir-se a Deus como “Abba”.

Além de ser o Pai de Jesus Cristo, Deus é também o Pai dos Cristãos em todos os sentidos. Isto não é um fenômeno puramente natural ? todos são filhos de Deus ?, mas um dom escatológico em Cristo. Este conceito tem origem em Deus, que criou-nos à imagem de Seu Filho, tanto que ele tornou-se o primogênito de todos os irmãos e irmãs (Rm 8,29), e colocou em nossos corações o Espírito de Seu Filho que clama: Abba, Pai (Gl 4,6). Deus nos escolheu para sermos Seus filhos adotivos através de Jesus Cristo (Ef 1,6). O Espírito Santo testemunha ao nosso espírito que somos filhos de Deus (Rm 8,16) e nós que temos as primícias do Espírito, gememos interiormente, esperando que a adoção como filhos seja completa e definitiva (Rm 8,23).

Entretanto, é através da fé que nós efetivamos nossa filiação divina. “Vós todos sois filhos de Deus pela fé em Cristo Jesus” (Gl 3,26). “Mas a todos que o receberam deu o poder de se tornarem filhos de Deus: aos que crêem em seu nome” (Jo 1,12).

Amor (Mt 5,44) e misericórdia (Lc 6,36), perdão (Mt 6,14-15) e paz (Mt 5,9): esses são algumas das manifestações concretas dos Cristãos como filhos de Deus. Como filhos de Deus, os Cristãos tornam-se irmãos e irmãs em Cristo, através de quem podem dirigir-se a Deus como Pai “nosso”.

Jesus, o primogênito entre muitos irmãos (Rm 8,29), chamou seus Apóstolos (Mt 28,10. Jo 20,17), aqueles que fazem a vontade de Deus (Mc 3,31-35) e os mais marginalizados (Mt 25,40.45) como seus “irmãos”. Ele exortou para o amor aos inimigos (Mt 5,43-47) assim ampliou o sentido de “irmãos”. Ele convida ao amor ao próximo (Lc 10,29034) que pode ser um amigo ou inimigo, aquele que ajuda e que precisa de nossa ajuda. Os dois mandamentos do Antigo Testamento são unificados (Dt 6,5 e Lv 19,18; Lc 10,25-28). Ele aponta o amor para com os seus como fonte e fundamento de nosso amor para com os outros (Jo 15,12-13).

b) “Que estais no céu”

No Evangelho, Jesus fala várias vezes do “Pai … no céu” (Mt 5,16.45) e do “Pai celeste” (Mt 5,48). O que é “céu” para Jesus e para os escritores do Novo Testamento? É o trono de Deus (Mt 5,34) de onde Sua voz é ouvida (Mc 1,11). O Espírito Santo desce do céu (Mc 1,10; At 1,12). Jesus é do céu, veio do céu (Jo 6,38), e é do céu que um dia Ele descerá novamente (1Ts 4,16). Os anjos sempre vêm do céu (Lc 2,13-15). A recompensa do Cristão está no céu: a terra natal, o lar (2Cor 5,1), bênção (Ef 1,3) e recompensa (Mt 5,12), esperança (Cl. 1,5) e herança (1Pe 1,4). Céu é portanto uma realidade divina ? e freqüentemente substitui o nome de Deus (Mt 3,2; 16,1 etc…).

c) “Pai nosso que estais no céu”

Intimamente unidos a Jesus o Filho Único, todos os seus discípulos constituem uma única família de filhos adotivos de Deus. Eles podem dirigir-se a Deus como “Pai” de toda a humanidade que Ele ama, e em Seu amor onipotente Ele inclina-se para conceder a humanidade Sua transcendência que humanamente é impossível atingir.

2. A PRIMEIRA SÚPLICA: A SANTIFICAÇÃO DO NOME DE DEUSEsta é a abertura de uma série de três súplicas relacionadas a Deus. O pronome possessivo na segunda pessoa do plural é utilizado nos pedidos: “vosso” nome, “vosso” reino, “vossa” vontade. A voz passiva teológica pode ser observadas no primeiro e no terceiro pedido: “santificado seja”, “seja feita”, significando “para vós”. Os três pedidos portanto podem ser interpretados como “santificai vosso nome” , “vinde e reinai”, “fazei vossa vontade”.a) O NomeO nome é entre os semitas aquilo que constitui um indivíduo, pelo menos o desejo que impõe e define as suas qualidades. Mas se na humanidade há aqueles que não honram seus nomes, Deus torna plenamente efetivo o significado de Seu Nome. Entre os nomes divinos há também “o Santo”. E Deus é realmente Santo, visto que Ele transcende as realidades terrestres; Ele está afastado da ineficácia e maldade do mundo, pois é absolutamente poderoso e bom . Isto recorda também que os Judeus falavam com respeito do “Nome de Deus” de forma a evitar a referência direta a “Deus” mesmo.

b) A Santificação do Nome

De acordo com a Bíblia o Nome de Deus podia ser santificado ou profanado pelo homem ou por Deus. A humanidade santifica o Nome pela observância de Seus Mandamentos. Ela profana Seu Nome quando transgride-os. Lv 22,31-32 estabelece: “Guardareis os meus mandamento e os praticareis. Eu sou Iahweh. Não profanareis o meu Santo Nome, a fim de que Eu seja Santificado no meio dos filhos de Israel”.

Observe-se as duas formas paralelas: uma condicional “guardareis” e “a fim de que Eu seja Santificado”; e outra imperativa “guardareis” e “não profanareis”. Para Deus, santificar (não profanar) Seu Nome é manifestado pela punição dos Israelitas culpados de idolatria no Egito e a sua libertação. Deste modo os Egípcios não podem acusá-Lo de ter sido impotente no auxílio do Seu povo perseguido e oprimido pelo Faraó (Ez 20,5-12). Deus também santifica Seu Nome (não profana) intervindo para punir os pecadores pagãos. Deste modo os idólatras vêem o Seu poder. (Ez 39, 1-7).

Finalmente, Deus santificará Seu Nome definitiva e completamente quando Ele purificar os Israelitas de seus pecados, dando-lhes um novo coração e um novo espírito, para que possam observar os Seus estatutos (Ez 36,22-28). Os Cristãos sabem que Deus tem presente o início da era escatológica.

Pela intervenção salvífica, Ele revela-se a Si mesmo como Santo (revela a Santidade de Seu Nome) no Filho, e dá-nos Seu Espírito Santo. Na adesão a Deus que revelou-se como Santo, e esperando para vê-Lo em toda Sua glória e poder, os Cristãos procuram revelar Deus como Santo, para santificá-Lo pela observância de Seus Mandamentos e assim interpretar Sua glória.

3. A SEGUNDA SÚPLICA: A VINDA DO REINO DE DEUSa) O ReinoO Reino de Deus, sus instituição, comunicação e realização, constitui o ensinamento central que Jesus anuncia para as multidões e para seus discípulos numa linguagem muito clara ou através da forma velada das parábolas.Para indicar o cumprimento do tempo da salvação, Jesus escolheu a expressão “Reino de Deus” para lembrar a autoridade de Deus, o território ou o sujeito de Sua autoridade. Isto fica bem nítido na Epístola aos Hebreu. Esta expressão sugere um domínio, um império, embora sobrenatural. Ou designa um estado de existência, semelhante a uma comunidade, uma realidade atual ou escatológica, uma realidade terrestre ou celeste.

b) A Vinda do Reino

Várias vezes Jesus fala que o Reino de Deus “está próximo” (Mt 4,17;10,7), outras vezes que “já chegou a vós” (12,28). No pensamento de Jesus, o Reino é tanto futuro como iminente, presente, todavia misteriosamente oculto nas próprias pessoas e atitudes.

No “Pai Nosso”, o verbo aoristo “vir” indica que o Reino veio, mas não está inteiramente realizado. Para estes Cristãos não se pergunta por uma lenta e progressiva vinda do Reino de Deus à terra; mas uma única e definitiva erupção no final dos tempos, quando Deus virá pessoalmente para governar.

Este evento escatológico coincidirá com a vinda gloriosa de Jesus que os Cristãos invocam com o “Maran atha” (1Cor 16,22), “Vinde Senhor Jesus” (Ap. 22,20). No final dos tempos, Jesus subjugará todos os inimigos, incluindo a morte, assim Deus será “tudo em todos” (1Cor 15,28).

4. A TERCEIRA SÚPLICA: A REALIZAÇÃO DA VONTADE DE DEUSa) A Vontade de DeusExceto por Ap 4,11 que fala da vontade criadora de Deus, o “problema” de Deus em todo o Novo Testamento é dar a conhecer Sua gratuita vontade universal para salvação, revelada e promulgada em sua plenitude somente na escatológica inaugurada por Cristo. A vontade de Deus de salvar toda a humanidade esta expressa em um momento sob a forma de promessa, e em outro em forma de preceito. A terceira súplica do “Pai Nosso” inclui ambos os aspectos da vontade de Deus.Os Cristãos pedem a Deus que conclua o Seu plano de salvação que acontecerá no final dos tempos. Eles também pedem que a humanidade não obstrua com seus pecados a realização do projeto divino de salvação. Outrossim, em termos positivos, os Cristãos pedem que a humanidade coopere com a vontade de Deus pela observação de Suas exigências éticas.

Se é verdade, como Santo Agostinho ensinou, que “Deus não quer a sua salvação sem a sua cooperação”, então Deus executará seu plano de salvação de tal modo que a humanidade, com o auxílio do Espírito Santo, receberá a graça para acompanhar os preceitos divinos.

Esta terceira súplica não é por um povo desanimado e abatido que aceita passivamente e com resignação, a vontade de Deus. Ao contrário, é por pessoas que esperam e apressam (2Pe 3,12) dinamicamente a definitiva completa execução da vontade divina para executar suas obrigações éticas.

b) “Na terra como no céu”

A frase não se refere apenas a esta terceira súplica, mas a todas as três. Assim como Deus sempre santifica Seu Nome no céu onde Ele reina e executa Sua vontade, assim Deus também santifique Seu Nome na terra, reinando e executando Sua vontade. Ou colocando de outro modo, Deus santifica Seu Nome, governe e execute Sua vontade em todo o Universo, que inclui o céu e a terra.

5. A QUARTA SÚPLICA: O PÃO DA VIDAEsta é a primeira de três súplicas que dizem respeito ao povo messiânico. Os pronomes pessoas estão na segunda pessoal do plural e os pronomes possessivos na primeira pessoal do plural: “nos dai”, “perdoai as nossas ofensas”, “não nos deixeis cair”, “a quem nos tem ofendido”, “o pão nosso de cada dia”, “nossas ofensas”.a) O PãoUm alimento fundamental, como o óleo e o vinho, na bacia mediterrânea, o pão indicado que serve para sustentar o corpo, e conforme a interpretação de muitos Padres da Igreja, para sustentar a alma.

O Cristão pede a Deus que conceda o alimento que é o pão, o alimento espiritual da Palavra de Deus e a Eucaristia, para a salvação eterna.

b) Epiousios (“de cada dia”)

Um termo que fez-se obscuro desde o tempo do Gênesis. De acordo com diversas etimologias, ele pode significar o pão “de cada dia”. E qual é esse dia? Hoje. A expressão grega pode ter sido usada para evitar “semeron”/”hoje”. Em lugar de “o pão nosso de hoje nos dai hoje”, agora se diz “o pão nosso de cada dia nos dai hoje”.

Os Cristãos recordam-se as palavras de Jesus “… o vosso Pai celeste sabe que tendes necessidade (comida e roupa). Buscai , em primeiro lugar, o Reino de Deus e a sua justiça, e todas essas coisas vos serão acrescentadas” (Mt 6,32-33).

Confiança na generosidade do Pai celeste é a condição necessária. Ele proverá o sustento necessário de toda a comunidade.

“De cada dia” é “de amanhã”, isto é, da escatologia. Jesus pôs seus discípulos a salvo de preocupações futuras e da acumulação de bens para si; à frente de suas preocupação sobre as coisas do mundo: “Não vos preocupei, portanto, com o dia de amanhã, pois o dia de amanhã se preocupará consigo mesmo. A cada dia basta o seu mal” (Mt 6,34).

Os Cristãos pedem pão do amanhã escatológico, do banquete do Reino do céu (Lc 14,15). Eles pedem-no para hoje porque toda realidade terrestre vive o “agora” da era escatológica que aguarda o seu pleno desenvolvimento.

6. A QUINTA SÚPLICA: A REMISSÃO DOS PECADOSa) As transgressõesNão se trata de dívidas de gratidão obtidas por nós da generosidade paternal de Deus quando Ele nos concede suas dádivas. “Dividas” de acordo como entendimento dos Judeus são os nossos pecados. As dívidas não são consideradas como ações perversas em si mesmas, mas antes em relação a Deus cujas regras nós transgredimos e a quem nós devemos fazer uma reparação adequada.Ainda que nós devamos executar isto, nós nunca o faremos, devido a imensidão dessas dívidas. Nós mesmos nos encontramos na condição do servo implacável cujo débito chega a 10.000 talentos, e que não tem como pagar, foi vendido juntamente com todos os seus familiares e com seus bens (Mt 18,23-25). A confissão desta impossibilidade de compensar a dívida leva-nos a voltar com humildade em direção ao misericordioso amor de Deus que sobrepõe-se a tudo; então Ele perdoa nossos pecados, que nós mesmos jamais poderíamos expiar.

b) “Como nós perdoamos quem …”

A generosidade de Deus, para qual nós apelamos, coloca um única condição para que recebamos a remissão dos pecados: que nós perdoemos também quem nos ofendeu, que nós perdoe-mos aquele que tenha nos ofendido. E nos podemos mostrar misericórdia para com nossos irmãos e irmãs, exatamente porque nos podemos passar o grande tesouro de misericórdia que Deus primeiro mostrou a nós. Isto é tão claro que ao contrário também é verdade: que nossa oração não será atendida se como o servo implacável (Mt 18,23.15; cf. 6,14-15) nós deixarmos de perdoar nossos irmãos e irmãs.

O quinto pedido, como o sexto, resulta da situação que o pecado adia a definitiva vindo do Cristo glorioso e do Reino do Pai. 2Pe 3,9 diz que o Senhor não tarda a cumprir a sua promessa, como pensam alguns; mas o que ele está é usando de paciência com convosco, porque não quer que ninguém se perca, mas que todos venham a converter-se.

7. A SEXTA SÚPLICA: A PRESERVAÇÃO DAS TENTAÇÕES E A LIBERTAÇÃO DO MALa) A TentaçãoTentar significa testar, experimentar; portando tentação significa teste ou experiência. Algumas vezes é a humanidade que testa Deus, como os Israelitas no deserto (Dt 8,2). Isto significa desafiar Deus, negando-se a demonstrar-Lhe dedicação e obediência, em oposição ao Seu plano de salvação.Outras vezes é Deus quem testa a humanidade, como quando Ele testou Abraão no sacrifício de seu único filho (Gn 22,1f). Isto significa dizer que Deus, querendo realizar seu plano para salvação, antes deu à humanidade a decisão de acreditar ou não nEle, para obedecê-Lo ou não.

Outras vezes, ainda, é o demônio, Satanás, que testa a humanidade para tentar obstruir o plano divino de salvação, buscando empurrar a humanidade em direção à descrença e a desobediência (Mt 4,1-11).

Tentação neste sentido não vem de Deus, mas do demônio. Mas é atribuída a Deus na concepção semítica, Deus é a causa fundamental e todas as coisas (cf. Prólogo do Livro de Jó). Assim se fala da tentação de todos os dias da vida, símbolo e antecipação da tentação do último dia, “da tentação que virá sobre o mundo inteiro” (Ap 3,10). Esta “grande tribulação” (Mt 24,21) é o final e decisivo ataque que Satanás lançará contra os fiéis, atacando com tanta violência que, como disse Jesus, “se aqueles dias não fossem abreviados, nenhuma vida se salvaria. Mas, por causa dos eleitos, aqueles dias serão abreviados” (Mt 24,22) assim haverá fé sobre a terra (cf. Lc 18,18).

Os Cristãos rezam para o Pai celeste, para que Ele apenas os guarde da tentação, mas também que não os deixe cair em tentação. De acordo com esta idéia é o ensinamento encontrando em 1Cor 10,13: “Deus é fiel; não permitirá que sejais tentados acima das vossas forças; mas, com a tentação, ele vos dará os meios de sair dela e a força para a suportar”.

Isto é valido para as tentação da vida diária, mas além de tudo para a grade tentação dos últimos dias.

b) A Libertação do Mal

A segunda parte do sexto pedido repete mais ou menos o que foi dito na primeira, porém no modo positivo (diferente do modo negativo da primeira parte). Os Cristãos pedem a Deus que preserve-os do mal. Porém a personificação do “ponerou” (forma masculina de “poneros” para indicar Satanás) é preferida, o que não exclui o significado de “mal”.

Sob a luz do Antigo Testamento e do Judaísmo, o “Pai Nosso” não apresenta nenhuma idéia nova.Em “Anicia Proba Faltonia” (pouco depois de 411 d.C.), Santo Agostinho, nascido de uma família nobre, que buscou proteção no Godo Alarico, observa os paralelos no Antigo Testamento de cada pedido da Oração do Senhor.Ele concluiu “Se todas as palavras da sagrada invocação constante da Escritura fossem revisadas, você não encontraria nenhuma, isto me parece, que não está contida ou resumida no “Pai Nosso” (Epístola 130,12.22-13).

Aqui está uma sinopse dos paralelos citados por Santo Agostinho:

Santificado seja o vosso nome ? “Como, diante delas, te mostrastes santo em nós, assim, diante de nós, mostra levas a tua grandeza” (Eclo 36,3)

Venha a nós o vosso Reino ? “Deus dos Exército, faze-nos voltar! Faze tua face brilhar, e seremos salvos” (Sl 80,8).

Seja feita vossa vontade assim na terra como no céu ? “Firma meus passos com a tua promessa e não deixes mal nenhum me dominar” (Sl 119,133).

O pão nosso de cada dia nos daí hoje ? “… não me dês nem riqueza e nem pobreza, concede-me o pedaço de pão” (Pv 30,8).

Perdoai as nossas ofensas assim como nos perdoamos a quem nos tem ofendido ? “Iahweh, lembra-te de Davi, de suas fadigas todas…” (Sl 132,1). “Iahweh, meu Deus, se eu fiz algo … se em minhas mãos há injustiça, se paguei com mal ao meu benfeitor … (Sl 7,4-6).

Livrai-nos do mal ? “Deus meu, livra-me dos meus inimigos, protege-me dos meus agressores! (Sl 58,2).

O mesmo pode ser observado na literatura judaica; passagens de orações litúrgicas e outros textos antigos mostram-se paralelos à Oração do Senhor, um exemplo é “Literatura Rabínica e Ensino do Evangelho”, de G.G. Montefiore, Londres, 1930, p. 125-135.

Abaixo esta uma breve síntese:

Pai nosso que estais no céu ? “Nosso Pai do céu, vós vos agradais em estabelece um Casa de nossa vida e para colocar Vossa Presença no centro de nossos dias ….” (Liturgia para Manhã de Sábado de acordo com o costume romano).

Santificado seja Vosso Nome ? “Possa Vosso grande Nome ser elevado e santificado” (Qaddish).

Venha a nós o Vosso Reino ? “Possa Vosso Reino ser realizado em vossa vida, e em vossos dias e na vida de toda Casa de Israel agora e para sempre” (Qaddish).

O pão nosso de cada dia nos dai hoje ? Rabbi Eliezer, o Grande, disse: “quem tiver um pedaço de pão numa cesta e disser: que comerei amanhã? é uma pessoal de pouca fé” (B. Soda 48b).

Perdoai os nossos pecados ? “Perdoai-nos, Ó Pai Nosso, porque nos temos pecado, Absolve-nos, Ó Nosso Rei, porque nos cometemos transgressões” (Amida).

Como nós perdoamos a quem nos tem ofendido ? Samuel, o Pequeno, disse: “se o vosso inimigo cair, não vos rejubileis, se ele se perder, não deixai vosso coração se alegrar, para que Deus não veja e volte os Seus olhos e afaste dele Sua fúria” (Aboth 4,24).

Não nos deixeis cair em tentação, mas livrai-nos do mal ? “Seja um escudo para nós, e afaste nossos inimigos, doenças, a espada, fome, angústia. Afaste o Adversário da frente e de trás de nós” (oração de Mar Bar Rabna, 5ª centúria, na Liturgia Noturna).

Não obstante isto, a Oração do Senhor é ainda a mais original das orações; é a oração por excelência. Tudo o que diz e contém (e o que não é dito) é a referência essencial do relacionamento entre a humanidade e Deus.

Colocada acima das contingência de tempo e espaço, tem um caráter universal em que a humanidade encontra a si mesmo, através de muitas épocas e civilizações.

Autor: pe. Marco Andinolfi Fonte: Site Christus Rex Tradução: Claudiomar Barbosa da Silva

 
 
 
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