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Querem expulsar Deus do Universo. Vã tentativa. Sem o Criador de todas as coisas, absolutamente não se consegue explicar coisa alguma. Desejando viver sem Deus, o homem moderno pretende colocar-se em seu lugar e ser como que um deus. Entretanto, a verdadeira felicidade nesta Terra consiste em contemplar a imagem ou semelhança de Deus existente em todos os seres por Ele criados.

Antonio Augusto Borelli Machado

“Olhai os lírios do campo, como crescem: não trabalham nem fiam. Contudo digo-vos que nem Salomão em sua maior glória jamais se vestiu como um deles. Se pois Deus veste assim uma erva do campo, que hoje existe e amanhã é lançada ao fogo, quanto mais a vós, homens de pouca fé!” (Mt 6, 28-29).

Esta lição de Nosso Senhor Jesus Cristo é uma obra-prima de poesia, que os literatos não cessam de utilizar para produzir efeitos da mais elevada expressão estética. Além de bela em si mesma, contém ensinamentos de confiança em Deus, relativos não só às penúrias materiais, mas também aos socorros espirituais que a todo momento necessitamos. De modo especial, aplica-se àqueles que tudo abandonaram para se entregar inteiramente ao serviço de Deus, seja na carreira eclesiástica ou na vida religiosa consagrada, seja no campo específico do apostolado dos leigos: “Instaurare omnia in Christo” (Restaurar todas as coisas em Cristo), segundo a famosa perícope de São Paulo (Ef 1, 10), que São Pio X tomou como dístico de seu pontificado.

Assim, a frase “Olhai os lírios do campo!” salienta a dependência em que todas as criaturas se encontram em relação ao seu Criador, que dispôs as coisas de modo a que cada uma atinja o fim para o qual foi criada. Em outros termos, cada ser é formado de tal modo que seus elementos constitutivos já são ordenados em função desse fim, e sua felicidade consiste em alcançar esse fim. É claro que só os seres dotados de alma racional têm consciência plena dessa felicidade. Os animais irracionais sentem apenas o bem-estar resultante de todas as suas partes estarem em ordem ao seu fim; quando algo lhes falta, sofrem. Os vegetais não têm nenhuma consciência de seu ser, mas manifestam a boa ordem neles reinante pelo viço com que resplandecem. Daí a beleza do lírio, para a qual Nosso Senhor chamou a atenção. Essa beleza nos remete ao Criador, que criou o homem à sua imagem e semelhança, e colocou em toda criatura um reflexo de sua perfeição divina (vide texto de São Boaventura no quadro abaixo).

A visão que se desprende destas considerações é a de um Universo todo ordenado, que tem sentido, significado e finalidade. Se tirarmos Deus desse panorama, tudo fica sem sentido, e não há maior tormento para o homem do que perceber que sua vida perdeu o sentido, a razão de ser.

As primeiras noções do Catecismo

Muitas vezes os grandes sábios não entendem o que, no entanto, era ensinado com simplicidade e concisão aos meninos e meninas que outrora se preparavam para a Primeira Comunhão. Considera-se hoje “atrasado” o velho sistema de perguntas e respostas, mas na verdade era muito pedagógico, pois ele inculcava na mente das crianças as verdades eternas que lhes serviriam de guia para o resto da vida. Não bastava decorar, e a explicação era feita concomitantemente, antes ou depois de os catecúmenos decorarem as respostas. Porém, decorando-as, fixava-se nas mentes e nos corações o que mais importava reter.

Permitimo-nos lembrar algumas dessas perguntas antes de tratar da questão que nos propusemos neste artigo. Ensina o Primeiro Catecismo da Doutrina Cristã, aprovado pelos bispos da província meridional do Brasil, reunidos no santuário de Nossa Senhora Aparecida em 3 de setembro de 1903 (Vozes, Petrópolis, 69ª ed., 1951):

— Quem é Deus? — Deus é um espírito perfeitíssimo, eterno, criador do céu e da terra. — Por que Deus é eterno? — Deus é eterno, porque sempre existiu, não teve princípio e não terá fim. — Por que Deus é criador? — Deus é criador, porque só ele criou e pode criar todas as coisas, e por ninguém foi criado. — Como criou Deus o mundo? — Deus criou o mundo com um simples ato de sua vontade, e pode criar muitos outros mundos, porque é onipotente. — De que fez Deus o mundo? — Deus fez o mundo do nada.

Nestas cinco perguntas está explicado todo o enigma da existência do Universo. Ele cabe na cabeça de uma criança, porém não na cabeça de muitos sábios. Assim, um cientista de renome mundial escreveu recentemente um livro para provar que não é preciso recorrer a Deus para explicar a existência do Universo. E partiu precisamente da idéia do nada, afirmando que o nada produziu por si mesmo o Universo!

Ao falarmos de cientistas, assustamos logo de entrada muitos leitores, que se julgam — com razão, em grande número de casos — ignorantes em matéria de ciência. Mas tranqüilizem-se: a ciência avançou tanto no último século, que, salvo um pequeníssimo número de especialistas, a grande maioria dos mortais é mesmo ignorante dos grandes desenvolvimentos científicos. E o próprio autor deste artigo, embora tenha curso universitário, se coloca entre os que não conseguem acompanhar as novas teorias que em todo momento aparecem. Isto não o impede de abordar a questão proposta, pois, apesar da complexidade da matéria, os estudos dos cientistas desfecham em apreciações da realidade que estão ao alcance de nossos olhos, ou apelam para princípios universais que mesmo uma criança pode perceber se estão certos ou errados. E é para pessoas de cultura comum, como a maioria dos leitores desta revista, que preparamos este artigo.

“Se quiserem, podem chamar ‘Deus’as leis da ciência”…

O físico inglês Stephen Hawking “é um cientista de grande fama, conhecido por sua terrível desgraça, até pelo público que não se interessa por astrofísica. Mais de uma vez foi visto na televisão com o seu pobre corpo devastado por uma doença degenerativa do sistema nervoso, que o obriga a andar numa cadeira de rodas e lhe permite comunicar-se apenas através de um sintonizador” (Stefano Zecchi no “Il Gornale”, de Milão, 3/9/2010). O fato de nos condoermos com sua situação pessoal não implica em concordarmos com suas teses científicas.

Hawking nem sempre foi tão radical quanto se revela no livro O projeto grandioso (The Grand Design), recém-publicado em co-autoria com Leonard Mlodinov, do Caltech (Instituto de Tecnologia da Califórnia). O jornal “Times”, de Londres, apresentou dele largos extratos no início de setembro, antes que o volume chegasse às livrarias.

No seu livro anterior, de 1988, intitulado Uma breve história do tempo, Hawking já se questionava sobre a compatibilidade entre um Deus criador e a compreensão científica do Universo, porém sem afirmá-la nem negá-la: “Se o Universo é contido em si mesmo, sem borda ou fronteira, não teria começo ou fim: simplesmente seria. Neste caso, qual o lugar de um criador?”. E acrescentava: “Se descobrirmos uma teoria completa, filósofos, cientistas e o público leigo tomariam parte na discussão de por que o Universo e nós existimos. Se encontrarmos a resposta, seria o grande triunfo da razão humana, pois então conheceríamos a mente de Deus” (apud Marcelo Gleiser, Hawking e Deus: relação íntima, “Folha de S. Paulo”, 12-8-2010, pág. A23).

Mas no livro The Grand Design “a tese é radical: não há necessidade de um Deus para se compreender a formação do Universo e de nossa presença nesta Terra” – comenta Zecchi em seu artigo do “Il Giornale”. Hawking rejeita a teoria de Isaac Newton segundo a qual o Universo não teria podido formar-se de modo espontâneo, mas teria sido posto em movimento por Deus.

Em junho deste ano, durante uma série televisiva do Canal 4 da Inglaterra, Hawking declarou não acreditar na existência de um Deus pessoal: “A questão é: a forma pela qual o Universo teve origem resulta de uma escolha feita por Deus por razões que não podemos compreender, ou foi determinada pelas leis da ciência? Eu creio na segunda hipótese. Se quiserem, podem chamar ‘Deus’as leis da ciência, mas não será um Deus pessoal com o qual [os homens] poderiam se encontrar, e ao qual poderiam apresentar pedidos”(apud Pietro Vernizzi, site Il Sussidiario, 3-9-2010).

Seria uma forma peculiar de panteísmo, que não estaria propriamente no Universo, mas nas leis da ciência que o regem; e que, segundo ele pensa, pré-existem em relação ao Universo e permitem que ele surja espontaneamente do nada. Hawking afirma: “A criação espontânea é a razão pela qual existe alguma coisa e não o nada, pela qual o Universo existe, pela qual nós existimos. Graças à lei da gravidade, o Universo pode criar-se e se cria do nada. É inútil, portanto, apelar para Deus como causa, para fazê-lo mover o céu e acionar a mola do mecanismo do Universo”.

O “nada” de onde tudo vem…

Em dois artigos na “Folha de S. Paulo”, o brasileiro Marcelo Gleiser, professor de Física teórica no Dartmouth College (Hanover, EUA), rebate as teses de Hawking do ponto de vista científico. No artigo de 12 de setembro, já citado, ele indica a procedência dessas teses:

“Hawking afirma que tem novos argumentos que colocam Deus para escanteio de vez. Será?

“A idéia dele, que já circula desde os anos 70, vem do casamento da relatividade [de Einstein] e da mecânica quântica para explicar a origem do Universo, isto é, como tudo veio do nada.

“Primeiro, usamos as propriedades atrativas da gravidade para mostrar que o cosmo é uma solução com energia zero (o ‘nada’ de onde tudo vem) das equações que descrevem sua evolução.

“Segundo, como na mecânica quântica (que descreve elétrons, átomos etc.) tudo flutua, o Universo pode ser resultado de uma flutuação de energia nula a partir de um universo que ‘contém’todos os universos possíveis, o multiverso”.

Gleiser comenta:

“É lamentável que físicos como Hawking estejam divulgando teorias especulativas como quase concluídas. A euforia na mídia é compreensível: o homem quer ser Deus.

“O desafio das teorias a que Hawking se refere é justamente estabelecer qualquer traço de evidência observacional, até agora inexistente. Não sabemos nem mesmo se essas teorias fazem sentido. Certas noções, como a existência de um multiverso, não parecem ser testáveis”.

Ora, uma teoria científica só pode ser aceita se forem apresentadas comprovações experimentais. Por isso, conclui Gleiser nesse artigo: “A existência de uma teoria final é incompatível com o caráter empírico da física, baseado na coleta gradual de dados. Não vejo como poderemos ter certeza de que uma teoria final é mesmo final. Como nos mostra a história da ciência, surpresas ocorrem a toda hora. Talvez esteja na hora de Hawking deixar Deus em paz”.

Gleiser toca num ponto para o qual acenamos aqui apenas de passagem: Sendo a inteligência do homem limitada, por mais que avancem os estudos da física, jamais o homem chegará à compreensão final, última, da matéria, do fenômeno da vida, da alma espiritual; numa palavra, do Universo criado. Só a mente divina compreende tudo até o fim. Por mais que o homem progrida nos seus conhecimentos, desfechará sempre no mistério, que lhe abrirá novas portas para a investigação, sem que jamais chegue à compreensão total e final.

Com Deus é diferente. Não só foi capaz de criar este mundo, com todas as suas complexidades, como poderia criar muitos outros mundos, porque é onipotente. Isso, que desconserta os sábios, as crianças aprendem no Catecismo…

Nossa Terra não seria um fenômeno raro no Universo

Em sua recensão do livro de Hawking, Stefano Zecchi observa que ele apresenta uma segunda ordem de argumentos para tentar mostrar que não há nenhum intuito sapiencial que postule a intervenção de um ser divino na existência do Universo: “Hawking recorda a descoberta, em 1992, de um planeta que orbita uma estrela de modo semelhante ao da Terra em torno do Sol. Isto confirma, a seu juízo, que o caso terrestre não é único. Ora, considerando que é altamente provável que não só existam outros planetas semelhantes à Terra, mas inclusive outros universos, Hawking se pergunta: se Deus tivesse querido criar o Universo com a finalidade de criar o homem, que sentido teria acrescentar todo o resto?”.

É precisamente a este tema que Marcelo Gleiser consagra o segundo artigo que escreveu, sob o título “Quão rara é a vida?” (“Folha de S. Paulo”, 19-9-2010, pág. A23). Diz ele:

“Outro argumento que Hawking usou é que o Universo é especialmente propício à vida, em particular à vida humana. Mais uma vez vejo a necessidade de apresentar um ponto de vista contrário. Tudo o que sabemos sobre a evolução da vida na Terra aponta para a raridade dos seres vivos complexos. Estamos aqui não porque o Universo é propício à vida, mas apesar de sua hostilidade.

“Note-se que, ao falarmos sobre vida, temos de distinguir entre vida primitiva (seres unicelulares) e vida complexa. Vida simples, bactérias de vários tipos e formas, deve mesmo ser abundante no Cosmos”.

Gleiser aceita, portanto, a existência de seres unicelulares espalhados pelo Cosmos. Mas não há nenhum fato que comprove isso, posto que, como ele mesmo admite e é óbvio, “o único exemplo de vida que conhecemos” é aqui na Terra. Em todo caso, ele prossegue:

“Devemos lembrar que seres multicelulares são mais frágeis, precisando de condições estáveis por longos períodos. Não é só ter água e a química correta. O planeta precisa ter uma órbita estável e temperaturas que não variem muito. Só temos as quatro estações e temperaturas estáveis porque nossa Lua é pesada. Sua massa estabiliza a inclinação do eixo terrestre (a Terra é um pião inclinado de 23,5°), permitindo a existência de água líquida durante longos períodos. Sem a Lua, a vida complexa seria muito difícil.

“A Terra tem também dois ‘cobertores’ que a protegem contra a radiação letal que vem do espaço: o seu campo magnético e a camada de ozônio. Viver perto de uma estrela não é moleza. Precisamos de seu calor, mas ele vem com muitas outras coisas nada favoráveis à vida.

“Quem afirma que o Universo é propício à vida complexa deve dar uma passeada pelos outros planetas e luas do nosso Sistema Solar.

“Ademais, o pulo para a vida multicelular inteligente também foi um acidente dos grandes. A vida não tem um plano que a leva à inteligência. A vida quer apenas estar bem adaptada ao seu ambiente. Os dinossauros existiram por 150 milhões de anos sem construir rádios ou aviões. Portanto, mesmo que exista vida fora da Terra, a vida inteligente será muito rara. Devemos celebrar nossa existência por sua raridade, e não por ser ordinária”.

Não deixa de causar perplexidade que uma mente tão privilegiada como a de Hawking não tenha presente dados tão conhecidos como os que Gleiser recorda. E nem mesmo se pergunta como é que da matéria inanimada se passou para os primeiros seres vivos unicelulares, e daí todo o resto, até chegar à vida racional. Não trataremos aqui da explicação dada pela teoria de Darwin, pois nos desviaria desta temática. Os interessados por esta questão podem ler o artigo de Luis Dufaur, intitulado Evolucionismo: Teoria sem fundamento científico — Rejeição e ultraje ao Criador, publicado nesta revista (Nº 705, setembro/2009)

De qualquer modo, termina aqui a explanação de Gleiser, sem dúvida por desejar permanecer no seu campo próprio de cientista e não ser acusado de adentrar pela filosofia e teologia. Mas nós, que não estamos adstritos ao campo das ciências naturais, podemos — e devemos — fazê-lo, posto que elas não esgotam a explicação do Universo.’

Finalidade do homem: a contemplação sacral do Universo

Após mencionar a pergunta de Hawking sobre por que Deus criou todo o Universo, se seu intuito fosse apenas colocar o homem num planeta adequado para a vida humana, Stefano Zecchi observa judiciosamente: “Qual o sentido, qual o significado do Universo, do homem? A pesquisa científica tenta (sempre tentou) prender numa jaula esse fastidioso, cientificamente inoportuno significado [do Universo] e jogar fora a chave. Mas enquanto existir o homem, essa jaula nunca poderá ser trancada, porque, enquanto existir o homem, que tem o lume da razão, ele não renunciará a perguntar-se sobre o significado da vida e da morte, do mal e da beleza”.

Aí está a resposta para a pergunta de Hawking: Deus não fez o mundo apenas para atender às necessidades vegetativas e animais do homem, mas para que ele, contemplando o Universo, conhecesse, amasse e servisse o seu Criador, e nessa contemplação sacral alcançasse o grau de felicidade possível nesta Terra, prelúdio da felicidade eterna no Céu.

O leitor encontrará valiosíssimas considerações sobre o assunto no livro A inocência primeva e a contemplação sacral do universo no pensamento de Plinio Corrêa de Oliveira (Artpress, São Paulo, 2008, 320 pp.), cuja leitura recomendamos vivamente. É desse livro que extraímos o trecho de São Boaventura, no quadro acima).

É uma pena que este livro não esteja ainda publicado em inglês, para enviarmos um exemplar ao professor Stephen Hawking. Poderia ajudá-lo a resolver o problema criteriológico em que se debate, o qual é muito mais grave que a doença neurológica atroz que o atormenta. Que Deus tenha pena de sua alma e de seu corpo!

E aqui entra mais uma vez o papel da teologia, que soube compendiar os mais altos princípios em fórmulas lapidares, e as oferece às crianças a partir do despertar da razão. No Catecismo de preparação para a Primeira Comunhão, uma pergunta fundamental e uma resposta simples:

— Para que fim foi criado o homem?

— O homem foi criado para conhecer, amar e servir a Deus neste mundo, e depois gozá-lo para sempre no outro.

Isto é, na vida eterna e bem-aventurada, vendo a Deus Uno e Trino face a face, convivendo com os anjos e os santos; especialmente com aquela Virgem coroada de doze estrelas, Maria Santíssima, que junto ao supremo Senhor Jesus Cristo — a Segunda Pessoa da Santíssima Trindade — reinará com Ele por todos os séculos sem fim.

CATOLICISMO. Deus criou o universo do nada. São Paulo: Padre Belchior, Nov. 2010.

 
 
 

A Ceia do Senhor é Apenas Simbólica?

Em uma palavra: Não.

Se há uma doutrina da Igreja histórica que tem sido firme durante dois milênios, é a da presença real de Cristo na Eucaristia (a Ceia do Senhor). Mas essa posição histórica não é como canibalismo? Se você pensa assim, não está sozinho. De fato, quando Jesus falou:

“Eu sou o pão da vida. Vossos pais, no deserto, comeram o maná e morreram. Este é o pão que desceu do céu, para que não morra todo aquele que dele comer. Eu sou o pão vivo que desceu do céu. Quem comer deste pão viverá eternamente. E o pão que eu der, é a minha carne para a salvação do mundo” (Jo 6,48-51).

Muitos dos ouvintes ficaram estarrecidos. Ouviram com seus próprios ouvidos que Jesus disse que eles deveriam comer Sua carne. Depois de escutar isso, e interrogando-se uns aos outros, Jesus acaso disse aos ouvintes: “Desculpa, Eu estava falando simbolicamente…”? Não, ao invés disso, Ele foi ainda mais direto:

“Pois a minha carne é verdadeiramente uma comida e o meu sangue, verdadeiramente uma bebida” (Jo 6 55).

Após dizer isto, muitos daqueles que o haviam seguido ficaram desapontados. Se fosse um simples mal entendido, por que Jesus não emendou suas palavras para torná-las claras? A verdade é que Jesus estava sendo claro, cristalinamente claro. O povo entendeu seu significado, mas não o pôde aceitar. No que acreditou a Igreja Apostólica sobre este assunto? São Paulo escreveu:

“O cálice de bênção, que benzemos, não é a comunhão do sangue de Cristo? E o pão que partimos, não é a comunhão do corpo de Cristo?” (1Cor 10,16)

Em lugar de “comunhão” outras traduções usam a palavra “participação”. Por que o apóstolo não explicou e disse que isso era meramente simbólico? Mais tarde, ele diz:

“Aquele que o come e o bebe sem distinguir o corpo do Senhor, come e bebe a sua própria condenação.” (1Cor 11,29)

Se é um simples símbolo, por que a linguagem sobre “distinguir o corpo do Senhor”? Finalmente, vejam os seguintes Padres da Igreja: Inácio de Antioquia (ano 110), Justino mártir (ano 151), Ireneu de Lião (ano 189), Ambrósio (ano 390), Agostinho (ano 411); todos eles fazem eco ao que a Igreja Apostólica sempre ensinou: o Corpo de Cristo e seu sangue estão presentes na Eucaristia. Não foi senão na Reforma que este assunto foi posto em discussão, com Lutero acreditando na presença física de Cristo na Eucaristia, Calvino acreditando na presença espiritual de Cristo na Eucaristia, e Zwínglio chamando-a apenas de um “memorial”. O que é mais verdadeiro: o consistente ensinamento da Igreja, durante dois milênios, ou as opiniões conflitantes dos três Reformadores?

A presença real de Cristo na Última Ceia é uma doutrina fundamental cristã que consta nas Escrituras e foi ensinada permanentemente através da história.

Fonte: Site “Glory to Jesus Christ!”. Tradução: José Fernandes Vidal.

 
 
 

VATICANO, 16 Jun. 10 / 12:34 pm (

ACI).- Em sua habitual catequese da Audiência Geral desta quarta-feira, o Papa Bento XVI continuou a reflexão sobre Santo Tomás de Aquino, conhecido como o “Doutor Angélico” a quem se referiu como um exemplo da necessária relação e complementaridade entre fé e razão, entre a filosofia e a teologia que permitem chegar à verdade e assim a Deus.

Depois de recordar que este Santo é Padroeiro das universidades católicas, o Santo Padre assinalou que Tomás de Aquino se concentra na distinção entre filosofia e teologia, porque em sua época, à luz por uma parte da filosofia aristotélica e platônica e por outra da elaborada pelos Padres da Igreja, “a questão urgente era se o mundo da racionalidade, a filosofia pensada sem Cristo e o mundo da fé eram compatíveis ou se excluíam”.

“Tomás estava firmemente convencido de sua compatibilidade, mais ainda de que a filosofia elaborada sem conhecer Cristo esperava quase a luz de Jesus para ser completa. Esta foi a novidade de Tomás, que determina seu caminho de pensador: Mostrar a independência da filosofia e teologia e ao mesmo tempo sua relação”.

Para o Santo “a fé consolida, integra e ilumina o patrimônio de verdade que a razão humana adquire. A confiança que Santo Tomás concede a estes dois instrumentos de conhecimento –a fé e a razão– se remonta à convicção de que ambos provêm da única fonte de toda verdade, o Logos divino, que opera tanto no âmbito da criação como no da redenção”.

Uma vez estabelecido este princípio da razão e da fé, Santo Tomás precisa que estas se valem de processos cognitivos diversos: “A razão aceita uma verdade em virtude de sua evidência intrínseca, mediata ou imediata, a fé, por outra parte, aceita uma verdade sobre a base da Palavra de Deus revelada”.

“Esta distinção garante a autonomia seja das ciências humanas como das ciências teológicas. Entretanto, isto não equivale a uma separação, mas implica em realidade a cooperação recíproca. A fé, de fato, protege a razão de toda tentação de desconfiança em sua capacidade e a estimula a abrir-se a horizontes cada vez mais amplos”.

Por outra parte, “a razão com seus meios pode fazer algo importante para a fé, prestando-lhe um triplo serviço que Santo Tomás resume assim: ‘Demonstrar os fundamentos da fé, explicar mediante semelhanças as verdades da fé, rechaçar as objeções que se expõem contra a fé. Toda a história da teologia é, depois de tudo, o exercício deste esforço de inteligência, que demonstra a inteligibilidade da fé, sua articulação e harmonia interior, sua racionalidade e sua capacidade para promover o bem do homem’”.

“A exatidão dos raciocínios teológicos e seu significado cognitivo real se apóiam no valor da linguagem teológica, que é, segundo Santo Tomás, sobre tudo uma linguagem da analogia”. A analogia reconhece no mundo criado e em Deus perfeições comuns e Tomás fundamenta sua doutrina da analogia, “ademais dos argumentos filosóficos, com o fato de que com a Revelação Deus mesmo falou e por isso nos autorizou a falar Dele”.

O Papa ressaltou a importância desta doutrina, que “nos ajuda a superar algumas objeções do ateísmo contemporâneo, que nega que a linguagem religiosa tenha um sentido objetivo, e argumenta em contraposição que só tem um valor subjetivo ou emocional. À luz dos ensinamentos de Santo Tomás, a teologia afirma que embora a linguagem seja limitada,ela tem um significado religioso, como uma flecha que aponta à realidade que isto significa”.

Também sua teologia moral resulta de grande atualidade, quando afirma que “as virtudes humanas, teologais e morais estão arraigadas na natureza humana” e que “a graça divina acompanha, apóia e fomenta o compromisso ético, mas, de acordo com Santo Tomás, por si mesmos todos os homens, crentes e não crentes, estão chamados a reconhecer as exigências da natureza humana, que se expressam na lei natural e a inspirar-se nela na hora de formular leis positivas, quer dizer as emanadas pelas autoridades civis e políticas para regular a convivência humana”.

“Quando se negam a lei natural e as responsabilidades que suporta se abre tragicamente o caminho ao relativismo ético no âmbito individual e ao totalitarismo do Estado no âmbito político. A defesa dos direitos humanos universais e a afirmação do valor absoluto da dignidade humana se apóiam em um fundamento. Não é a lei natural esse fundamento, com os valores não negociáveis que indica?”.

Finalmente o Santo Padre assinalou que “Tomás oferece um conceito da razão humana amplo e confiante: amplo porque não se limita ao espaço da denominada razão empírico-científica, senão aberto a todo o ser e portanto às questões fundamentais e irrenunciáveis da vida humana; confiante porque a razão humana, sobre tudo se acolhe a inspiração da fé cristã, é promotora de uma civilização que reconhece a dignidade da pessoa, a inviolabilidade de seus direitos e a convicção de seus deveres”.

Em sua saudação em português, o Papa Bento disse: “Saúdo cordialmente todos os peregrinos lusófonos, em particular os brasileiros da paróquia São Vicente Mártir de Porto Alegre e os irmãos da Misericórdia de Maringá, como também os professores e alunos portugueses do Centro Cultural Sénior de Braga, para todos implorando uma vontade que procure a Deus, uma sabedoria que O encontre, uma vida que Lhe agrade, uma perseverança que por Ele espere e a confiança de chegar a possuí-Lo. São os meus votos e também a minha Bênção!”

 
 
 
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