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VATICANO, 20 Dez. 09 / 10:58 am (

ACI).- Ao presidir a oração do Ângelus dominical na Praça de São Pedro frente a milhares de fiéis, o Papa Bento XVI recordou que hoje, quarto domingo de Advento, a Igreja recorda que o Menino Deus que já está prestes a nascer no Natal, e que este especial acontecimento “não é uma fábula para as crianças, mas a resposta de Deus ao drama da humanidade em busca da verdadeira paz”.

Depois de explicar logo que Belém, na Terra Santa, é uma cidade símbolo da paz “procurada fatigosamente e muito esperada”, o Santo Padre indicou que neste lugar “e no mundo inteiro, se renovará na Igreja o mistério do Natal, profecia de paz para todo homem, que alenta os cristãos a entrarem no recôndito, nos dramas, com freqüência desconhecidos e escondidos, e nos conflitos do contexto em que se vive, com os sentimentos de Jesus”.

Desta maneira, prosseguiu o Papa, os cristãos serão capazes de “converter-se em todo lugar em instrumentos e mensageiros de paz, para levar amor onde haja ódio, perdão onde haja ofensa, alegria onde haja tristeza e verdade onde haja engano, como diz uma oração franciscana”.

“Hoje –continuou Bento XVI– como nos tempos de Jesus, o Natal não é uma fábula para as crianças, mas a resposta de Deus ao drama da humanidade em busca da verdadeira paz. ‘Ele mesmo será a paz!’, diz o profeta referindo-se ao Messias. A nós, cabe abrir, descerrar as portas para acolhê-Lo.”

Nesse caminho, concluiu o Papa, aprendemos “com Maria e José a nos colocar a serviço do desígnio de Deus: “Mesmo que nós não o compreendamos plenamente, confiemo-nos à sua sabedoria e bondade. Procuremos, antes de tudo, o Reino de Deus, e a Providência nos ajudará. Bom Natal a todos!”

Deste modo convidou, “estando já próximas as festas do Natal, a preparar com ardor a celebração do nascimento do Verbo, feito carne nas puríssimas entranhas de Maria. Feliz domingo”.

 
 
 

O presidente dos métodos católicos denuncia os perigos da pílula anticoncepcional

Por Antonio Gaspari

ROMA, quinta-feira, 8 de janeiro de 2009 (ZENIT.org).- Apesar de ter sido publicada há 40 anos, a encíclica Humanae Vitae ainda suscita um forte debate. Para alguns, inclusive dentro da Igreja Católica, trata-se de um texto inadequado aos tempos e insuficiente nas respostas, enquanto outros sustentam que se trata de uma encíclica «profética».

Para estes últimos, o Papa Paulo VI fez bem em advertir contra o uso de anticoncepcionais, já que estes são perigosos para a saúde da mulher e para a relação dentro do casal.

Neste contexto, o doutor espanhol José María Simón Castellví, presidente da Federação Internacional das Associações de Médicos Católicos (FIAMC), anunciou um texto em 4 de janeiro passado, com o título «40 anos depois da Encíclica Humanae Vitae, do ponto de vista médico», no qual se ilustram todos os problemas relativos à saúde da mulher, à contaminação ambiental e ao enfraquecimento e banalização das relações de casal que a pílula contraceptiva provocou.

Sobre esta questão, o dr. Simón Castellví concedeu esta entrevista à Zenit.

– Os críticos da Humanae Vitae sustentam que os anticoncepcionais trouxeram a emancipação feminina, progresso, saúde médica e ambiental. Mas segundo o informe da FIAMC, isso não é verdade. Pode explicar-nos por quê?

– Simón Castellví: Os anticoncepcionais não são um verdadeiro progresso nem para as mulheres nem para o planeta. Compreendo e sou solidário com as mulheres que deram a vida a muitos filhos, mas a solução não está na contracepção, e sim na regulação natural da fertilidade. Esta respeita os homens e as mulheres. O estudo que apresentamos é científico e nos diz que a pílula é contaminadora e em muitos casos anti-implantatória, ou seja, abortiva.

– O estudo sustenta de fato que a pílula denominada anovulatória, a mais utilizada, que tem como base doses de hormônios de estrogênio e progesterona, funciona em muitos casos com um verdadeiro efeito anti-implantatório. É verdade?

– Simón Castellví: É verdade. Atualmente, a pílula anticoncepcional denominada anovulatória funciona em muitos casos com um verdadeiro efeito anti-implantatório, ou seja, abortivo, porque expele um pequeno embrião humano. E o embrião, inclusive em seus primeiros dias, é um pouco diferente de um óvulo ou célula germinal feminina. Sem essa expulsão, o embrião chegaria a ser um menino ou menina.

O efeito anti-implantatório destas pílulas está reconhecido na literatura científica. Os investigadores o conhecem, está presente nos prospectos dos produtos farmacêuticos dirigidos a evitar uma gravidez, mas a informação não chega ao grande público.

– O estudo em questão sustenta que a grande quantidade de hormônios no ambiente tem um efeito grave de contaminação meio-ambiental que influi na infertilidade masculina. Você poderia nos explicar por quê?

– Simón Castellví: Os hormônios têm um efeito nocivo sobre o fígado, e depois se dispersam no ambiente, contaminando-o. Durante anos de utilização das pílulas anticoncepcionais se verteram toneladas de hormônios no ambiente. Diversos estudos científicos indicam que isso poderia ser um dos motivos do aumento da infertilidade masculina. Pedimos que se façam pesquisas mais precisas sobre os efeitos contaminadores desses hormônios.

– O estudo elaborado pela FIAMC retoma as preocupações expressas em 29 de julho de 2005 pela Agência Internacional de Pesquisa do Câncer (International Agency for Research on Cancer), a agência da Organização Mundial da Saúde (OMS), segundo a qual os preparados orais de combinados de estrogênio e progesterona podem ter efeitos cancerígenos. Você poderia ilustrar-nos a gravidade destas implicações?

– Simón Castellví: É grave que se esteja distribuindo um produto não indispensável para a saúde e que poderia ser cancerígeno. Esta não é uma opinião dos médicos católicos, mas da Agência da OMS que luta contra a difusão do câncer. Nós só citamos suas preocupações ao respeito.

– Você e a associação que você representa sustentam que a Humanae Vitae foi profética ao propor os métodos naturais de regulação da fertilidade. Pode explicar-nos por quê?

– Simón Castellví: O Papa Paulo VI foi profético também do ponto de vista científico. Com essa encíclica, ale alertou sobre os perigos da pílula anticoncepcional, como o câncer, a infertilidade, a violação dos direitos humanos, etc. O Papa tinha razão e muitos não quiseram reconhecer isso. Quando se trata de regular a fertilidade, são muito melhores os métodos naturais, que são eficazes e respeitam a natureza da pessoa.

– Em um artigo publicado pelo L’Osservatore Romano L’Humanae vitae. Una profezia scientifica», 4 de janeiro de 2009), você sustenta que os métodos anticoncepcionais violam os direitos humanos. Pode precisar-nos por quê?

– Simón Castellví: No 60º aniversário da Declaração dos Direitos do Homem se pode demonstrar que os meios anticoncepcionais violam pelo menos cinco importantes direitos:

O direito à vida, porque em muitos casos se trata de pílulas abortivas, e cada vez se elimina um pequeno embrião.

O direito à saúde, porque a pílula não serve para curar e tem efeitos secundários importantes sobre a saúde de quem a utiliza.

O direito à informação, porque ninguém informa sobre os efeitos reais da pílula. Em particular, não se adverte sobre os riscos para a saúde e a contaminação ambiental.

O direito à educação, porque poucos explicam como se praticam os métodos naturais.

O direito à igualdade entre os sexos, porque o peso e os problemas das práticas anticoncepcionais recaem quase sempre sobre a mulher.

– A Humanae vitae sustenta que os anticoncepcionais influenciam negativamente na relação do casal, separando o ato de amor da procriação. Você poderia explicar-nos, como homem de ciência, esta afirmação?

– Simón Castellví: A relação entre os esposos deve ser de total confiança e amor. Excluir com meios impróprios a possibilidade da procriação prejudica a relação de casal. O doar-se um ao outro deveria ser total e enriquecer-se pela capacidade da transmissão da vida.

– Substancialmente, a Humanae vitae é um documento que une e reforça os casais; por que então tantas críticas?

– Simón Castellví: Muitas das críticas foram sugeridas pelos interesses econômicos que estão por trás da venda da pílula. Outras críticas surgem daqueles que querem reduzir e selecionar a fertilidade e o crescimento demográfico. Finalmente, as críticas procedem também daqueles que querem limitar a autoridade moral da Igreja Católica.

– O que teria acontecido se a Igreja não tivesse se oposto à difusão da pílula?

– Simón Castellví: Não quero sequer pensar nisso. Só considerando o efeito abortivo das pílulas, a própria Igreja Católica seria hoje menos numerosa. Posso compreender o pensamento de milhões de mulheres que usam a pílula, mas quero sugerir que existe uma antropologia melhor para elas, a que a Igreja Católica propõe.

 
 
 

«Uma profecia», reconhece Bento XVI

CIDADE DO VATICANO, segunda-feira, 4 de setembro de 2006 (ZENIT.org).- Publicamos a mensagem que Bento XVI enviou ao arcebispo de Assis-Nocera Umbra-Gualdo Tadino, Dom Domenico Sorrentino, por ocasião da celebração do vigésimo aniversário do Encontro Inter-religioso de Oração pela Paz, que acontece em Assis de 4 a 5 de setembro.

Ao venerado irmão Dom Domenico Sorrentino Bispo de Assis-Nocera Umbra-Gualdo Tadino

Celebra-se este ano o vigésimo aniversário do Encontro Inter-religioso de Oração pela Paz, convocado por meu venerado predecessor João Paulo II, em 27 de outubro de 1986, na cidade de Assis. Ele não só convidou para aquele encontro os cristãos das diferentes confissões, mas também os expoentes das diferentes religiões. A iniciativa teve um amplo eco na opinião pública: foi uma mensagem vibrante a favor da paz e se converteu em um acontecimento que deixou uma marca na história de nosso tempo. Compreende-se, portanto, que a lembrança do que então sucedeu continue suscitando iniciativas de reflexão e de compromisso. Algumas foram organizadas precisamente em Assis, por ocasião do vigésimo aniversário daquele acontecimento. Penso na celebração, organizada em colaboração com essa diocese, pela Comunidade de Santo Egídio, seguindo os passos de análogos encontros realizados anualmente pela mesma. Nos dias do aniversário se celebrará também um Congresso organizado pelo Instituto Teológico de Assis, no qual se encontrarão as Igrejas particulares dessa região em torno da Eucaristia celebrada pelos bispos da Úmbria na Basílica de São Francisco. Por último, o Conselho Pontifício para o Diálogo Inter-religioso organizará um encontro de diálogo, de oração e de formação na paz para jovens católicos e de outras religiões.

Estas iniciativas, cada uma com seu caráter específico, sublinham o valor da intuição que João Paulo II teve e mostram sua atualidade à luz dos acontecimentos ocorridos nestes vinte anos e da situação que a humanidade atravessa nestes momentos. O acontecimento mais significativo neste espaço de tempo foi, sem dúvida, a queda, no Leste da Europa, dos regimes de inspiração comunista. Com esta, terminou a «guerra fria», que havia gerado aterradores arsenais de armas e de exércitos preparados para uma guerra total. Foi um momento de geral esperança de paz, que levou muitos a sonhar com um mundo diferente, no qual as relações entre os povos se desenvolveriam distantes do pesadelo da guerra, e o processo de «globalização» aconteceria em um ambiente de pacífica confrontação entre povos e culturas, no marco do direito internacional compartilhado, inspirado no respeito das exigências da verdade, da justiça, da solidariedade. Infelizmente, este sonho de paz não se tornou realidade. O terceiro milênio começou com cenários de terrorismo e de violência que não parecem desvanecer-se. Também o fato de que os conflitos armados se desenvolvem sobretudo com o pano de fundo de tensões geopolíticas existentes em muitas regiões pode dar a impressão de que não só as diferenças culturais, mas também as diferenças religiosas são motivo de instabilidade ou de ameaça para as perspectivas de paz.

Precisamente desde este ponto de vista, a iniciativa promovida há vinte anos por João Paulo II se converte em uma profecia. Seu convite aos líderes das religiões mundiais a dar um testemunho conjunto de paz serviu para declarar sem possibilidade de equívocos que a religião só pode ser promotora da paz. Como ensinou o Concílio Vaticano II, na declaração «Nostra Aetate» sobre as relações da Igreja com as religiões não cristãs, «não podemos invocar a Deus, Pai de todos, se nos negamos a conduzir-nos fraternalmente com alguns homens, criados à imagem de Deus» (número 5). Apesar das diferenças que caracterizam os diferentes caminhos religiosos, o reconhecimento da existência de Deus, ao que os homens podem chegar inclusive baseando-se unicamente na experiência da criação (Cf. Romanos 1, 20), disporá necessariamente os crentes a considerar os demais seres humanos como irmãos. A ninguém é lícito, portanto, servir-se da diferença religiosa como pressuposto para uma atitude beligerante para com os demais seres humanos.

Poder-se-á objetar que a história conhece o triste fenômeno das guerras de religião. Sabemos, contudo, que semelhantes manifestações de violência não podem atribuir-se à religião enquanto tal, mas aos limites culturais com que se vive e se desenvolve no tempo. E agora, quando o sentido religioso alcançar sua maturidade, gera no crente a percepção de que a fé em Deus, Criador do universo e Pai de todos, tem de promover necessariamente relações de fraternidade universal entre os homens. De fato, registram-se testemunhos do íntimo laço que existe entre a relação com Deus e a ética do amor em todas as grandes tradições religiosas. Nós, os cristãos, sentimo-nos confirmados neste sentido e ulteriormente iluminados pela Palavra de Deus. Já o Antigo Testamento manifesta o amor de Deus por todos os povos que Ele, na aliança feita com Noé, reúne em um grande abraço, simbolizado pelo «arco nas nuvens» (Gêneses 9, 13.14.16) que, segundo as palavras dos profetas, pretende congregar em uma só família universal (cf. Isaías 2,2ss; 42, 6; 66, 18-21; Jeremias 4, 2; Salmo 47). Depois, no Novo Testamento, a revelação deste desígnio universal de amor culmina no mistério pascal, no qual o Filho de Deus encarnado, com um surpreendente ato de solidariedade salvífica, se oferece em sacrifício na cruz por toda a humanidade. Deus mostra deste modo que sua natureza é o Amor. É o que eu quis sublinhar em minha primeira encíclica, que começa precisamente com as palavras «Deus caritas est» (1 João 4, 7). Esta afirmação da Escritura não só ilumina o mistério de Deus, mas ilumina também as relações entre os homens, todos eles chamados a viver segundo o mandamento do amor.

O encontro promovido em Assis pelo servo de Deus João Paulo II sublinhou o valor da oração na construção da paz. Somos conscientes de quão difícil é o caminho para este bem fundamental e às vezes parece humanamente impossível. A paz é um valor no qual confluem tantos componentes. Para construí-la, são importantes caminhos de caráter cultural, político, econômico. Agora, em primeiro lugar, a paz tem de ser construída nos corações. Lá é onde se desenvolvem os sentimentos que podem alentá-la ou, pelo contrário, ameaçá-la, debilitá-la, sufocá-la. O coração do homem, de fato, é o lugar no qual Deus atua. Portanto, junto à dimensão «horizontal» das relações com os demais homens, é de importância fundamental a dimensão «vertical» da relação de cada um com Deus, em quem tudo encontra seu fundamento. Isto é precisamente o que quis recordar com força ao mundo o Papa João Paulo II, com a iniciativa de 1986. Pediu uma oração autêntica, que envolvesse toda a existência. Quis, por este motivo, que estivesse acompanhada pelo jejum e que fosse expressada com a peregrinação, símbolo do caminho para o encontro com Deus. E explicou: «A oração comporta da nossa parte a conversão do coração» («Insegnamenti di Giovanni Paolo II», 1986, vol. II, p. 1253). Entre os aspectos caracterizadores do encontro de 1986, deve-se sublinhar que este valor da oração na construção da paz foi testemunhado por expoentes de diferentes tradições religiosas, e isso não sucedeu na distância, mas no contexto de um encontro. Deste modo, os orantes das diferentes religiões puderam mostrar, com a linguagem do testemunho, que a oração não divide, mas une, e que constitui um elemento determinante para uma eficaz pedagogia da paz, baseada na amizade, na acolhida recíproca, no diálogo entre os homens de diferentes culturas e religiões. Temos mais necessidade que nunca, especialmente se prestamos atenção às novas gerações. Muitos jovens, nas zonas do mundo caracterizadas por conflitos, são educados em sentimentos de ódio e de vingança, em contextos ideológicos nos quais se cultivam as sementes de antigos rancores e se preparam os espíritos para futuras violências. É necessário abater estas paliçadas e favorecer o encontro. Alegro-me pelo fato de que as iniciativas programadas neste ano em Assis vão nesta direção e por que o Conselho Pontifício para o Diálogo Inter-religioso tenha pensado em sua aplicação particularmente aos jovens.

Para não desviar o sentido do que João Paulo II quis realizar em 1986, e que se qualificou em uma expressão sua como «espírito de Assis», é importante não esquecer a atenção que então se pôs para que o encontro inter-religioso de oração não se prestasse a interpretações sincretistas, fundadas em uma concepção relativista. Precisamente por este motivo, desde um primeiro momento, João Paulo II declarou: «O fato de que tenhamos vindo aqui não implica nenhuma intenção de buscar um consenso religioso entre nós ou de negociar nossas convicções de fé. Quer dizer que as religiões podem reconciliar-se no âmbito de um compromisso comum em um projeto terreno que supera todas elas. E tampouco é uma concessão ao relativismo nas crenças religiosas…» («Insegnamenti», cit., p. 1252). Desejo confirmar este princípio, que constitui o pressuposto desse diálogo entre as religiões que auspiciou há quarenta anos o Concílio Vaticano II na Declaração sobre as relações da Igreja com as religiões não cristãs (cf. «Nostra aetate», 2). Aproveito com prazer a ocasião para saudar os expoentes das demais religiões que participam das comemorações de Assis. Como nós, os cristãos, também eles sabem que na oração se pode fazer uma experiência especial de Deus e tirar estímulos eficazes para a entrega à causa da paz. Neste sentido, também é um dever evitar confusões. Por isso, quando nos encontramos juntos para rezar pela paz, é necessário que a oração se desenvolva segundo esses caminhos diferentes que são próprios das diferentes religiões. Esta foi a escolha que se fez em 1986 e esta escolha não pode deixar se continuar sendo válida também hoje. A convergência da diversidade não deve dar a impressão de ser uma concessão a esse relativismo que nega o sentido próprio da verdade e a possibilidade de alcançá-la.

João Paulo II quis escolher para sua iniciativa audaz e profética o sugestivo cenário dessa cidade de Assis, universalmente conhecida pela figura de São Francisco. O «pobrezinho» encarnou de maneira exemplar a bem-aventurança proclamada por Jesus no Evangelho: «Bem-aventurados os que trabalham pela paz, porque eles serão chamados filhos de Deus» (Mateus 5, 9). O testemunho que deu em sua época faz dele um ponto de referência natural para quem cultiva também hoje o ideal da paz, do respeito da natureza, do diálogo entre as pessoas, entre as religiões e as culturas. Agora, é importante recordar, se não se quer trair sua mensagem, que a escolha radical de Cristo lhe ofereceu a chave para compreender a fraternidade à qual todos os homens estão chamados, e na qual também participam em certo sentido as criaturas inanimadas — desde o «irmão sol» até «a irmã lua». Quero recordar, portanto, que neste vigésimo aniversário da iniciativa de oração pela paz de João Paulo II se celebra também o oitavo centenário da conversão de São Francisco. As duas comemorações se iluminam reciprocamente. Nas palavras que o Crucifixo de São Damiã lhe dirigiu — «Vai, repara minha casa» –, em sua escolha da pobreza radical, no beijo do leproso com o qual expressou sua nova capacidade de ver e de amar a Cristo nos irmãos que sofrem, começava essa aventura humana e cristã que continua fascinando tantos homens de nosso tempo e que faz que essa cidade seja meta de inumeráveis peregrinos.

Confio-lhe, venerado irmão, pastor dessa Igreja de Assis-Nocera Umbra-Gualdo Tadino, a tarefa de dar a conhecer minhas reflexões aos participantes nas diferentes celebrações previstas para comemorar o vigésimo aniversário daquele histórico acontecimento, o Encontro Inter-religioso de 27 de outubro de 1986. Transmita a todos minha afetuosa saudação, enviando-lhes minha bênção, que vai acompanhada do desejo e a oração do pobrezinho de Assis: «A paz do Senhor seja convosco!».

Castel Gandolfo, 2 de setembro de 2006

BENEDICTUS P.P. XVI

 
 
 
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