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  • PSOL defende “aproximação” da esquerda com evangélicos

    Em 2012, o Brasil vivia um período de transição, enquanto Dilma tentava sair da sombra de Lula e fincar as bases do seu governo, que se mostraria desastroso em todos os sentidos. Alguns líderes evangélicos haviam rompido com o PT ao perceber que o partido não cumpriria suas promessas de campanha. No Fórum Social Mundial daquele ano, em Porto Alegre, o então secretário-geral da Presidência, Gilberto Carvalho, externou suas preocupações em relação a ascensão dos evangélicos na política e disparou: “É preciso fazer uma disputa ideológica com os líderes evangélicos pelos setores emergentes!”. Propôs então criar-se uma “mídia estatal” para a classe C e assim controlar a ideologia da população emergente. Na ocasião, alguns deputados evangélicos e pessoas de influência no meio, como Silas Malafaia, denunciaram a intenção do PT e reforçaram sua intenção de combater a ideologia esquerdista que se fortalecia no Brasil. Carvalho fez um jogo de cena, pediu desculpas, mas nunca ficou claro qual era o seu plano. Ele saiu do governo em 2014 e o projeto de poder das esquerdas naufragou dois anos depois. Apesar das controvérsias, por iniciativa de Eduardo Cunha, um deputado ligado aos evangélicos. Agora, através da Carta Capital e do deputado estadual Marcelo Freixo (PSOL/RJ) se desenha uma nova estratégia às vésperas da eleição. No melhor estilo “se não pode vencê-los, junte-se a eles” Freixo afirmou ao Huffington Post: “Sou daqueles que acham que não vai ter nenhum processo revolucionário se o Brasil não entender o papel dos direitos humanos na luta pela vida e na superação do medo”. Em seguida, complementou enfatizando que sua ideia não é “disputar com os conservadores, mas é trazer esse universo popular evangélico para uma perspectiva popular de esquerda. Esse é um desafio nosso”. Obviamente ele faz distinção entre os principais líderes das igrejas e a “massa”. Quando era candidato à Prefeitura do Rio de Janeiro em 2016, Freixo atacou seguidamente Marcelo Crivella, bispo licenciado da Igreja Universal do Reino de Deus. Acabou derrotado. Se pretende o Senado, como se especula, terá de enfrentar Flávio Bolsonaro (PSL/RJ), que é membro de uma igreja batista. Diferentemente de Jean Wyllys, do mesmo partido, das opções do PSOL de Freixo é investir no pastor Henrique Vieira, que contraria posições históricas dos evangélicos defendendo o abordo, o casamento gay e a ideologia de gênero. Em participações em programas da Globo e nos seus vídeos, o pastor pede para que não se “generalize” os evangélicos. Repetindo os clichês de esquerda, ataca os líderes conservadores, classificando-os de “coronéis da fé” e “mercadores da religião” e “fiscalizadores de corpos”. Esquerda quer ser o “Espírito Santo” No mês passado, a revista Carta Capital – que, conforme os áudios vazados pela Lava Jato é a porta-voz oficial das ideias de Lula – também deu indícios que a estratégia da esquerda é atrair os evangélicos. Em entrevista, a cientista política Clarisse Gurgel fez uma série de afirmações que deixam claro essa nova perspectiva, que busca um terreno comum, por mais impensável que isso seja, uma vez que comunismo pregado por eles é ateísta em sua raiz. Comparando evangélicos e militantes da esquerda, asseverou: “podemos identificar uma demanda comum entre os que vão aos atos e os que vão aos cultos e que ganha feições disto que aparenta ser uma demanda por repressão. Talvez, falte a nós da esquerda lidarmos com isto que é enigmático, contraditório e que aponta para algum papel comunal da disciplina. Caso contrário, o que há em comum entre fiéis e militantes passa despercebido.” Deixou claro ainda que “A classe trabalhadora busca por limites e encontra na Igreja a ideia de segurança, de tranquilidade e de salvação… a igreja dá forma ao fiel. É sua formadora”.  Para a estudiosa, “As Igrejas Evangélicas costumam promover as soluções individuais para problemas coletivos. Isso encontra um terreno muito fértil na crise do capital”. Ela não tem pudores em articular uma heresia, comparando o ideário de esquerda com a ação do Espírito Santo. Citando o Livro de Atos, insiste que Paulo é “como um militante orgânico, propaga as concepções de um profeta chamado Jesus Cristo” e “um revolucionário, que defende o que nunca testemunhou, descreve a forma como Cristo era compreendido por todos, independente de suas etnias, culturas e línguas”. Prossegue em seu delírio, insistindo que “Fazendo uso de parábolas, Paulo começa a narrar a história de um som que veio do céu, como de um vento impetuoso, que encheu as casas dos assentados, e de línguas de fogo que pousaram sobre cada um deles. A esquerda poderia assumir esta forma impetuosa, cumprindo papel de produção de uma linguagem comum entre os que trabalham. Infelizmente, sua atuação hoje já não chega aos locais de moradia, o tráfico e a Igreja cuidaram de dificultar fortemente este exercício”. Via: Gospel Prime

  • Apologética católica em 20 questões

    Católico, aprenda a defender sua fé 01 – Jesus fundou uma só Igreja, sob Pedro, e deu a ele o poder de ligar e desligar! Esta Igreja ÚNICA, que foi sempre a mesma, ainda que tenha adotado adiante a denominação “Igreja Católica Apostólica Romana”, tem quase dois mil anos, e tem uma seqüência de 265 papas em ordem, desde aquele primeiro Pedro. E hoje nosso Pedro é o Papa Francisco. Nenhuma outra denominação tem estes argumentos ao seu favor. Disse Jesus ao apóstolo Pedro: “Eu te declaro: tu és Pedro, e sobre esta pedra eu edificarei a minha Igreja; as portas do inferno, não prevalecerão contra ela. Eu te darei a chave do Reino do Céu: Tudo o que ligares sobre a terra, será ligado no Céu, e tudo o que desligares na terra, será desligado no Céu” (Mt 16, 18-19). Jesus falou sempre no singular e somente a uma pessoa – Pedro – deu poder para ligar e desligar as coisas. Ora, Jesus sabia que São Pedro não era eterno, então o Espírito Santo conduziu a Igreja a nomear sucessores deste primeiro Pedro. Portanto, tudo aquilo que se refere a normas e formulas, também tudo o que se refere a questões de doutrina com base na Bíblia, e na Tradição – porque mudam os tempos, e porque Pedro sempre esteve presente – o que obrigou a Igreja a se adaptar, tudo isso somente o Papa tem direito de alterar. E nenhum outro mais! Todos, então, que se batem contra esta rocha de Pedro, não procedem de Deus! E sem dúvida serão, um dia, trucidados! 02 – Todas as outras igrejas, têm, portanto fundadores apenas homens, são todas recentes na história, a maioria das milhares de seitas – não há como fugir desta palavra, porque se trata de “derivada de outra religião” – não tem mais de 30 anos. A primeira grande ruptura na Igreja Católica, aconteceu em 1094 com o Cisma do Oriente, que resultou na Igreja Ortodoxa. Em princípio eles são quase iguais a nossa Igreja, apenas não obedecem ao Papa. Mas foi em 1532, com Martinho Lutero, que houve a primeira grande divisão, com a chamada Reforma Protestante. E logo surgiram outras e mais outras denominações protestantes. Mas tudo explodiu mais a partir do início do Século XX, nos Estados Unidos, quando começaram a surgir enormidades de pastores, cada qual fundando a sua própria igreja, adotando para si critérios humanos, e desprezando grande parte da verdade revelada. E como todas surgiram no mínimo 1.500 anos depois de Jesus, e de sua única Igreja, todos eles têm fundadores homens, e, portanto sequer têm direito de usar a nossa Bíblia, quanto mais nos dar lições sobre ela. 03 – Somente na Igreja Católica, opera o espírito de profecia, sendo através das revelações a santos e profetas, que se formulou grande parte da Doutrina da Igreja. Em toda a história das seitas, jamais se verificou dentro delas alguma profecia, como vinda diretamente do Céu, salvo raríssimas exceções com forte apelo de conversão. E estas são bem recentes, prova de que estamos sem dúvida no final dos tempos. Todos os discernimentos que eles obtém dos Evangelhos brotam apenas do pensar humano, racional e falível, resultando do estudo das Escrituras e dos outros escritos históricos. Mas nada do que eles produziram através dos tempos, trás algo de novo, ou que a Igreja Católica já não tenha ensinado antes ou desde sempre. De toda a literatura doutrinal que qualquer pessoa, de qualquer outra denominação cristã nestes tempos, a única que entendo como inspirada pelo Céu, foi a da grande Madre Basiléia Schlinck, a fundadora das Irmãs de Maria, dentro da igreja luterana. Só por este gesto já se vê que ela tinha missão especial. Se os seus pares não a entenderam, é porque sufocam a verdade. 04 – Os evangélicos fazem uma leitura fundamentalista da Palavra, rejeitando a bel prazer tudo o que lhes desagrada – ou os acusa – distorcendo assim a interpretação. Como acima citei, a maioria das denominações aplica uma leitura fundamentalista da Palavra de Deus, que implica em citar a letra dura da palavra, sem discernir que existem os diferentes idiomas e que isso precisa ser levado em conta. Eles fazem isso, porque não são conduzidos pelo Espírito Santo, que não age na divisão. O que importa é manter o fulcro central, o sentido real do que as Escrituras Sagradas de fato querem dizer. E somente à Igreja Católica foi dado o poder de interpretar esta palavra, na dúvida. Mas muitos, ao quererem se manter fiéis ao original, acabam errando profundamente porque introduzem na doutrina conceitos humanos e falhos. No prólogo do livro do Eclesiástico está assim: Exorto-vos então a consagrar à leitura deste livro boa vontade e atenção muito particular e a perdoar-nos também quando, embora querendo dar uma exata sabedoria, não encontramos, entretanto, os termos desejados para expressa-la. Com efeito, as palavras hebraicas perdem sua força quando traduzidas em língua estrangeira, fato que não acontece somente com este livro, pois a Lei, os Profetas e outros Escritos são, quando traduzidos, muito diferentes do texto original. Ou seja, não se pode fazer uma leitura fundamentalista das Escrituras Sagrada, sob pena de vir a cometer graves erros. Ademais, somente a Igreja Católica tem poder de interpretar esta Lei, os profetas e seus escritos, porque somente a ela foi dado o direito de ligar e desligar. Um exemplo deste fundamentalismo é a questão da oração do Pai Nosso, que eles fazem rígida, enquanto a Igreja Católica, adapta a uma leitura correta dentro de cada idioma pátrio. E ninguém pode dizer que não se torna mais belo da forma como rezamos. Aliás, verdadeiramente a maioria dos evangélicos sequer reza esta oração, ou outra oração qualquer. Seus cultos se baseiam apenas no louvor dos cantos e na pregação do pastor, nada mais. E quanto mais furioso o pastor, mais prosélitos consegue e mais dízimo consegue cobrar. E quanto mais ligado a dinheiro, mais é rica a sua seita, jamais Igreja. No mais – até a ceia deles – é vazia e é sem valor algum para Deus. 05 – A questão do uso das imagens, a diferença entra venerar e adorar. Aqui está certamente um dos maiores pontos de ataque que nos dirigem. Mas costumo rir desta situação. E imediatamente apelo para a simples e mínima inteligência deles. Na verdade, parecem ser aquele disco de vitrola furado, que fica indefinidamente rodando uma frase só. Nhém, nhém, nhém! Deus disse: ouve o Israel! Não terás OUTROS deuses diante de Mim! Bem claro, OUTROS deuses! Ou seja, tudo aquilo que se refere ao culto do Deus Único e verdadeiro, não só pode, como DEVE ser usado. Vejam: Quando Moisés ficou no Sinai por trinta dias, quando voltou já estavam os judeus pulando em frente a um bezerro de ouro dizendo: foi ele que nos tirou do Egito! Da mesma e exata forma agem os prosélitos de qualquer fundador de seita: prostram-se diante dele como se fosse o único santo, que, alias, quanto mais ataca a Igreja Católica mais santo lhes parece. Vejam o que aconteceu naquela ocasião: na mesma hora, acaso Moisés não ordenou os levitas que matassem mais de três mil daqueles pérfidos adoradores? (Ge 32, 28) Acaso, Deus não fez abrir a terra e esta engoliu milhares de outros? E acaso o Deus de hoje é diferente daqueles antigos tempos? Também se ele fulminou Sodoma por apenas alguns tempos de loucura, como permitiu que os católicos ficassem dois mil anos “adorando” imagens, e não nos fulminou ainda? É porque nós apenas veneramos nossos santos como exemplos de vida, de virtude, e de vitória contra satanás e por isso usamos as imagens que nos aproxima mais deles. Porque somos sensitivos, e vendo e tocando as coisas, mais nos imbuímos do seu sentido de culto, e melhor entendemos as coisas. Entrementes, nossos irmãos separados perdem todas as graças que resultam deste culto, não de adoração mas de simples veneração, respeito, admiração profunda, primeiro porque eles não têm santos, segundo porque se privam das imagens que nos aproximam dos santos. Mas os inteligentes entre eles sabem, com certeza, que nós católicos adoramos somente a Deus Vivo e real, no Santíssimo Sacramento. Quem não entende isso, apenas polemiza em cima do interesse próprio. Aliás, até na questão a Sagrada Eucaristia nos atacam, dizendo que adoramos um pedaço de Pão. Como são simplórios e sem fé? Aliás, para que fé se eles tiram dela o mistério? 06 – Discurso do Pão da Vida, a Eucaristia, o capítulo VI de João. Aqui está certamente o fulcro central da nossa divisão. O capítulo VI do Evangelho de São João é todo dedicado ao discurso do “Pão da Vida”. Jesus diz ali que Ele é o Pão Vivo que desceu dos Céus. Diz que este Pão que Ele nos dará é a Sua Carne para a salvação do Mundo. Afirma claramente que quem não comer desta Carne e não beber deste Sangue, não terá a vida em si. Ao contrário, quem deles se alimentar, terá a garantia da salvação e da Ressurreição no último dia. Ora, nós católicos – e ortodoxos – acreditamos nestas palavras e ficamos com Jesus Eucarístico, na verdade Deus Vivo em nosso meio. Mas quando Jesus falou isso aos discípulos, muitos dele o abandonaram dizendo: isso é muito duro, quem o poderá admitir! (Jo 6, 60). Também assim os protestantes o fazem agora! Não admitem a presença Real de Cristo na Eucaristia e atacam aquilo que não entendem! E com isso se afastaram de Jesus, eles também! Aliás, os católicos estão proibidos de participar de celebrações ecumênicas, onde se distribua a ceia ao modo protestante. Não se trata da mesma coisa, além do que isso é abominável aos olhos de Deus. Quem não acredita na presença real de Cristo na Eucaristia – que pode ser consagrada apenas pelos sacerdotes católicos que receberam o Sacramento da Ordem – não pode se aproximar da mesa do banquete, sob pena de sacrilégio. Da mesma forma, é abominável aceitar a ceia protestante, como se ela de fato substituísse a Santa Eucaristia! Aliás, está é exatamente a “abominação” de que falou o profeta Daniel (Mt 24), referida por Jesus: mudar o Sacrifício da Cruz, por uma simples ceia protestante! É isso que o diabo quer, e infelizmente conseguirá por algum tempo, mas não em todos os lugares. Mas nem todos os protestantes estão cegos. Recentemente os protestantes da Finlândia que são maioria de 94% naquele país, lançaram um manifesto que dizia em síntese: Não podemos mais ficar sem a Eucaristia e sem Maria! Na Alemanha também, pelo Manifesto de Dresden, os luteranos daquele país conclamam a voltar ao culto a Maria e estudos já estão sendo feitos, juntamente com a Igreja Católica, no sentido de ordenar pastores protestantes ao sacerdócio, para que haja a celebração do Mistério da Santíssima Eucaristia também entre eles. São os caminhos de Deus que visam o retorno de nossos irmãos separados, porque um dia “haverá um só rebanho e um só pastor”. 07 – A questão dos Sacramentos não só sinais, mas caminhos. As formas e fórmulas! Os Evangélicos de um modo geral, e os protestantes, não acreditam na eficácia dos Sacramentos, a quem atribuem apenas o sentido de simples sinais. Tudo para eles é apenas sinal, não mistério! Mas para que uma fé sem mistério? Se tudo se explica pelos sinais visíveis, então não se precisa de uma religião. Ora, todos os sete Sacramentos foram instituídos por Jesus, não como simples sinais, mas como caminhos eficazes de salvação. Quem não atribui valor maior a eles, na verdade deturpa o sentido da fé e elimina de sua crença todo o mistério. Na verdade então, todas as seitas de um modo geral eliminaram os mistérios, apenas algumas creditam um certo mistério à Santíssima Trindade nada mais. Ora para que fé, se dela se tira todo o sentido místico e misterioso? Se tudo se explica à luz da razão? Para viver esta crença sem sentido, não se requer uma divindade! Um boneco de pau serve, e tem o mesmo valor. Então, como a maioria centra sua crença apenas em Jesus homem, retira da fé todo o sentido profundo do Mistério de Deus, banalizando o culto e banalizando ao próprio Deus. Os antigos trogloditas adoravam o trovão porque não sabiam o que significava e dele tinham medo. E tão errados eram que – se queriam adorar uma força – deveriam adorar o raio que fulmina e não o trovão que é inócuo. A fé dos evangélicos é a mesma dos adoradores do trovão: pensam que têm força, mas tem apenas barulho, nunca a Luz verdadeira do Espírito e a fortaleza de Deus. 08 – Maria a mulher do Gênesis ao Apocalipse. Está dito: a Mulher te esmagará a cabeça! (Ge 3, 15) A Mulher e a sua descendência! Ora, Jesus é a descendência da Mulher, Maria, eis a sublimidade do mistério. Todos os nossos irmãos evangélicos – que não aceitam isto – distorcem e destroem o mistério de Maria. A batalha é entre ela e o dragão, e não entre Deus e o dragão: Tu lhe morderás o calcanhar, ela te esmagará a cabeça! Nós somos o “calcanhar” de Maria. Calcanhar, na mitologia grega, era o “ponto vulnerável” do herói Ulisses. Maria é feita por Deus como invulnerável aos ataques do mal, por isso ela se desvela por nós que somos vulneráveis ao inimigo. Com Maria, assim, formamos a simbiose perfeita. Não é, pois, Deus Quem derrotará o Dragão, mas por um desejo de Deus, será a mulher quem o derrotará. Onde? Dentro da Igreja Católica, a única onde esta Mulher especial é aceita. Por qual motivo a seitas não subsistirão? Porque não têm Maria! E quem não tem Maria, também não tem Jesus. Só na eternidade muitos evangélicos vêem isso! Na verdade o inferno odeia Maria – e por isso atiça contra ela os nossos irmãos – porque sabe que será derrotado por ela. Acaso é pelo poder de Deus, ou por um desejo Dele que se ataca Maria? Qual o filho, terreno, que se sente bem ou gosta quando atacam sua mãe? Acaso será diferente com Jesus, o único Filho de Maria? Ninguém, em sã consciência poderá dizer que ama a Jesus se odeia a sua Mãe. Eis que a Palavra diz: quem diz que ama a Deus, mas odeia ao seu irmão é um mentiroso. Assim, Maria e Jesus estão intimamente ligados no Amor. E só o Amor é Eterno e só o amor vencerá. Como podem então achar que com ódio a Maria vencerão? Enfim, Lúcifer, o arrogante príncipe das trevas, no fundo sabe que com Deus ele não pode, e se conformaria em ser derrotado por Ele adiante. Mas ele odeia os homens e principalmente odeia as mulheres – e entre elas a maior Mulher, Maria – a quem julga seres muito inferiores a eles. Então, a grande maravilha da obra redentora de Deus, é fazer que justamente esta criatura inferior – a Mulher – derrote o poder do inferno. E justo por isso Deus a cumulou de todas as graças – que são forças – capazes de derrotar o inferno. Sozinha ela não tem poder, mas por Deus tem todo o Poder necessário para esmagar o dragão. Eis porque, hoje, nestes tempos finais, Maria surge em todo o mundo como grande sinal de vitória, em milhares de aparições na terra inteira, e vem como a Mulher vestida de sol, a lua debaixo dos pés e na cabeça uma coroa de estrelas (Ap 12, 1). Assim, o demônio jamais se conformará em ser derrotado pela menor das criaturas humanas. E junto com ela, de fato participam da batalha todos os seus filhos. Ou seja: os homens é que derrotarão Lúcifer! Vejam: acima de Maria, somente a Trindade Santíssima, eis porque ela canta no Magnificat: TODAS as gerações me chamarão bem-aventurada. E se a devemos ter por BENDITA, com que direito alguém a amaldiçoa senão por um desejo das trevas? Se ela é cheia de graças, e Deus a tem por MAIOR entre os homens, como a denigrem? Acaso pensam que isso agrada a Deus? Pelo contrário, isto Lhe desagrada ao extremo: ver Sua Santa Mãe ser vilipendiada pelos homens. Analisem os personagens bíblicos desde Adão, Noé, Abraão, Davi, Salomão! Todos eles foram pecadores e ofenderam Deus gravemente. Provem, pela bíblia, que Maria cometeu uma só falta! É a por isso que a temos Imaculada Conceição. Porque Deus a reservou apenas para si – acaso não tem direito a isto? – e Maria se reservou apenas para seu Jesus. Quem ataca a pureza de Maria, escarra na pureza infinita de Jesus, porque ambos são INSEPARÁVEIS no amor Eterno. 09 – Os “irmãos” de Jesus, a negação aos pés da Cruz. E porque aceitaram de satanás o convite de também odiar Maria, muitos de nossos irmãos separados se esmeram em denegrir a imagem dela. O maior ataque e mais cruel, é faze-la uma mulher vulgar, mãe de muitos filhos, quase uma meretriz – até “vaca” em algumas denominações – mal sabendo que por indução, tornam-se idólatras então! Pois o “jesus” que dizem seguir, um “boi” qualquer, um simples qualquer, um deus qualquer. Ora, na história do povo santo, quantas matriarcas tiveram apenas um filho? Isabel, mãe de João Batista! Ana, mãe de Samuel!! Sara, a mulher de Abraão. A mulher estéril que acolheu o profeta Eliseu! Também a mãe de Sansão, e assim tantas outras. Por qual motivo, senão pelo puro ódio, exigir que justo a Mãe de Deus fosse mãe de inumeráveis filhos? Porque Deus puríssimo não a poderia criar para Si, um tabernáculo também puríssimo, a altura Dele e deveria conspurcar Sua Mãe? Quem conspurca a Mãe cospe no próprio Deus, nunca será diferente. Vejam o que aconteceu aos pés da Cruz: Onde estavam os tais irmãos de Jesus se é que existiam, pois nada fizeram para salvar seu irmão? Ora, foi ali aos pés da cruz que nós católicos recebemos Maria por Mãe e Jesus por irmão. E que fizeram os evangélicos que não a aceitam? Fugiram, como bastardos, como os inexistentes outros irmãos de sangue de Jesus. Na verdade, quem exige que Maria tenha tido outros filhos de José, faz de Jesus um bastardo e de Maria uma adultera e pecadora, que na época merecia ser apedrejada. Então para seu caso se justifica: os evangélicos seguem um bastardo e não um Deus! Se Jesus não tinha poder nem para converter e comover seus próprios irmãos e irmãs para que lutassem e O defendessem dos fariseus, como iria converter os outros? E pergunto: Que moral teria Ele para pregar sua Doutrina, se nem Sua casa conseguisse evangelizar? Acaso os outros não lhe apontariam de imediato o dedo? Então, isso prova que o jesus dos evangélicos não é o mesmo Jesus dos católicos, que é sim, Filho Único do Pai, e Filho Único de Maria, no seio de quem foi concebido por obra do Espírito Santo. Porque, a seguir a lógica absurda deles, se Deus tem um único Filho, mas a mulher tem mais de um, então Jesus seria filho de uma adúltera e pecadora. Como Jesus seria Deus então, se nascido no pecado e de uma pecadora? Tudo é diferente, então, e não são a mesma pessoa, nem o mesmo Deus. Vejam os contrapontos: Nosso Jesus é também o Pão da Vida Eterna, cuja Carne e cujo Sangue devem ser comidos para termos a garantia da salvação, mas o deles é apenas o filho bastardo de uma adultera e pecadora. Nosso Jesus fundou apenas uma Igreja, sob Pedro, o deles fundou milhares delas, sob milhares de pedros, joãos, josés, quantos? O nosso Jesus disse: sejam um só, como o Pai e Eu somos um, mas o deles diz sejam muitos pois sois livres. O nosso Jesus instituiu sete Sacramentos como caminhos de salvação, o deles disse que eram simples sinais sem muita importância. E assim se poderia indicar inúmeros outros pontos, onde nosso entendimento é sempre o extremo oposto. 10 – Pregação da doutrina do ódio e do ataque aos católicos. Grande parte das denominações – por seus pastores – centra seus ensinamentos, não na doutrina de Jesus, mas no ataque cerrado aos católicos. Ora em todo Evangelho, Jesus jamais mandou que odiássemos ou combatêssemos os outros, antes disse: Amai-vos como Eu vos amei! E ainda: Amai até aos vossos inimigos! E assim em toda a terra, mesmo os maus padres, jamais se vê pregar o ódio aos nossos irmãos; por qual motivo senão pelo desejo de satanás que eles nos atacam tanto? Onde está este ensinamento em suas bíblias? Se ele existe, então não se trata do mesmo Evangelho, nem do mesmo Jesus Cristo a quem seguimos. Aos cristãos compete pregar o Evangelho do Amor! Do deixar bater na outra face! Do lavar os pés uns dos outros! Fora disso, a pregação vem de satã e agrada somente ao inferno. Na verdade, nossos padres podem até cometer muitos erros, mas é muito difícil encontrar um deles que viva a atacar as seitas. 11 – Falso poder de exorcismo e de cura. Muitas denominações centram suas pregações e cultos, somente no eixo da cura e da libertação das pessoas, e também do exorcismo, dizendo-se com poder de expulsar os espíritos malignos. Ora, nenhuma pessoa, que não esteja investida do sacramento da Ordem, tem o poder de expulsar demônios. Somente aos padres católicos, legalmente ordenados para isto, trajando a estola da ordem sacerdotal, recebem o poder de realmente expulsar os demônios. Tal poder, somente eles têm e recebem isso somente através da Igreja Católica, pela sua hierarquia. Todos os outros, que se dizem com o poder de exorcismo, mentem e os casos que eles tratam, não carecem de exorcismo sendo apenas distúrbios mentais. Ou são mistificações e armações prévias, no sentido de enganar os crentes e iludir os incautos. Quando eventualmente acontece um caso real de possessão diabólica, onde é preciso exorcismo verdadeiro, estes pastores os abandonam e fogem, ou os levam a um padre católico. Isso já aconteceu muitas vezes! Na verdade, muitos pastores até tentam expulsar o demônio, usando para isso os templos católicos, onde existe o Santíssimo. Já mostramos isso em nossos trabalhos. Não O têm em sua igreja, mas sabem espertamente que aqui Ele está com Seu Poder. E sabem que Ele é poder, mas para ganhar dinheiro às custas dos incautos são capazes até deste desatino. Isso é descaramento e cinismo. Da mesma forma em relação às curas entre os evangélicos: Elas acontecem, apenas algumas e raríssimas vezes, e apenas por causa da grande fé da pessoa, jamais por causa da seita, e muito menos ainda – aliás, nunca – por causa do pastores. Eles não têm poder algum da parte de Deus, em verdade, muitos recebem poder do inferno! Se curam é pelo poder do inferno que também tem curandeiros e bruxos, magos e feiticeiros. Mesmo assim, somente acontece se Deus o permitir. 12 – Passado da Igreja Católica, a inquisição e outros. Alguns assacam contra nós os erros passados da Igreja Católica, entre eles até a tal de inquisição. Em primeiro lugar, a própria Igreja já reconheceu e se desculpou de certos erros do passado, pequenos erros cometidos por alguns dos seus – até de erros que nem cometeu – e entre eles reconhece que por suas hostes já passaram 32 chamados “antipapas”, ou seja, pessoas que não vieram de Deus, mas sim do adversário. Mas o miraculoso disso tudo é que todos eles tenham sido derrubados e com eles todas as suas heresias, entretanto a Igreja permaneceu e não caiu. Todos eles foram testes de fogo e de martírio para a Igreja, que sufocou todas as heresias, e sepultou todos os hereges. E a Igreja continua firme, e nunca será derrubada, podem ataca-la o quanto quiserem! Há um só porto e uma só barca, porque há um só timoneiro no mundo – Pedro – e há somente um comandante no Céu – Jesus Cristo! Também no caso da inquisição, na Idade Média certamente houve exagero de alguns de seus membros, bispos, padres e leigos. Entretanto, muito pior seria o mundo sem a inquisição. Sem ela, o mundo teria sido envolvido pela bruxaria e pelo ocultismo e pelo culto ao demônio, de modo que hoje não mais haveria nem Igreja Católica, nem religião alguma. Ademais, até daqueles erros a Igreja já se redimiu diante do mundo e o Evangelho diz: perdoai as nossas ofensas, assim como nós perdoamos a quem nos tem ofendido! Quem pede perdão é perdoado por Deus. Acaso nossos irmãos separados já fizeram o mesmo devido a seus inúmeros erros? Se o fizessem, já não estariam na divisão. 13 – Milagres nos santuários marianos. Esta questão assombra e até assusta a todos os que a analisam de boa fé e espírito desarmado. Só em Lurdes, na França, aguardam estudo e julgamento mais de 14 mil grandes milagres acontecidos por intercessão de Nossa Senhora. Mas destes, apenas 60 já foram aprovados pela Igreja, em 157 anos de história, porque simplesmente não existe na terra nenhuma comissão científica mais rígida do que aquela. Os próprios luteranos reconheceram isso recentemente, quando lançaram o chamado Manifesto de Dresden, chamando para si uma abertura dos olhos sobre esta questão. Atacar Maria porque ela somente aparece para os católicos? Criticar os católicos apenas porque Maria os cura pelo poder de Deus? Porque tantas curas não acontecem nas igrejas protestantes? Não seria mais fácil e mais inteligente reconhecer ali a mão do Eterno, já que isso é impossível se dar pelo poder de satanás? E não somente ali e Lourdes, mas também nos outros santuários do mundo, e até em quaisquer lugares e sob todos os mais de 300 títulos pelos quais os católicos invocam a Mãe de Deus e Mãe sua, são na verdade milhões os milagres, em todo mundo. E não se trata de alucinações, mas de curas reais duradouras, e resolução de situações absolutamente incríveis. E, verdade, basta que um evangélico dê apenas uma aberturinha a Maria, para que ela o toque também, porque Ela é também a Mãe deles, embora não a amem e embora a ataquem tão brutalmente. Acaso eles acham que atacar a Mãe de Jesus, O faz feliz? Ou ao Pai Eterno? 14 – Corpos incorruptos Também aqui temos o assombroso e o inaudito. A Igreja católica tem, em todo o mundo, mais de três mil corpos inteiramente incorruptos ou parte deles – corações, mãos, cabeças, bocas, sangue de mártires – tudo como testemunho da sua autenticidade. Por qual motivo os protestantes ou evangélicos não os têm? Acaso um corpo se conserva sem corromper pela força de satanás? Ora se ele é o supremo abutre e o germe da podridão, como poderá manter a pureza e a incorruptibilidade? Sim, e tudo isso sem qualquer tipo de embalsamamento. Ainda noutro dia, uma senhora me telefonou falando sobre o corpo de sua tia, que era uma santa mulher, e depois de 14 anos estava totalmente incorrupto. Como se explica isso, e melhor, como se explica que somente católicos sejam achados nestes estado de não corrupção? O caso de Santa Bernadete, falecida já há 157 anos, que tem seu corpo ainda perfeito, completamente móvel e macio, com as articulações de todas as juntas, com um certo líquor correndo dentro de seu corpo, com a exsudação da pele, e mais incrível, a manutenção da integridade de todos os órgãos internos, especialmente o fígado, é algo que a medicina e a ciência, jamais conseguiram atinar e explicar. E todos eles sem qualquer produto químico para conservação. Que nossos irmãos vejam estas coisas! Que pesquisem, os arquivos da Igreja Católica, que não são secretos e muitos destes corpos estão abertos à visitação. Mas negar pelo simples prazer de negar, isso não é prova de inteligência. Isto é ser renegado e renegado não tem parte com Deus! Nem teimoso! 15 – A questão do arrebatamento > só eles se salvam. Uma falsa corrente doutrinária percorre o centro de toda a comunidade evangélica. Como eles se julgam salvos, remidos por antecipação e arrebatados, nada fazem pelos que se vão, pelos que morrem, porque imaginam que estando no céu, automaticamente, então não há motivo de rezar pelos mortos. Ó que engano fatal! Na verdade, por toda a vida, todas as seitas correm pelo caminho da porta larga – sua seita é como disse Lutero “ótima para se viver nela” – mas aquela que conduz facilmente a perdição: sua igreja é boa para se viver nela, descompromissada, remida, sem pecados, sem confissão, sem sacramentos, sem eucaristia, sem oração, como é fácil viver nestas crenças. Na verdade, eles pensam que basta andar por ai com a Bíblia debaixo do braço e já se está salvo. Basta “aceitar Jesus” e estão remidos! Na verdade, este Jesus que eles vivem – Jesus desta doutrina frouxa – não aquele mesmo ao qual seguem os católicos e que falou: quem quiser ser meu discípulo, tome a sua cruz e me siga! Ser cristão implica em sacrifícios, em mortificação, em sofrimento! Em rezar uns pelos outros, porque a salvação é difícil! Pensam que basta pagar o dízimo ao pastor e já se comprou a passagem para o Céu. Pensam que bastam alguns gritinhos histéricos e cânticos de louvor para abrir as portas do paraíso! Pensam que basta o pastor gritar “sai satanás” e ele vai embora, quando a luta contra as trevas é contínua e assim é por toda a vida. E verdade que este jesus falso, desta doutrina frouxa, é exatamente aquele da porta larga e da perdição. Ora, se na verdade 99,9% dos católicos precisam de pelo menos algum tempo de purgatório para se chegarem diante da pureza infinita de Deus, por qual motivo os que escolheram a porta larga chegarão a Ele tão fácil? Óbvio, então, que jamais conseguirão entrar no Céu, sem muita dor, sem muitos anos de duro e terrível sofrimento no purgatório, até porque se negaram a viver o purgatório em vida além do que eles não têm o Sacramento da Confissão, sem o qual não se vai direto ao Céu. Nem o santo mais puro, mais perfeito e mais cheio de fé, consegue esta proeza, quanto mais alguém que vive uma vida fácil! E assim, quando um católico foge daqui para as seitas, na verdade está fugindo da sua cruz, está largando-a na beira da estrada, porque lhe prometeram lá uma igreja sem cruz – por isso não a usam – e a salvação sem esforço. Sabe quem leva esta cruz dele, para que se salve? Os católicos! Adiante veremos isto! 16 – Os santos e as santas, os mártires da fé. Tertuliano já dizia que o sangue de mártires era semente de novos cristãos. E mal havia sido derrotado o Império Romano – que segundo estimativas deu para a Igreja Católica em quase 300 anos de perseguição contínua mais de 12 milhões de santos mártires – já se cria o império Otomano, que lhe deu outro tanto. E de guerra em guerra, de martírio em martírio, foi sobre o sangue dos mártires católicos que a Igreja cresceu, e se manteve de pé, trazendo sempre com ela a verdade, embora todos os ventos e tempestades que o inferno tenha desencadeado contra ela nestes dois mil anos. Se hoje um evangélico pode então, comodamente, pegar a sua bíblia e sair por aí pregando a palavra, a seu modo, de acordo com a idéia de seu pastor é somente porque antes dele milhares de pessoas da religião católica deram a sua vida por esta mesma Palavra Eterna. Onde estão os mártires e os santos destas outras igrejas? Nós, aqui, os temos por haverem sido exemplos de vida e de santidade. Quando temos a imagem de um santo da Igreja, é apenas para nos espelharmos na sua vida e conseguirmos, tal como eles, vencer o inferno. E por deixarem de os invocar, de pedir a sua intercessão, os irmãos evangélicos perdem dilúvios diários de graças que salvam. Que é uma “graça”? É um pequeno, ou grande, favor que se obtém de Deus, por alguma ação que tenhamos feito em seu nome. Quando uma dona de casa coloca em sua cozinha uma imagem de Nossa Senhora, ou de um santo de sua devoção, e passa diante dele 30 vezes num dia – e cada vez se lembra dele – obtém com certeza 30 graças, pois em Deus nada se perde. Imagine o que lhe será dado por toda uma vida naquela cozinha? E isso as mães evangélicas perdem! 17 – Unidade de Rito, em todo o mundo é igual e usamos toda a Bíblia. Mais um ponto a favor da Igreja Católica, que quer dizer “presente em toda a terra”. Aliás, a nossa é a única Igreja que está plantada em todos os países da terra. E em todos estes países, todas as Santas Missas, por exemplo, são celebradas usando exatamente os mesmos textos bíblicos destinados a cada dia. Na verdade, não somente a Igreja usa os mesmos textos, como é a única Igreja que usa toda a leitura da Bíblia, que é repassada inteira a cada três anos. Diferentemente, as outras denominações seguem ao bel prazer de seus pastores: cada um prega o que quer! Infelizmente, e diabolicamente, hoje existem algumas “franquias religiosas”, onde espertamente os pregadores e donos destas igrejas de arrecadação e não de pregação, montam uma espécie de “kit sucesso”, já experimentado e aprovado antes e o vendem por percentuais de arrecadação nos cultos. Mas sobre isso falaremos no item 20. Isso se alastrou demais nos últimos anos e a prova está em seitas que com dois gritos compram redes de TV, e jatinhos particulares. 18 – A questão do dízimo e vícios, as falsas conversões. Aqui um ponto onde o diabo demonstra uma esperteza assombrosa: Dízimos e conversões! Ora, um católico, estando aqui na sua Igreja, por nada do mundo paga a corretamente o seu dízimo – no Brasil a centésima parte dos seus ganhos – mas mal entra numa destas seitas, já na semana seguinte é capaz de se despir sorridente de todo o seu salário e entrega-lo ao pastor. E dizem: agora encontrei Jesus! Da mesma forma, quanto a conversão: Enquanto se diz católico, é um beberrão salafrário, é um drogado, é um traficante, e mal muda para uma seita e na semana seguinte é “convertido” que agora “encontrou Jesus” e se passa a chamar anjo bento, quando continua fedorento e vou mostrar o motivo. Ora, isso é científico: ninguém muda seus comportamentos de uma hora para outra sem muita luta contra as trevas que o oprimem. Bebida é doença grave, que tem sempre um componente afetivo. Os homens são naturalmente apegados ao dinheiro e não largam fácil dele. Como então explicar isso? Explica-se pelo poder do tentador: quando na Igreja Católica, para que causem escândalo, o demônio consegue manter estas pessoas no erro e no vício, também negando que paguem a Deus o que é de Deus, pois isso é pecado. Mas quando a pessoa muda para outra crença, imediatamente o demônio lhes afrouxa o cerco, e faz com que a pessoa melhore seus procedimentos e pouse de santa. Porque na verdade, o dinheiro e a bebida vêm do demônio, e é ele quem os distribui. Pagar para a Igreja de Deus, isso não pode, então ele atiça o católico contra o padre dizendo que a Igreja é rica, que o Vaticano é dono do mundo; mas para o pastor, que não é de Deus, então pode, e aí, o dizem “convertido”. Ora, quem vai acreditar numa coisa destas? Somente a vovozinha! Então esta cura ou esta conversão não se dá jamais pelo poder de Deus, mas sim pela vontade de satanás, que – não podendo matar o católico que está próximo de Maria e da Eucaristia – contenta-se em mantê-los nas seitas e longe da verdade. 19 – A mudança ou a adoção do nome “católica”, não significa outra igreja. Algumas correntes evangélicas, espertamente usam da palavra “católica”, para nos colocar na mesma vala comum em que elas se encontram. E dizem que, quando adotamos este nome “Igreja Católica”, que significa “universal”, ou presente em toda a terra, passamos a ser uma nova seita também, fugindo da orientação inicial e primeira. Em primeiro lugar, a nossa Igreja apenas começou a adotar este nome como extensão e distinção, quando ela realmente já se tinha estabelecido em todo o mundo. Enquanto ela estava na Galiléia, ou apenas em Roma, ainda não podia, de fato, se intitular assim. Mas isso aconteceu já nos primeiros séculos da Igreja, pois rapidamente ela atingiu a maioria dos países e povos conhecidos. Mas ela foi sempre uma e a mesma: a única Igreja de Jesus Cristo! Ele não fundou uma a Igreja e a intitulou “católica”, mas também não a fundou “evangélica” ou “protestante”, eis mais aí um argumento deles que não cola. Além disso, nós jamais abandonamos a Tradição Apostólica e o Sagrado Magistério, e aprova está na sucessão dos 265 papas: se fôssemos uma outra Igreja, teríamos rompido a seqüência dos papas e começado uma nova série, o que simplesmente não existe e a história corrobora isto. Assim, tudo vem da mesma raiz e assim irá até o fim dos tempos, com o Último Pedro, que, aliás, já está próximo. Então, não nos tornamos outra igreja, mas continuamos a mesma Igreja Única. Aliás, se isso fosse verdade, nos faria ter que admitir que acabou a Igreja de Jesus, porque nenhuma outra denominação da terra tem a mesma idade da Igreja católica. Basta, então, não ser teimoso, ter gosto de polêmicas, e não se deixar seduzir pelo mentiroso apara entender tudo. Só existe uma Igreja de Pedro: A Igreja Católica! A outras são igreja do pastor X, do bispo Y, JAMAIS de Jesus Cristo. 20 – Falsos pastores, o comércio da fé. Está dito: Nos últimos tempos, surgirão muitos “falsos doutores, que introduzirão disfarçadamente seitas perniciosas. Eles, renegando assim ao Senhor que os resgatou, atrairão sobre si uma ruína repentina. Muitos os seguirão em suas desordens e serão deste modo a causa, de o caminho da verdade ser caluniado. Movidos por cobiça, eles vos hão de explorar com palavras cheias de astúcia. Há muito tempo a condenação os ameaça e a sua ruína não dorme” (II Pd 2, 1-3). Ora jamais em todos os tempos se viu como hoje, mil e uma provas deste escandaloso comércio da fé. Cheios de astúcia eles vos hão de explorar: quem der mais, vai ficar rico, rico, rico! E correm o prato em suas assembléias, aliás, o correr do prato é apenas este o exato motivo da assembléia. Como uma seita pode crescer sem centrar sua pregação no “dízimo”. Quantos milhares de pastores colocaram suas igrejas apenas para terem um meio de vida e ficarem ricos? E existem “fieis” que acham isso correto e o máximo e dizem: Depois que fulano fundou sua igreja, deus o ajudou e ele ficou rico! E na verdade, isso somente depende de sua capacidade de organização, de convencimento e de engano e logro. Depende do tamanho da ganância do pastor. Quanto mais solerte, astuciosa e bandida for a pregação, mais proveitosa será a safra, maior a arrecadação e maior o lucro e maior o sucesso da igreja. Vejam o exemplo de algumas destas máquinas de arrecadar, que logo são donas de redes de TV, quando a Canção Nova e a Rede Vida são uma prova real do quão caro e quão é manter um aparato daqueles. E veja se Bandeirantes e Rede TV precisam correr o prato mensalmente como a Canção Nova. Eles não precisam correr lá, porque o correm nas assembléias e em seus suntuosos templos. Acaso alguém pode achar mesmo que Deus irá ajudar alguém a ficar rico usando a Bíblia? Se fosse assim, por qual motivo ele teria nascido numa manjedoura? Outra diferença brutal, é que a Canção Nova e a Rede Vida não fazem propaganda de camisinha, nem exibem filmes pornográficos, como fazem as outras. Só nisso já se pode dizer que tipo de árvore cada uma é. Ora, sobre a igreja Universal, por exemplo, pesam inúmeros e pesadíssimos processos tanto na área pública quanto civil, por sonegação, por roubo e engano, e por toda uma gama de verdadeiros estelionatos. Os próprios pastores destas igrejas fazem carreira pela arrecadação que promovem, jamais pela perfeição de suas pregações em Deus. Trata-se de uma máquina de arrecadar, jamais pelas almas que salvam. Mas mesmo que eles roubem, descaradamente, de milhares de fiéis, por qual motivo a maioria das pessoas não se revolta e continua a financia-los em nome de um ficar rico que nunca chega? Isso se explica apenas pelo poder do inferno: A pessoa – a maioria delas – não os denuncia por vergonha – é como o caso do golpe do bilhete premiado – enquanto outros, que não caem em si, a estes o demônio consegue manter no cabresto, e eles vivem uma vida miserável, sendo explorados e extorquidos, mas são cegados para isto. E tão cegos ficam, que são capazes de atacar e matar aos que os tentam alertar. E assim eles podem continuar roubando e explorando indefinidamente, porque com tanto dinheiro em jogo, sempre haverá cabrestos de sobra para os manter ligados a estes falsos pastores. Temos aí os vinte pontos chave. Neles e em cada um procuramos apenas dar uma idéia geral, entretanto é preciso que as pessoas se aprofundem mais em cada matéria e em cada ponto, além do que há outros mais. Somente do estudo e da meditação, à luz do Espírito Santo, cada um poderá adquirir o conhecimento suficiente para bem contrapor. É preciso que muitos católicos se armem destes conhecimentos, porque o tempo é curto, e muitos ainda há que precisam ser conduzidos ao verdadeiro e único aprisco: a Igreja Católica! O tempo é agora ou nunca! Mas tudo sem discussão e sem brigas, apenas quando existe a possibilidade de um diálogo salutar. Na verdade, a maioria dos evangélicos, que se baseia apenas em duas ou três coisinhas, quando for confrontado com a verdade, de duas uma: ou ele foge, ou ataca com rudeza! Aí é preciso rezar por eles, porque não adianta argumentar. Somente o Espírito Santo o fará mais adiante! Como vimos, em Deus não existe meia verdade. Ou se prega um Evangelho completo, uma Doutrina plena, ou se faz parte dos adversários de Deus. Infelizmente, existem muitos pastores e muitos crentes e protestantes que ficarão boquiabertos quando escutarem da boca de Jesus a verdade. Muitos até seguem estes meio ensinamentos, estas “meia verdades”, e quem sabe dirão a Jesus assim: Senhor. Não pregamos nós em vosso nome, e não foi em vosso nome que expulsamos demônios e fizemos muitos milagres? E no entanto Eu lhes direi: nunca vos conheci. Retirai-vos de mim operários maus! (Mt 7, 22-23). Por fim é preciso alertar: Na maioria dos casos não adianta discutir com os evangélicos e com os protestantes. Eles estão de tal forma enraizados na sua pseudoverdade, que nenhuma força humana os poderá demover. Somente o próprio Deus pode fazer isso, pela força do Espírito Santo, e isso se consegue somente pela oração. Na verdade NENHUM evangélico entra no Céu sem os católicos. A Igreja Católica é a verdadeira porta do Céu, e para chegar lá somente pela intercessão dela. E explico: Jesus fundou a sua única Igreja, e deu a ela todos os caminhos da salvação, os sacramentos. Quem não acredita na eficácia salvadora dos sacramentos, não tem direito às graças que deles brotam. Além disso existem sacramentos essenciais, como o da Confissão e da Eucaristia. Sem confissão não existe Eucaristia e sem Eucaristia não se tem a graça da salvação direta. Maravilhoso é Deus que, para estes casos, para os descrentes e os incréus, Ele criou o Purgatório, um doloroso caminho de chegada ao Céu, que deve ser – e pode ser – trilhado por aqueles que em vida o rejeitaram. Lá podem, então, aprender as verdades que aqui rejeitaram e se aproveitarem assim, na dor, das graças que poderiam receber em vida, sem dor. Na verdade, o Purgatório mede o tamanho proporcional dos medíocres; o Céu direto mede a dimensão dos grandes santos. Deste modo, como não existem santos aqui, fora da Igreja Católica, para chegar ao Céu e ser santo, só pela oração dos católicos Porque eles crêem na eficácia dos sacramentos e se apropriam das graças deles resultantes e ainda acreditam no Purgatório, como espaço purificador da mediocridade. Todos os evangélicos e protestantes que morrem, dos que se salvam, ao caírem – todos eles sem exceção – no Purgatório e descobrirem esta realidade, dão gritos de alegria, porque se o purgatório não existisse, estariam mergulhados no inferno. Para terminar, gostaria de lembrar ao leitor o texto de Sabedoria 4, 2-6, que já em outra ocasião coloquei em artigos. Este texto explica exatamente o que são as seitas, e o que acontecerá com todas elas. Ainda que por um tempo estendam seus ramos… serão abaladas pelos ventos… seus galhos serão quebrados… seu fruto será inútil… porque são filhos de uniões ilícitas…. Agora é o tempo de eles crescerem e se multiplicaram, prova de que estamos no Tempo Final. Eles precisam existir como um sinal claro destes tempos de trevas. Mas acima de tudo eles precisam de oração. Porque não se trata efetivamente de pessoas más, em sua imensa maioria. Alguns sim, são maus! E aos bons Deus os acolherá em seu Amor! Pena que elas em vida perdem muitas graças, e assim, o seu Céu será bem menor pela eternidade, além do que somente irão chegar lá pelo caminho da dor. A maioria de 99% deles, só se dá conta desta verdade quando chega diante do Tribunal do Altíssimo para o seu julgamento particular, e se descobre de mãos vazias, justamente eles que se julgavam os únicos remidos e salvos. Na verdade, nenhum deles jamais imaginou o que de fato é o Céu e sequer teve noção da eternidade. Se tivessem pensado nisso, teriam entendido que não se chega lá jogando palavras ao vento e nunca semeando discórdias ou promovendo brigas e ataques aos católicos. Não discutamos, portanto, com eles, apenas nos preparemos em oração. Quando as ondas vierem, muitos deles vos irão procurar saber o que está acontecendo. Então cada um, de posse de bons argumentos, poderá esclarecer com calma, levando muitos deles à conversão. Mas sem base fica difícil! No mais, é preciso saber que somente o Espírito Santo fará esta obra, porque se trata de um poder sobre-humano, aquele contra o qual lutamos. Mas nunca troquemos a verdade pelas meias mentiras. Nossos Dogmas são intocáveis, nossas imagens de culto são intocáveis, nossa Tradição é inegociável, nossa Igreja não está a venda nem é moeda de troca. É preciso ter coragem para defender esta Igreja, e se for preciso dar a vida por ela, porque Jesus falou: virá o dia, em que aqueles que vos matarem, acharão prestar culto a Deus (Jo, 16), tamanha a crise que se abaterá sobre nós. Última perguntinha: acaso não haverá pessoas boas entre os evangélicos? Sim, os há e é por isso que conseguem se salvar. Mas o que há mais entre eles é incautos, iludidos e enganados pelos sedutores, com suas palavras astuciosas, mas cheias de mentira. Agora ainda é tempo de levar a eles a verdade, mas o tempo se escoa. Logo a tempestade vem e todos os que estiverem fora da Barca de Pedro, serão jogados na arrebentação. Nossa arma para trazê-los de volta é o AMOR! Com ele, estaremos sempre com Deus! (via Fé Explicada) Fonte: Aleteia

  • Jesus segundo o historiador judeu Flávio Josefo

    O historiador judeu Flávio Josefo, escreveu sobre Jesus em sua obra “Antiguidades Judaicas” 18,3,3 parágrafos 63 e 64, por volta do ano 95 dC. Existem, porém, duas versões sobre o mesmo trecho, uma mais antiga, em língua grega, que testemunha a messianidade de Jesus, e uma tradução árabe que omite tal afirmativa. Alguns estudiosos afirmam que o testemunho da messianidade não se deve à pena de Josefo, tratando-se de uma interpolação acrescentada posteriormente por mão cristã; ocorre que o testemunho está presente em todos os códices e em concordância com o estilo de Josefo, motivo pelo qual boa parte dos estudiosos consideram o texto integralmente genuíno. Publicamos as duas versões e deixamos as conclusões por conta dos caros visitantes… * * * Texto Grego: Naquela época vivia Jesus, homem sábio, se é que o podemos chamar de homem. Ele realizava obras extraordinárias, ensinava aqueles que recebiam a verdade com alegria e fez-se seguir por muitos judeus e gregos. Ele era o Cristo. E quando Pilatos o condenou à cruz, por denúncia dos maiorais da nossa nação, aqueles que o amaram antes continuaram a manter a afeição por ele. Assim, ao terceiro dia, ele apareceu novamente vivo para eles, conforme fora anunciado pelos divinos profetas e, a seu respeito, muitas coisas maravilhosas aconteceram. Até a presente data subsiste o grupo dos cristãos, assim denominado por causa dele. Texto Árabe: Naquela época vivia Jesus, homem sábio, de excelente conduta e virtude reconhecida. Muitos judeus e homens de outras nações converteram-se em seus discípulos. Pilatos ordenou que fosse crucificado e morto, mas aqueles que foram seus discípulos não voltaram atrás e afirmaram que ele lhes havia aparecido três dias após sua crucificação: estava vivo. Talvez ele fosse o Messias sobre o qual os profetas anunciaram coisas maravilhosas. Fonte: Veritatis Splendor

  • São Beda, o Venerável

    Com efeito, Beda tornou-se uma das figuras mais insignes de erudito da alta Idade Média, podendo valer-se dos muitos manuscritos preciosos que os seus abades, voltando das viagens frequentes ao continente e a Roma, lhe traziam. O ensinamento e a fama dos escritos proporcionaram-lhes muitas amizades com as principais personalidades do seu tempo, que o encorajaram a continuar o seu trabalho, do qual muitos beneficiavam. Tendo adoecido, não parou de trabalhar, conservando sempre uma alegria interior que se expressava na oração e no canto. Concluía a sua obra mais importante, a Historia ecclesiastica gentis Anglorum, com esta invocação: “Peço-te, ó bom Jesus, que benevolamente me permitiste haurir as dóceis palavras da sua sabedoria, concede-me benigno que um dia eu chegue a ti, fonte de toda a sabedoria, e que eu permaneça sempre diante do teu rosto”. A morte arrebatou-o a 26 de Maio de 735: era o dia da Ascensão. As Sagradas Escrituras são a fonte constante da reflexão teológica de Beda. Tendo em consideração um atento estudo crítico do texto (chegou até nós um exemplar do monumental Codex Amiatinus da Vulgata, no qual Beda trabalhou), ele comenta a Bíblia, lendo-a em chave cristológica, ou seja, reúne duas coisas: por um lado, ouve exactamente o que o texto diz, quer realmente ouvir, compreender o próprio texto; por outro, está convencido de que a chave para compreender a Sagrada Escritura como única Palavra de Deus é Cristo e com Cristo, na sua luz, compreende-se o Antigo e o Novo Testamento como “uma” Sagrada Escritura. As vicissitudes do Antigo e do Novo Testamento caminham juntas, são um caminho rumo a Cristo, embora sejam expressas com diferentes sinais e instituições (aquela à qual ele chama concordia sacramentorum). Por exemplo, a tenda da aliança que Moisés levantou no deserto e o primeiro e segundo templo de Jerusalém são imagens da Igreja, novo templo edificado sobre Cristo e os Apóstolos com pedras vivas, cimentadas pela caridade do Espírito. E como para a construção do antigo templo contribuíram também pessoas pagãs, pondo à disposição materiais preciosos e a experiência técnica dos seus mestres-de-obras, assim para a edificação da Igreja contribuem apóstolos e mestres provenientes não apenas das antigas linhagens judaica, grega e latina, mas também dos novos povos, entre os quais apraz a Beda enumerar os Iro-Celtas e os Anglo-Saxões. São Beda vê crescer a universalidade da Igreja, que não é limitada a uma determinada cultura, mas compõe-se de todas as culturas do mundo que devem abrir-se a Cristo e encontrar nele o seu ponto de chegada. Outro tema apreciado por Beda é a história da Igreja. Depois de se ter interessado pela época descrita nos Actos dos Apóstolos, ele volta a percorrer a história dos Padres e dos Concílios, persuadido de que a obra do Espírito Santo continua na história. Nos Chronica Maiora Beda delineia uma cronologia que se tornará a base do Calendário universal “ab incarnatione Domini”. Já desde então calculava-se o tempo a partir da fundação da cidade de Roma. Vendo que o verdadeiro ponto de referência, o centro da história, é o nascimento de Cristo, Beda transmitiu-nos este calendário que lê a história a partir da Encarnação do Senhor. Registra os primeiros seis Concílios Ecuménicos e os seus desenvolvimentos, apresentando fielmente a doutrina escatológica, mariológica e soteriológica, e denunciando as heresias monofisita e monotelita, inconolasta e neopelagiana. Enfim, redige com rigor documentário e perícia literária a já mencionada História Eclesiástica dos Povos Anglos, pela qual é reconhecido como “o pai da historiografia inglesa”. Os traços característicos da Igreja que Beda gostava de evidenciar são: a) a catolicidade como fidelidade à tradição e, ao mesmo tempo, abertura aos desenvolvimentos históricos, e como busca da unidade na multiplicidade, na diversidade da história e das culturas, segundo as directrizes que o Papa Gregório Magno tinha dado ao Apóstolo da Inglaterra, Agostinho de Canterbury; b) a apostolicidade e a romanidade: a este propósito, considera de primeira importância convencer todas as Igrejas Iro-Celtas e dos Pitti a celebrar unitariamente a Páscoa segundo o calendário romano. O Cálculo por ele cientificamente elaborado para estabelecer a data exacta da celebração pascal, e por isso todo o ciclo do ano litúrgico, tornou-se o texto de referência para toda a Igreja católica. Beda foi também um insigne mestre de teologia litúrgica. Nas Homilias sobre os Evangelhos dominicais e festivos, desempenha uma verdadeira mistagogia, educando os fiéis para celebrar alegremente os mistérios da fé para os reproduzir de maneira coerente na vida, à espera da sua sua plena manifestação na volta de Cristo quando, com os nossos corpos glorificados, seremos admitidos em procissão ofertorial na liturgia eterna de Deus no céu. Seguindo o “realismo” das catequeses de Cirilo, Ambrósio e Agostinho, Beda ensina que os sacramentos da iniciação cristã constituem cada fiel “não só cristão, mas Cristo”. Com efeito, cada vez que uma alma fiel acolhe e conserva com amor a Palavra de Deus, à imitação de Maria, concebe e gera novamente Cristo. E cada vez que um grupo de neófitos recebe os sacramentos pascais, a Igreja “gera-se a si mesma” ou, com uma expressão ainda mais ousada, a Igreja torna-se “mãe de Deus”, participando na geração dos seus filhos, por obra do Espírito Santo. Graças a este seu modo de fazer teologia, entrelaçando Bíblia, Liturgia e História, Beda tem uma mensagem actual para os diversos “estados de vida”: a) aos estudiosos (doctores ac doctrices) recorda duas tarefas essenciais: perscrutar as maravilhas da Palavra de Deus para as apresentar de forma atraente aos fiéis; expor as verdades dogmáticas, evitando as complicações eréticas e seguindo a “simplicidade católica”, com a atitude dos pequenos e humildes, aos quais Deus desejou revelar os mistérios do Reino; b) os pastores, por sua vez, devem dar prioridade à pregação, não apenas mediante a linguagem verbal ou hagiográfica, mas valorizando também ícones, procissões e peregrinações. A eles, Beda recomenda o uso da língua vulgar, como ele mesmo faz, explicando em Northumbro o “Pai-Nosso”, o “Credo” e continuando até ao último dia da sua vida o comentário, em vulgar, ao Evangelho de João; c) às pessoas consagradas que se dedicam ao Ofício divino, vivendo na alegria da comunhão fraterna e progredindo na vida espiritual mediante a ascese e a contemplação, Beda recomenda que se cuide do apostolado ninguém tem o Evangelho só para si, mas deve senti-lo como um dom também para os outros quer colaborando com os Bispos em actividades pastorais de vários tipos a favor das jovens comunidades cristãs, quer tornando-se disponíveis para a missão evangelizadora junto dos pagãos, fora do próprio país, como “peregrini pro amore Dei”. Colocando-se nesta perspectiva, no comentário ao Cântico dos Cânticos Beda apresenta a Sinagoga e a Igreja como colaboradoras na difusão da Palavra de Deus. Cristo Esposo quer uma Igreja diligente, “bronzeada pelos cansaços da evangelização” é clara a referência à palavra do Cântico dos Cânticos (1, 5), onde a esposa diz: Nigra sumsed formosa” (Sou morena, mas formosa) empenhada a arar outros campos ou vinhas e a estabelecer entre as novas populações “não uma cabana provisória, mas uma morada estável”, ou seja, a inserir o Evangelho no tecido social e nas instituições culturais. Nesta perspectiva, o Santo Doutor exorta os fiéis leigos a serem assíduos na instrução religiosa, imitando as “insaciáveis multidões evangélicas, que não deixavam tempo aos Apóstolos nem sequer para comer”. Ensina-lhes a rezar continuamente, “reproduzindo na vida aquilo que celebram na liturgia”, oferecendo todas as acções como sacrifício espiritual em união com Cristo. Aos pais explica que também no seu pequeno âmbito domético podem exercer “o ofício sacerdotal de pastores e de guias”, formando cristãmente os filhos, e afirma que conhece muitos fiéis (homens e mulheres, casados ou solteiros), “capazes de uma conduta irrepreensível que, se forem oportunamente acompanhados, poderia aproximar-se todos os dias da comunhão eucarística” (Epist. ad Ecgberctum, ed. Plummer, pág. 149). A fama de santidade e sabedoria de que Beda gozava já durante a vida levou-o a ganhar o título de “Venerável”. Chama-lhe assim também o Papa Sérgio i quando, em 701, escreve ao seu abade pedindo que lhe permita vir temporariamente a Roma para consultas sobre questões de interesse universal. Depois da morte, os seus escritos foram difundidos amplamente na Pátria e no Continente europeu. O grande missionário da Germânia, o Bispo São Bonifácio (+ 754), pediu várias vezes ao Arcebispo de York e ao abade de Wearmouth que fizessem transcrever algumas das suas obras e lhas mandassem, de tal modo que também ele e os seus companheiros pudessem gozar da luz espiritual que delas emanava. Um século mais tarde Notkero Galbulo, abade de São Galo (+ 912), reconhecendo o extraordinário influxo de Beda, comparou-o com um novo sol que Deus tinha feito nascer, não do Oriente mas do Ocidente, para iluminar o mundo. À parte a ênfase retórica, o facto é que, com as suas obras, Beda contribuiu eficazmente para a construção de uma Europa cristã, em que as diferentes populações e culturas se amalgamaram entre si, conferindo-lhes uma fisionomia unitária, inspirada na fé cristã. Oremos para que também hoje haja personalidades da estatura de Beda, para manter todo o Continente unido; rezemos a fim de que todos nós estejamos disponíveis a redescobrir as nossas raízes comuns, para sermos construtores de uma Europa profundamente humana e autenticamente cristã. Fonte: Vaticano Via Veritatis Splendor

  • E Cristo desceu à Mansão dos Mortos

    «Um grande silêncio reina hoje sobre a terra; um grande silêncio e uma grande solidão. Um grande silêncio, porque o Rei dorme. A terra estremeceu e ficou silenciosa, porque Deus adormeceu segundo a carne e despertou os que dormiam há séculos.Vai à procura de Adão, nosso primeiro pai, a ovelha perdida. Quer visitar os que jazem nas trevas e nas sombras da morte. Vai libertar Adão do cativeiro da morte. Ele que é ao mesmo tempo seu Deus e seu filho “Eu sou o teu Deus, que por ti me fiz teu filho Desperta tu que dormes, porque Eu não te criei para que permaneças cativo no reino dos mortos: levanta-te de entre os mortos; Eu sou a vida dos mortos”» (541).Antiga homilia para Sábado Santo: PG 43. 440.452.461 [ Sábado Santo, 2ª Leitura do Ofício de Leituras: Liturgia das Horas, s. 2 (Gráfica de Coimbra 1983) p. 454-4551. Nosso Senhor Jesus Cristo para nos remir, padeceu no corpo e na alma os maiores suplícios. Podemos pelos Evangelhos, percorrer sua dolorosa Paixão e constatar que grande amor nos tinha Ele, para sofrer assim. Para satisfazer a grande ofensa feita à Deus, veio ao mundo para morrer como vítima eficaz e agradável, nos merecendo o perdão dos pecados. Para tanto desceu do céu, se encarnou no seio da Virgem Maria pelo poder do Espírito Santo, e não se prevalecendo de Sua igualdade com Deus, “se fez” homem,constituído de alma e corpo, – por conseguinte, possuiu tudo o que o homem pode possuir, exceto o pecado -, se fez escravo, obedecendo à santa vontade do Pai que era salvar os homens. Era homem perfeito sem pecado e Deus perfeitíssimo, por ser a segunda pessoa da Santíssima Trindade criadora, salvadora e santificadora. Uma pessoa com duas naturezas, uma divina e uma humana.  Verdadeiro Deus e verdadeiro Homem. Foi no IV Concílio Ecumênico, conhecido como Concílio de Calcedônia (celebrado no ano 451), que a Igreja formalizou dogmaticamente esta verdade. Eis como os Padres Conciliares definiram as duas naturezas em Cristo (Sessão VI – 22/10/451): “Seguindo, pois, os Santos Padres, unanimemente ensinamos que se deve confessar um só e mesmo Filho, Nosso Senhor Jesus Cristo, perfeito na Sua divindade e perfeito na Sua humanidade, verdadeiramente Deus e verdadeiramente homem, [composto] de alma racional e de corpo; consubstancial ao Pai quanto à divindade, consubstancial a nós quanto à humanidade, “em tudo semelhante a nós, menos no pecado” (Heb 4,15); gerado do Pai antes dos séculos, segundo a divindade; e, nos últimos tempos, por nós e para a nossa salvação, [gerado] de Maria Virgem, Mãe de Deus, segundo a humanidade; que se deve reconhecer um só e mesmo Cristo Senhor, Filho Unigênito, em duas naturezas, sem confusão, imutáveis, indivisíveis, inseparáveis, de nenhum modo suprimida a diferença das naturezas por causa de sua união, mas salvaguardada a propriedade de cada natureza e confluindo numa só Pessoa e hipóstase, não separado ou dividido em duas pessoas, mas um só e mesmo Filho Unigênito, Deus-Verbo, Senhor Jesus Cristo, como outrora nos ensinaram sobre Ele os profetas e depois o próprio Jesus Cristo, e como nos transmitiu o símbolo dos Padres.” Pela sua Paixão, Jesus livrou-nos do pecado, livrou-nos do demônio, reconciliou-nos com o Pai e abriu-nos o Céu. Por Ele, pelo seu sangue temos hoje confiança de entrarmos no Santo dos Santos (Hb 10,19) Para nos remir, Jesus pela graça de Deus, experimentou a morte, conheceu portanto, o estado de separação entre a alma e o corpo, – nos diz a carta aos Hebreus, que no momento de sua morte, foi feito, um pouco inferior aos anjos, por ter-se humilhado e se rebaixado à dor do castigo e à morte, penas que não estão submetidos os anjos. Esta separação entre sua alma e seu corpo se deu durante o tempo compreendido entre o momento em que expirou na Cruz e o momento em que ressuscitou. Neste período, seu corpo foi ao sepulcro, aquele em que José de Arimatéia e Nicodemos prepararam para sua dignidade (Jo19,38-42). Durante sua permanência no túmulo, a sua natureza divina continuou a assumir tanto a alma como o corpo, apesar de separados entre si pela morte. Por isso, o corpo de Cristo morto «não sofreu a corrupção» (At 13,37).Eis porque no sepulcro estava presente o Filho de Deus, o qual desceu também com a alma aos infernos. «Embora Cristo, enquanto homem tenha sofrido a morte e a sua santa alma tenha sido separada do seu corpo imaculado, nem por isso a divindade se separou, de nenhum modo, nem da alma nem do corpo; e nem por isso a Pessoa única foi dividida em duas. Tanto o corpo como a alma tiveram existência simultânea, desde o início, na Pessoa do Verbo; e, apesar de na morte terem sido separados, nenhum dos dois deixou de subsistir na Pessoa única do Verbo» (São João Damasceno, Expositio fidei, 71 [De Fide orthodoxa 3, 27]. PTS 12, 170 (PG 94, 1098 O Catecismo Romano VI,b, nos diz claramente que Cristo foi sepultado, realçando o sepultamento de seu corpo. “Não cremos simplesmente que o Corpo de Cristo teve sepultura; mas confessamos antes de tudo que o próprio Deus foi sepultado. De maneira análoga dizemos em toda a verdade, e conforme a regra de fé católica, que foi Deus quem morreu, e quem nascera de uma Virgem. De fato assim como a Divindade nunca se apartou do corpo, quando encerrado no sepulcro, assim temos também toda a razão de confessar que Deus foi sepultado” Todos os mortos antes da morte de Cristo, desciam aos infernos: os justos para o círculo exterior, chamado Limbo dos Patriarcas ou Sheol, em que sofriam a pena de dano (ausência de Deus), mas não a de sentido (o fogo corpóreo) – não sentiam dores propriamente dita, mas sentiam uma enorme angústia pela privação de Deus, que tanto anelaram em vida -; e os incrédulos ou réprobos, para o inferno propriamente dito, sofrendo ambas as penas e por isso estavam terrivelmente atormentados pelo rigor destas penas que sofriam. Enquanto seu corpo jazia no sepulcro, sua alma foi a esta morada dos mortos para  pregar a todos os que ali jaziam. Livremente Ele vai buscar os que eram seus e que por ora, estavam cativos. Para entender porque estavam ambos justos e injustos nos infernos, precisamos saber que nosso pecado acarreta culpa e penas. A culpa foi paga por Cristo, mas as penas consistem além da morte do corpo, na punição da alma que estaria fadada a viver eternamente longe de Deus, ela que tem sede do Deus vivo. ( “…A pena do pecado original é a carência da visão de Deus; a pena do pecado atual é o tormento do inferno eterno…” – Papa Inocêncio III, na carta encíclica “Maiores ecclesias causas”, a Imberto, arcebispo de Arles ) Enquanto Cristo não fosse ali para liberta-los, ficariam privados da glória de Deus. Quis Cristo morrer e descer aos infernos para carregar sobre si toda punição, mas o foi como livre que era. Os outros estavam como cativos do demônio, que tinha contra eles o documento que os condenava. “Entre a Morte e a Ressurreição desceu a alma de Jesus Cristo aos Infernos. Não se trata aqui do Inferno onde estão os réprobos, nem do Purgatório, onde passam as almas que o sofrimento deve limpar das menores nódoas antes de entrarem no Céu. Os Infernos lembrados no 5º artigo do Símbolo é o lugar onde repousavam as almas dos justos falecidos na amizade de Deus: o Limbo, ou, na linguagem da Escritura, o “Seio de Abraão”. Ali nada tinham que padecer as almas. Fruíam, pelo contrário, uma espécie de ventura natural, mas não podiam ingressar no Céu antes que Jesus lhes abrisse a porta inexoravelmente trancada pelo pecado de Adão. A alma do Salvador permaneceu, pois, na companhia desses espíritos durante as horas que correram desde a sua Morte até a Ressurreição. Qual era o fim desta passagem de Cristo pelo Limbo? Certamente foi para anunciar aos justos que estava consumada a obra da Redenção e que breve, graças a ela, dariam entrada no Céu. Portanto mal transpõe a alma de Jesus Cristo os umbrais desses recessos, eis que o Limbo já está feito Paraíso, para todos os justos que a ovacionam e contemplam. Não prometera Cristo na Cruz ao bom Ladrão: ‘Hoje estarás comigo no Paraíso’? (Lucas, XXIII, 43). Quando saiu do Limbo a alma vitoriosa do Salvador, formaram-lhe uma comitiva real todos esses espíritos bem-aventurados, acompanhando-a na terra até a hora de Jesus subir triunfante aos Céus, onde introduziria todos os presos que tinha libertado. Para Jesus Cristo, era uma humilhação esta descida ao Limbo. Ia, Ele também, encarcerar-se no ergástulo dos patriarcas e dos justos. Mas, seria também o primeiro passo na estrada da glória com a libertação e a coroação dos primeiros eleitos.”(Boulanger – Doutrina Católica – O Dogma, 1923) Jesus não desceu à mansão dos mortos para de lá libertar os condenados [1], nem para abolir o inferno da condenação [2],  – (Deus não predestina ninguém para o Inferno. Para ter semelhante destino, é preciso haver uma aversão voluntária a Deus (pecado mortal) e persistir nela até ao fim. Na liturgia eucarística e nas orações quotidianas dos seus fiéis, a Igreja implora a misericórdia de Deus, «que não quer que ninguém pereça, mas que todos se convertam» (2 Pe 3, 9).(Catecismo da Igreja Católica n.1037) – ; mas o fez unicamente – não  para sofrer penas, pois nunca houve n’ Ele pecado algum -,  com todo poder e magnitude, somente para libertar os seus amados, para libertar os justos que O tinham precedido. “Os justos apesar de sua justiça e santidade, não podiam transpor o limiar da Pátria Celestial, antes da morte de Jesus Cristo, o Sumo e Eterno Sacerdote (Hb 9,11). Logo que Cristo a sofreu, as portas de pronto se abriram a todos os que purificados pelos sacramentos, possuídos de fé e caridade, se tornaram participantes da sua paixão”. (Catecismo Romano 4º artigo – frutos – n.5) Se Cristo tudo havia feito para os seus em vida, terminaria sua missão para com eles depois de mortos, para mostrar perfeitamente seu amor e seu poder. E o fez de forma explêndida, invadindo a casa do inimigo de Deus – do Seu inimigo -, e dos homens, o subjugando, e triunfando sobre ele. Despojando os principados e as potestades, exibiu-os publicamente, triunfando deles na cruz (Col 2,15). Jesus que era o Senhor do Céu e da Terra, é Senhor também dos infernos que diante de Seu nome se dobra em reconhecimento e temor. Jesus venceu a morte, ela foi tragada por sua vitória e nos libertou das garras do demônio, autor da própria morte. Jesus morreu pra libertar os vivos da morte e  desceu aos infernos para libertar os que ai estavam. Vós também (Senhor), pelo Sangue do vosso testamento, tírastes os Seus que estavam presos na fossa, onde não havia água .. (Zac 9,11). – O morte, serei a tua morte, ó inferno, serei para ti como uma mordida. (Os 13,14). A descida à mansão dos mortos é o cumprimento, até à plenitude do anúncio evangélico da salvação. É a última fase da missão messiânica de Jesus, fase condensada no tempo, mas imensamente vasta no seu significado real de extensão da obra redentora a todos os homens de todos os tempos e de todos os lugares, porque todos aqueles que se salvaram se tornaram participantes da redenção. Após o terceiro dia, sua alma se uniu ao corpo e subiu aos Céu, onde está sentado a direita do Pai. Abriu os céus para o gênero humano, já que lá entrou na Sua humanidade. Desde agora, Cristo ressuscitado «detém as chaves da morte e do Hades» (Ap 1, 18) e «ao nome de Jesus todos se ajoelhem, no céu, na terra e nos infernos» (Fl 2, 10). Queridos, alegremos no Senhor porque não nos deixa na ignorância quanto aos bens que Ele nos outorga. Este capítulo do Credo nos faz tremer e esperar n’ Ele. Tremer por saber que o inferno existe e é real e que muitas almas podem se perder caso estejam em pecado mortal. Esperar n’Ele, porque seu conhecimento nos enche de esperanças e só nos estimula a lutar na busca da santidade, sem o qual ninguém O verá  -, para um dia ao estarmos face a face com Ele, podermos louva-LO  juntamente com nossos irmãos que estiveram na mansão dos mortos, mas que agora reinam com Ele eternamente. Jesus desceu do céu para ensinar as coisas do céu, também ressurgiu dos infernos para esclarecer-nos sobre as coisas do inferno, portanto nada de desfalecer, antes usemos desta vida, porque só a temos  para viver de fé,  para conhece – Lo, ama- Lo e obedece- Lo com seus auxílios, e que ninguém seja seduzido a ponto de  rejeita- Lo livremente, pois a pena é terrível, onde este haverá de viver eternamente longe d’Ele em grande suplícios, pelo mesmo tempo que viverão no céu, os que o amaram e esperaram n’Ele. Como Cristo desceu aos infernos para libertar os seus, devemos também nós descer pela oração, para auxiliar os nossos. Eles, por si mesmos, nada podem conseguir.Nós é que devemos ir em socorro dos que estão no purgatório. São auxiliados, conforme disse  Santo Agostinho, os que estão no purgatório, principalmente por três atos: pelas Missas, pelas orações e pelas esmolas.  São Gregório acrescenta um quarto: o jejum. Como cristãos devemos rezar para que todos possam um  dia estar com Ele na glória eterna. Unano-nos a Cristo por eles e que o Senhor nos ajude a sermos féis, tal como Ele é. “A mim, e desejo que o mesmo aconteça a todos vós, a certeza de me sentir – de me saber – filho de Deus cumula-me de verdadeira esperança, uma esperança que, por ser virtude sobrenatural, ao ser infundida nas criaturas, se amolda à nossa natureza e é também virtude muito humana.? Vivo feliz com a certeza do Céu que havemos de alcançar, se permanecermos fiéis até o fim; com a ventura que nos chegará quoniam bonus, porque o meu Deus é bom e é infinita a sua misericórdia. Esta convicção incita-me a compreender que só as coisas marcadas com o timbre de Deus revelam o sinal indelével da eternidade; e o seu valor é imperecível. Por isso, a esperança não me separa das coisas desta terra, antes me aproxima dessas realidades de um modo novo, cristão, que se esforça por descobrir em tudo a relação da natureza, decaída, com Deus Criador e com Deus Redentor.”( ESCRIVÄ, São Josemaria, amigos de Deus – A esperança Crist㠖 ponto 208) ………. [1] (Cf. Concílio de Roma (ano 745), De descensu Christi ad inferos: DS 587.) [2] (Cf. Bento XII, Libellus, Cum dudum (1341). 18: DS 1011; Clemente VI, Ep. Super quibusdam (ano 1351), c. 15, 13: DS 1077)[3] (Cf. IV Concílio de Toledo (ano 633). Capitulum, 1: DS 485; Mt 27, 52-53.). Fonte: Sociedade Católica: http://www.sociedadecatolica.com.br/modules/smartsection/item.php?itemid=520

  • Fragmentos da Doutrina Católica sobre a Predestinação

    Fragmentos do Concílio Ecumênico de Trento Concílio de Trento, Sessão VI (13-1-1547) Cap. 12 – Presunção temerária de ser predestinado 805. Ninguém, enquanto peregrina por esta vida mortal, deve querer penetrar tanto no mistério oculto da predestinação divina, que possa afirmar com segurança ser ele, sem dúvida alguma, do número de predestinados [cân. 15], como se o justo não pudesse mais pecar [cân. 23] ou, que se tiver pecado, poderá com certeza prometer-se a si mesmo uma nova conversão. Pois, sem uma revelação toda especial de Deus, não se pode saber quais os que Deus escolheu para si [cân. 16]. 814. Cân. 4. Se alguém disser que o livre arbítrio do homem, movido e excitado por Deus, em nada coopera para se preparar e se dispor a receber a graça da justificação – posto que ele consinta em que Deus o excite e o chame – e que ele não pode discordar, mesmo se quiser, mas se porta como uma coisa inanimada, perfeitamente inativa e meramente passiva – seja excomungado [cfr. n° 797]. 815. Cân. 5. Se alguém disser que o livre arbítrio do homem, depois do pecado de Adão, se perdeu, ou se extinguiu, ou que é coisa só de título, ou antes, titulo sem realidade, e enfim, uma ficção introduzida na Igreja por Satanás – seja excomungado [cfr. n° 793 e 797]. 816. Cân. 6. Se alguém disser que não está no poder do homem tornar os seus caminhos maus, mas que Deus faz tanto as obras más como as boas, não só enquanto Deus as permite, mas [as faz] em sentido próprio e pleno, de sorte que não é menos obra sua a própria traição de Judas do que a vocação de Paulo – seja excomungado. 817. Cân. 7. Se alguém disser que todas as obras que são feitas antes da justificação, de qualquer modo que se façam, são verdadeiramente pecados ou merecem o ódio de Deus; ou que, com quanto maior veemência alguém se esforça em se dispor para a graça, tanto mais gravemente peca – seja excomungado [cfr. n° 797]. (…) 825. Cân. 15. Se alguém disser que o homem renascido e justificado está obrigado pela fé a crer que certamente é do número dos predestinados – seja excomungado [cfr. n° 805]. (…) 827. Cân. 17. Se alguém disser que a graça da justificação só se dá aos predestinados para a vida, e que todos os outros que são chamados, são-no, sim, mas não recebem a graça, visto estarem pelo poder divino predestinados para o mal – seja excomungado.” Fragmentos da Summa Theologica SANTO TOMÁS DE AQUINO Suma Teológica, I, q. 23, a. 1: Os homens são ou não são predestinados por Deus? Objeções pelas quais parece que os homens não são predestinados por Deus: 1. Diz o Damasceno no II livro [1]: “deve-se ter em mente que Deus tudo conhece de antemão, mas que não predetermina tudo. Pois de antemão conhece o que existe em nós e não o predetermina. Mas os méritos e deméritos humanos estão em nós enquanto, por livre arbítrio, somos donos de nossos atos. Portanto, o que pertence ao mérito ou demérito não está predestinado por Deus. Assim, desaparece a predestinação dos homens. 2. Além disso, como foi dito (q. 22 a. 1 e 2), todas as criaturas estão ordenadas a seus fins pela providência divina. Mas das outras criaturas não se diz que estão predestinadas por Deus. Logo tampouco deve-se dizê-lo dos homens. 3. Mais ainda. Os anjos, como os homens, são capazes de ser felizes. Mas aos anjos, aparentemente, não corresponde o serem predestinados, pois neles nunca houve miséria. E Agostinho afirmou [2] que a predestinação é o propósito de ter misericórdia. Logo os homens não são predestinados. 4. Por último. Os benefícios que Deus dá aos homens são dados a conhecer aos santos pelo Espírito Santo, como nos diz o Apóstolo em 1 Cor 2,12: Não recebemos o espírito deste mundo, mas o Espírito que vem de Deus para que saibamos aquilo que Deus nos concede. Portanto, se os homens fossem predestinados por Deus, como a predestinação é um dom, a predestinação seria conhecida pelos predestinados. E isto é falso. Pelo contrário, está escrito em Rm 8,30: Aos que predestinou, a estes chamou. Solução. É necessário afirmar: É apropriado Deus predestinar os homens. Pois, como foi demonstrado (q. 22, a. 2), tudo está submetido à providência divina. E como também foi dito (q. 22, a. 1), corresponde à providência ordenar as coisas ao seu fim. E o fim para o qual são ordenadas as coisas por Deus é duplo. Um, que ultrapassa a capacidade e proporção da natureza criada, e este fim é a vida eterna, que consiste em ver a Deus, algo que ultrapassa a natureza de qualquer criatura, como foi provado (q. 12, a. 4). O outro fim é proporcional à natureza criada, o qual pode ser alcançado com a capacidade de sua própria natureza. E aquilo ao qual não pode chegar com a capacidade de sua própria natureza, é necessário que lhe seja outorgado por outro, como a flecha necessita do arqueiro para chegar ao alvo. Por isso, e falando com propriedade, a criatura racional, capaz de chegar à vida eterna, chega a ela como se esta lhe fosse comunicada por Deus. A razão de tal comunicação preexiste em Deus, como também nele preexiste a razão da ordem do todo ao fim, que é a providência, como já afirmamos (q. 22, a. 1). A razão de algo que se vai fazer existe na mente do que vai fazer, é uma determinada preexistência do que se vai fazer que existe nele. Por isto, a razão da mencionada transmissão à criatura racional do fim da vida eterna se chama predestinação; pois destinar é enviar. Fica claro que a predestinação, com respeito ao seu objetivo, faz parte da providência. Respostas às objeções: 1. À primeira deve-se dizer: O Damasceno chama predeterminação à imposição de necessidade; como sucede com as coisas naturais, que estão predeterminadas a algo fixo. Este sentido se apóia no que disse: Pois não quer a malícia e nem força a virtude. Desta forma, não nega a predestinação. 2. À segunda deve-se dizer: As criaturas irracionais não possuem capacidade para aquele fim que ultrapassa a capacidade da natureza humana. Por isso não se diz propriamente que estão predestinadas, embora se abuse às vezes da palavra predestinação para falar de qualquer outro tipo de fim. 3. À terceira deve-se dizer: Aos anjos corresponde serem predestinados como os homens, embora nunca tenha havido miséria entre eles. Pois o movimento não se especifica pelo ponto de partida, mas pelo de chegada. Exemplo: Não importa que algo branco, antes de ser branco, tenha sido preto, amarelo ou vermelho. De modo semelhante, para ser predestinado não importa que alguém seja predestinado à vida eterna saindo de um estado de miséria ou não. Também pode-se dizer que conceder um bem superior ao merecido é algo que pertence à misericórdia, como já afirmamos (q. 21, a. 3 ad 2; a. 4). 4. À quarta deve-se dizer: Mesmo que por um privilégio especial seja revelada a alguns a sua predestinação, não é conveniente que a predestinação seja revelada a todos, porque os não predestinados se desesperariam, e a segurança de ser predestinado poderia suscitar negligência nos predestinados. [1] De Fide Orth. c.30: MG 94,972.[2]. Cf. De diversis quaest. ad Simplic. 1.1 q.2: ML 40,115; Contra duas epist. Pelag. l.2 c.9: ML 44,586; De Praedest. Sanct. c.3: ML 44,965; c.6: ML 44,969; c.17: ML 44,985. Suma Teológica, I, q. 23, a. 3: Deus condena ou não condena algum homem? Objeções pelas quais parece que Deus não condena nenhum homem: 1. Ninguém condena aquele que ama. Mas Deus ama todos os homens, como é afirmado em Sb 11,25: Amas tudo o que existe, e não odeias nada do que fizeste. Logo Deus não condena nenhum homem. 2. Além disso, se Deus condena algum homem é necessário que a condenação seja para os condenados o que a predestinação é para os predestinados. Mas a predestinação é causa de salvação para os predestinados. Logo a condenação será a causa da perdição dos condenados. E isto é falso, pois se diz em Os 13,9: Israel, tu mesmo te perdes; de mim vem o teu auxílio. Logo Deus não condena ninguém. 3. Além disso, não se pode imputar o que não pode ser evitado. Mas se Deus condena a alguém, não pode evitar que pereça, pois se diz em Ecl 7,10: Contempla as obras de Deus, porque ninguém pode corrigir o que Ele desprezou. Logo não há como imputar aos homens que pereçam. Portanto, Deus não condena ninguém. Pelo contrário, é dito em Mal 1,2s: Amei Jacó; odiei Esaú. Solução. É necessário dizer: Deus condena alguns. Já se disse anteriormente (a. 1) que a predestinação é parte da providência, e à providência, como também foi dito (q. 22, a. 2 ad 2), pertence permitir a existência de algum defeito nas coisas que lhe estão submetidas. Por isso, como pela providência divina os homens estão ordenados à vida eterna, também pertence à providência divina permitir que alguns não alcancem este fim. E a isto se chama condenar. Portanto, assim como a predestinação é parte da providência com respeito àqueles que, divinamente, estão ordenados à salvação eterna, assim também a condenação eterna é parte da providência com respeito àqueles que não alcançam o dito fim. Daí que a condenação inclua, além da presciência, a providência segundo nosso modo de entender, como já se disse (q. 22, a. 1 ad 3). Assim como a predestinação inclui a vontade de conceder a graça e a glória, assim também a condenação inclui a vontade de permitir a alguém cair em culpa e receber a pena pela culpa. Resposta às objeções: 1. À primeira deve-se dizer: Deus ama a todos os homens e também a todas as criaturas enquanto lhes deseja algum bem; e, contudo, não quer qualquer bem para todos. Quando não quer para alguns o bem da vida eterna, se diz que os odeia ou os condena. 2. À segunda deve-se dizer: enquanto causa, a condenação não é o mesmo que a predestinação. Pois a predestinação é causa do esperado na vida futura pelos predestinados, isto é, a glória; e é causa, também, do que se recebe na vida presente, isto é, a graça. Pelo contrário, a condenação não é causa do que acontece na vida presente, isto é, da culpa, na qual Deus não tem parte. Mas, mesmo assim, é causa de sua retribuição futura, isto é, a pena eterna. Mas a culpa provém do livre arbítrio pelo qual se condena e se separa da graça. Este é o sentido do que é dito pelo profeta: Israel, tu mesmo te perdes. 3. À terceira deve-se dizer: A condenação de Deus não tira a capacidade do condenado. Por isso, quando se diz que o condenado não pode alcançar a graça, não se deve entendê-lo como uma impossibilidade absoluta, mas condicionada, do mesmo modo que é necessário que o predestinado se salve, como já dissemos (q. 19, a. 8 ad 1), com necessidade condicionada, isto é, que não anule a sua liberdade de arbítrio. Pois isso, se bem que o condenado por Deus não possa alcançar a graça, porém, o que incorre neste ou naquele pecado o faz seguindo sua liberdade de arbítrio. Por isso, com razão se lhe imputa a culpa. Suma Teológica, I, q. 23, a. 4: Objeções pelas quais parece que os predestinados não são eleitos por Deus: 1. Dionísio, no cap. 4 De Div. Nom. [1] diz que assim como o sol sem acepção emite sua luz sobre todos os seres corpóreos, assim também Deus o faz com sua bondade. Mas a bondade divina se comunica a alguns sobretudo pela participação da graça e da glória. Logo Deus comunica sua graça e sua glória sem eleição. Isto pertence à predestinação. 2. Além disso, a eleição se faz entre os que existem, mas a predestinação desde a eternidade se estende também aos que não existem. Logo alguns predestinados o são sem eleição. 3. Mais ainda, a eleição implica certa seleção. Mas, tal como se diz em 1Tm 2,4: Deus quer salvar a todos os homens. Logo a predestinação, que predetermina os homens à salvação, se dá sem eleição. Pelo contrário, está o que se diz em Ef 1,4: Nos escolheu n’Ele antes da fundação do mundo. Solução. É necessário dizer: Tal como a entendemos, a predestinação pressupõe eleição, e a eleição pressupõe amor. O porquê disto está em que a predestinação, como se disse (a. 1), é parte da providência, e a providência, como a prudência, é a razão presente no entendimento, dirigindo a ordenação das coisas a um fim, como já se afirmou (q. 22, a. 1). E nada se predetermina para um fim se não há vontade de tal fim. Por isso, a predestinação de alguns à salvação eterna pressupõe, tal como o entendemos, que Deus queira sua salvação. E a isto pertencem a eleição e o amor. O amor enquanto quer para eles o bem da salvação eterna. pois amar é querer o bem para alguém, como afirmamos (q. 20, a. 2 e 3). E a eleição, enquanto quer este bem para uns e não para outros aos quais condena, como também afirmamos (a. 3). Sem dúvida a eleição e o amor não indicam o mesmo para Deus e para nós. Em nós, a vontade de amor não causa o bem, mas somos incitados a amar pelo bem já existente, escolhendo a quem amar. Por isso em nós a eleição precede o amor. Mas em Deus acontece o contrário, pois sua vontade, pela qual amando quer o bem para alguém, causa que uns alcancem o bem e outros não. Assim, tal como o entendemos, o amor pressupõe a eleição, e a eleição, a predestinação. Por isso, todos os predestinados são eleitos e amados. Resposta às objeções: 1. À primeira deve-se dizer: Se se considera em geral a comunicação da bondade divina, tal bondade se comunica sem eleição, quer dizer, nada há que não participe algo de sua bondade, segundo foi dito (q. 6, a. 4). Mas se se considera a comunicação deste ou daquele bem, não se concede sem eleição, porque há bens que são concedidos a uns e não a outros. Nisto consiste a eleição ao conceder a graça e a glória. 2. À segunda deve-se dizer: Quando a vontade de eleger é incitada a eleger pelo bem preexistente, então é necessário que a eleição seja do que existe. Assim sucede em nossa eleição. Mas, como já dissemos (q. 20, a. 2), em Deus não é assim. Por isso, como disse Agostinho [2]: Os que não existem são eleitos por Deus e, mesmo assim, quem elege não se equivoca. 3. À terceira deve-se dizer: Como já foi dito (q. 19, a. 6), Deus quer de forma antecedente que todos os homens se salvem. Esta forma de querer não consiste em querer algo absolutamente, mas de certo modo. Deus não o quer de forma conseqüente, que consiste em querer algo absolutamente. [1] § 1: MG 3,693: S. Th. lect.1.[2] Serm. ad Popul. n.26 c.4: ML 38,173. Fonte: Veritatis Splendor

  • INQUISIÇÃO JUDAICA (Parte II)

    Os juízes dos cristãos sejam grandes sábios, não conhecem as leis judaicas; por esta razão, proíbem que judeu algum questione o outro sobre a lei diante de um juiz cristão, eclesiástico ou secular, salvo em questões de impostos, rendas ou direitos do príncipe, sob pena de multa de mil maravedis, a não ser que tivesse obtido licença de seu próprio dayan [juiz]. Mesmo assim, proíbem que os judeus digam um ao outro palavras que os comprometam diante dos cristãos, imprudência ou malícia esta que se puniria, caso não houvesse dano algum, com multa de cem maravedis a cada vez, e caso houvesse algum prejuízo, com duzentos maravedis, ressarcimento de danos e das custas que se estimassem. Se um judeu fizesse prender a um companheiro pelas mãos de um cristão, deveria ser ele mesmo preso pelos dayans; se reinvidisse, deveria ter seu rosto marcado com um ferro em brasa e ser expulso do lugar. Se repetisse a perfídea três vezes, e o fato fosse provado com boas testemunhas, o rabino deveria condená-lo à morte. Se não fosse possível aplicar a pena, essa lei dispunha que se apregoasse publicamente sua maldade por todo Israel, advertindo que isto não deveria ser feito se seu modo de agir fosse dirigido ao serviço do Rei ou de senhores do seu Conselho, embora se este fosse o pretexto de sua malícia e depois se provasse que era mentira, dever-se-ia impor-lhe um castigo grande e severo”. Nestas cortes rabínicas há sentenças verdadeiramente arrepiantes, impostas não só àqueles que eram considerados culpados, mas também àqueles que, arrependidos, entregavam-se voluntariamente às autoridades com o fim de encontrar misericórdia e expiar suas culpas. A este respeito, refere-se o rabino Maasen Shel Sadikim a uma sentença na cidade de Sefat: a decisão do Bet Din naquela ocasião foi condenar o pecador a morrer com “Serefa”. Em que consistia? Em derramar na boca do culpado uma colherada de chumbo fundido fervente. Quando atravessasse sua garganta, o chumbo viajaria pelo corpo incinerando todo o seu intestino”. Veja-se a diferença com relação aos tributos inquisitoriais cristãos, onde o arrependido, por mais escandalosos e graves que tivessem sido seus crimes contra a Fé, sempre tinha a vida poupada, e evitava também as penas mais graves, pois a Inquisição buscava o arrependimento do réu e sua eventual reinserção na sociedade, e não seu castigo. Outro direito jurisdicional, pelo que se depreende dos responsa, era o de açoitar o delinquente. Assim, R. Ishaq bar Svésvet recomenda à sinagoga de Sagunto perseguir um adúltero com chicotadas pelo bairro judeu e depois acorrentá-lo. Os trangressores da religião, os jogadores de dados, adúlteros, blasfemos, etc., eram vítimas de enérgicos castigos por parte das autoridades das sinagogas. Na antiguidade, o castigo da flagelação, junto a outros tipos de tortura, era um dos mais comumente aceitos e praticados por judeus e romanos, como fica patente na crucifixão de Jesus Cristo. Uriel da Costa, pouco tempo depois de ter sido preso e excomungado, seria açoitado publicamente na sinagoga em 1633. Fica claro, nestas notas, como os castigos infamantes eram frequentes entre judeus. Outro aspecto importante sobre a legislação das autoridades judaicas era o que se referia a seu constante afã de arrecadação, mediante multas e impostos — em questões religiosas e/ou civis –, pelos mais diversos motivos, o que fazia da judiaria uma poderosíssima máquina econômica. Em um dos responsa recolhidos pelo estudioso Francisco González, ordena-se para os infratores de algumas normas: “o anátema, sem açoites e multa de dez mil maravedis”. Praticamente todas as sentenças emanadas destes tribunais acarretavam o pagamento de uma multa substancial. Embora não se possa considerar essencialmente reprovável esta prática, pois estes tribunais deviam sustentar-se de alguma forma, é curioso que se critique a Inquisição por haver empregado uma política semelhante — na verdade bem mais moderada — para sua manutenção. Não se entende que historiadores judeus do nível de Bodeslao Lewin, Cecil Roth e Bernard Netanyahu se horrorizem pelos procedimentos empregados pelo Santo Ofício, quando os tribunais judeus já os vinham empregando há mais de dois milênios de formas sistemáticas e mais severa. O mais desconcertante na postura desses historiadores judeus é, sem dúvida, a desavergonhada e deliberada omissão de seus expoentes mais importantes — Neuman, Baer, etc. — que avaliam como “feroz” a repressão exercida pelos rabinos aos transgressores da religião, os jogadores de dados, adúlteros, Blasfemos, etc., Eram vítimas de enérgicos castigos por parte das autoridades das sinagogas. Na antiguidade, o castigo da flagelação, junto a outros tipos de tortura, era um dos mais comumente aceitos e praticado por Judeus e romanos, como fica patente na crucifixão de Jesus Cristo. Uriel da costa, pouco tempo após ter sido preso e excomungado, seria açoitado publicamente na sinagoga em 1633. Fica claro, nestas notas, como os castigos infamantes eram frequentes entre os judeus. Outro aspecto importante sobre a legislação das autoridades judaicas eram que se referia a seu constante afã de arrecadação, mediante multas e impostos —- em questões religiosas ou civis —-, pelos mais diversos motivos, o que fazia da judiaria uma poderosíssima máquina econômica. Em um dos responsa recolhidos pelo estudioso espanhol Francisco González, ordena-se para os infratores de algumas normas: “o anátema, cem açoites e multa de dez mil maravedis”. Praticamente todas as sentenças emanadas destes tribunais acarretam o pagamento de uma multa substancial. Embora não se possa considerar essencialmente reprovável essa prática, pois estes tribunais deviam sustentar-se de alguma forma, é curioso que se critique a Inquisição por haver empregado uma política semelhante —- na verdade bem mais moderada —- para sua manutenção. Américo Castro defende —- com bastante Razão —- que a inquisição espanhola herdou vários de seus métodos dos tribunais Judeus da sinagoga. Assinala que”a pré-historia dos procedimentos inquisitoriais deve ser buscada nos bairros Judeus de Castela e Aragão (…). É lícito e razoável suspeitar que os novos e estranhos procedimentos da Inquisição espanhola sejam uma adaptação dos usuais nas sinagogas, e que o veículo para tal mudança encontre-se nos numerosos Judeus que no século XV chegaram a ser bispos, frades e até mesmo membros do conselho supremo da Inquisição”. Castro acrescenta que nesses tribunais Judeus “os processos instituídos como consequência de delações infamantes tramitavam sem as garantias do procedimento ordinário, em segredo e sem acarear o acusado com seus delatores (…). Há até mesmo marcas dos procedimentos inquisitoriais e o emprego da tortura para chegar à confissão do réu”. É assim que este historiador chega à conclusão de que a Inquisição espanhola deve sua origem aos judeus, sugerindo que seus procedimentos foram aplicados e trazidos Pelos próprios Rabinos conversos do judaísmo. Conclui que “a sociedade espanhola ia fanatizando seu cristianismo a medida que (…) Se iam cristianizando os judeus”. Outro historiador filossemita que sustenta a mesma tese é nada menos que Amador de los Rios, o qual destaca a responsabilidade dos conversos, especialmente a do frei Alonso de Espina, no surgimento e materialização da ideia inquisitorial. Por sua vez, Sánchez Albornoz, que está acima de suspeitas por sua postura republicana — antifranquista —, diz-nos: “As turvas denúncias dos suspeitos tinham as suas raízes nas repugnantes denúncias dos informantes Judeus”. O que nem Castro nem Rios dizem é que as garantias processuais, estabelecidas pelos estatutos, com que contavam os réus na Inquisição espanhola, não só foram maiores que em qualquer outro tribunal, mas além disso foram em geral cumpridas de maneira efetiva, como se verá ao longo das publicações. Para finalizar, existe um dado de suma importância trazido por Isaac Levitats, talvez o maior entendimento na história dos judeus na Rússia. Comenta que em 1836 um Ver Dim daquele país, em nova ushitsa, condenou duas pessoas à pena de morte sob o título de informantes. É ao menos curioso constatar como os tribunais continuavam operando, e condenando à morte, muitos anos depois de definitivamente abolida a Inquisição. Será possível que historiadores como Lewin, Netanyahu, Roth e outros importantes historiadores Judeus que atacam insidiosamente o tribunal da Inquisição ignorem estes dados que se mencionam aqui, tomados daqueles que talvez sejam os historiadores Judeus mais celebrados da história, e que eles mesmos citam insistentemente, cujas obras são amplamente conhecidas e acessíveis? Pelo menos, deve-se dizer com honestidade que seu comportamento parece um bastante suspeito. Já está suficientemente provada a origem judaica destes tribunais inquisitoriais. Além de autores Judeus, recorremos de preferência a estudiosos incontestes neste assunto, como Sánchez Albornoz e Américo Castro, nenhum dos quais pode ser suspeito de antissemitismo, antes o contrário. Mesmo que de forma sumária, era necessário trazer ao conhecimento dos senhores a existência de tribunais inquisitoriais alheios à igreja católica e diferentes da inquisição, para ajudar a extirpar do inconsciente coletivo aquele mito que leva a crer que está espécie de tribunais foram uma exclusividade da igreja Católica. #MacauGoaAngolaMoçambiqueCaboverdeGuinéBissauGuinéEquatorialSãotoméeprincipeEUAfrançaparisgeorgiaportugalMacedôniabelarusRússiapaquistãoIrãCoreiaEgipto #EUAfrançaparisgeorgiaportugalmacedoniabelarusrussiapaquistãoIrãnCoreiaEgiptoArabiasauditaEmiradosÁrabesunidosEtiópiaNigériaChinaIraqueZimbabuéÁfric #HistóriadaInquisição

  • A DOUTRINA DE SANTO AGOSTINHO SOBRE A PREDESTINAÇÃO De dono perseverantie (428)

    Ousará alguém afirmar que Deus não conheceu antecipadamente aqueles a quem concederia a fé? Se antecipadamente os conheceu, também previu certamente sua própria Benevolência mediante a qual digna a nós resgatar isso, e não outra coisa, é a predestinação dos santos, a presciência de Deus e a determinação de sua condescendência através da qual certamente são salvos todos os Predestinados. Quanto aos demais…. Onde está o varão que, entregue ao justo juízo Deus, se salvará da massa da perdição onde foram abandonados os de Tiro e de Sídom? Estes, contudo, teriam crido, se tivessem visto os prodígios de Cristo, mas não se lhes concedeu a fé nem, consequentemente, os meios de crerem. Este exemplo nos ensina, evidentemente as coisas de Deus, pelo qual são levados à fé, se ouvirem as palavras ou perceberem os sinais apropriados a sua inteligência. E se alguns, no derradeiro Juízo de Deus, ainda não estão separados da massa de perdição pela predestinação da graça, então nenhuma destas palavras ou destes atos os atinge… … Os judeus, por outra parte, foram abandonados na mesma massa de perdição porque não podia crer…as obras poderosas realizadas à sua vista… “Cegou-lhes os olhos e endureceu-lhes o coração, para que não vejam com os olhos e nem entendam com o coração, e se convertam e sejam curados por mim” (Is 6.10, Jo 12.40). Os olhos dos habitantes de Tiro e sidom não estavam tão cegos, nem seus corações tão endurecidos, pois teriam crido se tivessem presenciado os atos poderosos que os judeus viram. Mas de nada lhes serviu sua capacidade de crer, pois não estavam Predestinados por Aquele cujos “Juízos insondáveis e cujos caminhos são inescrutáveis” (Rm 11. 33). SANTO AGOSTINHO E A GRAÇA IRRESISTÍVEL De corruptione et grátis (427) Devemos distinguir duas espécies de assistência: a assistência sem a qual é impossível realizar determinado propósito (adjutorium quo fit). Assim, por exemplo, sem alimento não é possível viver. Mas , nem por ser o alimento proveitoso e vivificante, sobreviverá o homem decidido a morrer…. No caso da salvação, uma vez concedida a quem dela carecia, para sempre está salvo… Esta é uma assistência simultaneamente sine quo non e quo… O primeiro homem foi criado em estado de justiça e bondade: recebeu a possibilidade de não pecar [posse non peccare], de não morrer [posse nom mori], de não decair do estado de justiça [posse non cadere]. Acrescentou-se-lhe ainda ajuda para perseverar. Esta ajuda, no entanto, não foi de tal natureza que forçosamente levaria à perseverança de fato [adjutorium quo perseveraret], mas, simplesmente, porque sem ela de modo nenhum podia perseverar, por muito que o quisesse [adjutorium sine quo non perseveraret]. Entretanto, no caso dos santos predestinados ao reino de Deus pela graça divina, a ajuda concedida para que perseverassem não foi perseverança de fato [isto é, não só ajuda sine quo non, mas ajuda quo.] …. sendo de tal maneira forte e eficaz que os santos não podiam fazer outra coisa senão perseverar de fato. Depois de Predestinados, não teriam perseverado de fato, se não tivessem recebido ao mesmo tempo o poder e o querer…. De tal maneira foi-lhes inflamada a vontade pelo espírito santo que podiam precisamente porque queriam e queriam porque neles Deus operava o querer. Mas se, na fraqueza profunda de sua condição mortal (fraqueza tal que não dá lugar a jactâncias, pois “O poder se aperfeiçoa na fraqueza”), na sua própria vontade fosse abandonada sem ajuda, de modo que, se eles quisessem, pudessem continuar no amparo de Deus, sem o qual não podiam perseverar, e se Deus não tivesse operado neles o querer em meio a tantas fraquezas, sua vontade humana teria fraquejado e não teriam sido capazes de perseverar até o fim, eles falhariam no querer por causa da fraqueza ou sua vontade seria tão fraca para assegurar sua própria realização. Eiz porque à fraqueza do querer humano foi concedida uma ajuda que a capacitou a ser, invariável e irresistivelmente, influenciadas pela graça de Deus, para que, fraca como era, enfrentasse e vencesse qualquer adversidade. Deste modo, a vontade humana, embora muito fraca e impotente, situada num nível tão baixo de bondade, perseverou pelo poder de Deus nessa bondade, enquanto que a vontade do primeiro homem, embora forte e sadia, situada num nível mais alto de bondade e possuindo o poder de escolher livremente, não perseverou nela. A razão foi que, mesmo não faltando a ajuda de Deus, tal ajuda era apenas um auxílio, sem o qual a vontade não podia perseverar, por muito que o quisesse; não foi aquele auxílio mediante o qual Deus opera o homem a querer . Deus, sem dúvida, deixou o mais forte fazer o que queria e reservou aos mais fracos o seu próprio dom, em virtude do qual mais irresistivelmente busacariam o que é bom e mais irresistivelmente se recusariam a abandoná-la. #MacauGoaAngolaMoçambiqueCaboverdeGuinéBissauGuinéEquatorialSãotoméeprincipeEUAfrançaparisgeorgiaportugalMacedôniabelarusRússiapaquistãoIrãCoreiaEgipto #EUAfrançaparisgeorgiaportugalmacedoniabelarusrussiapaquistãoIrãnCoreiaEgiptoArabiasauditaEmiradosÁrabesunidosEtiópiaNigériaChinaIraqueZimbabuéÁfric #históriadaigrejaprimitiva #Igreja #SantoAgostinho

  • 5 Vias de São Tomás de Aquino

    EXISTÊNCIA DE DEUS Iª Via – Prova do movimento IIª Via – Prova da causalidade eficiente IIIª Via – Prova da contingência IVª Via – Dos graus de perfeição dos entes Vª Via – Prova da existência de Deus pelo governo do mundo “Ninguém afirma: “Deus não existe’ sem antes ter desejado que Ele não exista”. Esta frase, de um filósofo muito suspeito, por ser esotérico – Joseph de Maistre – tem muito de verdade. Com efeito, o devedor insolvente gostaria que seu credor não existisse. O pecador que não quer deixar o pecado, passa a negar a existência de Deus. Por isso, quando se dá as provas da existência de Deus para alguém, não se deve esquecer que a maior força a vencer não é a dos argumentos dos ateus, e sim o desejo deles de que Deus não exista. Não adiantará dar provas a quem não quer aceitar sua conclusão. Em todo caso, as provas de Aristóteles e de São Tomás a respeito da existência de Deus têm tal brilho e tal força que convencem a qualquer um que tenha um mínimo de boa vontade e de retidão intelectual. É para essas pessoas que fazemos este pequeno resumo dos argumentos de São Tomás sobre a existência de Deus, tendo por base o que ele diz na Suma Teológica I, q.2, a.a 1, 2, 3 e 4. Inicialmente, pergunta São Tomás se a existência de Deus é verdade de evidência imediata. Ele explica que uma proposição pode ser evidente de dois modos: 1) em si mesma, mas não em relação a nós; 2) em si mesma e para nós. Uma proposição é evidente quando o predicado está incluído no sujeito. Por exemplo, a proposição o homem é animal é evidente, já que o predicado animal está incluso no conceito de homem. Quando alguns não conhecem a natureza do sujeito e do predicado, a proposição – embora evidente em si mesma – não será evidente para eles. Ela será evidente apenas para os que conhecem o que significam o sujeito e o predicado. Por exemplo, a frase: “O que é incorpóreo não ocupa lugar no espaço”, é evidente em si mesma e é evidente somente aqueles que sabem o que é incorpóreo. Tendo em vista tudo isso, São Tomás diz que: a) A proposição “Deus existe” é evidente em si mesma porque nela o predicado se identifica com o sujeito, já que Deus é o próprio ente. b) Mas, com relação a nós, que desconhecemos a natureza divina, ela não é evidente, mas precisa ser demonstrada. E o que se demonstra não é evidente. O que é evidente para nós não cabe ser demonstrado. Portanto, a existência de Deus pode ser demonstrada. Contra isso, São Tomás dá uma objeção, dizendo que a existência de Deus é um artigo de fé. Ora, o que é de fé não pode ser demonstrado. Logo, concluir-se-ia que não se pode demonstrar que Deus existe. São Tomás ensina que há dois tipos de demonstração: 1) Demonstração propter quid (devido a que) É a que se baseia na causa. Ela parte do que é anterior (a causa) discorrendo para o que é posterior (o efeito). 2) Demonstração quia (porque) É a que parte do efeito para conhecer a causa. Quando vemos um efeito mais claramente que sua causa, pelo efeito acabamos por conhecer a causa. Pois o efeito depende da causa, e é, de algum modo, sempre semelhante a ela. Então, embora a existência de Deus não seja evidente apenas para nós, ela é demonstrável pelos efeitos que dela conhecemos. A existência de Deus e outras verdades semelhantes a respeito dele que podem ser conhecidos pela razão, como diz São Paulo Rom. I, 19), não são artigos de fé. Deste modo, a fé pressupõe o conhecimento natural, assim como a graça pressupõe a natureza e a perfeição pressupõe o que é perfectível. Entretanto, alguém que não conheça ou não entenda a demonstração filosófica da existência de Deus, por aceitar a existência dele por fé. É no artigo 3 dessa questão 2 da 1ª parte da Suma Teológica que São Tomás expõe as provas da existência de Deus. São as famosas 5 vias tomistas. Iª Via – Prova do movimento É a prova mais clara. É inegável que há coisas que mudam. Nossos sentidos nos mostram que a planta cresce, que o céu fica nublado, que a folha passa a ser escrita, que nós envelhecemos, que mudamos de lugar, etc. Há mudanças substanciais. Ex.: madeira que vira carvão. Há mudanças acidentais. Ex: parede branca que é pintada de verde. Há mudanças quantitativas. Ex: a água de um pires diminuindo por evaporação. Há mudanças locais. Ex: Pedro vai ao Rio Nas coisas que mudam, podemos distinguir: a) As qualidades ou perfeições já existentes nelas. b) as qualidades ou perfeições que podem vir a existir, que podem ser recebidas por um sujeito. As perfeições existentes são ditas existentes em Ato. As perfeições que podem vir a existir num sujeito são existentes em Potência passiva. Assim, uma parede branca tem brancura em Ato, mas tem cor vermelha em Potência. Mudança ou movimento é pois a passagem de potência de uma perfeição qualquer (x) para a posse daquela perfeição em Ato. M = PX —->> AX Nada pode passar, sozinho, de potência para uma perfeição, para o Ato daquela mesma perfeição. Para mudar, ele precisa da ajuda de outro ser que tenha aquela qualidade em Ato. Assim, a panela pode ser aquecida. Mas não se aquece sozinha. Para aquecer-se, ela precisa receber o calor de outro ser – o fogo – que tenha calor em Ato. Outro exemplo: A parede branca em Ato, vermelha em potência, só ficará vermelha em Ato caso receba o vermelho de outro ser – a tinta – que seja vermelho em Ato. Noutras palavras, tudo o que muda é movido por outro. É movido aquilo que estava em potência para uma perfeição. Em troca, para mover, para ser motor, é preciso ter a qualidade em ato. O fogo (quente em ato) move, muda a panela (quente em potência) para quente em ato. Ora, é impossível que uma coisa esteja, ao mesmo tempo, em potência e em ato para a mesma qualidade. Ex.: Se a panela está fria em ato, ela tem potência para ser aquecida. Se a panela está quente em ato ela não tem potência para ser aquecida. É portanto impossível que uma coisa seja motor e móvel, ao mesmo tempo, para a mesma perfeição. É impossível, pois, que uma coisa mude a si mesma. Tudo o que muda é mudado por outro. Tudo o que se move é movido por outro. Se o ente 1 passou de Potência de x para Ato x, é porque o ente 1 recebeu a perfeição x de outro ente 2 que tinha a qualidade x em Ato. Entretanto, o ente 2 só pode ter a qualidade x em Ato se antes possuía a capacidade – a potência de ter a perfeição x. Logo, o ente 2 passou, ele também, de potência de x para Ato x. Se o ente 2 só passou de PX para AX, é porque ele também foi movido por um outro ente, anterior a ele, que possuía a perfeição x em Ato. Por sua vez, também o ente 3 só pode ter a qualidade x em Ato, porque antes teve Potência de x e só passou de PX para AX pela ajuda de outro ente 4 que tinha a qualidade x em Ato. E assim por diante. PX —> AX PX (5) —> AX PX (4) —> AX PX (3) —> AX PX (2) —> AX (1) Esta sequência de mudanças ou é definida ou indefinida. Se a sequência fosse indefinida, não teria havido um primeiro ser que deu início às mudanças. Noutras palavras, em qualquer sequência de movimentos, em cada ser, a potência precede o ato. Mas, para que se produza o movimento nesse ser, é preciso que haja outro com qualidade em ato. Se a sequência de movimentos fosse infinita, sempre a potência precederia o ato, e jamais haveria um ato anterior à potência. É necessário que o movimento parta de um ser em ato. Se este ser tivesse potência, não se daria movimento algum. O movimento tem que partir de um ser que seja apenas ato. Portanto, a sequência não pode ser infinita. Ademais, está se falando de uma série de movimentos nas coisas que existem no universo. Ora, esses movimentos se dão no espaço e no tempo. Tempo-espaço são mensuráveis. Portanto, não são movimentos que se dão no infinito. A sequência de movimentos em tempo e espaço finitos tem que ser finita. E que o universo seja finito se compreende, por ser ele material. Sendo a matéria mensurável, o universo tem que ser finito. Que o universo é finito no tempo se comprova pela teoria do Big Bang e pela lei da entropia. O universo principiou e terá fim. Ele não é infinito no tempo. Logo, a sequência de movimentos não pode ser infinita, pois se dá num universo finito. Ao estudarmos as cinco provas de S. Tomás sobre a existência de Deus, devemos ter sempre em mente que ele examina o que se dá nas “coisas criadas”, para, através delas, compreender que existe um Deus que as criou e que lhes deu as qualidades visíveis, reflexos de suas qualidades invisíveis e em grau infinito. Este primeiro motor não pode ser movido, porque não há nada antes do primeiro. Portanto, esse 1º ente não podia ter potência passiva nenhuma, porque se tivesse alguma ele seria movido por um anterior. Logo, o 1º motor só tem ATO. Ele é apenas ATO, isto é, tem todas as perfeições. Este ser é Deus. Deus então é ATO puro, isto é, ATO sem nenhuma potência passiva. Este ser que é ato puro não pode usar o verbo ser no futuro ou no passado. Deus não pode dizer “eu serei bondoso”, porque isto implicaria que não seria atualmente bom, que Ele teria potência de vir a ser bondoso. Deus também não pode dizer “eu fui”, porque isto implicaria que Ele teria mudado, isto é, passado de potência para Ato. Deus só pode usar o verbo ser no presente. Por isso, quando Moisés perguntou a Deus qual era o seu nome, Deus lhe respondeu “Eu sou aquele que é” (aquele que não muda, que é ato puro). Também Jesus Cristo ao discutir com os fariseus lhes disse: “Antes que Abraão fosse, eu sou” (Jo. VIII, 58). E os judeus pegaram pedras para matá-lo porque dizendo eu sou Ele se dizia Deus. Na ocasião em que foi preso, Cristo perguntou: “a quem buscais ?”, e, ao dizerem “a Jesus de Nazaré”, ele lhes respondeu: “Eu sou”. E a essas palavras os esbirros caíram no chão, porque era Deus se definindo. Do mesmo modo, quando Caifás esconjurou que Cristo dissesse se era o Filho de Deus, Ele lhe respondeu: “Eu sou”. E Caifás entendeu bem que Ele se disse Deus, porque imediatamente rasgou as vestes dizendo que Cristo blasfemara afirmando-se Deus. Deus é, portanto, ATO puro. É o ser que não muda. Ele é aquele que é. Por isso, a verdade não muda. O dogma não muda. A moral não evolui. O bem é sempre o mesmo.A beleza não muda. Quando os modernistas afirmam que a verdade, o dogma, a moral, a beleza evoluem, eles estão dizendo que Deus evolui, que Ele não é ATO puro. Eles afirmam que Deus é fluxo, é ação, é processo e não um ente substancial e imutável. É o que afirma hereticamente a Teologia da Libertação. Diz Frei Boff: “Assim, o Deus cristão é um processo de efusão, de encontro, de comunhão entre distintos enlaçados pela vida, pelo amor.” (Frei Boff, A Trindade e a Sociedade, p. 169) Ou então: “Assim, Mary Daly sugere compreendermos Deus menos como substância e mais como processo, Deus como verbo ativo (ação) e menos como um substantivo. Deus significaria o viver, o eterno tornar-se, incluindo o viver da criação inteira, criação que, ao invés de estar submetida ao ser supremo, participaria do viver divino.” (Frei Boff, A Trindade e a Sociedade, pp. 154-155) É natural pois que Boff tenha declarado em uma conferência em Teófilo Otono: Como teólogo digo: sou dez vezes mais ateu que você desse deus velho, barbudo lá em cima. Até que seria bom a gente se livrar dele.” (Frei Boff, Pelos pobres, contra a pobreza, p. 54) IIª Via – Prova da causalidade eficiente Toda causa é anterior a seu efeito. Para uma coisa ser causa de si mesma teria de ser anterior a si mesma. Por isso neste mundo sensível, não há coisa alguma que seja causa de si mesma. Além disso, vemos que há no mundo uma ordem determinada de causas eficientes. Assim, numa série definida de causas e efeitos, o resfriado é causado pela chuva, que é causada pela evaporação, que é causada pelo calor, que é causado pelo Sol. No mundo sensível, as causas eficientes se concatenam às outras, formando uma série em que umas se subordinam às outras: A primeira, causa as intermediárias e estas causam a última. Desse modo, se for supressa uma causa, fica supresso o seu efeito. Supressa a primeira, não haverá as intermediárias e tampouco haverá então a última. Se a série de causas concatenadas fosse indefinida, não existiria causa eficiente primeira, nem causas intermediárias, efeitos dela, e nada existiria. ora, isto é evidentemente falso, pois as coisas existem. Por conseguinte, a série de causas eficientes tem que ser definida. Existe então uma causa primeira que tudo causou e que não foi causada. Deus é a causa das causas não causada. Esta prova foi descoberta por Sócrates que morreu dizendo: “Causa das causas, tem pena de mim”. A negação da Causa primeira leva à ciência materialista a contradizer a si mesma, pois ela concede que tudo tem causa, mas nega que haja uma causa do universo. O famoso físico inglês Stephen Hawkins em sua obra “Breve História do Tempo” reconheceu que a teoria do Big-Bang (grande explosão que deu origem ao universo, ordenando-o e não causando desordem, como toda explosão faz devido a Lei da entropia) exige um ser criador. Hawkins admitiu ainda que o universo é feito como uma mensagem enviada para o homem. Ora, isto supõe um remetente da mensagem. Ele, porém, confessa que a ciência não pode admitir um criador e parte então para uma teoria gnóstica para explicar o mundo. O mesmo faz o materialismo marxista. Negando que haja Deus criador do universo, o marxismo se vê obrigado a transferir para a matéria as qualidades da Causa primeira e afirmar, contra toda a razão e experiência, que a matéria é eterna, infinita e onipotente. Para Marx, a matéria é a Causa das causas não causada. IIIª Via – Prova da contingência Na natureza, há coisas que podem existir ou não existir. Há seres que se produzem e seres que se destroem. Estes seres, portanto, começam a existir ou deixam de existir. Os entes que têm possibilidade de existir ou de não existir são chamados de entes contingentes. Neles, a existência é distinta da sua existência, assim o ato é distinto da potência. Ora, entes que têm a possibilidade de não existir, de não ser, houve tempo em que não existiam, pois é impossível que tenham sempre existido. Se todos os entes que vemos na natureza têm a possibilidade de não ser, houve tempo em que nenhum desses entes existia. Porém, se nada existia, nada existiria hoje, porque aquilo que não existe não pode passar a existir por si mesmo. O que existe só pode começar a existir em virtude de um outro ente já existente. Se nada existia, nada existiria também agora. O que é evidentemente falso, visto que as coisas contingentes agora existem. Por conseguinte, é falso que nada existia. Alguma coisa devia necessariamente existir para dar, depois, existência aos entes contingentes. Este ser necessário ou tem em si mesmo a razão de sua existência ou a tem de outro. Se sua necessidade dependesse de outro, formar-se-ia uma série indefinida de necessidades, o que, como já vimos é impossível. Logo, este ser tem a razão de sua necessidade em si mesmo. Ele é o causador da existência dos demais entes. Esse único ser absolutamente necessário – que tem a existência necessariamente – tem que ter existido sempre. Nele, a existência se identifica com a essência. Ele é o ser necessário em virtude do qual os seres contingentes tem existência. Este ser necessário é Deus. IVª Via – Dos graus de perfeição dos entes Vemos que nos entes, uns são melhores, mais nobres, mais verdadeiros ou mais belos que outros. Constatamos que os entes possuem qualidades em graus diversos. Assim, dizemos que o Rio de Janeiro é mais belo que Carapicuíba. Nessa proposição, há três termos: Rio de Janeiro, Carapicuíba e Beleza da qual o Rio de Janeiro participa mais ou está mais próximo. Porque só se pode dizer que alguma coisa é mais que outra, com relação a certa perfeição, conforme sua maior proximidade, participação ou semelhança com o máximo dessa perfeição. Portanto, tem que existir a Verdade absoluta, a Beleza absoluta, o Bem absoluto, a Nobreza absoluta, etc. Todas essas perfeições em grau máximo e absoluto coincidem em um único ser, porque, conforme diz Aristóteles, a Verdade máxima é a máxima entidade. O Bem máximo é também o ente máximo. Ora, aquilo que é máximo em qualquer gênero é causa de tudo o que existe nesse gênero. Por exemplo, o fogo que tem o máximo calor, é causa de toda quentura, conforme diz Aristóteles. Há, portanto, algo que é para todas as coisas a causa de seu ser, de sua bondade, de sua verdade e de todas as suas perfeições. E a isto chamamos Deus. Por esta prova se vê bem que a ordem hierárquica do universo é reveladora de Deus, permitindo conhecer sua existência, assim como conhecer suas perfeições. É o que diz São Paulo na Epístola aos Romanos (I,19). E também é por isso que Deus, ao criar cada coisa dizia que ela era boa, como se lê no Gêneses ( I ). Mas quando a Escritura termina o relato da criação, diz que Deus, ao contemplar tudo quanto havia feito, viu que o conjunto da criação era “valde bona”, isto é, ótimo. Pois bem, se cada parcela foi dita apenas boa por Deus como se pode dizer que o total é ótimo? O total deve ter a mesma natureza das parcelas, e portanto o total de parcelas boas devia ser dito simplesmente bom e não ótimo. São Tomás explica essa questão na Suma contra Gentiles. Diz ele que o total foi declarado ótimo porque, além da bondade das partes havia a sua ordenação hierárquica. É essa ordem do universo que o torna ótimo, pois a ordem revela a Sabedoria do Ordenador. Por aí se vê que o comunismo, ao defender a igualdade como um bem em si, odeia a ordem, imagem da Sabedoria de Deus. Odiando a imagem de Deus, o comunismo odeia o próprio Deus, porque quem odeia a imagem odeia o ser por ela representado. Nesse ódio está a raiz do ateísmo marxista e de sua tendência gnóstico. Vª Via – Prova da existência de Deus pelo governo do mundo Verificamos que os entes irracionais obram sempre com um fim. Comprova-se isto observando que sempre, ou quase sempre, agem da mesma maneira para conseguir o que mais lhes convém. Daí se compreende que eles não buscam o seu fim agindo por acaso, mas sim intencionalmente. Aquilo que não possui conhecimento só tende a um fim se é dirigido por alguém que entende e conhece. Por exemplo, uma flecha não pode por si buscar o alvo. Ela tem que ser dirigida para o alvo pelo arqueiro. De si, a flecha é cega. Se vemos flechas se dirigirem para um alvo, compreendemos que há um ser inteligente dirigindo-as para lá. Assim se dá com o mundo. Logo, existe um ser inteligente que dirige todas as coisas naturais a seu fim próprio. A este ser chamamos Deus. Uma variante dessa prova tomista aparece na obra “A Gnose de Princeton”. Apesar de gnóstico esta obra apresenta um argumento válido da existência de Deus. Filmando-se em câmara lenta um jogador de bilhar dando uma tacada numa bola, para que ela bata noutra a fim de que esta corra e bata na borda, em certo ângulo, para ser encaçapada, e se depois o filme for projetado de trás para diante, ver-se-á a bola sair da caçapa e fazer o caminho inverso até bater no taco e lançar para trás o braço do jogador. Qualquer um compreende, mesmo que não conheça bilhar, que a segunda sequência não é a verdadeira, que é absurda. Isto porque à segunda sequência faltou a intenção, que transparece e explica a primeira sequência de movimentos. Daí concluir com razão, a obra citada, que o mundo cego caminha – como a flecha ou como a bola de bilhar – em direção a um alvo, a um fim. Isto supõe então que há uma inteligência que o dirige para o seu fim. Há pois uma inteligência que governa o mundo. Este ser sapientíssimo é Deus. #Deus #Ente #SantoTomásdeAquino

  • SAN JUAN CRISOSTOMO Y MATEO 1, 25

    Por: Richbell Meléndez Al igual que muchos, cuando comencé a estudiar la patristica me sorprendió el ver como en el primer milenio ya se usaban los mismos argumentos que los Católicos usamos para refutar a los no católicos, ese es el caso de este texto de San Juan Crisostomo donde trata el pasaje de Mateo 1, 25 y el significado de la expresión “no la conoció hasta que” que los detractores de la Virginidad de Maria suelen usan para negar la Virginidad de María. Pero ya San Juan Crisostomo en el siglo IV había respondido y los Cristianos Católicos seguimos haciéndolo hoy en día. «El Señor os dará El mismo una señal (Is 7, 14), añadió: He aquí que la Virgen concebirá. Pero si no había de ser virgen la que iba a parir, sino que eso había de suceder según la ley natural del matrimonio ¿qué clase de señal sería ésa? Puesto que un portento es algo que tiene que superar el orden común de las cosas y ser algo inesperado e insólito. De otro modo ¿cómo podría servir de señal? Y José al despertar de su sueño hizo como el ángel del Señor le había mandado. ¿Adviertes la disposición de su ánimo para obedecer? ¿Adviertes su ánimo vigilante no impedido por alguna acepción de personas? Ni cuando andaba en las tristes y penosas sospechas quiso retener consigo a la Virgen, ni una vez que se removieron las sospechas quiso abandonarla. Aceptó el quedar constituido ministro de todo el nuevo modo de proceder. Dice el evangelista: Y recibió a María su esposa. ¿Observas con qué frecuencia repite el nombre de esposa, al mismo tiempo que va alejando toda sospecha? Es que no quiere revelar aún el misterio. Y una vez que la recibió: no la conoció hasta que dio a luz a su hijo primogénito. (Mt 1, 25) Puso el evangelista ese hasta no para que sospeches que más tarde la conoció José, sino sólo para que sepas que hasta el parto mismo fue virgen intacta. Entonces ¿por qué dice: hasta que dio a luz?  Con frecuencia se advierte en la Escritura este modo de hablar, de manera que no usa esa palabra para significar un tiempo definido. Y así, hablando del arca, dice: Ni regresó el cuervo hasta que se secó la tierra. Y tratando de Dios, dice: De un siglo hasta otro, tú eres, sin que por eso ponga término alguno. Y también profetizando dice: En sus días florecerá la justicia y la abundancia de paz hasta que se destruya la luna, pero no por esto pone término a la existencia de ese astro. Pues del mismo modo en este lugar puso hasta únicamente para asegurar lo que al parto había precedido, dejando a tu consideración el tiempo siguiente. Dijo lo que tenía que decirte o sea que la Virgen hasta el parto permaneció intacta. En cambio, lo que de su afirmación se seguía como consecuencia, y además era bien claro, lo dejó a tu buen entender. Por cierto que aquel varón justo jamás se habría atrevido a tocar a aquella Virgen que tan maravillosamente había sido hecha Madre y había merecido tan nuevo y desacostumbrado embarazo. Si la hubiera conocido y tomado y usado como mujer ¿cómo Jesús la hubiera encomendado al discípulo, como si ella no tuviera esposo, ordenándole que la tomara como a su madre?.» San Juan Crisóstomo (347 – 407 d.C.). Homilía, Mateo V http://www.clerus.org/bibliaclerusonline/es/es5.htm

  • A VERDADE IMUTÁVEL DA SALVAÇÃO Parte I

    “A principal ideia de Máximo, como de todos da teologia oriental, era a ideia de deificação (Epifanovi [1915 página 125]). Essa ideia, com todas suas ideias teológicas, viera a ele da antiguidade Cristã e foram formuladas pelos pais gregos. A salvação definida como deificação era o tema da fé cristã e da mensagem bíblica. O objetivo do Pai Nosso era apontar para o mistério da deificação (Máximo breve exposição sobre o pai nosso). O batismo “era em nome do doador da vida e da Trindade deificada” Máximo o livro ascético 2). Quando os convidados de um casamento em Caná de Galileia, conforme descrito no Evangelho de João ,disseram que o anfitrião tinha “guardado o melhor vinho Até agora” (João2.10), ele se referiam à palavra de Deus, salva para ser apresentada por último, por meio do qual os homens eram feitos divinos (Máximo questões para Talássio sobre a escritura 40). Quando nas pistolas do mesmo João, “o teólogo” (Máximo questões para Talássio sobre as escrituras 9), é dito que “ainda não se manifestou o que havemos de ser” (1João 3.2), essa foi uma referência à “futura de deificação daqueles que agora foram feitos filhos de Deus” (Máximo questões para Talássio 9). Quando o apóstolo Paulo fala das riquezas (Efésios 1.18) dos Santos, isso também significa santificação (Máximo questões para Talássio sobre as escrituras 22). Mas há duas passagens principais da Bíblia em que se apresenta a definição da salvação como deificação: a declaração em Salmos: “eu disse: vocês são deuses” (Salmos 82. 6 João; 10.34), citada no novo testamento; e a promessa do novo testamento de que os cristãos “se tornam participantes da natureza Divina” (2Pedro 1.4). A primeira declaração significado que os homens justos e os anjos se tornariam divinos; e a segunda, que “ser unido com Cristo” era o meio para deificação (Máximo comentário de sobre os nomes divinos de Dionísio o Areopagita 8.3; Máximo Comentário sobre a hierarquia celestial de Dionísio, o areopagita ) Pois a similaridade com Cristo (Máximo Comentário sobre as hierarquias eclesiásticas de Dionísio o areopagita 3.13) era a força divinizadora, tornando os homens divinos (máximo comentário sobre a hierarquia celestial de Dionísio o areopagita 7.2). O paganismo grego já sabia que o indivíduo devia ascender da vida Ativa para a vida contemplativa, mas o cristianismo grego descobriu que havia um terceiro passo além desses dois quando o indivíduo era adotado efeito divino (máximo o livro das ambiguidades 20). A partir dos escritos de Dionísio, o Areopagita, os devotos da contemplação tinham aprendido que Deus não só estava acima de todas as realidades existentes, mas também acima da essência em si; e, por isso, eles chegaram ao verdadeiro sentido da deificação (Máximo comentário sobre as epístolas de Dionísio o areopagita 2). #MacauGoaAngolaMoçambiqueCaboverdeGuinéBissauGuinéEquatorialSãotoméeprincipeEUAfrançaparisgeorgiaportugalMacedôniabelarusRússiapaquistãoIrãCoreiaEgipto #EUAfrançaparisgeorgiaportugalmacedoniabelarusrussiapaquistãoIrãnCoreiaEgiptoArabiasauditaEmiradosÁrabesunidosEtiópiaNigériaChinaIraqueZimbabuéÁfric #históriadaigrejaprimitiva

  • SÍMBOLO ATANASIANO* [“QUICUMQUE”]

    * Atanasiano diz respeito a santo Atanásio de Alexandria (295-373). A palavra latina “Quicumque” refere-se à primeira palavra do parágrafo inicial do Símbolo escrito em latim: “Quicumque vult salvus esse, ante omnia opus est, ut teneat catholicam fidem.” Boulenger, em Doutrina Católica, Primeira Parte, O Dogma (Símbolo dos Apóstolos), Livraria Francisco Alves Paulo de Azevedo & Cia, Rio de Janeiro, São Paulo, 1927, na página 29, afirma que “o Símbolo de santo Atanásio não se encontra nos escritos de santo Atanásio, se bem que leve o nome deste santo. É provável que terá sido composto pelo século VI, talvez por são Cesário, bispo de Arles. O costume deste autor, era colocar, no princípio de suas obras, o nome de um Padre da Igreja. Daí proviria a denominação de Símbolo de santo Atanásio. Este Símbolo expõe a doutrina católica sobre a Trindade e a Encarnação“. Denziger-Hünermann, em Compêndio dos Símbolos, Definições e Declarações de Fé e Moral, Paulinas, Edições Loyola, São Paulo 2007, na página 40, chama este símbolo de “pseudo-atanasiano“, e esclarece que “entre os estudiosos predomina a convicção de que o autor deste Símbolo não é Atanásio de Alexandria, mas deve ser procurado entre os teólogos do Ocidente. A maioria dos manuscritos mais antigos alega como autor Atanásio, outros, o Papa Atanásio I. Mas como não remontam a um período anterior ao séc. VIII, com razão se questiona sua confiabilidade. Os textos gregos ainda existentes são traduções do latim, não vice-versa. Entre os possíveis compositores deste Símbolo são mencionados particularmente: Hilário de Poitiers, † ca. 367; Ambrósio de Milão, † 397; Nicetas de Remesiana, † ca. 414; Honorato de Arles., † 429; Vicente de Lérins, † antes de 450; Fulgência Ruspe, † 532; Cesário de Arles, † 543; Venâncio Fortunato, † ca. 601. Prevalece a opinião de que este Símbolo tenha surgido, entre 430 e 500, no sul da Gália, possivelmente na região de Arles, por obra de autor desconhecido. No decorrer do tempo este Símbolo adquiriu tal autoridade, no Ocidente como no Oriente, que na Idade Média chegou a ser equiparado aos Símbolos apostólico e niceno a ser usado na liturgia“. Símbolo Atanasiano Antífona. Glória a Vós, Trindade igual, única Divindade, antes dos séculos, e agora e sempre (T. P. Aleluia). 1. Quem quiser salvar-se deve antes de tudo professar a fé católica. 2. Porque aquele que não a professar, integral e inviolavelmente, perecerá sem dúvida por toda a eternidade. 3. A fé católica consiste em adorar um só Deus em três Pessoas e três Pessoas em um só Deus. 4. Sem confundir as Pessoas nem separar a substância. 5. Porque uma é a Pessoa do Pai, outra a do Filho, outra a do Espírito Santo. 6. Mas uma só é a divindade do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo, igual a glória, coeterna a majestade. 7. Tal como é o Pai, tal é o Filho, tal é o Espírito Santo. 8. O Pai é incriado, o Filho é incriado, o Espírito Santo é incriado. 9. O Pai é imenso, o Filho é imenso, o Espírito Santo é imenso. 10. O Pai é eterno, o Filho é eterno, o Espírito Santo é eterno. 11. E contudo não são três eternos, mas um só eterno. 12. Assim como não são três incriados, nem três imensos, mas um só incriado, um só imenso. 13. Da mesma maneira, o Pai é onipotente, o Filho é onipotente, o Espírito Santo é onipotente. 14. E contudo não são três onipotentes, mas um só onipotente. 15. Assim o Pai é Deus, o Filho é Deus, o Espírito Santo é Deus. 16. E contudo não são três deuses, mas um só Deus. 17. Do mesmo modo, o Pai é Senhor, o Filho é Senhor, o Espírito Santo é Senhor. 18. E contudo não são três senhores, mas um só Senhor. 19. Porque, assim como a verdade cristã nos manda confessar que cada uma das Pessoas é Deus e Senhor, do mesmo modo a religião católica nos proíbe dizer que são três deuses ou senhores. 20. O Pai não foi feito por ninguém: nem criado nem gerado. 21. O Filho procede do Pai: não foi feito nem criado, mas gerado. 22. O Espírito Santo não foi feito, nem criado, nem gerado, mas procede do Pai e do Filho. 23. Não há, pois, senão um só Pai, e não três Pais; um só Filho, e não três Filhos; um só Espírito Santo, e não três Espíritos Santos. 24. E nesta Trindade não há nem mais antigo nem menos antigo; nem maior nem menor, mas as três Pessoas são coeternas e iguais entre si. 25. De sorte que, como se disse acima, em tudo se deve adorar a unidade na Trindade e a Trindade na unidade. 26. Quem, pois quiser salvar-se deve ter estes sentimentos a respeito da Trindade. 27. Mas para alcançar a salvação é necessário ainda crer firmemente na Encarnação de Nosso Senhor Jesus Cristo. 28. A pureza da nossa fé consiste, pois, em crer ainda e confessar que Nosso Senhor Jesus Cristo, Filho de Deus, é Deus e homem. 29. É Deus, gerado da substância do Pai desde toda a eternidade; é homem porque nasceu no tempo da substância de sua Mãe. 30. Deus perfeito e homem perfeito, com alma racional e carne humana. 31. Igual ao Pai segundo a divindade; menor que o Pai segundo a humanidade. 32. E embora seja Deus e homem, contudo não são dois, mas um só Cristo. 33. É um, não porque a divindade se tenha convertido em humanidade, mas porque Deus assumiu a humanidade. 34. Um, finalmente, não por confusão de substância, mas por unidade de Pessoa. 35. Porque, assim como a alma racional e o corpo formam um só homem, assim também a divindade e a humanidade formam um só Cristo. 36. Ele sofreu a morte por nossa salvação, desceu aos infernos e ao terceiro dia ressuscitou dos mortos. 37. Subiu ao Céu, e está sentado à direita de Deus Pai todo-poderoso, donde há de vir julgar os vivos e os mortos. 38. E quando vier, todos os homens ressuscitarão com seus corpos, para prestar contas de seus atos. 39. E os que tiverem praticado o bem irão para a vida eterna, e os maus para o fogo eterno. 40. Esta é a fé católica, e aquele que não a professar fiel e firmemente não se poderá salvar. Glória ao Pai, ao Filho, e ao Espírito Santo. Assim como era no princípio, agora e sempre, por todos os séculos dos séculos. Amém. Antífona. Glória a Vós, Trindade igual, única Divindade, antes dos séculos, e agora e sempre (T. P. Aleluia). V. Senhor, escutai a minha prece. R. E chegue até Vós o meu clamor. Oremos. Ó Deus todo-poderoso e eterno, que com a luz da verdadeira fé destes aos vossos servos que conhecessem a glória da Trindade eterna e adorassem a Unidade no poder de vossa majestade: fazei, Vos suplicamos, que, pela firmeza dessa mesma fé, sejamos defendidos sempre de toda a adversidade. Por Jesus Cristo Senhor Nosso. Amém. Fonte:Veritatis Splendor

  • Poor Muslim Converts!

    Following the Anti-Pope’s defense of Islam as a non-violent religion, Muslims converted to Catholicism wrote an open letter to Francis with the question: “If Islam is good as you teach … why did we become converts?” Apparently, the trash-talking “Pontiff” must have offended the converts within his fold. While Francis may be attacked for his bizarre (to say the least) comments by his own sheep, it must be made clear that the teachings of  Francis are in accordance with that of the Vatican II council. He is simply acting according the decrees of the false council especially that of Unitatis Redintegratio(Decree on Ecumenism) – the teaching that one religion is as good as another. According to the decree, the Catholic Church is no longer the true Church of Christ but only subsists in the Church of Christ. This is quite contrary to the teaching that the Catholic Church is the Church of Christ. What is the need of conversion (Proselytism) if the Holy Spirit flows through other religions? These poor converts must understand that even if they ignore the Anti-Papacy of these impostors, their conversion to the new church of Rome is quite useless especially when we consider the ecumenical climate  of the Vatican II church. The ecumenical and inter-religious meetings at Assisi should tell them that much. In a dialogue between Nope Francis and Eugenio Scalfari, Francis said: “Proselytism is solemn nonsense, it makes no sense. we need to get to know each other, listen to each other and improve our knowledge of the world around us.” He is simply professing the new creed, in the new church created through Vatican II. One might ask today, how has the “ecumenical” method of evangelism worked so far? Does this mean that the sacrifices of our martyrs over the centuries were useless? What about those who died spreading the faith in foreign lands? Didn’t Christ send his disciples convert especially when He said ” Go therefore and make disciples of all nations, baptizing them in the name of the Father and of the Son and of the Holy Spirit. Teaching them all I have commanded You” Proselytism is an act of conversion, it stands against the heresy  on of ecumenism. St. Francis Xavier in the true spirit of proselytism was most anxious to enter into discussion with the Mohammedans on the principle of the Catholic faith. One of their leaders asked him whether piety was declining amongst the Christians, as it was amongst the people of Melinda? For 14 out of 17 mosques are completely forsake, and the remaining three are by no means well attended, this must be the consequence of some great sin, but what the sin may be I cannot possibly conceive. Xavier said all he could to undeceive the deluded man, to make him turn to Christ to direct his zeal to his salvation, instead of employing it to the everlasting ruin of his followers. At last St. Francis Xavier took leave of him saying: “he must be blind not to see that God, who is most faithful with His own, is openly reproving a sect which He would not assist, by either increasing or upholding it, and this looked upon as piety and devotion is more or less impiety and sacrilege.” These contradictions between the true Church  and this Novus Ordo sect is a clear evidence which proves the post-Vatican II sect is a different Church. Definitely NOT the Catholic Church! The new rite ordination and episcopal consecration, the new code of canon law, the removal or “re-editing” of books from a pre-dominantly Catholic point of view, etc. points to this fact. To these converts I say, “Place no hope on Francis and the New Church.”

  • Santo Tomás de Aquino

    Ninguém se aproximou da teologia ou da filosofia tomista sem ter haurido nesta fonte a mais excelente doutrina. O nome de São Tomás de Aquino é um marco para todos aqueles que buscam a verdade. Entretanto, nos pormenores de sua vida e em sua extraordinária personalidade descobrimos mais do que um teólogo: um grande santo. A busca da verdade é tão antiga quanto o próprio homem, e não há um só entre os seres racionais que não deseje possuí-la. Por outro lado, a privação desse excelente bem acaba dando à coletividade humana uma face desfigurada, que se explica pela adesão a falsas doutrinas ou a meias verdades. Nossa sociedade ocidental é um exemplo dessa profunda carência que não encontra nos avanços da técnica nem na fugacidade dos vícios uma resposta satisfatória. Um menino que buscava o Absoluto Mas, afinal, o que é a verdade? Esta era uma das perguntas que o pequeno Tomás fazia em seus tenros cinco anos de idade. Segundo um costume da época, sua educação foi confiada aos beneditinos de Monte Cassino, onde ele passou a morar. Vendo um monge cruzar com gravidade e recolhimento os claustros e corredores, puxava sem hesitar a manga de seu hábito e lhe perguntava: “Quem é Deus?” Descontente com a resposta que, embora verdadeira, não satisfazia inteiramente seu desejo de saber, esperava passar outro filho de São Bento e indagava também a ele: “Irmão Mauro, pode me explicar quem é Deus?” Mas… que decepção! De ninguém conseguia a explicação desejada. Como as palavras dos monges eram inferiores à idéia de Deus que aquele menino trazia no fundo da alma! Foi nesse ambiente de oração e serenidade que transcorreu feliz a infância de São Tomás de Aquino. Nascido por volta de 1225, era o filho caçula dos condes de Aquino, Landolfo e Teodora. Entrevendo para o pequeno um futuro brilhante, seus pais lhe proporcionaram uma robusta formação. Mal podiam imaginar que ele seria um dos maiores teólogos da Santa Igreja Católica e a rocha fundamental do edifício da filosofia cristã, o ponto de convergência no qual se reuniriam todos os tesouros da teologia até então acumulados e do qual partiriam as luzes para as futuras explicitações. A vocação posta à prova Muito jovem ainda, São Tomás partiu para Nápoles a fim de estudar gramática, dialética, retórica e filosofia. As matérias mais árduas, que custam até aos espíritos robustos, não passavam de um simples joguete para ele. Entretanto, nesse período de sua vida não avançou menos em santidade do que em ciência. Seu entretenimento era rezar nas diversas igrejas e fazer o bem aos pobres. Ainda em Nápoles Deus lhe manifestou sua vocação. Seus pais desejavam vê-lo beneditino, abade em Monte Cassino ou Arcebispo de Nápoles, entretanto, o Senhor lhe traçara um caminho bem diverso. Era na Ordem dos Pregadores, recém fundada por São Domingos, que a graça haveria de tocar-lhe a alma. São Tomás descobriu nos dominicanos o carisma com o qual se identificou por completo. Após longas conversas com Frei João de São Julião, não duvidou em aderir à Ordem e fez-se dominicano aos catorze anos de idade. Costuma a Providência Divina solidificar no cadinho do sofrimento as almas às quais confere um chamado excepcional, e São Tomás não escapou à regra. Quando sua mãesoube de seu ingresso nos dominicanos, tomou-se de fúria e quis tirálo à força. Fugindo para Paris, com o objetivo de escapar da tirania materna, o santo doutor foi dominado por seus irmãos que o buscavam com todo empenho. Após terem-no espancado brutalmente, procuraram despojá-lo de seu hábito religioso. “É uma coisa abominável – dirá depois São Tomás – querer repreender os Céus por um dom que de lá recebemos”. Assim capturado, levaram-no à mãe, a qual tentou fazê-lo abandonar seu propósito. Na incapacidade de convencê-lo, encarregou suas duas filhas de dissuadir a qualquer preço o irmão “rebelde”. Com palavras sedutoras, elas lhe mostraram as mil vantagens que o mundo lhe oferecia, até mesmo a de uma promissora carreira eclesiástica, desde que renunciasse à Ordem Dominicana. O resultado desta entrevista é assombroso: uma delas decidiu fazer-se religiosa e partiu para o convento de Santa Maria de Cápua, onde viveu santamente e foi abadessa. Eis a força da convicção e o poder de persuasão deste homem de Deus! Confronto decisivo Farta de vãos esforços, a família tomou uma medida drástica: prendeuo na torre do castelo de Roccasecca, com o intuito de mantê-lo encarcerado enquanto não desistisse de sua vocação. Em completa solidão, o santo passou ali quase dois anos, os quais foram aproveitados para um aprofundamento nas vias da contemplação e do estudo. Os frades dominicanos o acompanhavam espiritualmente através de orações e enviavam com sagacidade livros e novos hábitos que lhe chegavam às mãos por intermédio de suas irmãs. Como passava o tempo sem o jovem detido esmorecer, seus irmãos – instigados por Satanás – montaram um plano execrável: enviaram à torre uma moça de maus costumes para fazê-lo cair em pecado. Contudo, São Tomás há muito se solidificara na prática de todas as virtudes, e não se deixaria arrastar. Vendo aquela perversa mulher aproximar-se, pegou na lareira um tição em chamas e com ele se defendeu da infame tentadora que fugiu apavorada para salvar a própria pele. Insigne vitória contra o inimigo da salvação! Reconhecendo nesse episódio a intervenção divina, São Tomás traçou com o mesmo tição em brasa uma cruz na parede, ajoelhou-se e renovou sua promessa de castidade. Comprazidos por tal gesto de fidelidade, o Senhor e sua Mãe lhe mandaram um sono durante o qual dois anjos o cingiram com um cordão celestial, dizendo: “Viemos da parte de Deus conferir- te o dom da virgindade perpétua, que a partir de agora será irrevogável”. Nunca mais São Tomás sofreu qualquer tentação de concupiscência ou de orgulho. O titulo de Doutor Angélico não lhe foi dado apenas por ter transmitido a mais alta doutrina, mas também por ter em tudo se assemelhado aos espíritos puríssimos que contemplam a face de Deus. O aluno supera o mestre Agora com o assentimento dos seus, São Tomás partiu para consolidar sua formação intelectual em Paris e Colônia. Falava-se muito da pregação que fazia nesta última cidade o bispo Santo Alberto Magno, o mais conceituado mestre da Ordem dos Pregadores. São Tomás rezou, pedindo para conhecê-lo e receber dele as maravilhas da fé, e, para sua alegria, foi atendido. O que Santo Alberto não podia imaginar era que aquele frade despretensioso, de poucas palavras e presença discreta, tivesse tamanha envergadura espiritual. Certo dia, caiu nas mãos do mestre um trecho escrito por seu aluno. Admirado pela profundidade do conteúdo, pediu a São Tomás para expor à toda a classe aquela temática. O resultado foi uma explanação em tudo surpreendente, na qual os demais alunos comprovaram quão temerário era o juízo pejorativo que faziam de seu companheiro: ele logrou explicitar com mais riqueza, expressividade e clareza que o próprio Santo Alberto. Daí em diante, a vida do Doutor Angélico foi uma seqüência de sublimes serviços prestados à sagrada teologia e à filosofia. Aos 22 anos de idade interpretou com genialidade a obra de Aristóteles; aos 25, juntamente com São Boaventura, obteve o doutorado na Universidade de Paris. Estes dois arquétipos doutrinários nutriam grande admiração recíproca, a ponto de disputarem afetuosamente, no dia de receberem o título máximo, quem seria nomeado primeiro, cada qual desejando ao outro a primazia. Obra portentosa Tão vasta é a obra tomista que a simples enumeração de seus escritos ocupa várias páginas. Formam um total de quase sessenta grandes obras – entre comentários, sumas, questões e opúsculos – das quais não está excluída nenhuma das principais preocupações do espírito humano. Sua prodigiosa faculdade de memória lhe permitia reter todas as leituras que fizera, entre elas a Bíblia, as obras dos filósofos antigos e dos Padres da Igreja. Todas as oitenta mil citações contidas em seus escritos brotaram espontaneamente de sua capacidade retentora. Nunca precisou ler duas vezes o mesmo trecho. Ao lhe ser perguntado qual era o maior favor sobrenatural que recebera, depois da graça santificante, respondeu: “Creio que o de ter entendido tudo quanto li”. Em suas obras vemos uma incrível acuidade de espírito, um raro dom de formulação e uma superior capacidade de expressão. Costumava resolver quatro ou cinco problemas ao mesmo tempo, ditando para diversos escreventes respostas definitivas às questões mais obscuras. Não sucumbiu ao peso de seus conhecimentos, mas, pelo contrário, os harmonizou num conjunto incomparável que tem na Suma Teológica a mais brilhante manifestação. Sabedoria e oração Falar das qualidades naturais do Doutor Angélico sem considerar a supremacia da graça que resplandecia em sua alma seria uma deturpação. Frei Reginaldo, seu fiel secretário, disse tê-lo visto passar mais tempo aos pés do crucifixo do que em meio aos livros. A fim de obter luzes para solucionar intrincados problemas, o santo doutor fazia freqüentes jejuns e penitências, e não raras vezes o Senhor o atendeu com revelações celestiais. Em certa ocasião, enquanto rezava fervorosamente, pedindo luzes para explicar uma passagem de Isaías, apareceram-lhe São Pedro e São Paulo e esclareceram todas as dúvidas. Recorria também a Jesus Sacramentado. Às vezes colocava a cabeça no sacrário e rezava longamente. Assegurou depois ter aprendido mais desta forma do que em todos os estudos que fizera. Por seu entranhado amor à Eucaristia, compôs o Pange Lingua e o Lauda Sion para a festa de Corpus Christi: obras-primas jamais superadas. Um dia, estando imerso em adoração a Jesus Crucificado, o Senhor dirigiu- Se a ele com estas palavras: – Escreveste bem sobre Mim, Tomás. Que recompensa queres? Nada mais que a Vós, Senhor – respondeu ele. A recompensa demasiadamente grande Em 1274 São Tomás partiu para Lion a fim de participar do Concílio Ecumênico convocado pelo Papa Gregório X, mas no caminho adoeceu gravemente. Como não havia nenhuma casa dominicana próxima, foi levado para a abadia cisterciense de Fossanova, onde faleceu a 7 de março, antes de completar cinqüenta anos de idade. Suas relíquias foram transportadas para Toulouse em 28 de janeiro de 1369, data em que a Igreja Universal celebra sua memória. Ao receber por derradeira vez a Sagrada Eucaristia, disse ele: “Eu Vos recebo, preço do resgate de minha alma e Viático de minha peregrinação, por cujo amor estudei, vigiei, trabalhei, preguei e ensinei. Tenho escrito tanto, e tão freqüentemente tenho discutido sobre os mistérios da vossa Lei, ó meu Deus; sabeis que nada desejei ensinar que não tivesse aprendido de Vós. Se o que escrevi é verdade, aceitai-o como uma homenagem à vossa infinita majestade; se falso, perdoai a minha ignorância. Consagro tudo o que fiz e o submeto ao infalível julgamento da vossa Santa Igreja Romana, na obediência à qual estou prestes a partir desta vida.” Belo testamento de elevada santidade! A Igreja não tardou em glorificá- lo, elevando-o à honra dos altares em 1323. Na cerimônia de canonização, o Papa João XXII afirmou: “Tomás sozinho iluminou a Igreja mais do que todos os outros doutores. Tantos são os milagres que fez, quantas as questões que resolveu”. No Concílio de Trento, as três obras de referência postas sobre a mesa da assembléia foram: a Bíblia, os Atos Pontificais e a Suma Teológica. É difícil exprimir o que a Igreja deve a este seu filho ímpar. Da fé extraordinariamente vigorosa do Doutor Angélico brotava a convicção profunda de que a Verdade em essência não é senão o próprio Deus, e a partir do momento em que ela fosse proclamada em sua integridade, seria irrecusável e triunfante. Eis o grande mérito de sua doutrina imortal: ela continua ecoando ao longo dos séculos, pois nada pode abalar a supremacia de Cristo. Em São Tomás a Igreja contempla a realização plena da oração feita pelo Divino Mestre nos derradeiros momentos que passou nesta terra: “Santifica-os na verdade. A tua palavra é a verdade. Assim como Tu me enviaste ao mundo, também Eu os enviei ao mundo. Por eles Eu santifico-Me a Mim mesmo, para que também sejam santificados na verdade” (Jo 17, 17-19). Fonte: Arautos do Evangelho

  • Santo Agostinho de Hipona

    Nasceu a 13 de novembro de 354, na pequena cidade de Tagaste, perto de Madaura e de Hipona, na Numídia, a Argélia atual. Seus pais era, de condição honesta; o pai, membro do corpo municipal, chamava-se Patrício, a mãe Mônica. Estudou primeiro, em Madaura, gramática e retórica até a idade de dezesseis anos, quando o pai o fez voltar a Tagaste e aí ficou um ano, enquanto se preparavam as coisas necessárias para que fosse terminar os estudos em Cartago; a paixão de mandar esse filho estudar obrigava o pai a esforços superiores à sua fortuna, que era medíocre. Entre as obras de Cícero, que estudava, leu o Hortensius que não temos mais e que era uma exortação à filosofia. Ele ficou encantado e começou então, na idade de dezenove anos, a desprezar as vãs esperanças do mundo e a desejar a sabedoria e os bens imortais. Foi o primeiro movimento de sua conversão. A única coisa que o desgostava nos filósofos é que neles não encontrava o nome de Jesus Cristo que tinha recebido com o leite de mãe e que tinha causado profunda impressão em seu coração. Quis então ler as Sagradas Escrituras, mas a simplicidade do estilo desagradou-lhe, habituado como estava à elegância de Cícero. Depois, caiu nas mãos dos maniqueus que, falando somente de Jesus Cristo, do Espírito Santo e da verdade, o seduziram com seus discursos pomposos, deram-lhe o gosto por suas ilusões e aversão pelo Novo Testamento. Entretanto, sua mãe, mais aflita do que se tivesse visto morto, não queria mais comer com ele; veio consolá-la este sonho: Ela estava num bosque e um jovem resplandecente vinha a ela, sorrindo, perguntando-lhe a causa de seus penas; ela respondeu-lhe que chorava a perda do filho. Vede, disse ele, está convosco! De fato, viu-o junto de si, no mesmo lugar. Contou depois o sonho a Santo Agostinho , que lhe disse: Vós vereis o que eu sou. Mas ela respondeu sem hesitar: Não! Porque não me disseram: Tu estarás onde ele está mas ele estará onde tu estás. Desde aquele tempo, viveu e comeu com ele, como antes. Dirigiu-se a um santo bispo e rogou-lhe falasse ao filho. O bispo respondeu: ainda é muito indócil e está muito cheio daquela heresia, que lhe é nova. Deixai-o, e contentai-vos de rogar por ele, ele verá, lendo, qual é seu erro. Eu que vos falo, na minha infância fui entregue aos maniqueus por minha mãe, que tinham seduzido; não somente li, mas transcrevi quase todos os seus livros e eu mesmo me enganei. A mãe não se contentou com as palavras do santo bispo; chorando abundantemente, continuou a insistir que falasse ao filho; o bispo respondeu com certo humor: Ide, é impossível que o filho de tantas lágrimas pereça! O que ela ouviu como um oráculo do céu. Seu filho, todavia, ficou nove anos maniqueu desde os dezenove anos até os vinte e oito. Tendo terminado os estudos, ensinou, na sua cidade de Tagaste, gramática e depois retórica. Um arúspice se ofereceu para fazê-lo ganhar o prêmio numa disputa de poesia, por meio de alguns sacrifícios de animais; mas ele rejeitou-o com horror não querendo ter relação alguma com demônios. Todavia, não fazia dificuldade em consultar os astrólogos e ler-lhes os livros. Mas disso foi dissuadido por um sábio ancião, chamado Vindiciano, médico famoso, que tinha reconhecido, por experiência, a vaidade desse estudo. Agostinho tinha então um amigo íntimo, que ele também fizera maniqueu, pois cuidava de seduzir os outros. O amigo caiu doente e ficou muito tempo fora de si: como se perdera a esperança de o salvar, deram-lhe o batismo. Quando voltou a si, Agostinho quis zombar do batismo que tinha recebido naquele estado: mas o doente repeliu as palavras com horror e disse-lhe, com inesperada liberdade, que, se queria ser seu amigo, não lhe devia nunca mais falar daquele modo. Morreu poucos dias depois, fiel à graça. Santo Agostinho, que o amava como a si mesmo, ficou inconsolável com a morte. Tinha mais ou menos vinte e seis anos, quando escreveu dois ou três livros: – Da beleza e da Decência – que não chegaram até nós. Naquele tempo persuadiram-no a ensinar em Roma, onde os alunos eram mais razoáveis que em Cartago. Embarcou contra a vontade de sua mãe e a enganou sob o pretexto de acompanhar um amigo até o porto. Chegando a Roma, caiu doente de febre que o levou às últimas; mas não pediu o batismo. Morava em casa de um maniqueu e continuava a frequentá-los, preso pelos laços de amizade; não mais esperava encontrar a verdade entre eles e não se decidia a procurá-la na igreja católica, tanto tinha prevenções contra tal doutrina. Começou então, a pensar que os filósofos acadêmicos, que duvidavam de tudo, poderiam bem ser os mais sábios e repreendia o hospedeiro por sua excessiva fé nas fábulas dos maniqueus. Entretanto, a cidade de Milão mandou pedir a Símaco, prefeito de Roma, um professor de retórica e pelo prestígio dos maniqueus, Agostinho obteve lugar, depois de ter feito prova de sua capacidade, com um discurso. Assim veio a Milão, no ano 384, tendo trinta anos de idade. Santo Ambrósio, recebeu-o com tão paterna bondade, que começou por lhe ganhar o coração. Santo Agostinho ouvia-lhe assiduamente os sermões, somente pela beleza do estilo e para ver se sua eloquência correspondia à fama. Estava encantado com a sua suavidade da linguagem, ma sábia que a de Fausto, mas com menos graça na recitação. Não prestava, a princípio, atenção às coisas que dizia Santo Ambrósio; mas insensivelmente e sem que tomasse cuidado, as coisas entravam-lhe no espírito com as palavras e viu que a doutrina católica era pelo menos sustentável. Resolveu então, de repente, deixar os maniqueus e ficar na qualidade de catecúmeno, como era, na Igreja, que seus pais lhe tinham recomendado, isto é, na Igreja Católica, até que a verdade lhe aparecesse mais claramente. Santa Mônica tinha vindo procurá-lo com tal fé, que passando o mar consolava os marinheiros, mesmo nos maiores perigos, pela certeza que Deus lhe tinha dado de que muito em breve estaria junto do filho. Quando ele lhe disse que não era mais maniqueu, mas que ainda não era católico, ela não ficou admirada; respondeu tranquilamente que tinha certeza de o ver fiel católico antes de sair desta vida. Entretanto, continuava suas orações e ouvia os sermões de Santo Ambrósio que ela amava como um anjo de Deus, sabendo que tinha levado o filho àquele estado de dúvida, que devia ser a crise do mal. Santo Ambrósio, amava, por sua vez, Santa Mônica pela piedade e boas obras e muitas vezes felicitava Santo Agostinho por ter tal mãe, pois toda sua vida tinha sido virtuosa. Ela tinha nascido numa família cristã, onde tivera boa educação. Tinha sido perfeitamente sujeita a seu marido, sofrendo mau proceder e mais tratos com paciência que servia de exemplo a outras mulheres e ela o ganhou a Deus, no fim da vida. Tinha um talento particular em reunir pessoas divididas. Depois que enviuvou, deu-se às obras de piedade; fazia grandes esmolas, servia os pobres, jamais deixava de levar sua oferta ao altar, nem de ir duas vezes a igreja, pela manhã e à noite, para ouvir a palavra de Deus e fazer as orações, que eram toda sua vida. Deus comunicava-se a ela por visões; sabia distinguir sonhos e pensamentos naturais. Assim era Santa Mônica, com relação a Santo Agostinho. Santo Agostinho, depois do batismo, tendo examinado em que lugar poderia servir a Deus mais utilmente, resolveu voltar à África com a mãe, o filho, o irmão e um jovem chamado Evódio. Este era também de Tagaste; sendo agente do imperador, converteu-se, recebeu o batismo, antes de Santo Agostinho e deixou o emprego para servir a Deus. Quando chegaram a Óstia, descansaram da longa viagem que tinham feito desde Milão e prepararam-se para embarcar. Um dia, Santo Agostinho e sua mãe, apoiados a uma janela com extrema doçura, esquecendo todo o passado e levando os pensamentos para o futuro, indagaram qual seria a vida eterna dos santos. Elevaram-se acima de todos os prazeres dos sentidos; percorreram por graus todos os corpos o céu mesmo e os astros. Chegaram até às almas e passando por todas as criaturas mesmo espirituais, chegaram às sabedoria eterna, pela qual existem e que existe sempre, sem diferença e tempo. Atingiram, por um momento, a ponta do espírito e sentiram ser obrigados a voltar ao rumor da voz, onde a palavra começa e termina. Então sua mãe disse: Meu filho! Quanto ao que me concerne, não tenho mais nenhum prazer nesta vida. Não sei o que ainda faço aqui agora, nem por que cá estou. A única coisa que me fazia desejar ficar aqui era ver-vos um cristão católico antes de morrer. Deus me concedeu mais do que isso, eu vos vejo consagrado a seu serviço, tendo desprezado a felicidade terrestre. Mais ou menos cinco dias depois, caiu doente de febre. Durante a enfermidade desfaleceu, um dia; quando voltou a si, olhou Santo Agostinho, e seu irmão Navígio, e disse-lhes: Onde estava eu? Depois, vendo-os tomados de dor, acrescentou: Deixareis aqui vossa mãe. Navígio desejava que ela morresse em sua terra natal. Mas ela olhou severamente para ele, como para o repreender e disse a Agostinho: Vedes o que diz! Enfim, dirigindo-se a ambos: Ponde este corpo, disse ela, onde vos aprouver, não vos inquieteis. Rogo-vos somente que me lembreis no altar do Senhor, em qualquer parte onde estiverdes. Morreu no nono dia da doença, na idade de cinquenta e seis anos e aos trinta e três de Santo Agostinho, isto é, no mesmo ano de seu batismo, 387. Logo que passou à eternidade, Santo Agostinho fechou-lhe os olhos. O jovem Adeodato soltava gritos de dor; mas todos os assistentes o fizeram calar, não vendo motivo algum de lágrimas naquela morte e Agostinho reteve as suas, fazendo-se muita violência. Evódio tomou o saltério e começou a cantar o salmo 100: Cantarei em vosso louvor, ó Senhor, a misericórdia e a justiça: Todos respondiam e logo se reuniu grande quantidade de pessoas piedosas de um e outro sexo. Levaram o corpo; ofereceu-se pela falecida o sacrifício de nossa Redenção; fizeram´se ainda orações junto do sepulcro, segundo o costume, na presença do corpo, antes de o enterrar. Santo Agostinho, não chorou durante toda a cerimônia, mas por fim, de noite, deixou correrem as lágrimas para aliviar a dor. Rogou por sua mãe, como fazia muito tempo depois, escrevendo todas as circunstâncias daquela morte no livro de suas – Confissões – ele roga aos leitores lembrarem-se no santo altar, de Mônica, sua mãe e sei pai, Patrício. Depois da morte de sua mãe, Santo Agostinho voltou de Óstia para Roma, onde ficou o resto do ano 387 e todo o ano 388. Seus primeiros trabalhos, depois do batismo, foram para a conversão dos maniqueus, cujos erros acabava de deixar. Não podia tolerar a insolência com a qual aqueles impostores elogiavam a pretensa continência e abstinências supersticiosas, para enganar os ignorantes e caluniar a Igreja. Compôs então dois livros: – Da Moral e dos Costumes, Da Igreja Católica, e Da Moral e dos Costumes dos maniqueus. Sua aflição tornou-se ainda bem maior quando viu a cidade de Hipona sitiada. Entretanto, tinha a consolação de ver consigo vários bispos, entre outros Possídio de Cálamo, um dos mais ilustres de seus discípulos, o mesmo que nos deixou sua biografia. Uniam seus penares, seus gemidos e suas lágrimas. Santo Agostinho pedia a Deus, em particular, lhe aprouvesse libertar Hipona dos inimigos que a cercavam, ou que pelo menos, desse aos servos a força de suportar os males de que estavam ameaçados, ou enfim de os retirar do mundo e de os chamar a si. De fato caiu doente de febre no terceiro mês do cerco e viu-se logo que Deus não tinha rejeitado a oração de seu servo. Durante a doença mandou escrever e colocar junto da parede, perto de seu leito, os salmos Davi sobre a penitência; lia-os derramando lágrimas. Dez dias antes da morte, rogou aos amigos mais íntimos e aos mesmos bispos, que ninguém entrasse em seu quarto, senão quanto viesse o médico para o ver, ou lhe trouxessem o alimento; empregava todo o tempo em oração. Com Santo Agostinho morreu de algum modo a África cristã e civilizada. Depois desse tempo, até que espirou sob os ferros dos muçulmanos, sua existência foi somente uma longa agonia. Hoje pareceria que a Providência a quer ressuscitar e ressuscitá-la pela mesma província que Santo Agostinho ilustrou por sua vida e morte, o país da Argélia e de Bone. Quem não conhece Santo Agostinho? Quem não conhece as Confissões, onde deplora os desvarios da juventude? Quem não conhece sua mãe, Santa Mônica, chorando noite e dia aquele filho, seguindo-o por toda a parte e implorando sem cessar ao céu, em seu favor? Foi somente na idade de trinta e dois anos que esse filho de tantas lágrimas se livrou inteiramente da heresia maniquéia e da escravidão das paixões corrompidas e recebeu o batismo das mãos de Santo Ambrósio. Mas quem poderia dizer quanto sua conversão foi perfeita! Com que amarga tristeza chorou faltas passadas, embora tivesse sido apagadas inteiramente pelo batismo; com que ardor amou a Deus; com que zelo trabalhou para sua glória! Ai de nós; se o imitamos mais ou menos nos seus desvarios, quando o imitaremos na santidade de vida? Mas que nos impede chorar nossas faltas como ele, amarmos a Deus como ele, sermos humildes como ele? Pois ele também, esse grande santo, foi religioso. Pouco depois da conversão, renunciou a tudo o que possuía de bens e viveu em comunidade religiosa, com os amigos. E quando foi feito bispo de Hipona, fez de sua casa episcopal um mosteiro, onde vivia em religião, com seus padres e diáconos. Como o exemplo desse grande santo, depois do de tantos outros nos deve fazer estimar e amar a vocação religiosa. Desejamos saber de Santo Agostinho mesmo qual é a verdadeira fonte de santidade? Escutemos o que diz: a primeira coisa para se chegar à verdadeira sabedoria é a humildade; a segunda é a humildade; a terceira é a humildade e tantas vezes quantas me fizésseis essa pergunta, tantas vezes vos daria a mesma resposta. Não, que não haja outros preceitos, mas se a humildade não preceder, não acompanhar e não seguir, o orgulho tirará de nossas mãos tudo o que fizermos de bem. Fonte:arautos do evangelho

  • São Gregório de Nissa

    São Gregório de Nissa, homem de caráter meditativo, com grande capacidade de reflexão e uma inteligência desperta, aberta à cultura de seu tempo. Converteu-se assim em um pensador original e profundo da história do cristianismo. Nasceu por volta do ano 335; sua formação cristã foi atendida particularmente por seu irmão Basílio, definido por ele como «pai e mestre» (Epístola 13, 4:SC 363, 198), e por sua irmã Macrina. Em seus estudos, gostava particularmente da filosofia e da retórica. Em um primeiro momento, ele se dedicou ao ensino e se casou. Depois, como seu irmão e sua irmã, entregou-se totalmente à vida ascética. Mais tarde, foi eleito bispo de Nisa, convertendo-se em pastor zeloso, conquistando a estima da comunidade. Acusado de malversações econômicas por seus adversários hereges, teve de abandonar brevemente sua sede episcopal, mas depois regressou triunfantemente (cF. Epístola 6:SC 363, 164-170), e continuou comprometendo-se na luta por defender a autêntica fé. Após a morte de Basílio, recolhendo sua herança espiritual, cooperou sobretudo no triunfo da ortodoxia. Participou de vários sínodos; procurou dirimir os enfrentamentos entre as Igrejas; participou na reorganização eclesiástica e, como «coluna da ortodoxia», foi um dos protagonistas do Concílio de Constantinopla do ano 381, que definiu a divindade do Espírito Santo. Teve vários encargos oficiais por parte do imperador Teodósio, pronunciou importantes homilias e discursos fúnebres, compôs várias obras teológicas. No ano 394 voltou a participar de um sínodo que se celebrou em Constantinopla. Desconhece-se a data de sua morte. Gregório expressa com clareza a finalidade de seus estudos, objetivo supremo ao que dedica seu trabalho teológico: não entregar a vida a coisas banais, mas encontrar a luz que permita discernir o que é verdadeiramente útil (cf. «In Ecclesiasten hom. »1: SC 416, 106-146). Encontrou este bem supremo no cristianismo, graças ao qual é possível «a imitação da natureza divina» («De professione christiana»: PG 46, 244C). Com sua aguda inteligência e seus amplos conhecimentos filosóficos e teológicos, defendeu a fé cristã contra os hereges, que negavam a divindade do Espírito Santo (como Eunômio e os macedônios), ou questionavam a perfeita humanidade de Cristo (como Apolinário). Comentou a Sagrada Escritura, meditando na criação do homem. A criação era para ele um tema central. Ele via na criatura um reflexo do Criador e a partir daí encontrava o caminho para Deus. Mas também escreveu um importante livro sobre a vida de Moisés, a quem apresenta como homem em caminho para Deus: esta ascensão para o Monte Sinai se converte para ele em uma imagem de nossa ascensão na vida humana para a verdadeira vida, para o encontro com Deus. Interpretou também a oração do Senhor, o Pai Nosso e as Bem-aventuranças. Em seu «Grande discurso catequético» («Oratio catechetica magna»), expôs as linhas fundamentais da teologia, não de uma teologia acadêmica, fechada em si mesma, mas ofereceu aos catequistas um sistema de referência para seus ensinamentos, como uma espécie de padrão no qual se move depois a interpretação pedagógica da fé. Gregório também é insigne por sua doutrina espiritual. Sua teologia não era uma reflexão acadêmica, mas a expressão de uma vida espiritual de uma vida de fé vivida. Como grande «padre de mística», apresentou em vários tratados – como o «De professione christiana» e o «De perfectione christiana» – o caminho que os cristãos têm de empreender para alcançar a verdadeira vida, a perfeição. Exaltou a virgindade consagrada («De virginitate»), e propôs um modelo insigne na vida de sua irmã Macrina, que foi para ele sempre uma guia, um exemplo (cf. «Vita Macrinae»). Pronunciou vários discursos e homilias, escreveu numerosas cartas. Comentando a criação do homem, Gregório sublinha que Deus, «o melhor dos artistas, forja nossa natureza de maneira que seja capaz do exercício da realeza. Por causa da superioridade da alma, e graças à própria conformação do corpo, faz que o homem seja realmente idôneo para desempenhar o poder régio» («De hominis opificio» 4: PG 44, 136B). Mas vemos como o homem, na rede dos pecados, com freqüência abusa da criação e não exerce a verdadeira realeza. Por este motivo, para desempenhar uma verdadeira responsabilidade ante as criaturas, tem de ser penetrado por Deus e viver em sua luz. O homem, de fato, é um reflexo dessa beleza original que é Deus: «Tudo o que Deus criou era ótimo», escreve o santo bispo. E acrescenta: «A narração da criação testemunha isso (cf. Gêneses 1, 31). Entre as coisas ótimas também se encontrava o homem, dotado de uma beleza muito superior à de todas as coisas belas. Que outra coisa podia ser tão bela como a que era semelhante à beleza pura e incorruptível?… Reflexo e imagem da vida eterna, ele era realmente belo, mais ainda, belíssimo, com o sinal radiante da vida em seu rosto» («Homilia in Canticum» 12: PG 44, 1020). O homem foi honrado por Deus e colocado acima de toda criatura: «O céu não foi feito à imagem de Deus, nem a lua, nem o sol, nem a beleza das estrelas, nem nada do que aparece na criação. Só tu (alma humana) foste feita à imagem da natureza que supera toda inteligência, semelhante à beleza incorruptível, marca da verdadeira divindade, espaço de vida bem-aventurada, imagem da verdadeira luz, e ao contemplar-te te convertes no que Ele é, pois por meio do raio refletido que provém de tua pureza tu imitas aquele que brilha em ti. Nada do que existe é tão grande que possa ser comparado à tua grandeza» («Homilia in Canticum 2»: PG 44, 805D). Meditemos neste elogio do homem. Vejamos também como o homem foi degradado pelo pecado. E procuremos voltar à grandeza originária: somente se Deus está presente, o homem alcança sua verdadeira grandeza. O homem, portanto, reconhece dentro de si o reflexo da luz divina: purificando seu coração, volta a ser, como era no início, uma imagem límpida de Deus, Beleza exemplar (cf. «Oratio catechetica 6»: SC 453, 174). Deste modo, o homem, purificando-se, pode ver Deus, como os puros de coração (cf. Mateus 5, 8):«Se, com um estilo de vida diligente e atento, lavas as fealdades que se depositaram em teu coração, resplandecerá em ti a beleza divina… Contemplando-te a ti mesmo, verás em ti o desejo de teu coração e serás feliz» («De beatitudinibus, 6»:PG 44, 1272AB). Portanto, é preciso lavar as fealdades que se depositaram em nosso coração e voltar a encontrar em nós mesmos a luz de Deus. O homem tem como fim, portanto, a contemplação de Deus. Só nela poderá encontrar sua plenitude. Para antecipar em certo sentido este objetivo já nesta vida, tem de avançar incessantemente a uma vida espiritual, uma vida de diálogo com Deus. Em outras palavras – e esta é a lição importante que São Gregório de Nisa nos deixa – a plena realização do homem consiste na santidade, em uma vida vivida no encontro com Deus, que deste modo se torna luminosa também para os demais, também para o mundo. Ensinamentos Eu vos proponho alguns aspectos da doutrina de São Gregório de Nisa, de quem já falamos na quarta-feira passada. Antes de tudo, Gregório manifesta uma concepção muito elevada da dignidade do homem. O fim do homem, diz o santo bispo, é o de tornar-se semelhante a Deus, e este fim se alcança sobretudo através do amor, do conhecimento e da prática das virtudes, «raios luminosos que descendem da natureza divina» («De beatitudinibus» 6: PG 44, 1272C), com um movimento perpétuo de adesão ao bem, como o corredor que tende para frente. Gregório utiliza neste sentido uma imagem eficaz, que já estava presente na carta de Paulo aos Filipenses: «épekteinómenos» (3, 13), ou seja, «tendendo-me» para o que é maior, para a verdade e o amor. Esta expressão plástica indica uma realidade profunda: a perfeição que queremos encontrar não é algo que se conquista para sempre; perfeição é seguir o caminho, é uma contínua disponibilidade para seguir adiante, pois nunca se alcança a plena semelhança com Deus; sempre estamos a caminho (cf. «Homilia in Canticum 12»: PG 44, 1025d). A história de cada alma é a de um amor que é cumulado em cada ocasião, e que ao mesmo temo está aberto a novos horizontes, pois Deus dilata continuamente as possibilidades da alma para torná-la capaz de bens sempre maiores. O próprio Deus semeou em nós sementes de bem e d’Ele surge toda iniciativa de santidade, «modela o bloco… Limando e polindo nosso espírito forma, Cristo em nós» («In Psalmos 2», 11: PG 44, 544B). Gregório declara: «Não é obra nossa, e não é tampouco o êxito de uma potência humana o chegar a ser semelhantes à Divindade, mas o resultado da generosidade de Deus, que desde sua origem ofereceu à nossa natureza a graça da semelhança com Ele» («De virginitate 12», 2:SC 119, 408-410). Para a alma, portanto, «não se trata de conhecer algo de Deus, mas de ter Deus em si» («De beatitudinibus 6»: PG 44,1269c). De fato, constata agudamente Gregório, «a divindade é pureza, é libertação das paixões e remoção de todo mal: se tudo isso está em ti, Deus realmente está em ti» («De beatitudinibus 6»: PG 44,1272C). Quando temos Deus em nós, quando o homem ama Deus, por essa reciprocidade que é própria da lei do amor, quer o que Deus mesmo quer (cf. «Homilia in Canticum 9»: PG 44,956ac), e, portanto, coopera com Deus para modelar em si a imagem divina, de maneira que «nosso nascimento espiritual é o resultado de uma opção livre, e nós somos em certo sentido os pais de nós mesmos, criando-nos de uma opção livre, e nós mesmos queremos ser, e formando-nos por nossa vontade segundo o modelo que escolhemos» («Vita Moysis 2», 3: SC 1bis, 108). Para ascender a Deus, o homem deve purificar-se: «A vida que reconduz a natureza humana ao céu não é mais que se afastar dos maus deste mundo… Tornar-se semelhante a Deus significa chegar a ser justo, santo e bom… Se, portanto, segundo o Eclesiastes (5,1), ‘Deus está no céu’ e se, segundo o profeta (Salmo 72, 28), vós ‘estais com Deus’, isso quer dizer necessariamente que tendes de estar ali onde está Deus, pois estais unidos a Ele. Dado que Ele vos ordenou que, quando rezardes, deveis chamar Deus de Pai, está vos dizendo que sejais semelhantes ao vosso Pai celestial, com uma vida digna de Deus, como o Senhor nos ordena com mais clareza em outro momento, quando diz: ‘Sede perfeitos como é perfeito vosso Pai celestial’ (Mateus 5, 48)» («De oratione dominica 2»: PG 44, 1145ac). Neste caminho de ascensão espiritual, Cristo é o modelo e o mestre que nos permite ver a bela imagem de Deus (cf. «De perfectione christiana»: PG 46,272a ). Cada um de nós, contemplando-O, se converte no «pintor da própria vida», fazendo que a vontade seja a realizadora do trabalho e as virtudes, como as pinturas das quais pode servir-se (ibidem: PG 46, 272b). Portanto, se o homem é considerado digno do nome de Cristo, como deve comportar-se? Gregório responde assim: tem de «examinar sempre em sua intimidade os pensamentos, as palavras e as ações, para ver se estão dirigidos a Cristo ou se afastam dele» (ibidem: PG 46,284c). E este ponto é importante para o valor que dá à palavra «cristão». Cristão é quem leva o nome de Cristo e, portanto, deve assemelhar-se a Ele também na vida. Nós, os cristãos com o Batismo, assumimos uma grande responsabilidade. Pois bem, Cristo, recorda Gregório, está presente também nos pobres, de maneira que eles jamais podem ser ultrajados: «Não desprezeis aqueles que estão prostrados, como se por este motivo não valessem nada. Considera quem são e descobrirás qual é a sua dignidade: representam a Pessoa do Salvador. E assim é, pois o Senhor, em sua bondade, lhes prestou sua própria Pessoa para que, através dela, tenham compaixão por aqueles que são duros de coração e inimigos dos pobres» («De pauperibus amandis»: PG 46,460bc). Gregório, como dizíamos, fala de uma ascensão: ascensão a Deus na oração através da pureza de coração; mas ascensão a Deus também mediante o amor ao próximo. O amor é a escada que leva a Deus. Portanto, Gregório de Nisa exorta vivamente aos que o escutavam: «Sê generoso com estes irmãos, vítimas da desventura. Dá ao faminto o que tiras do teu estômago» (ibidem: PG 46,457c). Com muita clareza, Gregório recorda que todos nós dependemos de Deus, e por isso exclama: «Não penseis que tudo é vosso! Tem de haver também uma parte para os pobres, os amigos de Deus. A verdade, de fato, é que tudo procede de Deus, Pai universal, e que somos irmãos, e pertencemos a uma mesma estirpe» (Ibidem:PG 46, 465b). Então, o cristão deve examinar-se, continua insistindo Gregório: «Mas, de que te serve jejuar e fazer abstinência, se depois com tua maldade não fazes mais que dano a teu irmão? O que ganhas, ante Deus, pelo fato de não comer do teu, se depois, atuando injustamente, arrancas das mãos do pobre o que é seu?» (Ibidem: PG 46,456a). Concluamos nossas catequeses sobre os três grandes padres da Capadócia recordando mais uma vez esse aspecto importante da doutrina espiritual de Gregório de Nisa, que é a oração. Para avançar no caminho para a perfeição e acolher Deus em si, levando em si o Espírito de Deus, o amor de Deus, o homem tem de dirigir-se com confiança a Ele na oração: «Através da oração conseguimos estar com Deus. E quem está com Deus, está longe do inimigo. A oração é apoio e defesa da castidade, freio da ira, sossego e domínio da soberba. A oração é custódia da virgindade, proteção da fidelidade no matrimônio, esperança para quem vela, abundância de frutos para os agricultores, segurança para os navegantes» («De oratione dominica 1»:PG 44,1124A-B). O cristão reza inspirando-se sempre na oração do Senhor: «Se, portanto, queremos pedir que desça sobre nós o Reino de Deus, pedimos com a potência da Palavra: que eu seja afastado da corrupção, que seja libertado da morte e das correntes do erro; que nunca reine sobre mim a morte, que não tenha nunca poder sobre nós a tirania do mal, que não me domine o adversário nem me torne seu prisioneiro com o pecado, mas que venha a mim teu Reino para que se afastem de mim, ou melhor ainda, se anulem as paixões que agora me dominam» (ibidem 3:PG 44,1156d-1157a). Terminada sua vida terrena, o cristão poderá dirigir-se com serenidade a Deus. Falando disso, são Gregório pensa na morte de sua irmã Macrina e escreve que ela, no momento da morte, rezava a Deus com estas palavras: «Tu, que tens na terra o poder de perdoar os pecados, perdoa-me para que possa ter descanso (cf. Salmo 38, 14), e para que me apresente em tua presença sem mancha, no momento no qual fico despojada de meu corpo (cf. Colossenses 2, 11), de maneira que meu espírito, santo e imaculado (cf. Efésios 5, 27) seja acolhido em tuas mãos, ‘como incenso ante ti’ (Salmo 140,2)» («Vita Macrinae 24»: SC 178, 224). Este ensinamento de São Gregório continua sendo válido sempre: não podemos somente falar de Deus, mas levar Deus em nós mesmos. E o fazemos com o compromisso da oração e vivendo no espírito de amor por todos os nossos irmãos. Fonte: Vaticano Written by Veritatis Splendor

  • Eusébio de Cesaréia

    Na história do cristianismo antigo, é fundamental a distinção entre os primeiros três séculos e os sucessivos ao Concílio de Nicéia do ano 325, o primeiro ecumênico. Entre os dois períodos está a assim chamada «mudança de Constantino» e a paz da Igreja, assim como a figura de Eusébio, bispo de Cesaréia na Palestina. Foi o expoente mais qualificado da cultura cristã de seu tempo, em contextos muito variados, da teologia à exegese, da história à erudição. Eusébio é conhecido sobretudo como o primeiro historiador do cristianismo, mas também como o filósofo maior da Igreja antiga. Na Cesaréia, onde provavelmente nasceu em torno do ano 260, Orígenes se havia refugiado procedente da Alexandria, e lá havia fundado uma escola e uma ingente biblioteca. Precisamente com estes livros se teria formado, uma década depois, o jovem Eusébio. No ano 325, como bispo de Cesaréia, participou com um papel de protagonista no Concílio de Nicéia. Subscreveu o «Credo» e a afirmação da plena divindade do Filho de Deus, definido por este com «a mesma substância» do Pai («homooúsios tõ Patrí»). É praticamente o mesmo «Credo» que nós rezamos todos os domingos na santa liturgia. Sincero admirador de Constantino, que havia dado paz à Igreja, Eusébio sentiu por ele estima e consideração. Celebrou o imperador, não só em suas obras, mas também em discursos oficiais, pronunciados no vigésimo e trigésimo aniversários de sua chegada ao trono, e depois de sua morte, ocorrida no ano 337. Dois ou três anos depois também morria Eusébio. Estudioso incansável, em seus numerosos escritos, Eusébio busca refletir e fazer um balanço dos três séculos de cristianismo, três séculos vividos sob a perseguição, recorrendo em boa parte às fontes cristãs e pagãs conservadas sobretudo na grande biblioteca de Cesaréia. Deste modo, apesar da marca objetiva de suas obras apologéticas, exegéticas e doutrinais, a fama imperecedora de Eusébio continua estando ligada em primeiro lugar aos dez livros de sua «História eclesiástica». Foi o primeiro em escrever uma história da Igreja, que segue sendo fundamental graças às fontes que Eusébio põe à nossa disposição para sempre. Com esta «história» conseguiu salvar do esquecimento numerosos acontecimentos, personagens e obras literárias da Igreja antiga. Trata-se, portanto, de uma fonte primária para o conhecimento dos primeiros séculos do cristianismo. Podemos nos perguntar como estruturou e com que intenções redigiu esta nova obra. Ao início do primeiro livro, o historiador apresenta os argumentos que pretende enfrentar em sua obra: «Eu me propus redigir as sucessões dos santos apóstolos desde nosso Salvador até nossos dias, quanto e quão grandes foram os acontecimentos segundo a história da Igreja e quem foi distinguido em seu governo e direção nas comunidades mais notáveis, inclusive também aqueles que, em cada geração, foram embaixadores da Palavra de Deus, seja por meio da escritura ou sem ela, e os que, impulsionados pelo desejo de inovação até o erro, anunciaram-se como promotores do falsamente chamado conhecimento, devorando assim o rebanho de Cristo como lobos rapazes… e também o número, o modo e o tempo dos pagãos que lutaram contra a palavra divina e a grandeza dos que em seu tempo atravessaram, por ela, à prova de sangue e tortura; assinalando também os martírios de nosso tempo e o auxílio benigno e favorável para com todos de nosso Salvador» (1, 1, 1-2). Desta maneira, Eusébio envolve diferentes setores: a sucessão dos apóstolos, como estrutura da Igreja, a difusão da Mensagem, os erros, as perseguições por parte dos pagãos e os grandes testemunhos que constituem a luz desta «História». Em tudo isso, resplandecem a misericórdia e a benevolência do Salvador. Eusébio inaugura assim a historiografia eclesiástica, abarcando sua narração até o ano 324, ano no qual Constantino, depois da derrota de Licínio, foi aclamado como imperador único de Roma. Trata-se do ano precedente ao grande Concílio de Nicéia, que depois oferece a «summa» do que a Igreja — doutrinal, moral e inclusive juridicamente — havia aprendido nesses trezentos anos. A reunião que acabamos de referir do primeiro livro da «História eclesiástica» contém uma repetição que certamente é intencional. Em poucas linhas, repete o título cristológico de «Salvador», e faz referência explícita à «sua misericórdia» e à «sua benevolência». Podemos compreender assim a perspectiva fundamental da historiografia de Eusébio: é uma história «cristocêntrica», na qual se revela progressivamente o mistério do amor de Deus pelos homens. Com genuína surpresa, Eusébio reconhece que «de todos os homens de seu tempo e dos que existiram até hoje em toda a terra, só Ele é chamado e confessado como Cristo [ou seja, ‘Messias’ e ‘Salvador do mundo’], e todos dão testemunho d’Ele com este nome, seguidores, em toda a terra; é honrado como rei, é contemplado como sendo superior a um profeta e é glorificado como o verdadeiro e único sumo sacerdote de Deus; e, acima de tudo isso, é adorado como Deus por ser o Logos pré-existente, anterior a todos os séculos, e tendo recebido do Pai a honra de ser objeto de veneração. E o mais singular de tudo é que nós, que estamos consagrados a Ele, não honramos com a voz ou com os sons de nossas palavras, mas com uma completa disposição da alma, chegando inclusive a preferir o martírio por sua causa à nossa própria vida» (1, 3, 19-20). Deste modo, aparece em primeiro lugar outra característica que será uma constante na antiga historiografia eclesiástica: a «intenção moral» que preside a narração. A análise histórica nunca é um fim em si mesmo; não só busca conhecer o passado, mas aponta com decisão à conversão, e a um autêntico testemunho de vida cristã por parte dos fiéis. É uma guia para nós mesmos. Desta maneira, Eusébio interpela vivamente os fiéis de todos os tempos sobre sua maneira de enfrentar as vicissitudes da história, e da Igreja em particular. Interpela também a nós: qual é nossa atitude ante as vicissitudes da Igreja? É a atitude de quem se interessa por simples curiosidade, buscando o sensacionalismo e o escândalo a toda custa? Ou é mais a atitude cheia de amor e aberta ao mistério de quem sabe pela fé que pode perceber na história da Igreja os sinais do amor de Deus e as grandes obras da salvação por ele realizadas? Se esta é nossa atitude, temos que sentir-nos interpelados para oferecer uma resposta mais coerente e generosa, um testemunho mais cristão de vida, para deixar os sinais do amor de Deus também às futuras gerações. “Há um mistério», não se cansava de repetir esse eminente estudioso dos Padres, o Pe. Jean Daniélou: «Há um conteúdo escondido na história… O mistério é o das obras de Deus, que constituem no tempo a realidade autêntica, escondida detrás das aparências… Mas esta história que Deus realiza pelo homem, não a realiza sem Ele. Ficar na contemplação das ‘grandes coisas’ de Deus significaria ver só um aspecto das coisas. Ante elas está a resposta» («Ensaio sobre o mistério da história», «Saggio sul mistero della storia», Brescia 1963, p. 182). Muitos séculos depois, também hoje Eusébio de Cesaréia nos convida a surpreender-nos ao contemplar na história as grandes obras de Deus pela salvação dos homens. E com a mesma energia, ele nos convida à conversão da vida. De fato, ante um Deus que nos amou assim, não podemos permanecer insensíveis. A instância própria do amor é que toda a vida se oriente à imitação do Amado. Façamos tudo o que estiver a nosso alcance para deixar em nossa vida um traço transparente do amor de Deus. Fonte: Vaticano Via Veritatis Splendor

  • A IGREJA E O PRIMEIRO CONFLITO DOUTRINÁRIO: HELENISTAS E JUDAIZANTES

    A IGREJA E O PRIMEIRO CONFLITO DOUTRINARIO; HELENISTAS E JUDAIZANTES A expansão do cristianismo se desenvolveu com uma nova dificuldade, com duas tendências no seio da comunidade primitiva, com todos os riscos de uma dissensão e uma cisão, para dar-se bem a essa questão, é necessário situar-se dentro das perspectivas judaicas. Em Israel, a partir de um tempo coexistiam duas correntes espirituais que determinavam as atitudes das pessoas com relação aos estrangeiros, uma era que fazia o particularismo, que insistia com a mesma importância em relação ao povo das tribos, e por isso, com justa razão, que só uma feroz a ter uma missão sua. Afastava-se uma nação santa de “raças malditas desde a origem”, cujo simples contato já era uma mancha. O legislator encerrou dentro dos muros de ferro da lei, para que, Uma outra corrente, universalista e respeitadora do estrangeiro, que cumpre todos os homens de boa vontade, que não lançaram anátemas sobre os pagãos, e que os americanos são mais generosos na direção de Jesus apontará. These crents não encaravam with lligeireza a promise made a Abraão: “Em primeiro lugar, todas as nações da terra”, nem uma profecia de Jeremias que previa um tempo em que todos os seres humanos em um Deus, nem como um dado dado a Jonas, quando este relutava em dirigir -se aos ninivitas. Para os Judeus universitários, a missão do povo estava em suas palavras ignorantes do mundo Tobias: “Se o senhor vos dispersou entre as nações que ignoravam, era para que eles contassem seu glorioso e como fizésseis reconhecem que é o único, o onipotente “(Tob 13,4). Era sobretudo nas comunidades da diáspora que se manifestavam essa tendência universalista. Em Jerusalém, era algo excepcional; a respeito do rabi Gamaliel, a maior das ilustres regras de lei, a que se refere com maior ou menor grau de convivência com Israel, com o decorrer do tempo, como as comunidades que se dedicam à diáspora sobre Israel se falava a nova língua (o grego), necessário para os negócios, um ponto de afastamento do arameu dos antepassados ​​e de não usar o hebreu senão como língua litúrgica. A civilização pagou-se a Judeus dispersos como suas tentações e seu encanto, mas também como suas oportunidades de enriquecimento espiritual. Já não era, para eles, apenas o reino do demônio; pelo contrário, à parte alguns apóstatas que haviam sucumbindo de corpo e alma, O Alexandria é de Alexandria, Alexandria, Egito. Em contato com o mundo helênico tinha de mais sutil e refinado, uma enorme colônia judaica de metrópole germinara em estranhas plantas espirituais, enraizadas ainda sem solo da tradição. A propósito, uma das formas mais tradicionais do mundo, O FARAÓ LÁGIDA PT MOLARA II MANDARA TRADUZIR OS LIVROS SANTOS DE ISRAEL POR UMA COMISSÃO DE SETENTA SÁBIOS, E COMO RESPECTIVAS VERSÕES, CONCLUIDAS TODAS SIMULTANEAMENTE; AO FIM DE SETENTA DIAS, TINHAM COINCIDIDO MIRACULOSAMENTE, CONSTITUÍAM UMA SEPTUAGINTA. — “Os setenta” —, texto completo de espalhar por toda a parte. uma resposta de todos os tipos de perguntas e respostas sobre os herdeiros de uma série de perguntas e respostas sobre a razão e as virtudes de Platão. . E vivemos sobretudo o grande rabino Fílon, contemporâneo de Cristo (nascida em 20 ac). Era um judeu fiel e devotado à causa de Israel; mas, ao mesmo tempo, imbuído da doutrina das idéias, por exemplo, usar o simbolismo pitagórico dos números, da teoria estética das causas finais, usar a consciência consciente como usar a cultura e aumentar o serviço da sua fé. Uma corrente universalista traz uma consequência normal: proselitismo. Moderadamente na Palestina, mas muito ativamente na diáspora, atraían-se como almas para o culto do verdadeiro Deus. Flávio Josefo dizia que “eram muitos os que se cumpriam de maneira mais zelosa que as práticas judaicas, o descanso semanal, os jejuns, o melhor das práticas e os usos à alimentação”. Vêem-se nos evangelhos alguns desses prosélitos, dos que “temem a Deus”, como por exemplo o centurião de Cafarnaum. Os rigorosos desconfiança dos convertidos, e a era da circuncisão para quem quer se tornar filho de Javé, a situação de muitos recuaves na conversão, as duas existências que se encontravam no exclusivismo, que se tornariam violentas até chegar na catástrofe da guerra Judaica, Na comunidade nascidas de Jesus, logo se verificou o mesmo dilema. Transposto para o cristianismo. Mas os elementos in the high range of the death is the death of the prayer of the blood : “ide e instruí todos os povos, batizando-os em nome do pai, do filho e do espírito santo, e ensinai-os aer que vos quanto vos mandei” (Mt 28, 19-20). Nunca Jesus ensinara alguma coisa que justifique a isolamento, o particularismo ou um egoísmo “sagrado”. “A salvação vem dos Judeus”, dissera Jesus a samaritana (Jo 4, 22), frases como a comunidade religiosa, uma influência que defendia a interpretação da boa nova em termos de judaicos, e que imporia aos novos convertidos os mesmos rituais que fazem prosélitos das sinagogas, especialmente a circuncisão. Essa tendência exclusivista será vencida: os helenistas, isto é, os convertidos universalistas, originários da diáspora, levarão a vencê-los, excessivamente presos a laços de fidelidades mal compreendidas. This was incidents between as duas correntes, enumerated (Atos 6, 1) “por aqueles dias, havendo crescido o número de discípulos, houve queixa dos helenistas ao invés de Hebreus, porque as mesmas foram tratadas mal atendidas na Distribuição cotidiana”. OS SETE DIÁCONOS E O MARTÍRIO DE ESTEVÃO Em vez de tempo, como as reclamações tornam-se tão fortes que precisam de uma solução urgente. Quando em Roma, no século V AC, A plebe se mostrou descontente com o regime e se aposentou da cidade, dispôs-se em rebelião, recebeu os nomeados magistrados especiais, elegeu os legítimos plebeus e encarregados de defender seus interesses: os tribunos da plebe. O raciocínio conduziu a uma comunidade cristã aos helenistas como indivíduos, nomeando uma espécie de funcionários nos grupos de fóruns da palestina; These procurariam fazer reinar a eguidade entre os dois grupos da igreja, aliviando ao mesmo tempo os apóstolos das tarefas administrativas. Instituiram-se, assim, os diáconos, por proposta de doze e com o assentimento de toda comunidade. Eram começou em número de sete, talvez porque o conselho municipal das cidades era judaica composta por sete membros, e porque a segunda multiplicação dos pães, feita por Jesus em terra helenística, em Decápole (Mc 8, 1-9), símbolo da conversão dos gentios, fora realizada com sete pães e deixara sete cestos de restos. Os homens eram todos de origem helênica, como os seus nomes: Estevão, Filipe, Prócor, Nicanor, Tímon, Parnemas e Nicolau, este último era um prosélito de Antioquia, isto é, um grego convertido. Oásis sagrado não foi posto em dúvida, pois a nomeação seguiu a cerimônia em que as crianças foram deixadas como mãos, invocando sobre elas como graças do espirito santo. Uma vez sagrados Deste modo, os helenistas marcam um tento importante. Tudo foi realizado, certamente, por iniciativa dos Apóstolos, principalmente de Pedro, sobretudo com sua ação e um pouco dos Diáconos, sobretudo um Filipe. Se a família de Jesus, que se legumar legitimamente na primeira igreja, parece mais ou menos encerrada no marco judaico, os doze depositários da palavra, a presentem a necessidade de sair do marco judaico para o bem da fé. Além disso, como todos os empreendimentos que são inspirados para o desenvolvimento de uma nova doença, cada vez mais é importante para trazer novas possibilidades de desenvolvimento da doutrina. Estes diáconos eram homens jovens, mais abertos, mais voltados para uma propagação exterior da fé e menos presos no conformismo hebraico. Representam um impulso novo e vigoroso para uma igreja nascente. A história de Estevão (em 6, 8 a 7,60) mostra-nos bem esse elemento dinâmico que os diáconos trouxeram à igreja. Era uma alma de fogo, sacrifício natural a vida em Jesus, julgarão inteiramente natural sacrificá-la por amor dEle. Helenistas, talvez mesmo Alexandrino de origem, conhecedor das doutrinas filosóficas dos grisalhos das Hebraicas, é um homem encarna o espírito novo, voltado para uma conquista e disposta como rupturas. Os que são mais judiciosos, eles sabem falar como pessoas de fora, mas também são muito menos suscetibilidade dos velhos crentes da Torá. São Pedro ao ensinar como multidões de Jerusalém, procurava que Jesus fora do messias, os deuses de Israel. Estevão, porém, reteve as empresas que dizem que não são de vinho novo em odres velhos, Nem mesmo remete novo num pano velho. Os judeus tradicionais não são enganados, portanto. Aí está um perigoso adversário. Nem mesmo como as gentes da diáspora se perdem por um momento: “este homem não cessa de proferir as palavras contra o lugar santo e contra o direito” (6, 13). Reúne-se o Sinédrio. Naqueles dias — no ano 36 da nossa era —, como autoridades judaicas deviam sentir-se mais livres, porque Pôncio Pilatos acabaram de ser chamados a Roma para jogar algumas violências recentes e muito flagrantes, e defender-se nas suas próprias mãos . É o momento oportuno para fazer um mortal mortal que estava em expansão. Estevão é trazido aos juízes. Nem por um dedo pensa em salvar a cabeça. Não é de defender, mas de gritar a sua fé, tão alto que a voz é ouvida por todos, é sempre uma atitude dos mártires. The discows and remember the Jews, “the cervus and incircuncisos of the heart and the lost the heart resistences to the spirit santo”. , Era demais para os judeus, e Estevão sabe é uma sorte que espera. O direito de antecipar a gravidez eo filho do homem à direita são, assim como as pedras voam em direção ao diácono, que são ao mesmo tempo e ao suplício que lhes dão os seus carrascos. Num canto, um jovem fariseu acompanha a cena, seu nome é Saulo, encontra-se ali para guardar como roupas dos verdugos. “Vede, dissera Jesus, eis que vos envio protótipos, sábios e doutores. Deles matareis e crucificareis uns açoitareis outros em vossas sinagogas. Persegui-lo-eis de cidade na cidade, para que caia toda a sua fé inocente em terra … Em verdade vos digo, tudo isto é sobre esta geração “(Mt 23,34-36). Trinta anos mais tarde, when Jerusalém se tornar a “casa deserta” predição por Cristo, a morte do primeiro. Mas você pode contribuir para espalhar a boa nova, dando a mesma importância ao primeiro dos testemunhos com sangue. O TRABALHO DE SÃO PEDRO E DO DIÁCONO FILIPE UMA PERSEGUIÇÃO que se desencadeou com uma execução de Estevão não paralisou o apostolado cristão. “Some varões piedosos sepultaram Estevão com grandes sinais de luto” (at 8,2) o que prova que ainda não era tão grande o medo aos Judeus. Os helenistas, mais visados, abandonaram a cidade santa e procuraram asilo provisório nas suas regiões de origem. Deste modo, o que deveria ter destruído uma propaganda acabou por favorecer-la consideravelmente. “Sereis as testemunhas em Jerusalém, em toda judéia, na Samaria, a os confins da terra”. (At1, 8), Jesus Jesus aos seus fiéis, e estava se cumprindo a profecia. No começo, uma propaganda tinha acabado de chegar aos meios judaicos, tanto palestinos quanto helenistas. A primeira fase, necessária para lançar as bases, é o primeiro a pregar o sossego, a proibição de ser dirigida aos pagãos e os samaritanos e a sua ordem de se ocupassem Apenas as ovelhas extraviadas de Israel (Mt 10,5). Como mensageiros da nova fé, cheios de zelo e de uma audácia infatigável. Não levariam dinheiro nem provisões, mas apenas uma túnica, como sandálias e bastão. Se você se recusasse a receber, sacudiriam (2) (10 de 20) Jesus, que comeu, come de longe, Jesus prometeu (Mt 10, 23) perceceu todas as nações? Interpretava as palavras ao pé da letra, como coisa que se realiza imediatamente. Os diáconos aparentemente foram criados em um papel importante na expansão do evangelho para os limites de limites de Jerusalém. Há uma lista completa, filipina, ação e métodos que emergem claramente da narrativa dos Atos. Em Contínuo Movimento, plenamente available à Ação do Espírito e sabendo aproveitar Todas como circunstancias, e Um Admirável propagandista, Como desejaria tê-lo QUALQUÉR Empresa humana: um Desses pioneiros that desbravavam o terreno e plantam Nele como Primeiras Tendas, comeu that venham Outros, mais amadurecidos, para explorar como suas conquistas e erguer as construções definitivas. Vemo-lo dirigir-se à região dos Samaritanos (At 8, 4-25). #MacauGoaAngolaMoçambiqueCaboverdeGuinéBissauGuinéEquatorialSãotoméeprincipeEUAfrançaparisgeorgiaportugalMacedôniabelarusRússiapaquistãoIrãCoreiaEgipto #EUAfrançaparisgeorgiaportugalmacedoniabelarusrussiapaquistãoIrãnCoreiaEgiptoArabiasauditaEmiradosÁrabesunidosEtiópiaNigériaChinaIraqueZimbabuéÁfric #históriadaigrejaprimitiva

  • Ordens Religiosas Militares

    Na sua acepção cristã primitiva, a expressão ordo militaris, justaposta a ordo ecclesiasticus (=o clero), designava os fiéis leigos com a sua respectiva legislação; todo cristão, por efeito do Batismo e da Crisma, é, sim, um militante de Cristo. A medida que as Ordens monásticas se foram desenvolvendo, ordo militaris (Ordem militar) passou a ser o título de famílias religiosas organizadas para lutar em defesa da fé, dos pobres e dos oprimidos. Já que o ideal das Ordens militares se prende de perto ao do cavaleiro medieval, será oportuno lembrar, antes do mais, alguns traços característicos deste último. 1. O cavaleiro medieval Entre os múltiplos elementos com que os invasores bárbaros contribuíram para a formação da cultura e da mentalidade medievais, conta-se a instituição dos cavaleiros. Esta se foi delineando aos poucos: a princípio tinha a índole um tanto brutal que caracterizava tudo que se referia à guerra entre os bárbaros; mas, com o tempo, impregnou-se de mentalidade profundamente cristã. O cavaleiro foi-se mais e mais considerando servo de Deus, portador de missão religiosa; o Senhor Altíssimo lhe era apresentado como o primeiro Soberano, e a fidelidade ou a fé como a virtude básica. Destarte as normas da cavalaria se tornaram autêntica escola de formação do jovem medieval, cujo programa se resumia no lema: «Minha alma, a Deus; minha vida, ao rei; meu coração, à dama; a honra, para mim». O cavaleiro aprendia não somente o manejo das armas e a técnica do combate, mas, a fim de disciplinar as paixões e servir devidamente aos seus nobres objetivos, era educado na prática das virtudes e do amor (amor a Deus e ao próximo). A formação do cavaleiro se processava em três etapas: a) até os sete anos, o candidato ficava sob os cuidados de sua mãe e das amas, que lhe insuflavam os rudimentos da educação cristã; passava a maior parte do tempo em jogos infantis. Aos sete anos, tornava-se pagem ou donzel (domicellus) e geralmente era transferido para a corte de um príncipe ou para o castelo de um senhor feudal, a cujo serviço ele se dedicava tanto em casa como na caça e em viagem. A instrução religiosa era-lhe ministrada pelo capelão do castelo, que não raro nos longos serões do inverno lhe narrava os episódios do Antigo e do Novo Testamento assim como a vida dos santos. Uma das grandes tarefas do pagem consistia na aprendizagem das sete «probitates» do cavaleiro: a natação, a equitação, o manejo do arco, o duelo, a caça, o jogo do xadrez, a arte da rima. A título de recreio, era-lhe dado ouvir o trovador, que periodicamente visitava o castelo, deleitando os ouvintes com suas canções e com as narrativas dos feitos exímios dos antigos heróis. b) Aos 14 anos, o pagem era promovido a escudeiro, recebendo do sacerdote ao pé do altar a espada e o cinturão bentos, ao passo que as esporas de prata lhe eram fixadas aos pés pelos assistentes; estes, em seu nome, prometiam amor e lealdade. De então por diante, a ocupação principal do jovem era o uso das armas, que ele carregava ao acompanhar o seu senhor na guerra e na caça. c) Aos 21 anos, o escudeiro era instituído cavaleiro numa cerimônia (dita adubamento) rica de simbolismo. Na véspera do grande dia purificava-se por um banho (comparado a novo batismo), após o qual se revestia de «cotta» (camisa) preta (símbolo da morte), túnica branca (emblema da pureza) e manto vermelho (significativo do sangue que ele devia estar pronto a derramar pela fé). Assim trajado, o candidato ia para a capela, onde passava a noite em «vigília de armas»; de manhã cedo confessava-se e participava da S. Missa pela Comunhão. Seguia-se a investidura propriamente dita: após a bênção da espada, o candidato ouvia de joelhos a leitura dos seus futuros deveres, entre os quais primavam os de servir a Deus e à Igreja, não mentir, proteger os fracos. Feito isto, os padrinhos lhe impunham uma blusa, um casaco de malha, polainas de ferro e a espada; o cavaleiro jurava solenemente fidelidade aos seus ideais de guerreiro cristão; por fim, para encerrar o rito, o seu senhor tocava-o três vezes com a espada, dizendo: «Em nome de Deus, de S. Miguel e de Nossa Senhora, constituo-te cavaleiro». Infelizmente os varões assim preparados não estiveram sempre à altura do seu nobre programa. Aos poucos, o entusiasmo foi diminuindo; o cavaleiro se tornou burguês e cortesão; a entrada na cavalaria veio a ser obrigatória para que alguém gozasse dos privilégios da nobreza; em suma, o titulo de cavaleiro passou a ser mera distinção honorífica. Como quer que seja, a instituição, em seus tempos áureos, produziu frutos notáveis tanto no plano natural como no sobrenatural, dentro da sociedade medieval. À luz destas idéias, entende-se tenham surgido na Santa Igreja famílias religiosas que professavam empunhar as armas a serviço da mais nobre das causas, que é a do Reino de Cristo. 2. As Ordens Militares 1. Organização e espírito: Se o combate ao jugo opressor da verdadeira fé se pode tornar ato louvável, se, por ocasião das cruzadas, esse combate era mesmo estimulado e indulgenciado pela Santa Igreja, explica-se o surto, no séc. XII, de Ordens Religiosas que, como finalidade primária, se propunham o exercido da milícia sagrada: visavam guiar os peregrinos à Terra Santa, defendê-los contra piratas e acidentes de viagem, tratá-los em casos de enfermidade e, de maneira geral, promover os interesses do Reino de Cristo em meio aos muçulmanos e pagãos. O religioso militar vinha a ser um cruzado vitalício. Ora, a partir de 1099, quando se originaram os primeiros Estados cristãos no Oriente, a necessidade de reforços ocidentais era contínua. Também na península ibérica a luta contra os ocupantes muçulmanos, e nos países bálticos as ameaças de normandos e outros pagãos exigiam prontidão e esforços continuados de milícias cristãs. Foi para atender precisamente a tal estado de coisas que se constituíram as Ordens Militares. Como se compreende, as novas famílias religiosas foram colocadas sob a dependência imediata da Santa Sé, única autoridade capaz de conceder licença aos Religiosos para exercerem combates armados sem incorrer em irregularidade canônica (o uso de armas fora, sim, repetidamente proibido aos monges por concílios dos séculos anteriores). A autoridade eclesiástica costumava indicar às novas Ordens alguma das Regras Religiosas já existentes, como a de S. Bento, a de S. Agostinho, a dos Cistercienses, Regra que naturalmente devia ser adaptada à finalidade própria das Ordens militares. A direção suprema de cada uma dessas sociedades tocava a um Grão-Mestre, eleito pelos seus cavaleiros. Quanto aos membros da Ordem, distribuíam-se em três categorias: fratres milites ou equites, cavaleiros, aos quais competiam as funções de empunhar as armas e de tratar dos enfermos em hospitais fundados na Terra Santa; fratres servientes, escudeiros, que desempenhavam o papel de auxiliares dos cavaleiros, dedicando-se por vêzes aos trabalhos manuais necessários na vida comum; capelães ou sacerdotes encarregados dos ofícios religiosos nos oratórios da Ordem (não será preciso frisar que os «Fratres» anteriormente mencionados eram leigos). Também se podiam contar oblatos (donati) e mulheres remotamente ligados com cada Ordem Militar (assim nos séc. XIII/XIV as Irmãs Teutônicas surgiram ao lado da Ordem masculina correspondente). Os Irmãos emitiam os três votos religiosos de pobreza, obediência e castidade; em época tardia, porém, tornou-se licito aos cavaleiros de Espanha e Portugal contrair matrimônio ao menos uma vez na vida. Para poder desenvolver suas vastas atividades, as Ordens Militares foram enriquecidas com amplos favores e privilégios no foro religioso. Necessitavam outrossim de sólido patrimônio material, que lhes foi sendo doado por benfeitores; tornaram-se assim proprietárias de consideráveis bens, em virtude dos quais exerciam grande influência não somente na vida civil, mas também dentro da Santa Igreja. Inegavelmente granjearam múltiplos títulos de benemerência tanto pelos seus feitos corajosos como pela contribuição valiosa que trouxeram à cultura medieval: escolas, academias, arquitetura, historiografia e poesia foram por elas amplamente beneficiadas. Lamentavelmente, porém, o grande prestígio e os vultuosos patrimônios de que gozavam as Ordens Militares, vieram a ser causas preponderantes de seu declínio: surgiram rivalidades entre elas, principalmente depois que cessou o domínio cristão na Terra Santa (fins do séc. XIII); desde então, tais Ordens se viram destituídas de sua finalidade primordial (a ação militar ou hospitalar), obrigadas, por conseguinte, a se ocupar com atividades para as quais não haviam sido criadas; isto não podia deixar de contribuir para solapar o espírito de fervor que movera os respectivos fundadores. Tendo perdido o seu objetivo primário, algumas das Ordens Militares foram sendo sucessivamente extintas pela autoridade da Santa Sé (haja vista o famoso caso dos Templários). Outras subsistem ainda hoje, secularizadas, porém; tornaram-se propriedade dos governos civis (o rei de tal ou tal nação é o Grão-Mestre da Ordem); embora tenham conservado os antigos títulos cristãos, estas sociedades secularizadas carecem de significado propriamente religioso, sendo meros quadros de honra ao mérito nacional. Certas Ordens Militares ainda se apresentam hoje com caráter religioso, embora atenuado em relação ao que tinham na Idade Média (haja vista a Ordem de Malta, a dos Teutônicos). Um breve catálogo das mais notáveis Ordens Militares ainda ajudará o leitor a compreender o significado das mesmas. 2. As principais Ordens Militares. Destacam-se por sua ampla ação as três grandes Ordens dos Hospitalários, dos Templários e dos Teutônicos. Os Hospitalários de S. João de Jerusalém constituem a primeira fundação do novo gênero. Como indica o nome, a princípio não eram guerreiros, mas dedicavam-se ao serviço de um hospital estabelecido no inicio do séc. XI a SO do Santo Sepulcro; no começo do séc. XII, após a fundação do reino latino na Palestina, tomaram índole militar, propondo-se dar hospedagem aos peregrinos e escortá-los em seus itinerários através de regiões pouco seguras. Uma vez extinta a dominação ocidental na Palestina (1291, queda de Akko), tiveram que se retirar para Chipre; desta ilha passaram para Rodes, onde estabeleceram o centro de suas atividades (donde o nome de Ordem de Rodes, que lhes foi dado). Em 1523 viram-se obrigados a ceder Rodes aos turcos; em 1530 então o Imperador Carlos V da Alemanha lhes concedeu a ilha de Malta como feudo; tomaram posição de prestígio na luta contra os muçulmanos travada nessa época. A Ordem foi reconhecida como soberana pelos Imperadores Rodolfo II em 1607 e Ferdinando II em 1620, sendo o seu Grão-Mestre elevado à dignidade de Príncipe da Alemanha. No séc. XVIII, porém, entrou em declínio ; em 1798 os cavaleiros tiveram que ceder Malta a Napoleão; muitos de seus bens no continente europeu foram secularizados. A sede da Ordem (desde o séc. XVI dita «de Malta») ficou sendo Catânia ; atualmente acha-se em Roma. Leão XIII em 1879 conferiu ao Grão-Mestre dos Cavaleiros de Malta as honras de Cardeal e o titulo de Eminência ; a Ordem goza de representação diplomática. A Ordem Teutônica («Domus Hospitalis Sanctae Mariae Teutonicorum») foi, como a de S. João, inicialmente uma Congregação hospitalar, posta sob a Regra de S. Agostinho; servia ao nosocômio de Santa Maria Nova a SO de Jerusalém. Em 1189 por ocasião do longo cerco de S. João de Acre, dirigido pelos cristãos, os irmãos fundaram um hospital militar, e logo no ano seguinte passaram a constituir autêntica Ordem Militar. Expandiram-se pela Europa, onde foram fundando províncias religiosas, que exerceram notável influência através dos séculos. Em 27 de novembro de 1929 foi dada nova Regra à Ordem, que conserva caráter religioso. Os Templários («Fratres militiae Templi») foram militares desde os seus inícios. O histórico e a sorte final desta Ordem acham-se resumidos na resposta no 7 deste fascículo. Além das três grandes Ordens Militares acima, contam-se outras de menor projeção. A península ibérica conheceu grande número de tais fundações — o que bem se entende, dada a multissecular ocupação árabe que ai pesou sobre os cristãos. Na Espanha surgiram : 1) a Ordem de Calatrava, instaurada em 1158 sob a Regra de Cister e aprovada em 1164 pelo Papa Alexandre III; 2) a Ordem de S. Tiago da Espada ou de Compostella, instituída em 1170 aproximadamente, com o fim de proteger os fiéis que peregrinavam ao santuário de Compostella; 3) a Ordem de Alcântara, cujos inícios datam de 1176, sob a Regra de Cister. Aos cavaleiros de Calatrava, S. Tiago e Alcântara o Papa Paulo III em 1540 concedeu licença para contraírem matrimônio ; 4) a Ordem de Montesa, que foi fundada pelo rei de Aragão em 1317, após a supressão dos Templários, com o fim de defender o litoral nacional contra os sarracenos ; herdou parte dos bens dos Templários e permaneceu sob a tutela da Ordem de Calatrava. A administração destas quatro Ordens, assim como o titulo de Grão-Mestre das mesmas, passaram, por disposição do Papa Adriano VI, para o rei da Espanha em 1523, sem que contudo tais sociedades perdessem seu caráter religioso. Em Portugal deve-se mencionar a Ordem de Aviz, fundada em 1147 e aprovada pela Santa Sé em 1162. Foi incorporada à Ordem de Cristo, instituída em 1318 após a supressão dos Templários pelos reis Diniz e Elisabete e aprovada pelo Papa João XXII em 1319; à semelhança da Ordem de Calatrava, a de Cristo visava a defesa das fronteiras do reino contra os mouros, que ameaçavam a Algárvia; o seu Grão-Mestre veio a ser o monarca de Portugal. Também na Itália, na França, na Alemanha registraram-se semelhantes fundações, destinadas a atender a necessidades religiosas e civis da população nacional. Posted by Presbíteros | jun 27, 2012 | Doutrina, História da Igreja | 0  | Dom Estêvão Bettencourt (OSB) Fonte: http://www.pr.gonet.biz/index-catolicos.php

  • Celibato eclesiástico: História e fundamentos teológicos

    ÍNDICE: I. Introdução. II. Conceito e método. 1. O significado do conceito de celibato: a continência. 2. As regras da investigação sobre a origem e o desenvolvimento do celibato eclesiástico. 3. O início do recente debate sobre as origens do celibato. 4. Transmissão oral de Direito. 5. Os postulados dos dados teológicos. III. Evolução da continência na Igreja latina 1. O Concílio de Elvira. 2. A consciência da tradição do celibato nos concílios africanos. 3. O testemunho da Igreja de Roma. 4. O testemunho dos Padres e escritores eclesiásticos. 5. Evolução da questão nos séculos seguintes. 6. A Reforma Gregoriana. 7. Celibato no direito canônico clássico. 8. A continuidade da doutrina da Igreja na época moderna. IV. O celibato na disciplina das Igrejas Orientais. 1. O testemunho de Epifânio de Salamina. 2. São Jerônimo. 3. A questão do eremita Pafnucio. 4. A fragmentação do sistema de disciplina no Oriente. 5. A legislação do II Concilio Trullano 6. Razões para a nova disciplina adotada: a mudança nos textos. V. Os fundamentos teológicos da disciplina do celibato. 1. A relação sacerdotal com Cristo. 2. Fundamento histórico-doutrinal. 3. O ensino do Antigo Testamento. 4. A teologia do celibato sacerdotal. VI. Conclusão. I. INTRODUÇÃO No debate sobre o celibato dos ministros da Igreja Católica, que regressa de novo e que tem se intensificado nos últimos tempos, encontramos as mais variadas opiniões, especialmente no que se refere à sua origem e desenvolvimento na Igreja Ocidental e Oriental. Essas opiniões vão desde a convicção de sua origem divina até da que se trata – especialmente no caso da disciplina, mais restrita, da Igreja latina – de uma mera instituição eclesiástica. Da disciplina da Igreja Latina, se afirma freqüentemente que a obrigatoriedade do celibato só poderia ser constatada desde o século IV em diante; para outros, ela foi adotada no início do segundo milênio, concretamente a partir do II Concilio de Latrão em 1139. Essas opiniões tão distantes entre si e as razões e as premissas que se alegam para sustentá-las, permitem constatar a existência de uma significativa imprecisão no conhecimento dos fatos e das disciplinas eclesiásticas a esse respeito, e ainda mais sobre os motivos do celibato eclesiástico. Esta imprecisão é verificada inclusive em algumas declarações no ambiente eclesiástico, alto ou baixo. Parece, pois, necessário para alcançar um conhecimento seguro desta tão criticada Instituição, esclarecer os fatos e as disposições da Igreja, desde o início até hoje, e analisar os seus fundamentos teológicos. É evidente que este objetivo, se quisermos que a nossa exposição tenha validade científica, só será alcançado a partir de um conhecimento atualizado das fontes e da bibliografia sobre a questão. Neste sentido, convém notar que, nos últimos tempos, foram alcançados importantes resultados sobre a história do celibato eclesiástico, no Ocidente e no Oriente. Mas tais resultados ou ainda não entraram na consciência geral, ou são silenciados, pois se considera que poderiam influenciar de uma forma não desejada em dita consciência. Esta exposição sintética irá acompanhada de um dispositivo científico que se limita ao essencial e que permite, junto ao controle das afirmações feitas, um eventual aprofundamento posterior no seu conteúdo. A descrição da evolução histórica da questão, tanto na Igreja ocidental como na oriental, irá precedida de uma parte na que, acima de tudo, se fará um esclarecimento do conceito de celibato eclesiástico que está na base das obrigações que impõe, para em seguida indicar o método exigido para chegar – em uma adequada apreciação do tema – a conclusões seguras. A última parte será dedicada às bases ou fundamentos teológicos do celibato, cujo desenvolvimento é cada vez mais necessário. II. CONCEITO E MÉTODO Significado do conceito do celibato: a continência. A primeira e mais importante premissa para conhecer o desenvolvimento histórico de qualquer instituição é a identificação do verdadeiro significado dos conceitos sobre os quais se baseia. No caso do celibato eclesiástico, foi oferecida de maneira clara e concisa por um dos maiores decretistas: Uguccio Pisa, que na sua conhecida Summa, composta aproximadamente em 1190, começa o comentário ao tratado do celibato com estas palavras: “No início desta distinção (Graciano) para tratar especialmente da continentia clericorum, ou seja, a que devem observar in non contrahendo matrimonio et in non utendo contracto. Nestas palavras é mencionada, com a clareza desejável, uma dupla obrigação: a de não se casar e a de não usar de um casamento previamente contraído. Isto mostra que naquela época, ou seja, no final do século XII, ainda havia clérigos maiores que se tinham casado antes de receber a sagrada Ordenação. A mesma Sagrada Escritura nos mostra que a Ordenação de homens casados foi, de fato, uma coisa normal, porque São Paulo escreve a seus discípulos Timóteo e Tito que tais candidatos deveriam ter se casado apenas uma vez. Sabemos que pelo menos São Pedro esteve casado, e talvez houvesse outros Apóstolos, pois o próprio Pedro disse ao Mestre: “nós deixamos tudo e te seguimos. Qual será nosso futuro?” E Jesus na sua resposta disse: “em verdade vos digo que ninguém que tenha deixado casa, pais, irmãos, esposa, filhos pelo reino de Deus deixará de receber muito mais no mundo presente e a vida eterna no mundo futuro”. Aparece já aqui a primeira obrigação do celibato eclesiástico, isto é, a continência de todo uso do matrimônio posteriormente à Ordenação sacerdotal, da qual decorre tal obrigação. Nisto consiste realmente o significado do celibato, hoje quase esquecido, mas claro para todos durante o primeiro milênio, inclusive antes: a absoluta continência na geração de filhos, incluindo a permitida (inclusive devida) por ser própria do matrimônio. De fato, em todas as primeiras leis escritas sobre celibato – conforme mostraremos por documentos na segunda parte – fala-se da proibição de gerar filhos depois da Ordenação. Este fato demonstra que esta obrigação devia ser fortemente exigida para o grande número de clérigos anteriormente casados, e que a proibição do casamento tinha no início uma importância secundária. Esta última só passou para o primeiro plano quando a Igreja começou a preferir e, em seguida, a impor candidatos celibatários, dentre aqueles que eram escolhidos quase exclusivamente dos aspirantes às Sagradas Ordens. Para concluir este primeiro esboço do significado do celibato eclesiástico, que foi chamado desde o início com propriedade “continência”, é preciso esclarecer, rapidamente, que os candidatos casados podiam ser ordenados e renunciar à utilização do matrimônio apenas com o consentimento da sua esposa, já que ela, por força do sacramento recebido, possuía um direito inalienável à utilização do casamento contraído e consumado, que é indissolúvel. O conjunto de questões derivadas de tal renúncia, será tratado na segunda parte. Orientações para a investigação sobre a origem e desenvolvimento do celibato eclesiástico. O segundo pressuposto para alcançar um conhecimento correto da origem e do desenvolvimento do celibato eclesiástico – ao que podemos chamar simplesmente “continência” sexual, uma vez esclarecido o seu significado – é tanto mais importante quanto melhor advertimos a variedade de opiniões sobre a origem e primeiro desenvolvimento da obrigação de continência, e pode ser explicado pelo fato do método justo de investigar e expor a questão não ser observado. Deve-se notar aqui que, em geral, cada campo científico tem a sua própria autonomia em relação aos demais, com base no seu objeto próprio e no método postulado por ele. É verdade que na investigação científica sobre ciências relacionadas existem regras comuns que devem ser observadas. Por exemplo, em uma investigação de caráter histórico não se pode prescindir da regra que prescreve uma crítica preliminar das fontes, que determine a autenticidade e a integridade dessas, para se ocupar depois do seu valor intrínseco sobre essa base, ou seja, sobre sua credibilidade e valor demonstrativo. Neste contexto, é absolutamente necessária a capacidade e a vontade de compreender e utilizar adequadamente documentos e o seu conteúdo. Somente sobre esta base segura – autenticidade, integridade, credibilidade e valor – se pode desenvolver uma adequada hermenêutica ou interpretação das fontes. Junto a estes pressupostos metodológicos gerais, é necessário também aplicar a metodologia especificamente requerida por cada ciência. A Historiografia Filosófica competente, por exemplo, exige um conhecimento adequado da Filosofia, bem como a Historiografia Teológica pressupõe o conhecimento da Teologia e a Historiografia da Medicina ou da Matemática requerem um conhecimento suficiente dessas ciências. Do mesmo modo, na Historiografia Jurídica não pode faltar o conhecimento do Direito e das suas exigências metodológicas próprias. De acordo com o dito, deve-se ter em conta que a história do celibato eclesiástico implica, em seu conteúdo e desenvolvimento, o Direito e a Teologia da Igreja. Por isso, se quisermos fazer uma boa hermenêutica dos testemunhos históricos (fatos e documentos), não se pode prescindir do método próprio do Direito Canônico e da Teologia. O significado e a necessidade dessas observações, que à primeira vista podem parecer abstratas, serão evidentes ao aplicá-las de modo concreto à questão que agora estudamos. Raízes do recente debate sobre as origens do celibato No final do século passado, tivemos uma áspera discussão sobre a origem do celibato eclesiástico, ainda recordada e influente. Gustav Bickell, filho de um jurista e ele mesmo orientalista, atribuía a origem do celibato a uma disposição apostólica, apoiando-se principalmente em testemunhos orientais. Respondeu-lhe Franz X. Funk, conhecido estudioso da história eclesiástica antiga, negando que se pudesse fazer tal afirmação, já que a primeira lei conhecida sobre o celibato remonta ao início do quarto século. Depois de um duplo confronto de escritos sobre o assunto, Bickell fez silêncio, enquanto Funk repetia uma vez mais, sinteticamente, seus resultados, sem receber uma resposta do seu adversário. Recebeu, pelo contrário, importante consenso de dois grandes estudiosos, como eram E. F. Vacandard e H. Leclercq. A autoridade e influência de suas opiniões, difundidas amplamente pelos meios de difusão (dicionários), concederam à tese de Funk um consenso considerável, que perdura até hoje. Considerando o que acabamos de dizer sobre as premissas dos princípios metodológicos na investigação, deve-se notar que F. X. Funk, ao formular as suas conclusões, não levou em conta, sobretudo, os critérios gerais de interpretação das fontes, que em um estudioso altamente qualificado, como ele sem dúvida era, é realmente estranho. Aceitou como bom, e a utilizou como um dos seus principais argumentos contra a opinião Bickell, a narração espúria sobre a intervenção do bispo e monge egípcio Pafnucio no Concílio de Nicéia em 325. E isso, ao contrário da crítica básica externa das fontes que, já antes dele, tinha afirmado repetidamente a não autenticidade desse episódio (o que está comprovado, como demonstraremos ao falar, na quarta parte, do Concílio de Nicéia). Funk cometeu um erro metodológico ainda maior, embora menos culpável, ao aceitar apenas só a existência de uma obrigação oficial do celibato, que tenha sido expressa através de uma lei escrita. O mesmo se pode dizer do historiador da teologia, Vacandard, e do historiador dos concílios, Leclercq. A transmissão oral do direito Qualquer historiador do direito sabe que um dos teóricos com mais autoridade deste século, Hans Kelsen, disse explicitamente que é equivocada a identificação entre direito e lei, ius et lex. Direito (ius) é toda norma jurídica obrigatória, tanto se foi dada oralmente e através do costume, como se já foi expressa por escrito. Lei (lex) é, no entanto, toda disposição dada por escrito e promulgada de forma legítima. Uma peculiaridade típica da lei, testemunhada durante toda a sua história, está na origem dos ordenamentos a partir das tradições orais e da transmissão de normas consuetudinárias que lentamente são postas por escrito. Por exemplo, os romanos, expressão do gênio jurídico mais perfeito, somente depois de séculos tiveram a lei escrita das Doze Tábuas, por razões sociológicas. Todos os povos germânicos escreveram seus ordenamentos jurídicos populares e consuetudinários depois de muitos séculos desde a sua existência. O direito desses povos era, até então, não escrito e só eram transmitidos oralmente. Ninguém se atreveria a afirmar, contudo, que por isso tal ius não fosse obrigatório e que sua observância estivesse deixada ao livre arbítrio de cada indivíduo. Como em qualquer ordenamento jurídico próprio de grandes comunidades, o da jovem da Igreja foi, em grande medida, as disposições e obrigações transmitidas apenas oralmente; ainda mais quando – durante os três séculos de perseguição (embora intermitente) – dificilmente poderiam ter sido fixadas as leis por escrito. De qualquer maneira, a Igreja possuía, já por escrito, alguns elementos de direito primitivo, e em maior medida de que outras sociedades jovens. Uma prova disso nos dá a Sagrada Escritura. São Paulo escreve, na verdade, em sua segunda carta aos Tessalonicenses (2, 15) estas palavras: “Exorto, pois, irmãos, ficai firmes e guardai as tradições que haveis aprendido, tanto oralmente, tanto através de nossas Cartas”. Estes se referem, sem dúvida, a disposições obrigatórias expedidas não apenas por escrito, como foi expressamente afirmado, mas também ensinadas apenas oralmente e assim transmitidas. Então, quem somente admitisse disposições obrigatórias as que podem ser encontradas nas leis escritas, não estaria fazendo justiça ao método de conhecimento próprio da história dos ordenamentos jurídicos. Os postulados do dado teológico O método apropriado para estudar os fundamentos teológicos da continência do clero deve ter em conta que, além de questões disciplinares e jurídicas, a continência também está ligada, no caso deles, a um carisma intimamente relacionado com a Igreja e com Cristo. Seu conhecimento e análise só podem ser feitos, conseqüentemente, à luz da revelação e da elaboração teológica. Como é agora bem conhecido, a Teologia medieval não se preocupou muito com questões jurídicas e disciplinares, nem do modo apropriado, mas se apropriou das discussões e das conclusões da canonística clássica – também chamada de “glosadores” – então muito florescente. Os historiadores da Teologia Medieval constataram isso há bastante tempo, e, um olhar para a obra do príncipe da Escolástica Medieval, confirma-o suficientemente. Esta realidade pode ser considerada também como a principal razão de que a continência do clero não foi tratada suficientemente, quer dizer, conforme a sua metodologia fundada na Revelação e nas suas fontes. Embora esta falta tenha sido já reparada em grande medida, hoje segue sendo necessário um maior aprofundamento nos fundamentos propriamente teológicos do nosso tema. Na última parte deste trabalho, procuraremos atender a essa exigência tão legítima. III. DESENVOLVIMENTO DO TEMA DA continência na IGREJA Latina Afirmados os pressupostos necessários sobre o conceito e o método de investigação e exposição, analisaremos em primeiro lugar o tema da continência dos clérigos na Igreja Latina. O Concílio de Elvira Entre os testemunhos de diversos tipos que interessam para o nosso assunto, deve ser mencionado, em primeiro lugar, o Concílio de Elvira. Na primeira década do século IV,  reuniram-se bispos e sacerdotes da Igreja da Espanha, no centro diocesano de Elvira, perto da Granada, para colocar sob uma regulamentação comum as diversas circunscrições eclesiásticas da Espanha, pertencente à parte ocidental do Império Romano, que gozava, sob o governo do César Constâncio, de uma paz religiosa relativamente boa. No período anterior, durante a perseguição dos cristãos, se havia constatado abusos em mais de um setor da vida cristã e havia sofrido danos graves na observância da disciplina eclesiástica. Em 81 cânones conciliares, são emanadas disposições relativas às áreas mais importantes da vida eclesiástica, necessitadas de clarificação e de renovação para reafirmar a antiga disciplina e para sancionar novas normas que se tinham tornado desnecessárias. O Cânon 33 do Concílio contém a já conhecida primeira lei sobre o celibato. Sob a rubrica: “Sobre os bispos e ministros (do altar), que devem ser continentes com suas esposas”, se encontra o seguinte texto dispositivo: “Se está de acordo sobre a proibição total, válida para bispos, sacerdotes e diáconos, ou seja, para todos os clérigos dedicados ao serviço do altar, que devem se abster de suas esposas e não gerar filhos; quem fizer isso deve ser excluído do estado clerical”. O cânon 27 já havia insistido na proibição de que habitassem com os bispos e outros eclesiásticos,  outras mulheres não pertencentes à sua família. Só poderiam levar para junto de si, uma irmã ou uma filha consagrada virgem, mas de nenhum modo uma estranha. Desses primeiros e importantes textos legais se devem deduzir que muitos dos clérigos maiores da Igreja espanhola de então, talvez inclusive a maior parte, eram viri probati, quer dizer, homens casados antes de serem ordenados como diáconos, sacerdotes ou bispos. Todos, entretanto, estavam obrigados depois de ter recebido a Sagrada Ordenação a renunciar completamente do uso do matrimonio, quer dizer, à observância de uma perfeita continência. À luz do final do Concilio de Elvira, assim como do Direito e da História do Direito do Império Romano, dotado de uma cultura jurídica que dominava naquela época também na Espanha, não é possível ver no cânon 33 (junto com o cânon 27) uma lei nova. Manifesta-se claramente, ao contrário, como uma reação contra a inobservância, muito estendida, de uma obrigação tradicional e bem conhecida a que se acrescenta, nesse momento, uma sanção: ou se aceita o cumprimento da obrigação assumida, ou se renuncia ao estado clerical. A introdução de uma novidade nesse terreno, com retroatividade geral das sanções frente a direitos adquiridos desde a Ordenação, teria causado num mundo como aquele, tão imbuído do respeito ao legal, uma verdadeira tempestade de protestos ante a evidente violação de um direito. Isto já o havia percebido Pio XI quando, na sua Encíclica sobre o sacerdócio, afirmou que essa lei escrita supunha uma práxis precedente. A consciência da tradição do celibato nos Concílios africanos Após a importante lei de Elvira, deve ser considerada outra ainda mais importante para o nosso tema, e voltaremos a encontrar logo como ponto-chave de referência. Trata-se de uma declaração vinculante, formulada no segundo Concílio Africano do ano 390 e repetida nos posteriores, que será posteriormente incluída no Código dos Cânones das Igrejas Africanas (e nos cânones in causa Apiarii), formalizada no importante Concílio do ano 419. Sob o título: “que a castidade dos sacerdotes e levitas deve ser protegida”, o texto afirma: “O bispo Epigônio disse: de acordo com aquilo que o anterior Concílio afirmou sobre a continência e sobre a castidade, os três graus que estão ligados pela Ordenação a uma determinada obrigação de castidade, ou seja, bispos, sacerdotes e diáconos – devem ser instruídos de uma forma mais completa sobre o seu cumprimento. O bispo Genetlio continuou: como já mencionado, convém que os sagrados bispos, os sacerdotes de Deus e os levitas, ou seja, aqueles que servem nos divinos sacramentos, sejam continentes por completo, para que possam obter sem dificuldades o que pedem ao Senhor; para que também protejamos o que os Apóstolos ensinaram e é conservado desde antigamente”. “A isso os bispos responderam unanimemente: estamos todos de acordo que bispos, sacerdotes e diáconos, guardiães da castidade, se abstenham também de suas esposas, a fim de que em tudo e por parte de todos os que sirvam ao altar seja conservada a castidade”. Dessa declaração dos Concílios de Cartago resulta que também na Igreja Africana uma grande parte, talvez a maioria do clero maior, estava casada antes da ordenação, e que depois dela, todos deviam viver em continência. Aqui esta obrigação é atribuída explicitamente ao sacramento da Ordem recebida e ao serviço do altar. Também é posta em relação explícita com um ensinamento dos Apóstolos e com uma observância praticada em todo o tempo passado (antiquitas), e se conclui com o assentimento unânime de todo o episcopado africano. Devido a uma disputa com Roma, que também foi abordada nessas assembléias conciliares africanas, podemos conhecer em que medida foram conhecidas e vividas naquela Igreja, as tradições da Igreja antiga. O sacerdote Apiário foi excomungado por seu bispo. Ele apelou para Roma, em que se aceitou o recurso por referência a algum cânon de Nicéia que autorizaria tais recursos. Os bispos africanos se declararam solidários com seu companheiro afirmando que não conheciam tal cânon niceno. Em diversas reuniões destes bispos, nas que também participaram delegados de Roma, se discutiu esse problema e ainda se conservam os cânones in causa Apiarii. Os africanos alegavam que na sua relação dos cânones nicenos não aparecia uma disposição semelhante àquela, e tinham enviado delegados a Alexandria, Antioquia e Constantinopla para obter a informação pertinente. Mas também lá não se sabia nada sobre tais cânones. Mais tarde foi esclarecido o erro de Roma, baseado no fato de que lá se tinha adicionado aos cânones de Nicéia os do Concílio de Sárdica no ano 342, dedicado também à questão ariana e celebrado sob o mesmo presidente: o bispo Ósio de Córdoba. Por esse motivo, os cânones disciplinares de Sárdica foram acrescentados no arquivo de Roma aos de Nicéia, e todos tinham sido considerados nicenos. Em Sárdica se tinha aprovado aquele cânon (can. 3). A Igreja Africana não teve dificuldade em demonstrar ao Papa Zósimo a errônea atribuição ao Concílio de Nicéia. A sessão principal dedicada a esta questão, que foi em 25 de maio de 419, foi presidida por Aurélio, bispo de Cartago. Participavam o legado de Roma, Faustino de Fermo, com dois presbíteros romanos, Felipe e Acélio, além de 240 bispos africanos entre os quais estava Agostinho de Hipona e Alípio de Tagaste. O Presidente introduziu o debate com estas palavras: “Temos, diante de nós, os exemplares das disposições que nossos Padres trouxeram de Nicéia. Nós as conservamos em sua forma original e guardamos também os sucessivos decretos subscritos por nós”. Depois recitaram o Símbolo da fé na Santíssima Trindade, pronunciado por todos os Padres conciliares. Em terceiro lugar foi repetido o texto sobre a continência dos clérigos do Concílio de 390, ao que já aludimos, que então tinha sido recitado por Epigônio e Genetlio e que agora era pronunciado por Aurélio. O legado papal, Faustino, sob a rubrica “dos graus da Ordem Sagrada que devem abster-se de suas esposas”, acrescentou: “estamos de acordo que os bispos, sacerdotes e diáconos, quer dizer, todos os que tocam os Sacramentos como guardiões da castidade, devem abster-se de suas esposas”. A isso responderam todos os bispos: “estamos de acordo que a castidade deve ser guardada em tudo e por todos os que servem ao altar”. Entre as normas que tomadas do patrimônio tradicional da Igreja Africana foram em seguida relidas ou novamente decididas, se encontram no vigésimo quinto posto um texto do presidente Aurélio: “nós, queridos irmãos, acrescentamos também que em relação ao que foi dito da incontinência de alguns clérigos, que eram somente leitores, com suas próprias esposas, se decidiu o que também noutros Concílios foi confirmado: que os subdiáconos, que tocam os santos mistérios, e os diáconos, sacerdotes e bispos devem, segundo as normas vigentes para eles, abster-se da própria esposa e se comportar como se não a tivesse; e se não se ativerem a isso, devem ser afastados do serviço eclesiástico. Os demais clérigos não estão obrigados até uma idade mais madura. Depois disso todo o Concílio respondeu: nós confirmamos tudo o que Vossa Santidade disse de maneira justa e é santo e agradável a Deus”. Recolhemos aqui com tanto detalhe esse testemunho da Igreja Africana do final do século IV e do começo do século V por causa de sua fundamental importância. Desses textos se deduzem a clara consciência de uma tradição baseada não somente numa persuasão geral, que ninguém suspeitava, mas também em documentos bem conservados. Naqueles anos foram encontradas ainda no arquivo da Igreja Africana, as atas originais que os Padres tinham trazido do Concílio de Nicéia. Se houvesse disposições contrárias ao celibato eclesiástico tal e como o vemos afirmado, tinham sido mencionadas da mesma forma que sucedeu com o erro ou o descuido da Igreja Romana a respeito dos cânones de Sárdica atribuídos a Nicéia. Tudo isso mostra também a consciência de uma tradição comum da Igreja Universal, cujas diversas partes guardam uma comunhão viva entre si. O que na Igreja Africana foi afirmado muito explícita e repetidamente sobre a origem apostólica e a observância transmitida desde a Antiguidade da continência dos eclesiásticos junto com as sanções aos que a desobedecessem, não teria sido certamente aceito de modo tão geral e pacífico, se não houvesse tido o aval de ser um fato comumente conhecido. Sobre isso temos ainda testemunhos explícitos da Igreja Oriental, que teremos oportunidade de analisar. O testemunho da Igreja de Roma No contexto do testemunho Africano sobre o celibato, já escutamos uma voz muito autorizada por parte de Roma: o legado pontifício Faustino que manifestou em Cartago a plena correspondência de Roma sobre essa questão, suscitada ali incidentalmente. Roma, aliás, já tinha enviado uma carta aos bispos da África, na época do Papa Sirício, que comunicava as decisões do Sínodo Romano de 386, nas que se insistia novamente em algumas importantes disposições apostólicas. Esta carta tinha sido comunicada durante o Concílio de Telepte do ano 418. A última parte da mesma (can. 9.) trata precisamente da continência do clero. Com esse documento, introduzimo-nos no segundo conjunto de testemunhos sobre o celibato – presentes nas disposições dos Romanos Pontífices sobre esse tema – que tem claramente um maior peso, não só quanto à consciência da tradição observada pela Igreja Universal, mas também para o desenvolvimento posterior e para a observância do celibato clerical. Uma afirmação geral sobre a importância da posição de Roma sobre qualquer assunto e, portanto, também sobre o celibato, é proveniente de Santo Irineu, que, tendo sido discípulo de São Policarpo, estava relacionado com a tradição joanica que ele – como bispo de Lião, a partir do ano 178 – transmitia também para a Igreja na Europa. Se na sua principal obra “Contra as heresias” afirma que a tradição apostólica é preservada na Igreja de Roma, fundada pelos apóstolos Pedro e Paulo, e é por isso que todas as outras igrejas devem concordar com ela, podemos dizer que isso vale também para a tradição sobre a continência dos eclesiásticos. Os primeiros testemunhos explícitos a respeito provêm de dois Papas: Sirício e Inocêncio I. Ao predecessor do primeiro, o Papa Dâmaso, tinha sido apresentado pelo bispo Himério de Tarragona algumas questões às quais só o seu sucessor, ou seja, Sirício, tinha dado uma resposta. Quando perguntado sobre a obrigação dos clérigos maiores à continência, o Papa respondeu na carta Directa, em 385, dizendo que os sacerdotes e diáconos que, depois da Ordenação, geram filhos, atuam contrariamente a uma lei irrenunciável, que obriga aos clérigos maiores desde o início da Igreja. A apelação ao fato de que no Antigo Testamento, os sacerdotes e levitas podiam usar do matrimônio, fora do tempo do seu serviço no Templo, foi refutada pelo Novo Testamento, no qual os clérigos maiores devem prestar culto sagrado todos os dias; por isso a partir do dia da sua ordenação, deve viver continuamente a continência. Uma segunda carta do mesmo Papa, referindo-se à mesma questão e que já a mencionamos, é a enviada aos bispos africanos em 386, que relatou as deliberações de um Sínodo Romano. Essa carta é especialmente ilustrativa sobre o tema do celibato. O Papa assinalou, acima de tudo, que os pontos tratados no Sínodo não se referem a novas obrigações, mas sim a pontos de fé e de disciplina, que, por causa da preguiça e da inércia de alguns, têm sido negligenciados. Devem, portanto, ser revitalizados, pois, segundo as palavras da Sagrada Escritura, “Sê forte e observa as nossas tradições que recebestes, quer oralmente, quer por escrito” (2 Tes 2, 15), trata-se de disposições dos Padres Apostólicos. O Sínodo Romano é, portanto, consciente de que as tradições recebidas apenas oralmente são vinculativas. E aludindo ao juízo divino, observa que todos os bispos católicos devem observar nove disposições que são enumeradas. A nove delas é exposta com detalhes: “os sacerdotes e levitas não devem ter relações sexuais com suas esposas, porque devem estar ocupados diariamente com o seu ministério sacerdotal”. São Paulo escreveu aos Coríntios que eles deviam se abster das relações sexuais para se dedicar à oração. Se aos leigos a continência é imposta, a fim de serem ouvidos na sua oração, com muito maior razão deve estar disposto em todo momento o sacerdote para oferecer, com castidade verdadeira, o Sacrifício e para administrar o Batismo. Depois de outras considerações ascéticas, é rejeitada – que eu saiba, pela primeira vez no Ocidente – pelos oitenta bispos reunidos, uma objeção, ainda hoje viva, que visa provar à continuidade no uso do matrimônio com base nas palavras do Apóstolo São Paulo segundo as quais, o candidato às Sagradas Ordens, só podia ter estado casado uma vez. Essas palavras, apontaram os bispos, não querem dizer que se pode continuar vivendo na concupiscência e gerando filhos, mas foram precisamente ditas em favor da futura continência. É ensinado, por conseguinte, oficialmente – e será repetido continuamente – que as segundas núpcias ou o matrimônio com uma viúva, não oferecem segurança de continência futura. A carta conclui com uma exortação a obedecer estas disposições que estão sustentadas pela tradição. O seguinte Romano Pontífice que se ocupou amplamente da continência do clero é Inocêncio I (401 a 417). Provavelmente é sua uma carta sobre essa matéria, atribuída primeiro a Dâmaso e depois a Sirício. Quando foram apresentadas algumas questões pelos bispos da Gália, foram examinadas num Sínodo Romano uma série de questões práticas, cujos resultados, ou respostas, foram comunicadas na carta Dominus inter no começo do século IV. A terceira das dezesseis perguntas se referia à “castidade e pureza dos sacerdotes”. Na introdução, o Papa constata que “muitos bispos em várias igrejas particulares têm mudado temerariamente a tradição dos Padres, e caíram na escuridão da heresia, preferindo a honra que vem dos homens, ao mérito diante de Deus”. E como o demandante, movido não pela curiosidade, mas pelo desejo de estar seguro na fé, tratava de alcançar da autoridade da Sé Apostólica informações sobre as leis e sobre as tradições, comunica-lhes com uma linguagem simples, mas de conteúdo seguro, o que se deve saber para poder corrigir todas as deficiências que a arrogância humana causou. A terceira das questões propostas dá a seguinte resposta: “Em primeiro lugar, no que diz respeito aos bispos, sacerdotes e diáconos, que devem participar nos sacrifícios divinos, por cujas mãos se comunicam a graça do batismo e se oferecem o Corpo de Cristo, decidiu-se que estão obrigados, não só por nós, mas pela Divina Escritura, à castidade (ao qual também os Padres ordenaram que observassem a continência corporal)”. Continua então uma ampla exposição – que ainda hoje é digna de ser recordada – dos motivos, sobretudo bíblicos, da dita prescrição, e se conclui dizendo que, ainda que só fosse pela veneração devida à religião, não se deve confiar o ministério divino aos desobedientes. Outras três cartas do mesmo Papa repetem os conceitos de seu antecessor Sirício, aos quais se unem plenamente. Trata-se da carta a Victricio de Rouen, de 15 de fevereiro de 404; da dirigida a Exupério de Tolosa, de 20 de fevereiro de 405 e da dirigida aos bispos Máximo e Severo de Calábria, de data incerta. É importante notar que sempre se pede sanções contra os impenitentes que devem ser afastados do ministério clerical. Os seguintes Pontífices Romanos também se esforçaram para preservar a estrita observância da tradicional continência do clero. Basta recordar, entre os mais importantes destes séculos, os depoimentos de dois deles: Leão Magno e Gregório Magno. Leão Magno, em 456, escreveu ao bispo Rústico de Narbona: “A lei da continência é a mesma para os ministros do altar (diáconos), para os sacerdotes e bispos. Quando eram ainda leigos e leitores podiam se casar e gerar filhos. Mas, ao serem elevados aos graus anteriormente citados, começou a não ser lícito para eles o que antes o era. De fato, para que o matrimônio carnal chegue a ser um matrimônio espiritual, não é necessário que as esposas sejam afastadas, mas sim que se considerem como se não as tivessem, deste modo se salva o amor conjugal e, ao mesmo tempo, cessa o uso do matrimônio”. O Papa confirmou assim outro ponto relacionado com a continência dos clérigos casados, que na legislação precedente era também mencionado, a saber: que as esposas dos clérigos casados, após a Ordenação de seus maridos, devem ser sustentadas pela Igreja. A posterior coabitação com o marido, então obrigado à continência, não era geralmente tolerada pelo perigo de faltar à obrigação assumida. Foi permitida apenas nos casos em que esse risco estava excluído. Qualquer texto contra o abandono das esposas deve ser interpretado nesse mesmo sentido, como é evidente nesse fragmento de Leão Magno. Deve acrescentar-se que este Papa estendeu aos subdiáconos a obrigação à continência posterior à sagrada Ordenação, que até agora não estava claro, por causa da dúvida que existia sobre se a Ordem do subdiaconado pertencia ou não às Ordens maiores. Gregório Magno (590 a 604) faz compreender nas suas cartas, ao menos indiretamente, que a continência dos eclesiásticos era substancialmente observada na Igreja Ocidental. Dispôs simplesmente que também a ordenação de subdiácono comportava, definitivamente e para todos, a obrigação de perfeita continência. Ele também sugeriu, repetidamente, que a coexistência entre clérigos maiores e mulheres não autorizadas para isso continuava estando absolutamente proibida, e devia, portanto, ser impedida. E como as esposas não pertenciam normalmente à categoria das autorizadas, dava com isso uma significativa interpretação ao cânon 3 do Concílio de Nicéia. Do acima exposto, podemos já deduzir uma primeira constatação de singular importância: na Igreja Ocidental, ou seja, na Europa e nas regiões da África pertencentes ao Patriarcado de Roma, a unidade da fé era e permanecia sempre viva, junto com a unidade também da disciplina, algo que se manifesta pela comunicação, mais ou menos intensa, mas nunca interrompida, entre as várias igrejas regionais. Assim, os representantes de outras regiões eram admitidos nos Concílios Provinciais. Em Elvira, por exemplo, esteve presente, entre outros, Eutiques, como representante de Cartago, e no Concílio de Cartago de 418, que tratou da questão dos pelagianos, estavam também bispos da Espanha. Essa consciência de unidade e de substancial uniformidade é encontrada explicitamente nas atas conciliares da época. O Primado Romano cada vez mais operativo desde o momento em que as perseguições tinham terminado: era a atualização e a concretização do princípio da unidade. Essa realidade reflete-se sobretudo nas questões essenciais para a fé da Igreja Universal, mas nós podemos constatá-la também nas questões disciplinares, especialmente no ambiente do Patriarcado Romano. Uma prova de primeira ordem desta unidade disciplinar é precisamente a que se adverte na questão que nos ocupa: sobre a continência do clero. Junto à práxis conciliar, que é eficaz desde o início, afirmando-a e confirmando-a, surge a ação orientadora e o cuidado universal em sua conservação por parte dos Romanos Pontífices, começando pelo Papa Siríaco. Se o celibato eclesiástico corretamente entendido foi conservado claramente em conformidade com a consciência clara de sua origem e da sua antiga tradição, apesar das dificuldades que surgem sempre e em toda a parte, devemo-lo, sem dúvida, à solicitude ininterrupta dos Papas. Uma prova a sensu contrario desta afirmação nos virá dada pela história do celibato na Igreja Oriental. Mas antes de entrar nela, devemos ainda prosseguir com outras fases do seu desenvolvimento na Igreja do Ocidente. O testemunho dos Padres e dos escritores eclesiásticos Os Padres e os escritores eclesiásticos pertencem à categoria das mais importantes testemunhas da fé e da tradição nos primórdios da Igreja. Sobre a questão da continência do clero é conveniente escutar primeiro a Santo Ambrósio. Na sua sede em Milão, na qualidade de “Consularis Aemiliae et Liguriae”, Ambrósio, eleito bispo, se tornou rapidamente um dos mais importantes homens da Igreja do Ocidente. No que diz respeito ao nosso assunto, esse Pastor, especialmente sensível às obrigações jurídicas, devido a sua anterior atividade civil, tinha idéias muito claras. Ensina que os ministros do altar que estavam casados antes de sua Ordenação, não deveriam continuar usando do matrimônio depois da Ordenação – ainda que essa obrigação não tivesse sido sempre observada do modo devido, nas regiões mais remotas. Confrontado com a permissão vetero-testamentária, deve-se ver um novo mandato do Novo Testamento, pois os sacerdotes deste, estão obrigados a uma oração e a um ministério santo constante e contínuo. São Jerônimo, que conhecia bem por experiência própria tanto a tradição do Ocidente como a do Oriente, disse na sua refutação do ano 393 a Joviniano, sem insinuar nenhuma distinção entre Ocidente e Oriente, que o Apóstolo Paulo, na famosa passagem de sua carta a Tito, ensinou que um candidato casado à Ordem sagrada deveria ter casado uma só vez, deveria ter educado bem aos filhos que tivesse, mas não podia procriar outros filhos. Devia, portanto, dedicar-se à oração e ao serviço divino e não só por um tempo limitado, como no Antigo Testamento, como conseqüência, “si semper orandum et ergo semper et semper carendum matrimonio”. Em sua dissertação “Adversus Vigilantium” do ano 406, São Jerônimo repetia o dever dos ministros do altar de ser sempre continentes. E neste sentido afirma que esta é a prática da Igreja do Oriente, do Egito e da Sé Apostólica, onde só se aceita clérigos celibatários e continentes, ou, se são casados, que tenham renunciado previamente à vida matrimonial. Já no seu “Apologeticum ad Pammachium” tinha dito que também os Apóstolos eram “vel virgines vel post nuptias continentes”; y que “presbiteri, episcopi, diaconi aut virgines eiguntur aut vidui aut certe post sacerdotium in aeternum pudici”. Santo Agostinho, bispo de Hipona desde o ano 395/96, conhecia bem a obrigação geral do clero maior à continência, ele que havia participado no Concílio de Cartago onde tal obrigação tinha sido repetidamente afirmada, apontando sua origem nos mesmos Apóstolos e numa constante tradição do passado. Não se conhece nenhuma dissidência sua em tais ocasiões. Em sua dissertação “De coniugiis adulterinis” também afirma que homens casados que, de repente e por isso mesmo quase  contra sua vontade, fossem chamados a fazer parte do clero maior e ordenados, estariam obrigados à continência, tornando-se, assim, um exemplo para aqueles leigos que, por viver longe de suas mulheres, são vulneráveis especialmente ao adultério. O quarto grande Padre da Igreja Ocidental, Gregório Magno, já foi exposto como testemunha da continência dos ministros sagrados ao examinar os Romanos Pontífices. Da prática disciplinar ocidental considerada até o momento, concluímos que: a continência própria dos três últimos graus do ministério clerical se manifesta na Igreja como uma obrigação que se remonta aos começos da Igreja, e que foi transmitida como um patrimônio da tradição oral. Após a era de perseguição e, especialmente, as como conseqüência das conversões cada vez mais numerosas, que exigiu também numerosas ordenações, houve amplas transgressões dessa obrigação, contra ao quais os Concílios e a solicitude dos Romanos Pontífices procederam cada vez com maior insistência por meio de leis e disposições escritas. Nessas aparecem também as conseqüências de tais transgressões que consistiam na suspensão ou expulsão do sagrado ministério. Tudo isso nunca é apresentado como uma inovação, mas é sempre posto em referência com a origem da Igreja. Estamos autorizados, portanto, conforme as regras de um correto método jurídico-histórico, a considerar dita práxis como uma verdadeira obrigação vinculante transmitida por tradição oral antes de ter sido fixado por leis escritas. Quem quiser afirmar o contrário não somente se oporia a uma metodologia científica válida, mas também estaria tachando de mentirosos – porque de ignorância não poderiam ser acusados – a todos os testemunhos unânimes que até agora escutamos. Evolução da questão nos seguintes séculos Nesta base, deduzida da prática da Igreja primitiva, podemos acompanhar o desenvolvimento do celibato eclesiástico nos séculos seguintes. Primeiro, vamos nos referir ao Ocidente. Tal como nos primeiros tempos, também nas épocas posteriores muitos dos ministros sagrados eram, sem dúvida, escolhidos entre os homens casados. Esta situação é demonstrada pelo fato de que muitos Concílios da Espanha e da Gália insistir repetidamente (e sem interrupção) na obrigação da continência desses ministros. As sanções foram atenuadas em algumas ocasiões, como, por exemplo, no Concílio de Tours, no ano 461, onde não se pune já com a e excomunhão para toda a vida, mas apenas com a exclusão do serviço eclesiástico. Além disso, é cada vez mais enfatizada a preocupação da Igreja para dispor de candidatos às ordens maiores que sejam celibatários e para reduzir o número dos candidatos casados, já que a experiência mostrava o perigo permanente da debilidade humana ante as obrigações assumidas por estes candidatos. Outra disposição que deve ser constantemente recordada e renovada foi a proibição de qualquer clérigo maior para viver sob o mesmo teto com mulheres que não oferecesse plena confiança pelo que se refere à observância da continência. Para estabelecer um juízo de conjunto sobre a disciplina celibatária na Europa medieval, são muito significativas as disposições relativas à Igreja Insular (Irlanda – Bretanha). Os Livros Penitenciais, que refletem fielmente a vida e a disciplina em vigor nesta igreja, em muitos aspectos demonstram inequivocamente a validade para os clérigos maiores insulares previamente casados, das mesmas obrigações que estamos vendo. O que continuasse usando do matrimônio com sua esposa era considerado culpado de adultério e castigado convenientemente. Se essas obrigações onerosas eram exigidas e observadas substancialmente também na Igreja Insular, na qual estavam em vigor rudes costumes entre os seus habitantes, dos quais esses livros nos dão uma viva prova, temos uma ótima demonstração de que o celibato era também possível ali, ainda que, provavelmente, só por uma nobre tradição que ninguém punha em dúvida. Juntamente com os perigos gerais periódicos que ameaçavam sempre e em toda parte a continência do clero, sempre existiu na história da Igreja momentos, circunstâncias e regiões onde surgiram perigos extraordinários que provocavam de modo muito especial a autoridade da Igreja. As dificuldades desse tipo eram produzidas pelas heresias bastante difundidas. Um exemplo é o arianismo dos visigodos, ainda a operar após a conversão ao catolicismo de seu reino na Península Ibérica. O Concílio de Toledo de 569 e o de Zaragoza em 592 emanaram normas explícitas neste sentido para os clérigos provenientes do arianismo. A Reforma Gregoriana Uma das mais graves crises que afetou a continência do clero foi a que se deu em todas as regiões da Igreja Católica Ocidental, afetadas pelas desordens que levaram à Reforma Gregoriana. Essas regiões eram aquelas partes da Europa onde tinha penetrado, com maior ou menor difusão, o chamado sistema beneficial eclesiástico, que, basicamente, dominou toda a vida pública e, mais tarde, também a vida privada da Igreja e da sociedade eclesiástica. Os bens patrimoniais do benefício eclesiástico, que estavam ligados a todos os ofícios da Igreja, altos ou baixos, conferiam ao detentor do benefício, e portanto também do ofício, uma grande independência econômica e, por isso, freqüentemente profissional, uma vez que o ofício que acompanhava ao benefício não se podia retirar facilmente. A concessão do benéfico-ofício, que vinha realizada com frequência através de leigos que possuíam esse direito – proveniente da Igreja em sentido estrito ou lato – situava nos ofícios eclesiásticos de bispos, abades e, inclusive, de párocos, a candidatos com freqüência pouco preparados e, até mesmo, indignos. A concessão e a designação dos ofícios por parte de leigos poderosos, que nesse assunto atendiam mais aos interesses seculares e profanos que aos espirituais e religiosos da Igreja, conduziam aos outros dois males fundamentais: a simonia, ou seja, a compra dos ofícios, e o nicolaísmo, isto é, a estendida violação do celibato eclesiástico. Após o fracasso das reformas regionais, os Papas começaram a enfrentar essa situação difícil da Igreja Européia. Conseguiram, devido ao empenho de Gregório VII, enfrentar este grave perigo que tinha envolvido a hierarquia da Igreja em todos os seus graus. Assim, esse perigo levou a um impulso decidido para a reintegração da antiga disciplina celibatária; para isso foi necessário cuidar especialmente da eleição e da formação dos candidatos ao sacerdócio, para o qual se limitava cada vez mais a aceitação de homens casados, buscando, assim, o retorno a uma observância geral da obrigação da continência. Outra consequência importante dessa reforma é a disposição, solenemente declarada no segundo Concílio de Latrão do ano de 1139, de que os casamentos contraídos pelos clérigos maiores, como também os das pessoas consagradas mediante votos de vida religiosa, não só eram ilícitos, mas também inválidos. Isto levou a um grande equívoco difundido ainda hoje: o de que o celibato eclesiástico foi introduzido somente a partir do Concílio Lateranense II. Na realidade, ali só se afirmou que era inválido o que sempre tinha sido proibido. Esta nova sanção confirmava, de fato, uma obrigação existente há muitos séculos. O Celibato no direito canônico clássico. Quase ao mesmo tempo que começou a vida e a atividade do direito da Igreja, o monge camaldulense, João Graciano, compôs, aproximadamente em 1142, em Bolonha, seu “Concórdia discordantium canonum”, em seguida simplesmente chamado de “Decreto de Graciano”, no qual foi recolhido todo o material jurídico do primeiro milênio da Igreja e harmonizou, pelo menos tentou fazê-lo, as mais variadas normas. Com ele começava a escola do Direito da Igreja, associada a sua paralela do Direito Romano, e que será chamada de escola dos glossistas ou glossadores, ou seja, dos intérpretes das compilações do Direito Eclesiástico (e do Direito Romano) e dos seus textos legais. O decreto de Graciano trata também, naturalmente, a questão e a obrigação da continência dos clérigos, especificamente, nas distinções 26 – 34 e mais adiante nas distinções 81 – 84, da primeira parte. O mesmo irá acontecer também em outras partes do Corpus Juris (Canonici), que desde então vai se formando com a promulgação das respectivas leis. Para compreender corretamente as explicações que os canonistas deram dessas leis, devemos considerar que, tal como os seus colegas romanistas, não realizaram as investigações e estudos histórico-jurídicos, o que só ocorreu mais tarde na escola dos cultos, ou seja, na escola jurídica humanística dos séculos XVI em diante. Não devemos, portanto, nos surpreender que os glossadores, ou seja, a escola jurídica clássica, haja desconhecido – também no domínio da canonística – uma crítica em sentido próprio das fontes e dos textos. Isso é importante para o nosso assunto, pois ao falar de Graciano, imediatamente encontramos o fato de que na questão do celibato eclesiástico, aceitou como algo realmente ocorrido no Concílio de Nicéia a fábula história de Pafnucio, e a assumiu, acriticamente, junto com o cânon 13 do Concílio Trullano II de 691, a diferença da práxis celibatária da Igreja Ocidental e da Oriental. Embora essa não fosse uma ocasião para ele justificar a razão das diferentes práticas da Igreja Latina, tanto ele como a escola clássica de Direito Canônico, colocam a atenção no motivo da diferente obrigação na questão da continência do clero maior oriental. Voltaremos a falar desse diferente tratamento histórico do celibato na Igreja Oriental. Temos de dizer agora, no entanto, que precisamente devido a essa negligência crítica às dúvidas já existentes no Ocidente sobre esse assunto, e que Gregório VII e outros reformadores, incluindo especialmente Bernoldo de Constança, tinham reconhecido, não produziram uma impressão decisiva sobre a escola canonística, que reconheceu também as deliberações do Concílio Trulano II como plenamente válidas para a Igreja Oriental. Nesse mesmo Concílio, como veremos, foi fixada a disciplina celibatária da Igreja Bizantina e das dependentes dela. No entanto, como já mencionamos, não existia entre os canonistas medievais nenhuma dúvida sobre a obrigação para a Igreja Ocidental da continência de todo o clero maior. E isso, na verdade, porque conheciam bem os documentos dos Concílios ocidentais, os já tratados anteriormente, sobretudo dos Concílios africanos (Graciano, no entanto, não demonstra conhecer o cânon 33 de Elvira), dos Pontífices Romanos e dos Padres. Todos os canonistas estavam, em geral, de acordo com que a proibição do casamento para os clérigos maiores devia ser atribuída aos Apóstolos – tanto ao exemplo deles, como às suas disposições. Alguns atribuíam aos Apóstolos a proibição do uso do matrimônio contraído antes da Ordenação, outros a disposições legislativas posteriores, sobretudo dos Romanos Pontífices, começando por Siríaco. Tentavam explicar as razões sobre as que se baseia tal proibição, ainda que com argumentos em parte contrapostos. Uns a relacionavam com um voto, expresso ou tácito, ou com a Ordem anexa, ou com uma disposição solene da legítima autoridade. Frente à dificuldade de que ninguém pode impor a outro um votum, tratava-se de encontrar a solução na constatação de que não se tentava impor à pessoa, mas somente ao ofício, que trazia anexa esta condição. Que a Igreja pudesse fazê-lo não oferecia nenhuma dúvida a qualquer canonista, que o explicavam com argumentos bem interessantes e convincentes. A doutrina que mais convence afirma que esta disposição podia ficar unida através de uma lei, sobretudo pontifica à Ordem Sagrada, e que isso era o que realmente tinha sido realizado desde os primeiros tempos da Igreja pelos Concílios e pelos Romanos Pontífices, tanto para o caso dos bispos, como para os sacerdotes e diáconos. No caso dos subdiáconos, só havia sido decidido definitivamente a partir do Papa Gregório I. Nenhum canonista medieval duvidada, por outro lado, que esta obrigação vinculava ilimitadamente desde o momento de sua introdução. É particularmente destacável o fato de que alguns glossadores façam referência explícita, como fontes da obrigação da continência clerical, a normas meramente tradicionais, que já existiam antes de sua prescrição legal, e a que uma obrigação originada por um voto não era dispensável nem mesmo pelo Papa. Por esse motivo se inclinavam pela teoria que punha a causa eficiente da obrigação numa lei, pois o Papa sim podia dispensar de uma lei geral. De todos os modos, um bom número deles era da opinião de que uma dispensa deste tipo podia ocorrer somente em alguns casos particulares e não em geral, porque isso equivalia à abolição de uma obrigação contrária ao status ecclesiae, coisa que nem para o Papa era possível. Após esta exposição sintética do pensamento dos glossistas sobre o celibato eclesiástico, corretamente entendido, vigente na Igreja, vale à pena mencionar alguns dos mais importantes textos sobre nosso tema, que podem ser considerados especialmente representativos dessa doutrina. Primeiro devemos mencionar Raimundo de Peñafort. Esse autor compôs também o Liber Extra do Papa Gregório IX (parte central do Corpus Iuris Canonici) e pode, pois, ser considerado como homem de confiança do Papa, e é também representante qualificado da ciência canonística, já então bem madura. No que diz respeito à origem e ao conteúdo da obrigação de continência dos homens casados antes da sagrada Ordenação diz: “Os bispos, sacerdotes e diáconos devem observar a continência também com sua esposa (de antes). Isto é o que os Apóstolos ensinaram com seu exemplo e também com suas disposições, como alguns dizem, para quem a palavra “ensinamento” (Dist. 84, can. 3) pode ser interpretada de maneira diversa. Isso foi renovado no Concílio de Cartago, como na citada disposição Cum in merito do Papa Siríaco”. Depois de resumir outras explicações, se refere Raimundo às razões para a introdução de tal obrigação: “a razão era dupla: uma, a pureza sacerdotal, para que possam obter com toda sinceridade o que com sua oração pedem a Deus” (Dist. 84 , cap. 3 e dict. 1 p. c. 1 Dist. 31); “a segunda razão é que possam orar sem impedimentos (1 Cor 7, 5) e exercer seu ofício, pois não podem fazer as duas coisas: servir à mulher e à Igreja, ao mesmo tempo”. A continuidade da doutrina da Igreja na Idade Moderna A contínua vida de sacrifício que implica tão grave compromisso só pode ser vivida se for alimentada por uma fé viva, já que a fraqueza humana é sentida continuamente. A motivação sobrenatural só pode ser entendida de modo permanente com essa fé, sempre conscientemente vivida. Se a fé se esfria, também diminui a força para perseverar; onde a fé morre, morre também a continência. Todos os movimentos heréticos e cismáticos que apareceram na Igreja são uma renovada demonstração dessa verdade. Uma das primeiras consequências que ocorrem entre os seus seguidores é a renúncia da continência clerical. Não pode, portanto, causar surpresa o fato de que também nas grandes heresias e defecções da unidade da Igreja Católica no século XVI, ou seja, entre os luteranos, calvinistas, seguidores de Zwinglio, ou Anglicanos, a renúncia rápida ao celibato eclesiástico. Os esforços de reforma do Concílio de Trento para restaurar a verdadeira fé e a boa disciplina na Igreja Católica, portanto, deverão também abordar os ataques contra a continência dos ministros sagrados. Da história deste Concílio já é conhecida, com absoluta certeza, que muitas pessoas, especialmente imperadores, reis, príncipes e mesmo representantes da mesma Igreja, com a boa intenção de recuperar os ministros sagrados que haviam deixado a Igreja Católica, se empenharam em obter uma redução ou uma dispensa desse dever. Mas uma comissão criada pelos Romanos Pontífices para tratar dessa questão, concluiu, considerando toda a tradição precedente, que se devia manter sem comprometer a obrigação do celibato: a Igreja não estava capacitada para renunciar a uma obrigação válida desde seu começo e depois sempre renovada. Por razões pastorais se deu permissão especial para que na Alemanha e na Inglaterra os sacerdotes apóstatas, depois de renunciar a toda convivência e utilização do casamento, podiam ser absolvidos e reintegrados ao seu ministério na Igreja Católica. Caso rejeitassem o retorno ao clero, podia ser sanada a invalidez de seu matrimônio; mas, nesse caso, seriam excluídos para sempre do ministério sagrado. Note-se também que os Padres do Concílio de Trento, não só renovaram todas as obrigações nesta matéria, mas também se recusaram a declarar a lei do celibato da Igreja Latina como uma lei puramente eclesiástica, da mesma forma que haviam negado incluir à Virgem Maria sob a lei universal do pecado original. Mas a decisão mais radical do Concílio de Trento para salvaguardar o celibato eclesiástico foi a fundação de Seminários para a formação de sacerdotes, que foi estabelecido pelo famoso cânone 18, da Sessão XXIII, e imposta a todas as dioceses. Os jovens deveriam ser eleitos para o sacerdócio, formados e fortalecidos para o ministério nesses Seminários. Essa decisão providencial, que se tornou realidade progressivamente em todos os lugares, permitiu à Igreja contar com tantos candidatos celibatários para os graus superiores do sagrado ministério, que, a partir de então, se pode ir prescindindo de ordenar homens casados, o que tinha sido um desejo explícito de muitos Padres conciliares. Desde então, a noção de celibato até então dominante e muito presente na mentalidade dos fiéis, que incluía tanto a obrigação de continência completa no uso do matrimônio contraído antes da ordenação, bem como a proibição de se contrair novas núpcias, foi restringida a esta última. Daí procede que hoje se entenda o dever do celibato eclesiástico só como proibição de se casar. A Igreja tem sido sempre forte em preservar a sua tradição em relação ao celibato, mesmo nos tempos difíceis que se seguiram. Um claro testemunho é fornecido pela Revolução do final do século XVIII e início do século XIX. Também se adotou nesta ocasião a prática do século XVI: os sacerdotes que tinham se casado durante a Revolução tinha de decidir: ou renunciar ao matrimônio civil invalidamente contraído, ou procurar sanar esta invalidez na Igreja. No primeiro caso, podiam ser readmitidos ao sagrado ministério; no segundo, ficavam excluídos definitivamente do ministério, como já havia estabelecido a primeira lei escrita sobre essa matéria, que já conhecemos: a do Concílio de Elvira. A Igreja se opôs também a todas as outras tentativas feitas para abolir o celibato dos ministros sagrados, como os esforços feitos em Baden-Wurttemberg em tempos de Gregório XVI, ou o movimento Jednota da Mohêmia em tempos de Bento XV. É novamente importante a abolição imediata do celibato entre os “velhos católicos” após o Concílio Vaticano I. Não é menos clara a oposição da Igreja contra as tentativas, constantemente renovadas após o Concílio Vaticano II, de ordenar a viri probati, quer dizer, homens casados sem exigir-lhes a renúncia ao matrimônio, ou de permitir o matrimônio dos sacerdotes. IV. O CELIBATO NA DISCIPLINA DAS IGREJAS ORIENTAIS. Foi dirigida contra a Igreja Latina a crítica de que contra uma suposta atitude mais liberal no início, foi evoluindo a posições cada vez mais severas na sua disciplina celibatária. Como prova desta afirmação se apela para a prática da Igreja Oriental, que teria mantido a original disciplina da Igreja primitiva. Por esta razão, se diz, a Igreja Latina deveria retornar à disciplina original, especialmente por causa do grave peso que o celibato é hoje para a situação pastoral da Igreja universal. A resposta a esta declaração e às correspondentes propostas depende da verdade ou não dessa condição da Igreja primitiva. O resultado da análise histórica que temos feito sobre a prática real celibatária no Ocidente, suscita sérias dúvidas sobre a suposta exatidão de tal parecer. Devemos, portanto, procurar uma clarificação do verdadeiro desenvolvimento do celibato na Igreja Oriental. E é isso que tentamos fazer nesta quarta parte da nossa exposição. O testemunho de Epifânio de Salamina Em sua defesa da origem apostólica do celibato, C. Bickell recorreu principalmente a testemunhos orientais. Vamos agora olhar para a história celibatária no Oriente, apenas em linhas gerais, já que não podemos analisar todos os testemunhos disponíveis. Mas de tudo o que se disse até agora (e do que acrescentaremos adiante) podemos ter um panorama aceitável da verdadeira situação naquela Igreja. Uma importante testemunha é o bispo de Salamina (posteriormente denominada Constância) na ilha de Chipre, Epifânio (315 – 403). Ele é considerado um bom conhecedor e defensor da ortodoxia e da Tradição da Igreja, uma vez que ele viveu quase todo o século quarto. Embora em alguns pontos, especialmente na luta contra as idéias, como na questão de Orígenes, demonstrou um menor zelo, seus testemunhos sobre os fatos e as condições de seu tempo, especialmente sobre questões disciplinares da Igreja, não pode ser facilmente posto em dúvida. Sobre a questão do celibato, ou continência dos ministros sagrados, faz um típico relato dos acontecimentos. Em sua obra principal, chamado Pananon, escrita na segunda metade do século IV, afirma que Deus mostrou o carisma do sacerdócio novo por meio de homens que tinham renunciado ao uso do único casamento antes da Ordenação, ou que sempre viveram virginalmente. Isso, diz ele, é a norma estabelecida pelos Apóstolos com sabedoria e santidade. No entanto mais importante ainda é a constatação que faz no “Expositio fidei” acrescentada à obra principal. A Igreja, diz ele, apenas admite ao ministério episcopal e sacerdotal (também diaconal) aos que renunciam, através da continência, à sua própria esposa ou ficam viúvos. Assim, continua, se vive onde se mantém fielmente as disposições da Igreja. Pode-se constatar que, em diferentes lugares, sacerdotes, diáconos e subdiáconos continuam gerando filhos. Mas isso não está em conformidade com a norma vigente, mas é uma consequência da debilidade humana, que sempre tende ao que é mais fácil. E depois, segue explicando, os sacerdotes são escolhidos especialmente entre os que são celibatários ou monges. Se entre eles não se encontram suficientes candidatos, são eleitos entre os casados que tenham renunciado ao uso do casamento, ou entre aqueles que, após um único matrimônio, ficaram viúvos. Estas afirmações de um homem conhecedor de muitas línguas e que viajou muito para o Oriente – dividido já por muitas doutrinas – no primeiro século de liberdade da Igreja são um bom testemunho tanto da norma como da situação real da questão do celibato na Igreja Oriental dos primeiros séculos. São Jerônimo A segunda testemunha é já conhecida. São Jerônimo foi ordenado sacerdote na Ásia Menor por volta do ano 379 e ao longo de seis anos conheceu a doutrina e a disciplina oriental, bem como eclesiásticos e comunidades monásticas. Após ter vivido três anos em Roma, ele retornou, através do Egito, à Palestina, onde permaneceu até a sua morte, por volta do ano 420. Esteve sempre em contato estreito e ativo com a vida de toda a Igreja, graças às suas relações com muitos homens importantes do Ocidente e Oriente, e também graças ao seu vasto conhecimento de várias línguas. Seu testemunho explícito sobre a continência do clero já foram ilustrados na terceira parte. Recordemos agora novamente sua obra Adversus Vigilantium, que, contrariamente àquele sacerdote da Gália meridional que desprezava o celibato, invocou a prática das Igrejas do Oriente, do Egito e da Sé Apostólica, nas que, segundo afirma, só aceitam clérigos virgens, continentes, e, se são casados, que tenham renunciado ao uso de casamento. Com isto conhecemos um testemunho sobre a posição oficial também da Igreja, sobre a continência dos ministros sagrados. No que diz respeito à legislação dos Sínodos orientais, deve-se salientar que os Concílios regionais anteriores a Nicéia, ou seja, os de Ancira e Neo-Cesaréia e o post-niceno de Gangra, falam efetivamente de ministros casados, mas não nos dão informações confiáveis sobre a licitude de uma vida não continente após a Ordenação, que vai mais além de uma situação excepcional. Também nos sínodos particulares das diversas Igrejas cismáticas do Oriente, que foram estabelecidas depois das controvérsias cristológicas, nas quais – como no Ocidente – houve um claro afastamento da prática da disciplina celibatária, encontramos assim um testemunho por sua atitude oficial contrária à ortodoxia. A questão do eremita Pafnucio. O Concílio de que devemos ocupar mais amplamente, em relação ao nosso tema, é o primeiro Concílio Ecumênico, realizado em Nicéia, no ano 325. A única disposição sobre o celibato dos ministros neste primeiro Sínodo da Igreja Universal é o cânon 3, que proíbe que aos bispos, sacerdotes, diáconos, e, em geral, todos os clérigos, que tenham em suas casa mulheres, introduzidas ali por subterfúgio. A única exceção é para a mãe, a irmã, a tia e outras que estejam para além de qualquer suspeita. Como sempre, entre as mulheres que estão autorizadas à convivência com os sacerdotes, não se encontram as esposas. O fato de que no primeiro posto dos eclesiásticos sujeitos à proibição de coabitação estavam os bispos – para os quais, na Igreja Oriental, era sempre obrigatória a continência no uso de um casamento anterior (o que continua válido até hoje) – podemos perguntar se entre os Padres do Concílio era firme a convicção de tal obrigação de continência. Em favor de uma convicção e situação contrária para o caso dos sacerdotes, diáconos e subdiáconos se invoca uma notícia sobre um eremita e bispo do deserto no Egito chamado Pafnucio.  Diz-se que esse personagem teria levantado sua voz no Concílio para dissuadir aos Padres de sancionar uma obrigação geral de continência. Isso deveria ser deixado, segundo sua opinião, para a decisão das Igrejas particulares; e se diz que tal conselho teria sido aceito pela assembleia. Embora o conhecido historiador da Igreja, Eusébio de Cesaréia, que esteve presente como Padre conciliar e era favorável aos arianos, não se refere a nada deste episódio. Certamente não de menor importância para toda a Igreja, as primeiras notícias do fato nos chegam cem anos depois do Concílio, e através de dois escritores eclesiásticos bizantinos: Sócrates e Sozómeno. Sócrates indica que a sua fonte é um homem muito idoso, que tinha estado presente no Concílio e que teria contado vários episódios sobre fatos e personagens do mesmo. Crê-se que Sócrates nasceu em torno de 380 e escutou essa narração quando ele mesmo era bastante jovem de uma pessoa que no ano 325 não podia ser uma criança, que não pode ser considerado como um testemunho consciente dos eventos do Concílio. Disto podemos concluir facilmente a mais natural crítica das fontes traz sérias dúvidas sobre a autenticidade desta narração, necessitada de garantias mais firmes. Estas dúvidas, na verdade, já foram levantadas precocemente no Ocidente, como já foi dito, pelo Papa Gregório VII e Bernoldo de Constança. Em tempos mais recentes merece atenção o comentário de Valésio, editor das obras de Sócrates e Sozómeno, que fez esta história em 1668 e que Migne imprimiu em sua Patrologia Grega, vol. 67. O humanista de Valois, membro de uma família de pessoas doutas, diz explicitamente que a história de Pafnucio é suspeita, porque entre os Padres do Concílio provenientes do Egito não aparece tal bispo. E a correspondente passagem de Sozómeno repete que a história de Pafnucio deve ser uma fábula inventada, principalmente porque entre os Padres que assinaram as Atas do Concílio de Nicéia, não existe nenhum com este nome. Na tradução latina de Casiodoro-Epifanio (História Tripartida) deste episódio, é recolhido apenas um fragmento de dezesseis linhas da História da Sozómeno. Recentemente, o estudioso alemão Friedhelm Winckelmann investigou esse incidente e concluiu que ele foi inventado, pois a referência à pessoa de Pafnucio apareceu mais tarde. O nome dele só aparece em manuscritos tardios das Atas do Concílio, e alguns textos do século IV apenas o conhecem como confessor da fé. Posteriormente algumas lendas hagiográficas o elevaram a mestre e foi citado como Padre do Concílio de Nicéia. Mas o argumento mais convincente contra a autenticidade desse relato parece residir no fato de que precisamente a Igreja Oriental que deveria ter o maior interesse nele, ou não tinha conhecimento do mesmo, ou não o usou em nenhum documento oficial, por estar convencida da sua falsidade. E o mesmo pode ser deduzido do fato de que não haja qualquer menção ou utilização sobre Pafnucio, tanto nos escritos polêmicos sobre o celibato dos ministros sagrados, como nos grandes comentadores do Século XII – Aristeno, Zonaras, Balsamon – do Syntagma canonum adauctum – ou seja, do códice maior de direito da Igreja Oriental, estabelecido pelo Concílio Trullano de 691. Isso seria, de fato, mais fácil do que recorrer à manipulação de textos históricos bem conhecidos, como veremos adiante. Será necessário esperar até o décimo quarto século para que apareça o relato no Syntagmaalfabetcum, de Mateus Blastares, que, contudo, parece que o considerou interessante para o Oriente só através do Decreto de Graciano. No Ocidente, essa falsificação foi recebida de modo completamente acrítico, ao menos pela canonística, que se baseou, em parte, para reconhecer uma determinada disciplina celibatária particular, diferente da Igreja Oriental. O Concílio Trullano II, ao fixar oficialmente as regras sobre celibato válido na Igreja oriental, não fez qualquer referência a Pafnucio. A fragmentação do sistema disciplinar no Oriente Isso leva-nos ao ponto central na história do celibato ministerial na Igreja Bizantina e nas Igrejas Orientais a ela associadas. Algumas considerações preliminares ajudarão a entender a questão corretamente. Como vimos até agora, um compromisso tão oneroso, humanamente falando, como o celibato, sempre teve que pagar ao longo da história o tributo da debilidade humana. Já Santo Ambrósio de Milão o testemunhou, afirmando que nem sempre correspondia o cumprimento com o preceito, sobretudo nas regiões mais remotas; também no Ocidente, o mesmo assinalava Epifânio de Salamina falando do Oriente. Adverte-se, portanto, com claridade que há uma necessidade de permanente atenção e uma ajuda constante para manter essa prática. No Ocidente, os Concílios regionais e os Papas não cessaram de intervir, exortando à observância do celibato e para sustentá-la em todas as suas formas, garantindo o cumprimento do compromisso assumido, tão necessário para a Igreja. Tudo indica, porém, que essa atenção constante se perdeu no Oriente. Isso pode ser comprovado, por um lado, pela história dos Concílios regionais orientais. Certamente se pode notar o efeito benéfico dos esforços comuns a toda a Igreja Universal, presentes nos Concílios Ecumênicos convocados no primeiro milênio, no Oriente. Mas esses esforços se referem especialmente a questões dogmáticas e doutrinais. Os problemas disciplinares e de natureza pastoral eram enviados às assembléias das Igrejas particulares, tanto para responder às diferentes circunstâncias das diferentes regiões, como, sobretudo, por razão da organização patriarcal (Constantinopla, Antioquia, Alexandria, Jerusalém). Isso dava, e implicava, certa autonomia de governo, ainda mais acentuada pela separação de muitas Igrejas particulares, vítimas em maior ou menor grau de heresias, especialmente cristológicas, que agitavam o Oriente. Por essa razão, o Oriente como tal, não pode chegar a uma atitude sistematicamente concordada em questões disciplinares, nem sequer sobre questões comuns de disciplina geral eclesiástica, como o celibato dos ministros sagrados. Cada Igreja particular emanava suas próprias regras, muitas vezes diferentes, em função da diversidade de convicções. Faltava, portanto, uma autoridade universal, reconhecida como tal por todo o Oriente, que poderia proporcionar uma efetiva coordenação da disciplina geral e que poderia tomar medidas eficazes de controle, vigilância e execução. Esta situação se reflete claramente naquelas recopilações de normas da Igreja Oriental, que contêm as prescrições dos Concílios Ecumênicos e dos Concílios particulares dos primeiros séculos. Mas a legislação dos séculos sucessivos não foi incluída na recopilação comum formada anteriormente, o Syntagma canonum. Em lugar das disposições papais, que foram tão importantes para a coordenação geral da disciplina no Ocidente, foram recolhidos fragmentos de textos dos principais Padres Orientais, que eram por natureza ascética. Também foram recolhidas leis imperiais em matéria eclesiástica, fruto do cesaro-papismo reinante na Igreja Bizantina, que eram realmente normas vinculantes que davam certa uniformidade nos pontos disciplinares de que tratavam. Da disciplina ocidental, tanto particular como geral, o Oriente aceitou, na sua recopilação mais comum de direito eclesiástico, apenas a da Igreja Africana que era mais conhecida e mais próxima, ainda que pertencia ao Ocidente romano. Além disso, a coleção mais importante e extensa, o Codex canonum ou Codex canonum Ecclesiae africanaein causa apiarii – causa na que tinha sido interpelado o Oriente – foi introduzido no seu Syntagma. Pela posição e influência exercida no Oriente pelos imperadores, existem os chamados Nomocanones, recopilações nas quais eram reunidas leis eclesiásticas e leis estatais de matéria eclesiástica; a observância dessas leis nos territórios orientais da Igreja, que ainda estavam sujeitos ao imperador, estava sob a responsabilidade deste. Com tal situação na Igreja oriental, se explica também a falta de uma ação eficaz geral contra a tentação sempre presente de ceder na observância do dever do celibato dos ministros sagrados. O que se manteve em quase todo o Oriente, pelo menos para os bispos, foi a antiga tradição da continência completa, incluindo aqueles que se tinham casado antes da Ordenação, pois muitos haviam sido eleitos entre os monges. Entretanto se foi lentamente julgando impossível deter o uso, cada vez mais estendido, do matrimônio contraído antes da Ordenação por parte de sacerdotes, diáconos e subdiáconos, e, ainda muito menos recuperável, a obrigação da continência completa. Isso significa que, de fato, se cedeu ante a situação. Não se deve surpreender de que as primeiras leis que sancionaram esta situação foram leis imperiais, posto que, não inspiradas certamente em considerações teológicas, tratavam de regular as condições civis concomitantes com o ministério sagrado. De fato, enquanto o Código Teodosiano (ano 434) mostrou que a continência pode ser guardada, ainda que se permita à mulher habitar com o marido também depois da Ordenação, pois o amor à castidade não exige expulsá-la de casa (sempre que o comportamento dela antes da Ordenação do marido tenha demonstrado que ela é digna dele), a legislação do Imperador Justiniano I em matéria eclesiástica, por sua parte, tanto no Código (ano 534) como nas “Novellae” (535-536), manifesta uma atitude diversa. Ainda se mantém a proibição de admitir na Ordem sagrada ao que se tivesse casado mais de uma vez, assim como a de casar-se depois da Ordenação, e isto para todos os graus, desde o sub-diaconado em diante. Mas agora se permite a coabitação com a esposa aos sacerdotes, diáconos e subdiáconos com o fim de que possam continuar usando do matrimônio, sempre que houvesse sido contraído uma só vez e com uma virgem. A Legislação do II Concílio Trullano. Qual foi, então, a legislação da própria Igreja Oriental frente às essas disposições imperiais? Como já foi referido, no Oriente há uma atividade que é desenvolvida em conjunto com a Igreja Ocidental sobre questões de fé, mas nunca chegou a uma legislação comum em matéria disciplinar. Uma vez que o Concílio Trullano I, dos anos 680/81, não tinha emitido disposições disciplinares, o imperador Justiniano II convocou um segundo Concílio “em Trullo”, no Outono de 690. Nele se tentou reunir toda a legislação disciplinar da Igreja bizantina, e decidir as necessárias atualizações e complementos, incluindo a legalização de situações carentes, de fato, do necessário suporte normativo. Isso foi feito através da promulgação de 102 cânones, que foram acrescentados mais tarde ao antigo Syntagma adauctum, transformando-se dessa forma no último Código da Igreja Bizantina. Toda a disciplina atualizada no que respeita ao celibato foi fixado de forma vinculativa e com sanções adjuntas em sete cânones (3, 6, 12, 13, 26, 30, 48). Este Concilio II “em Trullo”, também chamado Quinisexto, foi um Concílio da Igreja Bizantina, convocado e frequentado somente por seus bispos e mantido pela sua autoridade, que se apoiava de modo decisivo na autoridade do imperador. A Igreja Ocidental não enviou delegados (embora Apocrisário, o legado de Roma em Constantinopla, assistiu a esse Concílio) e nunca reconheceu este Concílio como ecumênico, apesar das repetidas tentativas e pressões, especialmente por parte do imperador. O Papa Sérgio (687-701), que procedia da Síria, negou o reconhecimento. João VIII (872-882) só reconheceu as disposições que não eram contrários à prática de Roma em vigor até aquele momento. Qualquer outra referência por parte dos Romanos Pontífices aos cânones “trullanos” não deve ser considerada como outra coisa além de uma consideração, com um reconhecimento mais ou menos explícito do direito particular da Igreja Oriental. Então, de que fontes derivam as decisões “trullanas” sobre disciplina celibatária bizantina, vinculantes até hoje? Para responder adequadamente a esta pergunta, é necessário considerar antes tais disposições. Cân. 3: Decide que todos os que depois do batismo tenham contraído um segundo matrimônio ou tenha vivido em concubinato, bem como aqueles que se tinham casado com uma viúva, uma divorciada, uma prostituta, uma escrava ou uma atriz, não poderiam tornar-se nem bispos, nem sacerdotes, nem diáconos. Cân.  6: Declara que aos sacerdotes e diáconos não estão autorizados a se casar após a Ordenação. Cân. 12: Ordena que os bispos não podem, após a Ordenação, coabitar com sua esposa e, por conseguinte, não podem mais usar do matrimônio; Cân. 13: Estabelece que, ao contrário da prática romana que proíbe o uso do matrimônio, os sacerdotes, diáconos e subdiáconos da Igreja oriental, em virtude de antigas prescrições apostólicas, podem conviver com suas esposas e usar dos direitos do casamento para a perfeição e ordem correta, exceto nos tempos em que prestam o serviço no altar e celebram os sagrados mistérios, devendo ser continentes durante este tempo. Esta doutrina havia sido afirmada pelos Padres reunidos em Cartago: “os sacerdotes, diáconos e subdiáconos devem ser continentes durante o tempo do seu serviço ao altar, tendo em vista o que foi transmitido pelos Apóstolos e observado desde os tempos antigos também nós o custodiemos, dedicando um tempo para cada coisa, especialmente à oração e ao jejum. Assim, pois, os que servem no altar devem ser em tudo continentes durante o tempo do seu serviço sagrado para que possam obter o que se pedem a Deus com toda simplicidade.” Portanto quem ouse privar mais além do que estabelece os cânones apostólicos, aos ministros in sacris, quer dizer, aos sacerdotes, diáconos e subdiáconos, da união e comunhão com as legítimas esposas, deve ser deposto, bem como aquele que, sob o pretexto de piedade, expulsa à sua esposa e insiste na separação. Cân. 26: Decreta que um sacerdote que por ignorância houvesse contraído casamento ilícito tem de se conformar com a sua situação anterior, mas abstendo-se de todo ministério sacerdotal. Esse matrimônio deve ser dissolvido e toda a comunhão com a esposa está proibida. Cân. 30: Permite que os que, com consentimento mútuo, querem viver continentes, não devem habitar juntos; isso é válido também para os sacerdotes que residem em países bárbaros (isso é entendido como os que vivem no território da Igreja Ocidental). Esse compromisso assumido é, no entanto, uma dispensa dada a esses sacerdotes por sua pusilanimidade e pelos costumes das pessoas ao redor. Cân.: 48: Manda que a mulher do bispo que, após consentimento mútuo, se separou, deve ingressar num mosteiro depois da Ordenação do marido e deve ser mantida por ele. Pode também ser promovida à diaconisa. Dessas disposições conciliares resulta o seguinte: o Oriente conhece bem a disciplina celibatária do Ocidente. Apela, como no Ocidente, como apoio à prática diferente, a uma tradição que remontaria até os Apóstolos. De fato, a Igreja Bizantina concorda na legislação trullana com a Igreja Latina nos seguintes pontos, que como no Ocidente, se fundamenta nos textos sagrados do Novo Testamento: o casamento antes da sagrada Ordenação deve ter ser apenas um, e não com uma viúva ou com outras mulheres que a lei exclui. Não é legítimo um primeiro ou sucessivo casamento após a Ordenação. Os bispos não podem mais ter convivência matrimonial com a esposa, mas devem viver em plena continência, e por isso as mulheres não podem viver com eles, mas devem ser mantidas pela Igreja. O Oriente exige ainda o ingresso das esposas num mosteiro ou a ordenação dessas como diaconisas. A diferença substancial da prática da Igreja Oriental se refere só aos graus da Ordem sagrado inferiores ao episcopado. Para estes, a abstenção do uso do matrimônio se exige somente durante o tempo do serviço efetivo no altar, que então estava limitado ao domingo ou a outro dia da semana. Encontramos aqui, portanto, uma volta à pratica vigente no Antigo Testamento que a Igreja havia rejeitado sempre explicitamente com razões claras. Pelo contrário, a convivência e o uso do matrimônio durante o tempo livre do serviço direto não somente é defendido aqui com grande resolução, mas que qualquer atitude contrária é castigada com gravíssimas sanções. A compreensível exceção para os sacerdotes que residem na Igreja latina é declarada como uma dispensa que se concede só por causa da evidente debilidade humana de tais sacerdotes e pelas dificuldades que provém do ambiente, entre as quais está certamente o fato da geral prática de continência do clero ocidental. Motivos da nova disciplina adotada: a mudança dos textos Os Padres do Concílio II Trullano não podiam encontrar nos seus documentos motivos para a distinção entre as duas posições. Provavelmente não queriam fazer referência ao Antigo Testamento porque, como já vimos, nos argumentos ocidentais e, sobretudo nas disposições dos Romanos Pontífices a favor da completa continência, se rejeitava explicitamente e com razões convincentes este paralelismo como inadequado em relação ao sacerdócio do Novo Testamento. Mas tinham menos motivos ainda para apelar à legislação imperial que havia antecipado às decisões eclesiásticas ante uma situação possivelmente já generalizada. Posto que em Constantinopla tivesse consciência da falsidade do relato de Pafnucio, não restava mais possibilidade para recorrer a testemunhos da antiguidade cristã, que não procedesse da Igreja de Constantinopla, mas de uma Igreja vizinha à deles, cujos cânones disciplinares tinham sido já incluídos no próprio Código geral. Assim havia sucedido com os cânones do Código africano que tratavam expressamente da continência clerical e também faziam referência aos Apóstolos e à tradição antiga da Igreja. Uma vez que tais cânones afirmavam a mesma disciplina, isto é, da completa continência, para bispos, sacerdotes e diáconos, devia ser modificado o texto autêntico dos cânones africanos. Não era algo perigoso, pois no Oriente realmente muito poucos podiam verificar o latim genuíno do texto original. Deste modo as palavra do cânon 3 de Cartago: “gradus isti tres (…) episcopos, presbyteros et diaconos (…) continentes in omnibus”, foram substituídos no cânon 13 do Concílio Trullano por estas outras: “sub­diaconi (…) diaconi et presbyteri secundum easdem rationes a consorti­bus se abstineant”, sendo que as palavras “easdem rationes”, opostas às palavras do texto original de Cartago, representavam as mudanças introduzidas pelos Padres trullanos. Mas em todos estes textos, documentalmente manipulados, se conserva, ou melhor, se busca a referência aos Apóstolos e à Igreja antiga para dar ao celibato bizantino e oriental, através destes testemunhos autorizados, o mesmo fundamento que tinha a tradição ocidental, explicitamente indicado por ela em Cartago e noutros lugares. Que podemos dizer diante deste procedimento trullano? Os Padres orientais se sentiam, não há dúvidas, autorizados para decretar disposições particulares para a Igreja Bizantina, posto que desde muito tempo antes haviam insistido em sua autonomia jurídica no âmbito da administração e da disciplina. Somente se sentiam obrigados pelas decisões doutrinais da Igreja universal estabelecidas em Concílios Ecumênicos nos quais também eles tinham participado. Pode-se, desde já, reconhecer naqueles Padres – que estabeleciam as normas de validade geral na sua Igreja – o direito de levar em conta só a situação de fato na questão do celibato dos ministros sagrados, para a que viam possibilidade de reforma frutuosa. Que isso fosse possível em um campo no que, como o caso do celibato, está implicada a Igreja Universal é outra questão. Mas o que sem dúvida podemos negar é o direito a fazê-lo com este método, ou seja, mediante uma manipulação dos textos que transforma a verdade na sua contrária. Para a Igreja Católica Ocidental, esta atitude dos Padres trullanos pode ser considerada com uma prova a mais, e não sem importância, a favor da própria tradição celibatária, que se considera apostólica e se fundamenta realmente sobre uma consciência comum à Igreja Universal antiga; por isso a tradição celibatária ocidental deve ser considerada verdadeira e justa. Devemos ainda nos perguntar o que diz a história sobre essa mudança dirigida a obter uma base de apoio para as novas e até agora definitivas obrigações do celibato na Igreja Oriental. Os comentários dos canonistas da Igreja Bizantina a essa leitura dos cânones africanos permitem compreender que conheciam o texto original autêntico, e que desde o século XVI em adiante – como, por exemplo, o comentário de Mateo Blastares – recolhiam dúvidas sobre a exatidão das referências dos Padres do Concílio Trullano II aos textos africanos. Os intérpretes modernos das disposições trullanas sobre o celibato admitem a inexatidão das referências, mas ao mesmo tempo afirmam que o Concílio tinha autoridade para mudar qualquer lei disciplinar para a Igreja Bizantina, e para adaptá-la às condições dos tempos. Fazendo uso desta autoridade podiam também mudar o sentido original dos textos para fazê-los concordar com o parecer e a vontade do próprio Concílio. Mas com toda certeza não era objetivamente lícito alterar o original atribuindo a esse uma autenticidade falsa. A historiografia do Ocidente reconheceu há muito tempo e se manifestou também por escrito desde o século XVI a manipulação feita pelo Concílio Trullano II sobre os textos africanos referidos à continência dos ministros sagrados. Cito, por exemplo, a Barônio e, sobretudo, aos editores das diversas coleções de textos conciliares, entre os quais se destaca J. D. Mansi. Falta-nos ainda fazer uma referência às marcas da genuína disciplina celibatária antiga que permaneceu até nossos dias na nova disciplina trullana, quer dizer, à constante preocupação da Igreja pelo perigo grave e contínuo para os ministros sagrados e sua continência, que é a coabitação com mulheres que estejam acima de qualquer suspeita. Seguindo ao já referido cânone 3 do Concílio de Nicéia, de 325, os mesmos cânones trullanos, examinados anteriormente, tratam dele repetidamente. Semelhante preocupação se deve somente pela solicitude geral para salvaguardar a castidade e a continência dos ministros sagrados em ambas as Igrejas. O fato de haver conservado para os bispos da Igreja Oriental a mesma severa disciplina sobre a continência que se praticou sempre em toda a Igreja, pode ser considerada como um resíduo na legislação trullana de uma tradição que sempre considerou unidos a todos os graus da Ordem Sagrada numa mesma obrigação de completa continência. Também não se compreende porque se conservou, com todo rigor, na Igreja Oriental a condição de admitir um único matrimônio entre os candidatos ao sacerdócio casados. Como já vimos (e veremos mais detalhadamente) essa condição tem só um significado razoável em função de um empenho definitivo na continência completa. É ainda pouco compreensível a proibição absoluta de se contrair matrimônio depois da sagrada Ordenação, que se mantém ainda quando aos ministros sagrados, desde o sacerdote até abaixo, lhes está permitido o uso do matrimônio. Ao que se refere às inovações oficialmente introduzidas pelo Concílio Trullano na questão da continência dos clérigos, que reconduzem o conceito neo-testamentário do ministro sagrado ao conceito levítico do Antigo Testamento, devemos nos perguntar como se podia continuar fazendo isso quando o serviço efetivo do altar se estendeu, também na Igreja Oriental, a todos os dias da semana. Se fossem consideradas as razões adotadas para o uso do matrimônio por parte dos sacerdotes vetero-testamentário, deveria ter voltado à completa continência dos sacerdotes, diáconos e subdiáconos tal como se praticava no Ocidente, em atenção às disposições do mesmo Concílio Trullano. Mas isso não se fez em nenhuma parte e desse modo o serviço do altar e o ministério do Santo Sacrifício foram desligados da continência, apesar de que sempre haviam estado unidos a ela, pois eram considerados seu motivo último. Nas Igrejas particulares unidas à Bizantina, que aceitaram a disciplina trullana, não se verificou nos séculos seguintes nenhuma mudança na práxis do celibato dos ministros sagrados. Às comunidades orientais que se uniram a Roma foi concedido po­der de continuar na sua tradição celibatária diferente. Mas o retorno dos “uniatas” à práxis latina de continência completa não só não encontrou oposição, mas também foi positiva e favoravelmen­te aceita. O reconhecimento da diversidade de disciplina conce­dido pelas autoridades centrais de Roma pode ser considerado como um nobre respeito, mas dificilmente como aprovação oficial da mudança da antiga disciplina da continência. Essa opinião pa­rece estar sustentada pela reação oficial que teve a Santa Sé frente ao Concílio Trullano II, como já assinalamos anteriormente. V. FUNDAMENTOS TEOLÓGICOS DA DISCIPLINA DO CELIBATO: No atual debate sobre celibato, se dá maior ênfase na necessidade de aprofundar teologicamente no sacerdócio a fim de deduzir a verdade e apreciar a verdade única e completa da teologia do celibato da Igreja Católica Latina. Temos, portanto, por esse motivo, a tarefa atual e importante de analisar os elementos teológicos tanto do sacerdócio do Novo Testamento como, a partir deste, o celibato dos ministros sagrados. Ambos têm suas raízes nas Escrituras – a principal fonte da Teologia católica – e na Tradição da Igreja que revela e interpreta o testemunho escriturístico. O sacerdócio de Jesus Cristo é um profundo mistério da nossa fé. Para compreender isso, o homem deve se abrir para uma visão sobrenatural e submeter a sua razão a um modo transcendente de pensar. Em tempos de fé viva, que incentiva e orienta não só a cada fiel como pessoa única, mas também permeia a vida e dá forma à vida de toda a comunidade crente, Cristo Sacerdote constitui na consciência de todos o centro da vida de fé pessoal e comunitária. Em tempos de declínio do sentido da fé, pelo contrário, a figura de Cristo Sacerdote desbota e desaparece cada vez mais da consciência dos homens e da sociedade, e não está mais no centro da vida cristã. Esta mesma imagem é também aplicável no caso de um sacerdote de Cristo. Em tempos de fé viva, na verdade não é difícil ao sacerdote reconhecer-se em Cristo, identificar-se com Ele, contemplar e viver a essência do próprio sacerdócio em íntima união com Cristo Sacerdote, ver nele “a única fonte” e o “modelo insubstituível” da própria condição sacerdotal. Mas, em meio a uma atmosfera racionalista que desvia cada vez mais a mente humana do sobrenatural, em uma época de materialismo que obscurece cada vez mais a realidade espiritual, torna-se cada vez mais difícil para o sacerdote resistir à pressão da mentalidade secularizante. A identidade espiritual e transcendente de seu sacerdócio tende a desvanecer se ele não se esforça, conscientemente, em aprofundar nela e em mantê-la viva, por meio de uma íntima união pessoal com Cristo. Essa crítica situação torna ainda mais indispensável a ajuda para os sacerdotes de uma ascética e de uma mística adequadas ao estado das coisas. É preciso que lhes revelem a tempo os perigos que ameaçam ao seu sacerdócio, mostrando-lhes as necessidades e que se ponham à disposição os meios que a sua vida sacerdotal requerem. A atual crise de identidade do sacerdócio católico se manifesta toda sua crueza através da renúncia de milhares de sacerdotes ao seu ministério, através também da profunda secularização de muitos outros que continuam em um serviço puramente formal, e, enfim, através da escassez de vocações causadas pela rejeição a seguir ao chamado de Cristo. Numa situação desse tipo é uma necessidade fundamental para desenvolver uma pastoral sacerdotal nova, que seja consciente das circunstâncias e das exigências atuais e que responda, em uma palavra, ao “contexto presente”. A relação sacerdotal com Cristo Temos de fazer brilhar com nova luz sobre o fundamento da tradição, a essência do sacerdócio católico. O Concílio de Trento, em um momento de crise semelhante ao nosso, estabeleceu com os seus ensinamentos e definições sobre os sacramentos da Eucaristia e da Ordem, as bases de uma espiritualidade sacerdotal fortemente referida a Cristo. Um teólogo como M. J. Scheeben soube explicar, frente ao racionalismo do século passado, que a Ordenação eleva a quem a recebe a uma orgânica unidade sobrenatural com Cristo, e que o caráter indelével impresso pelo sacramento da Ordem habilita ao ordenado para participar nas funções sacerdotais de Cristo. Nos últimos tempos, especialmente desde o Vaticano II em diante, esta relação do sacerdote com Cristo tem sido cada vez mais posta no centro da essência do sacerdócio, e se pôde aprofundar e alargar desde essa perspectiva os ensinamentos bíblicos e as doutrinas teológicas e canônicas sobre o assunto. Tem, assim, adquirido uma nova iluminação teológica a doutrina tradicional do sacerdos alter Christus. Se São Paulo escreve aos coríntios: “Temos de ser considerados pelos homens como ministros de Cristo e dispensadores dos mistérios de Deus” (1 Cor 4, 1); ou então: “Agimos como embaixadores de Cristo, como se Deus mesmo vos exortasse através de nós. Suplicamos-vos, pois, em nome de Cristo, deixai-vos reconciliar com Deus” (2 Cor 5, 20), essas expressões podem ser consideradas como autênticas ilustrações bíblicas da identificação do sacerdote com Cristo. No Concílio Vaticano II é continuamente expressa a mesma idéia: “Os bispos, de modo eminente e visível, façam às vezes de Cristo Mestre, Pastor e Pontífice, e atuem em sua pessoa” (Lumen Gentium n º 21, com a nota 22, onde se documenta sobre a Igreja antiga). “Os sacerdotes a eles unidos são partícipes do ofício de Cristo, único Mediador, e exercitam o seu sagrado ministério agindo in persona Christi (Lumen Gentium n. 28 com a nota 67; Christus Dominus n. 28). Através do sacramento da Ordem e do caráter por ele impresso, são configurados a Cristo e atuam em seu nome (Presbyterorum Ordinis nn. 2, 6, 12; Optatam totius n. 8; Sacrosanctum Concilium, n. º 7). Após o Concílio aumentou essas formas de expressão também por parte da Cúria Romana. A Congregação para a Educação Católica, nas normas fundamentais para a formação dos sacerdotes de 1970, acentuou em uma afirmação de princípio que o sacerdote se faz, através da Ordem Sagrada, um “alter Christus”. E o novo Código de Direito Canônico de 1983 diz no cânon 1008: “Com o sacramento da Ordem e com o caráter indelével com o que ficam marcados aqueles que o recebem, os ministros da Igreja são consagrados e destinados a reunir-se, cada um no seu próprio nível, os cargos de ensinar, santificar e governar in persona Christi e de pastorear o povo de Deus.” De uma forma ainda mais intensa, tem se ocupado do sacerdócio e do ministério dos sacerdotes, desde o início do seu pontificado, o atual pontífice, João Paulo II. Desde 1979, nas Quintas-Feiras Santas de cada ano, dirige uma mensagem aos sacerdotes. Em repetidas vezes utiliza ocasiões especialmente adequadas – audiências, discursos e, especialmente, as freqüentes ordenações sacerdotais – para posicionar na sua justa luz teológica e pastoral atual, a natureza e a essência do sacerdócio católico, bem como a aprofundar o seu significado. O mais importante ato oficial do Papa, com referência ao sacerdócio foi, sem dúvida, a convocação e a realização do Oitavo Sínodo dos Bispos, que teve por objetivo a formação dos sacerdotes nas circunstâncias atuais. Um dos pontos centrais das discussões dos Padres sinodais foi a noção justa da identidade sacerdotal, vistas as coisas no mundo de hoje e em meio a grave crise em que se encontra o sacerdócio católico. Síntese e coroação dos trabalhos sinodais foi a Exortação Apostólica pós-sinodal Pastores dabo vobis, publicada em 25 de março de 1992, dedicada precisamente à formação dos sacerdotes nas circunstâncias atuais. No segundo capítulo da Exortação Apostólica, o Papa aborda a “natureza e a missão do sacerdócio ministerial” e informa expressamente que as intervenções dos Padres na aula sinodal “mostrou a consciência do vínculo ontológico específico que liga o sacerdote a Cristo, Sumo Sacerdote e Bom Pastor” (n. 11). O Papa conclui essa exposição com uma afirmação verdadeiramente clássica: “O presbítero encontra a plena verdade da sua identidade no ser uma derivação, uma participação específica e uma continuação do mesmo Cristo, Sumo e Eterno Sacerdote da Eterna Aliança; Ele é uma imagem viva e transparente de Cristo sacerdote. O sacerdócio de Cristo, expressão da sua absoluta “novidade” na história da salvação, é a única fonte e o paradigma insubstituível do sacerdócio do cristão, e, especialmente, do presbítero. A referência a Cristo, então, é a chave essencial para a compreensão das realidades sacerdotais” (n.º 12, ao final). Sobre a base desta afinidade natural entre Cristo e os seus sacerdotes não será difícil anunciar a teologia do sacerdócio ministerial. O mesmo João Paulo II oferece-nos novamente a chave: “É particularmente importante que o sacerdote compreenda a motivação teológica da lei eclesiástica sobre o celibato. Enquanto lei, ela expressa a vontade da Igreja, antes mesmo da vontade que o sujeito manifesta com a sua disponibilidade. Mas essa vontade da Igreja encontra sua motivação última na relação que o celibato tem com a ordenação sagrada, que configura ao sacerdote com Jesus Cristo, Cabeça e Esposo da Igreja. A Igreja, como esposa de Jesus Cristo, quer ser amada pelo sacerdote de modo total e exclusivo como Jesus Cristo Cabeça e esposo a tem amado. Assim o celibato sacerdotal é um dom de si em e com Cristo à sua Igreja, e manifesta o serviço do sacerdote à Igreja em e com o Senhor “(n.º 29 até o final). Fundamento histórico doutrinal Um olhar para trás na Tradição da Igreja pode nos informar, também nesta ocasião, o desenvolvimento dessa Teologia. O que se pode dizer, em síntese, sobre esse aspecto, já dissemos em parte, ao analisar os testemunhos da Igreja Primitiva sobre a continência dos ministros sagrados. Continuar com as referências históricas sobre o celibato, as referências à Sagrada Escritura e sua interpretação é certamente uma ajuda que pode ser fornecida à argumentação teológica dos Padres sinodais e do Santo Padre, porque na Exortação Apostólica abunda as referências à Sagrada Escritura. A visão do celibato, do ponto de vista das Escrituras adquiriu, por outro lado, uma crescente importância na literatura recente sobre o assunto. Já na primeira lei escrita que conhecemos, no cânon 33 do Concílio de Elvira, estão obrigados à continência os clérigos positi in ministerio, ou seja, aqueles que servem ao altar. Também os cânones africanos falam continuamente dos que servem ao altar e, por ser responsável pelo seu serviço, tocam os sacramentos; estes estão obrigados, por causa da consagração recebida, à castidade, o que, por sua vez, garante a eficácia da oração de petição (impetratória) diante de Deus. A este respeito, são particularmente importantes e instrutivos os documentos do Romano Pontífice que tratam da continência celibatária. São constantemente consideradas e refutadas nos textos deles, a partir da Sagrada Escritura, duas objeções. A primeira é a norma que indica São Paulo a Timóteo (1 Tim 3, 2 e 3, 12) e a Tito (1, 6): os candidatos casados devem ser só unius uxoris, ou seja, ter sido casado apenas uma vez e também com uma mulher virgem. Tanto o Papa Sirício como Inocêncio I insistiram repetidamente em que esta expressão não significa que eles possam continuar com o desejo de gerar filhos, mas, pelo contrário, foi estabelecida propter continentiam futuram, ou seja, devido à continência que deveria ser vivida desde então. Esta interpretação feita pelos Pontífices da conhecida passagem da Escritura, que foi assumida pelos Concílios, diz que quem tivesse a necessidade de se casar novamente, demonstrava com isso que não era capaz de viver a continência exigida aos ministros sagrados e não podia, portanto, ser ordenado. Assim, essa norma da Escritura, em vez de uma prova contrária ao celibato, era uma demonstração a favor da continência celibatária e ainda uma exigência dos Apóstolos. Essa disposição se manteve viva no futuro. Na Glossa ordinária ao decreto de Graciano, isto é, no comentário comumente aceito dessa passagem (princípio da Dist. 26), explica que existem quatro razões para que um que foi casado duas vezes não poderia ser ordenado. Depois de assinalar três razões espirituais, a quarta, de caráter prático, diz que seria um sinal de incontinência que um homem passasse de uma mulher para outra. E o grande cheio de autoridade decretalista Hostiensis, o Cardeal decano Henrique de Susa, explica no seu comentário às decretais de Gregório IX (X, I, 21, 3 à palavra alienum), que a terceira razão das quatro dessa proibição foi “porque se deve temer (neste caso) a incontinência”. Essa interpretação do unius uxoris vir também era aceita no Oriente. Isto é provado pelo grande historiador da Igreja antiga, Eusébio de Cesaréia, que deve ser considerado bem informado, já que, como já afirmamos, participou no Concílio de Nicéia e, como amigo dos arianos, tinha defendido o uso do matrimônio por parte dos padres já casados. No entanto diz expressamente que, comparando o sacerdote do Antigo Testamento com o do Novo, se confronta a geração corporal com a espiritual, e que nisso consiste o sentido do unius uxoris vir: em que aqueles que foram consagrados e dedicados ao culto divino devem abster-se convenientemente, do momento da Ordenação em adiante, das relações sexuais com a esposa. A proibição apostólica de que nenhum casado duas vezes devia ser admitido às Sagradas Ordens tem sido observada, com todo rigor, através dos séculos e se encontrava entre as irregularidades no Código de 1917 (cân. 984, 4). Na canonística clássica se ensinava que a dispensa desta proibição não era possível nem pelo Sumo Pontífice, pois nem sequer ele poderia dispensar contra apostolum, isto é, contra a Sagrada Escritura. Deve-se notar que também a legislação do Concílio de Trullo mantém no seu cânon 3 a mesma proibição para sacerdotes, diáconos e subdiáconos, ou seja, que os candidatos à estas ordens não podiam estar casados com uma viúva ou com uma mulher que havia sido casada. Só se queria – diziam os padres trullanos – atenuar a gravidade da Igreja Romana nesse ponto, concedendo àqueles que tinham pecado contra dita proibição a possibilidade de arrependimento e penitência.  Se antes de uma data posterior ao Sínodo tivessem renunciado a esse (segundo) casamento, poderiam permanecer no exercício do ministério. A falta de lógica nesta disposição do cânon 3, em comparação com o cânon 13 que permite aos sacerdotes e diáconos o uso do matrimônio contraído antes da Ordenação, só pode ser explicado pelo fato de que aquela proibição apostólica estava também profundamente enraizada na tradição oriental, mas sem que se perceba já o seu sentido original. Daí surge outra prova tácita do autêntico significado original, como garantia da total continência após a Ordenação, tal como permaneceu vivo no Ocidente, sempre aceito com fiel observância por parte de Roma. Deve-se mencionar neste contexto de duas outras passagens das Escrituras que não se encontram explicitamente nos testemunhos antigos, a segunda das quais vem hoje invocada contra a continência dos mesmos Apóstolos. Entre as qualidades que São Paulo exigia ao ministro da Igreja se encontra também a de ser “Encratés”, ou seja, continente. Este termo significa a continência sexual, como se deduz do texto paralelo no qual São Paulo exorta os fiéis casados continência, a necessária abstinência para dedicar-se à oração, e também dos posteriores textos gregos sobre o celibato, reunidos, por exemplo, na coleção oficial do Pedalion. A segunda passagem da Escritura é encontrada em 1 Coríntios 9, 5, onde São Paulo diz que também ele tem o direito de levar consigo uma mulher, como fazem os outros apóstolos, os irmãos do Senhor e Cefas. Muitos interpretaram a expressão “mulher” como a “esposa” dos Apóstolos, que no caso de Pedro poderia ser verdade. Mas é preciso se ter claramente presente o fato do texto original grego não falar simplesmente de “Ginaika”, que podia perfeitamente significar também esposa. Certamente não sem intenção, São Paulo acrescenta a palavra “adelfén”, ou seja, mulher “irmã”, o que exclui qualquer confuso mal-entendido com esposa. Somos convencidos facilmente deste sentido retificador que, de aqui em adiante, os testemunhos mais importantes da continência dos ministros sagrados mostram que ao falar da esposa de tais ministros, no contexto da posterior continência sexual, sempre se usa a palavra “sóror”, irmã. Do mesmo modo, a relação entre marido e mulher depois da Ordenação do marido é visto como o de um irmão com sua irmã. São Gregório Magno, por exemplo, diz: “Desde sua Ordenação, o sacerdote amará sua sacerdotisa (ou seja, sua esposa) como a uma irmã”. O Concílio de Gerona (ano 517) decidiu que “se tiverem sido ordenados aqueles que antes estiveram casados, não devem viver junto com a que de esposa se tornou irmã”. E o Concílio de Auvergne (ano 535), por sua vez, dispôs que “quando um sacerdote ou um diácono recebeu a Ordenação ao serviço divino, passa imediatamente de ser marido a ser irmão da sua esposa”. Este uso das palavras é encontrado em muitos textos patrísticos e conciliares. O ensinamento do Antigo Testamento É necessário agora que tratemos outro ponto que é muitas vezes invocado como um argumento contra a continência dos ministros nos primeiros séculos. Costuma-se apelar, como muitas vezes já afirmamos, ao Antigo Testamento, que, como sabemos, era legítimo e até mesmo necessário o uso pleno do matrimônio por parte dos sacerdotes e levitas, nos dias em que viviam em suas casas, livres do serviço do Templo. A essa objeção se pode responder de duas maneiras. Antes de tudo deve-se assinalar que o sacerdócio vetero-testamentário havia sido confiado a uma única tribo que devia ser conservada, e isso fazia necessário o matrimônio. O sacerdócio do Novo Testamento não foi definido, no entanto, como o sacerdócio de sucessão pelo sangue e não se baseia na descendência familiar. Um segundo e mais importante argumento a favor da distinção entre um sacerdócio e outro diz: os sacerdotes do Antigo Testamento prestavam um serviço temporal limitado no templo, enquanto que os sacerdotes do Novo Testamento mantêm um serviço permanente, por isso a obrigação temporal de continência e de pureza se estendeu a uma observância ilimitada e contínua. Como explicação convincente se recorre à passagem de São Paulo em I Cor 7, 5, na qual o Apóstolo aconselha aos esposos que não se recusem um ao outro, a não ser de comum acordo, por um tempo determinado e para dedicar-se à oração. Os sacerdotes do Novo Testamento, no entanto, devem rezar continuamente e dedicar-se a um serviço diário ininterrupto, no qual, através de suas mãos, é dada a graça do perdão e é oferecido o Corpo de Cristo. A Sagrada Escritura lhes exorta a ser em tudo puros para este serviço e os Padres mandavam conservar a abstinência corporal. Os mesmos documentos também oferecem outros motivos de caráter pastoral: como poderia um padre pregar sobre a continência e sobre a pureza a uma viúva ou a uma virgem, se ele mesmo desse maior valor o trazer filhos ao mundo que a Deus? Assim, a objeção contrária torna-se argumento a favor da continência ministerial. A partir dessas considerações se deduz uma imagem do sacerdote do Novo Testamento modelado sobre a vontade de Cristo, e distinta substancialmente daquela imagem do Antigo Testamento. Esta última foi configurada apenas como uma função, limitada no tempo e puramente externa. Aquela, ao contrário, implica por natureza a toda a pessoa do sacerdote, no externo e no interno, e, portanto, o seu serviço. Cristo exige ao seu sacerdote alma, coração, corpo, pureza e continência em todo seu ministério como um testemunho de que já não vive segundo a carne, mas pelo Espírito (Rm 8, 8). O sacerdócio funcional do Antigo Testamento nunca pode ser um modelo do sacerdócio ontológico do Novo, configurado com o de Cristo. Este supera o antigo sacerdócio essencialmente. Assim, aqueles que receberam a mensagem da salvação de Cristo compreenderam, já desde o início, a exigência de Mestre aos seus Apóstolos de chegar a renunciar inclusive o casamento pelo Reino dos Céus (Mt 19, 12), e que, como um discípulo em sentido rigoroso e pleno deve estar disposto deixar pai, mãe, esposa, filhos, irmão e irmã (Lc 18, 29; 14, 26). Também se entende assim as palavras de São Paulo sobre a diversa relação com Deus dos celibatários e dos casados (1 Cor 7, 32-33) e o seu significado no que diz respeito ao celibato eclesiástico. Foi tarefa da escola, ou seja, da canonística clássica a partir do décimo segundo século em diante, descobrir, explicar e desenvolver as razões que ligam continência e sacerdócio neotestamentário. Na história do desenvolvimento científico do tema, brevemente descrito na segunda parte deste trabalho, se mencionou as dificuldades existentes então para se chegar à elaboração de uma teoria satisfatória. Embora os antigos Padres tivessem já entendido que a continência pertencia à essência do sacerdócio novo – como, por exemplo, quando Epifânio disse que o carisma do sacerdócio consiste na continência; ou Santo Ambrósio que apontava a obrigação de rezar continuamente como o mandamento da Nova Aliança –, os glossistas, no entanto, foram incapazes de construir uma teologia do celibato, talvez porque eram demasiado pouco teólogos. Em seus trabalhos sobre a disciplina celibatária no Ocidente, estiveram também muito influenciadas pela disciplina oriental, cuja legitimidade tomaram por boa ao aceitar tanto a lenda de Pafnucio como a legislação trullana. No entanto a partir dos documentos da Igreja Católica sobre este assunto, tentaram desenvolver uma teoria na qual se continham os elementos essenciais para uma Teologia válida. Compreenderam, sobretudo, que a continência está em relação estreita com o ordo sacer, e que essa lei tinha sido dada à Igreja propter ordinis reverentiam, pela reverência que é devida à Ordem. Também entenderam que a continência está mais unida ao Sacramento da Ordem recebido que ao homem ordenado, o qual era livre de aceitar a Ordenação, sabendo que aceitava também a obrigação anexa. Desde a síntese realizada por São Raimundo de Peñafort, já mencionado, se deriva com toda certeza que naquele tempo se tinha como verdadeiro motivo da continência clerical não tanto a pureza do ministro – que se adequaria muito bem com a práxis oriental estabelecida no Concílio Trullano – quanto à eficácia da oração mediadora do ministro sagrado, que procedia da sua total dedicação a Deus. De um modo geral eram apresentadas já então as verdadeiras razões da perfeita continência: a possibilidade de rezar com liberdade, assim como a também completa liberdade de desenvolver o próprio ministério e para dedicar-se ao serviço da Igreja. Embora a Teologia dos séculos posteriores até hoje, não desatendeu a reflexão sobre o sacerdócio do Novo Testamento, a crise dos sacerdotes e das vocações ao sacerdócio nestas últimas décadas – difundidas e ampliadas através dos meios de comunicação social – exigiu com urgência um especial aprofundamento na matéria. O fundamento para isso tinha sido posto pelo Concílio Vaticano II, sobre o que se baseou o ensinamento do Papa João Paulo II, que fez do sacerdócio um motivo particular do seu programa doutrinal e pastoral desde o começo do seu pontificado. É significativo nesse sentido, que já na sua primeira mensagem aos sacerdotes, por ocasião da quinta-feira santa, dissesse sobre o celibato que a Igreja ocidental o quis no passado e o quer no futuro enquanto que se “inspira no exemplo mesmo de Nosso Senhor Jesus Cristo, na doutrina apostólica e em toda a Tradição que lhe é própria”. Nos anos seguintes voltou várias vezes a tratar o tema do sacerdócio e do celibato unido a ele e tem posto um grande empenho em frear as fáceis demasiadas dispensas nesta matéria. O ponto mais alto dessas preocupações de sua elevadíssima consciência pastoral constituiu a convocatória, para outubro de 1990, do oitavo Sínodo dos Bispos, que devia abordar a questão da formação sacerdotal no contexto das circunstâncias atuais. Isto foi feito de uma forma exaustiva através das vozes dos representantes do episcopado mundial, e esta questão encontrou a sua mais perfeita expressão na Exortação Apostólica Pós-sinodal Pastores Dabo Vobis, que pode ser considerada uma “Carta Magna” da Teologia do sacerdócio, e que permanecerá como norma autorizada no futuro da Igreja. A Teologia do celibato sacerdotal Não é possível fazer aqui um completo desenvolvimento deste tema, nem este é o objetivo da nossa exposição histórica, mas esta permite dar uma palavra final sobre a Teologia do celibato sacerdotal, a qual está intimamente relacionada com a Teologia do sacerdócio. A principal motivação do celibato e da vontade da Igreja neste ponto é “a relação que o celibato tem com a sagrada Ordenação que configura o sacerdote com Jesus Cristo, Cabeça e Esposo da Igreja” (Pastores dabo Vobis, n. 29). Estas palavras podem ser consideradas o núcleo da Teologia do celibato desenvolvida pela Exortação Apostólica e é oferecida para ser meditada e colocada na base de qualquer desenvolvimento posterior. A partir desta afirmação central do documento papal, tentamos indicar, a partir do início desta quinta parte do nosso trabalho, os elementos da Teologia do celibato que já estavam presentes na Tradição, mas que tinham sido desenvolvidos de maneira insuficientes. Agora somos capazes de ver não só que todos estes elementos foram recolhidos e desenvolvidos sistematicamente na Exortação, mas também foram utilizados nela outros não considerados antes. Deve ser valorizado, acima de tudo, neste sentido, aquilo que é afirmado no capítulo três, especialmente nos números 22 e 23, acerca da “configuração com Jesus Cristo Cabeça e Pastor e a caridade pastoral”. Cristo nos é mostrado aqui no mesmo sentido de Ef 5, 23-32, como Esposo da Igreja, assim como ela é a única Esposa de Cristo. Em ligação com outros textos das Escrituras, nesta passagem da Exortação se contempla a profunda e misteriosa união entre Cristo e a Igreja, que é colocado imediatamente em relação com o sacerdote: “O sacerdote está chamado a ser uma imagem viva de Jesus Cristo, Esposo da Igreja… Está chamado, portanto, a reviver na sua vida espiritual o amor de Cristo Esposo pela Igreja Esposa.” Não lhe falta, por isso, ao sacerdote um amor esponsal, pois tem a Igreja como esposa. “Sua vida deve também estar iluminada e orientada por esta relação esponsal, que lhe pede ser testemunho do amor esponsal de Cristo, ser capaz de amar as pessoas com um coração novo, grande e puro, com autêntico desapego de si, com plena dedicação, contínua e fiel e, ao mesmo tempo, com uma forma especial de zelo (cf. 2 Cor 11, 2), com uma ternura que se reveste também com acentos do amor maternal, capaz de tomar a cargo das ‘dores de parto’ para que ‘Cristo’ seja formado nos fiéis (cf. Gal 4, 19)”. “O princípio interno, a força que anima e orienta a vida espiritual do presbítero, enquanto configurado a Cristo Cabeça e Pastor, é a caridade pastoral, participação da caridade pastoral do mesmo Jesus Cristo”. Seu conteúdo essencial “é o dom de si, o dom total de si à Igreja, à imagem e em união com o dom de Cristo…” “Com a caridade pastoral, que converte o exercício do ministério sacerdotal num amoris officium, o sacerdote que recebe sua vocação ao ministério está em condições de fazer disso uma escolha de amor, pela qual a Igreja e as almas se tornam seu principal interesse”. VI. CONCLUSÃO O sacerdócio da Igreja Católica se manifesta, pois, como um mistério inserido, por sua vez, no mistério da Igreja. Quaisquer das questões que estão relacionadas com ele e sobretudo o problema grave e sempre atual do celibato, não pode ser considerado e resolvido por argumentos puramente antropológicos, psicológicos, sociológicos e, em geral, profanos e terrenos. Este problema, aliás, não pode ser resolvido com puras disposições disciplinares. Todas as manifestações da vida e das atividades do sacerdócio, a sua natureza e identidade, requerem, acima de tudo, uma justificação teológica. Aqui, com o que diz respeito ao celibato, tentamos tratá-lo através da sua história, e em base a uma análise baseada nas fontes da Revelação. Note-se, falando no plano formal, que uma explicação satisfatória desse mistério não pode ser compatível com um tipo de linguagem meramente profano. Exige, pelo contrário, um modo elevado de expressão, digna do mistério. Além disso, considerando a natureza do sacerdócio católico, não é suficiente recorrer à reflexão sobre esse tema por razões, digamos assim, externas, ou seja, o que tornaria mais “funcional” o serviço da Igreja: a salvaguarda ou a renúncia do celibato? O sacerdócio do Novo Testamento não responde a uma noção funcional, como sucedia no caso do Antigo Testamento, mas é uma realidade ontológica, à qual só corresponde uma forma adequada de agir: a derivada do axioma agere sequitur esse, quer dizer, a ação segue ao ser. Ante essa Teologia do sacerdócio neo-testamentário, que tem sido confirmada e aprofundada pelo Magistério oficial da Igreja, devemos nos perguntar: essas razões que têm sido expostas a favor do celibato, falam só de sua “conveniência” ou de algo realmente necessário e irrenunciável? Não existe realmente um iunctum – um vínculo de unidade – entre sacerdócio e celibato? Somente com uma resposta adequada a essa pergunta se poderá responder a esta outra: poderia a Igreja decidir um dia a modificação da obrigação do celibato, ou aboli-la? Para não correr riscos na resposta a essa pergunta, deverá se partir do fato de que o sacerdócio católico não foi estabelecido pelo Fundador da Igreja sobre os homens, que se transformam e mudam, mas sobre o mistério imutável da Igreja e do próprio Cristo. Posted by Presbíteros | mai 31, 2010 | Direito Canônico, História da Igreja | 0  | CARD. Alfons M. Stickler… Alfons M. Stickler Cardeal Diácono de São Giorgio in Velabro CIDADE DO VATICANO Tradução para o Português: Pe. Anderson Alves Contato: amralves_filo@yahoo.com.br

  • A Igreja e a escravidão no Brasil

    Em síntese: O Centenário da Abolição da Escravatura no Brasil ocasionou a publicação de várias obras atinentes ao assunto, portadoras de notícias e documentos poucos divulgados referentes à ação humanizadora da Igreja em favor dos escravos. Três dessas obras são utilizadas nas páginas seguintes, pondo-se em relevo traços da atitude da Igreja frente à escravatura. A ocorrência do Centenário da Abolição no Brasil oferece-nos ocasião de voltar ao assunto, valendo-se de obras recém-editadas sobre o mesmo e portadoras de novos dados, extraídos de Arquivos, que põem em mais claro relevo a ação humanizante da Igreja perante o fato escravagista. De modo especial referimo-nos a três publicações: Cônego José Geraldo Vidigal de Carvalho, A Escravidão. Convergências e Divergências. Ed. Folha de Viçosa 1988. Idem, A Igreja e a Escravidão. As Irmandades de Nossa Senhora do Rosário dos Pretos. Instituto Histórico e Geográfico do Brasil, Rio de Janeiro 1988. Jaime Balmes, A Igreja Católica em face da Escravidão, com Adendo do Côn. José Geraldo Vidigal de Carvalho: A Igreja e a Escravidão no Brasil, São Paulo 1988. Estas três obras apresentam informações e documentos pouco divulgados, que passamos a resumir ou ocasionalmente transcrever nas páginas subseqüentes. 1.   O Tráfico Negro no Brasil e a Igreja 1. As tribos da África Ocidental praticavam a venda de homens negros como escravos. Procuravam assim os vencedores na guerra retirar algum lucro da vitória: trocavam por dinheiro ou mercadorias os adversários prisioneiros; para estes, era preferível ser vendidos como escravos a permanecer sob o domínio de africanos vencedores; estes tratavam ignominiosamente os vencidos. No Brasil, a exploração das minas e demais riquezas naturais sugeriu aos portuguesas a procura de escravos na África – coisa, aliás que já outros povos (como, por exemplo, os árabes da península ibérica) praticavam, para atender aos serviços da agricultura e da indústria. Principalmente após D. Afonso, que reinou até 1453, os reis de Portugal perderam o controle sobre a importação de escravos, de modo que os colonos portugueses, levaram multidões de africanos para a Europa. Conseqüentemente também os trouxeram para o Brasil, fazendo negócios altamente lucrativos tanto para quem vendia como para quem comprava os negros. 2. A Igreja não se calou diante de tais costumes. Entre os documentos que o atestam, além dos que já foram citados em PR, existe uma carta do Papa João VIII, datada de setembro de 873 e dirigida aos Príncipes da Sardenha, que diz: “Há uma coisa a respeito da qual desejamos admoestar-vos em tom paterno; se não vos emendardes, cometereis grande pecado, e, em vez do lucro que esperais, vereis multiplicadas as vossas desgraças. Com efeito; por instituição dos gregos, muitos homens feitos cativos pelos pagãos são vendidos nas vossas terras e comprados por vossos cidadãos, que os mantêm em servidão. Ora consta ser piedoso e santo, como convém a cristãos, que, uma vez comprados, esses escravos sejam postos em liberdade por amor a Cristo; a quem assim proceda, a recompensa será dada não pelos homens, mas pelo mesmo Nosso Senhor Jesus Cristo. Por isto exortamo-vos e com paterno amor vos mandamos que compreis dos pagãos alguns cativos e os deixeis partir para o bem de vossas almas” (Denzinger-Schönmetzer,  Enquirídio dos Símbolos e Definições nº 668). O Papa Pio II, em 7 de outubro de 1462, condenou o comércio de escravos como magnum scelus (grande crime)¹. Em 1571 Tomás de Mercado, teólogo de Sevilha, declarava desumana e ilícita a traficância de escravos, tanto mais que instaurava uma luta fratricida entre os próprios africanos. Em sua Summa de Tratos y Contratos, este autor afirmava não haver justificativa para negócio tão infame. 3. Houve mesmo sacerdotes que se sacrificaram, tanto no Brasil como fora, em favor dos escravos. Sejam citados, entre outros, os Padres Afonso Sandoval S. J. e Pedro Claver. O primeiro foi o pioneiro do trabalho em prol dos negros em Cartagena das Índias, porto de tráfico no Mar das Antilhas; com grande  coragem denunciou os maus tratos de muitos traficantes; através de seus escritos, tentou suscitar uma mentalidade antiescravagista; para melhor trabalhar, procurou conhecer a cultura africana a fim de entender mais perspicazmente aqueles pobres seres humanos que ele defendia. Quanto a Pedro Claver, em 1610 chegou de Sevilha a Cartagena das Índias, onde o Pe. Sandoval lhe ensinou o amor aos negros. Na Colômbia foi ordenado sacerdote e passou a trabalhar com o Pe. Sandoval junto aos negros. No ano seguinte, foi para o Peru; retornou depois a Cartagena e assumiu também as missões entre os escravos das fazendas do interior. Durante toda a sua vida, cuidou de cerca de trezentos mil escravos. Em 1639, quando o Papa Urbano VIII publicou um documento em favor dos escravos, viveu dias felizes. Todavia esse servidor dos escravos morreu paralítico, de doença contraída nas missões da região pantanosa de Tolu e Finu, aos 8 de setembro de 1654 4. As Constituiçoens primeyras do Arcebispado da Bahia (1707) mais de uma vez se voltaram para a sorte dos escravos, procurando fazer que os senhores lhe propiciassem ou facilitassem os bens espirituais. Assim, por exemplo, no tocante ao sacramento do matrimônio, rezavam as Constituições: “Conforme o direito divino e humano, os escravos e escravas podem casar com outras cativas ou livres e seus senhores lhe não podem impedir o matrimônio nem o uso dele em tempo e lugar conveniente, nem por esse respeito os podem tratar pior, nem vender para outros lugares remotos, para onde o outro, por ser cativo ou por Ter outro justo impedimento, o não possa seguir, e, fazendo o contrário, pecam mortalmente e tomam sobre suas consciências culpas de seus escravos, que por este temor se deixam muitas vezes estar e permanecer em estado de condenação” (D. Sebastião Monteiro de Vide, Constituiçoens, título 71). Os sacramentos da Eucaristia e da Penitência eram de fácil acesso aos escravos, principalmente na Quaresma, em vista do cumprimento do preceito pascal. No concernente ao sacramento da Ordem, o impedimento para os escravos não era racial, mas provinha da própria condição de escravos. Regozijavam-se, porém, quando entravam em contatos com sacerdotes negros, que vinham da Costa de Angola ou da ilha de São Tomé, onde havia um cabido de cônegos todos negros. 5. Deve-se notar também o papel benéfico desempenhado pelas Irmandades de Nossa Senhora do Rosário dos Pretos, cujas igrejas eram pontos de encontro de escravos e livres; aí cultuavam a Deus e faziam suas devoções como também exprimiam suas aspirações e deixavam via à tona seus íntimos sentimentos. Dentre os Estatutos dessas Confrarias merecem destaque alguns tópicos como os seguintes: “Toda pessoa, preta ou branca, de um ou outro sexo, forro ou cativo, de qualquer nação que seja, que quiser ser Irmão desta irmandade, irá à mesa ou à casa do Escrivão da Irmandade pedir-lhe faça assento de Irmandade” (cap. I do Compromisso da Irmandade da Paróquia do Pilar de Ouro Preto). O capítulo II do mesmo Compromisso reza: “Haverá nesta Irmandade um Rei e uma Rainha, ambos pretos, de qualquer nação que sejam, os quais serão eleitos todos os anos em mesa a mais votos e serão obrigados assistir com o seu estado as festividades de Nossa Senhora e mais Santos, acompanhando no último dia atrás do pálio”. Vê-se que nestes textos desaparecem as diferenças raciais; além do que, escravos e livres são equiparados entre si. 6. Descendo através dos tempos, temos uma Carta do Papa Pio VII enviada ao Imperador Napoleão Bonaparte da França, em protesto contra os maus tratos infligidos a homens vendidos como animais; ao que acrescentava: “Proibimos a todo eclesiástico ou leigo apoiar como legítimo, sob qualquer pretexto, este comércio de negros ou pregar ou ensinar em público ou em particular, de qualquer forma, algo contrário a esta Carta Apostólica” (citado por L. Conti, A Igreja Católica e o Tráfico Negreiro, em O Tráfico dos Escravos Negros nos séculos XV-XIX. Lisboa 1979, p. 337). O mesmo Sumo Pontífice se dirigiu a D. João VI de Portugal nos seguintes termos: “Dirigimos este ofício paterno à Vossa Majestade, cuja boa vontade nos é planamente conhecida, e de coração a exortamos e solicitamos no Senhor, para que, conforme o conselho de sua prudência, não poupe esforços para que… o vergonhoso comércio de negros seja extirpado para o bem  da religião e do gênero humano”. Pio VII também muito se empenhou para que no Congresso Internacional de Viena (1814-15) a instituição da escravatura fosse condenada e abolida 7. Quanto à travessia do Oceano Atlântico por parte dos escravos trazidos em navios negreiros, verifica-se hoje que descrições de Castro Alves e outros autores são hiperbólicas e poéticas, fugindo à realidade histórica. Os brancos tinham interesse em prover à conservação da vida de seus escravos em condições tão boas quanto possível, visto que os negros deviam ser oferecidos aos colonos do Brasil, que os examinariam de perto antes de os comprar. Julga-se até que os traficantes contratavam médicos que acompanhavam a população dos navios negreiros. 2.    Alforrias e “Mão Posta” 1. A alforria é ato de libertar um escravo. Tal prática foi notável no Brasil colonial não só em favor dos inválidos (como erroneamente já se disse). Havia ocasiões propícias à concessão de alforria por parte dos senhores: festas familiares, confecção de testamento, visitas episcopais… A alforria  podia ser concedida também como recompensa à lealdade no serviço. Além disto, registram-se os vários casos de escravos que compravam a sua liberdade ou a conseguiam através de padrinhos e madrinhas benfeitores. Os libertos ajudavam os ex-companheiros de serviço a conseguirem a sua libertação. As próprias Irmandades emprestavam dinheiro para que o escravo se tornasse forro. Podia outrossim ocorrer a chamada “coartação”: o escravo e o patrão estipulavam o preço do resgate, que o servo ia pagando aos poucos; entrementes, o cativo já gozava de vários direitos do homem livre. Mais: os escravos que denunciassem um contrabando, eram libertados pelo Estado. Aqueles que encontrassem diamantes acima de vinte quilates, eram alforriados. Na Bahia os negros organizaram “fundos de empréstimos” para facilitar a compra da alforria; essas organizações foram-se convertendo em sociedades emancipacionistas. A eficácia de tais instituições pode-se avaliar pelo seguinte depoimento de Herbert S. Klein, doutor pela Universidade de Chicago e autor do livro African Slavery in Latin America and the Caribbean, onde assevera: “Na época do primeiro censo nacional brasileiro, em 1872, havia 4,2 milhões de pessoas de cor livres e 1,5 milhão de escravos. As pessoas de cor livres não apenas ultrapassavam em número os 3,8 milhões de brancos, mas também representavam 43% da população brasileira, de 10 milhões de habitantes. Tudo isto mais de uma década antes da abolição da escravatura” (pp. 241-3). A Igreja incentivou as formas de libertação dos cativos, como bem dizia D. Pedro Maria de Lacerda, bispo do Rio de Janeiro: “provemos que os aplausos tantas vezes dados a quem dava alforria, eram aplausos sinceros, nascidos de um coração ansioso de ver a liberdade refulgir mais e mais entre os homens à sombra da Cruz”  (Carta Pastoral anunciando a Lei nº 2040 de 27/09/1871). 2. A Manu posita (Mão posta) era a prática de angariar recursos para redimir cativos por parte de pessoas caridosas; estas eram chamadas “manuposteiros”. Constituiam associações com o Seu Regimento; os membros dessas entidades tinham cada qual a sua função: ora a de esmolér, que pedia donativos por ocasião das festas ou nas fazendas, nas igrejas, nas ermidas…, ora a de escriturar as receitas (escrivães), ora a de guardá-las e distribui-las na qualidade de tesoureiro… Aliás, existiam na Igreja a Ordem da SS. Trindade, desde 1198, e a dos Mercedários ou Nolascos desde 1222, destinadas a redimir os cativos detidos pelos Sarracenos. A existência dessas ordens era, por si mesma, uma réplica à prática da escravatura: como explicar a arrecadação de elevadas somas para pôr em liberdade cativos, se de outro lado, os próprios portugueses aprisionavam africanos e os reduziam à escravidão? Os Trinitários e os Mercedários suscitaram, por seu trabalho, uma mentalidade anticativeiro, que se exprimiu no Brasil através dos manuposteiros. Assim descreve o historiador Vítor Ribeiro a solenidade do resgate realizada pelas Ordens Religiosas: “Era revestida de pompas estranhas a expedição de resgates. Os redentores, depois de terem recolhido as esmolas em cofre especial, despediam-se de El-Rey e do seu convento, deixavam crescer  longas barbas, embarcavam com o cofre, e iam à Mauritânia expor-se a mil perigos, vexames e emboscadas com a cautela que a experiência lhes ia aconselhando; negociavam os resgates por intermédio do governo de Bey ou das autoridades e, por fim, conseguindo libertar os cativos, reconduziam-nos ao reino, onde faziam e publicavam longas listas de resgates, com os nomes, idades, naturalidades, condições de cativeiro e libertação e custo dos resgates… Depois, em dia aprazado, fazia-se em Lisboa solene procissão em que entravam várias  Ordens e Confrarias, especialmente a da Misericórdia e a Nossa Senhora do Resgate, a qual dava volta à Igreja velha da Misericórdia e regressava ao convento” (cf. História de Portugal, vol. IV , Damião Peres (Dir.) Barcellos, Portucalense Editora 1932, p. 565). O Bispo do Rio de Janeiro, D. Pedro Maria de Lacerda, em 1871 escrevia na sua Carta Pastoral referente à Lei do Ventre Livre: “A Igreja Católica alegra-se imensamente à vista do que acaba de realizar-se entre nós. E como não? Por ventura não é a Igreja Católica que deu ao mundo São João da Mata e que aprovou a Ordem dos seus Religiosos da Santíssima Trindade, cujo fim principal foi resgatar os que gemiam cativos em poder dos Sarracenos? Não foi a Igreja Católica que aprovou a Ordem dos Religiosos das Mercês, instituída por São Pedro Nolasco com o fim de resgatar os cativos que viviam sob o poder dos infiéis, obrigando-os a um heroísmo assombroso de caridade, ligando-os com um solene voto a se deixarem eles mesmos em ferros como penhora e reféns, se tanto fosse preciso para o resgate dos Cristãos? E a Igreja Católica não celebra há tantos séculos a 24 de setembro de cada ano a instituição dessa heróica Ordem Religiosa, criada por inspiração de Maria Santíssima, a quem a Igreja reconhece tanti operis Institutricem? E graças a Deus, no quinto dia dentro do oitavário desta festa é que a nova lei brasileira foi sancionada pela Augusta princesa Imperial Regente”. Os frutos da mentalidade humanitária despertada pelo Cristianismo são atestados por vários relatos de viajantes e cronistas que passaram pelo Brasil. Entre outros, merece atenção Henry Koster. Filho de ingleses, nascido em Portugal, chegou ao Brasil em 1809. No seu livro Travels in Brazil relata viagens ao Nordeste e refere-se à condição dos escravos: “Atesta Koster: “Os escravos no Brasil gozam de maiores vantagens que seus irmãos nas colônias britânicas. Os numerosos dias santos para os quais a Religião Católica exige observância, dão ao escravo muitos dias de repouso ou tempo para trabalhar em seu proveito próprio. Em trinta e cinco desses dias e mais nos domingos é-lhes permitido empregar seu tempo como lhes agradar”. Atribui à opinião pública força suficiente para obstar que os senhores diminuíssem o número destes dias, o que revela uma mentalidade altamente humanitária da sociedade de então. Desce Koster a detalhes sobre as alforrias, porta aberta para a libertação dos cativos… Destaca o papel não relevante das associações religiosas: “Os escravos possuem sua Irmandade como as pessoas livres, e a ambição que empolga geralmente o escravo é ser admitido numa dessas confrarias, e ser um dos oficiais ou diretores do conselho da sociedade”… Focaliza a terna devoção dos cativos a Nossa Senhora do Rosário, “algumas vezes, pintada com a face e as mãos negras”. Ressalta que “os reis do Congo brasileiro invocam a Nossa Senhora do Rosário e são vestidos como vestem os brancos. Conservam, é verdade, a dança do seu país, mas nessas festas são admitidos pretos africanos de outras nações”. É que tribos de diversas regiões africanas, muitas até rivais na África, aqui se irmanavam sob o signo da Mãe comum, a Virgem Maria, que tanto amavam e veneravam. Que os escravos eram respeitados se deduz deste assento: “Os escravos no Brasil são regularmente casados de acordo com as fórmulas da Igreja Católica. Os proclamas são publicados como se fossem para pessoas livres. Tenho visto vários casais felizes (tão felizes quanto podem ser os escravos), com grande número de filhos crescendo ao redor deles”. Nota ainda Koster que era permitido que os escravos se casassem com pessoas livres. Se a mulher era escrava, o filho permanecia cativo; mas se o homem era escravo e a mulher forra, o filho era também livre. “Aos escravos pertencem os sábados de cada semana para providenciar sua própria subsistência, além dos domingos e dias santificados. Os que são diligentes raramente deixam de comprar sua liberdade. Os monges não guardam interferência alguma quanto às roçarias dadas aos escravos, e quando um desses morre ou obtém sua alforria, permitem que leguem seu pedaço de terra a qualquer companheiro de sua escolha. Os escravos alquebrados são carinhosamente providos de alimento e roupa”. (Grifo nosso). Testemunha ainda que muitos agricultores tratavam sua escravaria com carinho. Aliás, alega textualmente: “Embora os negros sejam sustentados por seus amos, existindo terras com abundância, permitem aos escravos plantar o que quiserem e vender as colheitas a quem lhes aprouver. Muitos criam galinhas e porcos e, ocasionalmente, um cavalo para alugar e possuir o dinheiro assim obtido” (Transcrito do livro de J. Balmes: A Igreja Católica em face da Escravidão, pp. 108-110). São estes alguns aspectos da história da escravidão no Brasil que devem ser postos em relevo para que se tenha uma visão tão objetiva e fiel quanto possível do período analisado. 3.    Observação final É necessário, sim, reconhecer o passado com realismo e veracidade. Mas não se pode esquecer o presente ainda trágico, que a humanidade vive, trazendo até hoje a chaga da escravatura, embora dissimulada ou elegantemente rotulada. Eis, a propósito, o que se refere na imprensa de nossos dias: Mundo tem 200 milhões de crianças escravas “Londres – Em alguns países podem ser comprados pelo equivalente a apenas US$ 15 e em outros trabalham até 20 horas por dia. Não se trata dos robôs produzidos pela moderna tecnologia, mas de vítimas de um comércio que se acreditava há muito desaparecido: a escravidão de crianças. Segundo a Sociedade contra a Escravidão, que tem sede em Londres, há no mundo pelos menos 200 milhões de crianças escravas, trabalhando em fazendas, fábricas, na indústria do sexo, esgotando-se em longos expedientes, freqüentemente maltratadas e sempre pagas com migalhas. No livro “Crianças escravizadas”, recentemente lançado, Roger Swayer, de 57 anos, doutor em História, afirma que há no mundo mais escravos hoje que durante o século passado, quando a escravidão se tornou ilegal. Autor de muitas outras sobre a escravidão, ele explica que aparece até como participação forçada das vítimas em conflitos bélicos. Swayer descreveu em seu livro as condições imperantes numa fábrica do norte da Índia, onde foram libertadas 27 crianças. Algumas haviam sido seqüestradas, outras vendidas por mães desesperadas para receber algumas rúpias imprescindíveis a alimentar o resto da família e outras “hipotecadas” a prestamistas que os parentes das vítimas utilizam para adquirir comida. “Qualquer tentativa para escapar dos estreitos limites de uma jornada de trabalho de 20 horas era reprimida por golpes com uma vara de ferro ou bambu, e a penalidade por chorar era ser golpeado por uma pedra  envolta de pano. O castigo por tentar fugir era ser pendurado numa árvore de cabeça para baixo”. Na Europa e nos Estados Unidos, as crianças-escravas trabalham fundamentalmente para a indústria de sexo. “O sofrimento físico das crianças utilizadas na indústria do cinema pornô, na prostituição e no tráfico de narcóticos faz com que, comparadas às crianças do Terceiro Mundo, pareçam privilegiadas”, escreveu Swayer, segundo quem a prostituição infantil e juvenil está proliferando em Paris, Nova York e Londres. Somente em Paris, segundo especialistas, existem 8.000 crianças de ambos os sexos dedicadas à prostituição, em sua maioria provenientes da Argélia e Marrocos. Em várias grandes cidades dos Estados Unidos existem os denominados “cavalariços”, meninos de entre 12 e 14 anos que praticam a prostituição” (O Globo, 25/07/88, p. 12). Como se vê, ainda mais importante do que censurar o passado é considerar o presente e dar-lhe os remédios de que carece para evitar a persistência da escravatura em nossos dias. Na verdade, somente a fé em Deus, que suscita o amor ao próximo, é capaz de conter a onda de erotismo e ganância que degradam o ser humano em nossos tempos. Possa, pois, o passado servir de escola e advertência ao presente, contribuindo para despertar a consciência do homem contemporâneo para uma das grandes nódoas do momento. A propósito: TERRA, JOÃO EVANGELISTA MARTINS, A Igreja e o Negro no Brasil. Ed. Loyola 1983. PR 274/1984, pp. 240-247 (síntese do livro acima). Bíblia, Igreja e Escravidão. Coordenador João Evangelista Martins Terra S. J. Ed. Loyola 1983. PR 267/1983, pp. 106-132. Fonte: presbiteros.org

  • CONOCEDOR DEL GRIEGO BÍBLICO EXPLICA LA DIFERENCIA ENTRE “κεχαριτωμενη” (Lc 1, 28) y κεχαριτωμένῳ (E

    Robert A. Sungenis es un ex-protestante converso al catolicismo y apologeta católico, reconocido también por ser un constante estudiante de la Biblia de larga data y con un profundo conocimiento de la lengua griega que ha utilizado con eficacia en escritos y debates, con un graduado grado del Seminario de Westminster. Su análisis del texto griego es digno de tomar en cuenta tanto por católicos como por protestantes. En esta oportunidad quiero compartir la explicación que el Dr. Sungenis dio a unas personas, quienes interesadas en conocer la diferencia entre κεχαριτωμενη (Lc 1, 28) y κεχαριτωμένῳ (Eclesiástico 18,17) decidieron consultar a un conocedor del texto griego bíblico. Aquí la respuesta del Dr. Robert Sungenis. “Kecharitomene es un griego perfecto, pasivo, participio, que literalmente podría traducirse como “haber sido agraciado”, ya que la raíz de la palabra es CHARIS, que significa gracia, o también podría significar favor. Efesios 1: 6 usa el aoristo, activo, indicativo echaritosen, que significa “agraciado”. La LXX usa kecharitomeno en Sirach 18:17 como un participio adjetival. Otros derivados aparecen en 2 Mac 3:33 y 4 Mac 5: 8. En Lucas 1:28, kecharitomene es titular, y sigue el saludo CHAIRE, por lo que el nombre se capitalizaría en las traducciones al inglés. Mientras que el griego podría haber usado un sustantivo simple o verbo para dirigirse a María, la característica única de kecharitomene es que está en el tiempo perfecto griego, que denota que el estado de gracia que comenzó en el tiempo pasado, por una acción completada (de ahí “completamente”) logrado), cuyos resultados continúan en el presente. Una traducción adecuada para denotar todas estas características podría ser “Totalmente agraciado”. La voz pasiva griega denota que María recibió el título de gracia de una fuente externa, es decir, Dios.” Pizarra de preguntas y respuestas: Abril de 2005, pregunta 54. Citado en la web: https://www.fisheaters.com/forums/archive/index.php?thread-6704.htmlhttps://www.fisheaters.com/forums/archive/index.php…

  • NOTICIA FALSA ANTI-CATÓLICA REFUTADA POR UN FORISTA PROTESTANTE

    Hace tiempo, surgió en las redes una noticia que declaraba al Papa Francisco culpable de trafico de niños, violación y asesinato. Por fantasiosa y absurda que parezca la noticia, no faltaron los anticatólicos que comenzaron a promover dicha “noticia” como si fuera verdad, ese fue el caso de hoy donde un protestante bien conocido por sus prejuicios anticatólicos compartió la dichosa “noticia” en un foro de debates donde participo. Lo cual dejo en evidencia una vez mas, que al protestante no le importa mentir contal de fomentar ese anticatolicismo que transpiran. Sin embargo hay que reconocer que aunque existan muchos protestantes con fuertes prejuicios anticatólicos, tambien existen aquellos que aunque no están de acuerdo con la Iglesia Católica no se valen de noticias falsas para fomentar un rechazo hacia el catolicismo, ese es el caso de un forista protestante que se presenta en algunos foros de debates cristianos en la web con el nick de “Hermano Mike” el cual refuta la falsa noticia, que publican webs como la siguiente: http://beforeitsnews.com/celebrities/2014/07/pope-francis-found-guilty-of-child-trafficking-rape-murder-2465728.html El forista “Hermano Mike” en el foro de debate, escribió lo siguiente para refutar la noticia falsa, que uno de sus correligionarios había publicado en el foro donde ambos participaban. Este es el escrito de “Hermano Mike” respondiendo a otro protestante cuyo nick es “JLC”. _____________________________ Por mucho que no me importe Roma o su iglesia. Me importa la verdad. El artículo está fechado el 20 de julio. Cero cargos han sido archivados por cualquier persona. No hay un tribunal internacional involucrado con la Reina o el Papa. Todo esto comenzó por un hombre, un blogger “Tribunal Internacional para Crímenes de Iglesia y Estado” No existe un grupo llamado “Tribunal Internacional para Crímenes de Iglesia y Estado”. Es solo un tipo en Canadá que dirige su blog y elabora información falsa. El artículo declara que el Tribunal ICLCJ encontró al Papa culpable. Corte Internacional de Justicia es una corte FALSA !!!!! Todo creado fuera de la mente de un sacerdote defrocked. Kevin Annett, el hombre blogger de ITICCS Por mucho que no me importe Roma o su iglesia. Me importa la verdad. Obtener un agarre a la gente. El artículo está fechado el 20 de julio. Cero cargos han sido archivados por cualquier persona. No hay un tribunal internacional involucrado con la Reina o el Papa. Todo esto comenzó por un hombre, un blogger Tribunal Internacional para Crímenes de Iglesia y Estado No existe un grupo llamado Tribunal Internacional para Crímenes de Iglesia y Estado. Es solo un tipo en Canadá que dirige su blog y elabora información falsa. El artículo declara que el Tribunal ICLCJ encontró al Papa culpable. Corte Internacional de Justicia es una corte FALSA !!!!! Todo creado fuera de la mente de un sacerdote expulsado. Kevin Annett, el hombre blogger de ITICCS http://educate-yourself.org/cn/kevinannettnailed22oct14.shtml Esto es todo FALSO !!!!! Una estafa, y si hubiera sido solo una onza, entonces habría sido viral y los musulmanes habrían estado comiendo al Papa vivo hace más de un año hablando de esto si algo de eso hubiera sido cierto. Vergonzosa JLB. Solía confiar en ti, pero explica por qué nunca ves nada que alguien te muestre en las Escrituras. La verdad no está en la parte superior de tu lista y me molesta . Micro. Hermano Mike , 3 de enero de 2016 # 13 Fuente: http://christianforums.net/Fellowship/index.php?threads%2Fpope-francis-found-guilty-of-child-trafficking.62715%2F _____________________________ Es notable como este protestante “Hermano Mike” refuta esa falsa noticia promovida por los anticatólicos. Esto es para que aquellos que difunden noticias falsas como esas para fomentar su anticatolicismo, aprendan a ser mas honesto y a no andar publicando mentiras para alimentar el ego anticatolico de muchos.

  • EL PRIMER GOBERNADOR DE CALIFORNIA (USA) QUE SE CONVIRTIÓ AL CATOLICISMO DESPUÉS DE LEER UN DEBATE.

    Hoy quiero compartir con ustedes, un testimonio de conversión muy interesante y que quedo registrado en la historia de los Estados Unidos, se trata de la conversión de quien fuera el primer gobernador del estado de California (USA) me refiero a Peter Hardeman Burnett, quien se convirtiera al catolicismo luego de leer un debate que se dio en el siglo XIX entre un obispo católico de nombre John Purcell y un protestante llamado Alexander Campbell, fundador de las denominaciones que se identifican como Discípulos de Cristo o Iglesias Cristianas. Les comparto a continuación las palabras que escribio el mismo Peter Hardeman Burnett relatando su conversión al catolicismo. _____________________________ Una vez fui protestante y me hice católico. Mis padres fueron Bautistas; pero hasta la edad de treinta y dos años, no era un creyente en la verdad del cristianismo. Mi propia observación de los hombres y las cosas, así como los argumentos de los demás, al final me satisficieron de que el sistema era divino; y de inmediato actué según mis convicciones y me uní a los Discípulos en 1840. En 1843 me fui con mi familia a Oregón. Después de mi llegada, y mientras estaba temporalmente ubicado en Fort Vancouver, asistí a High Mass como un mero espectador, en Navidad, a la medianoche. Nunca había presenciado algo así antes, y la profunda solemnidad de los servicios, el fervor intenso, pero tranquilo de los fieles, las grandes y marcadas diferencias entre las dos formas de adoración, y la reflexión instantánea, que esto era lo que reclamaba la Iglesia. ser la única Iglesia verdadera, hizo la más profunda impresión en mi mente por el momento. Había presenciado escenas muy emocionantes en el culto protestante, y muchas veces participé, y fui feliz. Pero nunca había sentido un impulso tan poderoso, un impulso que emocionó mi alma más íntima. Miré a los rostros de los adoradores, y parecían estar mirando al Señor Jesús, y en silencio, en su horrible presencia, se callaron en una quietud perfecta. Pero como no sabía nada de los motivos sobre los que descansa la teoría católica, pronto pensé que veía errores que no podía sancionar. Y luego, sentí una repugnancia dolorosa en mis sentimientos, como si las flores del Paraíso casi hubieran estado a mi alcance, y hubiera desaparecido repentinamente de mi vista, y descubrí que no era más que una ilusión y un error. Pero aún así nunca puedo olvidar los santos impulsos de mi alma en ese momento profundo. Mi conocimiento de la teoría católica era excesivamente general e indefinido. Nunca había leído un trabajo a su favor, y nunca había escuchado más que dos sermones católicos, y ellos no tenían puntos controvertidos. Sabía que la Antigua Iglesia hacía lo que se llama pretensiones arrogantes e intolerantes; pero en toda mi lectura, en todas mis relaciones con hombres en general, y entre mis propios parientes, apenas me había encontrado con nada a su favor. Por mis limitadas oportunidades, solo había aprendido que “Amarla era vergüenza, insultarla era gloria”. En el otoño de 1844, un predicador bautista se instaló en mi vecindario inmediato, que tenía el debate publicado entre Campbell y Purcell *; y como a menudo se mencionaba la cuestión católica, y como sabía muy poco al respecto, pedí prestado y leí el libro. Tenía la mayor confianza en la capacidad del Sr. Campbell como un polemista capaz. Pero aunque la lectura atenta del debate no me convenció de la verdad completa de la teoría católica, me sorprendió mucho descubrir que se podía decir tanto de su apoyo. En muchos puntos, y aquellos de gran importancia, estaba claro para mí que el Sr. Campbell había sido derrocado. Aún así, hubo muchas objeciones a la Iglesia Católica, o no notadas por el Obispo, o no respondidas satisfactoriamente; y surgí de la lectura de esa discusión aún protestante. Pero mis pensamientos recurrieron continuamente a las principales posiciones y argumentos de ambos lados, y cuanto más reflexioné sobre las posiciones fundamentales del Obispo, más fuerza y poder pude encontrar. Mis propias reflexiones a menudo me daban respuestas a dificultades que, al principio, parecían insuperables, hasta que surgió la pregunta en mi mente, si el Sr. Campbell había hecho justicia a su parte de la cuestión. Muchas de sus posiciones parecían tan extremas e infundadas que no pude sancionarlas. Todos los prejuicios que tenía, en su caso, estaban a su favor. Pero sabía que era peor que ocioso complacer los prejuicios cuando investigaba cualquier tema. Estaba decidido a ser sincero conmigo mismo; y esto solo podría ser para encontrar la verdad exacta y seguirla, cuando se conozca. Mi mente, por lo tanto, estaba en un estado de inquieta incertidumbre; y decidí examinar a fondo las preguntas entre católicos y protestantes, en la medida en que mis limitadas oportunidades y mis pobres capacidades lo permitieran. En la persecución de este diseño, conseguí todos los trabajos, en ambos lados, a mi alcance, y los examiné alternativamente, uno al lado del otro. Esta investigación ocupó todo mi tiempo libre durante aproximadamente dieciocho meses. Observé sustancialmente el curso de investigación señalado en la introducción, y seguí las reglas de construcción dadas allí. Además de esto, recé con humildad y sinceridad, para que primero pudiera conocer la verdad, y luego tener la gracia de seguirla donde fuera que me condujera. Examiné cuidadosamente, con oración y con seriedad, hasta que quedé satisfecho, sin lugar a dudas, de que la Iglesia Vieja era la verdadera y la única Iglesia verdadera. “Y dije, si hay paz en el mundo, el corazón que era humilde podría esperar aquí “. Y en esto no me equivoqué. La encontré, como dijo el santo Cipriano de antaño, “la casa de la unidad y la paz”. Quiero vivir y morir en su comunión. * En 1837, el obispo John B. Purcell de Cincinnati participó en un debate de una semana con un ministro protestante, Alexander Campbell, cuyos resultados se publicaron posteriormente en forma de libro. Peter Hardeman Burnett fue el primer gobernador de California (1849-1851). También fue un prominente abogado, juez y presidente del banco. Fue muy activo en asuntos católicos en California. En 1860, escribió un relato de 800 páginas de su conversión, El camino que condujo a un abogado protestante a la Iglesia católica , del cual se toma lo antedicho. _____________________________

  • EL USO DEL DIEZMO EN LA HISTORIA DE LA IGLESIA CATÓLICA.

    Por: Richbell Meléndez Un error muy usual que ya he notado en apologistas protestantes y pastores protestantes que defienden el diezmo, es equiparar el uso que ellos le dan a la palabra “diezmo” a todo lo que vean con la palabra “diezmo”. Es decir si ven la palabra “diezmo” en alguna parroquia católica, algún documento eclesiástico, texto patristico o concilio, concluyen erradamente que se habla de un diezmo obligatorio solamente en dinero (como el que ellos piden en sus congregaciones). Pero esto mis hermanos no es así. Vamos a conocer un poco sobre el uso del diezmo en la historia de la Iglesia. Para ello voy a citar lo que nos dice el teólogo Nicolas Sylvestre Bergier en su obra “Suplemento al Diccionario de teología” “Diezmo se llamaba la parte de los FRUTOS que pagaban los fieles a la Iglesia de Dios, y era regularmente la décima parte de LO QUE RECOLECTABAN (…) Es cierto que los Apóstoles y sus inmediatos sucesores no exigieron diezmos; pero también lo es que en su tiempo y en el de J. C. se pagaron diezmos a los sacerdotes y levitas. Conviniendo a la Iglesia sepultar primero la sinagoga que introducir ésta ley en la de Gracia, se esperó oportunidad, y se estimó que no la hubiese en los tres primeros siglos, en los que es constante se mantenía el clero con las oblaciones cuantiosas de los fieles que suplieron a los diezmos. Pero considerándose que aquel fervor ardiente de los primitivos cristianos no debía durar perpetuamente, se fueron disponiendo las bases de la ley de diezmos (…) muchos de los Padres, tomando su argumento del Antiguo Testamento, usaron de la expresión diezmos para exhortar a su solvencia, entendiéndose en esta voz la ley de Moisés, de las oblaciones que hacían los hebreos para el mantenimiento de los ministros sagrados, dando semejante frase motivo para que creyesen algunos que por entonces estaba ya en su fuerza la indicada ley del Diezmo. Los Santos Padres S. Jerónimo y S. Agustín exhortaron a los fieles a contribuir, mas no mandaron dicha contribución comprendida bajo la voz de oblaciones, como se entendía en el Antiguo Testamento. S. Casiano en el siglo V, llamó a las primicias devoción de diezmos, de los cuáles hablan San Gregorio Nacianceno, S. Juan Crisóstomo y otros Padres orientales, como de una oblación voluntaria e indefinida sin ley que hasta entonces los mandase. En el siglo V persuadieron los Padres a los fieles el pago de diezmos, fundándose en la disposición de la ley de Moisés, practicada por los hebreos, y del precepto de J. C. acerca de alimentar a los ministros sagrados, de suerte que en el siglo siguiente prevaleció la opinión de que se debían pagar los diezmos por derecho divino, tanto de las ocupaciones como de los frutos. Por esta razón se publicaron algunas leyes acerca de los diezmos, fundadas en el principio de que eran de derecho divino. Esto pasaba en el Oriente cuando el Emperador Justiniano, quitando a los Obispos el derecho de obligar a los seglares al pago de diezmos, mandó que en lugar de estos se les impusiesen tributos para alimentar a los ministros de la Iglesia. En el Occidente se procedió en sentido contrario, y desde el siglo VIII, tanto los Concilios como los príncipes establecieron leyes sobre el pago de diezmos, de suerte que debía darse la décima parte de cualquier cosa, bajo la pena de excomunión; y expresándose las clases sujetas a dicho pago, se declaró que debía hacerse diezmos de lana, heno, provechos de molinos, de frutas y de aves, de granos, de vino , animales, queso, lino, cáñamo, y ademas de las utilidades dé las negociaciones, estipendios de la milicia, y frutos de caza. Pero moderada ésta solución en varias de las referidas especies, quedó solo de aquellas de que se pagasen diezmos, según la costumbre de los reinos, provincias y lugares.” Fuente: Articulo: Diezmo en el derecho canónico – Suplemento al Diccionario de teología. Nicolas Sylvestre Bergier. p. 181-182 Link para descargar el libro de Bergier desde Google Books: https://books.google.co.ve/books?id=5dtloetnNSAC&printsec=frontcover&hl=es#v=onepage&q&f=false Entonces podemos comprender lo siguiente: 1) El diezmo como lo ha entendido la Iglesia Católica es muy diferente a como lo entienden los protestantes sobre todo aquellos que defienden el diezmo solo en dinero. 2) El diezmo que la Iglesia pedía era en cualquier cosa, mayormente en frutos o lo que producías (no solo en dinero). 3) Los Padres de la Iglesia comprendian el diezmo como una oblación voluntaria e indefinida sin ley. 4) Despues del siglo V debido a mayores necesidades por parte de la Iglesia, se estipularon leyes sobre el diezmo las cuales variaban según la costumbre de los reinos, provincias y lugares; y las cuales fueron creadas con la finalidad de alimentar a los ministros sagrados, por eso el diezmo era mayormente en alimentos. Sobre todo en España se daba en pan, vino y trigo. Aunque no habia uniformidad en cuanto a como debia ser el diezmo. 5) Hace unos años unos arqueólogos anunciaron que habían descubierto las ruinas de un llamado “granero del diezmo” en Southam, Inglaterra. Eran usados para almacenar un décimo de lo que los agricultores producían, que debían dar a la Iglesia. Estaría lleno de a menudo trigo o cebada. El arqueólogo Andrew Mann dijo: “Los graneros del diezmo jugaron una parte significativa en la vida medieval.” En conclusión: Siendo honestos con la historia, la Iglesia si pedía el pago del diezmo, pero no al modo protestante para lucrarse con el dinero. Sino al modo cristiano para mantener al ministro y al templo. Actualmente la Iglesia no pide el diezmo en el sentido estricto de dar el 10% de algo, sino de dar mas que eso, pero no en dinero, sino con lo que podamos, ya sea ayudado al sacerdote de nuestra parroquia o al mantenimiento del templo (la Casa del Señor). Así que a los amigos evangélicos que lean este articulo, si quieren dar el diezmo a su pastor, como los Cristianos en la historia de la Iglesia lo han dado. No lo den solo en dinero denlo con cualquier cosa. Así evitaran que el pastor tenga la tentación de lucrarse con el dinero y usar ese dinero para si mismo y su familia y no para el ministerio y el templo.

  • A AUTORIDADE DOS PAIS DA IGREJA (Máximo o confessor)

    A figura dominante no desenvolvimento da doutrina Cristã no Oriente durante o século VII Foi Máximo, o confessor, a quem os historiadores modernos aclamaram como “o espírito mais Universal do século VII e Talvez o último Pensador independente entre os teólogos da igreja bizantina” (H. G. Beck 1959 pagina 436), “como Provavelmente o único Pensador produtivo do século todo” (Elert 1957 página 259) e como “o verdadeiro pai da teologia bizantina” (Meyendorff 1969 página 99). Muito cedo, ele foi reconhecido como Santo, talvez ainda durante sua própria vida e, um século mais tarde ou por volta disso, foi saudado como “veterano devotado de muitos debates” (Teodoro de Estudita refutações anti-heréticas dos iconoclastas 2.40 página 99 2.381). Contudo, os mesmos teólogos que usaram esses epítetos de louvor para Máximo, o confessor, também deixaram claro que o próprio título de confessor sugere qualquer coisa menos ser independente, original ou produtivo; “o que é confessado entre nós” foi pretendido “para sustentar o Dogma da teologia” Teodoro de Estudita refutações anti-heréticas dos iconoclastas 2.26 página 99:369) máximo, como confessor e teólogo, foi obrigado a preservar, proteger e defender a doutrina que tinha sido transmitida pelos pais; pois, “confessar com a alma e a língua” significava afirmar “o que os pais nos ensinaram” (Máximo Epístolas 12). Portanto, era necessário, em qualquer argumento teológico, produzir “as vozes dos pais como evidência em para fé da igreja” (máximo Epístolas 13). Pois era isso que a “teologia” era: o estudo da relação entre o pai, o filho e o Espírito Santo na Trindade, enquanto “economia” (máximo breve exposição do pai nosso) se referia à Encarnação do logos. A distinção entre “mandamentos” máximo Epístolas 13) e “dogmas” (Máximo quatrocentos capítulos sobre caridade) 2.24) era cognata,: por intermédio dos mandamentos, Deus separa os que obedeceram a eles, mas, por meio dos dogmas, ele capacita-os a ter “a iluminação de conhecimento”, pois as doutrinas lidavam com Deus ou com as coisas visíveis e invisíveis; ou então com a providência e o julgamento de Deus (Máximo quatrocentos capítulos sobre a caridade 1.77 – 78). pelo mesmo motivo, a “doutrina” e o “amor” tiveram de ser distinguidos (Máximo Epístolas 2.). Esse entendimento da autoridade dos pais não era peculiar a Máximo nem a sua facção; “os bizantinos nunca esqueceram sua herança” (Hussey 1937), todas as facções de cristãos em todas as controvérsias a serem descritas na história da igreja tinham em comum o desejo de se conformar a essa autoridade. Por exemplo, os iconoclastas tiveram de declarar em apoio a sua posição que tinham de “confessar o que a santa igreja católica tinha transmitido” (Constantino 5 apologia ao patriarca nicéforo de Constantinopla, refutações anti-heréticas antigo 1.11), enquanto seus oponentes também recorriam aos pais da igreja, “cujos ditos e cujas virtudes permanecem como um suporte e um pilar da igreja católica e apostólica” (João V de Jerusalém contra os iconoclastas 2 página 96: 1349). O mesmo era verdade para os vários lados do conflito sobre a pessoa de Cristo, para posição do oriente e do ocidente sobre o filioque e de todas as outras teologias que surgiram. Quase todos os oponentes em quase todas as disputas podiam ter dito com Teodoro estudita: “para a concretização do que é dito seria necessário ter a declaração confirmada pelo testemunho patrístico” (Teodoro estudita anti-heréticas, refutações aos iconoclastas 2.18). Este testemunho não podia ser contradito por nenhuma outra autoridade; pois “se alguém anunciar outro evangelho que não aquele que a Igreja Católica recebeu dos Santos Apóstolos, dos Pais e dos concílios e tem guardado até agora, Não ouça (Gálatas 1.8). Se um anjo ou um Imperador lhe anunciar um evangelho que não seja o que recebeu, Feche seus ouvidos” (João Damasceno orações sobre as imagens 2.6). A lealdade inquestionável aos pais foi uma característica contínua do pensamento oriental. Um teólogo do século XII observou que “os romanos [ou seja os bizantinos] são excessivamente masculos em outros aspectos; mas quando se trata de transgredir os limites dos Santos pais eles são extremamente covardes” (Theorianus disputas com Narsai IV 2) no século XV, o próprio título da obra contra todas as heresias, de Simeão de tessalônica, incluia a declaração: “Ele não inseriu nada seu mesmo, mas coletou tudo das santas escrituras e dois pais” Simeão de tessalônica contra todas as heresias). Portanto, é importante prestar atenção não só ao que os próprios teólogos desse século disseram mas que autoridades patrística eles citaram e como as citaram. A seleção e o arranjo dos testemunhos patrísticos nos tratados deles podem ser um indicador mais confiáveis do pensamento deles que suas próprias declarações Manifestas. Pois quando um teólogo se encarrega de explicar alguma questão ou expor algum texto, ele sabia que não estava apresentando suas próprias idéias, mas o que Deus tinha determinado (Máximo breve exposição do pai nosso). #MacauGoaAngolaMoçambiqueCaboverdeGuinéBissauGuinéEquatorialSãotoméeprincipeEUAfrançaparisgeorgiaportugalMacedôniabelarusRússiapaquistãoIrãCoreiaEgipto #EUAfrançaparisgeorgiaportugalmacedoniabelarusrussiapaquistãoIrãnCoreiaEgiptoArabiasauditaEmiradosÁrabesunidosEtiópiaNigériaChinaIraqueZimbabuéÁfric #históriadaigrejaprimitiva

  • Bernardo P Küster: “Fui injusto quanto ao PT na Igreja”

    Aceito as críticas e quero me redimir! Apresento, agora, os pontos POSITIVOS do 14° Intereclesial das CEBs em Londrina. (Contém BÔNUS no final.) 1. PT E A IGREJA: https://youtu.be/5-hnf-Z9vD8 2. NOVAS EVIDÊNCIAS: https://youtu.be/qndau1if6CY 3. DOSSIÊ FREI BETTO: https://youtu.be/J5afKQlhI2Y – Arquidiocese de Londrina: (43) 3371-3141 – Nunciatura Apostólica no Brasil: (61) 3223-0794 e 3223-0916 – E-mail Nunciatura Apostólica no Brasil: nunapost@solar.com.br APOIA-SE: https://apoia.se/bernardokuster Facebook: https://www.facebook.com/bernardopkuster Twitter: @bernardopkuster Instagram: bernardo_kuster #kuster #injusto #Bernardo #Igreja #quanto

  • MARIA CHEIA DE GRAÇA OU JUSTA?

    Qual a diferença na tradução no idioma greco dos evangelhos, quando o anjo diz que Maria é cheia de graça, para a tradução de eclesiástico 18:17, que é traduzido como justo? Tanto no Eclesiástico quanto em São Lucas, é usado o particípio perfeito passivo de “χαριτόω” [charitôó], ou seja, “κεχαριτωμένος” [kecharitómênos]. O verbo χαριτόω significa “tornar cheio de graça, tornar agraciado”, o particípio perfeito passivo, portanto, é “tendo sido enchido de graça” ou “o que está cheio de graça” (ou favor etc.). Note que “χαριτόω” deriva de “χάρις” [cháris], “graça”. No Eclesiástico, a tradução de κεχαριτωμένος por “justo” deriva da opção feita por São Jerônimo ao traduzir o texto grego para o latim, mas não é a tradução literal, a tradução do termo grego em si. São Jerônimo traduz já interpretando, em outras palavras, ele implica na tradução a relação entre estar cheio de graça e ser justo, por isso opta pelo último vocábulo. Obs. Na transliteração, o “ch” das palavras gregas deve ser lido como o “rr” do português em palavras como “carro”. Mais um texto sobre a confusão que protestantes fazem com os textos: o“κεχαριτωμενη” (Lucas 1,28) X “κεχαριτωμένῳ” (Eclesiástico 18,17): Neste caso concreto do significado da palavra «Kecharitomene» movem-me mais razões de ordem lógica, linguística, gramatical e estética, do que qualquer temor de prejuízo teológico quanto à definição do dogma da Imaculada Conceição, até porque os dogmas da Igreja Católica são baseados em fundamentos lógicos, filosóficos e teológicos e não dependem exclusivamente do significado de uma simples palavra. Como dizia A. Vieira: «Não são as palavras que fazem as pessoas grandes, as pessoas é que fazem as palavras grandes». E esta palavra, depois de aplicada à Virgem Maria, tornou-se tão grande, que nunca mais foi aplicada a ninguém, a não ser ao Espírito Santo, como adiante demonstro. Vejamos: 1. O termo «graça», no sentido daquele dom de Deus que torna alguém santo, sem pecado e salvo, é expresso pela palavra grega «charis». Mas «charis» pode significar também beleza física ou espiritual. 2. O verbo grego «charitoo» significa «encher de graça» ou «conceder graça», mas também significa «tornar belo» ou «favorecer». 3. «Kecharitomenos» é um particípio perfeito, do verbo «charitoo». Como todos os particípios perfeitos, de natureza passiva, tem uma natureza adjectival. Ora sabemos que os adjectivos, em determinados contextos, podem assumir uma natureza substantiva. Ex: —«Eu sou velho» – «velho» é adjectivo tomado como adjectivo. —«Eu vi um velho» – «velho» é adjectivo tomado como substantivo. 4. Em Lc. 1, 28, «kecharitomene» é tomado como substantivo no caso vocativo, singular, femino: não caracteriza, mas identifica uma pessoa singular do sexo feminino. 3. Em Sir. 18, 17, «Kecharitomeno» é tomado como adjectivo, no caso dativo do singular masculino: não está a identificar ninguém em concreto, mas está a caracterizar um ser humano genérico que pode adquirir a qualidade da «graça», da «santidade» ou da «salvação». 5. Dito doutra maneira: — em Sir. 18, 17, a pessoa poderá ter a «graça», a «santidade» ou a «salvação», — em Lc. 1, 18, a pessoa é a «graça», é a «santidade» é a «salvação». 6. São Jerónimo, linguista subtil, percebeu bem esta importante diferença entre os dois particípios gregos do verbo «charitoo» na Biblia dos LXX, traduzindo: — em Lc 1, 18: «gratia plena» – natureza substantiva, acentuada pelo vocativo, que identifica a pessoa – ‘ó plenitude da graça’ e não apenas ‘ó mulher que tens graça’. — em Sir. 18, 17: «gratioso» – natureza adjectiva, que atribui uma qualidade a um homem indeterminado: «homine gratioso» – ‘qualquer coisa que existe num homem que tem graça’ e não ‘qualquer coisa que existe neste homem que é a plenitude da graça’. 7. Isto revela a grande diferença entre as duas palavras, a ponto de podemos afirmar que em mais lugar nenhum se encontra a palavra «kecharitomene» usada com a particularidade verificada em Lc. 1, 28: «Eu te saído, ó plenitude da graça». 8. Já em Lc. 1, 42, «Eulogemene su en gunaiksin», o particípio perfeito «eulogemene» = «bendita», no nominativo singular feminino, tem claramente uma natureza adjectival: «Tu és bendita entre as mulheres». 9. São sábias as palavras do Papa João Paulo II sobre o «kecharitomene»: «Para tornar mais exacto o sentido do termo grego, não se deveria dizer simplesmente “cheia de graça”, mas sim “feita cheia de graça” ou “plenificada de graça”, o que indicaria claramente que se trata de um dom feito por Deus à Virgem. O termo, na forma de particípio perfeito, revela a imagem de uma graça perfeita e duradoira que implica plenitude. O mesmo verbo, no significado de “dotar de graça”, é adoptado na carta aos Efésios (1, 16), para indicar a abundância da graça, concedida a nós pelo Pai no seu Filho dilecto» (Audiência Geral, 8 de Maio de 1996). 10. O Cardeal Bertone afirmava: «No Livro do êxodo lemos que também Deus é “cheio de graça” (Ex. 34, 6), mas, enquanto Deus o é em sentido activo, como aquele que enche de graças, Maria o é no sentido receptivo, como Aquela que é plenificada de graça e por isso se tornou ícone sublime da divina graça» (Card. Tar. Bertone, Homiia, 8 de Dez de 2007). 11. A Bíblia grega de Simaco também emprega o particípio «kecharitomeno» para traduzir a palavra hebraica «barar» = ‘puro’, no Salmo 18, 26. Da mesma forma este particípio tem uma natureza adjectival que caracteriza um homem indeterminado: «Com o homem puro/gracioso (kecharitomeno) sois complacente». 12. Clemente de Alexandria usa o particípio «kecharitomenon», no género neutro singular, como um adjectivo para caracterizar o Espírito Santo: « Ἡ μὲν οὖν τῶνδέ μοι τῶν ὑπομνημάτων γραφὴ ἀσθενὴς μὲν εὖ οἶδ´ ὅτι παραβαλλομένη πρὸς τὸ πνεῦμα ἐκεῖνο τὸ κεχαριτωμένον» = «Eu sei qual é a fraqueza das reflexões que compõem esta recolha, se as compararmos a este Espírito cheio de graça» (Stromata, I, 1, 14). 13. Jesus e Santo Estêvão são considerados como cheios de graça, mas com palavras diferentes e a eles se não aplica o particípio «kecharitomene»: — Jesus é cheio de graça: «Καὶ ἐκ τοῦ πληρώματος αὐτοῦ ἡμεῖς πάντες ἐλάβομεν, καὶ χάριν ἀντὶ χάριτος· » = «Da sua plenitude todos recebemos graça sobre graça» (Jo. 1, 16) — Santo Estêvão é cheio de graça: «Στέφανος δὲ πλήρης πίστεως καὶ δυνάμεως ἐποίει τέρατα καὶ σημεῖα μεγάλα ἐν τῷ λαῷ. » = «Estêvão, cheio de graça e força, fazia extraordinários milagres entre o povo» (Act. 6, 8). 14. Para aprofundar o assunto: M. Cambe, La χάρις chez saint Luc. Remarques sur quelques textes, notamment le κεχαριτωμένη, in Revue Biblique 70 (1963) 193–202. #MacauGoaAngolaMoçambiqueCaboverdeGuinéBissauGuinéEquatorialSãotoméeprincipeEUAfrançaparisgeorgiaportugalMacedôniabelarusRússiapaquistãoIrãCoreiaEgipto #EUAfrançaparisgeorgiaportugalmacedoniabelarusrussiapaquistãoIrãnCoreiaEgiptoArabiasauditaEmiradosÁrabesunidosEtiópiaNigériaChinaIraqueZimbabuéÁfric #mariologia #Mauritânia

  • TERTULIANO E A TRADIÇÃO APOSTÓLICA E A AUTORIDADE ÚNICA DA BÍBLIA “Irmãos, ficai firmes e conservai

    Sendo jurista, Tertuliano é um apaixonado da verdade, para ele o problema do Cristianismo é o da verdade diante do erro (paganismo, as várias heresias). O Cristo fundara uma religião para levar os homens ao conhecimento da verdade (apolog. 21, 30). O único problema é saber quem possui essa verdade, quem a pode reivindicar. Justino procurava partir da filosofia, na qual Clemente via uma correspondência com a lei dos Judeus. Tertuliano recusa-se a admitir qualquer comunicação entre a filosofia e a fé: “tendo Jesus Cristo, já não queremos entrar em discussões frívolas”. As analogias encontradas entre o ensinamento da igreja e o dos filósofos devem-se a empréstimos do antigo testamento ou do evangelho (Apolog. 47, 2. 13-14). Essa verdade assim roubada foi corrompida e falsificada pelos filósofos ; rebaixaram a doutrina salvífica à categoria de opiniões humanas, assimilaram a revelação divina a uma espécie de filosofia. Nem por isso se deve concluir que Deus só pode ser conhecido por revelação. Tertuliano reduz a dois os meios naturais para conhecermos a Deus: a argumentação a partir da criação, que utiliza contra marcião: não há outro sinal manifesto da existência de nosso Deus senão toda obra que ele criou ; e depois o testemunho espontâneo da alma, que ele maneja contra os pagãos.c conhecimento bastante imperfeito comparado com o que vem pela revelação. A TRADIÇÃO APOSTÓLICA E A AUTORIDADE ÚNICA DA BÍBLIA De acordo com Tertuliano com Tertuliano (aparentemente antes de se tornar Montanista), ninguém era recebido como pregador sem autorização das igrejas de fundação Apostólica, a matriz e fonte de fé; essas igrejas ensinavam a tradição Apostólica (Tert. Press. 21[CCSL 1:202-203]). Nesse sentido e com essa base, todas as igrejas que ensinavam corretamente podiam ser consideradas primitivas e apostólicas porque compartilhavam a tradição preservada nas igrejas fundadas pelos apóstolos (Tert. Presc. 21[CCSL 1:202-203]). Cipriano, pupilo de Tertuliano, entendia que Mateus 16.18: “Você é Pedro, e sobre essa Pedra edificarei minha igreja”, significava que a igreja foi edificada sobre Pedro, embora um poder similar tenha sido confiado aos outros Apóstolos (Cipr. Unit. eccl.4 [CSEL3:212]). Os apoiadores da autoridade única da escritura, argumentando a partir de premissas hermenêuticas radicais para conclusões dogmáticas conservadoras, ignoram a função da tradição de garantir o que eles consideravam ser correta exegese da escritura contra as alternativas hereges. Claramente esse é um anacronismo para sobrepor as discussões dos séculos II e III de categorias derivadas das controvérsias sobre a relação da escritura é da tradição no século XVI, pois ” na igreja Antonieta […] Não havia uma noção de Sola scriptura, mas também não havia uma doutrina de traditio sola”(Outlet [1965], PG 29). Ao mesmo tempo, é essencial observar que materiais doutrinais, litúrgicos e exegéticos de tipos bem distintos foram todos agrupados sob o termo “tradição”, a partir da interpretação Cristológica de passagens específicas. Para Santo Ireneu, Deus em Cristo era tanto a origem quanto o conteúdo da tradição. Cristo tinha transmitido aos seus discípulos a tradição de que o pai é o único Deus (Iren. Her. 3.9.1[Harvey 2:30]). Esse Deus único foi anunciado pelos profetas e pelo verdadeiro evangelho; era ele que os cristãos adoravam e amava de todo coração (Iren. Her. 3.10.5[ Harvey 2:40]). A igreja recebeu essa tradição do evangelho dos apóstolos e transmitiu-a para seus filhos (Iren. Her. 3. Pr. [Harvey]). #MacauGoaAngolaMoçambiqueCaboverdeGuinéBissauGuinéEquatorialSãotoméeprincipeEUAfrançaparisgeorgiaportugalMacedôniabelarusRússiapaquistãoIrãCoreiaEgipto #EUAfrançaparisgeorgiaportugalmacedoniabelarusrussiapaquistãoIrãnCoreiaEgiptoArabiasauditaEmiradosÁrabesunidosEtiópiaNigériaChinaIraqueZimbabuéÁfric #históriadaigrejaprimitiva

  • MONTANISTAS E PENTECOSTAIS O QUE TEM EM COMUM?

    MONTANISTAS E PENTECOSTAIS, O QUE TEM EM COMUM? • Encontram-se, em diversas épocas, falsos místicos que alteram o verdadeiro conceito da perfeição Cristã: Tais foram os Encratitas e os montanistas nos primeiros séculos, os Fraticelos e certos místicos da idade média. Molinos e Quietistas nos tempos modernos; condenando-os, a igreja assinalou-nos os escolhos que se deviam evitar e, por isso mesmo, o caminho que era preciso seguir. • o examinar esta história, vemo-nos de encontro • com a seguinte pergunta: Somos obrigados a supor que as modernas aparições de • glossolália são a continuação do dom carismático de línguas como ocorreu, por • exemplo, em Corinto? Ou é possível que haja explicações psicológicas para este • fenômeno que tornam a primeira suposição desnecessária e, sobretudo errônea? • O Montanismo • Vamos começar com a heresia montanista. Os escritores pentecostais às vezes se referem ao montanismo como um movimento na igreja antiga do Século II que se lhes assemelha. Um destes autores expressa deste modo: “Uma seita da igreja antiga que pode se classificada de pentecostal é a que foi fundada por Montano da Frigia, que defendia uma estrita disciplina eclesiástica e cria que a igreja receberia um novo batismo pentecostal”. • O mesmo autor cita Eusébio, o historiador da igreja do Século IV, para assinalar que Montano “foi arrebatado em espírito, e introduziu-se numa espécie de frenesi e êxtase irregular, delirando, falando e proferindo coisas estranhas”. Duas companheiras de Montano, Priscila e Maximila, também falaram “numa espécie de extático frenesi”. Entretanto, se é citado o montanismo como um precedente para o pentecostalismo, trata-se de um precedente pouco feliz, o verdadeiro tiro no pé, uma vez que a Igreja condenou-o considerando heréticos os ensina mentos de Montano. Sua posição era que havia chegado a Era do Espírito, e que o Espírito agora falava por meio de • Montano. Ele recebia novas revelações que suplementavam e aumentavam a Bíblia. Considerando que então se iniciara a era final, Montano e seus associados conclamaram as pessoas para se reunirem em Pepuza, Frigia, para esperar o fim do mundo. Montano e seus seguidores foram excluídos da Igreja porque se julgou que a pretensão dele de haver recebido revelações superiores à Bíblia era contrária à • finalidade da Escritura. Portanto, ainda que não se possa negar que entre os • montanistas ocorreu o falar em línguas, o fato de ter ocorrido entre os membros • deste grupo não é propriamente uma grande recomendação. • Vamos ver o que se passou na igreja primitiva em relação a esse movimento. (A igreja estava ficando relaxada na coação ao jejum, mas os montanistas insistiam que a rápida aproximação do fim exigia maior rigidez no jejum que nunca [Tert. Jejum 17.7]). O problema da interpretação da trindade no montanismo gira principalmente em torno da questão do Paracleto, sugere-se que a ideia do Paracleto desempenhou um papel menor, se é que desempenham algum, no primeiro esse estágio do movimento montanista(Schepelern 1929, pg.16); contra essa sugestão se destaca a noção tradicional de que o montanhismo era a fé na missão do Paracleto encarnado na pessoa de montano (Labriolle 1913, 2:135). • A partir das nossas Fontes parece provável que Montano, quando foi pego em a rádio arrebatamento estático, falou do Paracleto na primeira pessoa: Eu sou o paráclito de acordo com Epifânio montando disse “eu sou o senhor Deus todo poderoso que desceu em um homem” (Epif. Haer. 48.11.2); e mais uma vez: “não foi um anjo nem um velho quem veio, mas eu, o senhor Deus” (Epif. Haer. 48.11.9). Dídimo, o cego, transmitiu outro oráculo que tinha ouvido e foi atribuído a Montana “eu sou o pai e o filho e o paracleto” (Dos.trin.3.41). Alguns críticos posteriores do montanismo, com base nesses oráculos, foram levados a sustentar Que montana se identificavam de uma maneira essencial com Espírito Santo, daí, por exemplo Cirilo de Jerusalém ter escrito que montando “teve a Audácia de dizer que ele mesmo era o Espírito Santo” (Cir.H. categoria. 16.8[Reischl-Rupp2.21.4]). Mas uma comparação entre as declarações atribuídas a montando A esse respeito e outras declarações parecidas, tanto cristãs quanto pagãs, daqueles que cultivavam a prática da fala extática poderia parecer indicar que esta interpretação não é exata. Pareceria, antes, que essas fórmulas expressam o senso de passividade como um instrumento ou porta-voz do divino que é característico dessa prática, não a pretensão a si mesmo por parte de um ser humano de reivindicar divindade. Epifânio também se tô montando como dizendo, “veja o homem é como uma Lira”(Epif.Haer. 48.4.1) essa prática parece ter uma espécie de natureza instrumental. • Essa conclusão também é corroborado pelo fato de que por intermédio de maximila, uma das profetisas, o Espírito falou: “eu sou a palavra (rhéma) e o Espírito e o poder” (Eus. Há. e. 5.16.17). Maximila não reivindicou essas prerrogativas para si mesmo mas para o espírito que falava por seu intermédio. O caráter quase litúrgico da Proclamação sugere que essa podia ser uma forma montanhista peculiar da doutrina da trindade. nesse caso a “palavra” se refere ao Logos, com mais ênfase em sua natureza como a Palavra Falada que nas conotações filosóficas e cosmológicas, em geral, implícitas no termo, assim “poder” teria de se referir ao pai mas o termo poder em boa parte do uso Cristão primitivo em geral estava conectado ao Espírito Santo (Herm. Manda. 11.17); (Atenag. Leg. 10.2). • No entanto, o montanismo, no fim, pode ter ido muito mais longe que seus fundadores originais, essa é impressão transmitida pela inscrição descoberta em Numídia: “Flávio, antepassado da família. em nome do pai do filho e do Senhor Montano. O que ele prometeu, ele realizou” (ap. Labriori [1913] 2:195). A inscrição, obviamente, não é de origem pagã; ao mesmo tempo, ela poderia militar contra toda a fé e a prática da igreja católica e ortodoxa de inserir o nome de um santo no nome da Santa trindade. Daí, o esforço para conectar o “montano” citado aqui com Mártir cartaginês Ortodoxa, que tinha esse nome cria uma dificuldade considerável. No máximo, como na famosa passagem de Justino sobre os anjos (Just.1Apol.6.2[Goodspeed, PG.29], esse nome pode estar intimamente ligado aos do pai, do filho e do Espírito Santo, mas não substitui um deles. poderia parecer que é uma inscrição do montanismo posterior. Se for esse verdadeiramente o caso, então é possível deduzir que o montanismo, às vezes no curso do seu desenvolvimento <e parece impossível datar a inscrição) teve entre seus adeptos alguns que tomaram a identificação de Montano com paráclito de forma bem literal, incluindo-o como a terceira pessoa da Trindade. Quer aceitemos isso quer não, os relatos adicionais dos pais da igreja que os montanistas no século IV, foram batizados em nome de Priscila ou de Montano (Bas. Ep 188.1), parece possível que o montanismo nesse estágio posterior de seu desenvolvimento tinha se separado da igreja primacial na doutrina da trindade. • Embora esse seja Decididamente um desenvolvimento posterior, alguma coisa dele talvez estivesse implícito no movimento o tempo todo, Hipólito apesar de reconhecer com toda a justiça que alguns membros da seita montanista “comfessem o pai como o Deus de tudo e o criador de todas as coisas, em concordância com a igreja e testemunhem Cristo de acordo com o evangelho” (Hip. Her. 8.19.2), relatou que havia um grupo entre os montanistas que, em suas palavras, “concordavam com o dito da heresia noetana dizendo que o pai é ele mesmo o filho e que Ele experimentou Nascimento, sofrimento e morte”(Hop. Her. 8.19.3). Isso é sustentado pelo relato do Pseudotertuliano, contra todas as heresias. Após descrever a blasfêmia usual dos montanhistas, os quais afirmaram que o paráclito, falando por intermédio de montando, tinha ido além da Revelação em Cristo, esse tratato continua para falar de um grupo que seguia Ésquines, que “acrescentou que eles dizem que Cristo mesmo é o filho e o pai”(Pstert. Her. 7.2). em outras palavras, poderia parecer que eles tinham braçada doutrina de que o pai, o filho e o Espírito Santo eram apenas modo sucessivos de manifestação do único Deus. Nesse caso, a manifestação de Deus em Jesus como filho teria sido seguido de manifestação do único Deus em Montano como paráclito, uma manifestação de cada vez, essa linguagem sobre a Trindade era em sí mesma bastante aceitável no século II e mesmo mais tarde; mas quando a igreja foi além dela para formular o Dogma da Trindade, esses montanistas que continuaram usar essa linguagem como forma de incluir Montano nas manifestações de Deus se descobriram hereges também A esse respeito. • Seria um engano concluir a partir disso que o montanismo implica necessariamente essa doutrina. Ao contrário, a declaração mais poderosa do caso contra a doutrina veio do montanista Tertuliano. Em seu tratado contra práxeas, ele acusou esse Presbítero Romano ter dois erros: “ele jogou fora a profecia e introduziu a heresia; ele pôs o paráclito para correr e crucificou o pai” (Tert. prax. 1.5). O tratado era devotado a uma crítica da doutrina que falava do pai sofrendo e sendo crucificado (Ag Her 41); daí seu nome final patripassianismo E foi Tertuliano que, escrevendo como montanista, atacou a doutrina da identidade entre o pai e o filho que alguns de seus irmãos montanistas estavam usando por fim como raciocínio teológico para o sistema deles. Havia espaço para os partidários de ambas as variedades da teologia trinitária da seita montanista contanto que eles são não se casassem de Novo após a morte da esposa. • Em todo caso, o lugar crucial para o exame da relevância do montanismo para história da doutrina da trindade é Tertuliano. É correto dizer que “o que os adeptos individuais da nova profecia fizeram para articulação teológica da doutrina da trindade não veio do montanismo” (Bonwetsch)[1881], PG. 75)? Ou é mais exato sugerir que o montanismo ensinou Tertuliano a pensar no Paracleto em termos mais pessoais do que ele fazia em suas primeiras obras para que ele chegasse uma doutrina da trindade mais metafísica (Loffs[1942], PG. 142)? A segunda alternativa, com determinadas reservas, parece preferível, em parte por motivos totalmente cronológicos. Os primeiros escritos de Tertuliano tendiam a enfatizar o pai, e o filho à custa do Espírito Santo (Tert. Apol. 21. 11. 14) os escritos que datavam definitivamente do período montanista, por sua vez continham uma doutrina da trindade mais metafísica parece que Tertuliano foi o primeiro teólogo a usar a palavra “Trindade” em latim (Tert. Prax. 3.1) o montanismo de Tertuliano ajudo-o a ter percepções por meio das quais a igreja, no fim transcendeu essa fórmula e desenvolveu uma doutrina da trindade mais consistente. • O montanismo declarava inspiração Sobrenatural por intermédio do Espírito Santo como a fonte de sua profecia e apontou o declínio moral da igreja como o principal motivo para ela ter perdido esse poder do Espírito. Os escritores mais ortodoxos do século II e até mesmo do século III sustentavam que essa inspiração do espírito santo não só era possível, mas estava presente e ativa na igreja. #MacauGoaAngolaMoçambiqueCaboverdeGuinéBissauGuinéEquatorialSãotoméeprincipeEUAfrançaparisgeorgiaportugalMacedôniabelarusRússiapaquistãoIrãCoreiaEgipto #EUAfrançaparisgeorgiaportugalmacedoniabelarusrussiapaquistãoIrãnCoreiaEgiptoArabiasauditaEmiradosÁrabesunidosEtiópiaNigériaChinaIraqueZimbabuéÁfric #históriadaigrejaprimitiva #HistóriadasHeresias

  • A HISTÓRIA DO FALAR EM LÍNGUAS   ESTRANHAS  “Se alguém falar língua estranha, que haja intérprete.

    “Se alguém falar língua estranha, que haja intérprete. Mas, se não houver intérprete, que se cale na igreja, e fale consigo mesmo e com Deus.” (1Cor 14,27-28) Nas décadas recentes temos observado um fenômeno interesse que é o fenômeno comumente conhecido como “falar em línguas”. Este termo mesmo não é muito claro; sendo que todo falar se faz com a língua, ninguém fala com as orelhas. O que é falar em línguas, ou glossolalia? para usar a expressão técnica, é a emissão espontânea de sons num idioma em que o falante jamais aprendeu e nem sequer o entende. Este falar em línguas é praticado normalmente em certos tipos de grupos religiosos. No entanto, o surpreendente é que, ainda que por relativamente muito tempo o falar em línguas esteve majoritariamente limitado às igrejas pentecostais, na verdade este fenômeno ocorreu na igreja primitiva, mas a partir de 1960 este fenômeno tem-se estendido às principais denominações da igreja Protestantes e até Católicas. O falar em línguas entrou nas igrejas episcopais (a alta), presbiterianas, metodistas, batistas, luteranas e reformadas. A questão só ganhou estatus e passou a ser observada com mais atenção Quando a glossolalia saltou das igrejas com fachada de armazém e de tabernáculos pentecostais para os santuários góticos. glossolalia (originado da palavra grega “glossa = língua”, e “lalin = falar”) é originalmente um termo religioso que é mencionado no Novo Testamento, e refere-se ao “DOM”-“presente” que os Apóstolos receberam através da descida do Espírito Santo em Pentecostes, e eles por sua vez, transmitiram a outros que também creram na promessa, por imposição das mãos “para assim falar fluentemente idiomas estrangeiros sem ter aprendido, como no Pentecostes.” “Prefiro falar na assembléia cinco palavras que compreendo, para instruir também aos outros, do que falar dez mil palavras em línguas estranhas.” (1Cor 14,19) Xenoglossia (do grego xen(o) = estranho, estrangeiro + gloss(o) = língua) consiste no falar, de forma espontânea, em língua ou línguas, que não foram previamente aprendidas. É também um suposto fenômeno metapsíquico no qual uma pessoa seria capaz de falar idiomas que nunca aprendeu, como, por exemplo, uma pessoa começar a falar alemão fluentemente sem nunca ter aprendido alemão, ser alemão ou conviver com alemães. “Assim, as línguas são sinal, não para os fiéis, mas para os infiéis; enquanto as profecias são um sinal, não para os infiéis, mas para os fiéis. Se, pois, numa assembléia da Igreja todos falarem em línguas, e se entrarem homens simples ou infiéis, não dirão que estais loucos?” (1Cor 14,22-23) Alguns podem dizer que o falar em línguas não se iniciou antes do surgimento do pentecostalismo em 1906, mas a verdade é que o fenômeno havia-se apresentado anteriormente dentro e fora da igreja primitiva. Na Igreja isto ocorreu com o movimento montanista, depois só veremos esse fenômeno em grande escala no início do Século XX, o falar em línguas somente foi encontrado ocasionalmente, e isso entre grupos minoritários. (Temos relatos de Santos que tiveram essa experiência). Para entender a glossolalia devemos conhecer algo de sua história. Temos relatos do falar em línguas fora da igreja, não é difícil encontrar paralelos a este fenômeno entre os devotos de religiões não cristãs. Podemos buscar as fontes históricas a partir do ano 100 d.C., aproximadamente, porque esta data marca o fim aproximado do que poderíamos chamar história bíblica e o começo aproximado do que normalmente chamamos História da Igreja. O examinar esta história, vemo-nos de encontro com a seguinte pergunta: Somos obrigados a supor que as modernas aparições de glossolália são a continuação do dom carismático de línguas como ocorreu, por exemplo, em Corinto? Ou é possível que haja explicações psicológicas para este fenômeno que tornam a primeira suposição desnecessária e, sobretudo errônea? A QUESTÃO DAS FORMAS ADIVINHATÓRIAS DO MUNDO ANTIGO E AS PROFECIAS PARTICULARES O homem sempre procurou alguma maneira de conhecer o futuro, Adivinhação é uma tentativa de discernir os acontecimentos distantes no tempo e espaço 25. Wright (1995, p 32) afirma que esta definição também serve para a profecia no caso de 1 Sm 9:6-10. O termo então pode ser usado ocasionalmente num sentido positivo a profetas dotados de clarividência sem que a Bíblia esteja apoiando todas as práticas de clarividência. Talvez se possa exemplificar com a figura controvertida de Balaão ( Nm 22:7; 24:1). Sobre o caso Hoff comentou: Quem é Balaão? Balaão era de Petor, na Mesopotâmia, perto do rio Eufrates (Nm 22:5). Seus poderes sobrenaturais eram altamente estimados pelos moabitas e pelos midianitas (Nm 22:6). É um dos mais misteriosos e estranhos personagens da Bíblia. Era profeta de Deus ou meramente um adivinho em cuja boca o Senhor colocou suas palavras? Tinha certa comunhão com Deus (Nm 22:8-12), sabia algo da justiça divina (Miquéias 6:5), e algo sobre a vida além-túmulo (Nm 23:10), ouvia dos ditos de Deus, via “a visão do Todo-poderoso” (Nm 24:4), e não falaria o que Deus não lhe dissesse ( Nm 22:18). Por outro lado, parece que às vezes buscava agouros ou sinais a respeito do futuro (Nm 24:1). Daí se infere que ele tinha dom de profecia, mas seu conhecimento de Deus estava obscurecido, em certa medida, pelos conceitos pagãos. 26 De modo geral, a adivinhação foi proibida por Yahweh, exceto de modo profético como foi mencionado acima, neste caso não seria uma adivinhação no sentido específico da palavra, mas uma revelação de Deus. As práticas de adivinhação no mundo antigo são de naturezas diversas, elas podem ser agrupadas de duas formas: Adivinhação indutiva e intuitiva. O primeiro grupo são aquelas que partem da observação de diversos recursos, podendo ser a observação da natureza como a astrologia, Jr 10:2; assim como também a observação do comportamento dos animais 27; de sacrifícios usando as vísceras dos animas que supostamente forneciam orientações Ez 21:21; a partir da observação de alguns líquidos (hidromancia), como o azeite na água dentro de uma taça para interpretar a figura que é formada Gn 44:5; ou mediante a instrumentos como varetas ou flechas (Rabdomancia), que eram tiradas ao ar, e os presságios eram deduzidos da posição em que caíam Ez 21:21. Havia o tirar a sorte, este método foi significativamente utilizado pelos povos pagãos, mas também por Israel para saber a vontade de Deus, Js 7:14 e Jn 1:7. Este último não era condenado pelo antigo Israel, pois o Senhor governava toda sorte e por meio dela. O segundo grupo é a adivinhação intuitiva. De acordo com Sicre, alguns métodos de adivinhação ocorrem mediante a intuição, para ele são três as formas intuitivas 28: oniromancia, interpretação de sonhos; a necromancia, a consulta aos mortos; e a cresmologia, a comunicação divina por meio de oráculos. A oniromancia era muito comum no Antigo Testamento, Deus se utilizou deste expediente para comunicar por diversas vezes a sua vontade aos patriarcas e também ao seu povo. Sicre comenta : Dentro do Antigo Testamento o material é abundantíssimo, começado pelo Gênesis. Curiosamente, o primeiro caso que se registra não é de um patriarca e sim o de Abimelec, o rei de Gerara, ao qual Deus avisa em sonho que deixe Sara (Gn 20:3). Um sonho levará Jacó, segundo a tradição, a fundar o santuário de Betel (Gn 28:11-16). E os sonhos de vários personagens ponteiam a história de José: os dele mesmo, que profetizam a superioridade dele sobre os irmãos ( Gn 37), os do copeiro e do padeiro (Gn 40) e os do Faraó (Gn 41) 29 É interessante pensar como decisões de grande importância foram tomadas com base em sonhos. José pode ser tomado como exemplo, ao interpretar o sonho de Faraó (Gn 41), ele salvou o Egito de um colapso total e livrou o embrião da nação de Israel da destruição da fome, proporcionando a sua provisão e desenvolvimento. Outro episódio importante foi a interpretação do sonho de Nabucodonosor feita por Daniel (Dn 2), nela encontramos o destino de dois reinos: de Israel e do mundo . Quanto a necromancia, que também está associada à adivinhação, em Dt 18:11 foi terminantemente proibida: “Não vos voltareis para os necromantes, nem para os adivinhos; não os procureis para serdes contaminados por eles. Eu sou o SENHOR, vosso Deus,” 30 era uma prática cananita (Dt 18: 9-11), egípcia (Is 19:3) e os próprios israelitas também praticaram (I Sm 28:3-25; II Rs 21:8; Is 8:19). O caso mais controvertido é a consulta de Saul a médium de En-Dor. Ele mesmo havia desterrado os médiuns e adivinhos, mas diante da crise, sem orientação do profeta, ele apelou para tal prática proibida pelo Senhor. Outra questão que também estava associado à necromancia era os Terafins, ídolos do lar, talvez imagens de antepassados mortos, Zc 10:2. A cresmologia talvez seja a prática que mais está relacionado ao ministério profético.“em Israel e na Grécia a vontade divina é consultar o oráculo, onde sinais e portentos são substituídos pela palavra, sem dúvida às vezes enigmática, mas afinal 31 de contas palavra, como a dos homens” Um dos casos mais conhecido e antigo de oráculo foi o denominado “Oráculo de Delfos”( VIII a.C.). Situado na região da Grécia, Delfos era um lugar e um complexo de construções, onde havia um espaço sagrado para os antigos gregos, dedicado ao deus Apolo. Neste local as sacerdotisas de Apolo (denominadas de pítia ou pitonisa) 32, faziam profecias em estado de transe. Proferiam palavras enigmáticas que eram interpretadas por sábios anciãos. Estudiosos contemporâneos acreditam que o transe era proveniente de gases que subiam de uma fenda subterrânea local, e das folhas de loureiro que eram consumidas antes da profecia. Estas em alta quantidade são narcóticas. A natureza do profeta, averígua-se mais facilmente mediante a posição que ocupa na vida pública do que pelas considerações etimológicas. As palavras que derivam desta raiz estão firmemente ligadas com o oráculo. O oráculo mais famoso foi o de Delfos, presidido por Apolo (…) A Pítia era chamada prophêtis, mas tinha o título adicional de promantis (…). Este cargo pertencia originalmente a uma, duas ou três moças tiradas da população local, mas, pelo menos em tempos posteriores, a pítia era de idade avançada. A pítia sentava-se num tripé em cima de uma cavidade na terra, de onde emergia um “espírito oracular” (Pneuma Mantikon) na forma de fumaça, dando-lhe a inspiração. Esta aumentava quando ela mastigava a folha de louro (a palavra de Apolo). Como resultado, irrompia em sons inarticulados enigmáticos, semelhantes à glossolalia (…). Estes diziam respeito a eventos futuro, conforme sugere o título promantis, e tinham conexão direta com a pessoa que consultava o oráculo. Amparado pela doutrina e orientação da igreja eu entendo que falar em língua significa falar uma linguagem humana previamente desconhecida pelo locutor. Vemos no primeiro Pentecostes cristão que esta verdade foi claramente ilustrada. “E apareceram, distribuídas entre eles, línguas, como de fogo, e pousou uma sobre cada um deles. Todos ficaram cheios do Espírito Santo e passaram a falar em outras línguas, segundo o Espírito lhes concedia que falassem” (Atos 2, 3-4). Os apóstolos falaram uma linguagem previamente desconhecida para eles. “Quando, pois, se fez ouvir aquela voz, afluiu a multidão, que se possuiu de perplexidade, porquanto cada um os ouvia falar na sua própria língua. E como os ouvimos falar, cada um em nossa própria língua materna?’” (Atos 2, 6.8). Isto é uma clara evidência bíblica que falar em línguas não é do modo balbuciante pentecostal. Vejamos que o problema com a idéia pentecostal é que por não conhecer a linguagem que profere acaba dizendo que é a linguagem dos anjos, enquanto alguém de certa forma possa fazer um argumento baseado em uma interpretação das Escrituras de que é possível que estas “línguas estranhas” existam, na verdade isto nunca é descrito. A única vez em que nós vemos línguas “em ação” nas Escrituras é quando foram usadas para comunicar àqueles que não poderiam entender o que eles estavam falando se não fosse em seu idioma. O movimento pentecostal foi iniciado na rua Azusa, na Califórnia, em 1906. O movimento carismático se espalhou deste evento propagado por Fletcher, e depois chegou aos Católicos na Universidade de Duquesne em 1967. Assim, está bem claro que a compreensão tradicional do dom é que ele tinha o propósito de comunicar o Evangelho àqueles que não o conheceram em uma linguagem que eles poderiam entender. Por experiência própria e por conversas com pessoas que tiveram tais experiências posso afirmar que se trata de uma experiência com idiomas desconhecidos, mas que existem em algum outro país, alguns afirmam que é uma “a evidência inicial do recebimento do Espírito Santo”. Mas grandes nomes do Cristianismo que chegaram à Santidade não tiveram essa experiência, além disso, afirma-se, alguns cultivam as línguas como “dom”, ao passo que outros só têm tal experiência uma vez. Será que falar em línguas realmente significa que se tenha o Espírito Santo de Deus? O melhor exemplo,Jesus Cristo, não existe indício de que tivesse jamais falado por meio de um dom miraculoso de línguas. (Mat. 3,16; Luc. 4,16-21) E sobre os cristãos do primeiro século, escreveu o apóstolo Paulo: “Será que todos falam em línguas?” (1 Cor. 12,30) Ao invés, o Espírito de Deus dotou-os de “variedades” de poderes miraculosos. (1 Cor. 12, 4.11.13) Quando estabelecia uma lista de “dons espirituais”, o apóstolo Paulo colocou as línguas e sua interpretação em último lugar, incentivando os cristãos a ‘persistirem em buscar zelosamente os maiores dons’, especialmente o amor, que Jesus disse seria o verdadeiro sinal identificador de seus seguidores. — 1 Cor. 12.1, 4-10, 29-31; 13,1. 8. 13; João 13,35. Devemos também entender que os dons miraculosos do Espírito Santo de Deus não deviam permanecer indefinidamente na Igreja, não determinar até quando existiram ou que foram totalmente estintos. As Escrituras, em 1 Coríntios 13,8, declaram: “Quer haja dons de profetizar, serão eliminados; quer haja línguas, cessarão.” Quando desapareceriam? Segundo Atos 8,18, o Espírito de Deus, conforme expresso nos dons miraculosos, era dado “pela imposição das mãos dos apóstolos”. E, depois de Pentecostes, cada caso registrado de derramamento do Espírito de Deus, acompanhado de dons miraculosos, ocorreu na presença de um ou mais dos apóstolos de Jesus. (Atos 8,9-20; 10,44-46; 19, 6) não é evidente que a transmissão destes poderes dados por Deus cessou com a morte dos apóstolos; e, quando morreram aqueles que os receberam, tais dons cessaram por completo na Igreja. Logo após as mortes dos apóstolos e seus temos relatos de que haviam esses dons, mas que não estavam mais em prática na igreja atual, S. João Crisóstomo, que se tornou patriarca religioso de Constantinopla no quarto século, observou que os dons espirituais mencionados em 1 Coríntios, capítulos 12 a 14, “costumavam ocorrer, mas agora não acontecem mais”. Por volta desse mesmo tempo, S. Agostinho, que influenciou grandemente os ensinos do ramo ocidental ou latino do cristianismo, disse sobre as línguas e outros dons espirituais: “Estes eram sinais adaptados ao tempo. . . . Isso era feito como símbolo, e passou.” Os cristãos em Pentecostes falavam em línguas sobre “as coisas magníficas de Deus”. (Atos 2,11) The Expositor’s Greek Testament aponta que a palavra grega para “coisas magníficas” é usada “não só quanto à Ressurreição do Senhor . . ., mas quanto a tudo que os profetas haviam predito, tudo que Cristo fizera e o Espírito Santo conferira”. Muitos grupos hoje, influenciados pelo “movimento da Rua Azusa”, de Los Angeles, em 1906, crêem que o que fazem é o mesmo “dom de línguas” do primeiro século. Infelizmente, isto pode ser um equívoco. Incrivelmente, esta influência chegou até mesmo a Igreja Católica, pelo movimento carismático. Inegavelmente que a Renovação Carismática tem feito muito bem a Igreja Católica e seus benefícios e graças são notórios. Mas estamos falando somente na questão do “dom de línguas” e da experiência pessoal e não da RCC em si. “Qual é a relação entre a experiência pessoal e a fé comum da igreja? Ambos fatores são importantes. A fé dogmática que não esteja baseada em uma experiência pessoal é vazia. Por outro lado, a mera experiência pessoal que não esteja relacionada com a fé da Igreja permanece cega”.. Bento XVI Bibliografia: …E AS LÍNGUAS? Anthony Hoekema Monografia: NILSON DOS SANTOS CARNEIRO O DOM DE PROFECIA NO NOVO TESTAMENTO BERKHOF, Louis. Introdução ao Novo Testamento. Rio de Janeiro, 2014. ______________. A História das doutrinas cristãs. São Paulo: PES, 1992 BÍBLIA DE ESTUDO APOLOGÉTICA COM APÓCRIFOS. Tradução João Ferreira de Almeida. Edição Revista e Corrigida. Rio de Janeiro, ICP,2014. BÍBLIA DE JERUSALÉM: São Paul: Editora, Paulus – 2002. BÍBLIA DO MINISTRO. São Paulo: Editora Vida, 2002. BÍBLIA DO PEREGRINO. São Paulo: Editora Paulus, 2012. BÍBLIA SAGRADA. Traduzida em português por João Ferreira de Almeida. Revista e Atualizada no Brasil, 2ª ed. Barueri – SP: Sociedade Bíblica do Brasil, 2008. Bible Works for Windows. Windows 98/XP Release. Copyright BibleWorks, 2011. Version 9.0.005f.1; BOOR, de Werner. Atos dos Apóstolos. Curitiba, Pr: Editora Evangélica Esperança, 2003. BROWN, C. In: COENEN, Lothar e Brown, Colin. Dicionário Internacional de Teologia do Novo Testamento. v. 1. 2ª Ed. Trad. Gordon Chown. São Paulo: Vida Nova, 2000. BRUNER, Frederick Dale. Teologia do Espírito Santo: São Paulo: Cultura Cristã, 2012. CALVINO, João. 1 Coríntios. São Paulo: Edições Paracletos, 1996. CARSON, D.A. A manifestação do Espírito : a contemporaneidade dos dons à luz de 1 Coríntios de 12-14. – São Paulo: Vida Nova, 2013. CONFISSÃO DE FÉ DE WESTMINSTER. Comentada por A. A. Hodge. 3ª Edição. São Paulo: Editora Os Puritanos, 2010. COULANGES, Fustel. A cidade Antiga. Editora Martin Claret. – São Paulo, 2004. DEISSLER, Alfons. O anuncio do Antigo Testamento. – São Paulo: Paulinas, 1984. FREDERICK DALE BRUNER. Teologia do Espírito Santo: São Paulo: Cultura Cristã, 2012. GONZÁLES. Justo L. Uma História do Pensamento Cristão. Volume I. São Paulo: Cultura Cristã, 2015. 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  • IMORTALIDADE DA ALMA NA TEOLOGIA CRISTÃ E NOS FILÓSOFOS GREGOS

    Na época em que Tertuliano terminou de vindicar a doutrina bíblica da alma contra os filósofos, ele tinha invocado não só os estóicos (Tert. Amin. 12.3; 43.2), mas também Aristóteles (a quem ele parece não ter citado em nenhum outro lugar) e outras fontes filosóficas, cujo escopo abrangia os pré-socráticos Heráclito e Demócrito (Tert. Amin. 15. 3-5) a Ário Dídimo o estudioso da era augustiniana (Tert. Amin. 54.2). Tertuliano, para sua doutrina da ressurreição e da origem simultânea de corpo e alma, não pôde deixar de citar a mesma filosofia a cuja pretensões se opusera. Assim, ao mesmo tempo em que se pode dizer que Orígenes ilustra a modificação de conceitos filosóficos ao continuar a expor os temas bíblicos, pode-se alegar que Tertuliano ilustra a continuação e inevitável, se não sempre reconhecida ou mesmo consciente, influência de ideias filosóficas sobre a doutrina cristã. Cada um mostra que, na verdade, houve uma vitória da teologia sobre a filosofia clássica, mas também que a vitória não foi de maneira alguma unilateral como declaram alguns dos porta-vozes da doutrina cristã. Para que os exemplos de Orígenes e de Tertuliano não sejam descartados como não representativos com fundamento no fato de que ambos foram condenados como heréticos, a incontestável retidão doutrinal de um são Gregório de Nissa pode ser considerada como prova para essa tese de que a tensão entre a doutrina bíblica e a filosófica continuou a caracterizar a teologia ortodoxa da tradição católica (Greg. Niss. Eun. 3.2.98-99). Mesmo que não seja exato sustentar que sua doutrina da trindade foi resgatada do triteísmo por um conceito do médio platonismo, sua percepção das doutrinas que vimos em Clemente, Orígenes e Tertuliano, as doutrinas da alma e da ressurreição, reforça a tese, como sugere o próprio título de seu tratado, A alma e a ressurreição. O tratado também insiste que “enquanto a filosofia pagã, sobre o objeto da alma, continua na direção de supostas implicações ao belprazer do pensador, não temos autoridade para tomar essa liberdade, a saber, de afirmar qualquer coisa que nos agrade. Pois tornamos a sagrada Escritura a regra é a norma. Somos obrigados a fixar os olhos nisso e só aprovamos o que pode ser harmonizado com o intuido desses escritos” (Gr. Niss. Amin. et resc). Contudo, Gregório, como seu mentor Orígenes não pôde escapar completamente do domínio da filosofia platônica; ; seu tratado sobre a alma, na forma e até mesmo no contexto, traiu reiteradamente seus ancestrais do Fédon ( Gr. Niss. Anim. et.resc), da mesma maneira que sua teologia mística documentou tanto seu desenvolvimento no pensamento platônico quanto sua transcendência desse pensamento. As duas doutrinas cristãs que talvez sejam as indicações mais confiáveis da influência contínua da filosofia grega na teologia cristã são estas: a doutrina da imortalidade da alma e a doutrina do caráter absoluto de Deus — ” Deus e a alma, é isso que desejo conhecer, nada mais”, Na conhecida fórmula de Santo Agostinho (Agst. Solilóquio 1.2.7). A ideia da alma imortal e racional faz parte da herança grega na doutrina cristã; Santo Tomás de Aquino e Filipe de melâncton são apenas dois dos muitos teólogos a compor tratados com o título [sobre a alma], cujo conteúdo foi determinado mais pela linguagem filosófica sobre a alma que pela bíblica. A ideia da imortalidade da alma, na verdade, acabou por ser identificada com a doutrina bíblica da ressurreição do corpo, uma doutrina cujo um dos principais polêmicos objetivos originais era a imortalidade da alma. A equação pagã ou herética da alma com a vida é a declaração da imortalidade natural à parte da ação de Deus, o criador, foi rejeitada pelos pensadores cristãos com base no fato de que “a alma em si mesma não é vida, mas participa na vida conferida a ela por Deus”, por meio de quem só a alma recebeu a capacidade de durar eternamente. Portanto, “a alma participa na vida porque Deus que ela viva, assim ela não participará sequer dessa maneira quando Deus não quiser mais que ela viva” (Iren. Her.2.34.4). A declaração de Tatiano de que “a alma em si mesma não é imortal, mas mortal” (Tat. Or. 13) se baseou em suas suposições acerca da relação entre tempo e eternidade e entre corpo, alma e espírito. Contudo, ela da voz à insistência a respeito da doutrina da ressurreição em contraposição à imortalidade natural. O fundamento para essa insistência era a doutrina cristã da criação. Como só Deus não teve início, e tudo o mais foi “trazido a existência pelo autor acima de todas as coisas, por isso acreditamos que haverá uma ressurreição do corpo depois da consumação de todas as coisas” (Tat. Or. 5-6). Atenágoras argumentou que a confissão de Deus como criador exigia uma doutrina da ressurreição quando da conclusão do propósito divino e que “o motivo para o homem vir a ser garantia sua ressurreição, pois ele, sem a ressurreição, não seria permanente como homem” (Atenag. Res.13). Mas a argumentação de Atenágoras, em contraposição a de Tatiano, já é uma indicação da síntese entre a imortalidade e a ressureição que era para ser a doutrina ortodoxa. As especulações de Orígenes sobre a pré-existência da alma e sua salvação final foram formalmente condenadas no século IV, mas tinha sido repudiada pela maioria dos teólogos desde o início. A doutrina da criação foi defendida por ser distinta da doutrina da queda do homem: o pecado e a imortalidade dos seres humanos não se deviam a alguma queda Pré-histórica da alma e seu subsequente confinamento no corpo, mas à primeira desobediência do homem. Uma vez que a doutrina da imortalidade da alma foi separada da noção da pré-existência da alma, ela pôde ser harmonizada com a doutrina da ressurreição. O tratado de Santo Ambrósio sobre a ressurreição proclamou a percepção padrão ao argumentar que a doutrina da imortalidade estava incompleta a doutrina da ressurreição (Ambr. Exc. Sat. 2.65); a ressurreição significava a atribuição ao corpo dessa vida eterna que a alma já possuía (Ambr. Exc. Sat. 2 50-52). O que os filósofos ensinavam sobre a imortalidade da alma não estava incorreto, mas apenas incompleto. A IMORTALIDADE DA ALMA NA TEOLOGIA CRISTà E NA FILOSOFIA GREGA (Orígenes) A doutrina bíblica e a especulação filosófica também estavam mescladas na teologia de Tertuliano, embora em proporções distintas, sua pergunta: O que Atenas tem que ver com Jerusalém?” (Tert. Presc. 7.9) e a retumbante resposta negativa que ele fornece repetidamente para a questão, as vezes, obscurece os elementos filosóficos de seu pensamento. As próprias questões examinamos em Orígenes, a ressurreição e a alma mostram a aversão de Tertuliano à filosofia e sua dependência dela. Seu tratado sobre a ressurreição reconhece um grau de afinidade entre a doutrina cristã e os ensinamentos de alguns filósofos (Tert. Res. 1-3), mas ele prossegue a fim de expor várias passagens bíblicas sobre a carne em antítese aos filósofos e aos heréticos (Tert. Res. 4); ele dá especial atenção a 1corintios 15 (Tert. 48-60). O tratado sobre a alma começa com um ataque parecido contra as doutrinas filosóficas (Tert. Anim.1.2-6), em especial a doutrina de Platão sobre a alma, que depois ele chamou de ” O fornecedor de todos os heréticos” (Tert. Anim.23.5). Ele teve de reconhecer mais uma vez os paralelos entre a verdade bíblica e o ensino filosófico (Tert. Anim.2.1). Mas ele pretendia, “de um lado, libertar os sentimentos sustentados por nós em comum com eles dos argumentos dos filósofos e, do outro lado, separar os argumentos que ambos grupos usavam a partir da opinião dos mesmos filósofos” (Tert. Amin. 2.5). Tertuliano, em teoria devia lealdade só a Bíblia e às “mais frequentes admoestações” do paracleto montanista (Tert. Amin. 58.8); o que nós mesmos somos que também a escritura é (e tem sido) desde o começo” (Tert. Presc. 38.5). Mas não estava de maneira alguma óbvio o que as escrituras e a tradição da igreja (ou mesmo o paracleto) ensinavam sobre a origem e a natureza da alma humana. Portanto, ele se sentiu obrigado a “apelar aos estóicos para também me ajudar a enquanto declaro quase em nossos próprios termos que a alma é uma essência espiritual (considerando que o sopro de vida e o espírito são, em uma natureza, muito parecidos um com o outro), todavia, não tenho dificuldade em [nos] persuadir de que a alma é uma substância corpórea” (Tert. Amin. 5.2) #MacauGoaAngolaMoçambiqueCaboverdeGuinéBissauGuinéEquatorialSãotoméeprincipeEUAfrançaparisgeorgiaportugalMacedôniabelarusRússiapaquistãoIrãCoreiaEgipto #EUAfrançaparisgeorgiaportugalmacedoniabelarusrussiapaquistãoIrãnCoreiaEgiptoArabiasauditaEmiradosÁrabesunidosEtiópiaNigériaChinaIraqueZimbabuéÁfric #históriadaigrejaprimitiva #imortalidadedaalma

  • O CONCÍLIO DE CALCEDÔNIA VENCE NESTÓRIO

    • JESUS CRISTO VERDADEIRO DEUS E VERDADEIRO HOMEM • (As duas naturezas em Cristo) • Voltando a falar das controvérsias Cristológicas em Éfeso e, agora seguindo para Calcedónia, vemos que Isso foi tudo menos o fim da controvérsia cristológica. A solução do conflito efésio, tão longe ficou clara, não era aceitável para ninguém e tinha de ser resolvida em uma ou outra direção. A narrativa de duas décadas depois do Concílio de Éfeso, de muitas maneiras, pertence mais à história da polícia Imperial ou eclesiástica que à história da mensagem cristã; não obstante, a dinâmica interna da doutrina da pessoa de Cristo ser continuado a estar em operação e é a isso que temos que dar atenção aqui. Depois de 431, a doutrina podia ter se desenvolvido em diversas direções, cada uma das quais tinha sua própria validade lógica na evolução da doutrina cristológica. A teologia da habitação do Logos no íntimo do ser, pelo menos conforme representada por Nestório, tinha sido condenada no Concílio de Éfeso, não sem uma audição, mas certamente em um entendimento de sua principal intenção; e pareciam ter sido exigidos alguns apelos à mais alta corte ou talvez a outra sessão da mesma corte. Os delegados orientais do concílio de 431, liderados por João de Antioquia, acusou o concílio de “heresias apolinarianas, arianas” e exigiu que aqueles que tinham aprovado a teologia de Cirilo “aceitassem de novo a fé nicena sem acréscimos estranhos [e] excomungaram as proposições hereges de Cirilo” (Concílio de Éfeso procedimentos dos orientais 15). Mesmo que a própria causa nestoriana não pudesse mais ser defendida como posição teológica, a distinção entre as duas naturezas, como um ensinamento amplamente mantido, parecia estar ameaçado pela aprovação abrangente de Cirilo. • A teologia da união hipostática, por sua vez, tinha sido certamente vindicada quando sua designação de “um e o mesmo Cristo” como o sujeito de todos os predicados cristológicos, incluindo a divindade e a crucificação, tinha sido reconhecida como idêntica ao Credo de Nicéia. Contudo, nada tinha ficado mais óbvio nas controvérsias cristológicas durante o século após o Concílio de Nicéia que a inadequação da estrutura conceitual nicena -ou, a propósito de Atanásio- para qualquer atenção séria ao problema do divino e do humano em Cristo. A vindicação em Éfeso seria vazia a menos que fosse acompanhada, ou em alguma medida seguida, de uma declaração bem mais elaborada de como a pessoa do homem-Deus era absoluta depois da encarnação. Mas parece ter sido inerente a essa teologia da união hipostática uma tendência para alcançar qualquer declaração desse tipo e afirmar com Eutiquese:”Confesso que nosso Senhor, antes da união, tinha duas naturezas, mas, após a união, confesso uma única natureza” ( Concílio de Calcedónia Atos 527). Por isso, um sínodo de 449, controlando por essa posição, pôde declarar: “Quem ensina duas naturezas, seja anátema” (Concílio de Éfeso [449] Concílio de Calcedónia Atos 492-93). A união hipostática podia ser salva sem chegar a esse extremo? • Tanto a precedência quanto a prudência parecem exigir algum tipo de concessão, e, a despeito da polarização das posições dogmáticas, havia adeptos de cada posição que reconheciam isso. Os porta-vozes da teologia da pré-existência, da kenosis e da exaltação, tendo excomungado Nestório no sínodo romano de 432, aprovaram a ação do sínodo de Éfeso; mas vários documentos papais -incluindo o edito do papa Celestino, que tinha encarregado Cirilo de de executar a excomunhão e deposição de Nestório- deixou claro que ainda havia esperança de afirmar uma solução “apostólica” que reconciliasse, se não os extremistas, pelo menos o principal corpo de cristãos e os teólogos. Teodoreto, que de muitas maneiras assumiu o manto de Nestório como defensor da teologia da habitação do Logos no íntimo do ser, achou possível formular um documento de compromisso no qual de afirmava que “a união das duas naturezas acontece e, portanto, confessamos um Cristo, um Filho e um Senhor” e isso, por conseguinte, “de acordo com esse conceito de união sem confusão, confessamos que a Virgem santa é theotokos” ( Epístola de Cirilo de alexandria.3). De alguma maneira, Cirilo achou possível assinar esse documento para desgosto de muitos de seus partidários, foi bem-sucedida em fornecer a fórmula correta para o momento certo. Isso foi feito pelo principal intérprete da teologia de pré-existência , da kenosis e da exaltação, papa Leão , em seu Tome To Flavian [A carta para Flaviano], que, com adições critériosas de outras tradições teológicas , veio a servir como a fórmula de reconciliação, para muitas facções, mas não todas elas, em Calcedônia, em 451. O texto da fórmula calcedônia -fundamental desde essa época para o desenvolvimento cristológico de todo ocidente latino, boa parte do oriente grego e algumas partes do oriente siríaco, diz: • “Todos nós, com voz uníssona, ensinamos a fé num só e mesmo Filho Nosso Senhor Jesus Cristo, sendo o mesmo perfeito na divindade e o mesmo perfeito na humanidade, o mesmo verdadeiramente Deus e verdadeiramente homem, com alma racional e com corpo, da mesma substância do Pai [homoousios] quanto à divindade e quanto à humanidade da mesma substância [homoousios] que nós, em tudo semelhante a nós menos no pecado; o mesmo que desde a eternidade é procedente do Pai por geração quanto à divindade e o mesmo que quanto à humanidade nos últimos tempos foi gerado pela Virgem Maria, Mãe de Deus, por nós e nossa salvação; sendo um só e mesmo Cristo, Filho, Senhor, Unigênito, que nós reconhecemos com o existente em duas naturezas, sem confusão, sem mutação e sem divisão [en duo physesin asygdrytos, atreptôs, adiairetôs, achôristôs], sendo que a diversidade das naturezas nunca foi eliminada pela união, ao contrário, a propriedade de cada uma das naturezas ficou intata e ambas se encontram em uma só pessoa e uma só hipóstase. O filho não foi dividido ou separado em duas pessoas, mas é um só e o mesmo a quem chamamos de Filho, Unigênito, Deus, Verbo [Logos], Senhor, Jesus Cristo, como desde o início a respeito dele falaram os profetas e o próprio Jesus Cristo nos ensinou e como nos foi transmitido pelo Símbolo dos Pais (Símbolo de Calcedónia [Fhilipe Schaff 2:62-63]). • A genealogia desse decreto deixa claro que “a fórmula não é uma criação original nem nova, mas foi, como um mosaico, reunida quase totalmente de pedras que já estavam disponíveis”. (Urbina [1951], p.398). Especificamente, a Fonte dessa fórmula foi chamada Segunda epístola de Cirilo para Nestório, a carta de Cirilo para os antioquenses junto com a união da fórmula de 433 e a obra Tome [Carta], de Leão; a frase “não foi dividido ou separado em duas pessoas” parece vir de Teodoreto. Embora talvez seja estatisticamente exato dizer que “a maioria das citações são de epístolas de Cirilo (Urbina [1951], p.400), as contribuições da obra Tome [Carta], de Leão, foram decisivas na polêmica contra o que era, conforme se entendia, as formas extremas das teologias alternativas da encarnação, bem como na redução do problema para as afirmações positivas sobre alcançar uma concordância geral, embora de maneira alguma universal. A fórmula como Tome [Carta], condenava qualquer noção de união hipostática que pudesse pôr em risco “a diversidade das naturezas” ou violasse a regra de que a união era alcançada “sem confusão”. Essa fórmula, ao mesmo tempo, insistia que Cristo não foi “dividido ou separado em duas pessoas”, diferenciando-se de qualquer teologia de habitação do Logos no íntimo do ser que tornasse o Logos uma pessoa e o homem assumido por ele outra pessoa. • Claro que é bem outra questão se essas interpretações das alternativas cristológicas representavam uma leitura justa e acurada das várias teologias. A insistência na afirmação de que Cristo não foi dividido nem separado em duas pessoas não assola de fato o cerne de seu pretendido alvo, a necessidade de afirmar que o nascimento, sofrimento e morte de Cristo foram reais e simultaneamente de proteger a Trindade a fim de que não seja comprometida por esses fatos. Dizer que a diversidade das naturezas não é afastada pela união podia significar que as atividades e propriedades adequadas a cada natureza tinham de ser ontologicamente predicados só daquela natureza, embora verbalmente pudesse ser permitido predicá-las de “um só e mesmo Cristo”. A expressão “sem confusão” também seria interpretada em apoio à tese de que, uma vez que a encarnação não menos que antes dela, o humano era o humano e o divino era o divino. Mais explícita ainda, a expressão “sem mutação”, aplicada à natureza humana uma vez que era tudo como garantido por ambos os lados que a natureza divina era imutável, podia ser lida como um ataque à noção de que, por causa da salvação do homem, consistia na transformação de sua natureza humana em divina, a natureza humana de Cristo começou o processo de salvação por meio de sua união com as natureza divina. Embora a fórmula calcedônia não diga de fato alguma dessas coisas de forma inequívoca, ela parece permitir espaço para elas ; por conseguinte, podia até ser, e na verdade era, tomada como uma vidicaçao da posição nestoriana. • Na verdade, a relação da fórmula com outra alternativa era ainda menos clara e, com certeza, menos tranquilizadora no longo curso. É inegável que a fórmula ensinava uma união hipostática de tipos: combinando “pessoa e hipóstase emfo um só”. Ela também se refere à Virgem como theotokos e exigia que as naturezas, apesar de haver duas delas, fossem reconhecidas como “sem divisão”, “sem separação”. Para a teologia da união hipostática, esse foi um bom começo, mas nada além de um começo. Os problemas realmente difíceis foram ignorados ou descartados por engano. Não ficou claro, por exemplo, quem era o sujeito do sofrimento e da crucificação, pois esses eventos na história da salvação não eram tão mencionados. Presume-se que as referências a “um só e o mesmo” próximo do começo e próximo do fim indicariam que ele, na concretude de sua pessoa total tanto divina quanto humana, era o sujeito, mas isso não foi especificado. Reciprocamente, todas as advertências contra qualquer confusão das duas naturezas deixaram os proponentes da união hipostática insatisfeitos com seu ponto soteriológico fundamental: que a divinização suprema do homem teve seu início na união da humanidade de Cristo com sua divindade em uma inteireza íntima e inseparável de pessoa. E talvez o problema mais crucial de todos, evidente em qualquer declaração de credo, mas especialmente óbvia nessa, era o hermenêutico. O credo começava com a declaração de que foi “transmitido pelos santos pais” e concluía com referências específicas não só aos profetas do Antigo Testamento e aos ensinamentos de Jesus do Novo Testamento, mas também à autoridade do “Símbolo dos Pais”. À luz das deliberações em Éfeso e das questões na controvérsia, isso quase com certeza se referia ao Credo de Nicéia. Mas todos reivindicavam essa autoridade; e dependendo de qual dos “santos pais” alguém citasse -Niceia e, agora, Calcedônia- essa questão poderia ser interpretada de diversas maneiras. • Portanto, houve concordância em discordar. Mas foi mais que isso: era basicamente uma declaração da teologia da pré-existência, da kenosis e da exaltação formulada de tal maneira a transcender as alternativas especulativas ao ir além (ou abaixo) delas até a verdade dos evangelhos – pura, clara e simples. Mas a verdade, até mesmo a verdade dos evangelhos, nunca é pura e clara e raramente, simples. A cristologia calcedônia estabeleceu os termos para a telogia e a devoção da igreja latina, pelo menos, até a Reforma, e mesmo então as várias doutrinas concorrentes das doutrinas da pessoa de Cristo rivalizavam umas com as outras os seus protestos de lealdade à calcedônia. Mas, nas porções grega e siríaca da igreja, a ambiguidade dessa cristologia tornou-a consideravelmente menos bem-sucedida. Quer ela fosse considerada evasiva quer apenas ingênua, Essa cristologia foi pouco popular no Oriente fornecendo os termos para subsequentes controvérsias, em vez da solução para as antigas controvérsias. E no processo de alienação de grandes segmentos da cristandade que, mesmo depois de um milênio e meio, ainda não se reconciliaram nem com o Sínodo da Calcedônia nem com as igrejas que o aceitam. • DECISÕES DOS PRIMEIROS CONCÍLIOS SOBRE AS HERESIAS CRISTOLÓGICAS • “Um senhor Jesus Cristo perfeito em divindade e o mesmo perfeito em humanidade não sofreu em sua natureza divina mas em sua natureza terrena” Justiniano I A Confissão da verdadeira fé contra os três capítulos PG.86:1003) • Não havia ninguém na comunhão do cristianismo católico que “ousava dizer que a três naturezas na Trindade divina como a três hipóstases”. Não só os concílios de niceia, Constantinopla e Éfeso, mas também “os santos pais que se reuniram na calcedônia”(Justiniano I A Confissão da verdadeira fé contra os três capítulos [86:1013]) foram confirmados como Santos confessores. Não obstante, os ANÁTEMAS ligados à confissão deixaram óbvio onde estava sua a direção. Estes condenavam todos que ensinavam dois cristos, ou que negavam o Theotokos ou que negavam a unidade de Cristo em duas naturezas (e a despeito delas). Por isso, “se alguém defender Teodoro de mopsuéstia[…] que apresentou essas blasfêmias e se não o anatematizar e tudo que foi atribuída a ele, e alguém que tenha um raciocínio semelhante ao dele ou ainda raciocina dessa forma, que ele seja anátema”. A mesma coisa é aplicada ao apoio de nestório a Teodoreto: “Se alguém defender os escritos lembrados de Teodoreto e não os anatematizar, seja ele anátema” (Justiniano I A Confissão da verdadeira fé contra os três capítulos [PG. 86:1017]). Isso foi dirigido não só aos partidários desses condenados aqui, mas também, e acima de tudo, a todos os críticos monofisitas de calcedônia (Justiniano I A Confissão da verdadeira fé contra os três capítulos [PG.86:1019]); pois estava sendo afirmado aqui que esta interpretação dos decretos calcedônios era a válida, em vez da interpretação óbvia (e ocidental e, na verdade, nestoriana). Pois a igreja católica Condena esse falso ensinamento não contra “o templo” e contra habitação [do Logos] no templo, mas contra o único Senhor Jesus Cristo, o logos de Deus encarnado” (Justiniano I A Confissão da verdadeira fé contra os três capítulos [PG.86:1021]). • A condenação Imperial dos três capítulos encontrou alguma resistência de várias autoridades eclesiásticas, incluindo o Bispo de Roma, mas no fim ela foi aprovada e reforçada pelo segundo Concílio de Constantinopla, em 553. O concílio condenou qualquer um que sustentasse que “Deus Logos que realiza Milagres era outro que não o Cristo que sofreu” ( segundo concílio de Constantinopla 553 anátema 3 mansi 9:377) o Concílio reafirmou o Theotokos e rejeitou um mero christotokos (segundo Concílio de Constantinopla 553 ANÁTEMA 6 mansi 9:380). O primeiro anátema (segundo Concílio de Constantinopla 553 anátema 1 mansi 9:384) foi a reafirmação do Dogma ortodoxo da trindade, e ele declarava que “a Santíssima Trindade não sofreu adição de uma pessoa ou hipóstase quando um da Santíssima Trindade, Deus Logos, tornou-se encarnado” (segundo Concílio de Constantinopla 553 anátema 5 mansi 9:380). Além do catálogo usual de hereges e heresias a serem condenados — incluindo Ário, Eunômio, macedônio, Apolinário, nestório, Euteques (segundo Concílio de Constantinopla 553 anátema 11 mansi 9:384 ) — o concílio devoltou cânones especiais aos ANÁTEMAS pronunciado sobre cada um dos três capítulos (segundo Concílio de Constantinopla 553 anátema 12-14 mansi 9:384 – 88) O nome de Orígines, em boa medida, foi acrescentado a lista; a condenação de várias doutrinas atribuídas a Orígines, que Justiniano tinha lançado em 543, com frequência, é incluída com os atos e as minutas do Conselho (segundo Concílio de Constantinopla 553 Cânones Mansi 9:396 -400), embora não pareça ter sido adotada oficialmente ali. O Concílio de calcedônia foi vindicado como um “sínodo Santo” e que tinha agido devotamente (segundo Concílio de Constantinopla 553 ANÁTEMA 6 mansi 9:380). Mas todo o tom da construção posto no Concílio de calcedônia era o dado a ele pela teologia Imperial que prevaleceu. O problema cristológico não foi resolvido no segundo Concílio de Constantinopla de forma muito mais eficaz que no de calcedônia e, durante o século VII, a controvérsias sobre se Cristo tinha uma vontade ou duas continuaria a assolar. • AS IGREJA ORIENTAIS E OCIDENTAIS • O Henotikon de Zenon (ano 482) • Zenon imperador de 474 a 491, apus Evagrius, H. E. III. 14 • (Depois de calcedônia, o nestorianismo que se propaga na parte oriental do Império Romano, tendo seu centro em Edessa, foi difundido na pérsia por Baesumas, surgindo assim a igreja cismática persa (assíria) os monofisitas continuaram forte na Síria e no Egito. Zenon foi forçado a se exilar por 2 anos, sendo o seu rival apoiado pelos monofisitas. O Henotikon (edito de reunião) buscava pôr fim ao cisma, que era um perigo político. mas a sugestão do edito de que o Concílio de calcedônia poderia ter errado levantou a indignação do ocidente o Papa Simplício excomungou os patriarcas de Alexandria e Constantinopla, bem como o próprio Imperador. daí surgiu o cisma que durou até a subida de Justino ao poder em 518 que reafirmou a definição de calcedônia. • O Imperador Zenon César, piedoso, vitorioso, Supremo, sempre devoto Augusto, aos reverendíssimos bispos e clérigos, aos monges e ao povo espalhados por Alexandria, Egito, Líbia e tentar pentápolis. • Nós estamos convencidos de que a fonte e o sustentáculo de nossa soberania, sua força e inexpugnável defesa, é aquela única e verdadeira fé que, por inspiração de Deus, foi publicada pelos 318 Santos Padre reunidos em nicéia e confirmada pelo 150 Santos padres que de modo semelhante, se reuniram em Concílio em Constantinopla. por isso, nos esforçamos noite e dia por todos os meios, por oração, por ações corajosas, por legislação, a fim de promover em toda parte o crescimento da Santa Igreja Católica e apostólica, a Imaculada e Imortal mãe de nosso reino, para que os leigos piedosos permanecendo em paz e harmonia com Deus, possam juntamente com os bispos ternamente amados por Deus, com o piedosíssimo Clero, os arquimandritas e os monges, oferecer seu sacrifício aceitável em favor de nossa soberania. Visto que o nosso grande Deus e salvador Jesus Cristo, que se encarnou e nasceu de Maria, Santa Virgem e genitora de Deus, aprova e prontamente aceita nosso culto e serviço harmonioso, o poder de nossos inimigos será superado e disperso, e as bençãos da paz do tempo favorável e de colheitas abundantes, Assim como tudo que vem em benefício do homem, nos será liberalmente concedido. • Por conseguinte, visto que fé irepreensível é a nossa defesa e a do Império Romano, recebemos petições de piedosos arquimandritas e Eremitas, suplicando com lágrimas que as igrejas sejam restauradas na unidade, que sejam reunidos os membros que o inimigo de Todo o Bem desde o princípio tentou por todos os meios separar um dos outros, sabendo que será derrotado se atacar quando o corpo estiver todo reunido. com efeito, das inumeráveis gerações que O Tempo Levou desta vida no decurso de tantos anos, sucedeu que alguns morreram privadas do banho da Regeneração, enquanto outros foram levados sem terem participado da Divina comunhão; além disto foram cometidos vários homicídios e não somente a terra mas também o ar ficou poluído pela abundância do Sangue Derramado. quem não oraria para que esse estado de coisas se transformasse em bem? • Por isto estamos ansiosos por informar-vos que nem nós, nem as igrejas através do mundo, temos professado, professamos ou professaremos, e nem sabemos de alguém que tenha professado qualquer outro símbolo, doutrina, definição de fé ou Credo a não ser o santo símbolo supramencionado dos 318 Santos padres, que foi confirmado pelo surpraditos 150 Santos padres. Se alguém Professou outra coisa, nós o temos como estranho. Pois estamos seguros de que somente este símbolo é a defesa de nossa soberania, como dissemos, e todos os que desejam a iluminação Salvadora somente são batizados se aceitarem unicamente a este. Este é o símbolo seguido por todos os santos padres no Concílio de Éfeso, quando proferiram sentença da deposição de Nestório e de todos aqueles que seguiam suas opiniões; ao qual Nestório nós também a anatematizamos, juntamente com Eutiques e todos os que professam opiniões contrárias ao Supramencionado. Ao mesmo tempo, aceitamos os doze capítulos de Cirilo, de bem-aventurada memória, arcebispo da santa e católica Igreja dos alexandrinos. • Além disso, confessamos que unigênito filho de Deus, ele mesmo Deus, realmente tomou sobre si a humanidade, nosso Senhor Jesus Cristo, e que, com respeito a sua divindade, é consubstancial com o pai, sendo, com respeito à sua humanidade, consubstancial conosco; confessamos que ele, descendo e se encarnando por obra do Espírito Santo e da Virgem Maria, a genitora de Deus, é um só e não dois, visto afirmarmos que pertencem a uma única pessoa tanto seus milagres como os seus Sofrimentos que, por sua própria vontade, suportou na carne; de modo algum admitimos aqueles que fazem uma divisão uma confusão, ou apresentam um fantasma, afirmando nós que sua Encarnação verdadeiramente Sem Pecado na genitora de Deus não importou na adição de um filho, já que a santa Trindade continua a existir como Trindade mesmo quando um membro,Deus e o verbo, se encarnou. • sabendo, portanto, que nem a santa igreja ortodoxa e todo o mundo, nem o sacerdote Bem Amado de Deus que estão à sua testa, nem nossa própria soberania admitiram ou admitem outro símbolo ou definição de fé senão a santa doutrina Supramencionada, sem hesitação nos unimos a ela. Escrevemos isto para vossa segurança e não para vos apresentar uma nova forma de fé. • Anatematizados todo aquele que confessou ou confessa qualquer outra opinião, quer agora, quer em outro tempo, em calcedônia ou em outro sínodo qualquer; em particular anatematizamos Nestório, Eutiques e todos os que sustentam seus ensinamentos. • Portanto, uni-vos à igreja vossa mãe espiritual, e nela gozai a mesma comunhão conosco De acordo com a referida e única definição de fé, a dos 318 Santos padres. Porque a vossa mãe santíssima, a igreja, espera abraçar-vos como seus verdadeiros filhos e almeja por ouvir essa voz que ela tanto ama e que portanto tempo ficou retida. Apressai-vos, portanto, pois assim fazendo asegurareis para vós mesmos o favor de nosso Senhor e Deus, Jesus Cristo, bem como aprovação de nossa soberania. Bibliografia: tradição cristã, Jaroslav pelikan História da Igreja ecumênica, Thomas Kaufman, Raymund Kottje, Bernard Moeller, Hubert Wolff A Igreja dos apóstolos e dos Mártires, Daniel Rops #MacauGoaAngolaMoçambiqueCaboverdeGuinéBissauGuinéEquatorialSãotoméeprincipeEUAfrançaparisgeorgiaportugalMacedôniabelarusRússiapaquistãoIrãCoreiaEgipto #EUAfrançaparisgeorgiaportugalmacedoniabelarusrussiapaquistãoIrãnCoreiaEgiptoArabiasauditaEmiradosÁrabesunidosEtiópiaNigériaChinaIraqueZimbabuéÁfric #HistóriadasHeresias #históriadaigrejaprimitiva #Igreja

  • A DECISÃO SOBRE AS DUAS NATUREZAS DE CRISTO (Concílio de Calcedônia e os Anátemas de Cirilo)

    O NESTORIANISMO [Nestório, bispo de Constantinopla, 428-431, representa a posição oposta ao pensamento Antioquiano acerca deste problema. Os teólogos Antioquianos tencionavam ressaltar a realidade humana de Cristo, contrastando com a escola mística de Alexandria, empenhada em realçar sua completa realidade divina. Aparentemente, Nestório aprendeu sua doutrina com Teodoro de Mopsuéstia, que ilustrava a união das naturezas em CRISTO com a união conjugal de marido e mulher, tornados uma só carne sem deixarem de ser duas pessoas e duas naturezas. (Em vez de união, ele dizia conjunção, synápheia termo que representa perfeitamente a opinião Nestoriana e justifica sua inadmissíbilidade). ANÁTEMAS DE CIRILO DE ALEXANDRIA [A controvérsia surgiu em 428, quando Nestório se manifestou contrário ao título theotokos(mãe de Deus) dado a Maria. (Theotokos, Deípara, era menos controverso do que o português mãe de Deus: realçava mais a divindade do filho do que o privilégio da mãe). Este título era usado comumente, pelo menos desde Orígenes, e os Alexandrinos estavam bastante atentos para perceberem as suas implicações possíveis. Cirilo conseguiu a condenação de Nestório no sínodo Romano de 430, ratificada num sínodo de Alexandria. Enviou a Constantinopla uma carta extensa que expunha sua doutrina e terminava com os doze ANÁTEMAS:] 1. Se alguém não confessar que o Emanuel é o verdadeiro Deus e que, portanto, a santa virgem é theotokos, porquanto deu à luz, segundo a carne, ao verbo de Deus feito carne, seja ANÁTEMA. 2. Se alguém não confessar que o verbo de Deus pai estava unido pessoalmente [kath’hypostasin] à carne, sendo com ela propriamente um só Cristo, ou seja, um só e mesmo Deus e homem ao mesmo tempo, seja ANÁTEMA. 3. Se, no único Cristo, alguém dividir as pessoas [hypostáseis] já unidos, unindo-as mediante uma simples união de acordo com o mérito, ou uma união efetuada através de autoridade e poder, e não propriamente uma união de naturezas [ kath’hénosinphysíken, seja ANÁTEMA. 4. Se alguém distingue entre dois caracteres [prósôpa] ou pessoas [ hypostáseis]… Aplicando algumas apenas ao homem Jesus concebido separadamente do verbo…. Outras apenas o verbo…. Seja ANÁTEMA. 5. Se alguém presumir chamar Cristo de “homem portador de Deus” [ theophóron ánthrôpon]…. Seja ANÁTEMA. 6. Se alguém presumir chamar o verbo de Deus ou senhor de Cristo… Seja ANÁTEMA. 7. Se alguém disser que Jesus, enquanto homem, era operado [ enêrgêsthai] por Deus o verbo, que a “glória do unigênito” lhe foi concedida como algo existente fora do verbo…. Seja ANÁTEMA. 8. Se alguém afirmar que “juntamente com o verbo Divino, se deve co-adorar, co-glorificar, co-proclamar Deus ao homem assumido pelo verbo, como se fosse estranho ao verbo, – e a conjunção “com” ou “co”, necessariamente, indica tal assunção – e que não se deve adorar com a mesma adoração, glorificar com a mesma glorificação ao Emanuel feito carne”, seja ANÁTEMA. 9. Se alguém ensinar que o senhor Jesus Cristo foi glorificado pelo espírito santo, como se ele operasse um poder estranho a si concedido mediante o espirito santo… Seja ANÁTEMA. 10…. 11…. 12. Se alguém não confessar que o verbo de Deus sofreu na carne e foi crucificado na carne….. Seja ANÁTEMA. DECISÕES DOS PRIMEIROS CONCÍLIOS SOBRE AS HERESIAS CRISTOLÓGICAS “Um senhor Jesus Cristo perfeito em divindade e o mesmo perfeito em humanidade não sofreu em sua natureza divina mas em sua natureza terrena” Justiniano I A Confissão da verdadeira fé contra os três capítulos PG.86:1003) Não havia ninguém na comunhão do cristianismo católico que “ousava dizer que a três naturezas na Trindade divina como a três hipóstases”. Não só os concílios de niceia, Constantinopla e Éfeso, mas também “os santos pais que se reuniram na calcedônia”(Justiniano I A Confissão da verdadeira fé contra os três capítulos [86:1013]) foram confirmados como Santos confessores. Não obstante, os ANÁTEMAS ligados à confissão deixaram óbvio onde estava sua a direção. Estes condenavam todos que ensinavam dois cristos, ou que negavam o Theotokos ou que negavam a unidade de Cristo em duas naturezas (e a despeito delas). Por isso, “se alguém defender Teodoro de mopsuéstia[…] que apresentou essas blasfêmias e se não o anatematizar e tudo que foi atribuída a ele, e alguém que tenha um raciocínio semelhante ao dele ou ainda raciocina dessa forma, que ele seja anátema”. A mesma coisa é aplicada ao apoio de nestório a Teodoreto: “Se alguém defender os escritos lembrados de Teodoreto e não os anatematizar, seja ele anátema” (Justiniano I A Confissão da verdadeira fé contra os três capítulos [PG. 86:1017]). Isso foi dirigido não só aos partidários desses condenados aqui, mas também, e acima de tudo, a todos os críticos monofisitas de calcedônia (Justiniano I A Confissão da verdadeira fé contra os três capítulos [PG.86:1019]); pois estava sendo afirmado aqui que esta interpretação dos decretos calcedônios era a válida, em vez da interpretação óbvia (e ocidental e, na verdade, nestoriana). Pois a igreja católica Condena esse falso ensinamento não contra “o templo” e contra habitação [do Logos] no templo, mas contra o único Senhor Jesus Cristo, o logos de Deus encarnado” (Justiniano I A Confissão da verdadeira fé contra os três capítulos [PG.86:1021]). A condenação Imperial dos três capítulos encontrou alguma resistência de várias autoridades eclesiásticas, incluindo o Bispo de Roma, mas no fim ela foi aprovada e reforçada pelo segundo Concílio de Constantinopla, em 553. O concílio condenou qualquer um que sustentasse que “Deus Logos que realiza Milagres era outro que não o Cristo que sofreu” ( segundo concílio de Constantinopla 553 anátema 3 mansi 9:377) o Concílio reafirmou o Theotokos e rejeitou um mero christotokos (segundo Concílio de Constantinopla 553 ANÁTEMA 6 mansi 9:380). O primeiro anátema (segundo Concílio de Constantinopla 553 anátema 1 mansi 9:384) foi a reafirmação do Dogma ortodoxo da trindade, e ele declarava que “a Santíssima Trindade não sofreu adição de uma pessoa ou hipóstase quando um da Santíssima Trindade, Deus Logos, tornou-se encarnado” (segundo Concílio de Constantinopla 553 anátema 5 mansi 9:380). Além do catálogo usual de hereges e heresias a serem condenados — incluindo Ário, Eunômio, macedônio, Apolinário, nestório, Euteques (segundo Concílio de Constantinopla 553 anátema 11 mansi 9:384 ) — o concílio devoltou cânones especiais aos ANÁTEMAS pronunciado sobre cada um dos três capítulos (segundo Concílio de Constantinopla 553 anátema 12-14 mansi 9:384 – 88) O nome de Orígines, em boa medida, foi acrescentado a lista; a condenação de várias doutrinas atribuídas a Orígines, que Justiniano tinha lançado em 543, com frequência, é incluída com os atos e as minutas do Conselho (segundo Concílio de Constantinopla 553 Cânones Mansi 9:396 -400), embora não pareça ter sido adotada oficialmente ali. O Concílio de calcedônia foi vindicado como um “sínodo Santo” e que tinha agido devotamente (segundo Concílio de Constantinopla 553 ANÁTEMA 6 mansi 9:380). Mas todo o tom da construção posto no Concílio de calcedônia era o dado a ele pela teologia Imperial que prevaleceu. O problema cristológico não foi resolvido no segundo Concílio de Constantinopla de forma muito mais eficaz que no de calcedônia e, durante o século VII, a controvérsias sobre se Cristo tinha uma vontade ou duas continuaria a assolar. #MacauGoaAngolaMoçambiqueCaboverdeGuinéBissauGuinéEquatorialSãotoméeprincipeEUAfrançaparisgeorgiaportugalMacedôniabelarusRússiapaquistãoIrãCoreiaEgipto #EUAfrançaparisgeorgiaportugalmacedoniabelarusrussiapaquistãoIrãnCoreiaEgiptoArabiasauditaEmiradosÁrabesunidosEtiópiaNigériaChinaIraqueZimbabuéÁfric #históriadaigrejaprimitiva

  • PAIS DA IGREJA CONTRA A SOLA SCRIPTURA

    A Patrística Refutando a Sola Scriptura Esta é uma exaustiva matéria com dezenas de citações patrísticas confirmando que os pais da Igreja nunca foram adeptos da Heresia de Lutero. Depois de não encontrarem na bíblia nenhuma citação que comprove a Sola Scriptura, protestantes estão querendo agora utilizar os pais da Igreja, que eles tanto odiavam, para tentar fundamentar a heresia iniciada com John Huss e homologada por Lutero. Por isso que Erasmo De Roterdam quando Lutero inventou está doutrina, proferiu o seguinte vaticinio: “Se este teu princípio for admitido a Cristandade se converterá num amontoado de seitas.” O cumprimento da profecia está ai pra todo mundo ver! Esta apologética desonesta se vale de textos isolados e truncados (Tal como fazem com a bíblia) para afirmar que os pais da Igreja eram adeptos desta heresia. Quem estuda Patrística e a Patrologia deve até achar engraçado, mas é a mais pura verdade, protestantes querendo provar a Sola Scriptura por meio dos pais da Igreja. Todos sabemos que para saber qual era realmente o pensamento de um pai, temos que estudar seus escritos sua vida, ordem religiosa e etc, mas alguns protestantes como num passe de mágica descobrem toda a teologia de um padre lendo na internet uma ou duas passagens deles. Assim como certo dia um protestante disse que São Vicente De Lerins “apoiava” a Sola Scriptura e mostrou a passagem: “Posto que o Cânon das Escrituras é em si mais que suficientemente perfeito para tudo” (Commonitorium). A primeira vista tal sentença seria uma grande prova que São Vicente era adepto da Sola Scriptura, só que o texto não passava de uma frase cortada de seu contexto original que se refere exatamente ao contrário, ou seja, este mesmo texto de São Vicente refuta a Sola Scriptura , vejamos: “Perguntando eu com toda a atenção e diligência a numerosos varões, eminentes em santidade e doutrina, que norma poderia achar segura, enquanto possível genérica e regular, para distinguir a verdade da fé católica da falsidade da heresia, eis a resposta constante de todos eles: quem quiser descobrir as fraudes dos hereges nascentes, evitar seus laços e permanecer sadio e íntegro na sadia fé, há de resguardá-la, SOB O AUXÍLIO divino, duplamente: com A AUTORIDADE DA LEI DIVINA E COM A TRADIÇÃO DA IGREJA CATÓLICA. Sem embargo, ALGUÉM PODERIA OBJETAR: Posto que o Cânon das Escrituras é em si mais que suficientemente perfeito para tudo, que necessidade há de se acrescentar a autoridade da interpretação da Igreja? Precisamente porque a Escritura, por causa de sua mesma sublimidade, não é entendida por todos de modo idêntico e universal. De fato, as mesmas palavras são interpretadas de maneira diferente por uns e por outros. Se pode dizer que tantas são as interpretações quantos são os leitores.” (Commonitorium). Ou seja São Vicente nada mais está fazendo do que refutando os adeptos da Sola Scriptura, 1100 anos antes dela aparecer. Só que como a passagem foi recortada do seu contexto, da a entender que São Vicente falou algo que ele nunca quis dizer. O Desonesto CA”C”P, site protestante anti-católico, afirma que Irineu, Tertuliano, Cirilo de Jerusalém, Gregório de Nissa, Cipriano, Orígenes, Hipólito, Atanásio, Firmiliano e Agostinho, Gregório de Nissa. Policarpo, Clemente de Alexandria, Orígenes, eram todos adeptos da Sola Scriptura, pois bem mostraremos aqui o testemunho de todos estes Pais e de outras dezenas afirmando exatamente ao contrário. Como havia tempo de ficar traduzindo tudo, fomos pesquisando em alguns sites católicos e juntando as passagens que existiam em português , as que não tinham em nenhum site traduzimos, porque a grande maioria dos livros patristicos que temos estão em inglês, mas paramos na metade, porque caso contrário um Livro com mais de 380 citações dos Padres do Século I ao VII sobre a Sagrada Tradição e a Autoridade Dos Bispos. Protestantes têm que fazer força, ginásticas mentais, adulterações, truncagens, malabarismos e textos imensos induzindo os Santos Padres a serem adeptos da Sola Scriptura. Nós, por outros lado, apenas nos limitamos a citá-los e fazer uma breve introdução em alguns dos seus comentários, pois eles falam sozinhos. CLEMENTE DE ROMA (Papa, +100) “Devido às repentinas e repetidas calamidades e desventuras que se têm abatido sobre nós, precisamos reconhecer que tardamos um pouco em voltar nossa atenção para os assuntos de disputas entre vocês, amados; e especial-mente a abominável e ímpia rebelião, alienígena e estrangeira aos eleitos de Deus, que umas pessoas temerárias e rebeldes inflamaram a tal loucura que o seu nome venerável e ilustre, digno de ser amado por todos os homens, têm sido difamado. ” (Carta aos Coríntios, 80 D.C). “Aceitem o nosso conselho e não terão nada a lamentar.” (Carta aos Coríntios 58,2). “Se, porém, alguns não obedecerem ao que foi dito por nós, saibam que se envolverão em pecado e perigo não pequeno” (Carta aos Coríntios 59,1). INÁCIO DE ANTIOQUIA (+107) “Antes exortei-vos a vos conservardes unânimes na doutrina de Deus, pois Jesus Cristo nossa vida inseparável, é a doutrina do Pai, como a doutrina de Jesus Cristo são os bispos constituídos nas diversas regiões da terra”(S. Inácio, in Ad Ephesios, 3-4). “Onde quer que o Bispo apareça, deixe o povo estar; assim como onde quer que Jesus Cristo esteja, lá está a Igreja Católica.” (Sto Inácio. Carta aos Cristãos de Esmirna 8,1). “De maneira semelhante, que todos respeitem os diáconos como eles respeitariam Jesus Cristo, e assim como eles respeitam o Bispo como uma tipologia do Pai, e os presbíteros como o Concílio de Deus e o colégio dos apóstolos. Sem estes, não se pode chamar de uma Igreja.” (Sto. Inácio. Carta aos Trallians 3,1). Eusébio diz sobre Santo Inácio: “Advertia, antes de tudo, as igrejas das diversas cidades, que evitassem, sobre todas as coisas, as heresias que começavam então a se alastrar e exortava-as a se aterem tenaz-mente à Tradição dos Apóstolos” (Euséb., Hist. Eccles., 3, 36 / MG, 20, 287); POLICARPO DE ESMIRNA (+156) Diz sobre a tradição: “a palavra que nos foi transmitida desde o princípio.” (Filip. 7,2; cfr. 3,2; 4,2). ”Desde que me tornei discípulo dos apóstolos, sou doutor do povo. O que me foi transmitido, ofereço-o aos discípulos, que são dignos da verdade.”(Carta a Diogneto, Cap XI) PAPIAS (+130) “Caso viesse alguém que tivesse convivido com os presbíteros, eu procurava saber os ditos dos presbíteros, isto é, o que haviam ensinado André, Pedro, Filipe, Tomé, Tiago, João, Mateus ou qualquer outro discípulo do Senhor. Estava convencido de que da leitura dos livros não retiraria tanto proveito quanto da voz viva e permanente”(segundo Eusébio, História da Igreja 3,39). JUSTINO MÁRTIR (+165) Alguns dizem que São Justino era adepto desta “Sola Scriptura”, e citam vários textos truncados do dialogo dele com Tifão quando ele refuta as tradições judaicas, vou citar somente uma dele, pois não deu tempo de traduzir outras: “E então, quando Jesus foi para o rio Jordão, onde João estava batizando, e quando Ele entrou na água, um fogo se acendeu no Jordão; e quando Ele saiu da água, o Espírito Santo se acendeu sobre Ele como uma pomba…”(Dialogo com Tifão Capítulo LXXXVIII) Onde é que ele tirou isso ai da bíblia? Onde é que tem na Bíblia o Jordão em fogo e o Espírito Santo se acendendo em cima de Jesus? Está ai é mais um fato transmitido oralmente que chegou até ele. Vemos isso também em outro relatado em um Livro apócrifo do NT. SANTO IRINEU DE LIÃO (+202) “Quando são [os gnósticos] vencidos pelos argumentos tirados das Escrituras retorcem a acusação contra as próprias Escrituras, (…) E quando, por nossa vez, os levamos à Tradição que vem dos apóstolos e que é conservada nas várias igrejas, pela sucessão dos presbíteros, então se opõem à tradição.” (Contra as Heresias 2,1-2 Livro III). “(…) Mas, quando os hereges acusam as Escrituras, como se as mesmas estivessem erradas, fossem desautorizadas, mutantes e como se nelas não pudessem encontrar qualquer verdade por aqueles que são ignorantes na Tradição… E, quando em desafio, nós lhes apontamos a mesma Tradição, que nos veio dos apóstolos, que é resguardada pela sucessão dos antigos nas igrejas, eles se opõem a esta Tradição, julgando-se mais sábios, não somente do que os antigos, mas, igualmente, do que os apóstolos.” (Contra as Heresias) “Sob Clemente, havendo nascido forte discórdia entre os irmãos de Corinto, a Igreja de Roma escreveu-lhes uma carta enérgica, exortando-os à paz, reparando-lhes a fé, e anunciando-lhes a Tradição que havia pouco tinham recebido dos apóstolos” (Contra as Heresias 3, c.3,n.3) ; “Aí está claro, a quantos querem ver a verdade, a tradição dos apóstolos, manifesta em toda a Igreja disseminada pelo mundo inteiro…” (Contra as heresias 3, 3, 1); “Não devemos buscar nos outros a verdade que é fácil receber da Igreja, pois os apóstolos a mãos cheias, versaram nela, como em riquíssimo depósito, toda a verdade… Este é o caminho da vida” (Idem, In Contra as heresias 3, 4, 1); “E se os apóstolos não nos houvessem deixado as Escrituras, não cumpria seguir a ordem da Tradição por eles ensinada a quem confiavam à sua Igreja? Esta norma é seguida por muitos povos bárbaros que creem em Cristo sem papel e sem tinta, enquanto possuem a mensagem da salvação, escrita em seu coração pelo Espírito Santo e ciosamente conservam a antiga Tradição.” ( Idem, In contra as heresias 3, 4,1) Santo Irineu na mesma obra escreveu: “Desde então, a mesma Tradição dos apóstolos existe na Igreja, e permanece conosco (…). “ (Contra as Heresias 3,5,1) “Portanto, a Tradição dos apóstolos, que foi manifestada no mundo inteiro, pode ser descoberta e toda igreja por todos os que queiram ver a verdade. Poderíamos enumerar aqui os bispos que foram estabelecidos nas igrejas pelos apóstolos e seus sucessores até nós; e eles nunca ensinaram nem conheceram nada que se parecesse com o que essa gente [os hereges] vai delirando. […] Mas visto que seria coisa bastante longa elencar numa obra como esta, as sucessões de todas as igrejas, limitar-nos-emos à Tradição da maior e mais antiga e conhecida por todos, à igreja fundada e constituída em Roma, pelos dois gloriosíssimos apóstolos, Pedro e Paulo, e, indicando a sua tradição recebida dos apóstolos e a fé anunciada aos homens, que chegou até nós pelas sucessões dos bispos, refutaremos todos os que de alguma forma, quer por enfatuação ou vanglória, que por cegueira ou por doutrina errada, se reúnem prescindindo de qualquer legitimidade. Com efeito, deve necessariamente estar de acordo com ela, por causa da sua origem mais excelente, toda a igreja, isto é, os fiéis de todos os lugares, porque nela sempre foi conservada, de maneira especial, a tradição que deriva dos apóstolos.” (Contra as Heresias, III,3,1-2). Grifos nossos. “A mensagem da Igreja é, portanto, verídica e sólida, pois é nela que um único caminho de salvação aparece no mundo inteiro” (Contra as Heresias 5,20,1). TERTULIANO DE CARTAGO (+220) “Erros de doutrina nas comunidades eclesiais devem ter surgido necessariamente sobre vários assuntos. Quando, contudo, se encontrava de forma unânime e igual aquela doutrina que fora passado a muitos, não era resultado de um erro, mas da tradição.Pode alguém, então, ser tão irresponsável que diga que aqueles que receberam a tradição estavam em erro?” (Prescrição contra os Hereges, 28). “A crença uniformemente professada por diversas comunidades não deriva do erro, mas da legítima Tradição”.(Tertuliano) “De nada vale as discussões das Escrituras. A heresia não aceita alguns de seus livros, e se os aceita, corrompe-lhes a integridade, adulterando-os com interpolações e mutilações ao sabor de suas idéias, e se, algumas vezes admitem a Escritura inteira, pervertem-lhe o sentido com interpretações fantásticas…” (Tertuliano séc 3 In De Praescriptionibus., c. 19 / ML, II,31). Completa: “aí se achará a verdade das Escrituras, da sua interpretação e de todas as tradições cristãs” (Idem, De Praescript., c. 19 ML, 2, 31). “… Resta, pois, demonstrar que nossa doutrina, cuja regra formulamos acima, procede da tradição dos apóstolos e, por isso mesmo, as demais procedem da mentira. Nós estamos em comunhão com as igrejas apostólicas, se nossa doutrina não difere da sua: eis o sinal da verdade” (Tertuliano, Da Prescrição dos Hereges, XIII-XX). “[Os Apóstolos] logo foram pelo mundo e pregaram a mesma doutrina da mesma fé às nações. Eles, portanto, de modo semelhante, andaram pelas igrejas em cada cidade, e dessas para todas as igrejas, uma após outra, e transmitiram a tradição da fé e as sementes da doutrina, e a cada dia as passavam adiante para constituírem igrejas. Certamente, é por causa disso somente que foram capazes elas próprias de se considerarem apostólicas, tendo sua origem nas igrejas apostólicas. Cada espécie de coisa deve necessariamente voltar às suas origens para sua adequação. Daí, as igrejas, embora sejam tantas e tão grandes, são ligadas a uma única igreja primitiva [fundada] pelos apóstolos, delas todas [fonte]. Dessa maneira todas são primitivas e todas apostólicas, enquanto são todas confirmadas por uma, [indissolúvel] unidade, por sua comunhão pacífica, por característica de irmandade e por laço de hospitalidade, privilégios que nenhuma outra norma determina senão que uma única tradição do mesmo mistério.” (Tertuliano, Prescrição Contra os Hereges, 20). SÃO CLEMENTE DE ALEXANDRIA (+215) “Mas ele, salvaguardando a verdadeira Tradição dos ensinamentos abençoados, que nos vêm direto dos apóstolos Pedro, Tiago, João e Paulo e foram transmitidos de pai para filho, chegara até nós, com a ajuda de Deus para que em nós fossem depositadas as sementes destes apóstolos.” (Stromata 1, 11). “Para nós,… que crescemos com as Escrituras, que preservamos a correta doutrina dos apóstolos e da Igreja, que vivemos de acordo com o Evangelho, é nos permitido descobrir as provas da Lei e dos Profetas que eles tanto buscam.” (Stromata, 7, 104). HIPÓLITO DE ROMA (+235) “Justamente por não observarem as Sagradas Escrituras e não guardarem a Tradição de algumas santas pessoas é que os hereges criaram essas [ímpias] doutrinas” (Refutação de Todas as Heresias 1, Prefácio). ORÍGENES DE ALEXANDRIA (+253) “que só se deve crer nas verdades ligadas às tradições eclesiástica e apostólica” (De princ. Prae., 2). “Esta pedra é inacessível às serpentes, é ela é mais forte que os portões do inferno em oposição, é por causa disso que as forças dos portões do Hades não prevalecerão contra ela; mas a Igreja, como uma construção feita pelo próprio Cristo construindo sua morada, é incapaz de admitir que os portões do Hades prevaleçam sobre qualquer um que esteja fora desta pedra, mas não possui forças para tal” (Orígenes, Sobre Mateus,12,11). “Quando hereges nos mostram as Escrituras canônicas – nas quais o cristão crê e confia – parecem dizer: ‘Oh, ele está restrito’. Contudo, não cremos neles, nem abandonamos a Tradição original da Igreja, nem acreditamos em outras coisas que não nos foram trazidas pela sucessão existente na Igreja de Deus”(Homilia sobre Mateus 4,6). SÃO CIPRIANO DE CARTAGO (+258): “Depois de tudo isto, eles ainda, tendo um falso bispo que hereges lhes ordenaram, atreveram-se a selar e carregar cartas de pessoas cismáticas e profanas para a Cátedra de Pedro (que é) a Igreja principal, de onde surge a unidade do pastoreio. Eles não refletiram que os romanos são os mesmos cuja fé foi louvada publicamente pelos apóstolos, e aos quais a descrença jamais terá acesso.” (Epist. 59,14). Grifos nossos. “Julga conservar a fé quem não conserva esta unidade recomendada por Paulo? (Ef 4,4-6). Confia estar na Igreja quem abandona a cátedra de Pedro sobre a qual está fundada a Igreja?” (S. Cipriano). “A Esposa de Cristo não pode tornar-se adúltera, ela é incorruptível e casta [Cf Ef 5,24-31]. Conhece só uma casa, observa, com delicado pudor, a inviolabilidade de um só tálamo. É ela que nos guarda para Deus e torna partícipes do Reino os filhos que gerou. Aquele que, afastando-se da Igreja, vai juntar-se a uma adúltera, fica privado dos bens prometidos à Igreja. Quem abandona a Igreja de Cristo não chegará aos prêmios de Cristo. Torna-se estranho, torna-se profano, torna-se inimigo. Não pode ter Deus por Pai quem não tem a Igreja por mãe. Como ninguém se pôde salvar fora da arca de Noé, assim ninguém se salva fora da Igreja.” (Sobre a unidade da Igreja, cap. 4). LACTÂNCIO (+-300): “Só a Igreja Católica é que conserva o verdadeiro culto. Esta é a fonte da verdade; este o domicílio da fé, o templo de Deus, no qual se alguém não entrar, do qual se alguém sair, está privado da esperança de vida e salvação eterna”(livro 4º cap. 3º). SÃO BASÍLIO O GRANDE (329-379) “Sobre os dogmas e querigmas preservados pela Igreja, alguns de nós possuímos ensinamento escrito e outros recebemos da tradição dos Apóstolos, transmitidos pelo mistério. Com respeito à observância, ambos são da mesma força. Ninguém que seja versado mesmo um pouco no proceder eclesiástico, deverá contradizer qualquer um deles, em nada. Na verdade, se tentarmos rejeitar os costumes não escritos como não tendo grande autoridade, estaríamos inconscientemente danificando os Evangelhos em seus pontos vitais; ou, mais ainda, estaríamos reduzindo o querigma a uma única expressão” (O Espírito Santo, 27,36). EUSÉBIO (+330) “[Os apóstolos] Anunciaram o reino dos céus a todo orbe habitado, sem a menor preocupação de escrever livros. Assim procediam porque lhes cabia prestar um ser-viço maior e sobrehumano. Até Paulo, o mais potente de todos na preparação dos discursos, o mais dotado relativamente aos conceitos, só transmitiu por escrito breves cartas, apesar de ter realidades inúmeras e inefáveis a contar […] Outros seguidores de nosso Salvador, os primeiros apóstolos, os setenta discípulos e mil outros mais não eram inexperientes das mesmas realidades. Entretanto, dentre eles todos, somente Mateus e João deixaram memória dos entretenimentos do Salvador. E a Tradição refere que estes escreveram forçados pela necessidade. […] Quanto a João [o apóstolo], diz-se que sempre utilizava o anúncio oral. Por fim, também ele pôs-se a escrever pelo seguinte motivo. Quando os três evangelhos precedentes já se haviam propagado entre todos os fiéis e chegaram até ele, recebeu-os, atestando sua veracidade. Somente careciam da história das primeiras ações de Cristo e do anúncio primordial da palavra. E trata-se de verdadeiro motivo.” (História Eclesiástica Livro III, 24,3-7.) “A Clemente [3º sucessor de São Pedro na Cáthedra de Roma] sucedeu Evaristo; a Evaristo, Alexandre, depois, em sexto lugar desde os apóstolos, foi estabelecido Xisto; logo, Telésforo, que prestou glorioso testemunho; em seguida, Higino; após este, Pio, e depois, Ani-ceto. Tendo sido Sotero o sucessor de Aniceto, agora detém o múnus espiscopal Eleutério, que ocupa o duodécimo lugar na sucessão apostólica. Em idêntica ordem e idêntico ensinamento na Igreja, a tradição proveniente dos apóstolos e o anúncio da verdade chegaram até nós.” (História Eclesiástica Livro V, 6,4-5. Eusébio de Cesareia). Veja a observação de Eusébio quanto à degeneração doutrinária das seitas: “Extinguiram-se, pois rapidamente as maquinações dos inimigos, confundidas pela atuação da Verdade. As heresias, uma após outras, apresentavam inovações; as mais antigas continuamente desvaneciam e desvirtuavam-se, de difrentes modos, para dar lugar a idéias diversas e variadas. Ao invés, ia aumetando e crescendo o brilho da única verdadeira Igreja católica, sempre com a mesma identidade, e irradiando sobre gregos e bárbaros o que há de respeitável, puro, livre, sábio, casto em sua divina conduta e filosofia. […] Além do mais, na época de que tratamos, a verdade podia apresentar numerosos defensores, em luta contra as heresias ateias, não somente através de refutações orais, mas também por meio de demonstrações escritas.” (História Eclesiástica Livro IV, 7,13.15. Eusébio de Cesareia, + ou – 317 d.C). SÃO CIRILO DE JERUSALÉM (+315-386) “Mas aprendendo a Fé e a professando, tenhais em mente e conservai aquilo somente que vos é agora transmitido pela Igreja e que foi estruturado fortemente nas Escrituras” (Leituras Catequéticas, 5,12). Então ompleta: “Aprendei também diligentemente DA IGREJA quais são os livros do Antigo Testamento e quais os do Novo” (Leituras Catequéticas, 4,33). SÃO GREGÓRIO DE NISSA (+340): “Se um problema é desproporcional ao nosso raciocínio, o nosso dever é permanecer bem firmes e irremovíveis na Tradição que recebemos dos Padres” (- Quod non sint tres dii, MG 45,117). “Pois é suficiente para provar nossa afirmação de que a Tradição veio até nós por nossos pais, transmitida como uma herança, por sucessão dos apóstolos e dos santos que os sucederam. Aqueles, por outro lado, que mudaram suas doutrinas com novidades, necessitariam do suporte de abundantes argumentos, se quisessem mostrar seus pontos de vista, não à luz de homens controversos e instáveis, mas de homens de peso e firmeza. Mas já que suas posições se apresentam sem fundamentos e sem provas, quem é tão louco e tão ignorante para considerar os ensinamentos dos evangelistas e apóstolos, e daqueles que sucessivamente brilharam como luzes nas igrejas de menos força do que tais coisas sem sentido e sem provas?” (Contra Eunômio, 4,6). SANTO ATANÁSIO DE ALEXANDRIA (+373) “Mas nossa fé é correta, começando com o ensinamento do apóstolos e Tradição dos padres, sendo confirmada por ambos os Testamentos.” (Epis 60). Esse grande Padre da Igreja ainda dizia: “Mas depois do demônio, e com ele, vêm todos os que inventam heresias ilegais, que muito embora se refiram à Escritura, não mantém as mesmas opiniões que os Santos transmitiram, e, não as conhecendo nem ao seu poder, recebem tradições de homens caindo em erro.” (Festal Letter 2) “Estamos de acordo com o fato de que este não é o ensinamento da Igreja Católica, nem os pais o sustentam”. (S. Atanásio, A Epicleto, Epístola 59,3). Como se vê Santo Atanásio não só conservava a Tradição como também cria no Magistério da Igreja. Dizia ele ainda: “A confissão chegada a Nicéia era, afirmamos, mais suficiente e bastante a si mesma para a subversão de toda heresia contrária à religião, e para a segurança e desenvolvimento da doutrina de Cristo.” (Ad Afros 1) “Mas a Palavra de Deus que veio através do Sínodo Ecumênico de Nicéia, permanece para sempre”. (Ad Afros 2) “Eles não cometem um crime ao pensar que podem contradizer Concílio tão grande e universal?” (De decretis 4) E o Concílio afirmou: “Creio na Igreja Una, Santa, Católica e Apostólica”. Veja isto ainda: “Mas o que também é importante, deixe-nos notar que a própria Tradi-ção, ensinamento e fé da Igreja Católica desde o começo, que foi dada pelo Senhor, foi pregada pelos apóstolos e preservada pelos Pais. Nisso foi fundada a Igreja; se alguém se afasta disso, ele não é e nem deveria mais ser chamado Cristão.” (Santo Atanásio, Cartas a Serapião de Thmuis, 1,28-). S. BASÍLIO DE CESAREIA (+380): “Meta comum de todos os adversários, inimigos da sã doutrina, é abalar o fundamento da fé em Cristo, arrasando, fazendo desaparecer a Tradição apostólica. Por isso, eles, aparentando ser detentores de bons sentimentos, recorrem a provas extraídas das Escrituras, e lançam para bem longe, como se fossem objetos vis, os testemunhos orais dos Padres.” (Tratado sobre o Espírito Santo, Cap 25). “Um dia inteiro não nos bastaria se quiséssemos expor os mistérios da Igreja que não constam das Escrituras. Deixando de lado tudo mais, pergunto de quais passagens retiramos a profissão de fé no Pai e no Filho e no Espírito Santo. Se a extraímos da tradição batismal, de acordo com a piedade (pois devemos crer segundo a maneira como fomos batizados), para entregarmos uma profissão batismal, essencial ao batismo, consequentemente nos seja permitido também glorificar conforme nossa fé. Mas, se esta forma de dar glória nos é recusada, por não constar das Escrituras, sejam-nos mostradas provas escritas da profissão de fé e de todo o restante, que enumeramos. Desde que há tantas coisas que não foram escritas, e coisas tão importantes para o mistério da piedade, ser-nos-á recusada uma só palavra, proveniente dos Pais, que nós vemos persistir por um uso espontâneo nas Igrejas isentas de desvios, uma palavra muito razoável, e que muito contribui para a força do mistério?” (Tratado sobre o Espírito Santo. Cap 67.). Diz ele ainda: “Entre as verdades conservadas e anunciadas na Igreja, umas nós as recebemos por escrito e outras nos foram transmitidas nos mistérios, pela Tradição apostólica. Ambas as formas são igualmente válidas relativamente à piedade. Ninguém que tiver, por pouco que seja, experiência das instituições eclesiásticas, há de contradizer. De fato, se tentássemos rejeitar os costumes não escritos, como desprovidos de maior valor, prejudicaríamos imperceptivelmente o evangelho, em questões essenciais. Antes, transformaríamos o anúncio em palavras ocas.”(Tratado sobre o Espírito Santo. Cap 66.). “Considero apostólica a firme adesão às tradições que não estão contidas na Escritura” (Cfr. 27,66; Migne, 32,188). SANTO AMBRÓSIO DE MILÃO (+397) “Mas, se eles não acreditam na Doutrina dos Padres, que acreditem nos oráculos de Cristo, nas admoestações dos anjos que dizem ‘para Deus nada é impossível’. Que acreditem no Credo apostólico que a Igreja de Roma sempre manteve intacto.” “Ao despontar do dia que fora escolhido para a disputa com Simão [Mago], Pedro [Apóstolo], levantando-se aos primeiros cantos do galo, despertou também a nós; todos juntos, éramos treze a dormir no mesmo aposento. […] À luz da candeia […] sentamo-nos todos. Pedro, vendo-nos alertas e bem atentos, saudou-nos e começou seu discurso: ‘É surpreendente, irmãos, a elasticidade de nossa natureza, a qual me parece ser adaptável e maleável a tudo. Digo-o apelando para o eu mesmo tenho experimentado. Logo depois da meia-noite, costumo acordar espontaneamente e não consigo voltar a dormir. Isto me acontece porque me habituei a evocar em minha memória as palavras que ouvi de meu Senhor Jesus Cristo. Desejo de as revolver no espírito, incito o meu ânimo e a minha mente a se despertarem, a fim de que, em estado de vigília, recorde cada palavra de Jesus em particular e as guarde todas ordenadamente na memória. Já que desejo com profundo deleite meditar no meu coração as palavras do Senhor, adquiri o hábito de ficar em vigília, mesmo que nada, fora deste intento, me preocupe o espírito” (Pseudo-Clemente, século III, Recognitiones II,1). SÃO JOÃO CRISÓSTOMO (354-407) “Dessa forma, irmãos, fiquem firmes e guardem as tradições que lhes foram ensinadas, seja por palavra ou por carta. Isso deixa claro que eles não transmitiram tudo por carta, mas que havia muita coisa também que não foi escrita. Como a que foi escrita, a não escrita também é digna de crédito. Então vamos considerar a tradição da Igreja como sendo digna de crédito. Isto é uma tradição? Não procure outra coisa.” (Homilias sobre a 2ª Epístola aos Tessalonicenses 4,2). E completa: “Não te afaste da Igreja: nada é mais forte que ela. Ela é a tua esperança, o teu refúgio. Ela é mais alta que o céu e mais vasta que a terra. Ela nunca envelhece”. “Jesus disse [a Pedro] ‘Alimenta minhas ovelhas’. “Por que Jesus não leva em conta os demais Apóstolos e fala do rebanho somente a Pedro? “Porque ele foi escolhido entre os Apóstolos, ele foi a boca de seus discípulos, o líder do coro. Foi por essa razão que Paulo foi procurar a Pedro antes que os demais. E também o Senhor fez isso para demonstrar que ele devia ter confiança uma vez que a negação de Pedro havia sido perdoada. Jesus lhe confia o governo sobre seus irmãos… SE ALGUÉM PERGUNTAR “POR QUE ENTÃO FOI SANTIAGO QUEM RECEBEU A SÉ DE JERUSALÉM?”, EU LHE RESPONDERIA QUE PEDRO FOI CONSTITUÍDO MESTRE NÃO DE UMA SÉ, MAS DO MUNDO TODO” (Homilia 88 (87) in Joannem, I. Cf. Orígenes, “In epis. Ad Rom.”, 5, 10; Efrém da Síria “Humn. In B. Petr.”, en “Bibl.Orient. Assema.) (Caps lock, meu) S. EPIFÂNIO DE SALAMINA (+403): “Também a Tradição é necessária, pois que nem tudo se pode tirar da Escritura; os apóstolos deixaram-nos uma parte de seu ensinamento nas Escrituras, os demais acha-se nas tradições” (Haer. 41,6; Migne, 41, 1047). “A Igreja deve guardar este costume, recebido como tradição dos Pais. E quem haverá de suprimir o mandato da mãe ou a lei do pai? Conforme o que diz Salomão, ‘tu, filho meu, escuta as correções de teu pai e não rejeites as advertências da tua mãe’. Com isto, se ensina que o Pai, o Deus unigênito e o Espírito Santo, tanto por escrito como sem escritura, nos deram doutrinas, e que nossa Mãe, a Igreja, nos legou preceitos, os quais sãos indissolúveis e definitivos” (Haer. 75,8). S. JERÔNIMO (+420): “Você quer uma prova da Escritura? Poderá encontrar nos Atos dos Apóstolos. E se não restar provado com a autoridade da Escritura, o consenso de todo o mundo (=isto é, da Igreja Católica) sobre esse assunto serve como força de comando” (Diálogo com os Luciferanos 8). SANTO AGOSTINHO (+433): A mais louca e insensata mentira dos protestantes é dizer que Santo Agostinho era um adepto da Heresia de Lutero, logo ele, pois bem vejam e tirem as próprias conclusões: “Eu não creria no Evangelho, se a isso não me levasse a autoridade da Igreja católica.” (Contra a Carta de Mani 5,6) “Mas com relação àquelas observâncias que seguimos cuidadosamente e que o mundo todo mantém, e que não vêm da Escritura, mas da Tradição, é-nos concedido compreender que foi ordenado e recomendado que a guardássemos seja pelos próprios apóstolos, seja pelos Concílios plenários, a autoridade que é tão vital para a Igreja.” (Carta de Agostinho para Januário 54,1,1, 400 D.C). “Acredito que esta prática venha da tradição apostólica, assim como tantas outras práticas não encontradas nos escritos deles nem nos concílios de seus sucessores, mas que, porque são observadas por toda a Igreja em todos os lugares, acredita-se que tenham sido confiadas e concedidas pelos próprios apóstolos.” (Sto. Agostinho, Batismo 1,12,20, 400 D.C.) “Eles guardaram o que encontraram na Igreja; o que lhes foi ensinado, ensinaram; o que receberam dos pais, transmitiram aos filhos.” (Santo Agostinho, Contra Juliano, 2,10,33, 421 D.C). “Assim pelo favor de Cristo somos Cristãos católicos:” (Santo Agostinho, Carta a Vitalis, 217,5,16, 427 D.C.). “Vocês nasceram pela mesma palavra, pelo mesmo Sacramento, mas não obterão a mesma herança de vida eterna, a menos que retornem para a Igreja Católica.” (S. Agostinho, Sermões, 3, 391 D.C). “Esta Igreja é santa, a única Igreja, a verdadeira Igreja, a Igreja Católica, lutando como o faz contra todas as heresias. Ela pode lutar, mas não pode ser vencida. Todas as heresias são expelidas dela, como galhos inúteis são podados de uma vinha. Ela permanece fixa à sua raiz, em sua vinha, em seu amor. As portas do inferno não a conquistarão.” (S. Agostinho, Sermão aos Catecúmenos sobre o Credo, 6,14, 395 D.C). “Um homem Cristão, é Católico enquanto vive no Corpo, separado é um herético, o Espirito não segue a um membro amputado.” (Santo Agostinho) “Deve ser seguida por nós aquela religião cristã, a comunhão daquela Igreja que é CATÓLICA, e Católica é chamada não só pelos seus, mas também por todos os inimigos.” (Verdadeira Religião c. 7; n 12). “É óbvio que se a fé permite e a Igreja Católica aprova, então deve ser crido como verdade” (Santo Agostinho, Sermão 117,6). SÂO VICENTE DE LERINS (+450) “Perguntando eu com toda a atenção e diligência a numerosos varões, eminentes em santidade e doutrina, que norma poderia achar segura, enquanto possível genérica e regular, para distinguir a verdade da fé católica da falsidade da heresia, eis a resposta constante de todos eles: quem quiser descobrir as fraudes dos hereges nascentes, evitar seus laços e permanecer sadio e íntegro na sadia fé, há de resguardá-la, sob o auxílio divino, duplamente: com a autoridade da Lei Divina e com a Tradição da Igreja Católica. Sem embargo, alguém poderia objetar: Posto que o Cânon das Escrituras é em si mais que suficientemente perfeito para tudo, que necessidade há de se acrescentar a autoridade da interpretação da Igreja? Precisamente porque a Escritura, por causa de sua mesma sublimidade, não é entendida por todos de modo idêntico e universal. De fato, as mesmas palavras são interpretadas de maneira diferente por uns e por outros. Se pode dizer que tantas são as interpretações quantos são os leitores. Vemos, por exemplo, que Novaciano explica a Escritura de um modo , Sabélio de outro, Donato, Eunomio, Macedônio, de outro; e de maneira diversa a interpretam Fotino, Apolinar, Prisciliano, Joviano, Pelágio, Celestino, e em nossos dias, Nestório. É pois, sumamente necessário, ante as múltiplas e arrevesadas tortuosidades do erro, que a interpretação dos Profetas e dos Apóstolos se faça seguindo a pauta do sentir católico. Na Igreja Católica deve-se ter maior cuidado para manter aquilo em que se crê em todas as partes, sempre e por todos. Isto é verdadeira e propriamente católico, segundo a ideia de universalidade que se encerra na mesma etimologia da palavra. Mas isto se conseguirá se nós seguimos a universalidade, a antiguidade e o consenso geral. Seguiremos a universalidade se confessamos como verdadeira e única fé a que a Igreja inteira professa em todo o mundo; a antiguidade, se não nos separamos de nenhuma forma dos sentimentos que notoriamente proclamaram nossos santos predecessores e pais; o consenso geral, por último, se, nesta mesma antiguidade, abraçamos as definições e as doutrinas de todos, ou de quase todos, os Bispos e Mestres.” (Commonitorium). SÃO PEDRO CRISÓLOGO († 450) “No interesse da paz e da fé não podemos discutir sobre questões referentes a fé sem o consentimento do Bispo de Roma” São Máximo, o Confessor (c. 580-662) “Quanto mais no caso do clero e a Igreja dos Romanos, que da antiguidade até agora preside todas as igrejas que estão abaixo do sol? Tendo recebido seguramente isto canonicamente, bem como de conselhos e dos apóstolos, como dos príncipes (Pedro e Paulo), e sendo contada na companhia deles, ela não é sujeita a nenhum escrito ou questões em documentos sinodais, por causa da eminência do seu pontificado …. mesmo que em todas essas coisas todos sejam igualmente sujeitos a ela (à Igreja de Roma) segundo a lei sacerodotal. E assim quando, sem medo,mas com toda a confiança sagrada e conveniente, aqueles ministros (os Papas) são da rocha realmente firme e imóvel, que é da Igreja mais grandiosa e Apostólica de Roma.” (Santo. Maximus, em JB Mansi editor Amplissima Collectio Conciliorum, volume 10) S. JOÃO DAMASCENO (+749): “Se alguém se apresentar com um Evangelho diferente daquele que a Igreja Católica recebeu dos Santos Apóstolos, dos Padres e dos Concílios, e que ela conservou até aos nossos dias, não o escuteis” (Discurso sobre as Imagens 3,3). OS PATRIARCAS ORIENTAIS MACEDÔNIO, PATRIARCA DE CONSTANTINOPLA “Macedonius declarou, quando designado pelo Imperador Anastasius para condenar o Concilio de Calcedonia, que ‘tal passo sem um Sínodo Ecumênico presidido pelo Papa de Roma é impossível.’” (Macedonius, Migne PG 108:360a [Theophan Chronogr, pagina 234-346]) JOÃO VI, PATRIARCA DE CONSTANTINOPLA ”O Papa de Roma, a cabeça do sacerdócio cristão, quem em Pedro, o Senhor ordenou para confirmar os seus irmãos [Luke 22:31-32].” (John VI, anúncio de Epist anúncio de Constantin Pap Combefis Auctuar Bibl) SÃO NICÉFORO, PATRIARCA DE CONSTANTINOPLA ”Sem quem(os Romanos que presidem o Setimo Concilio) uma doutrina apresentada na Igreja não poderia, embora confirmada por decretos canônicos e pelo uso eclesiástico, alguma vez obter a aprovação total ou a aceitação geral. Já que são eles (os Papas de Roma) quem tiveram destinado a eles a regra em coisas sagradas, e quem receberam nas suas mãos a dignidade da Chefia entre os Apóstolos.” (Santo. Nicephorus, Niceph Cpl pro s imag c 25) ”As extremidades da terra, e todo o mundo em cada parte dela quem puramente e justamente confessam o Senhor, olha diretamente em direção à Santa Igreja Romana e a sua confissão e fé, como um sol de luz infalível que emana dela o brilho radiante dos dogmas sagrados dos nossos Pais, segundo aquilo que os Concílios inspirados e sagrados decretaram sem mancha e piamente. Pois,da descida da Palavra Encarnada entre nós, todas as igrejas em cada parte do mundo mantivera a maior grandiosa Igreja sozinha para ser a sua base e fundação, vendo que, segundo a promessa de Cristo O nosso Salvador, as portas do inferno nunca prevalecerão contra ela, que ela tem as chaves da confissão ortodoxa e fé verdadeira Dele, que ela abre a religião verdadeira e exclusiva a tais homens como aproximação com a piedade, e ela cala e tranca toda boca herética que fala contra o Altíssimo.” (Santo. Maximus, Opuscula theologica e polemica, Migne PG 90) ”Se a Sé Romana reconhece que Pyrrhus é não só um reprovado mas um herético, é certamente claro que todo o mundo que anatematiza aqueles que rejeitaram Pyrrhus também anatematiza a Sé de Roma, isto é, ele anatematiza a Igreja Católica. Tenho apenas acrescentar que ele se excomunica também, se de fato ele estiver na comunhão com a Sé Romana e a Igreja Católica de Deus…. Deixe-o apressar-se antes de que todas as coisas para satisfazer a Sé Romana, já que se for satisfeito, todos aceitação em chamá-lo de pio e ortodoxo. Portanto, fala em vão quem pensa que ele engana pessoas como eu, e não satisfaz e implora ao bem-aventurado Papa da Santa Igreja Católica dos Romanos, isto é, a Sé Apostólica e não satisfaz e implora o Papa abençoado da Igreja Católica mais sagrada dos Romanos, isto é, a Sé Apostólica, que rocede da encarnação do Filho do Próprio Deus, e também de todos os sínodos sagrados, segundo os cânones sagrados e as definições recebeu o domínio universal e surpremo, a autoridade, e o poder de ligar e desligar sobre todas as santas igrejas de Deus em todas as partes de todo o mundo.” (St. Maximus, Letter to Peter in Mansi 10:692) São Teodoro Estudita “Já que o Grande Pedro, Cristo o nosso Senhor deu o ofício de Chefe Pastor depois de confiar-lhe as chaves do Reino do Céu, a Pedro ou ao seu sucessor deve inevitavelmente toda novidade na Igreja Católica ser notificada. [Por isso], salve nós, oh mais divina Cabeça das Cabeças, o Chefe Pastor da Igreja do Céu.” (Santo. Theodore, Reserve I, Epístola 23) ”Ouça, ó Cabeça dos Apóstolos, divinamente escolhido Pastor das ovelhas de Cristo, Guardião das Chaves do Reino do Céu, a Rocha da Fé sobre a qual a Igreja Católica é construída. Pois Pedro és tu, quem adorna e governa a Cadeira de Pedro. Deste lado, então, do Oeste, o imitador de Cristo, surge e repele não para sempre. A ti falará Cristo o nosso Senhor: ‘e eu um dia sendo convertido, converta os os seus irmãos.’ Observe a hora e o lugar. Ajude-nos, tu que és estabelecido por Deus para isto.” (Carta dos Santos. Theodore e Quatro Abades ao Papa Pascoal, Reserve 2, Epístola 12, Migne PG 99:1152-3) E mais: “Testemunho agora perante Deus e homens, eles desgrudaram-se do Corpo de Cristo, da Suprema Sé(Roma), na qual Cristo colocou as chaves da Fé, contra a qual as portas do inferno (quero dizer, boca de heréticos) não prevalecerão até a Consumação, de acorco com a promessa Dele que não pode mentir.Deixe o abençoado e Apostólico Pascoal (Papa Santo. I) alegrar-se, por isso, já que ele cumpriu o trabalho de Pedro.” (Santo. Theodore, Reserve II, Epístola 63) ”Na realidade vimos que um sucessor manifesto do príncipe dos Apóstolos preside a Igreja Romana. Realmente acreditamos que Cristo não desertou a Igreja daqui (Constantinopla), já que a sua assistência tem sido nosso único e antigo socorro e desde o início pela providencia de Deus nos tempos críticos. Você é, de fato a fonte tranqüila e pura da ortodoxia do começo, você é o porto calmo da Igreja inteira, longe retirada das ondas da heresia, você é a cidade escolhida por Deus para refúgio.” (Carta dos Santos. Theodore e Quatro Abades a Papa Pascoal) ”Deixe-o (o Patriarca Nicephorus de Constantinopla) que reúna um sínodo daqueles com que ele esteve em diverfência, se for impossível que os representantes de outro Patriarcas estejam presentes, uma coisa que poderia ser certamente se o Imperador desejar é que o Patriarca Ocidental (o Papa Romano) esteja presente, a quem é dado a autoridade sobre um sínodo ecumênico; mas deixe-o fazer a paz e união enviando as suas cartas sinodicais ao prelado da Primeira Sé.”(Santo. Theodore o Studite, Migne PG 99:1420) Acho que por aqui chega de tanta citação, quero ver se ainda vai me aparecer algum protestante aqui proferindo estas asneiras de que os pais da Igreja seguiam as heresias deles, como se os cristãos dos primeiros séculos tivessem alguma coisa a ver com o protestantismo. #MacauGoaAngolaMoçambiqueCaboverdeGuinéBissauGuinéEquatorialSãotoméeprincipeEUAfrançaparisgeorgiaportugalMacedôniabelarusRússiapaquistãoIrãCoreiaEgipto #EUAfrançaparisgeorgiaportugalmacedoniabelarusrussiapaquistãoIrãnCoreiaEgiptoArabiasauditaEmiradosÁrabesunidosEtiópiaNigériaChinaIraqueZimbabuéÁfric #históriadaigrejaprimitiva

  • A NOITE DE SÃO BARTOLOMEU

    Depois da morte de Francisco II e da coroação de Carlos IX, a rainha-mãe, Catarina de Médici, passou a controlar a França. Durante algum tempo ela defendeu os huguenotes como uma forma de contrabalançar a influência dos Guises. Entretanto, o acirramento dos ânimos de ambas as partes aumentou, a ponto de provocar uma guerra civil. Catarina temia que o almirante Coligny estivesse influenciando demasiadamente seu filho e aliou-se ao duque de Guise. JORNALISMO EDUCATIVO Mas, objetar-se-á, não é verdade que S. Pio V, alguns meses antes falecido, convidara por vezes Carlos IX a exterminar os hereges do seu reino? Papa São Pio V É coisa certa que S. Pio V por vezes exortou a corte de França a, com rigor, aplicar contra os hereges as leis existentes (suppliciis afficiantur quae legibus statuta sunt), leis que se estendiam até á pena de morte; mas é coisa não menos certa que ele sempre formalmente reprovou qualquer tentativa de assassinato ou de morticínio. A 10 de maio de 1567 escrevia o embaixador espanhol em Roma para a sua corte: ‘Os senhores da França, disse-me o Papa Pio V, premeditam qualquer coisa que eu não posso aconselhar nem aprovar e que a minha consciência reprova; querem empregar meios para acabar com o príncipe de Condé e o almirante de Coligny.’ É, observa Vacandard, reprovar de antemão o morticínio de S. Bartholomeu. Ficou, pois, a corte romana completamente estranha aos horrendos atentados de 24 de agosto. Foi, entretanto, Gregorio XIII informado pelo embaixador francês de que o rei e a rainha mãe tinham escapado a uma trama dos huguenotes e de que estes tinham sido justamente castigados e em grande parte exterminados;pelo que mandou aquele Papa os parabéns a Paris, e ordenou que se fizesse em Roma uma solene procissão em ação de graças, com um solene Te Deum, e encarregou alem disto o pintor Vasari de representar nas paredes do Vaticano as principais cenas daquele dia, mandando também cunhar uma medalha comemorativa. Mas qual é a verdadeira explicação destes procedimentos do Papa? As congratulações enviadas á corte de Paris faziam parte, a mais ordinária, das relações diplomáticas. E por outra parte o Papa não dispunha de outras fontes de informação senão das relações do embaixador francês em Roma e das do seu núncio em Paris. Apresentavam elas os fatos, como oficialmente corriam, isto é, como uma conjuração tramada pelos huguenotes contra a vida do rei, conjuração, de que o rei só pudera salvar-se por meio de uma geral carnificina. Que diz com efeito o núncio residente em Paris e de ordinário bem informado? No seu despacho com data do próprio dia da carnificina, depois de narrar os fatos, acrescenta que ‘a Majestade divina tomou sob a sua proteção o rei e a rainha mãe’; o que parece confirmar a ideia que corria, de ter realmente existido a tal conspiração. ‘A própria noticia em si, prescindindo do modo como ela se realizara, não poder deixar de ser,observa Vacandard, muito agradável a Gregorio XIII.’ Estando, pois, o Papa mal informado sobre o modo como as coisas se tinham passado, e estando convencido de que o rei se achava no caso de uma legitima defesa, houve naturalmente de alegrar-se ao ver que os protestantes tinham caído no laço e que os seus principais cabeças se achavam fora de combate. Em Paris mesmo foi muita a gente que se enganou; e o próprio Parlamento condenou retrospectivamente o almirante Coligny a ser queimado em effigie por causa do criminoso atentado. Estava, portanto, o Papa com muito boa companhia, no juízo que fazia sobre aqueles acontecimentos trágicos. A conclusão, que disto se tira, é que o S. Bartholomeu foi uma questão meramente política, originada do ódio de Catharina contra Coligny, das rivalidades entre as casas de Guise e de Condé, e ocasionada pela exasperação da rainha, ante o malogro da sua cruel tentativa de 22 de agosto. Bastantemente se explicam assim os lastimosos sucessos do S. Batholomeu; e esta explicação está de acordo com os documentos daquela época. A religião nem sequer serviu de pretexto para aquela carnificina, porque as informações dadas ao Papa apenas se referiam a uma conjuração política. Catharina de Medicis, a principal culpada nesta catástrofe, tinha sobretudo em vista abater o partido protestantes mais do que a seita dos protestantes.” Fonte: DEVIVIER, Pe. W., SJ. Curso de Apologetica Christã, 3ª ed., São Paulo: Melhoramentos, 1925, pp. 426-429: VERITATIS SPLENDOR O que é possível afirmar segundo a história verídica e imparcial é que o clero católico, durante as matanças, cumpriu o dever sagrado de seu ministério. Aí se enquadra, por exemplo, a nobre conduta de Hennuyer, bispo de Lisieux, que salvou, por sua firmeza, todos os huguenotes de sua diocese. O Martirológio dos protestantes – insuspeito em querer elogiar os católicos – cita vários fatos desse gênero: “Em Toulouse” – diz – “os conventos serviram de asilo aos calvinistas; em Bourges, alguns católicos pacíficos ocultaram vários [huguenotes]; em Romans, de sessenta [huguenotes] presos, quarenta foram libertados e dos vinte restantes, não morreram mais que sete; em Troyes, em Bordeaux, muitos foram igualmente salvos pelos sacerdotes”. Em Paris, os huguenotes perseguidos encontraram igualmente protetores entre os católicos; e em Nimes, esquecendo os vexames perpetrados pelos protestantes [no dia] de São Miguel, surgiram corações bastante generosos para defender os calvinistas de uma matança autorizada pelo exemplo [de Paris], mas de nenhuma maneira aprovada pela Religião [católica]. http://www.veritatis.com.br/article/4262 Para ACESSAR clique na imagem De fato fica demonstrado aqui que o “Massacre de S. Bartolomeu” foi nada mais que um episódio desecandeado pela casa real da França contra os protestantes que também visavam interesses políticos no País. Essa visão de que foi tudo premeditado pela Igreja nada mais é que uma ficção criada pela Les Huguenots (ou Os Huguenotes) uma ópera francesa de Giacomo Meyerbeer. A Noite de São Bartolomeu foi uma guerra civil onde um grande número de protestantes foram mortos e onde também católicos morreram no confronto. Baseado na mesma lógica nós poderíamos acusar os calvinistas pelas vidas católicas que ali pereceram. Portanto, acusar a Igreja do massacre dos Huguenotes é novamente distorcer a verdadeira história com o único objetivo de difamar a Santa Igreja Católica que é a coluna e sustentáculo da verdade. (1Timóteo 3,15). Por Jefferson Nóbrega Sancte Michael Archangele, defende nos in prælio; contra nequitiam et insidias diaboli esto præsidium TRANSCREVEMOS TAMBÉM AQUI UMA PERGUNTA E RESPECTIVA RESPOSTA DO Pe. PAULO RICARDO RESPOSTA CATÓLICA: A NOITE DE SÃO BARTOLOMEU PERGUNTAS RELATIVAS À “NOITE DE SÃO BARTOLOMEU “Não mandaram Carlos IX da França e Catarina de Medicis, sua mãe, a pedido do Papa, degolar cem mil huguenotes, a 24 de Agosto de 1572, dia de S. Bartolomeu? Não foi o Papa Pio V, com a Corte da França, o instigador deste crime, e não mandou o Papa Gregório XIII cantar um solene Te Deum em Roma pelo bom êxito que tivera?” RESPOSTA – Os Papas nada tiveram com a matança do dia de S. Bartolomeu. Pio V não planeou com Catarina de Medicis, nem ela incitou a Corte da França; Gregório XIII nunca a aprovou. Mandou cantar um Te-Deum em Roma por ter saído salvo dela o Rei com a Família Real, e isso a instantes rogos da Corte da França. As congratulações do papa não são de estranhar. Ainda hoje é praxe, quando um rei, um príncipe, um presidente da república, sai ileso de um grande perigo, ou atentado, saudarem-no, congratularem-se com ele os outros soberanos, príncipes e governos. A matança foi um crime político de Catarina de Médicis, por ela planejado na tarde anterior, para evitar as possíveis conseqüências do frustrado assassínio de Coligny, ocorrido a 33 de Agosto, 2 dias antes. Catarina de Médicis não morria de amores pela religião católica. Era livre-pensadora da escola de Machiavelli, criada nas péssimas tradições dos tiranos da Itália e rainha de uma das Cortes então mais corruptas da cristandade. A grande aspiração de sua vida era governar pessoalmente a França e robustecer o seu poder, colocando os seus filhos no trono da Inglaterra, Espanha e Polônia. Para conseguir os seus fins, não trepidava em inimizar os príncipes católicos com os príncipes huguenotes, ciumenta de uns e de outros. Quando Coligny começou a fazer-lhe sombra e a minar-lhe a influencia, ela, com seu filho Carlos, deliberou tirar-lhe a vida. Hoje ninguém sustenta que a matança de S. Bartolomeu foi premeditada. Foi planejada e executada com tanta rapidez, que a Corte da França não sabia como defender-se perante as outras Cortes da Europa. No mesmo dia em que se deu a matança o rei Carlos escreveu ao seu Embaixador na Inglaterra, notificando-lhe que se dera um encontro sangrento entre a facção do Duque de Guisa e a de Coligny, acusando-o de haver assassinado seu pai. Brasão dos Duques de GuiseComo o Duque de Guisa recusasse aceitar toda a responsabilidade daquele crime infame, o Rei escreveu no dia seguinte, dizendo que a assumia a ele. Declarava que tinha ordenado a matança, para evitar, frustrar, uma conspiração de Coligny e seus amigos, em que ele devia perecer com toda a Família Real. Toda a Europa admitiu esta enorme mentira diplomática, menos a Alemanha e Suíça. Como conseqüência, Carlos IX recebeu mensagens congratulatórias do Senado de Veneza, do Duque da Toscana, de Filipe II da Espanha e de Isabel da Inglaterra. É verdade que Pio V urgiu freqüentemente com a Corte da França, que tomasse medidas enérgicas contra os huguenotes, que ele, com toda a razão, considerava inimigos da Igreja e do Estado. Escreveu a Carlos e a Catarina, que“declarassem guerra aos inimigos da Igreja e os destruíssem a todos sem dar tréguas aos rebeldes, para libertar de vez a França de sedições e cenas sangrentas.” Não nos arvoramos em juízes das razões políticas que motivaram este particular interesse do Papa pela conservação da monarquia francesa; se bem que pensamos que uma decisão enérgica teria evitado o derramamento de sangue, que se lhe seguiu. O Papa insistia em que era necessário obter uma vitória decisiva até submeter completamente os rebeldes e sentia-se incomodado, quando lhe notificavam que as vitórias do Rei enriqueciam e fortificavam os inimigos. Mas uma coisa é guerra oficialmente declarada, e outra são assassínios pessoais. Nem um só Bispo esteve presente, quando a “junta” maquinou a matança; nem um só a aprovou depois de perpetrada. O Cardeal de Lorena, que tantas vezes nos pintam a abençoar as adagas dos assassinos de Paris, estava em Roma, quando se deu a catástrofe. Todos os historiadores, católicos e protestantes, estão de acordo que a inspiradora e autora deste tristíssimo acontecimento foi Catarina de Médicis. Um escritor protestante, que publicou recentemente a sua vida, diz: “Sobre Catarina pesará sempre a responsabilidade da matança de S. Bartolomeu”. E acrescenta: “Ninguém, que conheça alguma coisa do seu caráter através de suas cartas, ou tenha estudado com atenção a sua tortuosa política de governo, pode suspeitar, sequer por um momento, que andou nisto alguma coisa que se parecesse com fanatismo religioso” (Van Dyck: Catherine de Medicis, 2., 88) Quanto ao número de mortos durante as seis semanas que durou a matança, nada se sabe de positivo; tudo é conjectural; e os cálculos fazem-nos lembrar dos geólogos modernos acerca da idade do mundo. Basta dizer que vão de 2.000 a 110.000. Lorde Acton e Van Dyck calculam de 3.000 e 4.001, em Paris; e outros tantos nas Províncias. Segundo um antigo livro de contas do Hotel da Cidade de Paris, citado pelo P. Caveirac na sua “Apologia de Luiz XIV”, foram sepultado os cadáveres de 1.190 vitimas, no Cemitério dos Inocentes. O “Martirológio Huguenote”, publicado em 1581, só apresenta 786 nomes. Sabe-se, pelo “Relatório de Beauviller”, mensageiro do rei da França, pelas cartas ao embaixador francês De Ferals, do Cardeal de Borbão e do Núncio, que a Corte Francesa não vacilou em mentir ao Papa, informando-o de que a matança tinha sido um justo castigo imposto aos conspiradores. Brantôme diz nas “Memórias” que quando o Papa, mais tarde, teve conhecimento da verdadeira causa do morticínio, chorou lágrimas amargas e condenou-o como “ilegal e proibido por Deus”. :B. L. Conway, p. 387-389 #MacauGoaAngolaMoçambiqueCaboverdeGuinéBissauGuinéEquatorialSãotoméeprincipeEUAfrançaparisgeorgiaportugalMacedôniabelarusRússiapaquistãoIrãCoreiaEgipto #Históriadaidademédia #EUAfrançaparisgeorgiaportugalmacedoniabelarusrussiapaquistãoIrãnCoreiaEgiptoArabiasauditaEmiradosÁrabesunidosEtiópiaNigériaChinaIraqueZimbabuéÁfric #HistóriadaInquisição #Guerra

  • A IGREJA CONDENOU JOANA D’ARC? NÃO!

    Um bispo francês, de fato, liderou o julgamento que culminou com a execução de Joana; porém, ele agiu de forma isolada e canonicamente inválida. Sua ação não contava com a autorização de Roma. Entenda melhor essa história a seguir. Joana d’Arc era filha de pobres camponeses franceses, nascida em 1412. Aos treze anos, começou a ouvir vozes divinas. Obedecendo a essas vozes, chegou aos dezessete anos à corte do delfim Carlos VII, herdeiro do trono da França. Dizia ter sido enviada por Deus para ajudá-lo a libertar o país dos invasores ingleses. Naquela época, boa parte dos territórios franceses estava ocupada pelos ingleses e por seus aliados franceses da Borgonha, os borguinhões. Por sua vez, outro grupo de franceses resistia e tentava recuperar os territórios tomados. Era a Guerra dos Cem Anos, que espalhava a devastação e a morte. Carlos aceitou receber Joana, mas a submeteu a uma prova: colocou outro nobre sentado no trono e misturou-se aos demais membros da corte. O “truque” não impediu que a jovem santa o reconhecesse de pronto. Assim que entrou na sala, ela dirigiu-se diretamente ao delfim, curvou-se e disse: “Senhor, vim conduzir os seus exércitos à vitória”. Em Poitiers, bispos e teólogos interrogaram Joana acerca de suas intenções e das vozes que ouvia. Depois de um cuidadoso exame, declararam que nada encontraram de herético nela. Depois disso, religiosas averiguaram e atestaram a sua virgindade. AS BATALHAS VITORIOSAS Carlos VII finalmente convenceu-se a entregar a uma adolescente analfabeta o comando de um pequeno exército de 4 mil homens, com o objetivo de libertar a cidade de Orléans. Em maio de 1429, Joana expulsou os ingleses e seus aliados de Orléans, conforme prometera. Avançou então para Jargeau, e venceu mais uma batalha. Marchou com seus homens para Meung-sur-Loire e lá passou o rodo nos ingleses mais uma vez. Em junho, foi a vez de libertar Beaugency, com sucesso. Os soldados ingleses, antes acostumados à vitória, começaram a temer que ela fosse mesmo uma enviada de Deus, e já não combatiam mais com a mesma energia de antes. Joana fazia com que seus comandados se confessassem e fossem à missa antes de cada batalha. A santa vestia-se sempre como um homem, e não é difícil de imaginar o porquê: assim procurava evitar ser objeto de desejo dos soldados, prevenindo-se de um possível estupro. Cerca de um mês após ter iniciado a sua campanha militar bem-sucedida, Joana d’Arc tornou possível a coroação do rei Carlos VII na cidade de Reims. O próximo alvo da santa guerreira era Paris, ainda tomada pelas tropas inglesas. A cidade era fundamental para garantir a Carlos o controle efetivo do reino. Mas o rei era covarde. Quando Joana foi ferida por uma flecha durante a tentativa de entrar na cidade, ele amarelou e estabeleceu uma trégua. No ano seguinte, em 1430, Joana retomou a campanha militar sem a autorização do rei, buscando libertar a cidade de Compiègne. Ali, foi capturada pelos borguinhões. O Duque de Luxemburgo a vendeu por um alto valor aos ingleses, que a transferiram para Rouen. Os ingleses não queriam simplesmente matá-la; era preciso desmoralizá-la, e, assim, atingir também a autoridade do rei Carlos. Queriam mostrar ao povo que ela não passava de uma bruxa. O bispo de Beauvais, Pierre Cauchon, topou colaborar com a farsa, chefiando o julgamento da santa. Afinal, estava interessado no posto de Arcebispo da capital. O tribunal era composto por cerca de 60 docentes da Universidade de Paris, que agiam como marionete dos ingleses; quase todos recebiam pagamentos do governo britânico ou esperavam ser nomeados para algum cargo. Para ficar bem claro: esse tribunal nada tinha a ver com a Inquisição e não tinha o aval da Santa Sé. Após cinco longos meses de muito sofrimento prisão, exposta a inúmeras humilhações e interrogatórios, Joana d’Arc foi condenada por heresia. Pediu ainda para apelar ao Papa, mas não obteve autorização para isso. Aos 19 anos, a santa guerreira confessou-se e recebeu os Sacramentos pela última vez. Em seguida, foi queimada viva em diante do povo em uma praça em Rouen, no dia 30 de maio de 1431. Suas cinzas foram jogadas no rio Sena. Cerca de 25 anos depois, em 1456, a sua condenação foi revista e o Papa Calisto III a declarou inocente. Todo o processo anterior foi considerado inválido. Em 1920, o papa Bento XV elevou Joana d’Arc aos altares, e ela foi eleita a padroeira da França. #MacauGoaAngolaMoçambiqueCaboverdeGuinéBissauGuinéEquatorialSãotoméeprincipeEUAfrançaparisgeorgiaportugalMacedôniabelarusRússiapaquistãoIrãCoreiaEgipto #EUAfrançaparisgeorgiaportugalmacedoniabelarusrussiapaquistãoIrãnCoreiaEgiptoArabiasauditaEmiradosÁrabesunidosEtiópiaNigériaChinaIraqueZimbabuéÁfric #Guerra #Históriadaidademédia

  • O QUE É UMA HERESIA?

    O QUE É UMA HERESIA? O que é uma heresia e qual é a importância Histórica de tal coisa? Como muitas das palavras modernas, “heresias” é usada vaga e diversamente. É usada vagamente, porque a mente moderna tem tanta aversão a precisão de ideias Quanto é enamorada pela precisão das medidas. É usada diversamente, pois dependendo do homem que usa, pode significar milhares de coisas. Hoje para muitas pessoas (que usam o idioma inglês ou ocidental no geral) a palavra “heresia” tem a conotação de discussões passadas e esquecidas, um velho preconceito contra a reflexão racional. Por conseguinte, pensa-se que é heresia carece de interesse contemporânea. O interesse nela está morto, porque trata de assuntos que ninguém leva a sério atualmente. É compreensível que um homem possa se interessar por uma heresia por curiosidade arqueológica, mas se afirmar que ela tenha tido um profundo efeito na história e ainda o tem hoje, ele dificilmente será compreendido. Mesmo assim, a heresia em geral é uma fonte de grande importância para o indivíduo e para a sociedade, e a heresia em seu sentido particular (que é o da heresia na doutrina Cristã) e de interesse especial para qualquer um que queira entender a Europa: o caráter da Europa e a história da Europa. Por que a totalidade da sua história, desde o surgimento da religião cristã, tem sido a história de lutas e mudanças, em sua maioria precedidos, com frequência senão sempre causados, e certamente acompanhados por divergências de doutrina religiosa. Em outras palavras, a “heresia cristã” é um assunto especial cuja compreensão e de máxima importância para a compreensão da história europeia, porque a ortodoxia Cristã é uma companhia e um agente constante da vida Europeia. Devemos começar pela definição, embora definir algo envolva um esforço mental contra o qual frequentemente resistimos. Heresia é o deslocamento de um esquema completo e autossuficiente por meio da introdução de uma negação de uma das suas partes essenciais. Por “um esquema completo e auto-suficiente” entendemos qualquer sistema afirmativo em Física, Matemática e filosofia, ou em qualquer área, em que as várias partes são coerentes e sustentam-se mutuamente. Por exemplo, o velho esquema da física, frequentemente chamado de “newtoniano” por ter sido Newton quem melhor o definiu, é um esquema desse tipo. as várias coisas afirmadas por ele sobre o comportamento da matéria, notadamente a lei da gravidade, não são afirmações isoladas que podem ser retiradas à vontade sem desarranjar o resto; são partes de uma concepção ou unidade tal que, se você modifica uma única parte todo o esquema é desmontado. Outro exemplo de um sistema similar é a nossa geometria plana, herdada dos gregos e chamada “euclidiana” por aqueles que pensam (ou tem a esperança) de ter concebido uma nova geometria. Cada proposição em nossa geometria plana — a que diz que a soma dos ângulos internos de um triângulo plano é igual a dois ângulos retos, a que diz que o ângulo inscrito em um semicírculo é reto etc. Não só é sustentada por cada uma das outras proposições do sistema, mas, por sua vez ela sustenta cada parte individual do todo. Heresia significa, então, distorcer um sistema por meio de uma “omissão”: “escolhendo-se” uma parte da estrutura, o que implica que o esquema é desfigurado pela retirada de uma de suas partes, negando-se uma parte dele, quer deixando um vazio sem preenchimento, quer preenchendo-o com alguma outra afirmação. Por exemplo, no século XIX construiu-se um esquema de crítica textual para estabelecer a data de um documento antigo. Um dos princípios desse esquema é este: que qualquer afirmação de milagre é necessariamente falsa. “Quando você encontrar, em qualquer documento, a descrição de um milagre atestado pelo autor desse documento, você tem o direito de concluir” (nos diz o crítico textual do século XIX, falando todos como um só homem) “que o documento não é contemporâneo ao milagre — não foi escrito na data que pretende ser”. Mas aparece um novo e original crítico que diz: “Não concordo. Penso que milagres acontecem e também que pessoas mentem.”Um homem insurgindo-se assim é um herege em relação a esse particular sistema ortodoxo. Uma vez concedida essa exceção, todo um número de certezas negativas se torna inseguro. Você está certo, Por exemplo, que o relato da vida de São Martinho de Tours feito por quem afirmava ser uma testemunha contemporânea, não é o relato de uma testemunha contemporânea por causa dos Milagres que continha. Mas admitindo o novo princípio, esse testemunho pode se tornar contemporâneo afinal e, portanto pode ser considerado como histórico se testemunha algo que não é milagroso de forma alguma, mas que não se encontra em nenhum outro documento. Você lê na vida de um Taumaturgo que ele ressuscitou um homem na Basílica de Viena no ano 500 DC. A escola Ortodoxa de crítica diria que toda a história é obviamente falsa e, posto que inclui milagres, não é prova de que a Basílica de Viena existia naquela data. Mas nosso herege, que Desafia o cânone ortodoxo da crítica, diz: “parece-me que o biógrafo do Taumaturgo pode estar mentindo, mas ele não teria mencionado a Basílica e a data a menos que seus contemporâneos soubessem, assim como ele, que havia uma Basílica em Viena naquela data. Uma falsidade não pressupõe falsidade Universal do narrador”. E até poderia aparecer um herege ainda mais ousado que dissesse: “Esta passagem não só constitui uma evidência perfeitamente legítima para a existência de uma Basílica em Viena no ano 500, mas até considero possível que o homem tenha sido ressuscitado”. Se você concordar com um desses críticos, você está alterando todo o esquema de provas por meio do qual a história verdadeira é peneirada da falsa na crítica textual contemporânea. A negação completa de um sistema não é uma heresia e não tenho poder criativo de uma heresia. É da essência de heresia deixar intacta uma grande parte da estrutura que ataca. Por isso, ela pode seguir dirigindo-se aos fiéis e continuar a afetar suas vidas os desviando das suas características originais. É por isso que se diz das heresias “que elas sobrevivem pelas verdades que guardam”. Devemos destacar que, quanto ao valor que a heresia tem no âmbito do estudo histórico, é indiferente que o esquema completo atacado Seja verdadeiro ou falso. O que nos interessa é a verdade altamente atraente de que a heresia dá origem a uma vida nova independente que afeta vitalmente a sociedade que ataca. A razão dos homens combaterem as heresias não é somente, ou Principalmente, conservadorismo — uma devoção à rotina, uma antipatia à perturbação em seus hábitos de pensamento — é muito mais por uma percepção de que a heresia, à medida que cresce, produzirá um modo de vida e um caráter social que desafia, contradiz e que talvez seja mortal ao modo de vida e ao caráter social produzido pelo esquema antigo e ortodoxo. Isso já é o bastante em benefício do significado e interesse dessa tão fértil palavra “heresia”. Seu significado particular que é usado neste texto é o de desfigurar por exclusão algo daquele sistema completo a religião cristã. Por exemplo, essa religião tem como uma parte essencial (apesar de ser uma parte apenas) a afirmação de que a alma individual é imortal — a consciência pessoal sobrevive à morte física. Se as pessoas acreditam nisso, olham para o mundo e para si mesmas de certa maneira, agem de determinada forma e são pessoas de certo tipo. Se não acreditam nisso (se elas excluem ou se omitem essa crença), há um corte nessa doutrina. Elas podem continuar a manter todas as outras crenças, mas o sistema é modificado, o tipo de vida, caráter e o resto se tornam muito diferentes. O homem que está certo de que morrerá para sempre pode muito bem acreditar que Jesus de Nazaré era o Deus de Deus ,que Deus é trino, que a Encarnação foi acompanhada de um Nascimento e virginal, que o pão e o vinho são transformados de uma certa de uma forma particular; pode recitar um grande número de preces cristãs e admirar e imitar certos cristãos, mas será um homem diferente daquele que considere a verdadeira a imortalidade. Por que a heresia nesse sentido particular (A negação de uma doutrina Cristã aceita) afeta assim o indivíduo, ela afeta toda a sociedade e quando você estiver examinando uma sociedade formada por uma religião particular, você necessariamente se preocupará ao máximo com as distorções e simplificações dessa religião. Este é o interesse histórico da heresia. Por isso, quem quiser entender como a Europa veio a ser o que é e quais foram as causas das suas mudanças, não pode tratar a heresia como algo sem importância. Os clérigos que lutaram tão furiosamente por detalhes nos conselhos orientais tiveram muito mais senso histórico que estavam muito mais em contato com a realidade do que os céticos franceses, familiares aos leitores Ingleses através de seus discípulos. Um homem que pensa, por exemplo, que arianismo é uma mera discussão de palavras, não vê que um mundo Ariano teria sido muito mais parecido com o mundo muçulmano do que a Europa atual. Ele está muito menos em contato com a realidade do que estava Atanásio quando afirmou que a doutrina é de suma importância. Aquele Concílio local de Paris, que pendeu a balança a favor da tradição trinitária foi tão importante quanto uma batalha decisiva, e não entender Isto é ser um mau historiador. Dizer que tanto ortodoxo quanto o herege estavam sofrendo de Alucinação, que estavam discutindo questões que não tinham real existência e que não valiam o esforço do debate não é uma resposta para tal tese. A questão é que a doutrina (e sua negação) era fundamento da natureza dos homens, e a natureza assim formada determinava o futuro da sociedade composta por aqueles homens. Há outra consideração em relação a isso que é muito frequentemente omitida atualmente: que uma atitude cética em relação as coisas transcedentais não pode, para um grande número de homens, durar. Que isso seja verdade é o desespero de muitos. Estes deploram a desprezível fraqueza da humanidade que a compele a acreditar em alguma filosofia ou religião a fim de suportar os problemas da vida. Mas temos aqui uma experiência positiva e Universal. De fato, não há como negar isso. É um fato puro e simples. A sociedade humana não pode desenvolver-se sem nenhum credo. Porque um código e um caráter são produtos de um credo. Embora alguns indivíduos, especialmente aqueles que levam uma vida privilegiada, possam frequentemente seguir com um mínimo de certeza ou hábitos a respeito de questões transcendentais, uma massa humana orgânica não pode agir da mesma forma. Assim, a Inglaterra atual está sustentada por toda uma religião: a religião do patriotismo. Destrua isso nos homens por algum desenvolvimento herético, “excluindo” a doutrina de que a principal tarefa do homem é para com a sociedade política a que ele pertence, e a Inglaterra, como a conhecemos, iria gradualmente deixar de existir e se tornaria outra coisa. Heresia, então, não é um assunto fossilizado. É um assunto de permanente e de vital interesse para a humanidade porque está associado a religião, sem a qual nenhuma sociedade humana jamais perdurou ou pode perdurar. Aqueles que pensam que o assunto heresia possa ser desprezado por que o termo soa fora de Moda e por que está relacionado a diversas disputas a muito abandonadas, cometem o erro comum de pensar nas palavras e não nas ideias É o mesmo tipo de erro que contrasta os “EUA” como república e a Inglaterra como “monarquia”, enquanto sabemos que o governo dos EUA é essencialmente monárquico e o governo Inglês é essencialmente Republicano e aristocrático. Não há fim para os mal-entendidos que surgem dos usos ambíguos das palavras. Mas se recordarmos o simples fato de que um estado, uma comunidade humana ou uma cultura geral devem ser inspirado por um conjunto de regras Morais, e que não pode haver esse conjunto de normas morais sem uma doutrina, então a importância da heresia como tema será clara, porque heresias não significa outra coisa senão “a proposição de novidades em religião, escolhendo-se algo do que tem sido a religião aceita, negando-se ou substituindo-se esse algo por outra doutrina até então e não familiar”. O estudo das sucessivas heresias cristãs, seus respectivos caracteres e destinos, tem um interesse especial para todos nós que pertencemos à cultura europeia e Cristã, e esta deve ser uma razão evitar — Nossa cultura foi feita por uma religião. Mudanças ou desvios dessa religião afetam necessariamente Nossa civilização como um todo. Toda a história da Europa — seus vários reinos, estados e regiões em geral — durante os últimos 16 séculos foi afetada principalmente por sucessivas heresias surgidas no Mundo Cristão. Somos o que somos hoje principalmente porque nenhuma daquelas heresias finalmente sobrepujou nossa religião ancestral, mas somos também o que somos Por que cada uma delas afetou profundamente nossos ancestrais por gerações, cada heresia deixou um Rastro, e uma delas, o grande movimento de Maomé, permanece até hoje uma força dogmática e preponderante num vasto Território, que foi um dia, nosso. Se alguém for catalogar as heresias marcantes da longa história da cristandade, a lista seria infinita. Elas se dividem ou e se subdividem, existem em várias escalas, variam do local para o geral. Suas vidas se estendem de pouco menos de uma geração a séculos inteiros. A melhor forma de entender o assunto é selecionar uns poucos exemplos proeminentes e, pelo estudo deles, entender a vasta importância que a heresias pode ter. Tal estudo é o mais fácil, pois nossos ancestrais reconheceram a heresia pelo que ela era, deram-lhe em cada caso um nome particular, submeteram a uma definição e, portanto, a Limites, e por tal definição facilitaram a análise. Infelizmente, no mundo moderno, tal hábito de definição foi perdido; a palavra “heresia”, tendo vindo conotar algo antigo e fora de moda, não é mais aplicada a casos que são claramente heresias e que devem ser tratados como Tais. Por exemplo, há atualmente a negação do que os teólogos chamam de “domínio” — que é o direito à propriedade privada. É amplamente aceito que as leis que permitem a propriedade privada da Terra e do Capital são imorais; que o solo de todos os bens que são produtivos deve ser Comunitário e que qualquer sistema que deixa seu controle a indivíduos ou famílias está errado e, portanto deve ser atacado e destruído (MST). A essa doutrina, já muito forte entre nós, que continua crescendo em força em número de aderentes, não damos o nome de heresias. Pensamos nela apenas como um sistema político ou econômico e, quando falamos de Comunismo, nosso vocabulário não sugere nada teológico. Mas isso é apenas porque nós nos esquecemos do significado da palavra “teológico”. Comunismo é tão heresia quanto maniqueísmo. Ele retira do sistema moral em que vivemos uma parte particular, Nega essa parte e tenta substituí-la por uma inovação. O comunismo retém muito do sistema cristão — igualdade humana, direito à Vida, etc. Ele nega uma parte apenas. O mesmo é verdade para o ataque à indissociabilidade do matrimônio. Ninguém chama de heresia a moderna prática e defesa do divórcio, mas heresias ela é pelo seu caráter determinante de negação da doutrina Católica do matrimônio e a substituição por outra doutrina, qual seja, que o matrimônio não é mais que um contrato e um contrato cancelado. É igualmente uma heresia, “uma mudança por exclusão”, a afirmação de que nada pode ser conhecido das e coisas divinas, que tudo é mera opinião e que, portanto, as coisas que são asseguradas pelos nossos sentidos e por experimentação devem ser nossos únicos guias na organização dos assuntos humanos. Aqueles que pensam assim devem reter, e comumente o fazem, a maior parte da moral cristã, mas porque eles negam a confiança Na Autoridade, cuja doutrina é parte da epistemologia cristã, eles são hereges. Não é heresia dizer que a realidade pode ser conhecida por experimentação, por percepção sensitiva e por dedução. É heresia dizer que a realidade não pode ser conhecida por nenhum outro meio. Vivemos hoje sob o regime da heresia. A única coisa que distingue este dos antigos períodos de heresias é que o espírito herético está generalizado e aparece de várias formas. Em algum momento teremos que dar nome ao que podemos chamar de “ataque moderno”, esses que tem feito a igreja viver, talvez, o pior momento na história, mas temos muitas ondas de heresias que nos atacam e temos que dar nome a essas ondas de heresias (CEBs, TL, inculturação Litúrgica etc). Até o momento não temos um nome comum para elas. Talvez isso acontecerá em breve, mas não antes que o conflito entre o moderno espírito anticristão e a tradição permanente da fé se torne agudo por meio da perseguição e triunfo ou da derrota. Será então, talvez, lembrando que só sofrem as dores de parto da perseguicão aqueles que permanecem na ortodoxia da fé dos pais da igreja, então entraremos na era chamada de anticristo. Texto original: Hilaire Belloc #MacauGoaAngolaMoçambiqueCaboverdeGuinéBissauGuinéEquatorialSãotoméeprincipeEUAfrançaparisgeorgiaportugalMacedôniabelarusRússiapaquistãoIrãCoreiaEgipto #humanismo #EUAfrançaparisgeorgiaportugalmacedoniabelarusrussiapaquistãoIrãnCoreiaEgiptoArabiasauditaEmiradosÁrabesunidosEtiópiaNigériaChinaIraqueZimbabuéÁfric #Históriamoderna #Igreja

  • LIVRES PARA BEM SERVIR – 5º Domingo do Tempo Comum

    PRIMEIRA LEITURA DA MISSA (Jó 7,1-4.6-7) A vida sem Cristo não tem sentido Jó disse: “Não é acaso uma luta a vida do homem sobre a terra? Seus dias não são como dias de um mercenário? Como um escravo suspira pela sombra, como um assalariado aguarda sua paga, assim tive por ganho meses de decepção, e couberam-me noites de sofrimento. Se me deito, penso: Quando poderei levantar-me? E, ao amanhecer, espero novamente a tarde e me encho de sofrimentos até ao anoitecer. Meus dias correm mais rápido do que a lançadeira do tear e se consomem sem esperança. Lembra-te de que minha vida é apenas um sopro e meus olhos não voltarão a ver a felicidade! SALMO 146 Deus cura os corações despedaçados (Antífona): Louvai a Deus, porque ele é bom e conforta os corações. Louvai o Senhor Deus, porque ele é bom, cantai ao nosso Deus, porque é suave: ele é digno de louvor, ele o merece! O Senhor reconstruiu Jerusalém, e os dispersos de Israel juntou de novo. Ele conforta os corações despedaçados, ele enfaixa suas feridas e as cura; fixa o número de todas as estrelas e chama a cada uma por seu nome. É grande e onipotente o nosso Deus, seu saber não tem medida nem limites. O Senhor Deus é o amparo dos humildes, mas dobra até o chão os que são ímpios. SEGUNDA LEITURA DA MISSA (1Coríntios 9,16-19.22-23) A boa servidão Irmãos: pregar o Evangelho não é para mim motivo de glória. É antes uma necessidade para mim, uma imposição. Ai de mim se eu não pregar o Evangelho! Se eu exercesse minha função de pregador por iniciativa própria, eu teria direito a salário. Mas, como a iniciativa não é minha, trata-se de um encargo que me foi confiado. Em que consiste, então, o meu salário? Em pregar o Evangelho, oferecendo-o de graça, sem usar os direitos que o Evangelho me dá. Assim, livre em relação a todos, eu me tornei escravo de todos, a fim de ganhar o maior número possível. Com os fracos, eu me fiz fraco, para ganhar os fracos. Com todos, eu me fiz tudo, para certamente salvar alguns. Por causa do Evangelho eu faço tudo, para ter parte nele. EVANGELHO (São Marcos 1,29-39) Livres para vem servir Naquele tempo, Jesus saiu da sinagoga e foi, com Tiago e João, para a casa de Simão e André. A sogra de Simão estava de cama, com febre, e eles logo contaram a Jesus. E ele se aproximou, segurou sua mão e ajudou-a a levantar-se. Então, a febre desapareceu; e ela começou a servi-los. À tarde, depois do pôr do sol, levaram a Jesus todos os doentes e os possuídos pelo demônio. A cidade inteira se reuniu em frente da casa. Jesus curou muitas pessoas de diversas doenças e expulsou muitos demônios. E não deixava que os demônios falassem, pois sabiam quem ele era. De madrugada, quando ainda estava escuro, Jesus se levantou e foi rezar num lugar deserto. Simão e seus companheiros foram à procura de Jesus. Quando o encontraram, disseram: “Todos estão te procurando”. Jesus respondeu: “Vamos a outros lugares, às aldeias da redondeza! Devo pregar também ali, pois foi para isso que eu vim”. E andava por toda a Galileia, pregando em suas sinagogas e expulsando os demônios. LEVANTADOS PARA SERVIR (Comentário de Scott Hahn) Na primeira leitura do domingo, o livro de Job descreve a futilidade da vida antes da chegada de Cristo. Seu lamento nos lembra o castigo do trabalho árduo e da morte que caiu sobre Adão após o seu pecado (Gn 3,17-19). Desde então, homens e mulheres são como escravos sob o sol à procura de sombra, incapazes de encontrar descanso. Suas vidas são como o vento que vai e vem. No entanto, como cantamos no salmo, aquele que criou as estrelas prometeu curar os corações partidos e reunir os exilados em sua presença (Is 11, 12; 61,1). Essa promessa se cumpre no Evangelho neste domingo. A sogra de Simão representa essa humanidade sofredora, sem esperança, descrita por Jé. Ela está prostrada pela doença, demasiado fraca para salvar-se a si emsma. Mas, como Deus prometeu tomar pela mão os seus eleitos (Is 42, 6), Jesus a agarra pela mão e ajuda-a a levantar-se. A palavra grega que descreve essa ação de Cristo traduz-se como “levantar”. Esse mesmo verbo é usado na passagem da ressurreição da filha de Jairo (Mc 5,41-42) e também na narração de sua própria ressurreição (Mc 14, 28; 16,7). O que Jesus fez pela sogra de Simão, fez também para toda a humanidade: levantar a todos nós, que estávamos mortos por nossos pecados (Ef 2, 5). É importante notar a abundância de palavras que falam de “totalidade” no Evangelho. Congrega toda a cidade. Todos os doentes são trazidos até ele. Ele expulsa demônios em toda a Galiléia. Todos buscam o Cristo. Nós também o encontramos. Através do batismo ele nos curou e nos levantou para vivermos em sua presença (Os 6,12). Como a sogra de Pedro, há apenas uma maneira de agradecê-Lo pela vida nova que nos deu: devemos nos levantar para servir a Jesus e ao seu Evangelho. Nossa melhor ação de graças é oferecer nossas próprias vidas ao serviço do Evangelho, como São Paulo nos diz na epístola deste domingo. Devemos dar a todos a Boa Notícia, aquela pela qual o Cristo veio até nós: tornar-nos participantes de sua salvação. https://stpaulcenter.com/levantados-para-servir-scott-hahn-reflexiona-sobre-el-5o-domingo-de-tiempo-ordinario/ https://stpaulcenter.com/raised-to-serve-scott-hahn-reflects-on-the-fifth-sunday-in-ordinary-time/

  • UMA BREVE E VERDADEIRA HISTÓRIA DOS CÁTAROS E INQUISIÇÃO CATÓLICA MEDIEVAL

    UMA BREVE E VERDADEIRA HISTÓRIA DOS CÁTAROS E INQUISIÇÃO MEDIEVAL A discussão sobre a heresia cátara, acabando com as informações desonestas, alguns historiadores e anticonvulsões colocaram esses hereges em uma condição de perseguidos, sem nenhum evento, e a igreja católica, mais uma vez como uma malvada que persegue os outros por simplesmente não concordar com As suas opiniões, em primeiro lugar, não são de opinião, mas sim a heresia, que era um problema sério e ameaçador de uma ordem moral dentro da sociedade medieval. Vamos a região, em que esta heresia teve como centro, que foi a região de Montaillou é uma pequena cidade da França situada no sul dos Pirineus do atual departamento de ariege, muito perto da Fronteira franco-espanhola. O departamento de Ariége corresponde ao território da diocese de Pamiers e do antigo Condado medieval de foix, que constitui um Principado dos Pirineus, outrora independente; A partir dos anos XIII e XIV, este Principado, governado por grande família dos Condes De foix, tornara-se satélite do poderoso reino da França; como possessões francesas, por seu turno, incluindo uma grande Província de languedoc, limítrofe de Ariége. Aldeia de camponeses e de pastores, situada a mil e trezentos metros de altitude, a comunidade de Montaillou não teria interesse particular se não tivesse sido objeto entre 1318 e 1325, de um inquérito monumental, extraordinariamente minucioso e exaustivo: de repente, esta modesta localidade tornou-se a aldeia europeia e mesmo Mundial mais conhecida de toda a idade média! Este velho Inquérito é a obra de Jacques fournier, futuro papa de Avinhão; em 1320 ele é bispo de pamiers e inquisidor local. Jacques fournier, de modo geral, é muito benevolente em relação aos seus confrades na repressão anti-herética. Mas a sua inteligência, a sua paciência e a sua atenção ao pormenor fazem dele, segundo o historiador inglês Hilton um dos grandes inquisidores de todos os tempos. Jacques fournier era um prelado lúcido, devorado por um selo inquisitorial, pertence as novas elites Occítânicas, que vão dominar o papado de avinhão. Será Papa em Comtat, mais tarde, com o nome de Bento XII. Não é apenas célebre pelo seus vigorosos contributos para teoria da visão beatífica. Etnógrafo e esbirro, soube ouvir durante o seu episcopado os Camponeses no Condado de foix, interrogava-os com minúcia e durante Largo tempo, a fim de detectar entre eles a heresia cátara, ou simplesmente, um desvio em relação ao catolicismo oficial. Esta escuta chegou até nós no volumoso manuscrito Latino que Jean Duvernoy publicou em edição integral. Assim foi posto à disposição dos historiadores e do público de língua latina, este testemunho da terra Occítânicas sobre si própria; testemunho que ultrapassa em muito o estrito Domínio das perseguições por heresias, dentro do qual Jacques fournier teria podido normalmente confinar-se, se se tivesse limitado a seguir a sua vocação de inquisidor. Historicamente, montaillou é a última Aldeia que sustentou ativamente, enquanto tal, a heresia cátara ou albigense. De fato, esta desaparecerá totalmente do território francês, depois de ter sido em 1318-1324, definitivamente extirpada de Montaillou, Graças aos bons ofícios de Jacques fournier. Esta Aldeia é portanto a ave rara que os historiadores de boa vontade procuram e que, em geral, só muito raramente encontram! Ela é o último testemunho Vivo, e bem vivo em 1320, de uma Formação Cultural e religiosa voltada a partir de dentro ao mais completo desaparecimento. A heresia cátara merece por si mesma algumas explicações. Digamos que o catarismo é uma das principais heresias medievais: manifestou-se nos séculos XII e XIII no Languedoc (atual sul da França), no norte da Itália, e sob formas um pouco diferentes nos balcãs. Convém não confundir o catarismo com o Valdismo ou heresia valdenses (lionesa), de resto pouco importante em Ariége. O catarismo formou-se talvez a partir de longínquos influências orientais, maniqueístas nomeadamente, mas sobre esse ponto estamos mais na condição das hipóteses. Em contrapartida, conhece-se bastante bem a doutrina e os ritos do catarismo do languedoc e do norte da Itália. Na França Meridional, ainda se chamava albigenses, ou partidários do albigismo, aos cátaros (do nome da cidade de Albi, na qual vivia e onde era assinalado um certo número destes heréticos). O catarismo ou o albinismo é uma heresia cristã; sobre este ponto não existe qualquer dúvida! Com efeito, os seus sequazes consideram-se e proclamam-se verdadeiros cristãos, bons cristãos, por oposição a Igreja Católica oficial que, segundo eles, traiu a autêntica doutrina dos Apóstolos. Mas, ao mesmo tempo, o catarismo situa-se a uma considerável distância da doutrina Cristã tradicional, que se pretende, como é sabido, monoteísta. De fato, admite a existência (de tipo maniqueísta) de dois princípios opostos, ou mesmo de dois Deuses: um do bem, e outro do Mal. Um Deus; o outro Satã. Ou ainda: luz e sombra. Mundo espiritual, bom, e mundo terreno, carnal, corporal, corrompido. E aliás, esta exigência essencialmente espiritual de pureza, em relação a nossa terra totalmente diabólica e má que suscitou posteriormente a etimologia, Sem dúvida falsa, da palavra cátaros (pretendeu-se que esta derivava da palavra grega que quer dizer puro; na realidade, cátaro vem de um termo alemão cujo sentido nada tem que ver com pureza). Independentemente desta etimologia inexata, o dualismo bem/mal ou Deus/Satã, subdivide-se em duas correntes, ou tendências, segundo as regiões: temos, por um lado, o dualismo absoluto, característico do catarismo languedoquiniano do século XIII (que proclama a oposição eterna dos dois princípios, bom e mal). E, por outro, o dualismo mitigado característico da heresia italiana: Deus ocupa nele um lugar mais eminentes e mais eterno do que o diabo. O catarismo baseia-se na distinção entre um grupo de escolhidos de puros, que são os perfeitos, homens-bons, ou heréticos; e, por outro lado, a massa dos simples crentes, ou credentes. Os perfeitos obtêm o seu título prestigioso depois de ter recebido, no final de uma iniciação o sacramento albigense do batismo pelo livro e pelas palavras (e não pela água). Este Sacramento chamava-se, em língua cátara, o consolamentum (Consolação). O comum das pessoas chama isso simplesmente heretização, ou heretizar alguém. Uma vez heretizado, o perfeito deve permanecer puro abstendo-se de carne e de mulheres. (Trata-se, como se vê, de uma heresia muito pouco feminista, embora não totalmente antifeminina). O perfeito tem o poder de benzer o pão e de receber o melioramentum ou adoração-saudação ritual, que lhe é dirigida pelos simples crentes. Dá-lhes a sua bênção e o seu beijo de paz (caretas). Os simples crentes, por seu turno, apenas recebem o consolamentum ou heretização nas vésperas do seu falecimento, quando este se apresenta como inteiramente provável na previsão de uma indubitável agonia. Esta regularização tardia permite aos crentes, durante a sua vida, levar uma existência bastante agradável e não demasiado estrita do ponto de vista moral. Mas, Em contrapartida, uma vez heretizados o casa torna-se Sério! Devem pôr-se (pelo menos no catarismo tardio dos anos 1.300) em estado de jejum total e suicida ou Endura. isso permite-lhes perder a vida, mas salvar de certeza a alma, dado que, desse modo, não tocarão mais em mulher nem em carne até que sobrevenha para Eles, rápida e seguramente, a morte pela agonia natural ou pelo suicídio-endura. O catarismo tinha contaminado parcialmente, por volta de 1200 regiões bastante vastas do Languedoc, província que no início do século XIII, não pertencia ainda ao reino de França. Aquilo não podia continuar! em 1209, uma cruzada anti-albigense, conduzida por Barões originários do Norte da França, põe-se em marcha em direção ao sul, para esmagar a heresia, de acordo com o apelo do Papa. Apesar da Morte, em 1218, de Simmon de montfort, chefe dessas cruzadas setentrionais, o Rei da França alarga progressivamente o seu domínio sobre o sul, e aproveita-se deste pretexto anti-herético para anexar de fato o Languedoc em 1279 (Tratado de meaux). Esta anexação deixará, no que vai tornar-se futuramente o sul da França, marcas duradouras e ressentimento. Estas serão ativadas no século 20 pelo Renascer do regionalismo occitânico. Em 1224 é tomada Montségur (Ariége), última Fortaleza herética; os albigenses obstinados que ocupavam aquela praça são enviados para fogueira em Montségur ou em Bram. Contudo, o cadáver do catarismo ainda mexe após 1250. Nas Montanhas da alta Ariége, esta heresia conhece mesmo, entre 1300 e 1313, uma modesta reanimação, de que um dos centros é justamente a aldeia de Montaillou. Esta reanimação é devida entre outras causas, a ação enérgica e militante dos irmãos Authié, notários de Ariége que se tornaram Missionários do albigismo. Instalada em carcassonne (Languedoc) e sobretudo em Pamiers (Ariége), A inquisição de fournier e dos seus colegas consegue finalmente desalojar Este último um ninho de resistência, graças a uma investigação minuciosa seguida de condenações a fogueira e sobretudo, a prisão e as Cruzes amarelas, são de fato condenados a trazer nas costas grandes Cruzes de panos amarelas, cosidas do vestuário. O catarismo não se voltará a erguer após Este último golpe de 1320. Tragicamente os acusados de montaillou são de fato Os Últimos dos últimos, sobre as condenações e números de condenações a fogueira, e formas de se conseguir as confissões falaremos posteriormente. Bibliografia: Emanuel Le Roy Ladurie, Montaillou Cátaros e Católica numa aldeia Occítâna- 1294-1324 #MacauGoaAngolaMoçambiqueCaboverdeGuinéBissauGuinéEquatorialSãotoméeprincipeEUAfrançaparisgeorgiaportugalMacedôniabelarusRússiapaquistãoIrãCoreiaEgipto #Históriadaidademédia #EUAfrançaparisgeorgiaportugalmacedoniabelarusrussiapaquistãoIrãnCoreiaEgiptoArabiasauditaEmiradosÁrabesunidosEtiópiaNigériaChinaIraqueZimbabuéÁfric #HistóriadasHeresias #HistóriadaInquisição

  • Sebastián Kimura, O primeiro Padre japonês e mártir de Hirado

    O mártir de Hirado sobre o qual se tem mais conhecimento, não obstante, é o japonês que se converteu no primeiro padre cristão do país, Sebastián Kimura, nascido na ilha em 1565. A familia Kimura foi a encarregada de acolher a Francisco Xavier em seu lar na sua chegada em Hirado em 1550, por mandato do daimyo Matsura Takanobu. O religioso jesuíta causou uma Profunda impressão no cabeça da família dos Kimura graças a tradução de uma seleção das Sagradas Escrituras que havia podido realizar durante seu período em Kagoshima. Ele e sua família seriam os primeiros de centenas de habitantes do lugar batizados por Francisco Xavier em Hirado, e receberia o nome cristão de Antônio. Os descendentes de Antônio Kimura ficaram a partir de Então ligados diretamente com a história do cristianismo em Nagasaki. Sebastián Kimura, neto de Antônio Kimura, foi batizado em ceda idade. Aos 12 anos se converteu en dōjuku, um ajudante dos religiosos católicos cujos labores são parecidas as dos estudantes budistas ou kozō. Apesar das reticências dos jesuítas de nomear padres e sacerdotes japoneses no começo de suas missões, a partir de 1580, compreenderam a importância de contar com os nativos na missão evangelizadora. Sebastián Kimura entraria na Companhia de Jesus, em 1585, à idade de 19 anos. Não obstante , as missões cristãs começariam a encontrar dificuldades para expandir- se para Japão depois de que Toyotomi Hideyoshi ditara o Bateren tsuihō rei, o Édito de Proibição do Cristianismo, em 24 de julho de 1587. Muitos dos jesuítas que estavam em Kyoto e outras regiões foram transladados a Hirado ou em alguns casos à Índia. Ali lograram atrasar o cumprimento da diretriz de expulsão dos jesuítas durante alguns anos. Sebastián Kimura continuou seus estudos em vários lugares onde os religiosos haviam conseguido refugiar- se, como Shimabara ou Amakusa. Em 1595, foi elegido para ser o primeiro japonês que completou seus estudos filosóficos e teológicos junto à Companhia de Jesus, em Macau. No ano 1600 , a paz voltou a instalar- se no Japão depois da batalha de Sekigahara, e isto animou aos jesuítas a estimular a instrução de mais japoneses dentro da companhia. Nesse ano, Sebastián Kimura Voltaria ao Japão, onde um ano depois, em setembro de 1601, seria ordenado padre aos 36 anos de idade. A Detenção de Sebastián Kimura e depois a traição de uma mulher Sua primeira missão como padre seria precisamente em Hirado, em Kawachi-no-ura, em 1603. Não obstante, em 1614, a perseguição dos Cristãos voltou a recrudescer-se, e muitos religiosos europeus foram expulsos do país. As missões continuaram expandindo -se em segredo fundamentalmente graças ao trabalho dos fiéis japoneses. Em 29 de junho de 1621, no entanto , Sebastián Kimura seria traído por uma empregada doméstica coreana que havia sido levada ao Japão como escrava. Pensando que assim recobraria a liberdade, a mulher coreana denunciou Sebastián Kimura ante as autoridades. Ele e muitos outros religiosos foram encarcerados e transladados em setembro de 1622 à colina de Nishisaka, onde morreram como mártires, decapitados ou queimados na fogueira. Os cristãos japoneses viveriam ocultos até seu descobrimento pelo religioso francês Bernard Petitjean , em março de 1865, ainda que não seria até 1871 que o cristianismo pôde Voltar a florescer no Japão. Tradução : David Nesta Extraído do site nippon.com/es #Japão

  • Os 26 mártires de Nagasaki, glória da Cristandade japonesa

    A evangelização do Japão teve início em 15 de agosto de 1549, quando São Francisco Xavier pisou pela primeira vez o solo nipônico e começou a perfumá-lo com o odor de suas virtudes e dons admiráveis. Inicialmente os jesuítas, e, algumas décadas após, os franciscanos, empreenderam com vigor e coragem a obra da salvação dos gentios japoneses. Empolgantes lances e dolorosas decepções, a par de conversões espetaculares, acompanharam passo a passo esses valentes soldados de Cristo. Em menos de meio século, eram já cerca de 300 mil cristãos no Império do Sol Nascente, e esse número tendia a aumentar cada vez mais. Porém, a missão progredia em ambiente hostil à Fé, num país conturbado pela guerra civil. Sua reunificação, iniciada por um senhor feudal chamado Nobunaga, estava em processo de consolidação. Mas, com a súbita morte deste em 1582, seu sucessor, Hideyoshi, submeteu a nação a um despótico governo baseado na força das armas. De início, Hideyoshi não perseguiu os católicos. Com o passar do tempo, porém, percebeu que seus vassalos convertidos ao Catolicismo – muitos dos quais ocupavam postos de destaque no exército – constituíam um empecilho para a realização de seus desígnios ditatoriais; e que a Lei de Deus era um obstáculo para os seus desmandos morais. Em conseqüência, assinou em 1587 um decreto de expulsão dos missionários. Devido às medidas de prudência tomadas pelos jesuítas, essa iníqua decisão não foi executada. Não só permaneceram lá os filhos de Santo Inácio, mas, a partir de 1593, começaram a chegar missionários franciscanos provenientes das Filipinas, intensificando-se mais ainda a obra de evangelização. Ambição e intrigas fazem desencadear a perseguição Infelizmente, o ambiente político estava muito perturbado por intrigas, cobiças comerciais e maquinações dos inimigos da Religião cristã. E tudo pressagiava uma violenta perseguição do Governo imperial. Nessas delicadas circunstâncias, deu-se em 1596 o lamentável incidente do naufrágio do galeão espanhol San Felipe, no litoral japonês. Tendo ficado sem leme, devido à tempestade, a nau encalhou e começou a afundar. A tripulação e os passageiros, missionários franciscanos vindos das Filipinas, foram salvos em pequenos barcos. Houve tempo também para retirar toda a carga, constituída de preciosos tecidos de seda. Hideyoshi enviou um agente governamental, Masuda, para inspecionar e avaliar essas mercadorias. Este retornou com duas informações. A primeira, bem objetiva: o valor da carga era suficiente para revigorar as exauridas finanças do ditador. A segunda, de fonte bastante duvidosa: o piloto da nave lhe teria confidenciado que, nas conquistas espanholas, a pregação missionária precedia e preparava o terreno para a invasão militar. Isso serviu de pretexto para Hideyoshi, já predisposto pelas intrigas dos bonzos, mudar radicalmente sua atitude de contemporização. Mandou prender os franciscanos e confiscar as mercadorias do galeão. Pouco tempo depois, ordenou o cerco das casas dos missionários em Osaka e Kyoto. Humilhação transformada em triunfo A missão franciscana tinha como centro de irradiação a Igreja de Nossa Senhora dos Anjos, em Kyoto, então Capital imperial. Lá foram presos em 2 de janeiro de 1597 os missionários: o Superior, Frei Pedro Batista; os padres Martín Loynaz de la Ascensión e Francisco Blanco de Galicia; o clérigo Filipe de Jesús e os irmãos leigos Francisco de San Miguel e Gonçalo García. Junto com eles, quinze nipônicos convertidos, entre os quais vários catequistas e três coroinhas, chamados Luís Ibaraki, Antônio e Tomás Kozaki. Em Osaka foram encarcerados os catequistas João de Goto e Tiago Kisai, e um noviço jesuíta chamado Paulo Miki. De senhorial origem, este último nascera em 1568 e trabalhava com o Superior Provincial em Nagasaki. Pregador exímio, fazia intenso apostolado. Mais tarde, na prisão, os três tiveram o gáudio de serem oficialmente recebidos na Companhia de Jesus. Os 24 prisioneiros foram reunidos numa praça pública de Kyoto, onde os algozes cortaram a orelha esquerda de cada um deles. Em seguida, transportaram-nos, cobertos de sangue, em pequenas carroças, para serem escarnecidos pela população. Porém, as rudes carroças da ignomínia transformaram-se em tribuna de glória. No trajeto de Kyoto a Nagasaki, os mártires eram recebidos em triunfo pelos fiéis das aldeias católicas. Inumeráveis e comoventes conversões se deram ao longo dos caminhos e dos lugarejos por onde passaram. Um velho pai estimula o filho a morrer com alegria No dia 8 de janeiro de 1597, Hideyoshi assinou o decreto de condenação à morte desses 24 heróis da Fé, por motivos exclusivamente religiosos. A eles se juntaram mais tarde dois outros que os haviam acompanhado no trajeto. Hanzaburo Terazawa, irmão do governador de Nagoya, recebeu de Hideyoshi a ordem de executar todos os prisioneiros e foi encontrá-los num lugarejo próximo dessa cidade. Quando viu Luís Ibaraki, ficou em extremo embaraçado. Sentindo-se responsável pela morte de uma inocente criança, ofereceu-lhe a liberdade, se ele quisesse entrar a seu serviço. O menino deixou a decisão a cargo de Frei Pedro Batista. Este respondeu em sentido afirmativo, com a condição de que lhe fosse permitido viver como católico. Hanzaburo não contava com essa resposta. Após alguns instantes de perplexidade, replicou que, para continuar vivo, Luís deveria renegar a Fé católica. “Nessas condições, não vale a pena viver” – treplicou o decidido coroinha. Outra forte emoção apossou-se de Hanzaburo, ao descobrir entre os prisioneiros seu velho conhecido Paulo Miki. Nos antigos tempos, havia ele assistido a algumas de suas aulas de catecismo. Quantas recordações remoeram seu espírito! Vendo-o assim comovido, Paulo Miki aproveitou a oportunidade para lhe pedir três favores, os quais dificilmente poderiam ser negados: que a execução fosse na sexta-feira, e lhes permitisse antes confessar-se e assistir à Santa Missa. Hanzaburo consentiu, mas depois, receando a reação do tirânico Hideyoshi, voltou atrás. Por sua ordem, ergueram-se 26 cruzes numa colina perto de Nagasaki. Na manhã de 5 de fevereiro, a caminho do local do suplício, o catequista João de Goto viu aproximar-se seu venerável pai. Como despedida, vinha ele demonstrar ao filho como não há coisa mais importante do que a salvação da alma. Após estimular o jovem a ter muito ânimo e fortaleza de alma, exortando-o a morrer alegremente, pois morria a serviço de Deus, acrescentou que também ele e sua mãe estavam dispostos a derramar o sangue por amor de Cristo Jesus, se necessário fosse. A graça do martírio atrai os cristãos japoneses Chegando ao alto da colina, os 26 mártires foram fortemente amarrados nas cruzes preparadas com antecedência. Em torno deles aglomeravam-se cerca de quatro mil fiéis, muitos dos quais querendo ser também crucificados! Um problema inesperado para os embrutecidos soldados pagãos, que foram obrigados a usar de violência para… poupar a vida desses cristãos tão profundamente tocados pela graça do martírio. Frei Martín entoou então o Cântico de Zacarias, “Bendito seja o Senhor Deus de Israel, porque visitou e fez a redenção do seu povo”, enquanto Frei Gonçalo recitava o “Miserere”. Outros cantavam o “Te Deum”. Os padres jesuítas Francisco e Pásio, enviados pelo Provincial de Nagasaki, os exortavam a permanecer firmes na Fé. O menino Luís Ibaraki bradou alto e com voz firme: “Paraíso! Paraíso! Jesus, Maria!” Em um instante, todos os presentes gritavam a plenos pulmões: “Jesus, Maria! Jesus, Maria!” O primeiro a consumar o martírio foi Frei Filipe de Jesús. Seu corpo estremeceu ao receber os tremendos golpes de duas lançadas que lhe perfuraram o peito, do qual jorrou o sangue copiosamente. O pequeno coroinha Antônio pediu ao Pe. Batista para entoar o “Laudate pueri Dominum” (Louvai, meninos, ao Senhor). Este, porém, estando em profunda contemplação, nada ouvia. Antônio, então, iniciou sozinho o cântico, mas foi interrompido pelas lançadas que traspassaram seu coração infantil. Do alto da cruz, o Irmão Paulo Miki não cessava de encorajar, com divina eloqüência, os companheiros. Sua alma já prelibava o Céu. Os golpes mortais das lanças foram sucedendo-se, um após outro, abrindo as portas do Paraíso aos felizes mártires. O último a expirar foi o Padre Francisco Blanco. Na tarde desse mesmo dia, o Bispo de Nagasaki e os padres jesuítas, que não puderam assistir ao martírio devido à proibição de Hanzaburo, foram venerar os corpos dos santos mártires, cujo sangue havia sido piedosamente recolhido pelos católicos, como preciosa relíquia. Decorridos 30 anos, em 1627, o Papa Urbano VIII reconheceu oficialmente seu martírio. E o Bem-Aventurado Pio IX os canonizou em 8 de junhode 1862. A colina da execução ficou conhecida como Monte dos Mártires e tornouse centro de peregrinação. Nela, inumeráveis outros católicos foram degolados ou queimados vivos, durante a dura e cruel perseguição que se prolongou por quatro décadas, até culminar no levante de Shimabara, em 1638, onde morreram 37 mil cristãos. Com isto, ficou quase totalmente exterminado o Cristianismo em solo nipônico. Mas o sangue de tantos milhares de mártires não correu em vão. Unido ao Preciosíssimo Sangue de Jesus, ele fecunda, não apenas o solo do Japão, mas o de todas as nações onde incontáveis missionários anunciaram e anunciarão o Evangelho, ao longo dos séculos. E seu exemplo comove e anima até hoje quem lê a história de sua morte sublime. Formam eles uma esplendorosa coroa de glória sobre a fronte sacrossanta da Rainha dos Mártires. (Oscar Macoto Motitsuki; Revista Arautos do Evangelho, Fev/2004, n. 26, p. 20 à 22) #Japão

  • O anagógico e o sacramental

    O modo completo que a Revelação Divina é caracterizado por anagoge, este método pedagógico do Espírito de Deus liderou pelo curso da história o homem adiante e acima. Você pode ver que esse caráter da anagoge especialmente em formas concentradas nas palavras de nosso Senhor e nas ações do Evangelho de João. Invarialmente nosso Senhor intíma, revela e nos chama a um plano maior, para espírito e verdade. Nada resta para subsistir no plano inferior. Todos pontos adiante e acima. Entretanto, a fim de que não acabemos com o incorpório gnosticismo, a “espiritualidade elevada”, por assim dizer, é também uma característica essencial do que há de mais espiritual nos Evangelhos, nunca perdendo de vista o que é concreto, sempre retornando para o terreno, material, tangível, físico e reinvestindo com circunstâncias além das adquiridas nas alturas. Pode-se descrever essa dinâmica como uma constante “circumincessio” entre o que é terreno e o que é do Reino dos Céus, a inter-manifestação da carne e do espírito, um inserido no outro: “na terra como se fosse nos céus” ______ The Father of Christian Mysticism by Dr Anna Silvas Tradução : Caio Riccioppo Azevedo. _____ Nota: > Na escolástica latina se utilizarão as expressões circuminsessio ( Circum = em torno ; insidere = sentar, estar sobre ou dentro ), que sublinha o aspecto mais estático da mútua presença e inabitação , e circumincessio ( incedere = avançar ) que destaca o aspecto mais dinâmico da pericórese , com uma mútua efusão ( derramamento do ser ) e compenetração. Cf. Coda , Dalla Trinitá . L’ avvento di Dio Tra Storia e Profezia , p.399. >> No fim do período patrístico grego, surge a noção de ” pericórese ” , para descrever a peculiaridade da relação existente entre as três pessoas divinas. São João Damasceno é o primeiro a utilizar esta expressão ( περιχώρησις ) que significava literalmente ” dançar ao redor ” , ou ” andar en torno “. Esta expressão foi utilizada poe Anaximandro , cerca de 450 anos a. C. No âmbito da filosofia . São João Damasceno utiliza o termo pericórese para exprimir seja a união sem confusão da natureza divina e da natureza humana em Cristo, seja a relação mútua in( tra) existência ( existência de cada uma das pessoas no interior das demais) das três pessoas divinas. Damasceno fundamenta a noção de pericoresi , em textos joaninos : ” Eu e o Pai Somos Um” ( Jo 10,30); ” O Pai está em mim e eu estou no Pai ” ( Jo 10,38; cf.14,9.11; 17,21).

  • A AUTORIDADE DA SANTA SÉ (ROMA) “CARTAS E DECISÕES CONCILIARES QUE DEMONSTRAM A AUTORIDADE DA

    A AUTORIDADE DA SANTA SÉ (ROMA) “CARTAS E DECISÕES CONCILIARES QUE DEMONSTRAM A AUTORIDADE DA IGREJA DE ROMA” • Estou expondo alguns dos eventos relacionados à igreja primitiva, muito antes de Constantino, e no período de Constantino e após sua morte, são documentos oficiais da igreja primitiva, reconhecidos por todos, Católicos latinos e orientais, e até por Protestantes da reforma, então leia com atenção, e veja quantas ignorância é uma pessoa afirmar que a igreja católica foi iniciada por Constantino, aproveite as informações e informe àqueles que continuam na ignorância histórica e espiritual. • Se a igreja de Roma foi fundada por Constantino então por que o Imperador Aureliano quase um século antes de Constantino nascer e em plena época de perseguição disse quando recebeu apelo dos cristãos sobre a igreja de Antioquia disputada pelo herege Paulo de Samosata recentemente deposto em um sínodo por heresia e o bispo Domnus deveria pertencer àquele que estivessem em comunhão com os bispos da Itália e com Roma ? • Assim pois, caído Paulo do episcopado e da ortodoxia de sua fé, sucedeu-o Domno, como foi • dito, no ministério da igreja de Antioquia. • Mesmo assim, como Paulo não quisesse de modo algum sair do edifício da igreja, o imperador • Aureliano, a quem se solicitou, decidiu muito oportunamente o que deveria ser feito, pois ordenou • que se outorgasse a casa àqueles com quem estivessem em correspondência epistolar os bispos da doutrina da Itália e da cidade de Roma. Assim é que o homem antes mencionado, para extrema • vergonha sua, foi expulso da igreja pelo poder mundano. • Assim era para conosco Aureliano, pelo menos por então. Mas, já avançado seu império, mudou de • pensamento sobre nós e se deixava excitar por certos conselhos para que suscitasse uma • perseguição contra nós. Eram muitos os rumores sobre este ponto em todos os ambientes. • (Eusébio de Cesárea, história Eclesiástica. Livro VII. XXX, 18-20) • IGREJA E ESTADO • (acerca da política de Nero e Trajano) O rescrito de Adriano a Caio Minúcio fundano, procônsul da Ásia, (c.152) • Élio Adriano Augusto a Minúcio Fundano, procônsul, saúde. Recebi cartas enviadas por Serênio Graziano, homem esclarecido, teu predecessor. Não me agrada que o assunto seja decidido sem diligente exame, pois não quero que inofensivos sejam perturbados e que delatores caluniosos achem ocasião para exercer seu vil ofício. Portanto, se, nas suas demandas contra os cristãos, os moradores das províncias podem estar presentes e responder ante o tribunal, não tenho objeções a que se de curso ao juízo. Mas não permitirei que sejam admitidas apenas exigências barulhentas e gritarias. Será, pois, justo que, se alguém pretende acusá-los, tu tomes conhecimento das acusações. Mas, alguém os acusar e provar que desrespeitaram a lei, sentencia-os conforme o seu delito. Porém, – e nisso eu insisto categoricamente – se alguém postula cartas de intimação contra um cristão, com o único propósito de caluniar, castigue o caluniador de acordo com a gravidade do delito. • A CONTINUIDADE LEGÍTIMA E APOSTÓLICA • “Aquele momento em que você tem que concordar com o historiador Luterano que se converteu a igreja ortodoxa” • A principal entre essas autoridades, e com prestígios, era a Igreja de Roma, na qual a tradição Apostólica compartilhada por todas as igrejas de todos os lugares foi preservada. A fundação Apostólica e a sucessão Apostólica eram outro critério de continuidade Apostólica. • Os pais ortodoxos também negavam qualquer declaração legítima desse critério aos hereges. Tertuliano exigiu que Marcião produzisse uma igreja Marcionita que conseguisse traçar sua descendência a partir de um Apóstolo (Tert. Marc. 121.15 [CCSL]). Dizia-se que os hereges surgiram muito depois da primeira geração de bispos a quem os apóstolos tinham confiado suas igrejas. Portanto, era inevitável que os hereges tivessem perdido tanto a continuidade quanto a unidade da doutrina, enquanto a igreja, sem dúvida possuidora da tradição dos apóstolos, proclamam a mesma doutrina em todos os tempos e em todos os lugares (Iren. Her. 5.20.1[Harvey 2:377-79]). • A PERSEGUIÇÃO NO REINADO DE VALERIANO (253-260) Cipriano, ep. LXXX.I • No princípio de seu reinado, VALERIANO pareceu favorecer ao cristianismo. Havia cristãos em seu palácio que foram mencionados no rescrito como, por exemplo, Caesariani (ver Dionísio de Alexandria, Eusébio, H. E. VII. X. 3ss). O seguinte extrato expressa bem a tendência de seu segundo rescrito. O primeiro determinava os sacrifícios exigíveis dos bispos e sacerdotes e negava aos cristãos o direito de reunião e o uso de cemitérios. Toda contravenção era punida com a morte. • Rumores falsos estão circulando. A verdade, porém, é esta: VALERIANO enviou um rescrito ao senado ordenando que sejam castigados imediatamente os bispos, sacerdotes e Diáconos; os senadores, cavaleiros e fidalgos romanos devem ser privados de suas propriedades e degradados; e, se persistirem na fé cristã, decapitados; as matronas, privadas de seus bens e desterradas. Qualquer membro da casa de césar que confessou ou que ainda confessa ser cristão perderá seus bens e será entregue preso para trabalhos forçados nas terras do imperador. • O rescrito de Galiano(261) Eusébio, H.E.VII.XIII.2 Um edito de 260, cujo texto está perdido, permitiu que as basílicas fossem reabertas, os cemitérios restaurados e a liberdade de culto concedida. O cristianismo tornou-se assim, religio licita. • O imperador César p. Licínio Galiano, pio, Félix, Augusto, a Dionísio, pina, Demétrio e demais bispos. Ordenamos que se estenda a toda terra a indulgência que inspirou nossa bondade, de tal maneira que todos os nossos súditos abandonem os antros da superstição. Podereis, pois, vós também, usar das disposições de nosso rescrito, para que doravante ninguém vos moleste. Aliás, já foi concedido há tempo o que legalmente vos podeis fazer. Deixo o procurador de assuntos públicos, Aurélio Cirênio, encarregado de dar cumprimento a esta disposição em vosso favor. • Uma concessão ao clero Constantino a Cecíliano, bispo de Cartago (312) Eusébio, H.E X. VI • Parecendo-os próprio que se conceda algo para os gastos de determinados ministros da legítima e muito santa religião cristã da África, Numídia e das duas Mauritânias, enviei cartas a urso, varão ilustre [contador da África], a fim de que proporcionasse a vossa firmeza o pagamento de três mil óbolos[“folles“= moeda de valor incerto]. 2. Portanto, ao receberdes a importância acima, ordenai que seja distribuída aos antes mencionados, se acordo com a carta a vós enviada por Ósio. 3. Contudo, se achardes que se omitiu algo para o cumprimento de meu propósito a respeito dos supracitados, pedireis o que vos for Mister a Heráclites, nosso tesoureiro, sem temor de serdes inquiridos, pois eu lhe ordenei que, se precisardes de algum dinheiro, procure entregá-lo sem nenhuma vacilação. 4. Tendo chegado a meus ouvidos que homens devassos, com fraudes e licenciosidades, corrompem os fiéis da santíssima igreja católica, quero que saibas que ordenei ao procônsul Anulino e a Patrício, vigário dos prefeitos, que devem dar atenção especial a este particular, não tolerando que novamente isto aconteça. Portanto, se observardes que homens dessa classe perseveram em sua loucura, achegai-vos sem demora aos juízes mencionados, dando-lhes conta dos fatos, para que contra eles procedam conforme ordenei pessoalmente. Deus vos guarde por muitos anos. • Apoio de Constantino à igreja Restituição dos bens eclesiásticos • Constantino à Anulino, procônsul da África (313) Eusébio, H.E. X.V15-17 • Salve, estimadíssimo Anulino. É costume de nossa Benevolência exigir que as coisas pertencentes ao direito alheio não só sejam respeitadas, mas também restituídas….16. Portanto, mandamos que, ao receber esta carta, faça com que sejam restituídas imediatamente às igrejas cristãs as propriedades que estejam sob poder de qualquer pessoa em qualquer cidade ou lugar. É nossa vontade que voltem a seus proprietários legais o que as referidas igrejas possuíram outrora. 17. Toda vez que vossa fidelidade souber ser verdadeira esta nossa injunção, ponha mãos à obra para que, quanto antes, lhes sejam devolvidos os jardins, as casas e qualquer outra propriedade que legalmente lhes tenham pertencido, de modo que conste que obedeceu ao nosso preceito, Adeus, amado e estimado Anulino. • A legislação de Constantino a favor da igreja Supressão dos adivinhos(319) Cod. Theod. IX. XVI.I (Nullus haruspex) • Nenhum arúspice aproximar-se-á do limiar de seu vizinho, ainda que com outro propósito (diferente do de adivinhar). A amizade com gente dessa profissão deve ser encerrada, mesmo que seja antiga. O arúspice que violar o domicílio de seu vizinho será queimado. Qualquer pessoa que o convidar, seja por persuasão ou por pagamento em dinheiro, será privada de seus bens e banida a alguma ilha. Os que desejarem continuar em suas superstições poderão ser autorizados a praticar seus ritos em lugar público. • Quem delatar tais contravenções não será considerado como delator, mas será merecedor de recompensa. • Dado em Roma, a 1° de fevereiro, quinto ano do consulado de Constantino Augusto e de Licínio César. • A AUTORIDADE DA SANTA SÉ • AS REINVINDICAÇÕES DE ROMA (341) • Júlio, bispo de Roma (337-352) • [Carta ao concílio de Antioquia, em 341, exigindo a reabilitação de Atanásio e Marcelo] • …Os julgamentos da igreja, queridos irmãos, deixando de estar de acordo com o evangelho, apenas pretendem desterrar e matar. Suponhamos, comoalegais, que houve alguma culpa nesses homens. O julgamento devia, não obstante, ser processado de acordo com os cânones da igreja e nunca como ocorreu. Devem ser enviadas cartas a todos nós, para que todos possam contribuir para uma decisão justa. Tanto mais que os homens em questão eram bispos e suas igrejas não eram igrejas comuns, mas igrejas fundadas e governadas pessoalmente por apóstolos. • No caso especial de Alexandria, por que não nos escreveu? Acaso ignorais que é de direito costumeiro que, antes de mais nada, seja informada esta sede para que dela emanem decisões justas? Se houve suspeitas contra o bispo de Alexandria, o bispo desta sede[Roma] devia ser informado. Mas negligenciou-se tal diligência, procedeu a bel prazer e segundo sua própria autoridade, e agora deseja-se nossa aprovação para suas decisões, embora nunca o tenhamos condenado [a Atanásio]. Tal proceder não está de acordo com as constituições de Paulo nem com as orientações tradicionais dos pais apostólicos. Comunico-vos, pois, a tradição legada pelo bem-aventurado apóstolo Pedro. • APELOS A SÉ ROMANA Concílio de sárdica (343) Texto dos cânones sobre a autoridade Romana, em Denzinger, Enchiridion,304 ss • Cânon III. ÓSIO, BISPO DISSE: “É preciso acrescentarmos que um bispo de uma província não passe para outra onde haja bispo, exceto se for convidado pelos irmãos, para que não se pense que se fechou a porta da fraternidade [caridade]. Outrossim, deve ser providenciado o que segue: se numa província o bispo tiver um litígio contra seu irmão bispo, nenhum dos dois tomará por árbitro bispos de outra província. Mas, se algum bispo for julgado num processo e considerar -se com direito a um segundo julgamento, honremos então, se assim vos agrada , a memória do apóstolo Pedro, escrevendo-se a Júlio, bispo de Roma, quer , quer mediante os juízes do caso , quer mediante bispos residentes na província vizinha; o bispo de Roma indicará os árbitros. Comprovando-se, porém, que a causa não comporta revisão, atenha-se ao primeiro veredicto. É essa província de vosso agrado? • O SÍNODO: Sim, é de nosso agrado. • Cânon V. ÓSIO, BISPO, DISSE: “Pareceu-nos de bom alvitre que, se um bispo for acusado, julgado por bispos de sua região e degradado de suas funções, e se apelar e recorrer ao bem-aventurado bispo da igreja Romana para que seja ouvido, estimando justo um novo exame, o bispo de Roma escreverá aos bispos residencial na província vizinha para que, diligente e exatamente, pesquisem o caso e se pronunciem conforme lhes conste ser verdade. Mas, se alguém que apela para um novo julgamento quiser que o bispo de Roma envie algum sacerdote de sua familiaridade e companhia, estará no poder do bispo [de Roma], se ele assim o decidir, enviar seus representantes para, juntamente com bispos, julgar a causa; os enviados gozarão da autoridade de quem os envia. Mas, se julgar que os bispos são suficientes para solucionar o caso, proceda-se de acordo com seu sábio arbítrio”. • SÃO JERÔNIMO E A SÉ ROMANA • Ep. XV (ao Papa Dâmaso,367) • [Esta carta apela para um pronunciamento oficial sobre a expressão treis hypostáseis, tornada familiar em virtude da influência dos padres capadócios] • Desgarrado por contendas sem fim, o oriente rasga em tiras a túnica inconsútil do senhor…estimo pois ser meu dever consultar a cátedra de Pedro. Na presença de Vossa Eminência me sinto aterrorizado, mas Vossa Benevolência me atrai; espero do sacerdote preservar a vítima, do pastor defender a ovelha. Fora , pois, toda sombra de vaidade! Retire-se a majestade romana! Dirijo-me ao sucessor do pescador, ao discípulo da cruz. • Como não marcho sob outro chefe senão Cristo, com ninguém me comunico senão com Vossa Santidade, isto é, com a cátedra de Pedro, pois ela é a rocha sobre a qual está edificada a igreja, a arca de Noé, na qual, se alguém não estiver, perecerá quando o dilúvio cobrir a todos… • Graciano (375 – 383) e o julgamento de bispos jurisdição da sede Romana • [Para as decisões do concílio de sárdica, 343, ver parte I, seção VIII.III] • Súplica do sínodo Romano (382) a Valentiniano II e Graciano Migne, patrologia Latina, XIII, 581 • [O texto aqui citado encontra-se também em Puller, primitive Saints and the See of Rome, p.145s.] • (9)….Suplicamos que vossa Clemência se digne providenciar, mediante os ilustres prefeitos pretorianos da Itália ou seus representantes municipais, o comparecimento a Roma dos que juridicamente tenham sido condenados ou por Dâmaso (bispo de Roma, 366-384) ou por nós mesmos, já que pertencem a fé católica – se pretenderem injustamente reter suas igrejas ou, intimados por um sínodo, recusarem contumazmente apresentar-se. Se ocorrer algum caso deste tipo em províncias mais longínguas, Suplicamos que as cortes locais encaminhem a causa ao metropolitano. Se o próprio metropolitano for acusado, que seja ele intimado a se apresentar a Roma…. Caso existam suspeitas de favoritismo ou de má fé por parte de um metropolitano ou bispo, que se lhe conceda o direito de apelo ao bispo de Roma ou a um sínodo de, pelo menos,. Quinze bispos da vizinhança…. • Teodósio I (379 – 380): católicos e hereges Cunctos populos (380) Cod. Theod.XVI.I.2 • Queremos que as diversas nações sujeitas à nossa clemência e moderação continuem professando a religião legada aos Romanos pelo apóstolo Pedro, tal como a preservou a tradição fiel e tal como é presentemente observada pelo pontífice Dâmaso e por Pedro, Bispo de Alexandria e varão de santidade Apostólica. De conformidade com a doutrina dos apóstolos e o ensino dos Evangelhos, creiamos, pois, na única divindade do pai, do filho e do espírito santo, em igual majestade e em trindade santa. Autorizamos os seguidores dessa lei a tomarem o título de cristãos católicos. É aos outros, que julgamos loucos e cheios de tolices, queremos que sejam estigmatizados com o nome ignominioso de hereges, e que não se atrevam a dar a seus conventículos o nome de igrejas. Estes sofrerão, em primeiro lugar, o castigo da divina condenação e, em segundo lugar, a punição que nossa autoridade, de acordo com a vontade do céu, decida infligir-lhes. • A AUTORIDADE PAPAL DESAFIADA PELOS BISPOS AFRICANOS Próspero, contra Collatorem, v.3: p.l. l.i.227 [O Papa Zózimo(417-418) recebeu as confissões de fé de Pelágio e de Celéstio e as declarou ortodoxas, escrevendo, então, aos bispos africanos a lhes recriminar sua ação precipitada. Estes replicaram apelando (“do papa mal informado ao Papa melhor informado…”)] • Nós decretamos que a sentença contra Pelágio e Celéstio que, mediante o venerável bispo Inocêncio, emanou da sé do bem aventurado Pedro, seja tida por firme e vigente enquanto ambos os hereges não reconheçam, clara e explicitamente, ser necessária a graça de Deus tanto para conhecermos quanto para cumprirmos o que é justo….. • OS BISPOS AFRICANOS E OS APELOS A ROMA • Sínodo de Cartago 424 • apiário, sacerdote africano foi deposto por seu bispo e Apelou para zósimo, que decretou sua reabilitação para justificar sua intervenção, zósimo invocou e cânon de Nicéia querendo dizer os cânones de sádica. Os bispos africanos não acataram a decisão, replicando que tal Cânon não existia. Os dois papas seguintes, Bonifácio e Celestino, não tinham caráter para afirmar sua autoridade. Foi enviada ao segundo. É conhecida como carta “Optaremus,”palavra que encabeça o documento. (os bispos orientais e africanos não tinham tomado parte das sessões de Sárdica e os seus cânones eram conhecidos somente no ocidente. Eles, aliás, gozaram de pouca aceitação inclusive entre os ocidentais até o século sexto) • ao nosso amado Senhor e venerado irmão Celestino. Desejaríamos encontrar na carta que enviastes, para justificação de Apiário os motivos de contentamento expressadas em vossa carta… Faustino (Bispo de potença e legado Papal)… violentamente opôs-se contra todo concílio, insultando-nos copiosamente sob o pretexto de alegados privilégios da igreja romana e a reabilitação de apiário Baseado Em que vossa santidade…. o reabilitou… • [ apiário evitou dificuldades em confessando as acusações]… • Eis porque, com todo respeito, vos suplicamos no futuro, não estejais tão disposto em dar ouvidos a pessoas vindas de nossas regiões, né então desejo uso em receber a comunhão pessoas que foram excomungados por nós. Tenha Vossa reverência a bondade que considerar que isso foi vedado pelos cânones de Nicéia…¹ Os de Nicéia, explicitamente, confiam ao foro dos próprios metropolitanos não apenas ao Clero subalterno mas também aos bispos. Com sabedoria notável e com justiça decretaram que todas as causas se processam no lugar onde surgiram. Não podiam pensar que a graça do Espírito Santo faltaria em alguma província aos bispos de Cristo para julgarem bem e manterem firme o correto, especialmente quando qualquer um que se considera prejudicado por uma decisão goza do direito de apelo para os sínodo da própria província e até para o Concílio geral. a menos que se Suponha que Deus inspira a justiça a um só indivíduo, recusando-a ao plenário dos bispos reunidos em concílio. como confiar no tribunal de Além Mar ao qual não é possível enviar os necessários informes?… não podemos encontrar em qualquer concílio dos Pais apostólicos uma Sanção pronunciada por representantes…. se alguém desejar que lhe envieis delegados… Não os acedeis; não demonstremos querer introduzir na Igreja de Cristo a arrogância tenebrosa do mundo; a igreja, para todos que querem ver a Deus, ostenta a luz da simplicidade e o brilho da humanidade…. • ¹ Nicéia- cânon 5 • BIBLIOGRAFIA: JAROSLAV PELIKAN, A TRADIÇÃO CRISTÃ • DANIEL ROPS, A IGREJA DOS APÓSTOLOS E DOS MÁRTIRES • H. BETTENSON, DOCUMENTOS DA IGREJA CRISTÃ #MacauGoaAngolaMoçambiqueCaboverdeGuinéBissauGuinéEquatorialSãotoméeprincipeEUAfrançaparisgeorgiaportugalMacedôniabelarusRússiapaquistãoIrãCoreiaEgipto #históriadaigrejaprimitiva #Mauritânia

  • Apostólica

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  • Jim Caviezel: Sequência de A Paixão de Cristo será “o maior filme da história”

    REDAÇÃO CENTRAL, 02 Fev. 18 / 05:00 am (ACI).- Em uma recente entrevista, o ator Jim Caviezel afirmou que a sequência de A Paixão de Cristo, na qual trabalha com o diretor Mel Gibson, será “o maior filme da história”. Caviezel confirmou que interpretará Jesus de Nazaré neste novo filme de Gibson que tratará sobre a ressurreição do Senhor. Sobre isso, o ator disse a ‘USA Today’ que “existem coisas que não posso dizer, pois chocarão a audiência. É ótimo, fiquem ligados”. “Não vou dizer aonde ele [Gibson] vai com isso, mas posso revelar que o filme será o maior da história. É bom nesse nível”, acrescentou. ‘USA Today’ assinalou que Gibson e Caviezel não revelaram os detalhes sobre o andamento do novo filme, embora o ator tenha dito que estava inspirado em suas conversas com o diretor sobre o rumo que o projeto está tomando. Em 2016, Gibson indicou a esse mesmo jornal que a sequência de ‘A Paixão de Cristo’ seria sobre “a ressurreição. Grande tema. Oh, meu Deus. Estamos tentado criar isso de uma maneira cinematográfica convincente e esclarecedora para que brilhe nova luz, se é possível, sem criar algo estranho”. Caviezel disse que o diretor tinha “decifrado” essa história e que tinham feito uma programação tentativa de filmagem, que se negou a revelar. Por sua parte, Randall Wallace confirmou a “The Hollywood Reporter” que ele já estava escrevendo o roteiro do novo longa-metragem. Em setembro do mesmo ano, durante o festival religioso evangélico ‘SoCal Harvest’, Gibson revelou que o seu novo filme “não será intitulado a Paixão de Cristo 2, mas ‘A Ressurreição’”. Dois meses depois, Gibson apareceu no programa ‘The Late Show’, apresentado por Stephen Colbert, onde explicou que a ressurreição de Cristo “é mais do que um simples acontecimento, é um evento incrível. E ao respaldá-lo com coisas ao redor da sua história, ilustra o que isso significa”. Nesse sentido, Colbert perguntou-lhe se havia vilões no filme e Gibson respondeu: “Eles estão em outro reino”. “O que aconteceu em três dias?”, perguntou o diretor do filme, Cristo desceu aos infernos. “Então, vão fazer um pequeno inferno”, comentou Colbert, ao que Gibson manifestou: “Não tenho certeza, mas vale a pena pensar nisso, não é? Fazer com que a imaginação flua”. ‘A paixão de Cristo’, que estreou em 2004, contou com um orçamento de 30 milhões de dólares e arrecadou mais de 611 milhões em todo o mundo. O roteiro foi baseado nos diários da mística Anna Catarina Emmerich, apresentados no livro ‘A Dolorosa Paixão de Nosso Senhor Jesus Cristo’, que foi traduzido ao latim, hebraico e aramaico por linguistas jesuítas de Los Angeles para o filme. #Cristo #Jesus #paixão #Ressurreição

  • O ANACRONISMO HISTÓRICO SOBRE A EXPULSÃO E O TRATAMENTO AOS JUDEUS DADO PELA IGREJA E A ESPANHA:

    O ANACRONISMO HISTÓRICO SOBRE A EXPULSÃO E O TRATAMENTO AOS JUDEUS DADO PELA E A ESPANHA. Segundo o historiador italiano vittorio messori: “do ponto de vista jurídico, na Espanha em todos os reinos daquela época os judeus eram considerados estrangeiros, eram acolhidos de forma temporária, sem direito à cidadania. Os judeus eram perfeitamente conscientes de sua situação: sua permanência era possível enquanto não representasse um perigo para o estado, coisa que, segundo o parecer não apenas dos soberanos mas também do povo e de seus representantes, ocorreu com o tempo, por causa de violações da Lei Por parte dos judeus não conversos assim como dos convertidos apenas formalmente, pelos quais a Isabel sentia uma tal ‘ternura especial’ que pôs em suas mãos quase toda a administração financeira, militar e inclusive eclesiástica. Mesmo assim, parece que os casos de ‘traição’ chegaram a ser tantos que não era possível continuar permitindo semelhante situação”. Acrescenta a hipótese (não se pode esquecer que trabalhou segundo o método científico, com ajuda de mais de uma dezena de pesquisadores que dedicaram 20 anos a examinar mais de 100.000 documentos em arquivos de meio mundo): “a alternativa, o dilema ‘converter-se eu abandonar o reino’, impostas pelos Reis católicos, é uma forma simplista, um slogan vulgar, pois não se acreditava nas conversões. A alternativa proposta durante os muitos anos de violações políticas da estabilidade do reino foi: ‘parem de cometerem vossos crimes ou abandonem o reino’. Como confirmação ulterior temos a atividades prévia de Isabel em defesa da liberdade de culto dos judeus, contrariando as autoridades locais, com a promulgação de um seguro real, assim como ajuda para construção de muitas sinagogas (vittorio messori lendas negras da igreja editorial planeta). Devemos mencionar, que grande parte dos judeus existentes no momento da expulsão de 1492 eram praticamente recém-chegados, provenientes de outras Nações das quais haviam sido expulsos maltratados, ou em busca, simplesmente, de melhor qualidade de vida econômica e social. Este fato faz com que Dumont conclua que, Definitivamente, a Espanha não era para eles mais do que “um refúgio conveniente”. O decreto de expulsão dos judeus respondeu, Sem dúvida, além do fator religioso, estritamente a motivos sociais. A convivência tornara-se francamente insustentável, especialmente desde os assassinatos dos inquisidores arbués, juglar e do Santo menino de la Guardia (caso de um menino que foi martirizado por judeus e falsos comversos na década de 1480 na cidade de La Guardia). Não podia haver unidade nacional com aqueles que em primeiro lugar semeavam a discórdia, fazendo pouco da eterna paciência dos Reis, o papa e os clérigos. Desta forma entenderam todos: o povo, os nobres, os burgueses, os eruditos, os clérigos e os próprios Monarcas. A partir desse momento o judeus assumidos abertamente hostis à igreja agora entravam no seio do cristianismo Para poderem conservar seu status social e Fortuna. A opção dada aos judeus e converte-se para permanecer na península significou quase um suicídio tanto para a igreja quanto para o estado, pois os judeus que agora se convertiam eram justamente os mais obstinados e Poderosos, os que haviam resistido à assimilação até o último momento. Esta nova camada de conversas será, sem dúvida, a mais perigosa de todas as que até então se tinham convertido. Com opinião semelhante escreve, escreve o hispanista inglês Stanley Payne: “O paradoxo da história dos judeus Castelhanos foi que a conversão em massa não foi um passo na direção de resolver o problema religioso, mas apenas o tornou mais intenso”. Sem dúvida, os Reis católicos não ignoravam Este quadro. Esta decisão, até hoje desconcertante para muitos, deve ser entendida como subsidiária de uma vontade, tanto da parte dos Reis como da Igreja, de procurar sua assimilação, mesmo à custa de grandes esforços. Não existe positivamente nenhuma Razão melhor do que esta para explicar tal medida. Não se podem esquecer as grandes expulsões — além de perseguições e assassinatos — registrados nos Reinos protestantes entre suas seitas e com relação aos católicos. Para citar apenas algumas, o célebre caso de 1685, em que foram expulsos da França 70.000 calvinistas, tendo a mesma sorte os anabatistas. Tempos antes, em 1534, o setor radical dos anabatistas haviam expulsado selvagemente de Münster os católicos e luteranos. Em Augsburgo, em 1528, segundo comenta um historiador protestante (Thomas Shahan), centenas de anabatistas foram expulsos por ordem do Conselho da cidade; alguns foram Queimados com ferro em brasa, outros decapitados, e a outros arrancou a língua (Janssen V. 160). São oportunas, a este respeito, as palavras do conhecido historiador judeu Grata: “os líderes do catolicismo exigiam submissão absoluta a lei canônica; porém, em troca concediam-lhes a permissão de permanecerem nos países católicos; Lutero, ao contrário, exigia a sua completa expulsão (…). Foi ele quem colocou os judeus no mesmo nível dos ciganos (…). Foi ele o motivo pelo qual foram expulsos pelos Príncipes Protestantes”. Não vemos menção no fato de que o Israel judeu expulsou, de um território que por direito não lhe pertence, mais de um milhão de seus legítimos habitantes, como atualmente denuncia entre outros o historiador judeu Israel shamir. Mais de meio século atrás, o Judeu David goldstein Calculava e 900.000 o número de palestinos expulsos violentamente por judeus em Israel. Compara-se isto com os 80 mil judeus — cifra que varia segundo cada Historiador — expulsos da Espanha católica, e também com o notável tratamento dispensado pelos Reis católicos. Outro fato que de derruba consideravelmente a tese que sustenta que à medida de expulsão dos judeus da península foi motivada por um pretenso antijudaísmo, é sem dúvidas, o da expulsão parcial e depois definitiva dos mouros. Embora sua atividade subversiva fosse quase insignificante quando comparada a exercida pelos judaizantes, houve momentos de violentos revoltas, especialmente por parte dos mouriscos de Granada. Estes agiram em conjunto com piratas, muçulmanos africanos e Protestantes das regiões saxãs, sempre prontos a apoiar qualquer investida contra a Espanha católica. Anteriormente, em especial durante a guerra de Granada, vários destacamentos turcos haviam combatido junto aos mouros. O perigo mourisco não foi de maneira alguma ilusório. Em 1570 havia sido determinada sua expulsão em outras regiões da Espanha, principalmente a Andaluzia ocidental e Castela. Ainda assim, longe de diminuir sua marcha, continuariam a seguir o islamismo secretamente, muitas vezes com uma violência sem medidas, o que provocará sua expulsão definitiva em 1610. Tendo isto em vista, surgem perguntas como as seguintes: porque só se guarda lembrança da expulsão promovida pelos Reis católicos, ocorrida há cinco séculos atrás? Por que se omitiu, em praticamente todas as publicações sobre o tema, As condições da expulsão quase Magnânimas oferecidas pelos Reis católicos aos desterrados, sem mencionar tampouco aquelas executadas por outras Nações e religiões de maneira mais degradante? Quem já mencionou, por exemplo, a expulsão dos judeus da Saxônia decretada por Lutero, ou a proibição de Seu regresso à Genebra ordenada por Calvino? Por que é que ninguém diz o que os estados pontifícios não apenas nunca expulsaram os judeus, mas receberam-nos a cada vez que eram expulsos, dando-lhes asilo? Por isso, é inadmissível que sejam justamente os judeus quem mais atacam os pontífices da idade média e moderna. #MacauGoaAngolaMoçambiqueCaboverdeGuinéBissauGuinéEquatorialSãotoméeprincipeEUAfrançaparisgeorgiaportugalMacedôniabelarusRússiapaquistãoIrãCoreiaEgipto #Históriadaidademédia #HistóriadaInquisição

  • Constantino, o Grande

    ”O homem que , em 312 , ia mudar de um golpe os destinos do Império e o curso da história era um jovem príncipe de trinta e dois anos , por quem a Fortuna – ou a Providência – parecia ter sempre velado. Filho daquele Constâncio Cloro que , como César e depois como Augusto do Ocidente , sempre dera provas nos seus Estados , não só de firmeza, mas até de clemência , nascera em Naisso (Nisch) , na atual Sérvia, por volta do ano 280. Pelo lado paterno , estava ligado a urna nobre família romana da Ilíria, com a qual era aparentado o imperador Cláudio II , o Gótico. Sua mãe, que o cristianismo viria a rodear de veneração e de glória, era Helena, mulher de condição bastante modesta – criada de estalagem , diziam as más línguas , ou filha de um hoteleiro da Ásia Menor, diziam outros – que, seja como for, Constâncio não desposara legalmente. Educado na corte de Nicomédia , sob os próprios olhos de Diocleciano , isto é, em parte como pajem e em parte como refém , Constantino entrou aos quinze anos para o exército e aos dezoito era já ‘ ‘ tribuno de primeira fila’ ‘ – pouco mais ou menos general de brigada – e tornara-se conhecido por urna coragem física indefectível . Quando Diocleciano se retirou, Galério achou prudente conservar junto de si um rapaz tão lançado , tão corajoso , por quem os soldados nutriam uma louca admiração . Conta-se mesmo que , mais tarde , o velho Augusto sanguinário tentara ver se a sorte o livrava desse possível rival: aproveitando-se da sua bravura um pouco orgulhosa , lançara-o em estranhas aventuras, desafiando-o uma vez a combater um leão (sic !) e outra um sármata gigantesco ; mas o jovem príncipe arrostara incólume todos os perigos. Suficientemente esperto para farejar as ciladas que lhe armavam – e receando talvez alguma maquinação definitiva – , Constantino não esperava senão uma ocasião propícia para afastar-se de Galério. Como seu pai Constàncio o tivesse reclamado oficialmente, porque estava muito doente e tinha necessidade de um adjunto na expedição à Inglaterra que preparava contra os pictos , o jovem príncipe arrancou do Augusto licença para se ausentar e abalou imediatamente pela estrada de Bolonha do Mar, tendo o cuidado , para maior segurança , de ir mutilando os cavalos de posta em cada etapa, para que , quando Galério reconsiderasse e se lançasse no seu encalço , não tivesse meios de o alcançar. Muito alto e forte , de tez morena, espáduas largas e nuca espessa, Constantino era desses homens cujo aspecto físico já obriga a respeitá- los. Entregue às ocupações impostas pela sua categoria, mantinha habitualmente um ar de gravidade serena, a que uma real gentileza e uma ironia natural emprestavam um matiz de afabilidade levemente zombeteira. Todas as suas estátuas o apresentam majestoso , sério , de fronte austera , a boca ávida e com qualquer coisa de pueril e de inocente nos olhos muito abertos. Inteligente , mas de cultura medíocre, estropiava o grego e respeitava as letras, embora não as praticasse. Do ponto de vista moral , era dotado de uma natureza complexa , cujas contradições são significativas : modelo de uma vontade férrea que bruscamente desfalece , cede por vezes ao desânimo e passa a aceitar todas as influências ; homem generoso , amigo da clemência, muitas vezes explode em violências sanguinárias e se mostra de uma terrível crueldade , misto de humildade sincera e de um orgulho que nenhum louvor poderá apaziguar. Por todos os traços que nele se notam é , literalmente , um bárbaro, não no sentido moral e pejorativo da palavra , mas no sentido psicológico , um homem de transição , instável, ligado a tradições e princípios que não compreende , mais instintivo do que político , mais supersticioso do que racional, um homem inteiramente voltado para o futuro . Quando Constância Cloro morreu em York durante a campanha britânica, em 306 , as legiões proclamaram-no Augusto , sem que Galério tivesse sido consultado ; este limitou-se a conceder ao jovem a dignidade de César , com o que Constantino se conformou provisoriamente. As brilhantes vitórias alcançadas sobre os alamanos e os francos , a construção de uma ponte sobre o Reno , em Colônia , a captura dos reis germanos Ascárcio e Raguese , que foram lançados às feras , acabaram por garantir-lhe a dedicação das suas tropas. Torna-se então um poder, o único poder do Ocidente. Por isso , quand  no ano seguinte Maxêncio , filho de Maximiano , invejoso desses louros e ressentido por se ter visto preterido em favor de Maximino Daia, dá um golpe de estado em Roma, proclama-se Augusto e coloca no poder , junto de si , o seu velho pai , é para Constantino que se voltam os dois novos senhores da Itália, pretendendo pregar entre os três uma peça aos senhores do Oriente. Constantino desposa Fausta , a sedutora filha de Maximiano que conhecera em Nicomédia e que o tinha presenteado com um capacete de ouro por ocasião da sua aventurosa partida. Mas , nestes tempos conturbados , os entendimentos políticos são frágeis. Passam-se alguns meses e Maximiano tenta liquidar o genro. Fausta, avisada, finge entrar na conspiração e previne o marido , que vigia o sogro , apanha-o em flagrante 7 e arranja as coisas para que o encontrem enforcado numa prisão. Como na mesma ocasião – 311 – Galério dava a alma ao Criador , a situação ficava relativamente clara: no Oriente , Maximino Daia e Licínio , herdeiros de Galério; em Roma, Maxêncio. Mas duas cabeças no Ocidente, Constantino e Maxêncio , estavam de acordo em pensar que uma delas sobrava. Muito naturalmente , o Augusto de Roma declarou-se o único soberano legítimo , o único descendente dos grandes imperadores , cujos palácios ocupava. Além disso , não é verdade que se parecia com eles sob muitos aspectos , já que reparava estradas , empreendia grandes trabalhos e multiplicava faustosamente os espetáculos populares ? Era um tipo curioso este homem baixo , moreno , com o cabelo cortado à escovinha , de um temperamento desiludido e cético , indulgente para com os cristãos mas restaurador dos ídolos , e que pouco se importava com o ofício das armas , mesmo nesses dias de grande violência. Na primavera de 312 , depois de ter firmado a fronteira do Reno e de ter concluído um acordo com Licínio , a quem deu sua irmã Constança em casamento, Constantino entrou em campanha. Levava consigo menos de 40. 000 homens , mas todos gauleses , germanos e bretões ; no seu entender, eram suficientes para dispersar os cem mil soldados da corte ou mercenários da África que Maxêncio tinha reunido às pressas. Ao passo que o Augusto de Roma não se atrevia a sair da cidade , porque um oráculo lhe anunciara que morreria se transpusesse as muralhas , Constantino dirigia pessoalmente uma campanha verdadeiramente napoleônica. Atravessou os Alpes sem qualquer entrave junto ao monte Genebra ; tomou Susa à força e , depois de repelir um ataque de cavalaria pesada no Pó , Turim , Milão , Verona e Módena abriram-lhe sucessivamente as portas. Em Roma, onde a princípio haviam zombado do audacioso que vinha combater tão longe das suas bases , o terror começou a alastrar-se.  Foi discutido em conselho se se deveria esperar o inimigo por trás das poderosas muralhas construídas outrora por Aureliano ou se seria preferível ir ao encontro dele , desbaratá-lo em campo raso e libertar depois os portos que a sua frota acabava de bloquear. Contra a vontade de Maxêncio , que pensava no oráculo , optou-se pela segunda solução. Não tinham os Livros Sibilinos anunciado que “o inimigo dos romanos devia morrer” ? A 27 de outubro de 312 , avançando pela Via Flamínia, Constantino pôde avistar Roma de longe. A cidade da Loba – que ele nunca visitara , pois sempre vivera no Oriente ou nas Gálias – , com as suas muralhas coroadas de ameias , os seus monumentos que brilhavam ao sol , os aquedutos gigantescos que para ela convergiam através da campina, era agora a parada que ele apostava naquele jogo do seu destino. No dia seguinte, 28 de outubro , ao raiar da manhã, o exército de Maxêncio atravessou o Tibre pela ponte de Mílvio e por outra ponte de barcas que se formara para duplicá-la. As forças de Roma avançaram , pararam no desfiladeiro das Saxa Rubra – as ” Rochas Vermelhas ” , hoje Primaporta – , recuaram ao serem perseguidas e foram compelidas a travar batalha de costas contra o rio , numa posição deplorável. Logo no primeiro embate , os italianos e os cartagineses bateram em retirada ante a pressão dos soldados nórdicos; apenas alguns grupos de pretorianos se deixaram matar. Constantino , a cavalo, dirigia o ataque à frente dos seus gauleses. Maxêncio , posto em fuga, foi apanhado no turbilhão dos soldados em debandada , caiu na água devido ao desmoronamento da ponte das barcas e afogou-se. Encontraram no dia seguinte o seu cadáver boiando no rio ; cortaram-lhe a cabeça e passearam-na pela cidade, espetada na ponta de uma lança. Esta vitória decisiva continha um sentido infinitamente mais sério do que o de um simples ajuste de contas entre dois ambiciosos. Com efeito, ocorreu no decorrer da batalha um acontecimento de importância histórica excepcional: Constantino aderiu ao cristianismo. Até então tinha sido pagão , um pagão tolerante , propenso talvez a incluir o Evangelho numa concepção sincretista do mundo , ou talvez atormentado como seu pai pela inquietação e pelo desejo de converter-se. Três anos antes , invocava ainda o Sol Invictus e afirmava ter tido uma aparição de Apolo. No dia seguinte ao da vitória, torna se um cristão convicto ; não são só os historiadores cristãos que o afirmam ; o fato depreende-se também dos panegíricos e inscrições oficiais . Deu-se uma reviravolta provocada por um evento cujo caráter estranho viria a favorecer o aparecimento de muitas lendas , mas de cuja realidade não podemos duvidar. Os quatro documentos oficiais sobre o episódio são os seguintes: sobre o arco do triunfo , erigido em 313 para comemorar a sua vitória, lê-se uma inscrição na quel Constantino proclama que venceu por uma ”inspiração da divindade ” ; semelhante fórmula podia ser aceita tanto por cristãos como por pagãos. Redigindo no mesmo ano o livro IX da História Eclesiástica, Eusébio declara formalmente que , na sua luta contra Maxêncio, Constantino ” invocou Cristo e a Ele deveu a vitória” ; mas não entra em detalhes. É por Lactâncio, que escrevia em torno de 318 , e pela Vida de Constantino do mesmo Eusébio , que data de quinze ou vinte anos mais tarde , que . se conhecem os célebres pormenores. Uma noite – diz Lactâncio – , pouco antes da batalha, Constantino teve um êxtase durante o qual recebeu de Cristo a ordem de colocar sobre o escudo das suas tropas um sinal formado pelas duas letras CH e R ligadas; é este , com efeito , o monograma que se encontra nas moedas e inscrições constantinianas. Quanto a Eusébio , informado – segundo diz – pelo seu herói imperial , que no fim da vida lhe teria contado todos os pormenores do episódio , eis a sua versão : momentos antes de entrar em luta com Maxêncio, Constantino apelou para o Deus dos cristãos e então , em pleno dia, viu no céu , para os lados do poente , uma cruz luminosa com estas palavras em grego: ” Com este sinal vencerás “. Na noite seguinte , Cristo apareceu-lhe e mostrou-lhe a cruz , convidando-o a mandar fazer uma insígnia que a representasse . Essa insígnia é o Labarum , estandarte em forma de cruz que , a partir daí, acompanhou sempre os exércitos de Constantino . Tanto quanto se têm discutido as circunstâncias deste episódio , têm-se discutido incansavelmente as razões psicológicas da “conversão ” de Constantino. Alguns viram nela apenas um ato político que , medindo o poder do cristianismo , se propunha atraí-lo para o jogo do imperador . Outros , indo mais longe , suspeitaram da sinceridade do gesto de Constantino e, baseando-se no fato de não se ter batizado senão vinte e cinco anos mais tarde , consideram a sua conversão como manobra de uma ambição astuciosa, e, quanto à história das visões , vêem nela apenas uma fantasia romanesca. No entanto , pelo que se conhece deste homem , o fato nada tem de inverossímil. Perseguido , como a maior parte dos seus contemporâneos , pela obsessão do sobrenatural , sabendo que o seu adversário recorria aos oráculos pagãos e persuadido de que , segundo as afirmações de Lactâncio , os inimigos de Jesus tinham todos um fim trágico , Constantino pode perfeitamente ter-se sentido arrastado a implorar a Cristo , como o viria a fazer Clóvis na véspera da batalha de Tolbiac . Uma vez vencedor, cumpriu a sua promessa e encetou uma política cristã . Seja como for, a sua determinação foi providencial , no sentido mais histórico da palavra. Não haverão de exagerar o alcance do seu gesto os artistas cristãos que , sobre os sarcófagos do século IV – evocando a vitória de Ponte Mílvio e Maxêncio ”tragado pelas águas juntamente com as suas tropas” -, hão de representar Constantino sob os traços de um novo Moisés . A história acabava de dar uma reviravolta decisiva. O “Edito de Milão ” de 313 No dia seguinte ao da sua vitória , 29 de outubro de 312 , Constantino entrou triunfante em Roma. Foi muito bem recebido ; as classes altas detestavam Maxêncio, que as sobrecarregava de impostos , e o povo , como sempre , aderiu facilmente ao vencedor. Este mostrou-se moderado, mantendo nos seus lugares a maior parte dos funcionários , proibindo sob pena de morte a delação , limitando-se a licenciar as tropas pretorianas e a mandar matar um filho de Maxêncio e alguns dos seus amigos e fiéis , o que , para aquele tempo , era verdadeiramente o mínimo . A reparação , à sua custa , dos aquedutos romanos em mau estado tornou-o muito popular. Quanto à questão religiosa , não encontrou dificuldade . Com a evidente preocupação de não contrariar os seus súditos pagãos , aceitou sem hesitar as honras ” divinas ” que a bajulação tradicional lhe quis prestar, permitindo que lhe fosse dedicado um templo e lhe erigissem uma estátua dourada 8.  Estava-se ainda – e estar-se-ia até o fim do reinado – numa época de transição. Mas , se Constantino não quis ferir as suscetibilidades pagãs , nem por isso deixou de manifestar os sentimentos que experimentava para com o cristianismo . Mandou cunhar imediatamente nas moedq.s o medalhão CH-R , e o Labarum 9 continuou a flutuar por cima dos seus exércitos . Maximino Daia recebeu uma carta em tom cominatório , em que era convidado a suspender sem mais delongas a perseguição aos cristãos . O procônsul da África recebeu outra, com a ordem de devolver à Igreja os bens confiscados. Parece que , já nesse inverno de 312 – 313 , o tesouro público contribuiu para a reconstrução dos edifícios de culto e que o papa Milcíades obteve da imperatriz Fausta o suntuoso palácio de Latrão , onde pouco depois reuniu um concílio. Mas em breve viriam a ser tomadas medidas mais categóricas. Em fins de janeiro de 313 , Constantino deixou Roma e encontrou-se em Milão com o seu colega do Oriente , Licínio , que acabava de desposar sua irmã Constança. As cerimônias das núpcias imperiais desenrolaram-se paralelamente às conversações entre os dois novos cunhados , em que se debateram os pontos fundamentais das suas políticas e, em especial , da política para com o cristianismo . As entrevistas duraram possivelmente dois meses ; já nos primeiros dias de abril , Licínio teve de tornar a partir em guerra contra o terceiro colega dos dois , Maximino Daia . É, portanto , de fevereiro ou março de 313 que devemos datar os textos que iriam mudar tão decisivamente o curso da história e que um costume já muito antigo designa pelo nome de Edito de Milão . A expressão não deve ser tomada ao pé da letra . Não chegou até nós qualquer texto , assinado e promulgado em Milão , que fixe as bases da política cristã. O que conhecemos são apenas algumas cartas de Constantino e outras de Licínio , as primeiras mencionadas por Eusébio e as segundas por Lactâncio , que transmitem , acompanhadas de comentários , um certo número de cláusulas . Tem-se perguntado se o Edito de Milão não teria sido um simples ” protocolo ” assinado pelos dois Augustos após as suas entrevistas, com o fim de passar a limpo as decisões que tinham tomado em comum. A discussão é bastante inútil . A despeito de algumas diferenças de expressão , os elementos fundamentais dessas decisões encontram-se em todos os textos e o seu sentido é perfeitamente claro . Quando entrou como vencedor em Nicomédia , em 13 de junho de 313, Licínio mandou fixar um rescrito que impunha as cláusulas desses textos. ” Enquanto estávamos felizmente reunidos em Milão , Constantino-Augusto e eu , Licínio-Augusto , e tratávamos em conjunto dos grandes interesses do Estado… ” Em Milão, não houve nenhum edito formalmente rubricado , mas pôs-se em execução a nova política definida pelos senhores das duas partes do mundo ; é daí que data o que tem sido perfeitamente designado sob o nome de paz constantiniana 10 As decisões de fevereiro-março de 313 dividiam-se em duas grandes partes: na primeira, os imperadores assentavam um princípio para o futuro e, na segunda, liquidavam o passado . ” Procurando solicitamente tudo que interessava ao bem público” , consideravam que ” entre as muitas coisas úteis ou , para melhor dizer , antes  de todas as outras coisas , importava estabelecer as regras relativas ao culto e ao respeito da Divindade ”. (Observe-se a propositada imprecisão da fórmula: tanto podia ser subscrita por Licínio , que era um pagão , como por um cristão). Estas regras reduziam-se praticamente a uma só : ” A liberdade de religião não pode ser tolhida e é necessário permitir , quanto às coisas divinas , que cada um obedeça às moções da sua consciência”. A seguir, aplica-se o princípio aos cristãos , que eram os únicos súditos de Roma perseguidos nos últimos tempos . Os imperadores declaram categoricamente : ‘ ‘ Nós queremos que todo aquele que queira seguir a religião cristã possa fazê-lo sem qualquer receio de ser incomodado . Os cristãos têm plena liberdade para seguirem a sua religião ‘ ‘ . Não se podia ser mais solene : é uma declaração absoluta de tolerância . Mas não poderia ela inquietar os pagãos , que teriam medo de represálias ? Os Augustos precisam : ‘ ‘ O que concedemos aos cristãos é igualmente concedido a todos os outros . Cada um tem o direito de escolher e praticar o culto que preferir , sem ser lesado na sua honra e nas suas convicções . Depende disso a tranqüilidade do nosso tempo” . A segunda parte já não é de ordem doutrinal , mas prática. A Igreja , agora reconhecida, tem o direito de ser ajudada a reconstruir as suas ruínas: o culto , agora lícito , deve ter condições para poder ser praticado . As decisões imperiais distinguem duas espécies de construções cristãs : as igrejas , ” lugares de assembléias ” , e as propriedades coletivas, certamente os cemitérios e outras . ” Sem indenização , sem reclamação de preço , sem demora e sem processo ” , tudo será restituído aos fiéis , e o Estado se encarregará de indenizar terceiros que tenham adquirido de boa fé esses bens. O edito de Galério , em 311 , e a decisão de Maxêncio na mesma ocasião , haviam já estabelecido regras muito aproximadas , mas por razões de oportunismo político ou de interesse pessoal do imperador . Mais importantes eram estas prescrições de  313 , pois associavam o princípio das reparações legítimas ao da liberdade espiritual .Era o início de uma nova ordem . Não se pode avaliar a importância de tal acontecimento. Sob o ponto de vista histórico , nenhum lhe poderá ser comparado , depois da morte de Jesus , quanto à sua importância para o desenvolvimento do cristianismo. Neste momento preciso , viam-se recompensados os esforços heróicos dos Apóstolos e dos Mártires : a Revolução da Cruz triunfava . E o evento assumia um significado ainda maior porque não partia de um príncipe enfraquecido como Galiano no século anterior, de um moribundo aterrorizado como Galério , ou de um cético indeciso como Maxêncio , mas de um imperador no auge da glória, capaz de quebrar todas as resistências e que agora se inclinava livremente diante do Deus novo. A Revolução da Cruz triunfava mesmo antes do que o permitiam supor os termos das decisões de Milão. A história obedece a imperativos lógicos, e há tomadas de posição que configuram o futuro muito mais do que as simples aparências o fazem prever. Pela simples razão de terem estabelecido estes princípios , Constantino e seu cunhado constituíam-se a partir daí como defensores do cristianismo; por isso , quando Licínio repelir um ataque de Maximino Daia e o venceu duramente 11 , levando-o ao suicídio na primavera de 313 , mandou imediatamente anular nos seus novos Estados todas as medidas de perseguição , tornando-se assim um fiador da paz de Cristo . Num regime tão subordinado ao Estado , tão centralizado e tão autoritário, em que a personalidade do imperador irradiava um brilho tão vivo , o simples fato de que o príncipe se mostrasse benevolente para com os cristãos bastava para que a balança pendesse para o lado deles 12 Em princípio, portanto , as decisões de Milão estabeleciam a igualdade entre o cristianismo e o paganismo. A religião de Cristo tornava-se uma religião ” lícita” , juntamente com muitas outras , como por exemplo a de Mitra ou a dos deuses egípcios. Mas o resultado era muito mais importante. A corrente geral de opinião e o conformismo das massas , que se haviam oposto à expansão cristã , vão agora trabalhar a seu favor. Não tinhamos imperadores reconhecido oficialmente que se haviam enganado todos os que tinham tentado destruir o cristianismo ? Não era evidente que o Deus dos cristãos era mais forte do que as velhas divindades pagãs, pois fizera triunfar o seu amigo ? Em vez de atribuir à impiedade dos cristãos as desgraças que ocorriam , como se tinha feito tantas vezes no passado, não seria necessário ir buscar as verdadeiras causas desses males à recusa que Roma opusera durante tanto tempo à nova fé? O próprio Constantino não devia estar longe de pensar assim , e, se nalguns meios tradicionais e intelectuais se considerava a mudança em curso como um espantoso retrocesso , o conjunto do povo, simplista e supersticioso , depressa se convenceria de que a vitória de Cristo estava inscrita no segredo do destino. Não se caminhará , pois , para um regime de ” liberdade das consciências” , em que paganismo e cristianismo , aceitando-se mutuamente , lutariam com armas iguais sobre o terreno das almas , mas sim para um rápido declínio das velhas formas pagãs e o triunfo definitivo do Evangelho. A própria noção de ” liberdade das consciências ” não tinha qualquer raiz na alma antiga. O paganismo poderá levar mais de dois séculos a desaparecer e conhecerá ainda momentos de vigoroso rejuvenescimento , como no tempo de Juliano , mas nem por isso deixou de ser mortalmente atingido em 313 A consciência de Constantino Constantino dispôs de um quarto de século para aplicar os princípios que estabelecera em Milão (313 – 33  ) e, com efeito , o seu governo contribuiu tão poderosamente para consolidar as posições adquiridas pela Igreja que os ulteriores ataques do paganismo já não poderão abalá-la. Mas quer isto dizer que temos de encarar estes vinte e quatro anos , sem reservas e sem reticências , como o reinado de um cristão ? A realidade dos fatos é menos simples , e não podemos tomar ao pé da letra os historiadores cristãos Eusébio , Sócrates , Sozomeno , Teodoreto e Orósio , ou mesmo São Jerônimo, que tendem a representar Constantino como um cavaleiro de Cristo rachando ídolos , derrubando templos e estabelecendo sobre a terra o Reino de Deus. O homem é um ser complexo. Não se pode negar que Constantino manteve para com o cristianismo uma atitude de reverência e afeição sincera que , nos últimos tempos da sua vida, se converteu em verdadeira fé.” Tenho um completo respeito pela regular e legítima Igreja católica’ ‘ , escreveu ele em 315 ; e vinte anos mais tarde : ” Professo a mais santa das religiões e ninguém pode duvidar de que sou um fiel servidor de Deus” . A partir de 317 , o Labarum com o monograma de Cristo torna-se obrigatório em todos os exércitos . Cunham-se, quase por toda a parte , moedas que incluem o monograma CH-R; as da oficina de Tarragona trazem até a marca da cruz. São freqüentes as decisões administrativas que favorecem os cristãos , tais como isenção de taxas municipais para os seus sacerdotes , proibição de os judeus apedrejarem aqueles dentre os seus que se quisessem converter, autorização para testar em favor da Igreja, jurisdição civil outorgada às vezes aos próprios bispos , e muitas outras concessões que poderíamos citar. Mas , em sentido contrário , podem-se evocar muitos fatos que parecem manter uma situação equívoca e provar que Constantino não tinha rompido todas as amarras com o paganismo . Se não celebrou em 313 os jogos seculares – o que fez o historiador Zózimo dizer que essa omissão foi a causa da perda do Império – , conservou o título de divino e a dignidade de Sumo Pontífice , que todos os seus predecessores tinham ostentado, embora seja também verdade que nunca exerceu as funções litúrgicas do pontificado pagão e se fazia representar por um Promagister. Por ocasião da sua entrada em Roma, mandou restaurar alguns templos e autorizou até a nomeação de um colégio de sacerdotes para o culto dos seus antepassados, a Gens Flavia. Em 319 , ao promulgar editos sobre a arte divinatória, não proibiu os arúspices ,limitando-se a restringir as suas atividades e a proscrever as operações de magia. Em 335 , uma lei na África confirmava os privilégios dos flâmines e dos sacerdotes municipais. E – coisa estranha -, quando fez de Bizâncio a sua cidade , a cidade da sua vontade e da sua fé, deixou que lá se restaurassem ou edificassem templos pagãos a Ceres , a Reia e aos Tíquios , gênios tutelares das cidades. Como estes , poderíamos ainda evocar muitos outros exemplos que parecem estabelecer uma flagrante contradição. Que razões podem explicar esta atitude ambígua? Antes de mais nada, com certeza , a necessidade política . Num Estado em que o cristianismo estava bem longe de contar a maioria dos cidadãos entre os seus fiéis, teria sido muito difícil para Constantino desfazer de um só golpe uma situação que já vinha de há mais de dois séculos. Por muito poderoso que fosse , era-lhe necessário usar de prudência e contemporizar. Chegou-se a escrever que ‘ ‘ os cristãos compreendiam a imensa vantagem que lhes adviria se Constantino tivesse ido até o coração do paganismo para asfixiá-lo com mais segurança” 13 . Ora , isto é atribuir-lhes um maquiavelismo bem negro ; é mais provável que eles simplesmente compreendessem as dificuldades que o seu protetor encontrava , e que a ambiguidade relativa da sua atitude e a propositada imprecisão de certas fórmulas lhe fossem desculpadas pelos serviços que lhes prestava. Mas há talvez outro gênero de observações a fazer, que são de caráter mais tocante . Este homem , que nós adivinhamos constantemente torturado e perseguido por temores supersticiosos , querendo o bem mesmo quando praticava o mal , perturbado no fundo mais secreto do seu ser por hereditariedades contraditórias , não poderá , sem exagero, ser considerado como exemplo de um desses combatentes das lutas interiores em que cada um de nós pode reconhecer os seus próprios movimentos ? Nesta época, está sempre presente a preocupação pela vontade divina , qualquer que seja a forma sob a qual ela se exprima. Pagãos ou cristãos , quase todos os homens têm o sentimento de viverem sob o domínio – a proteção ou a ameaça – de potências invisíveis . Em muitas das suas cartas , Constantino exprime o temor de irritar o ‘ ‘ Senhor Supremo ‘ ‘ . Ele , o visionário insone, que , durante noites e noites passadas em claro, rumina os seus receios , ele que tantas vezes foi visto meditando diante do mar ou dos vastos panoramas das planícies , extremamente sensível a essa impressão metafísica que dão as perspectivas da terra – esse homem é talvez o protagonista de um drama interior que a sua política mal permite entrever. Tendo optado por Cristo , em 312 , num movimento súbito e quase involuntário , não seria somente depois , através de muitos obstáculos e incertezas 14, que teria traçado o seu caminho para a luz definitiva? O seu batismo in articulo mortis teria assim o sentido de um verdadeiro e comovente fecho de abóbada . É provável , pois , que tenha havido na consciência de Constantino uma evolução no seu caminho para Deus . Quanto mais tempo passava, mais ele se com’portava como cristão e até com uma espécie de ostentação , que se explica talvez pelo desejo de propaganda. No palácio imperial, em Constantinopla, será colocado perto da porta de entrada um quadro que mostra o imperador em oração , com os olhos postos no céu . Um outro , disposto no interior, representá-lo-á atravessando um dragão com o ferro do Labarum. Mandou construir um oratório particular, onde gostava de passar longo tempo em oração , diante do único ornamento que esse grande amigo do fausto tinha querido colocar : uma simples cruz . Na capela imperial , vê-lo-ão muitas vezes dirigir as cerimônias ” como um hierofante ” , e comporá uma oração que os seus soldados terão ordens de aprender. Nas suas visitas oficiais às províncias , distribuirá geralmente medalhas de ouro e de prata com alusões cristãs . Escreverá uma carta ao seu rival iraniano , o rei Sapor II, convidando-o a converter-se ao cristianismo . E quando sentir aproximar-se o seu fim , mandará edificar uma basílica com doze sarcófagos de pórfiro em comemoração dos santos Apóstolos , e um décimo terceiro reservado para ele. Um autor anônimo desta época caracterizou maravilhosamente a complexidade dessa personalidade , qualificando-a com estes três epítetos : praestantissimus , puptlus, latro . O primeiro corresponde perfeitamente ao soberano prestigioso , ao poderoso restaurador do Império , ao construtor de Constantinopla, ao homem que , envergando pesados tecidos cravejados de pedrarias e um cintilante diadema, resplandecia com um orgulho sobrehumano. O segundo designa com precisão o ” espírito de infância” que ele conservou apesar de tudo , e em nome do qual muito se lhe deve perdoar, esse espírito de infância que o fazia tantas vezes tratar os bispos e os padres com um respeito filial e repetir freqüentemente que sabia estar ” entre mãos mais poderosas do que ele ” . Mas, na sua marcha para Deus , havia igualmente o terceiro epíteto , o latro , o bandido , o aventureiro , o bárbaro que se metia de permeio ; e este epíteto também se manifestava com frequência. Tal é , portanto , o último traço de um esboço psicológico desta persona!idade tão atraente: a sua terrível violência e a sua propensão para derramar sangue com uma facilidade extraordinária . Como é natural , para compreendermos este homem até nos seus piores defeitos , temos de tentar situá-lo na sua época , quando a vida humana tinha um valor muito relativo , e compará-lo com os seus contemporâneos – um Galério ou um Maximino Daia -, ao pé dos quais ele parece bem pouco culpado . No entanto , como é que pode ser digno de que lhe silenciem as violências um homem que mandou lançar às feras os chefes germanos vencidos , que torturou até a morte seis mil prisioneiros suevos e que foi o assassino do seu cunhado Licínio , do seu próprio filho Crispo e de sua esposa Fausta ? Já em 314 , logo após o seu primeiro triunfo , Constantino entrara e mconflito com Licínio ; derrotou- o , tirou-lhe a Ilíria, a Grécia e a Macedônia e repeliu-o quase totalmente para a Ásia. E de ano para ano , as relações entre os dois cunhados foram-se azedando. A verdade é que um dos dois sobrava . Quanto mais o Augusto do Ocidente se mostrava cristão , tanto mais o do Oriente , cético por temperamento , se portava como anticristão . Uma regulamentação propositadamente minuciosa e irritante , que pretendia proibir aos cristãos as reuniões de homens e mulheres , e aos bispos que saíssem de suas dioceses e se reunissem em sínodos , provocou certas resistências , a que Licínio respondeu com uma perseguição em regra. De novo se viram execuções capitais no Oriente . Por isso , quando , em 324 , a propósito de u m incidente de fronteiras , Constantino decidiu liquidar o cunhado , pôde armar-se em campeão da fé e em defensor da liberdade das consciências . Vencido perto de Andrinopla, depois de postas a pique as suas trezentas galeras à entrada dos Dardanelos , Licínio foi obrigado a capitular . Constança obteve de seu irmão o perdão do marido ; foi, porém , uma graça muito provisória , porque , sob o pretexto de que o banido, refugiado em Tessalônica, conspirava contra ele , Constantino mandou- o estrangular seis meses depois . Os autores cristãos da época esforçaram-se por justificar o crime ; São Jerônimo , mais prudente , relata-o sem comentários. A política – mesmo a ” política cristã” – podia explicar que o grande imperador se tivesse desembaraçado de um rival , de um rebelde contra as leis de Cristo que comprometia a sua obra . Mas como se poderá desculpar o duplo drama palaciano que se seguiu a esta primeira tragédia? Nenhum historiador conseguiu até hoje penetrar nas verdadeiras razões desse drama. Tendo chegado a Roma em julho de 326 , Constantino foi bastante mal recebido. A cidade censurava-o por lhe ter dado uma rival triunfante e, por outro lado , os seus modos de ” Rei dos Reis ” prestavam-se a pesados gracejos . Ocorreram incidentes bastante graves , que exasperaram o Augusto. Terá sido a propósito desses incidentes que Fausta, a imperatriz , excitou a cólera do príncipe contra Crispo , filho de um primeiro casamento de Constantino , jovem César cheio de ardor, vencedor da batalha naval dos Dardanelos ? Terá ela insinuado que o herdeiro do trono era muito popular em Roma, procurando assim preparar o lugar para os seus próprios filhos ? A crônica escandalosa fez correr que as verdadeiras razões do drama eram de uma ordem mais íntima e que entre a ” beleza perigosa ” da diva e a juventude de Crispo existiam relações escabrosas , um misto de atração e despeito. Terá a mulher de Putifar acusado injustamente José? O certo é que pouco depois Crispo foi preso , encerrado na fortaleza de Pola e executado. A notícia provocou um reboliço enorme em todo o Império , e foi terrível a cólera da velha imperatriz Helena, que logo veio recriminar o filho pelo assassinato do mais querido dos seus netos . Transtornado , despedaçado, tremendo de remorsos e angústia , Constantino não encontrou outra saída senão um novo crime . Uma manhã, no momento em que Fausta ia tomar banho , os guardas invadiram a sala , atiraram-na para dentro da piscina e, dilacerando-lhe com as espadas a carne nua , mantiveram-na no fundo da água fumegante , que em breve se tingiu de sangue. Razão de Estado ? Motivos de disciplina moral ? Estariam errados os pagãos que escarneciam deste Augusto cristão de mãos ensangüentadas ? A mensagem de Jesus não tinha verdadeiramente trazido a paz a esta alma de boa vontade, mas dominada pelo medo e pela violência. (7) Em condições muito pitorescas. Maximiano , para maior segurança, tinha resolvido agir por si próprio e assassinar o genro na cama. Mas, prevenido por Fausta , Constantino mandou um eunuco deitar-se em seu lugar e ficou com os seus guardas numa sala ao lado. Quando o sogro assassino corria para fora do aposento , empunhando ainda o gládio manchado com o sangue do infeliz eunuco e gritando: “Fausta, o tirano morreu ! ” , encontrou na sua frente o ” tirano ” e os seus homens que , sem demora, se apoderaram dele. Cenas como esta são características dos costumes da época e permitem-nos compreender as desconfianças e as violências desses senhores do mundo que se sentiam permanentemente ameaçados. (8) Foi então que a cidade de Cirta, na África , passou a chamar-se Constantina Arles , na Gália, também adotou esse nome . (9) Discute-se a origem da palavra. Há quem sustente que é de proveniência gaulesa, o que é admissível , já que foi da Gália que paniu a ofensiva contra Maxêncio , e os gauleses eram muito numerosos no exército de Constantino. A forma era a de um T maiúsculo , com o estandarte ftxado na barra superior (10) P. Batiffol. (11) Lactâncio conta que Licínio deveu a sua principal vitória à intervenção de um anjo. que lhe teria ditado uma oração que devia ensinar aos seus soldados. Esta oração,citada no texto,  está redigida em termos tão vagos que podia ter sido pronunciada tanto por um pagão como por um cristão. (12) Da mesma maneira. quando Licínio entrar em conflito com seu cunhado, campeão incontestável de Cristo , voltará a perseguir os cristãos (cfr. par. A consciência de Constantino). (13) Ferdinand Lot. (14) Para nos apercebermos das incertezas que o comum dos homens podia então experimentar, vem ao caso citar o fato de que Lactâncio, um escritor cristão fanático . continuava a crer no poder divinatório dos livros sibilinos. Nem tudo era simples no desenraizamento que separava a alma dessas velhas tradições pagãs que só estariam totalmente monas ao fim de vários séculos. ROPS, Daniel- Coleção de História sagrada: história da igreja de Cristo (Vol I) #MacauGoaAngolaMoçambiqueCaboverdeGuinéBissauGuinéEquatorialSãotoméePrincipeEUAfrançaparisgeorgiaportugalmacedoniabelarusrussiapaquistãoIrãnCoreiaEgiptoAr

  • MARIA SANTÍSSIMA E OS CORPOS GLORIFICADOS

    A transfiguração de Jesus, Moisés e Elias, essa idéia de taborização é a experiência que redime a matéria, é diferente da idéia que temos que fazer sacrifícios da carne. (Mateus 17,1-8; Marcos 9,2-8; Lucas 9,28-36). toda maneira de disciplinar são formas de auto domínio, quando Cristo encarnou ele santificou a matéria o que é a matéria santificada? é a própria virgem maria é o theotokos , Maria é mais venerada que os querubins e mais gloriosa que os serafins foi nela que o verbo divino se encarnou. ela se purificou e santificada mais que outra criatura, Maria é o protótipo do que será toda a criação. depois que ela foi transfigurada pelo amor do Cristo, Maria é a mostra da santificação da carne, se alguma pessoa chegar a um espírito de paz você vai irradiar uma luz e muitas pessoas serão salvas por você, você vai irradiar luz, teremos um corpo santo, no antigo temos relatos de pessoas que mesmo depois de mortos tinham a unção de Deus ‘certamente Deus vos visitará; e vós haveis de levar daqui convosco os meus ossos”. Exodo 13,19 , na história da igreja temos relatos de corpos incorruptíveis, o corpo passa a ser santo, uma pessoa é um ícone a manifestação de Deus, uma janela pro divino. Uma irradiação de Deus, as energias divinas eles irradiam energia Divina. Salmo 82, o salmo que Jesus cita em João 10:34. A palavra hebraica traduzida “deuses” em Salmos 82:6 é elohim. Ela geralmente se refere ao único Deus, mas também tem outros usos. Salmo 82:1 diz: ” Deus está na congregação dos poderosos; julga no meio dos deuses.” Os próximos três versículos deixam bem claro que a palavra “deuses” refere-se a magistrados, juízes e outras pessoas que ocupam posições de autoridade e domínio. Chamar um ser humano em posição de autoridade de “deus” indica três coisas: 1) ele tem autoridade sobre os outros seres humanos; 2) o poder que ele exerce como uma autoridade civil deve ser temido; 3) Ele obtém o seu poder e autoridade de Deus, o qual é retratado como julgando toda a terra no versículo 8. Este uso da palavra “deuses” para se referir a humanos é rara, mas é encontrada em outro lugar no Antigo Testamento. Por exemplo, quando Deus enviou Moisés ao Faraó, Ele disse: “Eis que te tenho posto por deus sobre Faraó, e Arão, teu irmão, será o teu profeta” (Êxodo 7:1). Isto significa simplesmente que Moisés, como o mensageiro de Deus, estava comunicando as palavras de Deus e era, portanto, o representante de Deus para o rei. A palavra hebraica elohim é traduzida como “juízes” em Êxodo 21:6 e 22:8, 9 e 28. “Falo como homem, por causa da fraqueza da vossa carne. Pois assim como oferecestes os vossos membros à escravidão da impureza e da iniqüidade, para a iniqüidade, assim apresentai agora os vossos membros para servirem à justiça para a santificação. Mas agora, libertados do pecado, e feitos servos de Deus, tendes o vosso fruto para a santificação, e por fim, a vida eterna” (Rm 6.19,22). “[…] Quanto ao trato passado, vos despojeis do velho homem, que se corrompe pelas concupiscências do engano; e vos renoveis no espírito do vosso entendimento; e vos revistais do novo homem, que segundo Deus é criado em verdadeira justiça e santidade” (Ef 4.22,23). “O mesmo Deus de paz vos santifique completamente. E todo o vosso espírito, alma e corpo sejam plenamente conservados irrepreensíveis para a vinda de nosso Senhor Jesus Cristo” (1Ts 5.23). Não sabeis vós que sois santuário de Deus, e que o Espírito de Deus habita em vós?” (1Co 3.16). “Fugi da prostituição. Todo o pecado que o homem comete é fora do corpo, mas o que se prostitui peca contra o seu próprio corpo. Ou não sabeis que o nosso corpo é santuário do Espírito Santo, que habita em vós, proveniente de Deus? Não sois de vós mesmos” (1Co 6.18.19). “E nele também vós juntamente sois edificados para morada de Deus no Espírito” (Ef 2.22). São Lucas 1, 39-56 39Naqueles dias, Maria pôs-se a caminho e dirigiu-seapressadamente para a montanha, em direcção a uma cidade de Judá. 40Entrou em casa de Zacarias e saudou Isabel. 41Quando Isabel ouviu a saudação de Maria, o menino exultou-lhe no seio. Isabel ficou cheia do Espírito Santo 42e exclamou em alta voz: «Bendita és tu entre as mulheres e bendito é o fruto do teu ventre. 43Donde me é dado que venha ter comigo a Mãe do meu Senhor? 44Na verdade, logo que chegou aos meus ouvidos a voz da tua saudação, o menino exultou de alegria no meu seio. 45Bem-aventurada aquela que acreditou no cumprimento de tudo quanto lhe foi dito da parte do Senhor». 46Maria disse então: «A minha alma glorifica o Senhor 47e o meu espírito se alegra em Deus, meu Salvador, 48porque pôs os olhos na humildade da sua serva: de hoje em diante me chamarão bem-aventurada todas as gerações. 49OTodo-Poderoso fez em mim maravilhas: Santo é o seu nome. 50A sua misericórdia se estende de geração em geração sobre aqueles que O temem. 51Manifestou o poder do seu braço e dispersou os soberbos. 52Derrubou os poderosos de seus tronos e exaltou os humildes. 53Aos famintos encheu de bens e aos ricos despediu de mãos vazias. 54Acolheu a Israel, seu servo, lembrado da sua misericórdia, 55como tinha prometido a nossos pais, a Abraão e à sua descendência para sempre». 56Maria ficou junto de Isabel cerca de três meses e depois regressou a sua casa. Os estudiosos descobrem neste relato uma série de ressonâncias vetero-testementárias, o que corresponde não apenas ao estilo do hagiógrafo, mas sobretudo à sua intenção teológica de mostrar como na Mãe de Jesus se cumprem as figuras do A.T.: Maria é a verdadeira e nova Arca da Aliança (comparar Lc 1, 43 com 2 Sam 6, 9 e Lc 1, 56 com 2 Sam 6, 11) e a verdadeira salvadora do povo, qual nova Judite (comparar Lc 1, 42 com Jdt 13, 18-19) e qual nova Ester (Lc 1, 52 e Est 1 – 2). 39 «Uma cidade de Judá». A tradição documentada a partir do séc. IV diz que é Ain Karem (fonte da vinha), uma povoação a uns 6 Km a Oeste da cidade nova de Jerusalém. De qualquer modo, ficaria a uns quatro ou cinco dias de caminho em caravana desde Nazaré (130 Km). Maria empreende a viagem movida pela caridade e espírito de serviço. A «Mãe do meu Senhor» (v. 43) não fica em casa à espera de que os Anjos e os homens venham servir a sua rainha; e Ela mesma, que se chama «escrava do Senhor» (v. 38), «a sua humilde serva» (v. 48), apressa-se em se fazer a criada da sua prima e de acudir em sua ajuda. Ali permanece, provavelmente, até depois do nascimento de João, uma vez que S. Lucas nos diz que «ficou junto de Isabel cerca de três meses». Apocalipse 11, 19; 12, 1-6a.10ab 19 o templo de Deus que está no céu se abriu, e apareceu no templo a arca da aliança. Houve relâmpagos, vozes, trovões, terremotos e uma grande tempestade de granizo. 12, 1. Um sinal grandioso apareceu no céu: uma mulher vestida com o sol, tendo a lua sob os pés e sobre cabeça uma coroa de doze estrela. Estava grávida e gritava, entre as dores de parto, atormentada para dar à luz. 3 apareceu então outro sinal no céu: um grande dragão, cor de fogo, com sete cabeças e dez chifres e sobre as cabeças sete diademas. 4 sua cauda arrastava um terço das estrelas do céu, lançou-as para a terra. O dragãopostou-se diante da mulher que estava para dar à luz, a fim de lhe devorar o filho, tão logo nascesse. 5 Ela deu a luz um filho, um varão, que regerá todas as nações com ceptro de ferro. Seu filho porém foi arrebatado para junto de Deus e do seu trono 6 e a mulher fugiu para o deserto, onde Deus lhe havia preparado um lugar em que fosse alimentada por mil duzentos e sessenta dias. 10 ouvi então uma voz forte no Céu: «Agora realizou se a salvação, o poder e a realeza do nosso Deus e a autoridade do seu Cristo». Sob a imagem da Arca (v. 19) e da mulher (vv. 1-17) é-nos apresentada, na intenção da Liturgia, a Virgem Maria. Entretanto os exegetas continuam a discutir, sem chegar a acordo, se estas imagens se referem à Igreja ou a Maria. Sem nos metermos numa questão tão discutida, podemos pensar com alguns estudiosos que a Mulher simboliza, num primeiro plano, a Igreja, mas, tendo em conta as relações tão estreitas entre a Igreja e Maria -«membro eminente e único da Igreja, seu tipo e exemplar perfeitíssimo na fé e na caridade… sua Mãe amorosíssima» (Vaticano II, LG 53) – podemos englobar a Virgem Maria nesta imagem da mulher do Apocalipse. Tendo isto em conta, citamos o comentário de Santo Agostinho ao Apocalipse (Homilia IX): 4-5 «O Dragão colocou-se diante da mulher…»: «A Igreja dá à luz sempre no meio de sofrimentos, e o Dragão está sempre de vigia a ver se devora Cristo, quando nascem os seus membros. Disse-se que deu à luz um filho varão, vencedor do diabo». 6 «E a mulher fugiu para o deserto»: «O mundo é um deserto, onde Cristo governa e alimenta a Igreja até ao fim, e nele a Igreja calca e esmaga, com o auxílio de Cristo, os soberbos e os ímpios, como escorpiões e víboras, e todo o poder de Satanás». Sl 44 (45), 10.11.12.16 (R. cf. 10b) O Salmo que é proposto para ler é um hino de louvor dirigido pelo noivo à esposa no dia das núpcias. A Liturgia da igreja aplica-o ao canto de glória em honra de Maria, na sua Assunção em corpo e alma ao Céu. Associemo-nos ao triunfo de Maria À VOSSA DIREITA, SENHOR, A RAINHA DO CÉU, ORNADA DO OURO MAIS FINO. Ou: À VOSSA DIREITA, SENHOR, ESTÁ A RAINHA DO CÉU. Ao vosso encontro vêm filhas de reis, à vossa direita está a rainha, ornada com ouro de Ofir. Ouve, minha filha, vê e presta atenção, esquece o teu povo e a casa de teu pai. Da tua beleza se enamora o Rei Ele é o teu Senhor, presta-Lhe homenagem. Cheias de entusiasmo e alegria, entram no palácio do Rei. Para S. Paulo, na Primeira Carta aos fiéis de Corinto, Maria é nova Eva. Jesus Cristo Novo Adão, faz da Virgem Santa Maria uma nova Eva, a Mãe da Vida, sinal de esperança para todos os homens. 1 Coríntios 15, 20-27 Irmãos: 20Cristo ressuscitou dos mortos, como primícias dos que morreram. 21Uma vez que a morte veio por um homem, também por um homem veio a ressurreição dos mortos 22porque, do mesmo modo que em Adão todos morreram, assim também em Cristo serão todos restituídos à vida. 23Cada qual, porém, na sua ordem: primeiro, Cristo, como primícias a seguir, os que pertencem a Cristo, por ocasião da sua vinda. 24Depois será o fim, quando Cristo entregar o reino a Deus seu Pai depois de ter aniquilado toda a soberania, autoridade e poder. 25É necessário que Ele reine, até que tenha posto todos os inimigos debaixo dos seus pés. 26E o último inimigo a ser aniquilado é a morte, porque Deus tudo colocou debaixo dos seus pés. 27Mas quando se diz que tudo Lhe está submetido é claro que se exceptua Aquele que Lhe submeteu todas as coisas. É a partir deste texto e do de Romanos 5 que os Padres da Igreja estabelecem a tipologia baseada num paralelismo antiético, entre Eva e Maria: Eva, associada a Adão no pecado e na morte; Maria, associada a Cristo na obra de reparação do pecado e na ressurreição. 20-23 S. Paulo, começando por se apoiar no facto real da Ressurreição de Cristo, procura demonstrar a verdade da ressurreição dos já falecidos (vv. 1-19). Nestes versículos, diz que «Cristo ressuscitou dos mortos, como primícias dos que morreram» (v. 20). As primícias eram os primeiros frutos do campo que se deviam oferecer a Deus e só depois se podia comer deles (cf. Ex 28; Lv 23, 10-14; Nm 15, 20-21). De igual modo, Cristo nos precede na ressurreição. Nós (exceptuando pelo menos a Virgem Maria) havemos de ressuscitar «por ocasião da sua vinda» (v. 23). Não se pode confundir esta ressurreição sobrenatural e misteriosa de que aqui se fala com a imortalidade da alma. O Credo do Povo de Deus de Paulo VI, no nº 28, diz: «Cremos que as almas de todos aqueles que morrem na graça de Cristo – tanto as que ainda devem ser purificadas com o fogo do Purgatório, como as que são recebidas por Jesus no Paraíso logo que se separem do corpo, como o Bom Ladrão – constituem o Povo de Deus depois da morte, a qual será destruída por completo no dia da Ressurreição, em que as almas se unirão com os seus corpos». Por seu turno, a S. Congregação para a Doutrina da Fé, na carta de 17-5-79, declara: “A Igreja, ao expor a sua doutrina sobre a sorte do homem depois da morte, exclui qualquer explicação com que se tirasse o seu sentido à Assunção de Nossa Senhora, naquilo que esta tem de único, ou seja, o facto de ser a glorificação que está destinada a todos os outros eleitos”. #MacauGoaAngolaMoçambiqueCaboverdeGuinéBissauGuinéEquatorialSãotoméeprincipeEUAfrançaparisgeorgiaportugalMacedôniabelarusRússiapaquistãoIrãCoreiaEgipto #Igreja #mariologia

  • A CONTROVÉRSIA ICONOCLASTA -DEFINIÇÃO DO SEGUNDO CONCÍLIO DE NICÉIA (787)

    [a controvérsia começou com Edito iconoclástico de Leão III (isáurico), em 726, entre os motivos estava o desejo de purificar o aviltado cristianismo na maior parte do oriente, especialmente dos bálcãs, onde as continuas investidas e eslavos, por, sarracenos etc. Tinham desmoralizado a população e quase destruindo toda instrução. nesta região o cristianismo rapidamente estava se tornando uma baixa superstição moral e intelectualmente inferior ao monoteísmo árabe. O edito provocou revoltas; o Papa Gregório II o denunciou; as cidades imperiais da Itália se rebelaram. Em 730, Leão depôs o patriarca de Constantinopla, tomou parte das terras papais e submeteu as dioceses da Itália meridional e da Sicília a Constantinopla. Mas as incessantes guerras contra os árabes o impediram de impôr sua decisão no ocidente. O segundo Concílio de niceia, celebrado sob pressão da Imperatriz Irene, sendo o Imperador ainda um menino, temporariamente, a ruptura entre o Oriente e o ocidente, que de novo se manifestou em 815. essa ruptura, deixando o Papa sem proteção entre os lombardos, foi uma das causas da fundação do império Franco. Embora Carlos Magno tivesse tomado o partido dos iconoclastas e repudiado o segundo Concílio de niceia¹, pedindo ao Papa para excomungar o Imperador, Adriano recusou-se a atender o seu pedido]. …. caminhando como que Por uma estrada real e seguindo a doutrina divinamente inspirada de nossos Santos padres e a tradição da igreja (porque sabemos que sua tradição é a do Espírito Santo que habita na igreja) definimos vírgula com todo o cuidado e exatidão, que as veneráveis e santas imagens são exigidas da mesma maneira que a figura da preciosa edificante cruz; imagens pintadas feitas em mosaico ou de outro material conveniente, nas santas igrejas de Deus sobre vasos e vestimentas sagradas, em paredes e quadros, em casas e ao lado das estradas; imagens de nosso Senhor e Deus e salvador Jesus Cristo e de nossa Imaculada senhora, a santa genitora de Deus, todos os veneráveis anjos e todos os homens Santos. Com efeito, quanto mais são contempladas por meio de Tais representações tanto mais os que os contemplam são incitados a refletir nos seus originais, a suspirar por eles e a tributar as imagens o tributo de uma saudação e a referência da honra, sem tributários a verdadeira adoração, que esta de acordo com nossa fé e que é devida somente a natureza Divina; mas assim como as figuras da venerável edificante Cruz irmã ao Santo evangelho e aos outros monumentos sagrados assim também a essas imagens devemos conceder a honra do incenso, oferecimento de luzes, como é o costume que foi dado desde à antiguidade. pois as honras tributadas as imagens passam aos seus originais e aquele que adora uma imagem adora pessoa dela pintada…. #MacauGoaAngolaMoçambiqueCaboverdeGuinéBissauGuinéEquatorialSãotoméeprincipeEUAfrançaparisgeorgiaportugalMacedôniabelarusRússiapaquistãoIrãCoreiaEgipto #históriadaigrejaprimitiva #Igreja

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