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  • O CREDO DE NICÉIA

    (Encontrado nos Atos dos Concílios Ecumênicos de Éfeso e de Calcedônia, na Epístola de Eusébio de Coesarea à sua própria Igreja, na Epístola de Santo Atanásio Ad Jovianum Imp., Nas Histórias Eclesiásticas de Teodoreto e Sócrates, (1) A síntese do Sínodo em Nice (2) Cremos em um Deus, o Pai Todo-Poderoso, criador de tudo Coisas visíveis e invisíveis; E em um só Senhor Jesus Cristo, o Filho de Deus, o unigênito de seu Pai, da substância do Pai, Deus de Deus, Luz da Luz, Deus de Deus, gerado (gennhq, ent. , Não feito, sendo de uma substância (omoousion, consubstantialem) com o Pai. Por quem foram feitas todas as coisas, tanto no céu como na terra. Quem para nós, homens e para a nossa salvação, desceu do céu e foi encarnado e foi feito homem. Ele sofreu e, ao terceiro dia, ressuscitou e subiu ao céu. E ele voltará para julgar os vivos e os mortos. E [cremos] no Espírito Santo. E qualquer que disser que houve um tempo em que o Filho de Deus não foi (hn pote ote ouk h n), ou que antes de ser gerado não era, ou que ele era feito de coisas que não eram, ou que ele é De uma substância ou essência diferente [do Pai] ou que ele é uma criatura, ou sujeito a mudança ou conversão (3) – tudo o que assim diz, a Igreja Católica e Apostólica anatematiza-los. NOTAS O Credo de Eusébio de Cesaréia, que ele apresentou ao conselho, e que alguns supõem ter sugerido o credo finalmente adotado. (Encontramos em sua Epístola à sua diocese, vide: São Atanásio e Teodoreto.) Cremos em um único Deus, Pai Todo Poderoso, Criador das coisas visíveis e invisíveis; E no Senhor Jesus Cristo, pois ele é a Palavra de Deus, Deus de Deus, Luz da Luz, vida da vida, seu Filho único, o primogênito de todas as criaturas, gerado do Pai antes de todos os tempos, por quem também Tudo foi criado, que se fez carne para a nossa redenção, que viveu e sofreu entre os homens, ressuscitou ao terceiro dia, voltou ao Pai, e voltará um dia na sua glória para julgar os vivos e os mortos. Cremos também no Espírito Santo Cremos que cada um destes três é e subsiste; O Pai verdadeiramente como Pai, o Filho verdadeiramente como Filho, o Espírito Santo verdadeiramente como Espírito Santo; Como também disse nosso Senhor, quando enviou seus discípulos a pregar: Ide e ensinai todas as nações, e batizei-as em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo. #históriadaigrejaprimitiva

  • AS IGREJA ORIENTAIS E OCIDENTAIS O problema monofisita em calcedônia O Henotikon de Zenon (ano 482)

    (Depois de calcedônia, o nestorianismo que se propaga na parte oriental do Império Romano, tendo seu centro em Edessa, foi difundido na pérsia por Baesumas, surgindo assim a igreja cismática persa (assíria) os monofisitas continuaram forte na Síria e no Egito. Zenon foi forçado a se exilar por 2 anos, sendo o seu rival apoiado pelos monofisitas. O Henotikon (edito de reunião) buscava pôr fim ao cisma, que era um perigo político. mas a sugestão do edito de que o Concílio de calcedônia poderia ter errado levantou a indignação do acidente o Papa Simplício excomungou os patriarcas de Alexandria e Constantinopla, bem como o próprio Imperador. daí surgiu o cisma que durou até a subida de Justino ao poder em 518 que reafirmou a definição de calcedônia. O Imperador Zenon César, piedoso, vitorioso, Supremo, sempre devoto Augusto, aos reverendíssimos bispos e clérigos, aos monges e ao povo espalhados por Alexandria, Egito, Líbia e tentar pentápolis. Nós estamos convencidos de que a fonte e o sustentáculo de nossa soberania, sua força e inexpugnável defesa, é aquela única e verdadeira fé que, por inspiração de Deus, foi publicada pelos 318 Santos Padre reunidos em nicéia e confirmada pelo 150 Santos padres que de modo semelhante, se reuniram em Concílio em Constantinopla. por isso, nos esforçamos noite e dia por todos os meios, por oração, por ações corajosas, por legislação, a fim de promover em toda parte o crescimento da Santa Igreja Católica e apostólica, a Imaculada e Imortal mãe de nosso reino, para que os leigos piedosos permanecendo em paz e harmonia com Deus, possam juntamente com os bispos ternamente amados por Deus, com o piedosíssimo Clero, os arquimandritas e os monges, oferecer seu sacrifício aceitável em favor de nossa soberania. Visto que o nosso grande Deus e salvador Jesus Cristo, que se encarnou e nasceu de Maria, Santa Virgem e genitora de Deus, aprova e prontamente aceita nosso culto e serviço harmonioso, o poder de nossos inimigos será superado e disperso, e as bençãos da paz do tempo favorável e de colheitas abundantes, Assim como tudo que vem em benefício do homem, nos será liberalmente concedido. Por conseguinte, visto que fé irepreensível é a nossa defesa e a do Império Romano, recebemos petições de piedosos arquimandritas e Eremitas, suplicando com lágrimas que as igrejas sejam restauradas na unidade, que sejam reunidos os membros que o inimigo de Todo o Bem desde o princípio tentou por todos os meios separar um dos outros, sabendo que será derrotado se atacar quando o corpo estiver todo reunido. com efeito, das inumeráveis gerações que O Tempo Levou desta vida no decurso de tantos anos, sucedeu que alguns morreram privadas do banho da Regeneração, enquanto outros foram levados sem terem participado da Divina comunhão; além disto foram cometidos vários homicídios e não somente a terra mas também o ar ficou poluído pela abundância do Sangue Derramado. quem não oraria para que esse estado de coisas se transformasse em bem? Por isto estamos ansiosos por informar-vos que nem nós, nem as igrejas através do mundo, temos professado, professamos ou professaremos, e nem sabemos de alguém que tenha professado qualquer outro símbolo, doutrina, definição de fé ou Credo a não ser o santo símbolo supramencionado dos 318 Santos padres, que foi confirmado pelo surpraditos 150 Santos padres. Se alguém Professou outra coisa, nós o temos como estranho. Pois estamos seguros de que somente este símbolo é a defesa de nossa soberania, como dissemos, e todos os que desejam a iluminação Salvadora somente são batizados se aceitarem unicamente a este. Este é o símbolo seguido por todos os santos padres no Concílio de Éfeso, quando proferiram sentença da deposição de Nestório e de todos aqueles que seguiam suas opiniões; ao qual Nestório nós também a anatematizamos, juntamente com Eutiques e todos os que professam opiniões contrárias ao Supramencionado. Ao mesmo tempo, aceitamos os doze capítulos de Cirilo, de bem-aventurada memória, arcebispo da santa e católica Igreja dos alexandrinos. Além disso, confessamos que unigênito filho de Deus, ele mesmo Deus, realmente tomou sobre si a humanidade, nosso Senhor Jesus Cristo, e que, com respeito a sua divindade, é consubstancial com o pai, sendo, com respeito à sua humanidade, consubstancial conosco; confessamos que ele, descendo e se encarnando por obra do Espírito Santo e da Virgem Maria, a genitora de Deus, é um só e não dois, visto afirmarmos que pertencem a uma única pessoa tanto seus milagres como os seus Sofrimentos que, por sua própria vontade, suportou na carne; de modo algum admitimos aqueles que fazem uma divisão uma confusão, ou apresentam um fantasma, afirmando nós que sua Encarnação verdadeiramente Sem Pecado na genitora de Deus não importou na adição de um filho, já que a santa Trindade continua a existir como Trindade mesmo quando um membro,Deus e o verbo, se encarnou. sabendo, portanto, que nem a santa igreja ortodoxa e todo o mundo, nem o sacerdote Bem Amado de Deus que estão à sua testa, nem nossa própria soberania admitiram ou admitem outro símbolo ou definição de fé senão a santa doutrina Supramencionada, sem hesitação nos unimos a ela. Escrevemos isto para vossa segurança e não para vos apresentar uma nova forma de fé. Anatematizados todo aquele que confessou ou confessa qualquer outra opinião, quer agora, quer em outro tempo, em calcedônia ou em outro sínodo qualquer; em particular anatematizamos Nestório, Eutiques e todos os que sustentam seus ensinamentos. Portanto, uni-vos à igreja vossa mãe espiritual, e nela gozai a mesma comunhão conosco De acordo com a referida e única definição de fé, a dos 318 Santos padres. Porque a vossa mãe santíssima, a igreja, espera abraçar-vos como seus verdadeiros filhos e almeja por ouvir essa voz que ela tanto ama e que portanto tempo ficou retida. Apressai-vos, portanto, pois assim fazendo asegurareis para vós mesmos o favor de nosso Senhor e Deus, Jesus Cristo, bem como aprovação de nossa soberania.. #históriadaigrejaprimitiva

  • A VIRGEM NÃO GEROU UMA NATUREZA, MAS UM SER COMPLETO, DIVINO E HUMANO.

    Maria torna-se MÃE DE DEUS, por ser MÃE da Pessoa Divina, o Emanuel, que une num mesmo ser a Divindade e a Humanidade: — “No princípio era o Verbo, e o Verbo estava junto de Deus E O VERBO ERA DEUS. (São João 1.1)” Embora em Cristo hajam duas Naturezas, a DIVINA e a HUMANA, essas estão numa Única Pessoa. Ora, a natureza é apenas o componente essencial que dá origem ao ser, a qual o define em suas qualidades, e no qual está contida, não sendo elemento autônomo que possa ser gerado sozinho, e em separado. Uma geratriz não gera uma natureza, mas um ser completo. Ensinou Santo Agostinho: — “Tanto a substância(1) Divina, como a substância Humana formam o Filho Único de Deus. Uma pelo Verbo, outra pelo Homem. (Suma Teológica Q2 art. 2º da Encarnação do Verbo)” Maria não é Mãe da Natureza Humana, mas da Pessoa Completa do Cristo que é Divino e Humano. Aceitar que pudesse ser mãe apenas do “cristo carnal” separado do “cristo divino,” então a Trindade já não seria Três. Daí o Título de teótokos(2) conferido a Virgem desde a Era Primitiva da Igreja. Ensina Santo Tomás: — “Se não se fez a União das Duas Naturezas, então não se fez a Pessoa do Filho. (Suma Q 31 art. 2º)” “No Verbo Divino não é uma coisa a Pessoa, e outra a sua Natureza. (Suma Q 31 art. 4º)” De certo que Maria não criou o Espírito Divino, como também as mulheres não criam o espírito nos filhos, e nem por isso deixam de ser mães legítimas dos seus rebentos. Mães e pais não criam a alma, pois só geram (com a intervenção de Deus) o corpo. Maternidade está associada a natividade, e não a criação completa do sujeito. Nos seres vivos, existe a alma espiritual e a matéria biológica, na qual o corpo se forma. Desses, apenas a matéria incumbe ser participada aos progenitores, posto a alma ser criação exclusiva de Deus. Logo, geramos filhos por natividade.(3) Sem o espírito ou alma espiritual criada por Deus, e infusa desde a concepção dos sêmens masculino e feminino, geraríamos apenas fetos cadáveres, e nada mais. Usurpar o Título de Mãe de Deus da Virgem Maria, como queria Nestório(4) por ela não ter gerado a Natureza Divina do Cristo, teríamos então que tirar o título de mãe de todas as mulheres, pois delas não proveio a natureza espiritual dos filhos. A Virgem não é, como defendiam nestorianos e fontinistas,(5) apenas a progenitora da “natureza carnal” pois a natividade do Cristo reúne em uma Pessoa, as Naturezas Divina e Humana formando em Unicidade (Hipóstase), o Ser Completo. Daí os dizeres de São Cirilo, Patriarca de Alexandria: — “HÁ UM SÓ CRISTO, feito pela União das Naturezas Divina e Humana.” (Quinto Sínodo, anos 300, p.12, 4; Migne, PL 50, 467). Da mesma maneira é a hipóstase humana que une corpo e espírito para formar o indivíduo, vez que o homem sem corpo é espírito; e corpo sem alma é cadáver. Como disse São Damasceno: — “A natividade é da hipóstase, e não da natureza.” Assim é a SANTÍSSIMA VIRGEM, MÃE LEGÍTIMA DE CRISTO, e por isso, MÃE DE DEUS, posto que lhe concedida a Graça Maior de nela conceber e gerar a Pessoa Divina, o Cristo, o Emanuel, que reúne em si, inseparavelmente, Humanidade e Divindade. Não é possível gerar natureza, pois esta é a origem, o princípio do ser nascido, e não o ser efetivamente. Toda pessoa é uma hipóstase, isto é, a união inseparável e harmônica de todos os seus elementos. Isto significa que a existência de um sujeito, só se faz de modo unitivo, ao passo que a natureza é apenas a sua origem, aquilo lhe empresta a forma e a identidade no mundo físico. Como disse Santo Tomás de Aquino: — “Por isso, a natividade é própria da Pessoa, do sujeito que nasce, e não de sua natureza. ( Q. 35 art. 2º da Natividade do Cristo)”. Natividade ou nascimento, portanto, é o movimento do ser sendo gerado e expelido de uma determinada NATUREZA, a qual é responsável por lhe dar determinada forma e essência. ____ (1) No conceito aristotélico, é toda matéria individual ou genérica, heterogenia ou homogenia do qual se possa dar uma forma, e do qual se forma um ser. (2)(Θεοτόκος: Théos = Deus + Tókos = Mãe, Portadora ou Geratriz) é um Título Sarcedotal conferido a Santíssima desde século I. (3) Natividade ou ato final do processo de geração (nascimento) (4) Promoveu grande divisão na Igreja, (cisma nestoriano). Vencido no Concílio de Éfeso (431 DC), fora excluído do Clero por heresia. Defendia que Maria não podia ser a MÃE DE DEUS, pois o “cristo homem” não tinha a Natureza Divina do Pai. (Epístola aos Monges do Egito, Patrologia Graeca 77:13B) Funda sua seita “igreja Assíria do Oriente, que após 1.700, anos retorna a Comunhão com a Sé Romana, abandonando as doutrinas do seu antigo fundador, tornando-se a Igreja Católica da Caldeia. (5) Seitas do século III, que negavam a união das duas Naturezas, num único ser, em Cristo. [JOÃO DAMASCENO]. #históriadaigrejaprimitiva

  • OS SANTOS ANTES DE CRISTO

    A TRADIÇÃO DE SEMPRE Com base na declaração consistente de teólogos eclesiásticos de quê os Santos anteriores a Cristo tinham de ser incluídos na definição da Igreja Cristã, a exigência de que a doutrina se adeque à antiguidade a fim de ser Ortodoxa sugere que “a Paixão da igreja começou com o sangue de Abel e que a igreja do eleito é uma” (Gregório Magno homilias sobre Ezequiel 2.3 16), quer o eleito tenha vindo antes de Cristo quer depois dele. Por conseguinte,”a santa igreja na integridade de sua fé” (Gregório Magno homilias sobre Ezequiel 2.3.1 17) e de sua doutrina incluía os santos tanto do Antigo Testamento quanto do novo. Até mesmo os patriarcas, que viveram antes do recebimento da Lei por Moisés, “sabiam que o único Deus todo-poderoso é a santa Trindade, mas não pregaram muito publicamente sobre a Trindade que conheciam” (Gregório Magno homilias sobre Ezequiel 2.4.10). Os Santos do antigo testamento não poderiam ter amado verdadeiramente a Deus a menos que tenham recebido a graça “da própria Trindade”, que é Deus (Gregório Magno homilias sobre Ezequiel 2.4.4).E uma vez que a doutrina do cristianismo católico podia simplesmente ser designada como “o mistério da Santa Trindade” (Gregório Magno homilias sobre Ezequiel 2.4.11) ou como “a fé da Trindade” (Gregório Magno discursos morais sobre Jó 33. 10. 20),deve ter-se crido nessa Doutrina Não só em todos os lugares ao longo da cristandade, Mas também sempre ao longo das eras anteriores a Cristo e posteriores a ele. Mas a exigência, como uma Norma da ortodoxia, de que a doutrina tenha sido sempre crida referia-se com especial Força às “doutrinas dos pais que falavam de Deus” [tás tô theêgorôn paterôn didaskalias]”(Leôncio de Bizâncio contra os nestorianos e os eutiquianos 1), das quais era errado se desviar. Os que alegavam ser sábios em sua própria erudição ignoravam “os trabalhos antigos dos Santos pais” (Leôncio de Bizâncio contra os arianos e os eutiquianos ) e, contra eles é necessário citar a autoridade do testemunho dos antigos (Leôncio de Bizâncio contra os nestorianos e os eutiquianos). É possível definir um herege como alguém que, por meio de suas próprias ideias ímpias, tentava destruir os ensinamentos dos Pais (Gregório Magno discursos Morais sobre Jó 16.53.6). o herege “produziria algo novo que não está nos livros antigos dos Pais antigos” (Gregório Magno discursos Morais sobre Jó 18. 26.39) ou na Bíblia. Era inconcebível para os expoentes do Consenso ortodoxo que houvesse alguma contradição entre a escritura interpretada na forma apropriada e a tradição do o da antiguidade; ou mais precisamente a escritura só era interpretada de modo apropriado quando era vista como estando em harmonia com a tradição. Um sínodo oriental, de 691, definiu o Consenso ortodoxo de forma sucinta: “se levanta-se alguma controvérsia em relação à escritura, que o clero e os bispos] não a interpretem de outro modo que não como os luminares e os doutores da igreja a expuseram em seus escritos, e a estes deixem a glória, em vez de formular as coisas da própria cabeça deles, a fim de que não se afastem do que é apropriado por causa de sua falta de capacidade” (Concílio de trullo Canon 19 [mansi 11.952]. #históriadaigrejaprimitiva #Igreja

  • The Problems of Mixed-Gender Education

    Among other things, educational institutions are entrusted with the task of ensuring a good learning environment. Despite providing top-class facilitates and equipment, this objective is often defeated in co-educational institutions by the very concept of running a mixed-gender education. Miles O’Brien, the ex-professor of Political Economy expressed his disapproval as thus: “I came away from the University convinced by my five years of teaching co-eds that education is a failure. Whatever may be the motives that actuate the young ladies in coming to the university, they soon divide into two well-defined groups. The members of one group work hard, they usually maintain in a high class standing and injure their health. The members of the other group devote their chief attention to the young men. This results in cardiac enlargement rather than cerebral development. And as to young men, it will be unreasonable to expect any young man with red blood in his veins to devote his evenings to physics or higher mathematics, when there is a sweet young lady waiting to entertain him. Love and war may well go together, but emotional disturbances evoked by love in a young man of twenty are far too great to permit serious study.” (Education of our girls) While the ex-professor points to the emotional aspect, other defects can also be spotted out in the co-educational system. This includes the Mental Disposition of both sexes. A man’s mind is logical, he gives assent after a slow methodical process of thought and this as a result makes subjects like mathematics and engineering suitable for the man. While a woman’s mind being intuitional, does not undergo the same process as man’s, instead she assents because she “feels” it is right. She often makes decisions based on how she feels about it. This makes subjects such as music, poetry, art etc suitable for the cerebral development of the woman. Although she may study courses likes Mathematics, it must be at a lesser degree when compared to that of the male sex. Since the primary aim of education is to develop the mind, it is not right – to say the least – to develop the mind of both sexes with same method, on same subjects and in the same institution! We will agree that due to obvious reasons, the co-educational curriculum does not adequately cover the aspects necessary for the development of the female mind. Hence, the necessity of a separate educational system for the girls. The male and the female are complementary to each other. No woman in her right state of mind can appreciate a man who acts like a woman; and same also applies to the men who in their right state of mind will not appreciate a woman built on masculine lines. Since both minds are built with same method, such as the co-educational system, they both end up becoming “duplicates” instead of “complements“. A cursory glance at the medieval education system is enough to point out the great benefits of the single-gender education. This system produced great minds whose works remain unsurpassed in our time. This is no surprise for they, amongst other things, had an environment with less distractions – especially from the opposite sex. Being quite different, both physically and mentally, the male and female at some later stage, they could be separated to ensure better development of their mental and moral life. Kyrie Eleison.

  • A IGREJA E A CIÊNCIA( O CASO GALILEU)

    Terá sido apenas coincidência que a ciência moderna desenvolvesse em um ambiente em ampla medida católico, ou houve alguma coisa no próprio catolicismo que possibilitou o seu progresso? O simples fato de levantarmos está questão já significa transgredir as fronteiras da opinião em voga. No entanto, são cada vez em maior número os estudiosos que a levantam, e as suas respostas podem surpreender-nos. Não é um assunto secundário. Na mentalidade popular, a alegada hostilidade de Igreja Católica para com a ciência talvez continua o seu principal ponto fraco. O caso Galileu, na versão deturpada com a qual a maior parte das pessoas está familiarizada, é largamente responsável pela crença tão difundida de que a Igreja obstruiu o avanço da pesquisa científica. Porém, ainda que esse caso tenha sido bem menos ruim do que as pessoas pensam, o cardeal John Henry Newman, famoso converso do americanismo do século XIX, achou revelador que seja esse praticamente o único exemplo que sempre acode à mente das pessoas quando se pensa na relação entre a Igreja e a ciência. Galileu A controvérsia de Galileu centrou-se em torno do trabalho do astrônomo polonês Nicolau Copérnico (1473-1543). Alguns estudiosos modernos de Copérnico afirmam que era padre, mas não existe nenhuma evidência direta de que tivesse chegado a receber as ordens maiores, embora tivesse sido nomeado cônego do cabido de Frauenburg no final da década de 1490. Fosse qual fosse o seu estado clerical, porém, o certo é que nasceu e se criou em uma família profundamente religiosa, na qual todos pertenciam à Ordem Terceira de São Domingos, a associação de fiéis vinculada à Ordem que estendera aos leigos a oportunidade de participar da espiritualidade e da tradição dominicanas. Como cientista, Copérnico era uma figura de renome nos meios eclesiásticos, tendo sido consultado pelo V Concílio de Latrão (1512-1517) sobre a reforma do calendário. A pedido dos amigos, de colegas acadêmicos e de vários prelados, que o instavam a publicar o seu trabalho, Copérnico acabou por ceder e publicou seis livros sobre as Revoluções das Órbitas Celestes, que dedicou ao papa Paulo III, em 1543. Antes ainda, em 1531, tinha redigido para os amigos um sumário do seu sistema heliocêntrico que viris a atrair as atenções até do papa Clemente VII; este concordaria o humanista e advogado Johann Albert Widmanstadt a dar uma conferência pública no Vaticano sobre a terra, ficando muito bem impressionado com o que ouviu. No seu trabalho, Copérnico conservou muito da astronomia convencional de sua época, a qual se devia quase por completo a Aristóteles e, acima de tudo, a Ptolomeu (87-150 d.C.), um brilhante astrônomo grego para quem o universo era geocêntrico. A astronomia copernicana partilhou com a dos seus precursores gregos alguns aspectos, tais como a perfeita efericidade dos corpos celestes, as órbitas circulares e a velocidade constante dos planetas. Mas introduziu uma diferença significativa ao situar o Sol, ao invés da Terra, no centro do sistema; no seu modelo, a Terra e os outros planetas moviam-se em torno do Sol. Apesar do feroz ataque dos protestantes, que viam no sistema copernicano uma frontal oposição à Sagrada Escritura, esse sistema não foi objeto de uma censura católica formal até que surgiu o caso Galileu. Galileu Galilei (1564-1642), além dos seus trabalhos no campo da física, fez com o seu telescópio algumas observações astronômicas importantes que contribuíram para abalar o sistema ptolomaico. Observou montanhas na lua, com o que derrubava a velha certeza de que os corpos celestes eram perfeitamente esféricos. Descobriu as quatro luas que orbitam em torno de Júpiter, demostrando não só a presença de fenômenos celestes que Ptolomeu e os antecessores não haviam percebido, mas também que um planeta, movendo-se na sua órbita, não deixa para trás os seus satélites. (Um dos argumentos contrários ao movimento da Terra era o de que a Lua seria deixada para trás). A descoberta das fases de Vênus foi outra peça de evidência em favor do sistema copernicano. Inicialmente, Galileu e a sua obra foram bem acolhidos e festejados por eminentes eclesiásticos. Em fins de 1610, o pe. Cristóvão Clavius comunicava por carta a Galileu que os seus amigos astrônomos Jesuítas haviam confirmado as suas descobertas. Quando foi a Roma no ano seguinte, o astrônomo foi saudado com entusiasmo tanto pelos religiosos como por personalidades leigas. Escreveu a um amigo: “Tenho sido recebido e favorecido por muitos cardeais ilustres, prelados e príncipes desta cidade”. O papa Paulo V concedeu-lhe uma longa audiência e os jesuítas do Colégio Romano organizaram um dia em atividade em homenagem às suas descobertas. Galileu estava encantado: perante uma audiência de cardeais, matemáticos e líderes civis, alguns alunos dos pes. Grienberger e Clavius discorreram sobre as descobertas do astrônomo. Tudo parecia favorecê-lo. Quando, em 1612, publicou o seu História e demonstrações em torno das manchas solares e dos seus acidentes, em que pela primeira vez aderia publicamente ao sistema copernicano, uma das muitas e entusiásticas cartas de congratulação que recebeu veio de ninguém menos que o cardeal Maffeo Barberini, futuro papa Urbano VIII. A igreja não fazia objeções ao uso do sistema copernicano como um modelo teórico, como uma hipótese cuja verdade literal não tinha sido comprovada, pois efetivamente explicava os fenômenos celestes de maneira mais elegante e precisa que o sistema ptolemaico. Pensava-se que não havia nenhum mal em apresentá-lo e usá-lo como um sistema hipotético. Galileu, porém, acreditava que o sistema copernicano era literalmente verdadeiro, e não uma simples hipótese que fornecesse previsões precisas, mas não dispunha de evidências adequadas que respaldassem a sua crença. Assim, por exemplo, argumentava que o movimento das marés constituía uma prova do movimento da Terra, argumento que hoje, curiosamente, os cientistas consideram ridículo. Não era capaz de responder à objeções dos geocentristas – que vinha de Aristóteles – de que, se a Terra se movia, então deveria ser possível observar uma mudança de paralaxe quando observássemos as estrelas, coisa que não acontecia. No entanto, apesar da falta de provas estritamente científicas, Galileu insistiu na verdade literal do sistema copernicano e recusou-se a aceitar um compromisso pelo qual o copernicanismo deveria ser ensinado como hipótese até que pudesse apoiar-se em evidências conclusivas. Quando foi mais longe ainda e sugeriu que, pelo contrário, eram os versículos da Sagrada Escritura que deviam ser reinterpretados, passou a ser visto como alguém que usurpara a autoridade dos teólogos. Jerome Langford, um dos mais judiciosos estudiosos modernos deste assunto, fornece-nos um sumário muito útil da posição de Galileu: “Galileu estava convencido de possuir a verdade, mas não tinha provas objetivas suficientes para convencer os homens de mente aberta. É uma completa injustiça afirmar, como fazem alguns historiadores, que ninguém ouvia os seus argumentos e que nunca teve uma oportunidade. Os astrônomos jesuítas tinham confirmado as suas descobertas e esperavam ansiosamente por provas ulteriores para poderem abandonar o sistema de Tycho e passarem a apoiar com segurança o copernicanismo. Muitos eclesiásticos influentes acreditavam que Galileu devia estar certo, mas tinham de esperar por mais provas”. “Como é evidente, não é inteiramente correto pintar Galileu como uma vítima inocente do preconceito e da ignorância do mundo”, acrescenta Langford. “Parte da culpa dos acontecimentos subsequentes deve ser atribuída ao próprio Galileu, que recusou qualquer ressalva e, sem provas suficientes, fez derivar o debate para o terreno próprio dos teólogos”. Foi, portanto, a insistência de Galileu sobre a verdade literal do copernicanismo que causou a dificuldade, uma vez que, aparentemente, o modelo heliocêntrico paracia contradizer certas passagens da Escritura. A igreja, sensível às acusações protestantes de que os católico não faziam muito caso da Bíblia, hesitou em acolher a sugestão de que se pusesse de lado o sentido literal da Escritura – que, às vezes, parecia implicar na ausência de movimento da Terra – para acomodar uma teoria científicas sem provas. Mesmo assim, aqui a Igreja não foi inflexível. Como comentou na época o célebre cardeal Roberto Belarmino, “Se houvesse uma verdadeira prova de que o Sol é o centro do universo, de que a Terra está no terceiro céu e de que o Sol não gira em torno da Terra, mas a Terra em torno do Sol, então deveríamos agir com grande circunspeção ao explicar passagens da Escritura que parecem ensinar o contrário, e admitir que não as havíamos entendido, em vez de declarar como falsa uma opinião que se prova verdadeira. Mas eu mesmo não deve acreditar que existam tais provas enquanto não me sejam mostradas”. A abertura de princípio do cardeal Belarmino a novas interpretações da Escritura à luz dos acréscimos feitos ao universo do conhecimento humano não era nada de novo. Santo Alberto Magno era do mesmo parecer: “Acontece com freqüência”, ecreveu certa vez , “que surge alguma questão sobre a terra, o céu ou outros elementos deste mundo, a respeito da qual um não-cristão possui conhecimentos derivados dos mais acurados raciocínios os observações. Neste caso, deve-se evitar cuidadosamente, porque seria muito desonroso e prejudicial para a fé que um cristão, ao falar dessas matérias de acordo com o que pensa que dizem as Sagradas Escrituras, seja ouvido por um não-crente a dizer tais tolices que esse não-crente – percebendo que o outro está tão afastado da realidade como o leste o está do oeste – quase não conseguisse conter o riso”. Também São Tomás de Aquino advertiu sobre as consequências de se querer sustentar uma determinada interpretação da Sagrada Escritura a respeito da qual tivessem surgido sérios motivos para pensar que não era correta: “Primeiro, é preciso crer que a verdade da Escritura é inviolável. Segundo, quando há diferentes maneiras de explicar um texto da Escritura, nenhuma das interpretações particulares devem ser sustentadas com tanta rigidez que, se argumentos convincentes mostrarem que é falsa, alguém ouse insistir em que, mesmo assim, esse ainda é o sentido correto do texto. Caso contrário, os não-crentes desprezarão a Sagrada Escritura e o caminho da fé se fechará para eles”. Em 1616, depois de ter ensinado pública e insistentemente a teoria copernicana, Galileu foi avisado pelas autoridades da Igreja de que devia parar de sustentá-la como hipótese. Galileu concordou e prosseguiu os seus trabalhos. Em 1624, fez outra viagem a Roma, onde foi novamente recebido com grande entusiasmo e procurado por influentes cardeais desejosos de discutir com ele questões científicas. O papa Urbano VIII deu-lhe muitos presentes valiosos e emitiu um breve de recomendação ao grão-duque da Toscana em que o reconhecia como um homem “cuja forma brilha no céu e se espalha por todo o mundo”. Comentou com ele, em particular, que a igreja não tinha declarado herético o copernicanismo e que nunca o faria. No entanto, o Diálogo sobre os dois grandes sistemas do mundo, que Galileu publicou em 1632 e fora escrito a pedido do papa, ignorou a instrução de que o copernicanismo devia ser tratado como hipótese e não como verdade estabelecida. Para sua infelicidade, em 1633 o astrônomo foi declarado suspeito de heresia e proibido de publicar escritos sobre o tema. Continuou a produzir outras obras, aliás ainda melhores e mais importantes, particularmente os seus Discursos e demonstrações matemáticas em torno de duas novas ciências (1635). #HistóriadaInquisição

  • Encratitas proibição do casamento

    QUEM PROIBIA O CASAMENTO NA PRIMEIRA EPÍSTOLA DE TIMÓTEO? Respondendo a um membro do grupo sobre “Timóteo 4,3eles proibirão o casamento, exigirão a abstinência de certos alimentos, quando Deus os criou para serem recebidos, com ação de graças, pelos que têm fé e conhecem a verdade”. Essa é uma situação que a igreja enfrentou desde o início, ganhou força com a gnose de Basílides. Ele fazia a distinção entre o Deus supremo e o criador, presente também no ensino de Marcião, sustenta os mitos Valentinianos da emanação de éons e a doutrina basilidiana da criação a partir do nada. De acordo com Ptolomeu, entre o Deus supremo e o mundo criado havia um demiurgo, “o pai e Deus de tudo fora da pleroma” (Iren. Her. 1.5.2). O criador deles, o demiurgo, “fez o céu sem conhecer o céu; formou o homem em ignorância do homem; trouxe a luz a terra sem entender a terra” (Iren. Her. 1.5.3). Essa foi uma das declarações mais explícitas da doutrina gnóstica de que a criação do homem ou pelo menos, de todos os homens abaixo do patamar do gnóstico totalmente espiritual, foi um ato de ignorância por parte de um ser divino que era menos que o Deus supremo e, portanto, que, em última instância, a criação e a queda do homem coincidem. Essa rejeição da criação estava associada a uma repulsa ao processo de geração e do nascimento do ser humano, como também observa-se em Marcião. Outros cristãos gnósticos primitivos, como os ENCRATITAS, “pregavam contra o casamento deixando, assim, de lado a criação original de Deus e culpando indiretamente aquele que fez o homem e a mulher para a propagação da raça humana” (Iren. Her. 1.28.1). Bibliografia:Jaroslav pelikan e Daniel Rops #históriadaigrejaprimitiva

  • TRADIÇÃO ORAL SACRA NA IGREJA PRIMITIVA

    A tradição defendida pela igreja primitiva e na bíblia A PROVA: 2 Tessalonicenses 2:15: “Permanecei firmes e retende as tradições que lhe foram ensinadas, seja por uma declaração oral ou por uma carta de nós.” Fp 4: 9: “Continue fazendo o que você aprendeu e recebido e ouvido, e vistes em mim, então o Deus da paz estará convosco.”. 1 Corinto 11: 2: “Eu te louvarei, porque se lembra de mim em tudo e retende as tradições, assim como eu entregou-los para você.” 2 Tessalonicenses 3: 6: “Instruímos-vos, irmãos, em nome de nosso Senhor Jesus Cristo, para evitar qualquer irmão que se conduz de forma desordenada e não segundo a tradição que receberam de nós.” 1 Pedro 1:25: Mas a Palavra do Senhor permanece para sempre esta é a Palavra que foi proclamada a você (ou seja, por via oral).”. Nos Padres da Igreja: INÁCIO DE ANTIOQUÍA (107 d.C.) No seguinte texto o célebre bispo de Antioquia, um discípulo de Pedro e Paulo, rejeita a posição Sola Scripturista: “Eu por minha parte cumpri o meu dever, agindo como homem destinado a unir. Deus não mora onde houver desunião e ira. A todos porém que se converterem perdoa o Senhor, se voltarem à unidade de Deus e ao senado do Bispo. Confio na graça de Jesus Cristo, pois Ele livrará de toda cadeia. Exorto-vos a nada praticar em espírito de dissenção, mas sim em conformidade com os ensinamentos de Cristo. É que ouvi alguns dizerem: «Se não o encontro nas escrituras antigas, não dou fé ao Evangelho». Dizendo eu a eles «Está escrito», responderam-me: «É o que se deve provar>>! Para mim, as escrituras antigas são Jesus Cristo; para mim escrituras invioláveis constituem a Sua Cruz, Sua Morte, Sua Ressurreição, como também a Fé que nos vem d’Ele! Nisso é que desejo, por vossa oração, ser justificado.” (Carta aos Filadelfienses, 8) PAPÍAS DE HIERÁPOLIS (69 – 150 d.C.) Seu Testemunho é muito importante, já que de acordo com Irineu foi discípulo de São João e amigo de São Policarpo. Sendo considerado um dos pais apostólicos seus escritos são extremamente importantes para a compreensão do cristianismo primitivo. Surpreendentemente Papias deixa um testemunho de não ser escrituralista, mas dava preferência à tradição oral: “Não vacilarei em apresentar-te ordenadamente com as interpretações tudo o que um dia aprendi muito bem dos presbíteros e que recordo bem, seguro que estou de sua verdade. Porque eu não me comprazia como outros com os que falam muito, mas com os que ensinam a verdade; nem tampouco com os que recordam mandamentos alheios, mas com os que trazem na memória os (mandamentos) que receberam pela fé da parte do Senhor e nascem da própria verdade. E se por acaso chegava alguém que também havia seguido os presbíteros, eu procurava discernir as palavras dos presbíteros: o que disse André, ou Pedro, ou Felipe, ou Tomás, ou Tiago, ou João, ou Mateus ou qualquer outro dos discípulos do Senhor, porque eu pensava que não aproveitaria tanto o que tirasse dos livros como o que provêm de uma voz viva e durável.” (Fragmento da H.E de Eusébio Livro III, 39, 4-5) ST. Ireneu de Lião (c 180 AD.): “Tão forte são esses argumentos que ninguém deve passar a buscar a verdade de qualquer outra fonte, uma vez que seria simples para obtê-lo da Igreja …. Por conta disso somos obrigados a evitá-los, mas para fazer a escolha das coisas respeito da Igreja com a máxima diligência, e em lançar mão da tradição da VERDADE ..para como deve ser, se os próprios apóstolos não tinha deixado-nos a escrever? Seria necessário [nesse caso] para seguir o curso da tradição que eles transmitiram para aqueles que cometeram as Igrejas? ” (Contra as heresias 3: 4: 1) “Embora nenhum outro sabe que nós a disposição de nossa salvação, do que aqueles por quem o Evangelho veio até nós, primeiro anunciando que, em seguida, pela vontade de Deus, entregando-nos as Escrituras, que deveriam ser o fundamento e pilar de nossa fé… mas quando os hereges usa as Escrituras, como se eles estavam errados e una , e variável, e a verdade não pode ser extraído a partir deles por aqueles que eram ignorantes da tradição. E quando nós desafiá-los por sua vez, com essa tradição, que é a partir dos Apóstolos, que é vigiado pela sucessão dos presbíteros nas igrejas, eles se opõem-se a tradição, dizendo que eles são mais sábios, não só do que os presbíteros, mas até do que os Apóstolos! A tradição dos apóstolos manifestou, pelo contrário, em todo o mundo, está aberta em cada igreja a todos os que buscam a verdade … E já que é uma longa matéria em um trabalho como este para enumerar essas sucessões, vamos refutar-los, apontando para a tradição do maior e mais Igreja antiga e universalmente conhecido fundada e constituída em Roma pelos gloriosos apóstolos, Pedro e Paulo, uma tradição que ela teve e uma fé que ela proclama a todos os homens a partir desses apóstolos “. (Contra as Heresias 3: 1-3) “Ele vem para isso, portanto, esses homens não concorda com qualquer Escritura nem tradição”. (Contra as heresias 3: 2: 2). Tertuliano de Cartago (200 c.): “Nós não tomamos nosso ensino bíblico das parábolas, mas nós interpretamos as parábolas de acordo com o nosso ensino.” (Pureza 9: 1) “Por esta razão, não deve apelar apenas para as Escrituras nem lutar a nossa batalha em terra, onde a vitória é impossível ou incerta ou improvável. Para um resort com as Escrituras iria, mas resultar na colocação de ambas as partes em pé de igualdade, ao passo que a ordem natural de procedimento requer uma pergunta a ser feita em primeiro lugar, que é a única empresa que deve ser discutido. “Quem são os guardiões da verdadeira fé? A quem pertencem as Escrituras? Por quem e através de quem e quando e para quem foi o cometeu a doutrina que nos faz cristãos? Para onde quer que a verdade da doutrina e da fé cristã respeitar claramente, haverá também as verdadeiras Escrituras e as verdadeiras interpretações e todas as verdadeiras tradições cristãs. ” (On Prescrição contra os hereges 36) ORÍGENES (c 220.): “Embora existam muitos que acreditam que eles se colocam aos ensinamentos de Cristo, existem ainda alguns entre eles que pensam diferente de seus antecessores. O ensinamento da Igreja tem sido, de facto, transmitida através de uma ordem de sucessão dos Apóstolos e restos . nas igrejas até mesmo para o tempo presente Isso por si só é para ser acreditado como a verdade, que não é de forma em desacordo com a tradição eclesiástica e apostólica “(As doutrinas fundamentais de 1: 2 [AD 225]). ST. Cirilo de Jerusalém (c 350.): “Mas na aprendizagem da Fé e em professar que, adquirir e manter apenas o que agora é entregue a você pela Igreja, e que tem sido construída fortemente sobre as Escrituras.” (Cat V: 12) Que Escrituras? Estes: “Saiba também diligentemente da Igreja, quais são os livros do Antigo Testamento e quais são os livros do Novo”. (Cat IV: 33) Nota: São Cirilo está se referindo à igreja local uma vez que, no seu dia, diferentes cidades-igrejas reconhecidas diferentes cânones bíblicos. E o próprio fato de que ele precisa dizer aos seus novos convertidos isso mostra que o cânone bíblico ainda não foi universalmente estabelecida. ST. Antônio do Egito (c 320.): “Portanto, guardai-vos tudo o mais não viciada por eles (os arianos), e observar as tradições dos pais e, principalmente, a santa fé em nosso Senhor Jesus Cristo, o que você aprendeu com as Escrituras, e que você tem sido muitas vezes colocar em mente por mim “. (Atanásio “Vida de Anthony” NPNF Vol IV 2ª Série). ST. Atanásio (c 296-370.): “Deixe-os (os arianos) nos dizer do que o professor, ou a partir do que a tradição, eles derivam essas noções sobre o Salvador”. (De Decr 13) “Para que os nossos pais tenham entregue, esta é a verdadeira doutrina; e este é verdadeiramente o símbolo dos médicos, para confessar a MESMA COISA uns com os outros, e para variar nem de si mesmos nem de seus pais, e que os que não têm este caráter não são para ser chamado verdadeiros médicos “. (De Decr 4) “O estabelecimento de sua impiedade PRIVATE como uma espécie de regra, eles (os arianos) arrancaram todos os oráculos divinos (as escrituras) em conformidade com ela.” (Orat 1, 52) “Se eles habitaram nesses pensamentos e reconheceram a ECCLESIA (ou seja, a Igreja) escopo como uma âncora para a fé, eles não fizeram naufrágio da fé.” (Orat 3, 58) ST. Basílio, o Grande (c. 370) “Dos dogmas e mensagens preservadas na Igreja, alguns de nós possuímos ensinamento escrito e outros recebemos da Tradição dos Apóstolos, transmitido para nós em mistério (orações, Sacramento; a Liturgia da Missa).. No que diz respeito ao piedade ambos são da mesma força. Ninguém vai contradizer qualquer um destes, ninguém, em todo caso, que está mesmo moderadamente versado em assuntos eclesiásticos. De fato, se nós tentarmos rejeitar os costumes não escritos como não tendo grande autoridade, estaríamos sem querer ferir o Evangelho em seus sinais vitais, ou melhor, gostaríamos de reduzir mensagem [Christian] a um mero termo “. (O Espírito Santo 27:66 [AD 375]). ST. Gregório de Nazianzo (370 c.): “Eu desejo para aprender o que é a moda da inovação nas coisas concernentes a Igreja. Mas desde que a nossa fé tem sido proclamado por escrito e sem escrever, aqui e em partes distantes, em tempos de perigo e de segurança, como é que alguns fazer essas tentativas e outros mantêm em silêncio? ” (Ep 101). “É suficiente para a prova de nossa afirmação de que temos uma tradição descendo dos pais, uma herança como se fosse, por sucessão dos apóstolos através dos santos que vieram depois deles (Contra Eunomius 4, 6 sobre a natureza de Cristo). ST. Epifânio de Salamina (c. 370) “É necessário também fazer uso da Tradição, para que nem tudo pode ser obtido a partir da Sagrada Escritura. O Santos Apóstolos proferidas algumas coisas nas Escrituras, outras coisas na tradição.” (Medicine Chest contra todas as heresias 61: 6 [AD 375]). ST. João Crisóstomo (c. 390) “‘Permanecei firmes e retende as tradições que lhe foram ensinadas, seja por uma declaração oral ou por uma carta” (2 Tessalonicenses 2:15). Por isso, é evidente que eles não entregar todas as coisas por epístola, mas muitas coisas não escritas e, da mesma maneira tanto um quanto o outro são dignos de crédito. Por isso, vamos pensar a tradição da Igreja, também digno de crédito. É uma tradição, procurar mais longe. ” (Comentário sobre 2 Tessalonicenses NPNF 13: 390). St. Agostinho de Hipona (c. 400) “Aqueles que mantemos, não como sendo escrito, mas a partir de tradição, se observada por toda a cristandade, são, assim entendida a ser cometido a nós pelos próprios Apóstolos ou Conselhos plenárias, e para ser mantido como instituídas.” (Ep 118). “Mas, em relação a essas observâncias que nós cuidadosamente frequentam e que o mundo todo mantém, e que não derivam da Escritura, mas a partir de Tradição, que nos é dado a entender que eles são recomendados e ordenado para ser mantido, seja pelos próprios Apóstolos ou por plenária [ecumênicos] conselhos, cuja autoridade é muito vital na Igreja “(Carta aos Januário [400 dC]). “E se alguém procurar por autoridade divina neste assunto, embora o que é mantido por toda a Igreja, e não como instituído pelos Conselhos, mas como uma questão de costume invariável, é justamente considerado como tendo sido proferidas pela autoridade apostólica.” ( No Batismo 24 falando do Batismo das crianças). “[O] costume [de não rebatizar convertidos] … pode ser suposto ter tido sua origem na Tradição Apostólica, assim como há muitas coisas que são observadas por toda a Igreja, e, portanto, são bastante mantidos até foram intimados pelos Apóstolos, que ainda não são mencionados em seus escritos “(no Batismo, contra os donatistas 05:23 [31] [400 dC]). CLEMENTE DE ALEXANDRÍA (150 – 217 d.C.) São Clemente enfatiza a importância de preservar a Tradição para que não se perda: “Mas ele, salvaguardando a verdadeira Tradição dos ensinamentos abençoados, que nos vêm direto dos apóstolos Pedro, Tiago, João e Paulo e foram transmitidos de pai para filho, chegara até nós, com a ajuda de Deus para que em nós fossem depositadas as sementes destes apóstolos. Bem, eu sei que eles exultarão; Não quero dizer encantado com este tributo, mas apenas por causa da preservação da verdade, de acordo como entregue. Para um esboço assim, bem, eu acho, estão sujeitos a uma alma desejosa de preservar a tradição abençoada perdido” (Stromata 1, 11). “Os dogmas ensinados pelas seitas notáveis serão apresentados; e a estes se oporá todo aquilo que deve ser premissa de acordo com a contemplação mais profunda do conhecimento, o qual, como procedemos do renomado e venerável cânone da tradição… De modo de podermos ter os ouvidos abertos para a recepção da tradição do verdadeiro conhecimento, que é o terreno previamente limpo de espinhos e cada erva daninha pelo semeador, com o plantio da videira.”(Stromata, 7, 104). HIPÓLITO DE ROMA (235 d.C.) Santo Hipólito enfatiza a importância de preservar a Tradição para manter-se imune ao erro em sua obra intitulada A Tradição Apostólica: “Agora, movidos pelo amor que devemos a todos os santos, atingimos o ponto máximo da tradição o que diz respeito às igrejas. Todos, assim, bem instruídos, devem conservar a tradição que perdura até hoje e, conhecendo-a através de nossas palavras, devem permanecer absolutamente firmes, já que o ocorrido recentemente (heresia ou erro) foi motivado pela ignorância e também pelos ignorantes. Que o Espírito Santo conceda a graça perfeita àqueles que crêem na verdade ortodoxa, para que aqueles que lideram a Igreja possam saber como ensinar e preservar tudo de forma conveniente.” (Tradição Apostólica I, 1 Prefácio) Na terceira parte desta mesma obra aconselha: “Se todos ouvirem e seguirem a tradição dos apóstolos, nenhum herege (nenhum mesmo!) poderá vos afastar do reto caminho. Na verdade, muitas heresias se desenvolveram porque os chefes não quiseram aprender a doutrina dos apóstolos, mas seguindo a própria fantasia, fizeram o que quiseram, isto é, o que não deveriam fazer.” (Tradição Apostólica III, 38) JOÃO CRISÓSTOMO (347 – 407 d.C.) Nos deixa una excelente evidência de como a Igreja há mais1600 anos interpretava 2 Tesalonicenses 2,15 da mesma forma que os católicos de hoje (Como uma prova contra a Sola Scriptura): “Dessa forma, irmãos, fiquem firmes e guardem as tradições que lhes foram ensinadas, seja por palavra ou por carta. Isso deixa claro que eles não transmitiram tudo por carta, mas que havia muita coisa também que não foi escrita. Como a que foi escrita, a não escrita também é digna de crédito. Então vamos considerar a tradição da Igreja como sendo digna de crédito. Isto é uma tradição? Não procure outra coisa.” (Homilias sobre a 2ª Epístola aos Tessalonicenses 4,2). BASÍLIO O GRANDE (330 – 379 d.C.) Ele afirma que os dogmas e mensagens preservadas na Igreja foram recebidos tanto por meios orais, quanto por meio impressa, e rejeita a idéia de abandonar os costumes não escritos: “Vamos investigar quais são nossas concepções comuns na relação com o Espírito, assim como as que sã reconhecidas por nós a partir da Sagrada Escritura em relação com aquelas que recebemos da tradição não escrita dos Pais.” (Sobre o Espírito Santo 9, 22) “O objetivo do ataque é a fé. O único propósito de toda a banda de adversários e inimigos da “sã doutrina.” é sacudir os alicerces da fé em Cristo levantado ao selo da tradição apostólica e destruí-la completamente. Assim como devedores, – é claro, os mutuários de boa-fé. – Eles pedem um teste escrito, e rejeitar como inútil a tradição não escrita dos Pais.” (Sobre o Espírito Santo 10, 25) “Em um só Espírito, diz: ‘todos nós fomos batizados em um só corpo’. E, em harmonia com esta estão as passagens: ‘Ele vos batizará com o Espírito Santo’ e ‘Eles serão batizados no Espírito Santo’.Mas ninguém a este respeito justificaria em chamar esse batismo, um batismo perfeito, onde apenas o nome do Espírito Santo, foi chamado. Porque tradição que tem sido dada a nós pela graça deve permanecer para sempre inviolável.” (Sobre o Espírito Santo12, 28) “Entre as verdades conservadas e anunciadas na Igreja, umas nós as recebemos por escrito e outras nos foram transmitidas nos mistérios, pela Tradição apostólica. Ambas as formas são igualmente válidas relativamente à piedade. Ninguém que tiver, por pouco que seja, experiência das instituições eclesiásticas, há de contradizer. De fato, se tentássemos rejeitar os costumes não escritos, como desprovidos de maior valor, prejudicaríamos imperceptivelmente o evangelho, em questões essenciais. Antes, transformaríamos o anúncio em palavras ocas.”(Tratado sobre o Espírito Santo – 27, 66) “Um dia inteiro não nos bastaria se quiséssemos expor os mistérios da Igreja que não constam das Escrituras. Deixando de lado tudo mais, pergunto de quais passagens retiramos a profissão de fé no Pai e no Filho e no Espírito Santo. Se a extraímos da tradição batismal, de acordo com a piedade (pois devemos crer segundo a maneira como fomos batizados), para entregarmos uma profissão batismal, essencial ao batismo, consequentemente nos seja permitido também glorificar conforme nossa fé. Mas, se esta forma de dar glória nos é recusada, por não constar das Escrituras, sejam-nos mostradas provas escritas da profissão de fé e de todo o restante, que enumeramos. Desde que há tantas coisas que não foram escritas, e coisas tão importantes para o mistério da piedade, ser-nos-á recusada uma só palavra, proveniente dos Pais, que nós vemos persistir por um uso espontâneo nas Igrejas isentas de desvios, uma palavra muito razoável, e que muito contribui para a força do mistério?” (Tratado sobre o Espírito Santo 27, 67). “Meta comum de todos os adversários, inimigos da sã doutrina, é abalar o fundamento da fé em Cristo, arrasando, fazendo desaparecer a Tradição apostólica. Por isso, eles, aparentando ser detentores de bons sentimentos, recorrem a provas extraídas das Escrituras, e lançam para bem longe, como se fossem objetos vis, os testemunhos orais dos Padres.” (Tratado sobre o Espírito Santo, Cap. 25). #históriadaigrejaprimitiva #Igreja

  • A VERDADE DA RAZÃO NATURAL NÃO É CONTRÁRIA À VERDADE DA FÉ CRISTÃ

    Embora a Supracitada verdade da fé cristã exceda a capacidade da Razão Humana, os princípios que a razão tem postos em si pela natureza não podem ser contrários àquela verdade. É certo que são veríssimos e que foram colocados na razão pela natureza, de modo que nem se pode cogitar que sejam falsos. Nem tampouco é permitido pensar ser falso o conteúdo da fé, já que com tanta evidência recebeu a confirmação Divina. Ora, porque só o falso é contrário ao verdadeiro, o que se manifesta claramente ao se verificar as definições de ambos é impossível que a supracitada verdade da Fé seja contrária aos princípios conhecidos naturalmente pela razão. Além disso, na ciência do mestre está contido o que ele infunde na alma do discípulo, a não ser que o ensino seja fictício. Mas tal não se pode atribuir a Deus. Ora, o conhecimento dos princípios naturalmente evidentes é infundido em nós por Deus, pois Deus é o autor da natureza por consequente. Por conseguinte, esses princípios estão também contidos na sabedoria divina. Assim também, tudo o que é contrário a eles contraria a sabedoria divina e não pode estar em Deus. Logo as verdades recebidas pela Revelação Divina não podem ser contrárias ao conhecimento natural. Além disso, o nosso intelecto fica impedido de conhecer quando está diante de razões contrárias e, então, não pode proceder para alcançar a verdade. Ora, se razões contrárias fossem nós infundidas por Deus, o nosso intelecto ficaria impedido de conhecer a verdade. Tal porém, não pode se dar em Deus. Além disso, o que é natural não pode mudar, se a natureza permanece. Ora, opiniões contrárias sobre uma só coisa não podem subsistir no mesmo sujeito. Logo, Deus não me fudi no homem e conceitos e verdades de fé contrários ao conhecimento natural. Donde afirmar o Apóstolo: junto de ti, no teu coração e na tua boca, está a palavra da fé que pregamos (Romanos 10, 8). Mas, porque esta palavra está acima da razão, foi tida por muitos como contrária a ela mas isso é impossível. Também a autoridade de Agostinho concorda com essa doutrina, quando se expressa nestas palavras: o que a verdade toma evitar, não pode de modo algum ser contrário ao conteúdo dos livros do velho e do Novo Testamento. De todos estes raciocínios conclui-se que quaisquer razões que possam ser apresentadas contra as verdades ensinadas pela fé não procedem corretamente dos primeiros princípios conhecidos por si mesmos e vindos da própria natureza. Donde não possuírem força demonstrativa, pois não passam de razões prováveis ou sofísticas, que por si mesmas dão motivo para serem destruídas. #Cristologia #Igreja

  • O TERCEIRO Concílio (IN TRULLO) DE CONSTANTINOPLA, A DOUTRINA DOS HEREGES QUE NÃO CRÊEM EM JESUS CRI

    A controvérsia monotelita – o terceiro Concílio (in Trullo) de Constantinopla (681) Mandei, XI. 635Css [Calcedônia provocará o cisma monofisita do oriente e a tendência monofisita do segundo Concílio de Constantinopla não revogar a definição calcedoniana> entrementes, a ameaça que os persas e os árabes representavam para o império do oriente tornara o cisma em período político, Ciro, Patriarca de Alexandria, encorajado pelo Imperador heráclio, sugeriu ao Papa Honório que os cismáticos poderiam ser reconciliados por uma fórmula (proposta por Sérgio de Constantinopla) que admitiu as duas naturezas mais uma “operação ou Vontade Divino-humana” (enérgei è thélêma). Honório, que parece ter considerado a terminologia como coisa indiferente, sobre a base de que a Impecável vontade humana de Cristo não podia estar em conflito com sua vontade divina e que as duas vontades, agindo em uníssono, não podem se distinguir tem uma só vontade, concordou com essa fórmula “monotelista”, a qual foi publicada por Heráclito na echteselis, em 638, mas os sucessores de Honório viram aí uma ponta de Lança monofisita e, em 649, Martinho condenou a Echtesis. seguiu-se um cisma que durou até 681, quando a conquista árabe do Egito e da Síria terminou com toda a motivação para se buscar uma reconciliação com os monofísitas às custas do ocidente, o Imperador depôs o Patriarca, pediu orientação ao Papa Ágato e um concílio – contado como sendo o sexto ecumênico – se reuniu no Trullus ( recinto abobadado) do Palácio. os monoteístas – inclusive Honório – foram condenados e o cisma terminou. Depois da repetição da doutrina de Calcedónia sobre a pessoa de Cristo, a definição de expressa assim:] Pregamos também duas vontades naturais nele, bem como duas operações naturais (enérgeia), sem divisão, sem mudança, sem separação, sem partilha, sem confusão. E isto pregamos de acordo com a doutrina dos Santos padres duas vantagens naturais, não contrárias (que Deus afaste), como afirmam os ímpios hereges, mais sua vontade humana seguindo a Vontade Divina e onipotente, não lhe Resistindo, nem se lhe opondo, mas antes sujeita a ela. Pois a vontade da Carne tinha de ser dirigida e estar sujeita à vontade Divina, segundo o sapientíssimo Atanásio. Porque assim como se diz que sua carne deve ser e é a carne de Deus verbo, assim se diz que a vontade natural da Carne pertence a Deus verbo, Como de fato pertence; ele mesmo diz desci do céu não para fazer minha própria vontade mas a vontade do pai que me enviou (João 6. 38), designado como “própria” a vontade da carne, visto que a carne se tornou sua própria carne. Portanto, assim como sua santíssima Imaculada carne, vivificada pela alma, não foi destruída ao ser deificada, Mas continuou no seu próprio estado e esfera, assim também sua vontade humana não foi destruída ao ser deificada, mas antes foi preservada, Como diz Gregório, o teólogo: “pois o querer que entendemos ser um ato da vontade do salvador não é contrário a Deus, mas inteiramente deificado. #históriadaigrejaprimitiva

  • Catolicismo= ‘’Falso evangelho’’ ?: diálogo com um anti-católico

    [As respostas do anti-católico estarão em azul] *** [minhas palavras foram citadas, em um dos ínumeros ataques de James White contra mim] “ele começou dizendo que eu era um protestante ignorante que não tinha lido nada (protestante) de qualquer valor, e que é por isso que eu me converti” Essa é a posição mais generosa. A outra alternativa é que você é um apóstata – um inimigo do Evangelho. Qual é a sua conclusão? Não sei, não li sua história. Aqui está a minha história de conversão. Você diria que você já confiou somente na justiça de Cristo, mas agora rejeita isso em favor da sua própria justiça? Vamos ir direto, e sobre essa porcaria: é uma pessoa que aceita tudo o que a Igreja Católica ensina um cristão? Não – a Igreja Católica ensina um falso evangelho que não pode aperfeiçoar ninguém. Pode ele ou ela ser salvo? Sim – a salvação não se baseia em nós, mas em Deus. Ou eles têm que rejeitar vários ensinamentos da Igreja Católica para possivelmente serem salvos? O catolicismo é uma espécie de cristianismo? Alguém pode ser um cristão e acreditar que a Igreja é a única igreja verdadeira. Todos nós cometemos erros. Então, você está dizendo que não podemos ser salvos por nossas próprias obras, nem por nenhuma razão senão a graça de Deus e a ajuda do Espírito Santo? De fato. Isso é legal. É o que ensina os Canons 1-3 sobre justificação do Concílio de Trento ”CANON I. Se alguém diz, esse homem pode ser justificado diante de Deus por suas próprias obras, seja feito através do ensino da natureza humana, ou da lei, sem a graça de Deus por meio de Jesus Cristo; deixe-o ser um anátema.CANON II. Se alguém diz que a graça de Deus, por meio de Jesus Cristo, é dada apenas para isso, para que o homem possa mais facilmente viver com justiça e merecer a vida eterna, como se, por livre vontade sem graça, pudesse fazer os dois, embora dificilmente e com dificuldade; deixe-o ser um anátema.CANON III. Se alguém diz que, sem a inspiração preventiva do Espírito Santo, e sem a sua ajuda, o homem pode acreditar, esperar, amar ou ser penitente como deveria, de modo que a graça da Justificação lhe seja concedida; deixe-o ser um anátema.” Agradecido de ouvir que você concorda com os fundamentos da soteriologia católica. Você não está longe da plenitude da verdade cristã. continue Lendo: CANON XI.- Se alguém diz que os homens são justificados, seja pela única imputação da justiça de Cristo, seja pela única remissão dos pecados, com exclusão da graça e da caridade que é derramada em seus corações pelo o Espírito Santo, e é inerente a eles; ou mesmo que a graça, por meio da qual somos justificados, é apenas o favor de Deus; deixe-o ser um anátema. Sim, sola gratia: graça, caridade e o Espírito Santo vivendo em nossos corações. Nega apenas a imputação, que é uma invenção protestante 15 séculos após Cristo, e não encontrada na Sagrada Escritura nem nos pais da Igreja. E com relação à Sola Christus? Isso é expresso nos Capítulos 2-3 sobre a justificação: ‘’CAPÍTULO II. Sobre a dispensação e o mistério do advento de Cristo. De onde aconteceu que o Pai celestial, o pai das misericórdias e o Deus de todo o conforto, quando chegou a abençoada plenitude do tempo, enviou aos homens, Jesus Cristo, Seu próprio Filho – que tinha sido, antes da Lei e durante o tempo da Lei, anunciado por muito dos santos patriarcas e prometido que redimiria os judeus que estavam sob a Lei, e os gentios, que não seguiram a justiça, pudessem alcançar a justiça, e que todos os homens possam receber a adoção como filhos. Ele Deus propôs como propiciador, pela fé no seu sangue, por nossos pecados, e não apenas por nossos pecados, mas também por aqueles do mundo inteiro.CAPÍTULO III.Quem é justificado por meio de Cristo.Mas, embora Ele tenha morrido por todos, ainda nem todos recebem o benefício de Sua morte, mas aqueles que se comunica o mérito de Sua paixão. Pois como na verdade, os homens, se não nascessem propagados da semente de Adão, não nasceriam injustos, visto que, eles contraem através dele, quando são concebidos, a injustiça como sua própria, Se não nascessem de novo em Cristo, nunca seriam justificados; vendo que, naquele novo nascimento, lhes é concedido, através do mérito de Sua paixão, a graça pela qual são feitos justos. Por todo este benefício, o apóstolo nos exorta a dar graças ao Pai, que nos fez dignos de ser participantes da sorte dos santos na luz, e nos libertou do poder das trevas e nos transladou para o Reino do Filho do seu amor, em quem temos a redenção e a remissão dos pecados.’’ Que Deus o abençoe em todas as coisas boas e leve você à luz da plenitude da verdade. Prosseguindo… Para mais informações sobre Trento e soteriologia, veja meu resumo útil. Leia mais em: http://www.patheos.com/…/catholicism-false-gospel-exchange-…

  • São Cirilo de Alexandria: discurso panegírico em honra à santíssima virgem Maria no concílio de Efés

    DISCURSO PRONUNCIADO NO CONCÍLIO DE ÉFESO * (P.L. 77, 1029-1040) Grande honra, para mim, elevar a voz ante tão ilustre assembléia de veneráveis Padres. Meu ânimo, profundamente penalizado pela ímpia blasfêmia de Nestório, suspirava pela celebração deste Concílio, cheio de harmonia e de encantos, concílio angélico, celestial. Nele vejo congregados os mestres da piedade, os que são colunas e corifeus de nossa fé, seus baluartes inexpugnáveis, seus portos bonançosos, seus prudentes e fiéis dispensadores, seus sábios arquitetos, os que assinalam com sua vida de evangelização na terra os roteiros do céu, os êmulos dos profetas, os sucessores dos apóstolos, os pontífices das santas igrejas, vingadores da blasfêmia criminosa; da perseguição que padecemos e dos ultrajes infligidos à nosso prestígio. Quanta alegria vendo-vos sentados no formoso e divino trono do sacerdócio, derramando doçura e suavidade, pregoeiros espirituais do saber divino, que vindes das quatro partes do mundo, sem que as inclemências do ar, as tormentas do mar, o indómito furor das ondas, os ventos ou as tempestades tenham sido suficientes para vos impedir de vir aqui e associar-vos ao entusiasmo dos fiéis. Muito pelo contrário; pressurosos, nas asas de vossos desejos (direi melhor: levados pelo temor de Deus e armados com a cruz), viestes para mostrar-vos sábios defensores da Mãe de Deus! Confortados com vossas santas orações, demos a esta cidade os parabéns por tanta felicidade! Salve, cidade de Éfeso, mais formosa que os mares, porque em vez dos portos da terra, marcaram encontro em ti os que são portos do céu! Salve, honra desta região asiática semeada por todos os lados de templos, como preciosas jóias, e consagrada, no presente, pelos benditos pés de muitos santos Padres e Patriarcas! Com sua vinda, cumularam-te de toda bênção, porque onde eles se congregam, aumenta e multiplica-se a santidade: religiosos fiéis, anjos da terra, afugentam eles, com sua presença, todo satânico poder e toda afeição pagã, tanto a dos porfirianos como a dos sabelianos, apolinaristas, fótinianos… Eles, repetimos, confundem toda heresia e são glórias de nossa fé ortodoxa. ? Salve, bem-aventurado João, apóstolo e evangelista, glória da virgindade, mestre da honestidade, exterminador de toda fraude diabólica, destruidor do templo de Diana, porto e defesa de Éfeso, conforto dos pobres, refúgio dos aflitos, refrigério e descanso da cidade e de seus moradores. Salve, vaso puríssimo da temperança! A ti a virgem, confiou, na cruz, nosso Senhor Jesus Cristo a Mãe de Deus, sempre virgem! Salve, ó Maria, Mãe de Deus, virgem e mãe, estrela e vaso de eleição! Salve, Maria, virgem, mãe e serva: virgem, na verdade, por virtude daquele que nasceu de ti; mãe por virtude daquele que cobriste com panos e nutriste em teu seio; serva, por aquele que tomou de servo a forma! Como Rei, quis entrar em tua cidade, em teu seio, e saiu quando lhe aprouve, cerrando para sempre sua porta, porque concebeste sem concurso de varão, e foi divino teu parto. Salve, Maria, templo onde mora Deus, templo santo, como o chama o profeta Davi, quando diz: “O teu templo é santo e admirável em sua justiça” 1. Salve, Maria, criatura mais preciosa da criação; salve, Maria, puríssima pomba; salve, Maria, lâmpada inextinguível; salve, porque de ti nasceu o sol da Justiça! Salve, Maria, morada da infinitude, que encerraste em teu seio o Deus, infinito, o Verbo unigénito, produzindo sem arado e sem semente a espigá incorruptível! Salve, Maria, mãe de Deus, aclamada pelos profetas; bendita pelos pastores, quando com os anjos cantaram o sublime hino de Belém: “Glória a Deus nas alturas e paz na terra aos homens de boa vontade” 2. Salve, Maria, Mãe de Deus, alegria dos anjos, júbilo dos arcanjos que te glorificam no céu! Salve, Maria, Mãe de Deus: por ti adoraram a Cristo os Magos guiados pela estrela do Oriente; salve, Maria, Mãe de Deus, honra dos apostolos! Salve, Maria, Mãe de Deus, por quem João Batista, ainda no seio de sua mãe exultou de alegria, adorando como luzeiro a perene luz! Salve, Maria, Mãe de Deus, que trouxeste ao mundo graça inefável, da qual diz são Paulo: “apareceu a todos os homens a graça de Deus salvador” 3. Salve, Maria, Mãe de Deus, que fizeste brilhar no mundo aquele que é luz verdadeira, a nosso Senhor Jesus Cristo, que diz em seu Evangelho: “eu sou a luz do mundo!” 4 Deus te salve, Mãe de Deus, que aluminastes aos que estavam em trevas e sombras de morte; porque o povo que jazia nas trevas viu uma grande luz 5, uma luz não outra senão Jesus Cristo nosso Senhor, luz verdadeira que ilumina todo homem que vem a este mundo. Salve, Maria, Mãe de Deus, por quem se apregoa nos evangelhos: “bendito o que vem em nome do Senhor!” 7, por quem se encheram de igrejas nossas cidades, campos e vilas ortodoxas ! Salve, Maria, Mãe de Deus, por quem veio ao mundo o vencedor da morte e o destruidor do inferno! Salve, Maria, Mãe de Deus, por quem veio ao mundo o autor dá criação e o restaurador das criaturas, o Rei dos céus! Salve, Maria, Mãe de Deus, por quem floresceu e refulgiu o brilho da ressurreição! Salve, Maria, Mãe de Deus, por quem luziu o sublime batismo de santidade no Jordão! Salve, Maria,, Mãe de Deus, por quem o Jordão e o Batista foram santificados e o demônio foi destronado! Salve, Maria, Mãe de Deus, por quem é salvo todo espírito fiel! Salve, Maria, Mãe de Deus, — pois acalmaste e serenaste os mares para que pudessem atravessá-los com bonança, nossos servos e cooperadores, conduzindo-os, com alegria e júbilo espiritual, a esta assembléia de entusiásticos defensores de tua honra! A vinda dos santos Padres inundou de paz esta terra, perturbada pelos ladrões (da heresia), como estava escrito: “Como são belos os pés dos que anunciam a paz…” 8 Que paz? A paz que é nosso Senhor jesus Cristo, anunciador da paz, que diz nos evangelhos: “Minha paz vos dou” 9. Que paz? A paz que o blasfemo Nestório perturbara, negando que de Maria Virgem nasceu o Verbo Filho de Deus, nosso Senhor Jesus Cristo. Ele não quis reconhecer a inviolável virgindade de Maria, nem crer na palavra do arcanjo: “Ave, cheia de graça, o Senhor é contigo”. Subornador de incautos, para despojar da divindade o unigênito Filho de Deus, inventou essa blasfêmia, essa ruína das almas. Já vos falei longamente de suas más artes, ao expor-vos a passagem de Jeremias: “ a perdiz chocou os ovos que não pôs” 10. E agora que esse homem funesto e blasfemo, enfatuado com a proteção dos poderosos, crendo-nos aterrorizados, assiste a nosso triunfo, digamos com gemidos e lágrimas de gratidão a Deus: “mais vale esperar no Senhor que nos príncipes” 11. Se o execrável heresiarca, valendo-se de toda classe de armas, tratou de seduzir os poderosos e as próprias pessoas reais, repitamos nós agora com o Rei profeta: “eles vêm em carros e em cavalos, porém nós nos apoiamos no nome do Senhor nosso Deus” 12. Se tivesse eu algo a dizer aos poderosos do mundo, ou ao piedosíssimo imperador, não me envergonharia nem tampouco temeria, porque me conforta sempre o profeta Davi, com suas palavras: “falarei diante de reis, e não serei confundido” 13. Quem jamais ouviu coisas tão horrendas e tão terríveis? Cristo, Deus Verbo, anunciado pelos profetas e pregado pelos apóstolos,transformado aqui em puro homem! Chamar a Mãe de Deus, Mãe tão-somente de um homem! Não me faleis já da audácia daqueles ingratos e malvados judeus que mataram a Jesus Cristo. ‘Quem não vê ser mais criminosa a blasfêmia de quem os escusa dizendo: vós crucificastes apenas um homem? O erro dos gentios, aqueles ímpios e nefandos sacrifícios que eram oferecidos às próprias pedras; os abomináveis intentos e a horrível heresia de Ario; a funestíssima blasfêmia dos maniqueus; as detestáveis maquinações de Sabélio, Porfírio, a do maligno Fotino, cuja blasfêmia reproduz ousadamente que digo? a todos supera em maldade, chegado ao cumulo da soberba, para fazer suas estas palavras: “ destruirei meus celeiros e edificarei outros maiores, ao que lhe respondeu o Senhor: Insensato! Esta mesma noite meus anjos hão de exigir de ti a entrega de tua alma; de quem será tudo que armazenaste? ” 14 Tua queda, ó Nestório, foi maior que tua soberba. Tu, perverso, nascido de estirpe impura, foste precipitado no abismo mais profundo da blasfêmia, desprezando,o grande Apóstolo, vaso de eleição, voz da Igreja, incenso evangélico e celeste, fonte odorífica; aquele que, levando cartas de perseguição, foi derrubado pela luz do céu no caminho de Damasco, aprendendo a escrevê-las tão formosas, confirmando com elas o mundo na fé da Trindade consubstanciai, de um só Senhor, de um só batismo; de um só Pai, um só Filho, um só Espírito Santo; da substância inseparável e simplicíssima; da divindade incompreensível do Senhor Deus de Deus, Luz de Luz, Esplendor da Glória, que nasceu de Maria Virgem, conforme o anúncio do Arcanjo: “Ave, cheia de graça, o Senhor é contigo, o Espírito Santo descerá sobre ti, e a virtude do Altíssimo te cobrirá com sua sombra, e por isso o santo que de ti nascer será chamado Filho de Deus vivo” 15. Não somente o sabemos pelo arcanjo Gabriel; também Davi, no vaticínio que canta diariamente a Igreja, nos diz: “O Senhor me disse: és meu filho; no dia de hoje te gerei” 16. Já o sábio Isaías, filho do profeta Amós, profeta nascido de profeta, o predissera: “Eis que a virgem conceberá, e dará à luz um filho e seu nome será Emanuel, que significa Deus conosco” 17. Se não queres crer nos profetas, nos apóstolos, no arcanjo Gabriel, imita ao menos teus companheiros de petulância, os demônios, que gritaram horrorizados: “Que temos de comum contigo, Jesus, filho de Deus? Antes do tempo vieste a atormentar-nos?” 18 Se, então, o próprio demônio disse: “antes do tempo”, eis que agora, por fim, chegou em ti. Coisa tremenda e assombrosa! Os demônios, com seu pai, o diabo, chamam Filho de Deus o que nasceu de Maria Virgem. Nestório reduz a um mero homem o Filho de Deus; e, com a conversãoque nesciamente imagina, inventou perverter e enganar o piedosíssimo imperador, servo e amigo da fé ortodoxa, e, juntamente com ele, as esclarecidas e santas rainhas. Foram, porém, estéreis seus esforços. Repartiu aos homens sedentos de ouro o dinheiro dos pobres, crendo poder assim impugnar a verdade, mas sua própria ambição de lucro nefando o fez naufragar miseravelmente* Naufragou no porto, por não jogar as âncoras da fé. Submerso em males, tornou-se teatro de tragédia, para o mundo inteiro. Contava,sim, persuadir os cultores da piedade, por não entender em sua mente entenebrecida, a doutrina dos pais, apóstolos, evangelistas e arcanjos; tentava estabelecer na terra uma religião ímpia e malfazeja. Mas não nos colheu de surpresa, nem desarmados contra seu intento ímpio e blasfemo. Não estava nossa esperança vinculada às forças militares, nem ao poder e brilho do ouro, e assim o combatemos, opondo-lhe as santas Escrituras, divinamente inspiradas. Essas armas não são carnais ou terrenas, mas espirituais e celestes, como predisse o apóstolo são Paulo. Ninguém, porém, ao ouvir-nos dizer estas palavras, julgue que nos alegramos com sua desgraça! Ao contrário: quando caíste ao fundo de tua blasfêmia, estendemos-te a mão através de cartas; e se insististe em contumácia, foi desprezando nossas advertências. Testemunha disso é Celestino, santíssimo arcebispo de todo o orbe, Pai e Patriarca da grande cidade de Roma, o qual diretamente te escreveu, exortando-te a que desistisses de tua inconcebível blasfêmia. Desobediente para com ele, tu te vangloriaste e te envaideceste na insensatez. Convertido em inovador do mundo, perturbaste a paz das quatro partes da terra; e por tua causa foi necessário que todos os santos se congregassem aqui, à custa de mil fadigas. Por isso Deus te destituirá de teu sacerdócio, te privará da sabedoria dos Padres, e serás afastado da cidade imperial e do trono pontifical, que injustamente obtiveste. “Por isso, os justos verão e temerão, rir-se-ão de ti e dirão: eis um homem que não tomou a Deus como seu defensor, mas preferiu esperar nas riquezas, e se ensoberbeceu em sua vaidade” 19. Todos, porém, os que formos seguidores da verdade do Evangelho, permaneceremos, como disse o profeta, “como a oliveira fértil na casa de Deus” 20, glorificando a Deus Pai todo-poderoso, a seu Filho unigênito, que nasceu de Maria, e ao vivificante Espírito Santo,que se comunica a todos a vida; submissos aos fidelíssimos imperadores, honrando as rainhas, discretas e santas virgens, e pedindo que a rainha desposada tenha sucessão e persevere em sua piedade para com Deus e em seu amor à fé ortodoxa de Cristo Jesus, nosso Senhor, a quem se deve glória pelos séculos dos séculos. Amém. ————————————————————————————————————– * Sobre a autenticidade desta famosa homília ver Altaner, Patrologia, Edições Paulinas, p. 290. 1 Sl 64,6 2 Lc 2,14 3 Tt 2,1 4 Jo 8,12 5 Is 9,2 6 Jo 1,9 7 Mt 21,9 8 Is 52,7. 9 Jo 14.27. 10 Jr 17,11. 11 SI 117,9. 12 SI 19,8. 13 SI 118,46. 14 Lc 12,18. 15 Lc 1,35. 16 SI 2,7. 17 Mt 1,23. 18 2Cor 10,4. 19 SI 51,8. 20 Ibid., 10. —————————————————————————————————————-

  • São Cirilo de Alexandria foi um legado papal no concílio de Eféso (423 D.C)

    ”Na  própria Ata do concilio de Éfeso, há a seguinte menção sobre São Cirilo: ‘’Por Cirilo de Alexandria, que veio em nome do mais sagrado e santo (Papa) Celestino, Arcebispo da igreja de Roma’’ (Tradução por Ryan Grant) O texto Grego e Latino podem ser vistos lado a lado neste link: https://books.google.com.br/books… Mas além disso, encontrei uma citação interessante ao ler o Pe. Francis Dvornik’s “The Idea of Apostolicity in Byzantium” (Página 135). Aparentemente, quando o imperador Anastácio perguntou ao papa Anastácio II (497) sobre como resolver o cisma acaciano, alguns legados do Patriarca de Alexandria haviam dado uma carta aos legados papais em Constantinopla. Essa carta diz o seguinte: “As veneráveis igrejas santas das cidades de Roma e Alexandria sempre preservaram a concórdia, não só na fé verdadeira e imaculada desde o tempo em que a palavra de salvação foi pregada neles, mas também no ministério divino. Ou seja, em ambos os fundamentos da fé foi estabelecido pelo mesmo homem – queremos dizer o abençoado apóstolo Pedro, cujo imitador em tudo era o Santo evangelista Marcos – de modo que, sempre que acontecesse, em tempos de incerteza, alguns concílios de bispos deveriam ser mantidos, o homem mais santo que presidia a igreja de Roma costumava delegar o mais reverente arcebispo da cidade de Alexandria para ocupar seu lugar “(Collectio Avellana, pg 469) Para o latim, veja o link. https://archive.org/stream/epistulaeimperat01gnth… Isso obviamente isso é uma demonstração de bastante pompa, mas mostra também que em 497 D.C, o patriarca de Alexandria pensou que no passado o bispo de Roma delegou o Patriarca de Alexandria para o representar no concílio. Não há dúvidas que ele tinha Cirilo em sua mente. No contexto histórico, pouco antes do Concílio de Éfeso, o Papa Celestino escreveu uma epístola a Cirilo com as instruções para a excomunhão de Nestório, e aqui ele delega Cirilo com as seguintes palavras: “E assim, apropriando-se da autoridade da nossa sé, e usando nossa posição, você deve com severidade resoluta levar a cabo esta sentença [de excomunhão] …” (P.L. 50, 463) O próprio Concílio de Éfeso fez referência a esta carta papal em sua própria epístola aos imperadores Teodósio e Valentiniano em 11 de julho de 431: “E agora eles aprovaram de comum acordo a nossa sentença sobre a fé, e aqueles que diferiram se declararam cortados do sacerdócio. E, antes da assembléia deste sínodo, Celestino, bispo da grande Roma, mostrou sua carta a Cirilo, amado de Deus, bispo da grande cidade de Alexandria, a quem designou para agir em seu lugar … ” Fonte: https://archive.org/…/Documents_Illustrating_Papal_Authorit… E como quase todos sabem, os legados do Papa no Concílio deixaram claro que o bispo de Roma era o chefe do Concilio e que as decisões dos bispos unindo-se a sua cabeça eram as mais apropriadas. Eu cito aqui abaixo: “Filipe, o presbítero e legado da Sé Apostólica, disse:” Não há dúvida e, de fato, tem sido conhecido em todas as idades, que o santo e abençoado Pedro, o príncipe (ἔξαρχος) e o chefe dos Apóstolos, pilar da Fé e fundamento (θεμέλιος) da Igreja Católica, recebeu as chaves do reino de nosso Senhor Jesus Cristo, o Salvador e Redentor da raça humana, e a ele foi dado o poder de perdoar e reter os pecados: Quem até hoje para sempre vive pra julgar em seus sucessores. O santo e abençoado papa Celestino, de acordo com a ordem devida, é seu sucessor e ocupa seu lugar, e nós o enviamos para representar seu lugar neste santo sínodo, que os imperadores mais humanos e cristãos mandaram reunir, tendo em mente e constantemente vigiando a fé católica. “(Sessão III) e “Filipe, presbítero e legado da Sé Apostólica, disse: Oferecemos nossos agradecimentos ao santo e venerável Sínodo, que, quando os escritos de nosso sagrado e santo papa lhe haviam sido lidos, os santos membros pelas nossas [ou suas] santas vozes, Vocês se juntaram à santa cabeça também por suas sagradas aclamações. Pois a vossa bem-aventurança não ignora que a cabeça de toda a fé, a cabeça dos apóstolos, seja abençoada, Pedro apóstolo. “(Sessão II) Penso que há provas suficientes para sugerir que o Concílio de Éfeso aceitou a Primazia Romana, pelo menos em terras petrinas, e que seu julgamento foi reverenciado como vindo daquele que preside os Concílios. Penso que, pelo menos, isso deve servir de corretivo para aqueles que argumentam que os cristãos orientais nunca aceitaram a origem petrina da primazia de Roma e que era Pedro quem era a rocha e o detentor de chave sobre o Reino de Cristo. O legado Felipe, até mesmo diz que a sucessão de Pedro é perpétua, sem qualquer disputa. Mas, precisamos de mais informações para resolver o significado disso. Eu acho que Dom Christopher Butler resumiu gentilmente a iniciativa do Papa São Celestino (430 D.C) quando foi notificado da heresia obstinada do Patriarca de Constantinopla, Nestório, e a própria perspectiva sobre o problema: “Este breve resumo mostra que o bispo de Roma estava preparado para excomungar o bispo de Constantinopla da Igreja Católica por sua própria autoridade e que Cirilo de Alexandria estava pronto para agir no mandato do Papa na execução desta sentença; Que quando o imperador interpôs um concílio, o Concílio considerou-se obrigado a cumprir as instruções do Papa; E sobre o assunto que essas instruções não haviam previsto (o caso de João de Antioquia e seus companheiros), a ação do Concílio não foi considerada como final pelo Papa, cujo desejo por uma solução mais pacífica foi aceito e efetivado. Cirilo era, naturalmente, a personalidade líder no Concílio, e pode-se simpatizar com a queixa do condenado Nestório, que escreve: “Quem foi o juiz? Cirilo. Quem foi acusador? Cirilo. Quem foi Bispo de Roma? Cirilo. Cirilo era tudo ” Assim, Nestório sente que a autoridade do chefe da Igreja estava sendo abusada por seu próprio inimigo mais amargo. Por outro lado, de Eutiques, que mais tarde caiu no erro oposto dele, Nestório diz: “Ele havia recebido julgamento. Que outro julgamento era necessário além do que o bispo de Roma havia feito? “(A Igreja e a infalibilidade, Dom B. C. Butler – Página 174) Traduzido do site: https://erickybarra.wordpress.com/2017/08/11/st-cyril-of-alexandria-was-papal-legate-at-ephesus-i-a-d-431/

  • Por que a Igreja é Romana?

    – Por que Roma? Quais os motivos que levaram os Apóstolos e Padres da Igreja a levar a sede para Roma? Seria uma estratégia de expansão?… No Evangelho, Cristo vai da Galileia a Jerusalém, capital do mundo judeu. Nos Atos dos Apóstolos, a Igreja vai de Jerusalém a Roma, capital do mundo pagão. Roma do tempo do Império era chamada (cf. Apocalipse) de “Babilônia”. Lá onde os cristãos foram mais perseguidos; lá onde seu líder, o encarregado de cuidar das ovelhas, primeiro papa Pedro, foi crucificado e enterrado (hoje basílica de São Pedro). (…) Roma (antiga) foi uma perdição total, um antro de pecado, capital do mundo pagão. Lá o pecado era abundante. Então… seria esta a resposta?: ‘Onde abundou o pecado, superabundou a graça’ (Romanos 5,20). Pode não ser a resposta correta, mas com certeza foi um dos motivos!”[1]. a) O fato é que nós, católicos, cremos num Deus que é capaz de transformar: águas amargas em doces (cf. Êxodo 15,23-25); veneno, em vida; uma prostituta, numa fidelíssima esposa. Assim, é que, a Roma ímpia e acossadora dos cristãos se tornou a Roma defensora da Sacra Religião Cristã. A Grande Prostituta, e que tinha sete dominadores (ou sete reis/colinas, cf. Apocalipse 17,9), tornou-se a grande Testemunha da Fé no Ressuscitado; à semelhança daquela pecadora, Maria Madalena, a qual havia sido dominada por sete demônios (cf. Lucas 8,2) e que se transformou na fervorosa anunciadora do Cristo Ressuscitado. O que Deus operou em Maria Madalena, similarmente, Ele operou naquela iníqua Urbe, cidade que tanto absorveu do sangue dos mártires de Deus, que ela própria acabou, como que, sendo santificada por esse mesmo sanguíneo… Destruído foi o orgulho do paganismo, pois, de inicialmente perseguidora – como o fora também o próprio Apóstolo Paulo – passou a ser a mais incansável difusora e propaladora da Santa e Divina Fé. Cidade na qual segundo a Tradição tanto aquele a quem fora confiado o evangelho dos incircuncisos (Gálatas 2,7), Paulo, como o dos circuncisos (Gálatas 2,7), Pedro, regaram-na com o líquido abençoado das suas veias! b) Foi isso que Deus fez com a cruz – sinal de morte e maldição, a qual transmutou em signo de bênção e salvação -, podemos melhor compreender e visualizar o que Ele operou com relação ao Império Romano e, em destaque, com a Capital Imperial… A própria cruz, que era um instrumento de execução utilizado pela gentilidade, foi justamente o que fora tomado pelo Senhor, e pelos cristãos, como o grande símbolo missionário do seu Reino. É de se ter certeza ainda que Deus, na sua onisciência, já sabia (ou melhor, Ele que desde sempre sabe) que um dia, os romanos, que fincavam no solo do mundo cruzes de morte, fincariam, em lugar destas, cruzes de vida e redenção (os emblemas da fé cristã). E, assim, como do veneno da cobra a ciência dos homens produz o soro que salva; assim, também, da pestilenta Roma pagã, a Ciência Divina produziu a Roma Cristã. Na boca dessa cidade pagã (espiritualmente falecida), como na do leão morto narrado no livro dos Juízes (cf. 14,8-9), viçou esse maravilhoso favo de mel (que comunica a precisa Palavra do Céu, alimento para pais e filhos) que é a Sé Romana. É nela que haveria de se conservar toda doutrina agradável a Deus, doce alimento para a humanidade; mas que, por ser palavra profética, é amargo no estômago(Apocalipse 10,9; Ezequiel 3,3). c) – “A Igreja futura… que haveria de chamar-se ‘Igreja Romana’, começava, de forma misteriosa, em torno do Calvário, a função que viria a desempenhar no mundo. Os romanos imolavam a vítima e levantavam-na à vista da turba. Os futuros guardiões da unidade da Igreja recusarão rasgar a túnica de Jesus. Depositários da fé, serão os primeiros a escrever e a sustentar o principal dogma da nova crença: a realeza de Cristo… e assim, não parece que os romanos inauguravam e justificavam, embora de forma inconsciente, desde o Calvário, o seu destino imortal?”[2]. É de impressionar que, nos desígnios do Altíssimo, de fato, o Cordeiro de Deus tivesse sido imolado, não pelas mãos dalgum judeu, mas pelas mãos de romanos ou seja, da gentilidade (obviamente, os soldados romanos inconscientemente realizavam o verdadeiro e perfeito sacrifício de toda História). Assim, os ministros de tal sacrifício (em que se travestira, misteriosamente, aquela cruenta execução) estarão perpetuamente ligados ao nome romano… E se a maior autoridade judaica (o sumo sacerdote) havia considerado Jesus culpado; em contrapartida, a maior autoridade romana (presente em Israel), Pôncio Pilatos, o considerara inocente. Portanto, é da boca da autoridade romana que a verdade foi proferida. Por ele (pelo poder romano) é que foi proclamada a pureza do cordeiro que veio a ser sacrificado cumprindo a exigência da Lei, que exigia a avaliação e atestado de perfeição do que haveria de ser sacrificado. Os soldados, quando crucificaram Jesus, tomaram suas roupas e repartiram em quatro partes, uma para cada soldado (João 19,23). Ora, as vestimentas de Cristo faz as vezes das peles dos animais que eram sacrificados; e, como tais, cabiam aos sacerdotes que agora, no sacrifício da Nova Aliança, era realizado por soldados ROMANOS; coube a estes a função de novos levitas. Dizem até que: A cruz havia sido erguida de tal sorte que Jesus voltava as costas a Jerusalém e olhava para o Ocidente, para a cidade Eterna[3]. Para Roma! d) Até no seu nascimento, Nosso Senhor quis estar associado à Roma, isto é, ao Império Romano; pois nasceu durante um censo romano: – Naquele dias apareceu um edito de César Augusto, ordenado o recenseamento de todo mundo habitado… E todos iam se alistar, cada um em sua própria cidade. Também José subiu da cidade de Nazaré, na Galileia, para a Judeia, na cidade de Davi, chamada Belém, por ser da casa e da Família de Davi, para se inscrever com Maria, sua mulher, que estava grávida (Lucas 2,1-5) de sorte que, segundo a Bíblia, o Sagrado Casal de Nazaré foi registrado em um documento ROMANO. E, assim, o cumprimento da profecia do nascimento do Messias está escrituristicamente associado a um edito de César. Junto ao estabelecimento da Antiga Aliança houve também, associado, um censo: só que hebraico (cf. Números 1,1-2). Agora, porém, como era a gentilidade que assumiria, de forma maciça a Nova Aliança, eis que em seu surgir houve um novo censo, gentílico. O novo Povo de Deus (que é também o Corpo Místico de Cristo), principiado e figurado por Maria e José, tivera que se submeter a ele. A um censo ROMANO! Censo que – acredito eu – mui adequadamente poderia ser chamado de CATÓLICO; haja vista que está escrito que o mesmo era um “recenseamento universal”: em todo mundo habitado (Lucas 2,1). Recorde-se que a palavra “católico” quer dizer “universal”. e) Muitos outros elementos igualmente apontariam ou, pelo menos, indicariam a romanização já profetizada nos textos sacros. Não a toa, a fé que é sobredestacada por Cristo em sua Missão Pública é a de um centurião (militar) romano: – Quando o centurião mandou alguns amigos dizerem… ouvindo isso, Jesus ficou admirado e, voltando-se para a multidão que o seguia, disse: ‘Eu vos digo que nem mesmo em Israel encontrei tamanha fé’ (Mateus 8,10). Além disso, o primeiro lar pagão a receber uma visita apostólica foi o de um outro centurião romano! E o apóstolo aí enviado, pelo próprio Altíssimo, foi justamente Pedro: – O centurião Cornélio… recebeu de um santo anjo o aviso para chamar-te à sua casa(Atos 10,22). E até quem fez uma notável confissão, no Calvário, foi também um outro centurião: – O centurião [romano], que se achava bem defronte dele… disse: ‘Verdadeiramente este homem era Filho de Deus!’(Lucas 23,47). Todos, homens afeitos às armas!… Todos, ligados ao Poder Romano! f) Certamente, quando ainda estava no mundo, Maria (a Mãe do Senhor) já intercedia para que as muitas águas (Apocalipse 17,1.15) que representavam o Império Romano e os povos que o compunham fossem transformadas em vinho bom, alcançando com isso que o Nome de seu Divino Filho, Jesus Cristo, fosse glorificado entre as nações; ela que é o protótipo da Igreja e – como costumo dizer – a primeira Igreja do Deus Vivo, a que primeiramente recebeu o Cristo dentro de si (e falo aqui, antes, do fato dela tê-lo recebido primeiramente pela fé, no coração; pois foi crendo, que o Verbo se fez carne em seu benditíssimo seio; Foi a fé em Deus, que ela nutria, que a fez receptáculo de Deus em sua carne). Sem dúvida, a mulher do Apocalipse é a Virgem Mãe do meu Senhor, Maria Santíssima; entretanto, nada obsta que, por figuração, represente a própria Igreja do Altíssimo que também é Mãe e Virgem, como já dizia Santo Agostinho[4]… E que descrição magnífica! Poder-se-ia vislumbrar aqui, a despeito da romanicidade da Ecclesia de Deus, porquanto a ela foram dadas as asas de uma grande águia (Apocalipse 12,14) que, coincidentemente, é o emblema-mor do Império Romano! g) Está escrito na Epístola aos Romanos: – Todas as Igrejas de Cristo vos saúdam (Romanos 16,16). A respeito disto, curiosamente a “Bíblia de Jerusalém” traz o seguinte comentário: – “A fórmula, insólita em São Paulo, demonstra a veneração que ele devota à Igreja de Roma”[5]. De fato, a expressão todas as igrejas saúdam” não aparece em nenhum outro escrito paulino… Também Santo Inácio de Antioquia, pelo ano 110 d.C., de modo incomum, saúda a Igreja de Roma assim: – “À Igreja que preside na região dos romanos, digna de honra, digna ser chamada feliz, digna de louvor, digna de sucesso, digna de pureza; que preside ao amor, que porta a lei de Cristo, que porta o nome do Pai: eu a saúdo em nome de Jesus Cristo”.[6] [Saudações ímpares que igreja nenhuma em todo o mundo recebeu, em momento nenhum…] ADENDOS 1. A titulação Romana da Igreja refere-se ao lugar onde se encontra a suprema autoridade visível dela, isto é, onde se encontra a Sé Papal… No entanto, o termo romano traz em si, em certa medida, o próprio significado da catolicidade ou universalidade da Igreja, haja vista: – “A palavra ‘romano’ aplicava-se a todas as pessoas que possuíam cidadania romana independentemente da língua, raça, cultura ou lugar de nascimento. São Paulo, por exemplo, era judeu de Tarso, na Cicília, mas também cidadão romano”[7]. Por conseguinte, não é um vocábulo restrito topograficamente à cidade de Roma. De modo que alguém podia ser romanp sem ter nascido, vivido ou conhecido pessoalmente a chamada Cidade Eterna! 2. Mas dirão: o título romano não é dogmático!!… Se não é, então, quisera que o fosse… Acaso eu não posso desejar algo dessa monta, ainda que nunca venha a acontecer? Digo mais: quão excelente seria também se, a partir do próximo Romano Pontífice, os Papas eleitos assumissem o nome de Pedro; de sorte que, quando Cristo voltasse, o nome do último Vigário seu seria igualmente PEDRO (seja Pedro II, seja Pedro III, seja Pedro IV, etc). E, assim, a Igreja iria, nominalmente, de Pedro a Pedro!!! Também almejo que a chamada Missa de São Pio V seja realizada em todo o Orbe. E se não existir a possibilidade de celebrá-la em todos os santuários católicos do mundo inteiro, que ao menos nas Basílicas espalhadas pelo planeta houvesse a obrigatoriedade de uma celebração dessas nos domingos e nos mais dias de festas. 3. Ainda que Madalena não tivesse sido uma prostituta na carne (como vários afirmam), isso não impediria da mesma ter sido prostituta espiritualmente isto é, servido a outros senhores (falsas divindades) e não o Deus Verdadeiro… 4. A Igreja é o Corpo de Cristo, conforme ensina-nos as Santas Escrituras: – “Maria deu à luz corporalmente a Cabeça deste corpo. A Igreja dá à luz espiritualmente os membros dessa Cabeça. Nem em Maria nem na Igreja, a virgindade impede a fecundidade. E nem em uma nem em outra, a fecundidade destrói a virgindade”[8]. 5. Disse Nosso Senhor Jesus Cristo: – Não penseis que vim trazer a paz a terra à terra. Não vim trazer a paz, mas a espada (Mateus 10,34). Se eu pudesse dar um presente que considerasse mui adequado ao Romano Pontífice, imitando o profeta Jeremias que presenteara a Judas Macabeu (líder do Povo de Deus), dar-lhe-ia uma espada dourada: – Jeremias entregou a Judas uma espada de ouro, pronunciando estas palavras enquanto a entregava: ‘Recebe esta espada santa, presente de Deus, por meio da qual esmagarás teus adversários’(2Macabeus 15,15-16). E desejaria que ele a trouxesse à cintura, embainhada… Fosse assim um signo da animosidade que há entre os Filhos da Luz e a Besta, a qual segundo as Escrituras deverá ser ferida por um gládio: – Besta que tinha sido ferida pela espada (Apocalipse 13,14). Será que a respeito do último pontífice da Igreja também se cumprirá o que foi dito: – Quando eras jovem, tu te cingias e andavas por onde querias; quando fores velho, estenderás as mãos e outro te cingirá e te conduzirá aonde não queres (João 21,18)? [É para se pensar…] _________ NOTAS [1] http://www.portaluniao.com/forum_viewtopic.php?29.5596. [2] Concilium Legionis Mariae. “Legio Mariae”. Dublin, 3ª ed., 1961, p. 434. [3] Cf. BOLO, “A Tragédia do Calvário”; in: Concilium Legionis Mariae. “Legio Mariae”. Dublin, 3ª ed., 1961, p. 434. [4] Cf. AGOSTINHO DE HIPONA, Santo. “A Virgem Maria: cem textos marianos com comentários”. São Paulo: Paulus, 2ª ed., 1996, p. 97. [5] BÍBLIA DE JERUSALÉM. São Paulo: Paulus, 1996, p. 2145. [6] Cf. INÁCIO DE ANTIOQUIA. “Coleção Patrística: Padres Apostólicos”. São Paulo: Paulus, 2ª ed., 1995, p. 103. [7] ENCICLOPÉDIA DELTA UNIVERSAL, vol. 13. Rio de Janeiro: Delta, 1982, p. 7018. [8] “A Virgindade Consagrada” II,2; in: AQUINO, Felipe Rinaldo Queiroz de. “Por que sou Católico”. Lorena: Cléofas, 3ª ed., 2002, p.141. Fonte: Veritatis Splendor

  • Fócio e o papado: um vislumbre (879-880 DC)

    Pouco antes do Sínodo de Constantinopla (879-80), o Papa João VIII havia escrito uma carta ao Imperador Basílio I sobre a reintrodução de Fócio após a morte de Santo nácio, que ocupava o trono episcopal antes. Fócio tinha sido realmente reconciliado com Santo Inácio e, na verdade, o canonizou após a morte dele. Esta carta de João VIII continha uma indicação clara de alguns dos elementos básicos das definições do Vaticano I sobre a fundação e prerrogativas do poder papal, e ambas em versões latinas e gregas. Aqui está a passagem a que me refiro: “Uma vez que pareceu desejável para nós trazer a paz para a Igreja de Deus, enviamos nossos legados para que eles possam executar a nossa vontade, mesmo assim, em sua instituição de caridade, você já nos antecipou, ao restabelecer Fócio. Aceitamos essa ação, que não foi feita por nossa própria autoridade, embora tenhamos o poder de fazê-lo, mas em obediência aos ensinamentos apostólicos. Como, de fato, recebemos as chaves do reino dos céus do Sumo Sacerdote, Jesus Cristo, por intermédio do Primeiro dos Apóstolos, a quem o Senhor disse: “Eu lhe darei as chaves do reino dos céus; Tudo o que você ligares sobre a Terra serás ligado no céu e tudo o que desligares na terra, serás desligado no céu “; Portanto, este trono apostólico [bispo romano] tem o poder de ligar e desligar, e isto de acordo com as palavras de Jeremias, arrancar e plantar. É por isso que, pela autoridade de Pedro, o príncipe dos Apóstolos, anunciamos a você em união com toda a Igreja e através de você como intermediário, anunciamos aos nossos queridos confrades e concelebrantes, os patriarcas de Alexandria, Antioquia e Jerusalém e Para os outros bispos e sacerdotes e para toda a Igreja de Constantinopla, que estamos de acordo com você, ou melhor, de acordo com Deus, e que concordamos com o seu pedido … Aceite esse homem sem hesitação “(Mansi 17, 400) A versão grega desta parte da carta de João foi retida, e mostra-nos que Constantinopla conhecia as reivindicações do Papa à jurisdição universal até o século 9. Agora, você notará a referência à passagem de Jeremias (1:10) pelas palavras “arrancar e plantar”. Esta alusão foi realmente usada pelo papa Nicolau I para descrever o poder imperial do imperador Miguel [predecessor de Basilo]. Portanto, é muito provável que tanto Fócio quanto Basilo soubessem que essa linguagem de arrancar e plantar estava se referindo ao poder jurisdicional. Fócio não só entendeu as reivindicações de Roma, mas ele parece ter aceitado, por mais insincero que fosse (se fosse). Ele escreve em uma carta a João o seguinte: “Podemos muito bem perguntar quem é o mestre que lhe ensinou a atuar dessa maneira? – certamente, acima de tudo, é Pedro, o líder dos Apóstolos, que o Senhor colocou à frente de todas as igrejas, quando lhe disse: “Alimente minhas ovelhas”. Nem é só Pedro, mas também os santos sínodos e constituições. E além disso, foram os decretos sagrados e ortodoxos estabelecidos pelos padres, como é claro a partir de seus escritos divinos e sagrados “(Mansi 17, 396 D, MGH, Epp VII, 167) Fonte:https://erickybarra.wordpress.com/2017/08/12/photius-papacy-a-glimpse-a-d-879-80/ #Igreja

  • A Mulher Na Idade Média

    __Nas assembléias urbanas ou nas comunas rurais, as mulheres têm o mesmo direito de voto dado aos De que época estou falando? _Acredite estou falando da Idade Média! Aqueles que duvidam, desacreditam e fazem gracejos, aviso que a fonte é a historiadora Régine Pernoud premiada pela Academia Francesa pelo conjunto de sua obra. (decida agora acredita em uma medievalista top, ou no “fessô da facul” ?) . Nos registros de pagamentos de impostos da cidade de Paris, no fim do século XIII, pode-se verificar uma multidão de mulheres exercendo as mais variadas funções : professoras, Médicas, boticarias (atual farmacêutica), tintureiras, copistas, miniaturistas, encadernadoras etc. Na Itália há um número considerável de registros da contribuição feminina para a medicina. Cito por exemplo para ilustrar, Dorotea Bucca. Ela ocupou uma cadeira de Filosofia e medicina na Universidade de Bolonha por mais de quarenta anos, tendo iniciado em 1390. Quem falar que os medievais se importavam apenas com a instrução masculina, está simplesmente falando asneira! Pois em Soissons, em 1403, o bispo Simão de Buey insiste com seus padres e diáconos, que zelem para que os pais enviem as crianças de ambos os sexos, ás escolas das cidades. Outra evidência da contribuição feminina no campo intelectual, é a mais conhecida enciclopédia do século XII, é de autoria de uma mulher Herrade de Lansberg. No século XII, o célebre Robert d’Arbrissel fundou um mosteiro feminino e um masculino em Fontevrault. e colocou ambos sob a autoridade de uma abadessa, Pétronille de Chemillé, que tinha 22 anos na ocasião. O caso de Fontevrault não foi único, diversos conventos duplos de monges e monjas, foram colocados sob a gestão de uma abadessa. Tal função por exemplo, foi exercida por Santa Brígida da Irlanda, no século V, em Kildare. Afirmo que religiosas lideravam comunidades monásticas e usavam uma insígnia típica de um bispo. A veneração á Virgem Maria, Mãe de Deus, permitiu que o homem medieval projetasse tamanho respeito á figura feminina. Tudo isso só confirma a tese de Jaques Le Goff, historiador francês que afirmou que: “Devesse a emancipação da mulher á Idade Média”, coisa que muitas mulheres até hoje em países não cristãos não gozam. O termo Idade Média continua a ser estupidamente usado em tom de desprezo, como uma forma de atacar e depreciar a Igreja Católica, esse preconceito só será combatido, com a dedicação dos católicos em estudar e se preparar para responder a esses ataques, pois o nosso primeiro papa deu nos a missão : I “Portanto, não temais as suas ameaças e não vos turbeis. Antes santificai em vossos corações Cristo, o Senhor. Estai sempre prontos a responder para vossa defesa a todo aquele que vos pedir a razão de vossa esperança, mas fazei-o com suavidade e respeito.” Pd 3,15 Régine Pernoud, A Mulher nos Tempos das Catedrais, O Mito da Idade Média Joana d’Arc : a mulher forte e Jaques Le Goff, Jornal La Nation 12/10/2005 Pintura retratando Dorotea Bucca

  • Cheia de graça em Lucas e eclesiástico

    Tanto no Eclesiástico quanto em São Lucas, é usado o particípio perfeito passivo de “χαριτόω” [charitôó], ou seja, “κεχαριτωμένος” [kecharitómênos]. O verbo χαριτόω significa “tornar cheio de graça, tornar agraciado”, o particípio perfeito passivo, portanto, é “tendo sido enchido de graça” ou “o que está cheio de graça” (ou favor etc.). Note que “χαριτόω” deriva de “χάρις” [cháris], “graça”. No Eclesiástico, a tradução de κεχαριτωμένος por “justo” deriva da opção feita por São Jerônimo ao traduzir o texto grego para o latim, mas não é a tradução literal, a tradução do termo grego em si. São Jerônimo traduz já interpretando, em outras palavras, ele implica na tradução a relação entre estar cheio de graça e ser justo, por isso opta pelo último vocábulo. Obs. Na transliteração, o “ch” das palavras gregas deve ser lido como o “rr” do português em palavras como “carro”. #mariologia

  • Tradição da doutrina cristã

    A doutrina é o que é ensinado, crido e confessado. A história da doutrina doutrina desde seu surgimento como um campo distinto de investigação, concentra-se no que é confessado, ou seja, nos dogmas como declarações normativas da crença cristã adotados pelas várias autoridades eclesiásticas e aplicados como o ensino oficial da igreja. A história do dogma está ligada ao desenvolvimento doutrinal antes ou depois da formulação dessas declarações normativas devido a sua ligação desse desenvolvimento com o dogma. Os pensadores cristãos, já nos primeiros séculos, começaram a distinguir entre a instrução que pretendiam “apontar os hábitos corretos” (Atanásio Ep. Fest. II. 3 pg 26.1405). A distinção foi sugerida pelo próprio método do novo testamento. Vemos o apóstolo Paulo, tanto na epístola aos Romanos quanto aos efésios, estabelecendo primeiro os “sermões dogmáticos”, definidos como sermões que contém um relato da vinda de Cristo e indicam e depois prosseguem com a exortação ética. A grande comissão de Mateus 28.19 também era vista como uma divisão da disciplina cristã em duas partes, a parte ética e a precisão dos dogmas. A história, ao relacionar o que é confessado ao que é crido e ensinado,leva e conta como as doutrinas se desenvolvem. (E nem por isso os pais da igreja foram hegelianos), sem estabelecer limites rígidos identificaremos o que é crido como forma de doutrina cristã presente nas modalidades de devoção, espiritualidade e adoração, o que é ensinado como o conteúdo da palavra de Deus extraído pela exegese dos testemunhos da Bíblia e transmitido às pessoas da igreja por meio da proclamação, da instrução e da teologia desenvolvida na igreja, tanto contra o falso ensinamento na igreja quanto contra os ataques de fora dela articulados em polêmicas e em apologéticas, em credo e em dogmas. Nessa história do desenvolvimento da doutrina, o credo e o dogma são importantes como um índice do que a igreja crê, ensina e confessa. Através da história fazendo uma retrospectiva podemos saber o que foi confessado, o que de fato foi ensinado e realmente crido. A relação entre crer, ensinar e confessar também envolve tanto a questão do sujeito quanto a da fonte do material para a história do desenvolvimento da doutrina mudará de forma gradual, mas firme. A questão do entendimento da história da doutrina da igreja, como o que a igreja crê, ensina e confessa com base na palavra de Deus podemos analisar como a igreja entendeu o que Jesus e os apóstolos ensinaram, esse é um processo contínuo, nem de perto é um produto entregue pronto. A forma tão definida que a doutrina cristã assume na história é . A palavra tradição, como o termo doutrina, refere-se simultaneamente ao processo de comunicação e ao seu conteúdo. Assim, o termo tradição significa a transmissão do ensinamento cristão durante o curso da história da igreja, mas também significa o conteúdo transmitido. Há um sentido em que a noção mesma da tradição parece inconsistente com a ideia de história como movimento e mudança. Pois se que a tradição é antiga, consagrada pela idade, imutável uma vez que foi estabelecida em algum momento anterior da história. Ela não tem historia, uma vez que sugere o aparecimento em um determinado ponto no tempo do que não havia ali antes. De acordo com Eusébio na história eclesiástica, a doutrina cristã não tem realmente uma história, sendo eternamente verdade é ensinada nos primórdios; só a heresia tinha uma história surgida em um momento particular e por intermédio da inovação de professores em particular, ” só quando a tradição perdeu sua autoridade que a história foi posta em exercício”. A tradição sem história homogeneíza todos os estágios do desenvolvimento em verdade definida estaticamente; a história sem tradição produz um historicismo que relativiza o desenvolvimento da doutrina cristã de maneira a fazer a distinção entre crescimento autêntico e aberração maligna que parece completamente arbitrária. A história da doutrina cristã, é a via para compreender a autêntica continuidade da crença, do ensinamento e da confissão cristã, ” A tradição é a fé viva dos mortos; o tradicionalismo é a fé morta dos vivos, Jaroslav pelikan”. [Creio em uma igreja una santa católica e apostólica]. #históriadaigrejaprimitiva

  • A PERSEGUICÃO NO REINADO DE VALERIANO (253-260) CIPRIANO, EP. LXXX.I

    No princípio de seu reinado, VALERIANO pareceu favorecer ao cristianismo. Havia cristãos em seu palácio que foram mencionados no rescrito como, por exemplo, Caesariani (ver Dionísio de Alexandria, Eusébio, H. E. VII. X. 3ss). Oseguinte extrato expressa bem a tendência de seu segundo rescrito. O primeiro determinava os sacrifícios exigíveis dos bispos e sacerdotes e negava aos cristãos o direito de reunião e o uso de cemitérios. Toda contravenção era punida com a morte. Rumores falsos estão circulando. A verdade, porém, é esta: VALERIANO enviou um rescrito ao senado ordenando que sejam castigados imediatamente os bispos, sacerdotes e Diáconos; os senadores, cavaleiros e fidalgos romanos devem ser privados de suas propriedades e degradados; e, se persistirem na fé cristã, decapitados; as matronas, privadas de seus bens e desterradas. Qualquer membro da casa de césar que confessou ou que ainda confessa ser cristão perderá seus bens e será entregue preso para trabalhos forçados nas terras do imperador. O rescrito de Galiano(261) Eusébio, H.E.VII.XIII.2 Um edito de 260, cujo texto está perdido, permitiu que as basílicas fossem reabertas, os cemitérios restaurados e a liberdade de culto concedida. O cristianismo tornou-se assim, religio licita. O imperador César p. Licínio Galiano, pio, Félix, Augusto, a Dionísio, pina, Demétrio e demais bispos. Ordenamos que se estenda a toda terra a indulgência que inspirou nossa bondade, de tal maneira que todos os nossos súditos abandonem os antros da superstição. Podereis, pois, vós também, usar das disposições de nosso rescrito, para que doravante ninguém vos moleste. Aliás, já foi concedido há tempo o que legalmente vos podeis fazer. Deixo o procurador de assuntos públicos, Aurélio Cirênio, encarregado de dar cumprimento a esta disposição em vosso favor. #históriadaigrejaprimitiva

  • O GNOSTICISMO

    [Tentativa de explicar Cristo em termos de filosofia pagã ou da “teosofia”] 1. Gnosticismo do tipo sírio Saturnino (ou saturnilo) Ireneu, Adv. Haer. I. XXIX. 1-2 Saturnino era Antioquia no. Pensava, como Menandro, que há um pai absolutamente desconhecido, que fez anjos, arcanjos, virtudes e potestades; o mundo, porém, e tudo quanto nele existe, foi feito por anjos em número de sete…. O salvador, conforme Saturnino, não nasceu, não teve corpo nem forma, mas foi visto em forma humana apenas em aparência. O Deus dos judeus segundo ele, era um dos sete anjos. Visto que todo os príncipes quiseram destruir seu pai, Cristo veio para aniquilar o Deus dos Judeus e para salvar os que nele mesmo acreditassem. Esses são os que possuem uma faísca da vida de Cristo. Saturnino foi o primeiro que afirmou a existência de duas estirpes de homens formadas pelos anjos: uma de bons e outra de maus. Tendo em vista que os demônios davam seu apoio aos maus, o salvador veio para destruir os demônios e os perversos, salvando os bons. Mas, ainda segundo Saturnino casar-se e procriar filhos é obra de satanás. #Gnosticismo

  • GNOSE DO TIPO EGÍPCIO (130)

    [Os princípios básicos de Basílides foram divulgados em forma mais poética e popular por Valentino, c.140, o mais influente dos mestres gnósticos] Para credenciar-se como autor de especulações mais altas e plausíveis, Basílides ampliou consideravelmente os pontos de vista de Saturnino. Ensinou que a mente foi o primogênito do pai ingênito. A razão foi gerada pela mente e, por sua vez, gerou a prudência, e essa gerou a sabedoria e o poder. Da sabedoria e do poder nasceram as virtudes, os príncipes e os anjos, que são chamados também de”os primeiros”. Estes fizeram o primeiro céu, do qual derivam outros céus que também geraram outros céus….[perfazendo um total de 365 céus]. Os anjos que presidem sobre o céu inferior, que é visto por nós, ordenaram todas as coisas que há no mundo, dividindo entre si a terra e as nações da terra. Seu chefe é aquele que tem sido crido como o Deus dos judeus. Ele pretendeu sujeitar os demais povos aos judeus, provocando a resistência dos outros príncipes que se coligaram contra ele…. Então o pai Ingênito e inominado….enviou sua mente primogênita (chamado o Cristo) para libertar os que nele cressem dos poderes que fizeram o mundo. Ele apareceu assim entre as nações dos príncipes, em forma de homem, e realizou atos de poder. Ele, porém, não sofreu, mas um certo Simão de Cirene foi movido a levar a cruz por ele. Simão foi equivocadamente crucificado, tendo sido transfigurado por ele, de tal sorte que o populacho o tomou por Jesus. Jesus, entretanto, transformou-se na forma de Simão, presenciando a agonia de seu sósia e dele escarnecendo. Quem, portanto, reconhecer e reverenciar o crucificado ainda não deixou de ser escravo e sujeito ao domínio dos que fizeram nossos corpos. Quem, ao contrário, o negar fica livre deles e conhece a disposição do pai Ingênito. Basílides ensina também que a salvação só concerne à alma, pois o corpo é naturalmente corruptível. As profecias em si mesma provieram dos príncipes que fizeram o mundo. A lei foi dada pelo príncipe que tirou os israelitas da terra do Egito. Basílides prescreve ainda a perfeita indiferença para com as coisas imoladas aos ídolos, permitindo que as usemos sem temor. Igualmente quer que consideremos como matéria absolutamente inocente as sensualidades e lubricidades de toda classe. #Gnosticismo

  • A IGREJA CATÓLICA PROMOVEU UMA LIMPEZA ÉTNICA COMO HITLER?

    PARTE II Faz-se necessário compreender o perigo que representavam os hereges, de forma especial os conversos, chamados “judaizantes”, na península Ibérica eram privados de certos cargos em instituições fundamentais do reino e da igreja. Justamente por serem falsos conversos ou CRIPTO-JUDEUS —- como reconhece o próprio Cecil Roth —- esses falsos conversos conspiravam secretamente contra a igreja e o estado sob uma máscara cristã. Ninguém era discriminado como “mouro” ou “judeu”, mas sim como herege. Ninguém melhor e mais acima de qualquer suspeita do que o prestigiadíssimo Sociólogo judeu Bernard Lazar para confirmá-lo: “foram perseguidos, não por serem judeus —- a Igreja queria conversar os judeus como testemunho vivo de seu triunfo — mas por incitar à judaização, fosse de forma direta ou inconsciente, pelo mero efeito de sua existência”. Outro exemplo: só se começaram a aplicar os estatutos de sangue na ordem de São Jerônimo quando foram descobertos membros juadaizantes recalcitrantes em suas fileiras; entre estes, casos famosos como o de Frei Alonso de Toledo, Frei Juan de Madrid, Frei García de Zapata e Frei Diegi de Marchena. Era portanto Lógico é necessário que, como medida de precaução e prevenção, fossem excluídos de certas funções. Mesmo assim, se verá na prática que os conversos sinceros — ou ao menos um dos mais proeminentes — não encontrariam qualquer impedimento por causa de seu sangue para exercer cargos importantes. É necessário ter em conta que naqueles tempos a religião era o fundamento e o coração do reino e da sociedade, o único laço inquebrantável que evitava a divisão e a anarquia que tanto sacudiam aquelas regiões que a haviam subestimado ou ignorado. Lembrando talvez pela décima vez que, a assim chamada limpeza étnica excluía também os cristãos velhos com antecedentes desfavoráveis. A pureza passava pelo de decoro e decência, e não pela linhagem. Em resposta às teses de B. Lewin e Netanyahu, afirma um dos mais notáveis discípulos de Américo Castro: “em primeiro lugar, o problema dos cristãos-novos não era de maneira alguma racial: Era, e, em segundo lugar, religioso. Os conversos não foram em momento algum portadores de um estigma biológico indelével”. Apoio no as palavras do Imortal caro baroja, ao dizer que “a ideia da Pureza do sangue era antes de origem Espiritual do que biológica”. O conhecido em insuspeito Historiador judeu Leon poliakov distingue entre o antissemitismo bíblico e o racial, incluindo a Espanha inquisitorial no primeiro grupo. Seu colega espanhol Suárez Fernandes é da mesma opinião, assim como o especialista francês Jean Dumont. O estatuto da limpeza do sangue, segundo contra o pesquisador Messeguer Fernandes, “refere-se ao sangue em sentido moral, Isto é, ao conjunto de sentimentos, opiniões, educação e mentalidade que se transmite no seio da família e enquadra-se em uma sociedade concreta”. Como se faltasse ainda outra opinião em insuspeita e de maior peso, ninguém melhor do que o historiador judeu Y. Baer, o qual em sua conhecidíssima história dos judeus conclui claramente que existiu uma perseguição religiosa, a qual, naturalmente, nada teve a ver com aquela pretensa perseguição racial na qual o homens como Netanyahu baseiam suas teses acusatórias. Além disso, no caso das declarações de limpeza de sangue, que eram investigações de alto custo econômico, sua veracidade era duvidosa, e sua eficácia relativa, pois haviam sido comprovados vários casos de corrupção por parte daqueles encarregado de realizá-las, agindo a favor ou contra o interessado em troca de dinheiro ou outros favores. Entre as medidas que o direito canônico dispuseram em sua luta para extirpar a heresia e eliminar sua influência social, encontrava-se a exclusão dos descendentes e hereges de cargos e honrarias. A experiência mostrava abundantemente que os filhos dos hereges, de modo especial, tentavam vingar a seu pai ou algum outro parente processado pela inquisição, inclusive avós e bisavós. Juan de Epserandeu, filho de uma marrano condenado, cuja propriedade havia sido confiscado (“e que, portanto ansiava por vingar-se”, admite Thomas Hope) foi um dos seis assassinos do inquisidor Arbués. Mas, na prática esta disposição muito raramente foi cumprida. A explicação disso encontra-se no decreto vergentis in seniun de Inocêncio III, onde se afirma claramente que o princípio da transcendência da pena tinha apenas finalidade dissuasiva. Isto é justificado pelo canonista Fernando Pena com uma elocubração que é o fundamento dissuasivo do direito inquisitorial, “porque as sanções que ameaçam os filhos podem evitar que um pai caia na heresia; o amor paterno é tão belo, tão nobre, que os pais temem mais por seus filhos que por si mesmos”. Além disso, é preciso observar que os descendentes desse grupo de acusados sofreram muito pouco a marginalização pela inquisição, pois, como aponta José Martínez millán: “em sua maioria eram já pessoas pobres, que já estavam excluídas da alta sociedade e das honras”. Veja-se o exemplo de Santa Teresa de Ávila, uma das maiores glórias católicas desses tempos cujo avô foi um marrano condenado pela inquisição. Citando mais alguns casos que nos vem pelo professor Jaime de Salazar. O primeiro trata de uma família de raça e religião Judaica, que permaneceu por dois séculos no topo da hierarquia social da Espanha de seu tempo. “O trabalho de investigação deve-se ao professor Cantera Burgos, publicado em um excelente trabalho a muitos anos. no entanto, uma vez descrita com certo detalhe a trajetória histórica dessa linhagem, cumpre-nos analisar se a origem Judaica, que neste caso está claríssima, fez com que o comportamento familiar fosse em algo distinto do que qualquer outra das famílias da alta nobreza castelhana. Devemos afirmar que não, pois devemos chegar à conclusão de que neste caso, como em outros, as origens familiares não tiveram a mínima influência no posterior desenvolvimento da linhagem”. O mesmo Historiador comenta outro caso: “certamente, consta que no início o primeiro senhor de Punonrostro, e sobretudo sua mulher, eram os judaizantes. No entanto seu filho mais velho era um cristão irrepreensível, e em sua vida, e sobretudo em sua morte atacando os muros do alcázar de Madrid, não sei distinguia em nada com qualquer de outros cavaleiros da Corte dos Reis católicos, e o mesmo pode dizer-se de seus descendentes”. O próprio Gerard Dufour, grande inimigo da igreja católica, foi obrigado a reconhecer a vontade que houve da parte dos Reis católicos e da igreja em integrar no judeus e conversus à sociedade Cristã, tomando como prova a grande quantidade de descendentes de judeus que formaram parte do aparato inquisitorial, “onde exerceram uma atividade exemplar (torquemada por exemplo)”. Então, chegamos a conclusão de que há pouco ou Nada de verdade na afirmação de que a inquisição condenava sistematicamente aos descendentes dos hereges, “imprimindo-lhe uma mácula indelével”. chegando a uma conclusão em relação a este tema. É necessário insistir que muito pouco esta medida foi acatada na prática, pois encontramos judeus conversos (nem sempre sincero) em todas as instituições da península, até mesmo na mais rigorosa do Santo Ofício. Por tudo isso, Henry Kamen chega à conclusão de que esta questão foi totalmente exagerada: “estas regras não obstantes tiveram um impacto muito limitado”. Através do testemunho de vários autores insuspeitos, em que nos vimos que não há nenhum sinal de racismo neste tribunal espanhol. Caso restasse alguma dúvida, nada melhor que apresentar o resultado dos trabalhos realizados pelos historiadores Tedeschi —- de origem Judaica —, Henningsen,Conteras e o francês Dedieu, o qual revela, a partir do estudo de mais de 44.000 relatos de casos, que o Santos Ofício, espanhol, a partir da metade do século XVI, converteu-se em um tribunal para julgar cristãos-velhos. Das sentenças pronunciadas entre 1550 e 1700, 60% já não eram casos de Marranos, mouros ou protestantes. José Martinez Milán, por sua vez, observa que o maior número de acusados, segundo as últimas pesquisas, que correspondem ao delito de “solicitação”, delito mais próprio de cristãos velhos. Por sua vez, Doris Moreno, reconhecida especialista em inquisição, observa que esta, “durante o reinado de Felipe II, processou cerca de 25 mil pessoas. Entre os acusados estão luteranos e suas teses heréticas, seguidos pelos mouros (…); os judaizantes não são mais do que mil e quinhentos, e isso naturalmente pelo impacto da anexação de Portugal” Outros estudos recentes assinalam que, por exemplo, no tribunal de Granada, entre 1500 e 1599, a grande maioria dos processos correspondem aos delitos de luteranismo, em menor proporção aos muçulmanos e apenas 9% provém de hereges judaizantes. Não é de Pouca importância a observação de Jean Dumont em seu processo contraditório à inquisição espanhola: afirma-se que isto se fez sobre a base de uma atitude racista, e em concreto antissemita? Isto é um disparate, uma grande mentira. Pelo contrário, a cultura espanhola do século de ouro foi obra da maior miscigenação possível entre judeus conversos e cristãos velhos. É certo que muitas das grandes personalidades deste século de ouro foram conversas ou descendentes de conversas. O breve período em que a Inquisição e a Espanha puseram essa prática entre em funcionamento deveu-se estritamente as razões extraordinárias de segurança interna, como a que se refere a subversão exercida pelos falsos conversos nos setores principais do estado e da igreja. Uma vez solucionado o problema dos conversos, tais disposições foram deixadas de lado pela igreja e pela Espanha, o que demonstra uma vez mais seu princípio social e religioso. Não se pense que nas regiões protestantes os judeus tinham melhor sorte. Apenas em 1858 é que se permitiu a um judeu fazer parte da câmara dos comuns (O parlamento inglês), sendo Lionel Rothschild o primeiro. Vemos assim como, mais de 20 anos após a abolição definitiva da Inquisição, na Inglaterra anglicana ainda se impedia aos judeus, e também a vários conversos, o exercício desse tipo de funções. Já foi mencionado algo a respeito do tratamento que alguns líderes protestantes dispensaram os judeus: perseguições, assassinatos, difamações, expulsão etc. #HistóriadaInquisição

  • A IGREJA PROMOVEU UMA LIMPEZA ÉTNICA COMO HITLER?

    PARTE I A imprudência de certos historiadores, tem causado um grande Conflito de idéias, muitas acusações de que igreja e a Espanha eram racistas, anti-semitas e faziam uma seleção genealógica entre judeus e não-judeus. O que é uma grande mentira, isto causa grande constrangimento, pois, mais tarde também foi comparado ao que Hitler fez na Segunda Guerra Mundial. É um assunto delicado devido à irresponsabilidade dos historiadores. Vamos começar citando por exemplo, no caso de Bodeslão Lewin, conhecido o historiador judeu, o qual em seu superficial ensaio os judeus foram inquisição na América Espanhola afirma: “O Santo Ofício realizava uma rigorosa seleção racial ao fazer nomeações e a ao investigar os Réus”; o “sangue judeu que corria nas veias destes últimos constituía a prova quase plena de sua culpa”. Seu correligionário Netanyahu chega ainda mas longe em suas acusações, já não apenas insinuando, mas afirmando, basicamente, que o principal motivo do tribunal era perseguição dos judeus, não por motivos religiosos, mas por questões raciais. Devemos insistir em que tais afirmações devem ser descartadas de forma categórica e definitiva. e para deixar os marxistas, anticatólicos e historiadores de má-fé sem nenhum argumento, vamos apontar vários historiadores judeus, Como referência e várias documentações existentes e Vamos demonstrar a leviandade e simplificação dos fatos mentirosos. Um dos exemplos, que não são poucos, os equívocos que podemos mostrar como exemplo deste último autor. pois, reconhecendo por um lado a postura anti-racista do Rei Fernando — que controlava a inquisição —- afirma que por volta e a partir de 1520 o Santo Ofício tomou um rumo racista. E o certo é que, como podemos ver mais adiante esta época coincide justamente com aplacamento quase total do perigo dos conversos judaizantes, com o tribunal centrando sua atividade a partir daí em reprimir basicamente as heresias e as faltas dos cristãos velhos. Então chegamos a conclusão esse primeiro momento que Netanyahu não tem de onde tirar a idéia de que a inquisição tornou-se racista, se é possível falar de uma época de certo rigor (ou racismo segundo a concepção muito particular deste historiador) contra os conversos judaizantes, esta se enquadraria Sem dúvida antes da morte do monarca católico, por serem justamente estes os tempos em que atividades judaizantes era maior. Basta ter um pouco de bom senso para resolver esta polêmica questão. Citarei José A. Escudeiro, que refuta a Netanyahu em uma célebre disputa. Entenderemos a primeira objeção da tese desses autores anti-católicos, seria a seguinte: se o tribunal da Inquisição espanhola foi racista ou, melhor dito, antissemita, Por que perseguiu também aos mouros e aos protestantes? É por acaso da mesma raça? Pergunta-se o acadêmico espanhol. E se foi racista contra os conversos judeus e mouros, Por que então perseguiu aos protestantes? Qual é aqui a raça em comum? Esse foi racista contra conversos judeus, mouros e Protestantes, Por que perseguiu aos cristãos velhos e, depois, a uma multidão de eclesiásticos, Frades, e freiras, bispos, O Cardeal de Toledo, etc? qual era a raça perseguida pela pretensa Inquisição racista? Com certeza, não seria possível dar aos anticatólicos uma resposta a esta mal feita tese dissimulada e anti católica uma resposta irrefutável . Vamos confirmar as palavras do académico espanhol, com dois exemplos que confirmam com força e aversão de Papas e dos diversos monarcas que sempre sentiram por qualquer manifestação de racismo. O primeiro, anterior ao estabelecimento da Inquisição espanhola, ocorre em 1449, quando o movimento contra os conversos, levada a cabo por cristãos velhos, propõe legalizar um estatuto que excluísse de todas as funções públicas os conversos de origem judia. Assim responde o Papa Nicolau V, em bula de 1449: “Decretamos e declaramos que todos os católicos formam um só corpo em cristo, de acordo com os ensinamentos de nossa fé”. Ato contínuo, o sumo pontífice procedeu a excomunhão de Pedro Sarmiento, principal promotor dos estatutos, e a outros de seus seguidores do mesmo ideal. O outro caso, ocorrido já na vigência da Inquisição, corresponde ao pontífice Sisto IV, que em 1481, ao receber denúncia semelhantes do Arcebispo de Toledo, Alonso Carrillo, proibiu as associações racistas sob pena de excomunhão ( estas referências bibliográficas você encontra na obra de Henry Kamen, A Inquisição espanhola. Agora vamos falar de um assunto que é relacionado a um suposto racismo do tribunal Eclesiástico espanhol: e sobre a questão dos estatutos de limpeza do sangue. essa chamada limpeza do sangue eram uma exigência que durante algum tempo certas instituições espanholas e eclesiásticas requereram das pessoas para o ingresso a certos cargos. Considerava-se de sangue Limpo todo aquele que não tivesse antecedente heréticos ou outros graves, e sobre quem não houvesse dúvidas sobre sua integridade e comportamento. Não se pode dizer que fosse uma medida arbitrária ou irracional, pois assim como é absolutamente necessário nos dias atuais que se proíba de funções públicas aquelas pessoas com antecedentes criminais, Imagine se você contrataria um estelionatário para trabalhar em um cartório? era da mesma forma lógico que não que não se permitisse naquele tempo o ingresso de um herege, especialmente em certos cargos mais importantes. Não havia nada de estranho, portanto, em tal disposição. Tampouco se poderá dizer que foi uma medida nova ou inventada de alguma forma de Inquisição, pois era um requisito que já vinha desde muito tempo em vigor nas diversas ordens militares. Esta ingenuidade por parte de Muitos historiadores é um pouco suspeita ou muito suspeita em relação a este assunto, especialmente daqueles com uma longa e reconhecida a trajetória. Não se pode dizer que esta seja uma presunção gratuita. É bastante conhecido, particularmente nos dias atuais, o benefício político que costuma ser obtido com esta espécie de acusações, vejamos como exemplo hoje em dia a ideologia marxista com ensinamentos nas nossas faculdades que estão totalmente equivocados, mas que são ensinados em nome de uma ideologia, em nome de uma disputa de classes que nós sabemos muito bem aonde isso pode levar, mas a mentira ela é ensinada para se chegar ao fim de uma trajetória que nós sabemos que isto não é a primeira vez que acontece, vejamos como exemplo a revolução francesa e o Marxismo, e esses benefícios políticos costumam ser maximizadas quando se favorecem a imagem de um catolicismo racista e em particular antissemita. Isso favorece as discurso da luta de classes, que estamos vendo uma raça de origem africana contra o branco, o homem contra mulher, o pobre contra o rico, este é o currículo a base curricular que estão ensinando a base curricular da mentira. Pode-se dizer que estes estatutos de sangue da Espanha inquisitorial pouco nada chegará a ver com alguma espécie de discriminação fundada em motivos racistas. A limpeza do sangue não correspondia a nenhuma categoria racial, mas a um conjunto de fatores espirituais e morais, como a tradição, a fé, o destino comum e a boa conduta. Prova Cabal disto era presença ativa de conversos do Judaísmo em todos os estratos sociais durante a existência do tribunal. Os próprios judeus, até sua expulsão definitiva em 1492 (quando a inquisição já existia a 14 anos), ocuparam posições importantíssimas nas diversas instituições estatais, contando inclusive com o favor dos Reis. É sabido que o rei Fernando o católico era um antirracista conhecido, e amigo e protetor dos conversos. Mostrando mais uma vez a insensatez que alguns historiadores que se mostram pretensamente parciais. Como é o caso de Thomas Hope, que menciona, biógrafo de torquemada, que ao pretender provar crueldade e racismo do Santo Ofício termina, sem querer, por provar justamente o contrário. Cita para isso caso de Luís Santangel, um dos homens de maior confiança do rei, que havia assassinado, junto a outros judeus conversos, o piedoso inquisidor aragonês Pedro Arbués. Após ser processado pelo Santo Ofício e considerado culpado, correspondeu-lhe, por direito, a pena de morte. O rei Fernando conseguiu comutá-la para uma pena leve (é o que parece para todos exceto Thomas Hope). indignado, lamenta-se Hope:” porém não foi capaz de salvá-lo da horrível infâmia que consistia em sair em procissão, com os pés descalços, humilhação bastante amarga para o orgulho de um espanhol e duas vezes mais para o amor próprio de um judeu”. O criminoso havia “apenas” assassinado um santo, mas o “castigo” de participar de uma procissão é inadimissível para os irascíveis Inimigos da Igreja Católica. Como então é possível que diante de tantas evidências, ainda se insista em que a inquisição, a Espanha e a igreja eram racistas? Podemos até aceitar que nem sempre ouve Malícia mas também ignorância isso é explicado pelo conhecido autor alemão R. Miles, atribuindo esta confusão ao fato de que a grande maioria dos historiadores modernos desconhece que o sentido etimológico outorgado à palavra raça variou muito através dos tempos. Assim, observa que “a ciência sobre o racismo afirma que o conceito de raça adquiriu um novo significado por volta de 1800. Na idade moderna, ao contrário, o termo raça não era mais do que uma alusão a uma origem coletiva, quer dizer, a uma única história comum. Por sua vez, desde os começos da Idade contemporânea, a palavra Raça expressa uma ‘categoria biológica humana’ de tal maneira que a ciência pretendia atribuir a cada uma das “raças” traços biológicos particulares”. O conhecido humanista Antônio nebrija demonstra que o modo particular como o Arcebispo utiliza a expressão ‘raça’ não representa de maneira alguma a forma habitual de utilizá-la por seus contemporâneos. Pelo que já vimos até agora e pelo que ainda vamos expor futuramente, fica claro que são extremamentes absurdas, anacrônicas e indignas de crédito, as comparações traçadas por historiadores como Cecil Roth, Netanyahu ou Paul Johnson, que assemelham os estatutos de sangue do século XVI com os do Terceiro Reich alemão. Trata-se de um mau costume de bons historiadores, que, da mesma forma que Charles Lea, desculpam a Inquisição quando se trata de Protestante e condenam quando se trata de judeus. Limpeza de sangue não era uma exigência unicamente da Inquisição, mas de todas, ou quase todas as instituições da monarquia. Convém notar que não era uma exigência do pontífice, mas do rei, que decidia os requisitos de qualidade social de seus membros. Mesmo assim, o conselho da Inquisição sempre teve nesta matéria pleno poder de decisão. Por exemplo, nunca foi necessário que o inquisidor geral apresentasse essas provas. Apenas após 1513 foi que se exigiu que os membros do tribunal fossem cristãos velhos, embora o historiador espanhol Millán faça notar que se tratou apenas de uma declaração de intenções. Não havia nenhum procedimento de investigação genealógica para averiguar a ascendência dos que pretendiam aos cargos inquisitoriais. Assim, reconhece A. Domingos Ortiz que inclusive alguns membros do recém criado o conselho da suprema inquisição eram de origem conversa, Como por exemplo o próprio Torquemada. Um exemplo é o caso de Cortés de monzón, em 1547. estas haviam denunciada ao Santo Ofício que o tribunal de Aragão estava nomeando mouros convertidos como familiares. A direção inquisitorial justificou a medida afirmando explicitamente que podia ser familiar “qualquer Cristão batizado, exceto hereges, seus protetores, ou apóstatas. Pode-se mencionar também o caso do converso Alonso de Burgos, Capelão da rainha, a quem Izabel outorgara o cargo de Bispo de Cuenca. O mais significativo deste caso não é tanto que Burgos fosse converso, e nem a importante função a que era chamado, mas sim o momento histórico particular em que isto ocorre: em pleno auge de atividade judaizantes dos conversas. Não era uma medida nova, e menos ainda se pode dizer que fosse dirigido em particular aos judeus e mouros, pois já vinha sendo aplicada no passado, ainda antes do perigo dos judeus conversos que surgiu após 1391 a toda espécie de hereges. Que demonstram o modelo de Juramento entregue por Eymeric aos inquisidores, e que as autoridades da cidade onde estes começaram a atuar eram obrigadas a cumprir. (Não conferimos o cargo de juiz ou Prefeito —nem qualquer outro cargo —- a nenhum destes pestilentos, a ninguém sob Suspeita, é nenhum acusado de heresia, a ninguém que se encontre por decisão do inquisidor, impedido de ocupar qualquer cargo público. Juramos não aceitar a nenhum destes em nossa família nem a nossa comunidade, nem a nosso serviço e nem em nosso conselho. #HistóriadaInquisição

  • COLIRIDIANOS, QUANDO A IGREJA CATÓLICA CONDENOU A ADORAÇÃO A VIRGEM MARIA

    A Igreja sempre teve clara a ideia de que o único digno de ser adorado é Deus: Pai, Filho e Espírito Santo. Ninguém mais pode ser adorado, nem sequer a bem-aventurada Mãe de Deus… Ninguém! Então, na história da Igreja se conhece um grupo de “cristãos” que caíram no erro de adorar a Virgem Maria. Esta é a história da sua heresia e de como foram condenados pela Igreja. As heresias são tão antigas como a própria história do Cristianismo. Por isso, a Igreja tem que atuar diligentemente para denunciá-las e para que o povo de Deus não seja confundido. No séc. IV apareceu um grupo de autodenominados “cristãos”, conhecidos como Coliridianos, os quais se reuniam num culto de adoração à Virgem Maria. Este estranho culto consistia em oferecer bolos e pastéis à Virgem, como sinal de adoração. Na realidade, eles não eram cristãos, eram uma seita gnóstica integrada majoritariamente por mulheres que tomaram a figura de Maria, mesclando-a com deuses pagãos para confundir os verdadeiros cristãos. Quando Santo Epifânio, bispo de Salamina, soube desta heresia, não tardou em denunciá-la e condená-la em nome de toda a Igreja Católica. Tal condenação pode ler-se, em sua célebre “Paranión”, em que também denuncia outras heresias da época. “É ridícula e, na opinião dos sábios, totalmente absurda”, assim Santo Epifanio descrevia a heresia coliridiana, “pois aqueles que, com uma atitude insolente, são suspeitos de fazer estas coisas, prejudicando a mente das pessoas (…) pessoas que se inclinam nesta direção são culpadas de terem feito pior dano”. Também, Santo Epifânio esclareceu a diferença entre o verdadeiro culto a Deus e a verdadeira devoção à Virgem Maria: “Seja Maria honrada. Sejam Pai, Filho e Espírito Santo adorados, mas ninguém adore à Maria”. Este mesmo ensinamento é o que atualmente vemos no Catecismo da Igreja Católica: “Todas as gerações me chamarão bem-aventurada” (Lc , 48): “A piedade da Igreja para com a Santíssima Virgem é intrínseco ao culto cristão” (MC 56) A Santíssima Virgem “é honrada com razão pela Igreja com um culto especial. E, em afeto, desde os tempos mais antigos, se venera a Virgem Maria com o título de Mãe de Deus”, sob cuja proteção, se achegam os fiéis suplicantes em todos os seus pedidos e necessidades… Este culto (…) também é todo singular, é essencialmente diferente do culto de adoração a Deus, ao Verbo Encarnado, ao Pai e ao Espírito santo, mas o favorece poderosamente”. (LG); encontra sua expressão nas festas litúrgicas dedicadas à Mãe de Deus (cf. SC 103) e na oração mariana, como o Santo Rosário, “síntese de todo evangelho” (Catecismo da Igreja Católica 971). #mariologia

  • ESTUDIOSOS PROTESTANTES SOBRE MATEUS 16, 18

    NÃO HÁ DISTINÇÃO ENTRE “PETROS” E “PETRA” Gostaria de mostrar, primeiro, um dos dicionários do Novo Testamento mais conhecidos entre os protestantes da atualidade,  o dicionário de James Strong, na sua definição da tradução de PETRA ele diz o seguinte em inglês: “(4073) pe>tra, — pet’-ra; feminine of the same as Pe>tros(4074); a (mass of) rock (literal or figurative): — rock.” Tradução: “(4073) p e t r a, – pet’-ra; feminino do mesmo que P e t r o s, um (massa) rocha (literal ou figurado): – rocha.” Ora, um dos mais renomados dicionários protestantes da atualidade diz que PETRA e PETRUS são a mesma coisa e que petra é o feminino de Petrus e ainda aparecem nos protestantes para dizer-nos que PETRUS é pedrinha? Quem desejar conferir no próprio dicionário protestantes pode acessar este link abaixo e verificar: http://www.htmlbible.com/sacrednamebiblecom/kjvstrongs/FRMSTRGRK40.htm Vamos a mais 5 estudiosos protestantes para mostrar que não há diferença nenhuma entre as palavras. “Em aramaico ‘Pedro’ e ‘Rocha’ são a mesma palavra, em grego (aqui), são termos cognatos que foram usados ​​indistintamente por este período.” (Craig S. Keener, The IVP Bible Background Commentary New Testament, (Downer’s Grove, IL: Intervarsity Press, 1993), 90.) “Embora seja verdade que petros e petra podem significar ‘pedra’ e ‘rocha’, respectivamente, no início grego, a distinção está amplamente confinada à poesia.” – (Frank E. Gaebelein, ed.,The Expositor’s Bible Commentary: Volume 8 (Matthew, Mark, Luke), (Grand Rapids, MI: Zondervan, 1984), 368.) “Muitos insistem na distinção entre as duas palavras gregas, ‘Tu és Petros e sobre esta Petra’  sustentando que se a rocha significava Pedro, tanto petros e petra teria que ser usados usado duas vezes, e que petros significa uma pedra ou fragmento quebrado separado, enquanto petra é a rocha maciça, mas essa distinção é quase totalmente confinada a poesia, a palavra comum prosa em vez de petros como sendo lithos; nem é a distinção uniformemente observada.”(John A. Broadus, Commentary on the Gospel of Matthew, (Valley Forge, PA: Judson Press, 1886), 355.) Convido ao leitor protestante a ler este livro de John Broadus sobre o evangelho de Mateus, especificamente tudo o que diz respeito a Mateus 16, 18, é só clicar na referência que poderá ler toda a pagina online. João Calvino contra a interpretação protestante Nada melhor do que mostrar um pai do protestantismo, refutando a interpretação de seus seguidores: “Eu admito que em grego Pedro (Petros) e pedra (petra) significam a mesma coisa, salvo que a primeira palavra é Ático [do antigo dialeto grego clássico da região da Ática], o segundo da língua comum” (John Calvin, Calvin’s New Testament Commentaries: The Harmony of the Gospels Matthew, Mark, and Luke, vol. 2, 188.) Veremos por ultimo agora o que diz o autor protestante Gerhard Friedrich: “O trocadilho óbvio que tem feito o seu caminho para o  texto grego também sugere uma identidade material entre petra e Petros, tanto mais que é impossível diferenciar estritamente entre os significados das duas palavras.” (Gerhard Friedrich, ed., and Geoffrey W. Bromley, trans. and ed.,Theological Dictionary of the New Testament, vol. VI, (Grand Rapids, MI: Eerdmans, 1968), 98-99.) Qualquer estudioso sério reconhece que Pedro é a Pedra mencionada por Jesus, apesar das alegações contrárias, e isso não foi diferente com muitos escritores protestantes que nos relatam as conclusões que veremos a baixo: “Jesus, então, está prometendo a Pedro que ele vai construir sua igreja sobre ele! Eu aceito este ponto de vista.” (William Hendriksen, New Testament Commentary: Exposition of the Gospel According to Matthew, (Grand Rapids, MI: Baker, 1973), 647.) “Hoje em dia um amplo consenso que – de acordo com as palavras do texto – se aplica a promessa a Pedro como uma pessoa. Neste ponto teólogos liberais (HJ Holtzmann, E. Schweiger) e conservadores (Cullmann, Flew) concordam, bem como representantes da exegese católica romana.”. (Gerhard Maier, “The Church in the Gospel of Matthew: hermeneutical Analysis of the Current Debate,” trans. Harold H. P. Dressler, in D. A. Carson, ed., Biblical Interpretation and Church Text and Context, (Flemington Markets, NSW: Paternoster Press, 1984), 58) “Pelas palavras ‘Esta pedra’ Jesus fala não a si mesmo, nem o seu ensino, nem Deus o Pai, nem a confissão de Pedro, mas o próprio Pedro” (J. Knox Chamblin, “Matthew,” in Walter A. Eldwell, ed.,Evangelical Commentary on the Bible (Grand Rapids: MI: Baker, 1989), 742) “… Se, então, Mateus 16, 18 nos obriga a assumir uma identidade formal e material entre petra e Petros, isso mostra como integralmente o apostolado, e nela a um grau especial a posição de Pedro, pertence e é essencialmente fechado dentro, a revelação de Cristo. Petros se isoo é petra, e não apenas a sua fé ou a sua confissão.” (Gerhard Friedrich, ed., and Geoffrey W. Bromley, trans. and ed., Theological Dictionary of the New Testament, vol. VI, (Grand Rapids, MI: Eerdmans, 1968), 98-99.) “A expressão ‘esta pedra’ quase certamente se refere a Pedro, seguindo imediatamente após o seu nome, assim como as palavras seguindo ‘o ​​Cristo’ em vs. 16 aplicado a Jesus. O jogo de palavras no grego entre o nome de Pedro (Petros) e a palavra ‘pedra’ (petra) só faz sentido se Pedro for a rocha e se Jesus estivesse prestes a explicar o significado desta identificação.” (Craig L. Blomberg, The New American Commentary: Matthew, vol. 22, (Nashville: Broadman, 1992), 251-252.) “A fundação da comunidade messiânica será Pedro, a rocha, que é o destinatário da revelação e criador da confissão (cf. Ef 2, 20). O papel significativo de liderança de Pedro é uma questão de história sóbria… O sentido claro de toda adeclaração de Jesus parece concordar melhor com a visão de que a rocha sobre a qual Jesus edifica a Sua Igreja é Pedro.” (William E. McCumber, “Matthew,” in William M. Greathouse and Willard H. Taylor, eds., Beacon Bible Expositions, vol. 1, (Kansas City, MO: Beacon Hill, 1975), 125.) “‘Tu és Pedra, e sobre esta pedra edificarei a minha igreja.’ Pedroé aqui retratado como a fundação da igreja.” (M. Eugene Boring, “Matthew,” in Pheme Perkins and others, eds., The New Interpreter’s Bible, vol. 8, (Nashville, TN: Abingdon Press, 1995), 345.) “Deixe-se observar que Jesus não poderia aqui dizer pela rocha, de forma consistentemente com a imagem, porque ele é o construtor. Dizer, ‘Eu construirei’, seria uma imagem muito confusa. A sugestão de alguns expositores que em dizendo: ‘tu és Pedro, e sobre esta pedra’, ele apontou para si mesmo envolve uma artificialidade que para algumas mentes é repulsiva.” (John A. Broadus, Commentary on the Gospel of Matthew, (Valley Forge, PA: Judson Press, 1886), 356.) “Outra interpretação é que a palavra pedra refere-se a si próprio Pedro. Este é o significado óbvio da passagem.” (Albert Barnes,Notes on the New Testament, Robert Fraw, ed., (Grand Rapids, MI: Baker, 1973), 170) “É sobre o próprio Pedro, o confessor de sua messianidade, que Jesus vai edificar a Igreja. O discípulo se torna, por assim dizer, a pedra fundamental da comunidade. Tentar interpretar o ‘pedra’ como algo diferente de Pedro em pessoa (por exemplo, a sua fé, a verdade revelada a ele) são devido ao viés protestante, e apresentam a declaração de um grau de sutileza que é altamente improvável.” (David Hill, “The Gospel of Matthew,” in Ronald E. Clements and Matthew Black, eds., The New Century Bible Commentary, (London: Marshall, Morgan & Scott, 1972), 261) “Alguns intérpretes têm, portanto se referido a Jesus como roccha aqui, mas o contexto é contra isso. Tampouco é provável que a fé de Pedro ou a confissão de Pedro é pretendida. Ela é, sem dúvida, o próprio Pedro, que é para ser a rocha, mas Pedro confessando, fiel e obediente.”- D. Guthrie e outros, The New Bible Commentary, (Grand Rapids, MI: Eerdmans, 1953) [reeditado pela Inter-Varsity Press], 837. “Não há nenhuma boa razão para pensar que Jesus mudou de Petros para petra para mostrar que Ele não estava falando do homem, Pedro, mas de sua confissão como a fundação da Igreja.As palavras ‘sobre esta pedra [petra]; na verdade se referem a Pedro.”.( Herman N. Ridderbos, Bible Student’s Commentary: Matthew, (Grand Rapids, MI: Zondervan, 1987), 303.) “O jogo de palavras e toda a estrutura da passagem exige que este versículo esteja tão ligado declaração de Jesus sobre Pedro como vs. 16 foi a declaração de Pedro a respeito de Jesus. Claro que é com base na confissão de Pedro de que Jesus declara seu papel como a fundação da igreja, mas é para Pedro, e não sua confissão, que a metáfora da rocha é aplicada.”   (R. T. France, The Gospel According to Matthew, (Grand Rapids, MI: Eerdmans, 1985), 254.) “As freqüentes tentativas que têm sido feitas, raramente no passado, para negar isso em favor da opinião de que a própria confissão é a rocha (por exemplo, mais recentemente Caragounis)parecem estar em grande parte motivado pelo preconceito protestante contra uma passagem que é usada pelos católicos romanos para justificar o papado.” (Donald A. Hagner, “Matthew 14-28,” in David A. Hubbard and others, eds., World Biblical Commentary, vol. 33b, (Dallas: Word Books, 1995), 470.) Nenhuma palavra é necessária para complementar a conclusão destes autores protestantes. DUAS PALAVRAS DIFERENTES FORAM USADAS POR QUE NÃO SE PODE USAR UM SUBSTANTIVO FEMININO PARA UM HOMEM “O grego faz a distinção entre petros e petra simplesmente porque ele está tentando preservar o trocadilho, e em grego o feminino petra não poderia servir muito bem como um nome masculino”.(Frank E. Gaebelein, ed., The Expositor’s Bible Commentary: Volume 8 (Matthew, Mark, and Luke), (Grand Rapids, MI: Zondervan, 1984), 368.) “Ao usar ambas as formas masculina e feminina da palavra, no entanto, Mateus não estar tentanto distânciar Pedro, Petros, de ‘esta pedra’, petra. Pelo contrário, o evangelista muda os sexos, simplesmente porque Simão, um macho, é dada uma forma masculina do substantivo feminino para o seu novo nome.”(James B. Shelton, letter to the authors, 21 October 1994, 1, in Scott Butler, Norman Dehlgren, and Rev. Mr. David Hess, Jesus Peter and the Keys: A Scriptural Handbook on the Papacy, (Goleta, CA: Queenship, 1996), 23.) “O nome de Pedro (agora não deu em primeiro, mas profeticamente dado por nosso Senhor em sua primeira entrevista com Simão (João 1, 42)), ou Cefas, que significa uma rocha, a rescisão sendo apenas alterada a partir petra a Petros de acordo com a denominação masculina, denota a posição pessoal deste apóstolo na construção da Igreja de Cristo.” (Henry Alford, The New Testament for English Readers, vol. 1, (Grand Rapids, MI: Baker, 1983), 119.) “A explicação mais provável para a mudança da Petros (‘Pedro’) para petra é que petra era a palavra normal para ‘rocha’. Porque a terminação feminina deste substantivo fez inadequada como nome de um homem, no entanto, Simão não foi chamado petra, mas Petros”. (Herman N. Ridderbos, Bible Student’s Commentary: Matthew, (Grand Rapids, MI: Zondervan, 1987), 303.) “A palavra feminina para rocha, petra, é necessariamente alterada para o masculino petros (pedra) para dar o nome de um homem, mas a palavra é inconfundível (e em aramaico seria ainda mais assim, como a mesma forma kepha ocorreria em ambos os lugares).” (R. T. France, The Gospel According to Matthew, (Grand Rapids, MI: Eerdmans, 1985), 254.) CONCLUSÃO Se depois de todas essas matérias ainda há algum protestante que negue que Pedro era a Pedra de Mateus 16, 18, resta-nos apenas seguir o que nos ensina as Escrituras: “Ao homem herege, depois de uma e outra admoestação, evita-o” (Tito 3, 10)

  • A PRIMEIRA CRUZADA

    vamos entender o que foram as Cruzadas, afinal de contas o que foram? Como podemos definir com honestidade a série de expedições militares que prosseguiram por vários séculos? Um historiador eglpcio, Aziz Suryal Atiya, deu o que parece ser a descrição adequada: O consenso geral entre os medievalistas ( … ) é que as Cruzadas foram expedições militares organizadas pelos povos da cristandade ocidental, notavelmente os normandos e os franceses, sob a liderança dos papas romanos. e que tinham como objetivo recuperar locais sagrados que estavam nas mãos de governantes muçulmanos. Isso parece resumir mais claramente o que foram de fato as Cruzadas e como seus participantes as viam. As Cruzadas não foram aventuras colonialistas ou comercias, não tinham a intenção de cristianizar judeus ou muçulmanos e não foram projetos individuais de senhores de guerra. O seu objetivo principal, além da defesa do Império Oriental, era a recuperação da Terra Santa para a cristandade. Elas reconheciam a liderança dos papas. Como escreveu o historiador francês Louis Bréhier, “os papas, por si só, compreendiam a ameaça que o progresso islâmico oferecia à civilização cristã.” (Houve, no entanto, um ou dois casos nos quais a liderança papal foi desprezada ou ignorada, como veremos adiante.) Em 1095, o papa Urbano II fez um apelo urgente à cristandade, pois recebera uma carta do Imperador Bizantino Aleixo l Comneno descrevendo o grande perigo no qual seu reino fora colocado, em virtude do poder crescente e do aumento de ataques de uma outra tribo muçulmana, os turco seljúcidas. Esse grupo, chamado por muitos de turcos, turcomanos ou tártaros, havia se deslocado das pradarias da Ásia rumo ao Ocidente. Após conquistar o enfraquecido califado de Bagdá em 1055, expandiram o seu império, à custa de outros governos muçulmanos e de Bizâncio, e agora governavam a Terra Santa. Em 1071, os turcos haviam derrotado as forças bizantinas, capturado o imperador e o forçado a assinar um t ratado de paz, abrindo caminho para a expansão turca na Ásia Menor. Em poucos anos os turcos adentraram Anatólia, também chamada de Ásia Menor (atual Turquia) e montaram quartéis em Niceia (local do famoso concilio da Igreja do século IV, que criou o Credo de Niceia), perto de Constantinopla (atual Istambul). No seu famoso discurso, do qual existem diversas versões, o papa Urbano enfatizou aos guerreiros ocidentais a importância de socorreram os cristãos do Oriente, incluindo aqueles que estavam na Terra Santa. O objetivo era levantar uma força internacional de soldados profissionais para mar char e libertar o Império Bizantino. Entretanto, o que chamou a atenção das massas da Europa foi a ideia de libertar a Terra Santa dos infiéis. A ideia de indulgência plenária para quem “tomasse a cruz” – símbolo de um comprometimento com a cruzada – também as atraía, embora possam ter ficado confusas sobre as condições requeridas para tamanho beneficio espiritual. Um cavaleiro que fazia o juramento dos cruzados deveria fazê-lo com intenção pura e arrependimento por seus pecados; se morresse lutando honradamente pela defesa do cristianismo, o Céu seria a sua recompensa. É provável que em muitos casos as condições espirituais não fossem conhecidas. Motivos como um mero desejo por aventura, roubo ou fuga das responsabilidades domésticas (ou da lei) na terra natal não qualificariam um guerreiro. No entanto, críticos das Cruzadas zombam da própria ideia do papa de oferecer indulgência aos cruzados, e presumem que ele prometia o Céu aleatoriamente – como um imame que promete houris e rios de vinho para os guerreiros jihadistas que se explodirem pelos ares. Cavaleiros de várias nações da Europa começaram a reunir armas e homens, e isso naturalmente demorou algum tempo. Havia outros, todavia, que não precisavam de tempo para se preparar, pois possuíam muito pouco ou nada. Esses “outros” – os pobres – eram muitos e foram elementos significativos na história da Primeira Cruzada. Este é um ponto importante, discutido em um artigo de Walter Porges sobre os não combatentes da Primeira Cruzada. Ele recorda a longa tradição de peregrinações à Terra Santa e o grande crescimento no tamanho dessas expedições. Havia, no século XI, peregrinações de alemães com milhares de pessoas. Em 1064, uma expedição partiu com cerca de 7 a 12 mil peregrinos. O papa, portanto, deve ter presumido que quando a Cruzada começasse, haveria muitos leigos que, contando com a proteção dos guerreiros, estariam ansiosos para visitar os locais sagrados. Ele tentou limitar a participação deles. Exigia que peregrinos consultassem o clero local para se aconselharem sobre a viagem, desencorajava os doentes e fracos e insistia que mesmo os pobres deveriam estar dispostos a lutar, caso fosse necessário. Infelizmente, não conseguiu conter o grande número de cruzados despreparados. Pregações inflamadas de leigos atraiam multidões; doentes, velhos e até crianças partiram, a despeito dos avisos do papa, assim como muitos membros do clero sem permissão para seguir. Muitos desses estavam em ordens menores e talvez estivessem ávidos para deixar os lares, pois a reforma de Santo Odon de Cluny estava sendo muito severa para eles. Grande parte dessas hordas de não combatentes sucumbiu antes mesmo de chegar a Constantinopla, e muitos deles deram bastante trabalho ao exército cruzado e ao clero autorizado, que tinham de ajudá los e socorrê-los. Em todo caso, lá chegaram, mas os guerreiros que o imperador Aleixo havia requerido não foram os primeiros a se aproximar dos portões de Constantinopla. Os primeiros a chegar foram as multidões entusiastas. Trazendo noções confusas sobre riqueza oriental a ser tomada, além de aventuras heróicas, eles haviam seguido líderes como Pedro, o Eremita e Gualrério Sem-Haveres através do continente e saqueado ao longo do caminho. Tornaram-se tão perigosos que alguns governantes fecharam-lhes as fronteiras, temendo o dano que causariam. Aleixo desejava ter feito o mesmo quando os viu chegar aos portões, em vez da infantaria e da cavalaria que esperava. Friamente, talvez, apesar de ser difícil pensar no que mais poderia ter feito, ele transportou esses pretensos cruzados através do estreito de Dardanelos, até o local onde iriam obter seu desejo de lutar contra os turcos. Eles lutaram e foram massacrados. Depois chegou a Cruzada dos Cavaleiros. Era o que Aleixo esperava. O choque cultural causado a um grego refinado ao encontrar-se com um grupo de homens brutos cujos antepassados recentes eram bárbaros, foi motivo de um fascinante estudo para a filha de Aleixo, a historiadora Ana Comnena; a ela devemos muitos dos detalhes desse encontro apreensivo. A riqueza de Bizâncio impressionou os cruzados – e despertou a cobiça em alguns deles. Tendo chegado à zona de combate e começado a libertar propriedades imperiais das mãos dos turcos, alguns cruzados relutaram em devolver as terras ao imperador, causando mais tensão. O resultado foi a criação de pequenos principados cruzados que conseguiram sobreviver na Slria e na Palestina por dois séculos. #Históriadaidademédia

  • DOS LÍDERES ISRAELITAS ATÉ O PAPADO

    I Cor 14,33 – “Porque Deus não é Deus de confusão, senão de paz, como em todas as Igrejas dos Santos”. INTRODUÇÃO O anarquismo nunca foi matéria de fé, nem para judeus e tampouco para cristãos. Deus não traz a confusão e sim, a ordem. Estabelece, cria, forma e julga as necessidades do povo, através de chefes que levam a sua palavra e se transformam em “oráculos” vivos do Senhor. Desde a criação, o criador sempre escolheu pessoas que estivessem à frente de seu povo e que possuíssem a missão de levar cada pessoa, ao pleno conhecimento da verdade. O povo israelita, que nos antecedeu, foi acostumado a possuir líderes enérgicos que fossem seus intermediadores e que os representasse perante Deus e perante as nações que os rodeavam. Desde o início dos relatos bíblicos, lemos sobre homens e mulheres que tomaram a frente e conduziram a todos pelos caminhos corretos. Atualmente, é muito comum que muitos cristãos de outras confissões aleguem que o único “líder” de suas comunidades é Jesus Cristo. Simplesmente, expurgam a possibilidade de uma liderança terrena que fale em nome de Deus e como se não bastasse, caracterizam-na como errada, por acreditarem que tal conceito rouba a centralidade do Senhor. A ideia do presente texto é demonstrar através das sagradas escrituras, que desde a mais antiga era registrada nas sagradas letras, o povo israelita era guiado por “alguém” que demonstrava liderança ativa em dirigir homens, mulheres e crianças na unidade do amor de Deus e que essa continuidade se faz presente através dos apóstolos e do ministério petrino que rege a Igreja através dos séculos. Pr 16,10 – O oráculo pelas sortes está nos lábios do rei, num julgamento, sua boca não falha. LÍDERES NO VELHO TESTAMENTO NOÉ: DE SUA LIDERANÇA, NASCE UM NOVO POVO O Senhor criou a raça humana, para que cada um fosse a “imagem e semelhança de Deus” (Gn 1,26). Essa semelhança, não consistia em uma mera aparência física e sim, uma aparência espiritual, porém, as sagradas escrituras narram que o homem corrompeu-se com o pecado (Gn 3,1-22) e essa queda, ocasionou desgraças em muitas gerações posteriores. A maldade instalada no coração humano era tão grande, que excitou a ira de Iahweh ao ponto de Deus querer “desaparecer com a criação” (Gn 6,7). Nessa era hostil onde homens e mulheres se destruíam pela corrupção do pecado, o Senhor levanta um homem chamado Noé, que lideraria toda a sua família e toda a criação em busca da salvação para repovoar a terra.  Noé, a mando de Deus, constrói uma arca (Gn 6,13-22) onde abriga sua família e todos os animais (Gn 7,13-16). Iahweh envia um dilúvio e faz desaparecer toda a raça humana que estava destruída pelo pecado da carne (Gn 7,21-22). Ao sair da arca, a família de Noé dá continuidade à vida humana. Deus os abençoou dizendo: “Sede fecundos, multiplicai-vos, enchei a terra” (Gn 9,1). A partir desta narração, o “primeiro líder” de um povo que ainda nasceria, passaria a ser peça importante da cultura judaica. Por fim, Deus estabelece a sua aliança com Noé (Gn 9,12) e com toda a carne que existe sobre a terra. ABRAÃO, ISAAC E JACÓ: OS PATRIARCAS DE UMA NOVA NAÇÃO O patriarcado mais primitivo e importante de toda a história judaica, sem dúvida, encontra-se na vida de três homens que deram início a uma nação que viria a se tornar um reino poderoso. O primeiro deles, Abraão (inicialmente chamado de Abrão) foi convidado por Deus a deixar toda a sua casa para ser imigrante em terras desconhecidas. De Abraão, Iahweh prometeu que nasceria um grande povo (Gn 12,1), bastaria olhar para o céu e ver que a quantidade de estrelas, representariam a posteridade desse homem (Gn 15,4). De sua relação com Sara, nasceria Isaac, o filho da promessa (Gl 4,23) e de Isaac, nasceria Jacó (Gn 25,26), que futuramente seria chamado de “Israel” (Gn 43,11). De Jacó, nasceram doze filhos e a partir deles, teremos as doze tribos de Israel. Essas tribos seriam tradicionalmente conhecidas por povoar toda a terra de Canaã. MOISÉS: O LÍDER LIBERTADOR Moisés, nascido da casa de Levi (Ex 2,1), foi um dos líderes mais proeminentes do povo hebreu. Deus se manifestou de forma grandiosa em sua vida. O homem que nasceu para libertar seu povo, foi concebido em uma época onde todos os meninos eram mortos por ordens do Faraó (Ex 1,22), entretanto, sua missão já estava desenhada, uma vez que sua própria mãe, na iniciativa de protegê-lo, o colocou em uma arca as margens do rio (Ex 2,3) até que chegasse a filha do faraó (Ex 2,5) que o adotaria e cuidaria de que fosse formado na corte egípcia (Ex 2,10). Quando Moisés já estava longe de sua terra de criação devido à morte de um homem (Ex 2,12), Iahweh se fazia presente manifestando-se de diversas formas. O primeiro contato de Deus que marcaria o início de sua liderança, deu-se através de uma sarça que ardia em fogo, mas, não queimava (Ex 3,2). O Criador concedeu todas as forças necessárias para Moisés, mesmo ele tendo medo e confessando que sua língua era “pesada” (Ex 3,10). Moisés não se considerava eloquente e muito menos apto a assumir um fardo tão cansativo, mas, sua vocação estava respaldada pelo poder do próprio Deus que com um gesto de amor afirmou que “Seria a própria boca de Moisés e que o ensinaria no que falar” (Ex 4,12). A presença de Deus na vida desse grande homem foi importantíssima para o povo hebreu, que viu em Moisés, o libertador e intermediário entre eles e o Senhor (Ex 4,30-31). A Lei, seguida rigorosamente pelos Judeus, foi transmitida por ele (Dt 4,44; Jo 7,19) JOSUÉ: O LÍDER DA TERRA PROMETIDA Josué foi o predecessor de Moisés. Junto de Caleb, foram os únicos a acreditar que o povo hebreu poderia entrar na terra prometida (Nm 14,7-9). Após a morte de Moisés (Dt 34,5), Josué foi o homem escolhido por Iahweh para guiar seu povo na trajetória que terminaria nas terras de Canaã (Js 1,1-5). Todo o relato bíblico da história de Josué, procura salientar que mesmo antes do sistema monárquico israelita, o povo já era guiado por um único chefe. Esse chefe, não representava um simples líder político, como vemos na partilha das terras entre as tribos (Js 13-21) e sim, um líder espiritual (Js 23,14) e dotado do poder de Iahweh nas tomadas de decisões (Js  24,1-13). Josué foi o responsável por levar os hebreus à verdadeira adoração ao único Deus (Js 24,21-24). OS JUÍZES Antes do estabelecimento de um “reino unificado” ou da “monarquia”, por diversas vezes, o povo israelita infligiu o verdadeiro culto à Iahweh, trocando-o pelas divindades cananéias. Ao acontecer tais fatos, por vontade divina, o povo era entregue aos inimigos estrangeiros. A situação era revertida somente quando os hebreus se arrependiam de seus atos e voltavam ao verdadeiro Deus. Mediante a isto, era escolhido um “Juiz” que inicialmente levava o povo a uma vitória militar sobre os opressores e após o período de bonança, reinava sobre toda a Israel. A narrativa bíblica identifica seis juízes maiores, onde a história é narrada de uma forma mais detalhada (Otoniel, Aod, Barac (e Débora), Gedeão, Jefté e Sansão) e seis juízes conhecidos como menores, onde existe uma breve descrição (Samgar, Tola e Jair, Abesã, Elon e Abdon). SAMUEL: O ÚLTIMO JUIZ Samuel, nascido de uma estéril chamada Ana (I Sm 1,5) e consagrado desde o dia do seu nascimento (I Sm 1,28), foi  o último dos Juízes de Israel. Graças a sua intercessão, Samuel, visto pelo povo como libertador de Israel (I Sm 7,8), obteve os méritos juntos de Iahweh pela vitória contra os filisteus expulsando-os do solo israelita (I Sm 7,13). Com o apoio de Deus, julgou Israel durante todos os anos da sua vida (I Sm 7,15) e representou parte decisiva na história da instituição da realeza monárquica (I Sm 8-12). Samuel ungiu os dois primeiros reis do reinado unificado: primeiro a Saul (I Sm 10,1) e depois a Davi (I Sm 16,13).  Ao falecer, toda a casa de Israel guardou seu luto (I Sm 25,1). O REI DAVI Davi, ungido por Samuel (I Sm 16,13), foi o segundo rei a comandar toda a casa de Israel. Proeminente em sua vocação, foi depois de Moisés, o herói mais destacado do povo Hebreu. Jesus Cristo, rei e salvador do mundo, fazia parte de sua descendência (Mt 1,6). Davi foi o responsável pela tomada de Jerusalém contra os jebuseus (II Sm 5,6). Se apropriando da cidade, junto do povo, posteriormente, Jerusalém seria conhecida como a “cidade de Davi” (II Sm 5,9). Transformou Jerusalém em capital religiosa ao transportar a arca da aliança para o lugar que futuramente seria construído o templo do culto judaico (II Sm 6, 1-23). Sua realeza era exaltada por Iahweh e todo o povo o reconhecia como um grande homem perante o Senhor dos exércitos (II Sm 5,10).  O Rei Davi obteve vitórias sobre os filisteus (II Sm 5,17-25) e sobre os arameus (II Sm 8,13). Reinou sobre todo o povo de forma justa, exercendo o direito de participar da linhagem messiânica.  Dos 150 salmos escritos, 73 são atribuídos com a autoria de Davi, Rei de Israel. O REI SALOMÃO Filho de Davi e Rei após a morte de seu pai, Salomão amou a Iahweh e em tudo seguia os preceitos deixados por seu predecessor (I Rs 3,3). Conhecido por ser o patrono da sabedoria, de acordo com as escrituras, o Senhor concedeu a Salomão um coração sábio e inteligente para discernir entre o bem e o mal (I Rs 3,8-12). Seu reinado foi marcado por um período onde Judá e Israel viveram um tempo de paz e segurança. A fama do Rei Salomão se espalhou por todas as nações circunvizinhas e nunca, em toda a terra foi encontrado homem com tamanha sabedoria (I Rs 5,11). Foi o responsável por construir o templo de Jerusalém, onde se tornou o centro do culto religioso judaico (I Rs 6-8). Por toda a sua sabedoria, alguns livros foram considerados seus escritos, tais como “Sabedoria”, “Provérbios”, “Cântico dos Cânticos” e “Eclesiastes”. De acordo com o livro de reis, Salomão pronunciou três mil provérbios e seus cânticos foram em números de cinco mil (I Rs 5,12). ESDRAS E NEEMIAS: A LIDERANÇA PÓS-EXÍLIO Após a liberdade concedida aos hebreus por Ciro, rei da Pérsia (II Cr 36,22-23) em 538 a.C, os judeus foram autorizados a retornar para Judá e dali, iniciar a reconstrução do templo de Jerusalém (Esd 1,1-11) que havia sido destruído pela invasão babilônica por volta do ano 601 a.C. (II Rs 24,10-17). Embora o decreto estivesse oficializado, as obras do templo foram barradas por conta da oposição dos samaritanos (Esd 4,1-5), sendo que, só viria a ser concluído na época de Dario I em 515 (Esd 6,12). Esdras e Neemias, atuam efetivamente na liderança do povo hebreu realizando uma reconstrução da religião e da sociedade de Judá que lutava para manter sua essência no período pós-exílio. Esdras era escriba e sacerdote da lei de Deus (Esd 7,12) e ao retornar para Jerusalém, tinha uma única missão: ensinar toda a Israel a repraticar os estatutos e normas da lei de Iahweh (Esd 7,10). Esdras foi o responsável por oficializar a quebra do matrimônio misto entre judeus e mulheres de outros povos (Esd 9,1-15) e marcou a história vétero-testamentária ao sacramentar a raça judaica como “pura” afastando outras etnias de suas relações pessoais (Esd 10,1-44). Já Neemias, era copeiro do Rei Artaxerxes, conquistou a missão de ir até a cidade santa para auxiliar na construção das muralhas de Jerusalém, sendo que as obras, finalizaram rapidamente e a cidade é enfim repovoada (Ne 7,72). Neemias se torna governador de Judá (Ne 5,14) e uma de suas últimas ações é restabelecer as normas da lei, já promulgada por Esdras (Ne 13,4-31). OS MACABEUS Na iniciativa de obter a liberdade religiosa e política do povo judeu contra os selêucidas, uma família levantou-se em pró dos israelitas para assim, conquistar os direitos tão desejados. O principal herói da história é Judas, seguido por seus irmãos, chamados de “Macabeus”, devido ao sobrenome. Judas Macabeu liderou os judeus em campanhas vitoriosas, sendo que após a sua morte (I Mc 9,19-22), seus consanguíneos lhe sucederam, primeiro por Jônatas, chefe e sumo sacerdote (I Mc 9,30-31) e após sua morte, por Simão, etnarca (líder de uma etnia) de todo o povo judeu (I Mc 13,8). A LIDERANÇA NO NOVO TESTAMENTO FUNDAMENTO APOSTÓLICO Ef 2,20 – Estais edificados sobre o fundamento dos apóstolos e dos profetas, do qual é Cristo Jesus a pedra angular. Como foi visto até aqui, anteriormente a vinda de Cristo, o povo hebreu possuiu inúmeros líderes que os levaram ora ao conhecimento da lei, ora as praticas corretas de sua religiosidade, ora a uma vida intima com o Senhor dos céus (II Cr 36,23). Jesus Cristo adentrou ao mundo para a salvação da humanidade e para isso, deixou uma única Igreja que teria a responsabilidade de firmar preceitos, normas, condutas e doutrinas para que, confirmando o povo na fé viva do Salvador, peregrinasse através do mundo, levando o evangelho e o conhecimento de que o messias já havia chegado. Diferente do que muitos pensam, a Igreja não se instalou em regime anárquico, onde cada um seria dono de sua verdade e regido por seus próprios pensamentos. Ao contrário disto, a comunidade primitiva nomeou diáconos (I Tm 8-13), bispos (I Tm 3,1), presbíteros (Tg 5,14) para que assim, existisse uma continuidade dos ensinos e assim, como no passado, o povo de Deus fosse guiado em um único pensamento. Chamamos de fundamento apostólico toda a doutrina deixada por nossos pais e transmitida através dos séculos por nossos pastores, seja pela tradição da Igreja ou pela escritura sacrossanta. É por esse motivo, que Paulo ao escrever a Timóteo, usa estas palavras: I Tm 3,14-15 – Escrevo-te estas coisas esperando encontrar-te dentro em breve. Todavia, se eu tardar, saberás como proceder na casa de Deus, que é a Igreja do Deus vivo: coluna e sustentáculo da verdade. SÃO PEDRO: O PRÍNCIPE DOS APÓSTOLOS Pedro, o pescador, chamado a ser apóstolo e emissor do evangelho de Cristo. No tempo da graça, nosso Senhor incumbiu os apóstolos com a missão de divulgar o nome de Jesus e de forma especial, “Cefas”, o primeiro entre os de mais (Mt 10,2; Mc 3,16; Lc 6,14; At 1,13), convidado a apascentar as novas ovelhas que surgiriam posteriormente ao Kerigma (do grego: κήρυγμα, kérygma – anuncio; pregação) (Jo 21,15-19). Pedro teve participação direta no ministério de Cristo de diversas formas, afirmando assim, sua vocação. É tido pela Igreja como a base inicial de sua formação (Mt 16,18), dono das chaves do reino dos céus (Mt 16,19),  confessor da divindade do messias (Mt 16,16), receptor de uma revelação especial (Mt  16,17), porta voz dos cristãos (At 4,1-13), responsável por confirmar a fé dos irmãos (Lc 22,32), destacado pelo anjo como líder (Mc 16,7), o primeiro a falar no cenáculo (At 1,15-22), o primeiro a lançar um anátema (At 5,2-11), o primeiro a ressuscitar um morto após a ascensão de Cristo (At 9,40), o primeiro a abrir o primeiro concílio da Igreja [Jerusalém] (At 15,7-11), porta voz nos momentos mais importantes (Mc 8,29; Mt 18,21; Jo 6,67), o primeiro a reconhecer e refutar uma heresia (At 8,14-24), ordenou o batismo do primeiro gentil (At 10,44-48), exorta os demais anciãos (I Pd 5,1) e por fim, escreve sua primeira carta direto de Roma (I Pd 5,13). O primado Petrino foi estabelecido pelo próprio Cristo, para que assim, a Igreja possuísse um líder que pastoreasse o povo de Deus. Assim como outrora, o povo israelita possuía juízes, reis e escribas que os guiavam, a cátedra de Pedro foi deixada para os cristãos. Um legado que sobrevive até os nossos dias, através da tradição que também é o sustento da comunidade católica em todo o mundo. CONCLUSÃO Desde a mais antiga era, o povo do Senhor tem sido guiado por líderes, que com fé no Deus dos céus, tem levado os escolhidos ao conhecimento da verdade. A nação israelita, predecessora dos cristãos, chegou até nós com os mais belos exemplos de virtude e liderança. Encontraram em Moisés, Josué, Samuel, Davi, homens que os confirmariam na fé a ser seguida. A Igreja seguiu esse exemplo, firmando um líder, que aqui na terra, tem o poder de “ligar e desligar”, sendo que tal dádiva pastoral, foi concedido pelo único Rei dos Reis, Jesus Cristo, nosso salvador. Paz e bem a todos! Érick Gomes.

  • A INTERCESSÃO DOS SANTOS, A ALMA IMORTAL E OS TESTEMUNHOS ANTERIORES AO CONCÍLIO DE NICÉIA

    Como se já não bastasse o “livre exame” dos escritos sagrados, há agora, a livre interpretação dos escritos patrísticos e por consequência de uma má analise do que é lido, aparecem novos questionamentos a respeito do que cremos e aceitamos. É sempre importante salientar que o estudo da tradição e dos escritos de nossos antigos pais, deve sempre seguir a regra final que compreende a decisão da Igreja. Sendo ela a “coluna e sustentáculo da verdade” (1 Tm 3,15), o corpo de Cristo, liderado por Pedro (Mt 16,18) e por todo o colegiado apostólico (Ef 2,20), aplica o “ligar e desligar” (Mt 16,19) para que  assim, nós, católicos, tenhamos a verdadeira doutrina de nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo. E qual o sentido de entender esse conceito? Pois bem, voltemos ao início do cristianismo: O segundo concílio oficial da Igreja (Nicéia – 325 d.C.) foi o canal utilizado por Deus para fazer com que através da “unidade” de todos os membros, fosse definida a consubstancialidade do “Filho com o Pai”. Posteriormente em Constantinopla I (381 d.C.), o Espírito Santo é oficializado como membro da trindade, sendo que, Ele deveria ser adorado e glorificado de igual modo como as outras duas substâncias. Se entrarmos no cerne da questão, entenderemos que houve a necessidade de um concílio, uma vez que, havia informações em desacordo que poderiam colocar a fé em risco e que isso poderia representar uma ameaça para todos os crentes. E o que isso significa? Significa que até o surgimento do concílio de Nicéia, nem todos os cristãos eram trinitarianos e que ainda que existissem grandes teólogos, a decisão final sempre foi e sempre será da Igreja. Para se ter ideia, Orígenes que foi um dos grande apologistas do terceiro século, imortalista e crente de que as almas poderiam rogar em favor dos cristãos, em seu escrito,  “Sobre a Oração, 10” diz que nós não poderíamos rezar “nem ao próprio Cristo” (enfatizando a ideia de uma oração diretamente a DEUS-PAI). Sendo assim, como poderíamos creditar a existência do dogma da santíssima trindade, se não fosse pelo magistério da Igreja? Seria a Igreja Católica tão displicente ao ponto de ignorar as várias informações dos antigos padres, o mover devocional dos primeiros cristãos e criar conceitos que não existiam? Atualmente, o crescente compartilhamento das obras patrísticas, tem levado não católicos a isolar alguns testemunhos em favor daquilo que eles desejam acreditar, esquecer tantos outros que contribuíram para o desenvolvimento da doutrina e o pior, destratar a decisão final da Igreja como algo irrelevante. É nesse sentido que muitos estão embrulhando pequenos pacotes de sofismas e cuidadosamente, tem disseminado inverdades sobre aquilo que é a crença desde o seio da Igreja primitiva. A imortalidade da alma e a intercessão dos santos no período “pré-Niceno”, tem sido um desses novos questionamentos [entende-se por esse período, os testemunhos anteriores ao segundo concílio]. Muitos são os que têm procurado nos pais apostólicos e apologistas, motivos para se afirmar que a Igreja não acreditava na intercessão dos santos/imortalidade da alma. Outros, mais audaciosos, afirmam que anteriormente ao segundo concílio (Nicéia), não há qualquer testemunho que possa defender-nos em favor de tal doutrina. O que poderíamos dizer, sendo que, há de fato, alguns padres que parecem pensar o contrário? Clemente de Roma, em sua epístola à Igreja de Corinto, concede-nos um modelo de oração e tão pouco cita a “intercessão dos santos”. Já aprendemos até aqui que é a Igreja, responsável pela decisão final, isto é, podemos e devemos encontrar opiniões distintas, porém, devemos compreender que a fé católica sempre será a responsável por afirmar aquilo que de fato é a verdade. A fé primitiva não nasceu com todas as doutrinas, conceitos e dogmas instantaneamente. Ficou (e fica até hoje) a cargo da Igreja entender aquilo que nasceu no mais profundo do intimo dos primeiros cristãos e posteriormente, defender a ortodoxia. Diga-se de passagem, o primeiro registro que encontramos sobre a “intercessão dos santos” é muito anterior ao concílio de Nicéia e anterior a própria humanidade de Cristo. Por volta dos anos 176-161 a.C. a história Macabaica é narrada e um fato é atestado: Onias e Jeremias que já estavam mortos, rezavam pela cidade santa. 2 Mc 15,12-14 – “Ora, este foi o espetáculo que lhe  coube apreçar? Onias, que tinha sido sumo sacerdote, homem honesto e bom, modesto no trato e de caráter manso, expressando-se com convenientemente no falar, e desde a infância exercitando em todas as práticas da virtude, estava com as mãos estendidas, intercedendo por toda a comunidade dos judeus. Apareceu a seguir, da mesma forma, um homem notável pelos cabelos brancos e pela dignidade, sendo maravilhosa e majestosíssima a superioridade que o circundava. Tomando então a palavra, disse Onias: ”. Independentemente da aceitação do livro por parte dos protestantes, devemos notar que estamos falando de um registro histórico e longe de defender qualquer afirmação doutrinaria, devemos encarar que a Igreja nasceu através da leitura de tais livros. Santo Irineu de Lião (130-202 d.C), em sua obra contra os agnósticos, diz: “Antes que os romanos estabelecessem o seu império, quando os macedônios mantinham ainda a Ásia em seu poder, Ptolomeu, filho de Lago, que havia fundado em Alexandria uma biblioteca, desejava enriquecê-la com os escritos de todos os homens, pediu aos judeus de Jerusalém uma tradução, em grego, das suas Escrituras. Eles, então, que ainda estavam submetidos aos macedônios, enviaram a Ptolomeu setenta anciãos, os mais competentes das Escrituras e no conhecimento das duas línguas, para executar o trabalho que desejava (…). Quando se reunião com Ptolomeu e confrontaram entre si as duas traduções, Deus foi glorificado e as Escrituras foram reconhecidas verdadeiramente divinas, porque todos, do início ao fim, exprimiram as mesmas coisas com as mesmas palavras, de forma que também os pagãos presentes reconheceram que as Escrituras foram traduzidas por inspiração de Deus” (Contra as Heresias; 3° livro 21,2). Santo Irineu ainda acrescenta: “É, portanto, sólida, não forçada, única verdadeira, a nossa fé que sua prova evidente nas Escrituras, traduzidas da forma que dissemos, e é isenta de toda interpolação a pregação da Igreja. Ora, os apóstolos, que são bastante anteriores a esta gente, estão de acordo com a tradução mencionada acima e a nossa versão concorda com a dos apóstolos. Pedro, João, Mateus, Paulo, todos os outros apóstolos e seus discípulos anunciaram as coisas profetizadas na forma em que estão contidas na tradução dos anciãos”. (Contra as Heresias; 3° livro 21,3). Sendo assim, a Igreja primitiva não só aceitava tal obra (Macabeus), como, usufruía do livro para fins doutrinários. O próprio Santo Irineu, no 2° Livro; 10,2 da mesma coleção, usa 2 Macabeus para dizer que “Deus criou do nada todas as coisas e as fez existir como quis” (2 Mc 7,28). Dessa forma, afirmar que não havia qualquer documento que já embasasse o que viria ser chamado de “Comunhão dos Santos”, não passa de mero sofisma. Ainda sim, poderíamos encontrar testemunhos dos mais variados, seja ele em favor da comunhão dos santos ou de uma crença contrária. Trataremos aqui de expor quais são os aspectos importantes para a formulação da doutrina, iniciando pela bíblia e passando pelo período anterior ao concílio de Nicéia. A Bíblia possui um testemunho robusto que corrobora com a crença da Igreja na “alma imortal” e como consequência, revela pequenos indícios da comunhão plena de todo o corpo que deve ser traduzida por nós como a “intercessão dos santos”. Há passagens que indicam propensões que com toda a certeza, foram utilizadas pelos antigos padres na intenção de, afirmar qual era a fé dos cristãos. Assim como no livro de 2 Macabeus –testemunho justo e verdadeiro – que revela Onias e Jeremias como os grandes intercessores, encontramos nos escritos do Apocalipse de São João alguns testemunhos, sendo eles: – Os que morreram em Cristo, o servem de dia e de noite (Ap 7,10-15); – As orações de “todos os santos” são oferecidas com um incensário (Ap 5,8 e Ap 8,3); – As almas dos justos clamam por justiça (Ap 6,9-10); – Os navegantes que integram as lamentações sobre a babilônia, solicitam que os céus (santos, apóstolos e profetas) se alegrem, pois, Deus julgou suas causas (Ap 18,20). Já de São Paulo, temos as seguintes afirmações: – Jesus Cristo voltará em companhia de todos os seus santos (1 Ts 3,13); – Existe uma família que está no céu (Ef 3,14-18); – Partir e estar com Jesus é muito melhor (Fl 1,23); – Assim como João, Paulo afirma que estamos nós, vivos ou mortos, continuaremos procurando em como agradar a Deus (2 Cor 5,9). O escritor da epístola aos Hebreus, segue semelhante pensamento: – No céu, os espíritos (almas) dos justos chegaram à perfeição (Hb 12,22-24); – Há uma nuvem de testemunhas (santos que já estão no céu) que nos cerca e nos acompanha (Hb 12,1-2). No evangelho de São Marcos, lemos o seguinte relado: – Moisés já havia morrido (Dt 34,1-12), porém, aparece a Cristo (junto de Elias) e de acordo com o relato bíblico, parecia entender a situação de Jesus (Mc 9,4). Além de tais testemunhos bíblicos oriundos do I século da Igreja, encontramos apoio doutrinário em muitas outras informações que procedem anteriormente ao ano de 325 d.C. Seja sobre a alma imortal ou sobre a possibilidade de intercessão. Há visivelmente certa sensibilidade dos cristãos primitivos em aceitar a possibilidade de que o crente após a morte, não apenas conserve suas faculdades intelectuais, mas que também, possa rogar pelos habitantes da terra e ainda que seja de forma tímida, uma pequena compreensão em relação a solicitação dos fieis militantes que careceriam das orações dos mártires e heróis da fé, assim como de Maria Santíssima, Mãe de Deus. Verifiquemos agora, quais são os testemunhos (alma imortal ou intercessão) e suas respectivas datas: – Na “Carta a Diogneto” (199-200 [Século II]) é possível ler que: “A alma imortal habita numa tenta mortal; também os cristãos habitam como estrangeiros em moradas que se corrompem, esperando aincorruptibilidade nos céus (Carta a Diogneto 6,8)”. – Por sua vez, “Atenágoras de Atenas (133-190 [Século II])” diz que: “Agora, como universalmente toda natureza consta de alma imortal e de corpo que foi a adaptado a essa alma (Sobre a Ressurreição dos Mortos 15).” “Todavia, se o Criador dos homens tem algum cuidado com suas próprias criaturas, em algum lugar se guarda a justa distinção entre os que viveram bem e os que viveram mal, isso acontecerá ou na vida presente, quando ainda vivem os que vivem conforme a virtude ou a maldade, ou depois da morte, na separação da alma e do corpo (Sobre a Ressurreição dos Mortos 19)”. – Já “Teófilo de Antioquia (?-186 [Século II])”, afirma doutrina semelhante a respeito da alma: “E uma fonte subia da terra e regava toda a face da terra, e Deus formou o homem do pó da terra, e lhe insuflou alente de vida em seu rosto, e o homem foi feito alma vivente. É por isso que a alma é chamada imortal (Segundo livro a Autólico 19)”. – Da mesma forma “Justino de Roma (100-165 [Século I e II])”, enfatiza a imortalidade da alma: “Vede o fim que tiveram os imperadores que vos procederam: todos morreram de morte comum. Se a morte terminasse na inconsciência, seria uma boa sorte para todos os malvados. Admitindo, porém, que a consciência permanece em todos os nascidos, não sejais negligentes em convencer-vos e crer que essas coisas são verdade. (…) Os fenômenos que acontecem sob a ação dos que sabem essas coisas devem persuadir-vos de que, mesmo depois da morte, as almas conservam a consciência (I Apologia 18,1-6). “Ele (Trifão) me perguntou: Qual a nossa semelhança com Deus? Será que a alma é divina e imortal, uma partícula daquela soberana inteligência, e como aquela vê a Deus, também é possível para a nossa compreender a divindade e gozar a felicidade que dela provém? Eu (Justino de Roma) respondi: Sem dúvida nenhuma” (Diálogo com Trifão 4,2). “Digo, então, que as almas dos justos permanecem num lugar melhor e as injustas e más ficam em outro lugar, esperando o tempo do julgamento. Desse modo, as que se manifestam dignas de Deus não morrem; as outras são castigadas enquanto Deus quiser que existam e sejam castigadas” (Diálogo com Trifão 5,3). “Já vos demonstrei que as almas sobrevivem através do fato de que a alma de Samuel foi evocada pela pitonisa, como Saul lhe havia pedido. Daí se vê que todas as almas de homens tão justos e profetas como Samuel podem cais sob o poder de potências semelhantes aquela que operava na pitonisa e pelos próprios fatos temos que confessar isso. Por isso, Deus nos ensinou por seu próprio Filho a lutar com todas as nossas forças para sermos justos e pedir, ao sair desse mundo, que nossa alma não caia em poder de nenhuma potência semelhante” (Diálogo com Trifão 105,4-6). – Grande apologista da Igreja antiga, “Orígenes (185-253 [Século III])”, através dos seus escritos, demonstra a crença que já frutificava no mais intimo do coração dos cristãos: “Existe só um Deus supremo cujo favor se deve procurar e a quem se deve pedir que seja propício, buscando sua graça pela piedade e por todas as virtudes. E se Celso quiser, depois do Deus supremo, tornar propício outros protetores, deve compreender que, como o corpo que se desloca é seguido pelo movimento de sua  sombra, da mesma forma o favor do Deus supremo atrai a benevolência de todos os que o amam: anjos, almas, espíritos. Eles conhecem os que merecem o favor de Deus, e não contentes em conceder sua benevolência aos que têm este mérito, colaboram com os que querem prestar culto ao Deus supremo: cheios de benevolência com eles, oram e intercedem” (Contra Celso (Livro VIII), 64). “Depois dessas questões, vêm as da alma: dotada de inteligência e de vida próprias será tratada segundo os seus méritos depois que deixar este mundo: ou entrará na posse da vida eterna e herdará felicidade, se seus atos assim lhe fizerem jus, ou então será entregue ao fogo eterno” (Tratado sobre os Princípios [prefácio] 5)”. “Está certo comparar os seres celestes com os santos e os terrestres com os pecadores” (Tratado sobre os Princípios [10 – A Ressurreição], 2° livro, 2)”. “Depois de tudo isso, é preciso pensar que não pouco tempo decorrerá para que, depois da sua morte, seja mostrado aos homens que disso são dignos e o mereceram, a razão dos que se passa sobre a terra para que o entendimento de todos esses mistérios e a graça de um conhecimento completo os façam gozar de uma alegria indescritível” (Tratado sobre os Princípios [11 – As promessas], 2° livro, 6)”. “Depois da morte, recebemos a ciência e a compreensão dele, se as coisas acontecerem como desejamos; quando tivermos o saber completo das suas razões, então, compreenderemos de duas maneiras o que vimos sobre a terra. Da estadia nos ares pode-se falar, portanto, de modo semelhante. De fato, é minha opinião que os santos, ao deixarem essa vida, permanecerão num lugar situado na terra, aquele que a divina Escritura chama Paraíso, como se fosse num lugar de instrução, ou, por assim dizer, um auditório ou uma escola das almas, para serem instruídos acerca de tudo o que viram na terra, e para receberem também algumas indicações sobre o que verão depois, certamente nessa vida receberam alguma ideia das realidades futuras, mas ainda em parte, através de um espelho, em enigma, elas serão reveladas aos santos de maneira mais clara e mais luminosa” (Tratado sobre os Princípios [11 – As promessas], 2° livro, 6). “Deus tem paciência com certos pecadores, porque será para eles um benefícios, considerando a imortalidade da alma e a eternidade sem fim” (Tratado sobre os Princípios [1 – Sobre o livre arbítrio], 3° livro, 13). “Portanto, pensamos que, como já dissemos muitas vezes, sendo a alma eterna e imortal” (Tratado sobre os Princípios [1 – Sobre o livre arbítrio], 3° livro 23). “Oras, as potências celestiais são incorruptas e imortais: sem dúvida a substância da alma humana é incorrupta e imortal” (Tratado sobre os Princípios [Recapitulação sobre o Pai, o Filho e o ES], 4° livro, 9(36)). “O Sumo Sacerdote não é o único a se unir aos orantes, mas também os anjos […] como também as almas dos santos que já dormem” (Oração 11). “Agora, súplicas, ações de graça e apelos podem ser oferecidos para as pessoas sem impropriedade. Dois deles, ou seja, implorando e dando graças, pode ser oferecido não só para os santos, mas para pessoas sozinhas, em geral, ao passo que a súplica deve ser oferecida aos santos somente, deve haver encontrado um Paulo ou um Pedro que podem beneficiar-se e fazer-nos dignos para atingir autoridade para o perdão dos pecados” (Sobre a Oração 14,6). – Da mesma forma, “Santo Inácio, Bispo de Antioquia (35-107 [século I e II])” escreve ao fim de sua epístola: “O amor dos esmirniotas e dos efésios vos saúda. Em vossas orações, lembrai-vos da Igreja da Síria, da qual não sou digno de ser parte, pois sou o último dentre eles. Passai bem em Jesus Cristo, submissos ao bispo como ao mandamento, e igualmente ao presbitério. Todos, individualmente, amem-vos uns aos outros, de coração não dividido. Meu espírito se sacrifica por vós, não somente agora, mas também quando eu chegar a Deus. Eu ainda estou exposto ao perigo, mas o Pai é fel, em Jesus Cristo, para atender a minha oração e a vossa” (Epístola aos Tralianos 13,1-3). – Já no martírio de “Policarpo, Bispo de Esmirna (69 a 155 [Século I e II])”, o escritor menciona que mesmo após a sua morte, São Policarpo continuaria a rejubilar-se, juntamente com os apóstolos: “Essa é a história do bem-aventurado Policarpo, que foi, juntamente com os irmãos de Filadélfia, o décimo segundo a sofrer o martírio em Esmirna. Contudo, apenas dele se guarda a lembrança mais do que dos outros, a ponto de até os próprios pagãos falarem dele por toda parte. Ele foi, não apenas mestre célebre, mas também mártir eminente, cujo martírio segundo o Evangelho de Cristo todos deseja imitar. Por sua perseverança, ele triunfou sobre o iníquo magistrado, e assim, foi cingindo com a coroa da incorruptibilidade. Juntamente com os apóstolos e todos os justos, na alegria ele glorifica a Deus, Pai todo-poderoso, e bendiz nosso Senhor Jesus Cristo, o salvador de nossas almas, guia de nossos corpos, e pastor da Igreja Católica no mundo inteiro” (Martírio de Policarpo 19,1-2). – Ao falar sobre o reconhecimento dos próprios erros, “Clemente Romano (35-100 [Século I])” diz: “Portanto, supliquemos também nós pelos que se encontram em alguma falha, a fim de que lhe sejam concedidas moderação e humildade, e para que cedam, não a nós, e sim à vontade de Deus. Então, quando nos lembrarmos deles com espírito de misericórdia diante de Deus e dos santos, nossa oração produzirá frutos e será perfeita” (1 Carta aos Coríntios 56,1). – Um sermão anônimo, descoberto por volta do ano 130-150 [Século II] e atribuído a “Clemente Romano”, menciona a alegria das almas que se encontram no céu: “Um homem religioso não deve ficar deprimido por sentir-se infeliz no presente. Um tempo de benção e espera. Ele viverá de novo, no céu com seus antepassados, e se rejubilará numa eternidade que não conhece a tristeza” (2 Carta aos Coríntios 19,4). – “Santo Irineu de Lião (130-202 [Século II])” é mais um dos padres apologistas a defender não apenas a imortalidade da alma, como também, a preservação das faculdades psíquicas e intelectuais dos cristãos após a morte: “O Senhor ensinou clarissimamente que as almas não só perduram sem passar de corpo em corpo, mas conservam imutadas as características dos corpos em que foram colocadas e se lembram das ações que fizeram aqui na terra e das que deixaram de fazer. É o que está escrito na história do rico e de Lázaro que repousava no seio de Abraão. Nela se diz que o rico. Depois da morte, conhecia tanto Lázaro como Abraão e que cada um estava no lugar destinado. O rico pedia a Lázaro, ao qual tinha recusado até as migalhas que caíam de sua mesa, que o socorresse; com a sua resposta, Abraão mostrava conhecer não somente Lázaro, mas também o rico e ordenava que os que não quisessem ir para aquele lugar de tormento escutassem Moisés e os profetas antes de esperar o anúncio de alguém ressuscitado dos mortos. Tudo isso supõe clarissimamente que as almas permanecem, sem passar de corpo em corpo, que possuem características do ser humano, de sorte que podem ser reconhecidas e que se recordam das coisas daqui de baixo; que também Abraão possuía o dom da profecia e que cada alma recebe o lugar merecido mesmo antes do dia do juízo”. (Contra as Heresias; 2° livro 34,1). “O que são os corpos mortais? Serão as almas? Mas as almas são incorporais em comparação aos corpos mortais. Com efeito, Deus soprou no rosto do homem o : o sopro de vida é incorporal. Assim como não podem dizer que a alma é mortal porque o sopro de vida permanece – com efeito, Davi diz: , visto ser sua substância imortal – assim não podem dizer que o Espírito é corpo mortal. O que fica então para ser denominado corpo mortal a não se a obra modelada por Deus, isto é, a carne, aquilo que o Apóstolo declara que Deus vivificará? É está que morre e se decompõe e não a alma ou o Espírito. Morrer é perder a capacidade vital, ficar em seguida sem o sopro, sem a vida, sem os movimentos e decompor-se nos elementos dos quais teve início a existência.Ora, isso não pode acontecer com a alma, porque é sopro de vida, nem com o espírito por ser simples e não composto e por ser ele a vida dos que o recebem. Resta que a morte se manifeste na carne a qual, com a saída da alma, fica sem respiração e sem vida e lentamente se decompõe na terra de onde foi tirada. É esta, pois, que é mortal”. (Contra as Heresias; 5° livro 7,1). “Tendo o Senhor ido entre as sombras da morte, onde estavam as almas dos mortos, e ressuscitando depois corporalmente, e depois de ressuscitado, sendo levado ao céu, indicou que o mesmo aconteceria com seus discípulos, pois, era para eles que o Senhor fez tudo isso: as almas deles irão a um lugar invisível estabelecido por Deus e ai ficarão até a ressurreição, à espera dela; depois reassumirão seus corpos numa ressurreição perfeita”. (Contra as Heresias; 5° livro 31,2). – “São Cipriano (210-258 [Século III])”, Bispo de Cartago, testemunha de forma belíssima, qual era de fato a crença que já estava enraizada no mais intimo dos primeiros fiéis: “Lembremo-nos uns aos outros em concórdia e unanimidade. Que em ambos os lados sempre oremos uns pelos outros. Vamos aliviar o fardo e as aflições por amor recíproco, que se um de nós, com rapidez da condescendência divina for primeiro, o nosso amor possa continuar na presença do Senhor; e as nossas orações por nossos irmãos e irmãs não cessem com a presença da misericórdia do Pai ” (Carta 56,5). – “Eusébio de Cesaréia (263-339 [Século III e IV])”, foi um grande historiador da Igreja. Responsável pela obra “História Eclesiástica” (concluída no ano de 326 d.C [século IV]), o Bispo de Cesaréia aponta alguns testemunhos anteriores a Nicéia que retratam a fé da Igreja, seja na alma imortal, quanto na intercessão dos santos. Vejamos: Santa Marcela, Santa Potamiena (Mártires – 202 d.C [Século III]) e São Basílides (soldado e mártir – 202 d.C [Século III]) “Enumera-se Basílides como o sétimo dos mártires. Ele levava ao martírio a célebre Potamiena, cuja fama até hoje é decantada entre os seus compatriotas. Depois de mil combates contra homens corruptos para defender a pureza do corpo e a virgindade pela qual ela se distinguia (pois, sem falar de sua alma, a beleza do corpo era nela qual flor que desabrocha), após mil tormentos e torturas terríveis, cuja narrativa é de arrepiar, foi com sua mãe Marcela, consumida pelo fogo. Narra-se que o juiz, chamado Áquila, depois de ter submetido seu corpo inteiro a duros tormentos, por fim, ameaçou-a de entregá-la aos gladiadores para desonrá-la. Mas ela refletiu por um instante e foi-lhe pedida uma decisão. Deu tal resposta que pareceu-lhes algo de ímpio. Enquanto ela falava, foi proferida a sentença e Basílides, um dos soldados a tomou e conduziu à morte. E como a multidão se esforçava por incomodá-la e insultá-la com palavras inconvenientes, ele afastava com ameaças os injuriadores e manifestava para com ela muita piedade e humanidade. Ela, porém, acolhendo a simpatia que lhe era demonstrada, exortava-o a ser corajoso, dizendo-lhe que o reclamaria, quando tivesse voltado para junto do seu Senhor e que, em pouco tempo, lhe retribuiria o que havia feito em seu favor. Tendo assim falado, sofreu corajosamente a morte. Derramaram pez fervente sobre as diferentes pares do corpo desde a extremidade dos pés ao alto da cabeça devagar, pouco a pouco. Assim foi o combate da ilustre jovem. Basílides, porém, não espetou muito tempo. Os companheiros de armas, por um motivo qualquer, exigiram dele um juramento. Ele declarou com energia que não lhe era permitido absolutamente jurar, porque era cristão e confessava-o abertamente. No princípio, acharam que ele estava gracejando; mas como perseverasse obstinadamente, levaram-no ao juiz, a quem ele confessou sua resistência, e ele mandou algemá-lo. Seus irmãos segundo Deus visitaram-no e perguntaram-lhe a causa deste ardor repentino e extraordinário. Narra-se ter ele respondido que três dias após seu martírio, Potamiena lhe aparecerá durante a noite, pusera-lhe uma coroa na cabeça e havia pedido uma graça ao Senhor, obtivera o objeto de seu pedido e que ele o receberia dentro do pequeno prazo. Então, os irmãos lhe deram sigilo do Senhor e no dia seguinte, após ter brilhado no testemunho pelo Senhor, foi-lhe decepada a cabeça”. (História Eclesiástica, 5° livro 5,1-6). Orígenes (185-253 d.C [Século II e III]) “Apareceram ainda, na Arábia, no tempo a que nos referimos, introdutores de uma doutrina alheia à verdade. Asseveravam que a alma humana neste mundo, no momento final provisoriamente morre com o corpo, e com ele se corrompe, mas no futuro, por ocasião da ressurreição, com ele reviverá. Então, foi convocado um importante concílio. Orígenes novamente foi chamado, e após ter discursado perante a assembleia sobre a questão disputada, saiu-se de tal forma que alterou o modo de pensar do que primeiramente haviam sido iludidos”(História Eclesiástica, 6° livro 37). Dionísio de Alexandria (? – 264 d.C [Século III]) e os “mártires protetores” “Muitos, na mesma montanha da Arábia, foram reduzidos à escravidão por bárbaros sarracenos; entre estes, uns foram resgatados com dificuldade, e por elevado preço; os outros até agora não foram redimidos. Não é ocioso ter narrado isto, irmão, assim, podes conhecer as terríveis provas que nos atingiram. Aqueles, porém, que as experimentaram, sabem muito mais. Em seguida, linhas adiante, prossegue: , pg 754”. – No ano de 1958, um teólogo chamado “Lúcio Navarro”, nos presenteou com uma obra prima da apologia católica intitulada de a “Legítima Interpretação da Bíblia”. Tal autor foi o responsável por reunir algumas inscrições nas lápides que constam nas catacumbas que variam do século I (0 a 100) até os séculos II e III (101 a 300). A importância de tais inscrições mortuárias é de revelar a crença primitiva dos primeiros seguidores de Cristo, no que diz respeito não apenas à intercessão dos santos, mas também, a pequenos fragmentos do entendimento do que temos hoje sobre o purgatório. Na página 541, parágrafo 378, o autor afirma sobre a “invocação dos santos”: “A devoção aos santos é tão lógica e natural, que ela não surgiu por um decreto ou ensino da Igreja, a qual nunca disse que a devoção a este ou aquele santo, mesmo a Maria Ss, fosse condição para a salvação, como é o caso da fé, da observância dos mandamentos, da recepção dos sacramentos, pelo menos em voto. Surgiu espontaneamente, como um expediente que os fiéis, na sua intuição guiada pelo Espírito Santo, que está sempre orientando a Igreja, logo consideraram vantajoso e utilíssimo; e surgiu desde os primeiros tempos da Igreja, porque vem do tempo dos mártires. Naqueles três primeiros séculos de tremendas perseguições, era natural a honra, o carinho, a admiração com que os cristãos cercavam aqueles heróis que derramavam o seu sangue, davam a sua vida pela fé”. O escritor Tim Dowley, em seu livro “Os cristãos, uma história ilustrada”, na página diz 17, afirma sobre as catacumbas de Roma: “No século I, os cristãos de Roma não tinham um cemitério próprio. As famílias que tinham terras sepultavam ali seus parentes; caso contrário, os cristãos usavam os mesmos cemitérios que os pagãos. O apóstolo Pedro provavelmente foi enterrado na grande necrópole pública da colina do Vaticano; o apóstolo Paulo, nunca necrópole na Via Ostiense. Na primeira metade do século II, os cristãos romanos começaram a sepultar seus mortos nos subterrâneos da cidade, e foi assim que surgiram as catacumbas (…). Aos poucos, essas áreas de sepultamento foram ficando maiores. A Igreja de São Calisto, por exemplo, administrava uma grande catacumba que servia de cemitério para sua comunidade”. Sendo assim, passemos a cada inscrição e o local respectivo em que se encontra: TÚMULO DE SÃO PEDRO Localizado sob a Basílica de São Pedro, o tumulo possui diversas sepulturas e alguns mausoléus que tem uma data aproximada do ano 130 d.C (Século II). Lá, pode ser encontrada a seguinte inscrição: “Ó Cristo, tem presentes a Marcelino pecador e a Jovino! Que sempre vivais em Deus”. CEMITÉRIO DE SÃO PÂNFILO São Pânfilo (250 a 309 d.C [Século III e IV]), presbítero de “Cesaréia” foi martirizado no inicio do século IV (decapitado). No cemitério que leva seu nome, encontramos a seguinte frase: “Flávia Prima Amerânia, filha de Aurelino Sênio. O Senhor refrigere o teu espírito, cara pombinha”. Em outro mosaico, no mesmo cemitério, há um pedido de intercessão: “Mártires santos, bons, benditos, ajudai a Ciríaco”. MUSEU CAPITOLINO O Museu Capitolino foi fundado pelo Papa Sisto IV em 1471 e é atualmente, o museu público mais antigo do mundo. Nesse museu, é encontrado a seguinte prece: “Ático, dorme em paz, seguro de tua salvação e pede solícito por nossos pecados”. CATACUMBA DE SÃO CALISTO Esse cemitério pode ser encontrado na Via Ápia. A data de construção dessa catacumba pode ser próxima do ano 150 d.C (Século II) e é uma referência ao “diácono Calisto”. Nessa catacumba, encontramos o seguinte pedido: “Vicência, pede em Cristo por Febe e por seu esposo”. VIA SALÁRIA Antiga estrada romana que tem início em Roma. Tal trecho possui cemitérios antigos como as conhecidas catacumbas da “via Anapo” (final doséculo III [280 a 300] e início do século IV [301 a 320]). Aqui, há outro pedido de intercessão: “Genciano. Fiel, em paz, que viveu 21 anos, 8 meses, 16 dias. Que em tuas orações rogue por nós, porque te sabemos em Cristo”. CATACUMBA DE PRISCILA Esse cemitério também se encontra na “Via Salária”. Assim como outras catacumbas, esse santo lugar foi utilizado para o sepultamento de cristãos entre o século II (101 a 200) e até o século IV. É nessa catacumba que há a mais antiga representação de Maria Santíssima através de uma pintura. Temos de lá a seguinte oração: “Anatólio o fez ao filho benemerente que viveu sete anos, sete meses e vinte dias. Teu espírito descanse em Deus. Pede por tua mãe”. Todas as citações aqui apresentadas, podem ser encontradas no livro de Lucio Navarro nas páginas 542 e 543. Acesse (disponível em PDF): http://www.obrascatolicas.com/livros/Apologetica/legitimainterpreatacaodabiblia.pdf Ou, podem ser encontradas no livro de Engelberto Kirschbaum, Eduardo Junyent e José Vive, publicado pela “La Editorial Catolica”, chamado “La Tumba de San Pedro y las Catacumbas Romanas: los Monumentos y las Inscripciones”. CONCLUSÃO Ap 5,3 – “Outro Anjo veio postar-se junto ao altar, com um turíbulo de ouro. Deram-lhe grande quantidade de incenso para que o oferecesse com as orações de todos os santos sobre o alta de ouro que está diante do trono. E, da mão do Anjo, a fumaça do incenso com as orações dos santos subiu diante de Deus” Acreditar na imortalidade da alma, assim como na comunhão dos santos, é justamente entender que estamos nós, rodeados pela Igreja Celeste que nos acompanha em oração. É justamente isso que o escritor da epístola aos Hebreus ensina: Hb 12,1a – “Portanto, também nós, com tal nuvem de testemunhas ao nosso redor”. Desde o início do mais primitivo cristianismo, tal verdade esteve intimamente ligada no mais intimo do coração daqueles primeiros cristãos. Perseguidos por amor ao Senhor, esse heróis e mártires da fé, tinham a plena certeza de que nem a morte os separaria do amor de Deus (Rm 8,38) e que esse amor seria estendido até mesmo na eternidade (Fl 1,23). Ainda que o tempo da ressurreição não tenha chegado, podemos e devemos confiar que o céu está repleto das almas (Hb 12,22-23) dos crentes que gozam da visão beatífica de Deus e que por esse motivo, podem interceder por todos nós. Todos os batizados formam um único corpo (Ef 4,5) e todas as orações jamais serão interrompidas (2 Cor 1,11; 2 Cor 5,9). Tg 5,15b – “A oração fervorosa do justo tem grande poder” “Não choreis! Ser-vos-ei mais útil após a minha morte e ajudar-vos-ei mais eficazmente do que durante a minha vida” (São Domingos; Jordão da Saxônia, Lb.,93). Que Deus vos abençoe! Érick Augusto Gomes Fonte: accapologeticacristacatolica

  • É UM ABSURDO CRER NA PRESENÇA REAL DE CRISTO NA EUCARISTIA?

    Desde o inicio da Igreja primitiva, os cristãos sempre manifestaram, seja de forma oral ou escrita, a presença real do corpo de Cristo nas espécies do pão e do vinho. Vários são os exemplos que encontramos nos mais diversos textos que comprovam essa fé, não só na patrística, mas sim, nas sagradas escrituras.  O apóstolo Paulo em sua primeira carta aos Coríntios (escrita por volta do ano 55 d.C) já afirmava que o cálice abençoado é a “comunhão com o próprio sangue de Cristo”, assim como o pão partido fazia do cristão, comungar do próprio “corpo do Senhor” (I Cor 10,16). Em outras passagens da mesma carta, o apóstolo dos gentios afirma que aquele que come do pão e bebe do cálice indignamente, torna-se réu de sua própria condenação (I Cor 11,27-29). Muitos ali já haviam morrido e Paulo afirma que esse “castigo” se deve ao fato de alguns não discerniram o corpo do Senhor (I Cor 11,30-31). No evangelho segundo João, o próprio Jesus já havia lançado os fundamentos que seriam concretizados pela própria Igreja: Jo 6,55 – “Pois a minha carne é verdadeira comida e o meu sangue é verdadeira bebida. Quem come a minha carne e bebe o meu sangue permanece em mim e eu nele”. Santo Irineu de Lião (130-202 d.C) em sua obra intitulada “contra as heresias” afirma: “Quanto a nós, nossa maneira de pensar está de acordo com a Eucaristia e a Eucaristia confirma nossa doutrina. Pois lhe oferecemos o que já é seu, proclamando como é justo, a comunhão e a unidade da carne e do Espírito. Assim como o pão que vem da terra, ao receber a invocação de Deus, já não é pão comum, mas a Eucaristia, feita de dois elementos, o terreno e o celeste, do mesmo modo os nossos corpos, por receberem a Eucaristia, já não são corruptíveis por terem a esperança da ressurreição”. (Contra as Heresias, livro 4; 18,5) Assim como Santo Inácio de Antioquia (35-107 d.C), em sua epístolas (Efésios e Esmirniotas), enfatiza que a eucaristia é o remédio para a imortalidade: “Sobretudo se o Senhor me revelar que cada um e todos em conjunto, na graça que provém do seu nome, vos reunirdes na mesma fé em Jesus Cristo da descendência de Davi segundo a carne, filho de homem e filho de Deus, para obedecer ao bispo e ao presbitério, em concórdia estável, partindo o mesmo pão, que é remédio de imortalidade, antídoto para não morrer, mas para viver em Jesus Cristo para sempre” (Epístola aos Efésios 20,2). “Eles sem mantêm distantes da Eucaristia e dos serviços de oração, porque se recusam a admitir que a Eucaristia seja o corpo de nosso Salvador Jesus Cristo, que sofreu por nossos pecados e que em sua bondade, o Pai ressuscitou (dos mortos)” (Inácio aos Esmirniotas 7,1). Já Justino de Roma (100 a 165 d.C), segue a mesma linha ao dizer: “Este alimento se chama entre nós Eucaristia, da qual ninguém pode participar, a não ser que creia serem verdadeiros nossos ensinos e se lavou no banho que traz a remissão dos pecados e a regeneração e vive conforme o que Cristo nos ensinou. De fato, não tomamos essas coisas como pão comum ou bebida ordinária, mas da maneira como Jesus Cristo, nosso Salvador, feito carne por força do Verbo de Deus, teve carne e sangue por nossa salvação, assim nos ensinou que, por virtude da oração ao Verbo que procede de Deus, o alimento sobre o qual foi dita a ação de graças – alimento com o qual, por transformação, se nutrem nosso sangue e nossa carne – é a carne e o sangue daquele mesmo Jesus encarnado. Foi isso que os Apóstolos nas memórias por eles escritas, que se chamam evangelhos, nos transmitiram que assim foi mandado a eles” (I Apologia 66,1-3) Frente a tantos testemunhos, há em nossa era atual, certo desconforto por parte de muitos cristãos que caracterizam tal milagre como “absurdo” e “impossível”. Muitos desconhecem a patrística que narra tal crença na Igreja primitiva, outros, ainda que saibam, creditam a isso um mero simbolismo. Entretanto, se para os primeiros padres a eucaristia é o “antídoto contra a morte” e se para S.Paulo o cálice abençoado é a “comunhão com o próprio sangue de Cristo”, por qual motivo, muitos não creem? Um dos fatores mais curiosos que tenho presenciado por parte de alguns cristãos, é a falta de fé frente a milagres. Acreditar na presença real de Jesus Cristo nas espécies do pão e do vinho, não é um absurdo, ao contrário, significa absorver que a fé cristã é baseada em milagres e a instituição da eucaristia como um sacramento vivo da presença do Senhor nada mais é que a consolidação da unidade da Igreja. Se muitos pensam que o milagre eucarístico, não passa de mera especulação teológica, o que dizer dos mais variados sinais atribuídos a Cristo em toda a narrativa evangélica? Sendo assim, seria também um absurdo acreditar nos milagres realizados por Jesus, tais como: Mudança de água para vinho (Jo 2,1-11); Cura do filho de um funcionário real (Jo 4,46-54); Cura de um paralítico na piscina de Betesda (Jo 5,1-9); Cura de um cego de nascença (Jo 9,1-41); Multiplicação dos pães para mais de cinco mil pessoas (Jo 6,1,15); Caminhada de Jesus sobre o mar (Jo 6,16-21); Ressurreição de Lázaro após a sua morte (Jo 11,1-44); Exorcismo de um homem dominado por demônio (Lc 4,33-35); Cura da sogra de Pedro (Lc 4,38-39); Cura de um leproso (Lc 5,12-13); Cura de um paralítico (Lc 5,17-25); Cura de um homem de mão aleijada (Lc 6,6-10); Cura de um empregado de um oficial romano (Lc 7,1-10); Ressuscitou o filho da viúva de Naim (Lc 7,11-15); Acalmou uma tempestade (Lc 8,22-25); Curou um homem dominado por legião de demônios (Lc 8,27-35); Curou a filha de Jairo (Lc 8,41-56); Cura de uma hemorroíssa (Lc 8,40-56); Cura de um menino endemoniado (Lc 9,38-43); Exorcismo de um “demônio mudo” (Lc 11,14); Cura da mulher encurvada (Lc 13,11-13); Cura de um hidrópico (Lc 14,1-6); Cura de dez leprosos (Lc 17,11-19); Cura de um mendigo cego (Lc 18,35-43); Curou a orelha cortada do empregado do Sumo Sacerdote (Lc 22,50-51); Curou dois cegos (Mt 9,27-31); Curou a filha endemoniada da mulher Cananeia (Mt 15,21-28); Alimentou mais de quatro mil pessoas (sem contar mulheres e crianças) com apenas sete pães e alguns peixes (Mt 15,32-38); Curou um surdo-mudo (Mc 7,31-37); Curou um cego (Mc 8,22-26). A maior característica do cristianismo é o milagre! Como dizer que é um absurdo crer na transubstanciação, quando toda a vida de Jesus é puramente feita de sinais! A nossa conversão já e o milagre atuante em nossas vidas! Enquanto Cristo pregava o seu reino, muitos foram os que duvidaram de seus milagres, de suas ações e do seu precioso amor, porém, Ele morreu e ressuscitou e esse grandioso milagre, desafiou todas as regras humanas de nossa existência! O milagre eucarístico acontece, pois, como filhos de Deus, necessitamos dessa continuidade, até que o Senhor retorne e leve para si, a sua Igreja. Creia no milagre! “Meu Deus, eu creio, adoro, espero e amo-vos. Peço-vos perdão para os que não creem, não adoram, não esperam e não vos amam”. Paz e bem a todos! Érick Augusto Gomes Fonte:accapologeticacristacatolica

  • UMA IGREJA TOTALMENTE CORROMPIDA?

    UMA IGREJA TOTALMENTE CORROMPIDA? A mentira: a Reforma Protestante foi necessária, pois o Igreja Católica estava inteiramente corrompida por imoralidade e falsa doutrina. A mentira apresentada neste texto, assim como outras mentiras históricas, já foi refutada por pesquisas de estudiosos católicos e não católicos. O problema é que a pesquisa erudita, cuidadosamente conduzida e amparada por numerosas notas de rodapé não é muito atrativa ao leitor comum. Há, no entanto, algumas obras sobre o assunto de protestantes e católicos que são de leitura mais fácil e expõem o tema de modo imparcial. Algumas serão mencionadas neste texto, outras estão incluídas na bibliografia indicada nos comentários. Para resumir, a versão popular desta mentira é a seguinte: a Reforma era inevitável. (Até mesmo o historiador de arte Sir Kenneth Clark, em sua série de filmes Civilisation, diz, “ela tinha que vir.”) No século XVI, a situa ção na Igreja Católica era intolerável e alguém tinha de fazer alguma coisa. Felizmente, apareceram benfeitores da humanidade como Martinho Lutero, João Calvino e Henrique VIII, dispostos a cumprir a tarefa de purificar o cristianismo que, há séculos, vinha sendo corrompido pela ganância e superstição dos católicos. O clero católico era ignorante e moralmente corrupto; vivia em concubinato ou até mesmo em libertinagem e vendia indulgências pelos pecados (ver as características dessas indulgências em Contos de Cantuária [Lisboa, Publicações Europa América, 1992], de Geoffrey Chaucer). Os mosteiros eram fossas de iniquidade. Nos níveis mais altos, os clérigos compravam e vendiam seus cargos e influências política e eclesiástica. Os papas levavam vidas imorais, em grande luxo, preocupados principalmen te com questões politicas. Viviam como príncipes mundanos. Os leigos eram miseráveis ignorantes, prejudicados pelos dízimos e tributos infligidos pelo clero e devotos de superstições que lhes eram ensinadas sob o pretexto de doutrina. Dificilmente podetiam viver como seres humanos racionais, em razão da sua preocupaçãocom reliquias e com o pós-morte e de práticas arcaicas como a Missa. Entretanto, a corrupção da Igreja era mais evidente na sua doutrina. A vida dos sacerdotes não apenas não se assemelhava em nada à vida dos apóstolos, mas o que eles ensinavam não se baseava nas Escrituras. Indulgências, por exemplo, certamente não estão na Bíblia; todavia, foram uma grande fonte de lucro para o clero corrupto. A Igreja Católica como um todo, com sua misteriosa liturgia, sacramentos mágicos e doutrinas incompreensíveis, não tinha semelhança alguma com aquelas simples comunidades cristãs sobre as quais lemos na Bíblia. Já que, então, a Igreja Católica era incapaz de reformar a si mesma o concilio chamado de reformista, realizado no século XVI (Quinto Concilio de Latrão) não realizou absolutamente nada, era o momento de os cristãos devotos, que sabiam o que significava o verdadeiro cristianismo, iniciarem uma mudança radical e uma limpeza completa. Essa é a história da grande Reforma contada pelos protestantes. Como escreveu um historiador protestante francês, E.G. Leonard, em The Reformation: Revival or Revolution, editado por W. Standford Reid: ( … ) os protestantes afirmaram por muito tempo, e ainda o fazem ocasionalmente, que a Reforma foi uma reação contra a falta de moral dos padres e os abusos do papado; essa visão baseia-se em um escrito tardio de Lutero, no qual ele afirma que sua revolta começara a partir do momento em que, durante sua visita a Itália, descobriu o horror das prá ticas vergonhosas de Roma. Will Durant, no volume sobre a Reforma da sua obra História da civilização, aproveita a oportunidade para pintar uma imagem sensacionalista de corrupção generalizada dentro do clero e ainda acrescenta, de maneira maliciosa e astuta, precisamos ser justos com aqueles padres luxuriosos e levar em conta que o concubinato sacerdotal não era devassidão, mas sim uma rebelião quase geral contra a regra do celibato, imposta pelo papa Gregório VII a um clero que não a queria. Ele chama o celibato de “uma regra arbitrária desconhecida dos apóstolos e do cristianismo oriental”. Jack L Arnold, do Third Millenium Ministers, resume de forma sucinta em seu website’ a descrição convencional do protestantismo evangélico sobre a Era da Reforma: A Igreja Católica Romana estava teologicamente doente e sua teologia havia gerado uma corrupção atroz. Estava es- piritualmente exausta. debilitada e quase sem vida. Roma se afastara dos ensinamentos da Biblia e estava mergulhada em heresia. Em outro site, http://www.justforcatholics.org, lemos sobre aquela época: “a Igreja Católica desceu ao fundo dos infernos em matéria de corrupção, ganância, superstição, arrogância e imoralidade. Essa visão parece estar consolidada de tal modo na psique moderna que se torna imune a qualquer relato diferente. E não são apenas os interessados em perpetuar as 33 mil ou mais seitas que foram criadas desde a Reforma, todas trazendo o selo “cristão”, que continuam a papaguear a coleção de mentiras listadas anteriormente. Até mesmo trabalhos acadêmicos são frequentemente contaminados. Isso levou um crítico literário, ao analisar um dos melhores estudos recentes sobre a Reforma (The European Reformation, do professor Euan Cameron), a observar que: “é revigorante encontrar uma obra que não comece com a premissa de que o protestantismo era inevitável ou até mesmo desejado pelos leigos.” Quanto aos pastores e fiéis das seitas protestantes, eles estão naturalmente predispostos a aceitar à versão da História que lhes é ensinada por seus livros e seminários e, depois, transmitem-nas ao seu rebanho. Muitos simplesmente aprendem que a Igreja Católica estava completamente corrompida antes de Lutero e companhia, e as provas em contrário simplesmente entram por um ouvido e saiam pelo outro. Suponho que muitos protestantes se prendem a essa idéia porque ela justifica a sua existência. Se a Igreja Católica não fosse (e continua sendo, é claro) tão corrupta e maléfica, qual seria a razão para se criar novas igrejas? Os secularistas, naturalmente, alegram-se em comprar qualquer versão da História que denigra a Igreja. Em razão do estreitamento mental dessas pessoas, o estudo imparcial da Igreja Católica pré-Reforma é muito raro. E quanto aos católicos? a situação é também muito ruim. Os mitos reformistas são parte da cultura americana, e apenas uma minoria de católicos não foi afetada por eles. A má formação também tem culpa: muitos aprendem mais sobre religião comigo que nas escolas católicas ou em aulas de educação religiosa. E eu acredito; a qualidade da catequese e educação histórica nas escolas católicas e outras instituições passou por um declínio abissal nos anos 1960 e ainda apresenta um nível muito irregular. Os católicos de hoje estão dispostos a acreditar em qualquer bobagem sobre a Igreja que encontrem em livros didáticos, na midia ou no ar que respiram. Se, portanto, protestantes e católicos compram as mentiras sobre a Reforma, o que podemos fazer? Primeiramente, devemos ter certeza de que conhecemos os fatos. Em seguida, precisamos entender a razão pela qual poucos avanços são feitos na luta contra as mentiras da História não somente nessa questão e tentar lidar de maneira caridosa com os obstáculos que encontramos. O fenômeno complexo conhecido por Reforma não veio do nada. Foi precedido por mil e quinhentos anos de civilização cristã, desde as primeiras comunidades de fiéis dentro do Império Romano, passando pela lenta conversão da Europa bárbara, até chegar à desenvolvida civilização da Idade Média. Como vimos anteriormente, o período medieval viu o esplêndido desenvolvimento da cultura, da educação, dos serviços sociais, das instituições pollticas e econõmicas, e contou com grande número de santos que atuaram em diversos âmbitos da vida. #France #Englad #Ireland #Históriadaidademédia #HistóriadaInquisição #HistóriadasHeresias #Igreja

  • A DEVASTAÇÃO PROTESTANTE NA INGLATERRA

    Como a devoção a Nossa Senhora era muito forte na Inglaterra, o Rosário certamente teria de ser reprimido. Há a história da policia litúrgica de Elisabete que, ao visitar a igreja de uma vila, deparou-se com uma senhora rezando o Rosário. Um dos caçadores de “superstição” agarrou o rosário e o quebrou, empurrando para fora a senhora, que reclamava. Os moradores reuniram-se em volta do agressor, o atacaram e, possivelmente, o mataram. Incidentes como esse ocorreram esporadicamente por toda a Inglaterra, mas o povo católico não conseguiu conter as autoridades por muito tempo. A Reforma inglesa arruinou as guildas. Henrique Vlll confiscou seus fundos e Elisabete decretou estatutos com o intuito de prejudicá-las. Em 1547, durante o reinado de Eduardo VI, filho de Henrique, que subira ao trono com 9 anos, Thomas Cranmer, o arcebispo apóstata, e seus associados protestantes tomaram medidas para estabelecer o protestantismo na Inglaterra com mais firmeza do que Henrique havia permitido, e um dos seus alvos era as guildas. Estima-se que, entre 1530 e 1540, milhares de guildas foram reprimidas e tiveram seus recursos, incluindo a terra (caso a tivessem), confiscados. O efeito desmoralizante da perda das suas irmandades queridas e organizações profissionais foi devastador para os associados da época. A longo prazo, o desaparecimento dessas associações resultou na inexistência de organizações que atendessem aos pedidos dos trabalhadores explorados e atenuassem o sofrimento de suas vidas miseráveis, no início da Revolução Industrial do século XVIII. As guildas não foram os únicos alvos escolhidos para arrecadar os fundos que Henrique Vlll necessitava em parte para subornar apoiadores para sua nova igreja. Os mosteiros deveriam ser “visitados” para se ter certeza de que não eram corruptos. Caso o fossem, deveriam ser reprimidos, a fim de manter a pureza da vida religiosa, é claro. O cardeal Wolsey já havia “dissolvido” por volta de 29 estabelecimentos religiosos, em 1520. Em 1535, foi Thomas Cromwell, vigário de Henrique, que intensificou e completou o roubo e a destruição da vida monástica inglesa. Os mosteiros estavam corrompidos? Certamente havia alguma corrupção moral em alguns deles, como houve em todas as épocas da História, mas se poderia lidar com isso facilmente por meio de uma análise caso a caso. Outras visitas durante o mesmo período, por autoridades locais, também foram muito destrutivas. Contudo, o objetivo de Henrique e de seus súditos não era acabar com a verdadeira corrupção; se assim fosse, eles esperariam encontrá-la nas casas religiosas maiores e mais ricas, em vez das menores e mais pobres. As maiores, no entanto, gozavam de maior influência politica, e Cromwell estava relutante em atacá-las primeiro. Os “visitantes” envia dos por Henrique e Cromwell, em 1535, se dirigiram para as cerca de quatrocentas pequenas casas religiosas conhecidas como ”mosteiros lesser”. Esses visitantes faziam um escân dalo ao procurar por corrupção moral (encontrando poucas confissões; as quais eram obtidas, em grande parte, sob pres são) e tentavam persuadir os jovens religiosos a abandonar suas vocações. Ao mesmo tempo, pregadores eram enviados, em uma campanha de propaganda, para atacar e depreciar a vida monástica. Em fevereiro de 1536, o parlamento dissolveu os mosteiros restantes. A poucos foi permitida a sobrevivência e, surpreendentemente, os internos os mesmos monges e freiras cujas reputações haviam sido difamadas eram, agora, declarados religiosos exemplares. (O ato do parlamento também especificou que os habitantes dos mosteiros maiores estavam imunes à repressão. O falso objetivo de combater a corrupção moral logo desapareceu.) As casas menores foram saqueadas e seus fundos e terras tomados para a coroa; Henrique ficou contente, mas não estava satisfeito. Ainda restavam os mosteiros maiores e mais ricos. A revolta no norte da Inglaterra na peregrinação da Graça, em outubro de 1536, motivada parcialmente pelo desejo de salvar os mosteiros restantes e também preservar a fé na Inglaterra, adiou os planos de Henrique, mas não por muito tempo. Logo, os bens e as terras de todos os mosteiros estavam em suas mãos; e ele usava a terra como suborno para sua corte, comerciantes, advogados e outros. Além da perda espiritual da Inglaterra -em pregação, ensino e oração (sem mencionar a heresia, a supressão do Santo Sacrifício e a perda das almas) -, o que dizer das escolas, dos hospitais, dos orfanatos, das hospedarias, das casas para viúvas e de outros serviços que os mosteiros prestavam? O escritor protestante William Cobbett, no século XIX, declarou que a dissolução dos mosteiros teve o efeito de causar não apenas a pobreza, mas fazer da “miséria” uma condição permanente das classes baixas inglesas. A educação universitária também sofreu, já que os estudantes pobres não mais recebiam o apoio oferecido pelos monges. A distância entre as classes alta e baixa aumentou. Os camponeses foram levados à miséria pela perda das terras dos mosteiros, onde tinham permissão para cultivar e pastar os animais. Nas cidades, o clero secular também se envolveu no en· sino e em outros serviços para os pobres, serviços estes pagos pelo dizimo que recolhiam -aquele dizimo que foi tão criticado pelos pretensos “reformistas.” Como observa Euan Cameron, um estudioso e professor protestante, em seu excelente livro de 1991, The European Reformation: “Se o clero secular de Londres tivesse desistido do seu dizimo e vivido de caridade (como encorajavam alguns freis carmelitas em 1460), muitas atividades valiosas, incluindo a educação e assistência aos pobres, seriam prejudicadas”. O resultado foi o triunfo do protestan- tismo na Inglaterra e a aceitação da sua propaganda no lugar da ultrapassada fé católica e seus costumes. Para citar Duffy uma vez mais, ” no final de 1570, seja qual fosse a tendência natural e a nostalgia dos idosos, uma geração crescia educada com a ideia de que o papa era o anticristo e a missa era uma palhaçada. Uma geração que ;não valorizava o passado católico como seu próprio passado. mas valorizava outro país, outro mundo. #Irlanda #Inglaterra #Históriadaidademédia #HistóriadaInquisição #Igreja

  • AS CONDIÇÕES NA INGLATERRA ANTES DA REFORMA

    Vimos em textos anteriores o desenvolvi- mento das guildas na Idade Média e o importante papel económico, social e politico que tiveram nas novas cidades, fator decisivo para a renovação da Europa após a Idade das Trevas. O tema é investigado em profundidade pelo historiador católico Eamon Duffy em The Strippinig of the Altars: Traditonal Religion in England 1400-1580. Uma critica ao livro feita pelo professor Christopher Harper Bill, em Theology. enaltece esse estudo brilhante: “É uma leitura essencial para todos aqueles que desejam entender a religião no final da Idade Média e os meios pelos quais ela foi solapada contra os desejos da vasta maioria de seus praticantes”. Esse é um ponto essencial: a religião católica das massas foi destruída contra sua vontade. A Reforma Protestante foi uma revoluçao, e como observa outro historiador, as revoluções nunca são feitas pelo “povo.” Na Inglaterra, as mudanças trazidas pela revolução religiosa, longe de serem desejadas pelo povo inglês, foram amargamente ressentidas. Foi o rei Henrique VIII quem primeiro rompeu com a Igreja Católica – porque esta não queria declarar a invalidade de seu casamento, o que permitiria que ele se casasse com Ana Bolena. Assim começou a “Igreja da Inglaterra” e o anglicanismo. A necessidade de dinheiro e apoio levou Henrique a tomar medidas contra as guildas e os mosteiros. Sob o reinado de seu filho Eduardo, menor de idade, conselheiros protestantes proliferaram no governo e medidas ainda mais anticatólicas foram introduzidas. Após o breve reinado de Maria, a filha católica de Henrique, que suspendeu temporariamente a perseguição aos católicos mas foi incapaz de restaurar o pais, veio a temível rainha Elisabete I. Apoiada por seu ministro ainda mais temível, William Cecil, e o seu sinistro “interrogador” e torturador Topcliffe, ela instituiu a perseguição em larga escala à Igreja e o confisco dos bens das famílias católicas deso bedientes. Essa intensificação da violência da realeza contra tudo o que era católico teve origem nos ataques de Henrique às guildas e aos mosteiros. Além das funções econômicas, as guildas inglesas tambêm tinham importantes funções espirituais e religiosas, e todas as suas características estavam harmoniosa- mente incorporadas à vida de seus membros. No final da Idade Média, as guildas ainda operavam nas cidades e vilas da Inglaterra; no campo, havia numerosas “guildas” de caráter devocional. Essas irmandades preservavam práticas piedosas como manter, na igreja da paróquia, a luz ante a imagem do santo padroeiro da guilda e rezar pelas almas dos associados fale cidos. Membros contribuíam com quantias para os funerais e as missas para os mortos e também pagavam pelos funerais dos membros pobres. Também ajudavam com as despesas dos membros que estavam doentes ou que necessitavam de ajuda financeira (provado que não fosse por culpa própria) e, às vezes, sustentavam as igrejas das paróquias. Esses costumes e essas práticas religiosas estavam tão entrelaçados com a vida das pessoas comuns que, ao longo dos séculos, tinham se tomado parte delas. Em particular, as cerimônias e orações pelos mortos, as procissões – que assumiam caráter cívico para a cidade que as hospedava -, os costumes do Advento e as cerimônias da Semana Santa marcavam as estações do ano e davam a elas um caráter sagrado e uma importância que nenhum calendário secular poderia oferecer. Todos esses hábitos, e qualquer outro repleto de caridade católica, tomaram-se alvos da polícia litúrgica anglicana. #Históriadaidademédia

  • Cristãos devem guardar o sábado ou o domingo? Um estudo integral

    Introdução A controvérsia acerca do dia de guarda é antiga, e nasceu na própria Igreja primitiva. Ao longo da história, grupos e indivíduos que se autodenominam “cristãos” têm observado dois dias diferentes para dedicar a Deus, ao repouso, à oração e meditação. De um lado, a maioria observa com sinceridade o domingo, primeiro dia da semana, como memorial da Ressurreição de Nosso Senhor Jesus Cristo. De outro lado há grupos (principalmente novos protestantes e de novas seitas judaizantes) que creem, muitas vezes também com sinceridade, que devem honrar e guardar apenas o sétimo dia como o “Sábado do Senhor”, assim como era nos tempos do Antigo Testamento (AT). O principal argumento deste último grupo é o seguinte: quando Deus deu ao seu povo os Dez Mandamentos, também deixou claro que eram ordens perpétuas, as quais ninguém jamais poderia mudar. Ainda que o católico argumente que a antiga ordem das coisas se passou, e que vivemos agora a nova e eterna Aliança em Cristo, na qual a Lei foi consumada, os sabatistas insistem em dizer que foram revogados apenas os antigos preceitos e costumes judaicos, mas não a Lei imutável de Deus, que não poderá nunca ser abolida por instituição humana alguma. Para início dessa conversa, cabe ressaltar que há um lado irônico na situação: é o fato de que nós, católicos, concordamos em que a Lei de Deus não poderia ser abolida ou mudada por nenhum ser humano. Antes de abordar a questão em si – na sua essência e nos seus detalhes – importa dizer que o que nos difere fundamentalmente é que cremos na Igreja enquanto Corpo de Cristo e, portanto, continuidade histórica de Cristo no mundo (conf. 1Cor 12,12-13.27; Cl 1,18; Ef 1,22-23; Gl 3,26-28; Rm 12,4-5). Enquanto católicos, vemos e cremos na Igreja como coluna e sustentáculo da Verdade para os cristãos (conf. 1Tm 3,15) e, sendo assim, a única autoridade verdadeiramente capaz de nos apontar o verdadeiro Caminho que conduz a Cristo, ou que, antes, é o próprio Cristo. Ironia ainda maior é saber que aqueles que nos condenam acreditam-se apoiados e confirmados pelas Sagradas Escrituras, que abundantemente confirmam a fé católica. Como disse o ex-pastor protestante Marcus Grodi, em seu artigo “Os versículos que eu nunca vi – quando era protestante”: “Umas das experiências mais comuns entre protestantes que se convertem ao Catolicismo é a descoberta de versículos que para eles parecem ‘inéditos’. Mesmo depois de anos de estudo, sermões e ensino da Bíblia, algumas vezes do Gênesis ao Apocalipse, repentinamente um versículo ‘inédito’ aparece como que por mágica, mudando toda a nossa vida; (…) parece que um católico entrou sorrateiramente em nossas casas e alterou a Bíblia!” (Ver texto completo e fonte) Como visto, desde os tempos apostólicos houve certa controvérsia no seio da Igreja antiga sobre quais normas dadas por Deus no AT os irmãos em Cristo deveriam continuar observando e quais não. A questão torna-se ainda mais grave pelo fato de que os novos adeptos gentios (oriundos do paganismo) eram evangelizados sem que fossem obrigados às antigas observâncias mosaicas. Logo os primeiros conflitos tornaram-se inevitáveis, obrigando os Apóstolos a se reunir em Jerusalém para tratar essa questão (conf. At 15). Dentro desse contexto específico, qual deveria ser o dia de adoração a Deus? O sábado, conforme fora transmitido por Moisés e os Profetas, ou o domingo, o Dia da Ressurreição do Senhor e da instauração dos novos tempos, nos quais Deus fez “novas todas as coisas” (conf. Ap 3,15)? A Instituição do Dia de Repouso e de Adoração Sabemos que, no AT, santificou o SENHOR o sábado como seu dia de adoração. Mas à nova geração, à qual foi confiada a nova Lei, “não com tinta mas com o Espírito do Deus Vivo, não em tábuas de pedra, mas em tábuas de corações humanos, e é por intermédio de Cristo que temos tamanha confiança em Deus” (2Cor 3,3-4), cabe o  privilégio e também o dever de ir além da observância mecânica e procurar compreender mais perfeitamente a Vontade de Deus para nós, seres humanos feitos à sua imagem e semelhança. Qual será então, segundo os textos sagrados da Bíblia e conforme nos esclarece a santa Igreja (que é o Corpo de Cristo, Mãe e Mestra, Coluna e Fundamento da Verdade) o motivo do Mandamento divino? Não é difícil entender que, para encontrar esta resposta, devemos antes saber responder bem a outras duas perguntas: 1) Por que Deus instituiu um dia para o descanso e para o seu culto? 2) Por que o shabath (sábado) foi escolhido para ser este dia? 1) Por que Deus instituiu um dia para descanso e para o seu culto? A clara resposta para a primeira pergunta encontramos no quinto capítulo do Livro do Deuteronômio, onde lemos: “Lembra-te de que foste escravo no Egito, de onde a mão forte e o braço poderoso do teu SENHOR te tirou. É por isso que o SENHOR, teu Deus, te ordenou observasses o dia do sábado.” (Dt 5,15) Vemos como a observância do dia de culto de adoração está relacionada à libertação dada por Deus ao povo hebreu quando o livrou do cativeiro no Egito. O SENHOR manifesta-se como Libertador do seu povo eleito, com Poder e Glória, sinais e maravilhas, o envio de pragas (conf. Ex 8;9; 10;11) e a abertura do Mar Vermelho (conf. Ex 14,21-31) contra o jugo do poderoso Faraó. Deus Libertador guia seu povo à Terra Prometida. Indo além, sabemos que a libertação da escravidão do Egito é o prenúncio da Libertação que o Cristo posteriormente promoverá da escravidão maior e geral do Pecado, conduzindo-nos à Jerusalém Celeste (conf. Hb 11,16; 12,22-24. Jo 14,1-3). 2) Por que o shabath (sábado) foi escolhido para ser este dia? A resposta à segunda pergunta encontramos no livro do Êxodo: “Porque em seis dias o Senhor fez o céu, a terra, o mar e tudo o que contêm, e repousou no sétimo dia; e por isso o Senhor abençoou o dia de sábado e o consagrou.” (Ex 20,11; cf. Gn 2,3) Por esta razão, no dia da libertação o homem também deveria libertar-se do trabalho secular (cf. Am 8,5; Ex 34,21; 35,3; Ez 22,8; Jr 17,19-27; Dt 5,12-14); no dia em que Deus manifestou o seu amor pelo seu povo, também o povo manifestaria seu amor para com Ele (Lv 23,3; Lv 24,8; 1Cr 9,32; Nm 28,9-10; Is 1,12s), como nos recordam as palavras de S. João: “Nós o amamos, porque Deus nos amou primeiro” (1 Jo 4,19). Diante do que foi exposto até aqui, podemos definitivamente identificar a dupla raiz da instituição do dia de repouso e adoração: a) Porque é o dia da libertação do povo de Deus da escravidão no Egito (conf. Dt 5,15); b) Porque é o dia da plenitude da Criação (conf. Ex 20,11); pois o próprio SENHOR cessou o seu Trabalho (a Criação) no sétimo dia, terminado no sexto dia. Ainda que Deus evidentemente não “se canse”, caso contrário não seria Deus, o “descanso” ou “repouso” de Deus refere-se à cessação do seu divino Trabalho. A palavra “Shabath“, sábado (do hebraico שבת, ‘shabāt’; ‘shabos’ ou ‘shabes’) significa exatamente “cessão” ou “cessação”, com o sentido de “término de um período ou de uma atividade”. Por isso, o Sétimo Dia também é o dia da Plenitude da Criação, em certo sentido mais perfeitamente que “o dia do ‘descanso’ de Deus”. Jesus, o Sábado e o Domingo‘Rabi, por que permitis que teus discípulos trabalhem no sábado?’ (Lc 6) Com o passar do tempo, os judeus deturparam a observância do sábado santo, assim como a de outros preceitos divinos. Esqueceram-se das raízes espirituais desta divina observância, prendendo-se apenas à letra da Lei. Na época de Jesus, os doutores da Lei dispendiam longas e elaborados debates sobre os muitos preceitos que regulavam o descanso sabático. Listam-se 39 tipos de trabalho que eram proibidos aos judeus nesse dia. Entre estes, ficaram registrados nos Evangelhos o de colher espigas (conf. Mt 12,2) e o de carregar fardos (conf. Jo 5,10), entre outros. Os doentes só podiam ser atendidos num sábado em perigo iminente de morte, motivo pelo qual se opuseram ao Cristo, que curava aos sábados (cf. Mt 12,9-13; Mc 3,1-5; Lc 6,6-10; 13,10-17; 14,1-6; Jo 5,1-16; 9,14-16). Mais importante que a Lei O Senhor Jesus Cristo, contra os fariseus, afirmou com total clareza: “O sábado foi feito para o homem e não o homem para o sábado” (Mc 2,27). Por isso, declarou-se “Senhor do Sábado” (Mc 2,28) e, assim como acontece hoje com a Igreja que é seu Corpo, foi incriminado pelos doutores da Lei (Jo 5,9), ao que respondeu que nada fazia além de imitar o Pai, que, mesmo tendo cessado a Criação do Universo, continuou a governá-lo, e também aos homens (Jo 5,17). Neste momento Jesus explicitamente abolia a observância do sábado. Os sabatistas contra-argumentam dizendo que Jesus estava resgatando o espiritual e real sentido do Mandamento divino. Sim, o verdadeiro sentido precisava ser recuperado. Entretanto, os sabatistas enganam-se em pensar que a observância do dia de repouso e adoração estaria para sempre fixada no dia do sábado. Se, em razão das passagens bíblicas já citadas, o sábado em específico tivesse que ser guardado perpetuamente, significaria que toda Lei Levítica (com a circuncisão, a Páscoa judaica, o antigo sacerdócio, etc) também seria perpétua. Um claro exemplo dessa incoerência encontramos no livro de Êxodo 12,14, onde está declarado que a Páscoa dos judeus, que celebrava igualmente a libertação do Egito, teria que ser observada “por suas gerações” e “para sempre”, exatamente do mesmo modo como é dito sobre o sábado. Também a oferta do incenso segundo as regras do AT é dita “perpétua” (Ex 29,42), assim como a lavagem ritual e específica de mãos e pés (Ex 30,21). Se aceitam que tudo isso não é parte da Nova Aliança, porque a obsessão com o dia do sábado? Todavia, quando as Escrituras afirmam o sábado como “perpétuo”, não se referem à fixação específica do sétimo dia, mas ao acordo de fidelidade de Deus para com a humanidade. E o próprio Deus, através dos Profetas do AT, anuncia que seu novo Acordo se dará de uma forma nova: “Eis que vêm dias, diz o SENHOR, em que farei um pacto novo com a casa de Israel e com a casa de Judá, não conforme o pacto que fiz com seus pais, no dia em que os tomei pela mão, para os tirar da terra do Egito, esse meu pacto que eles invalidaram, apesar de Eu os haver desposado. Mas este é o pacto que farei com a casa de Israel depois daqueles dias, diz o SENHOR: Porei a minha Lei no seu interior, e a inscreverei no seu coração; e eu serei o seu Deus e eles serão o meu povo.” (Jr 31,31-34) O pacto da Antiga Aliança seria –, como de fato foi –, substituído por um novo, sendo que o primeiro foi apenas uma figura do segundo, que é eterno (conf. Hb 9). Neste novo pacto, o SENHOR instituiu um novo dia para a sua adoração, pois em um novo dia Ele salvou o seu povo, de uma vez para sempre, conforme profetizou Oseias: “Farei em favor dela [sua nova nação, a Igreja], naquele dia, uma aliança (…). Então te desposarei para sempre; desposar-te-ei conforme a justiça e o direito, com misericórdia e amor. Desposar-te-ei com fidelidade, e tu conhecerás o SENHOR.” (Os 2,20-22) O Senhor Jesus aboliu a observância do sábado após cumprir o anúncio dos Profetas, morrendo na Cruz e ressuscitando no primeiro dia da semana: o domingo. Tal fato é citado muitas vezes e com clareza na Bíblia, como ainda veremos, e também na documentação histórica que nos chega sobre os usos e costumes da Igreja primitiva. Se na Antiga Aliança o sábado foi estabelecido como o dia de adoração porque foi o dia da libertação do cativeiro e o dia da plenitude da Criação, na Nova e Eterna Aliança o domingo é estabelecido como novo dia de adoração pelas mesmas razões: é o dia em que o SENHOR nos salvou do cativeiro do Pecado e o dia em que, ressurgindo da mansão dos mortos, cessou o trabalho em sua nova Criação (a natureza humana incorruptível). Desta forma, o domingo também é, porém de maneira mais perfeita, o Dia da Libertação e da plenitude da Criação. Uma das provas bíblicas deste fato é a Carta aos Hebreus, que acentua a índole figurativa do sábado, afirmando que o repouso do sétimo dia era a imagem do verdadeiro repouso de que desfrutaremos na Presença de Deus (conf. Hb 4,3-11). No sábado estava a figura (prenúncio); no domingo está a concretização do Plano de Deus. Nesta perspectiva, o Domingo é o Sábado eterno. O claro testemunho da Bíblia Sagrada Jesus aparece pela primeira vez aos Apóstolos no domingo, dia da Ressurreição. Escreveu o Salmista: “A pedra que os edificadores rejeitaram tornou-se cabeça da esquina. Foi o Senhor que fez isto, e é coisa maravilhosa aos nossos olhos. Este é o dia que fez o Senhor; rejubilemo-nos e alegremo-nos nele”(Sl 118,22-24). Ora, Jesus se tornou Pedra Angular no dia em que ressuscitou: o dia da Ressurreição é “o Dia que o Senhor fez para nós”. Conforme o Profeta Jeremias, em seu novo pacto o Senhor promete escrever a sua Lei no interior e no coração dos homens. Conforme Oseias, no dia em que isto acontecer, os homens O conhecerão. Ora, isto se cumpre exatamente também no domingo, quando o Espírito Santo é dado aos Apóstolos (conf. Jo 20,19-23; At 2,1-4); pois é o Espírito Santo Quem nos convence da Vontade de Deus. A segunda aparição do Senhor aos discípulos não é num sábado, mas no Domingo, o novo “dia que o Senhor fez para nós” (conf. Jo 20,26), dia em que Tomé adora a Jesus como Deus (conf. Jo 20,29): temos aqui, em determinado sentido, a primeira adoração cristã a Deus, e ocorre no domingo. Ainda que os primeiros cristãos guardassem o sábado, o culto cristão por excelência aconteceu desde sempre no domingo (conf. At 20,7; 1Cor 16,2). Absurdamente, os sabatistas alegam que a “Ceia do Senhor” não era uma reunião de culto(!), quando a Primeira Carta de S. Paulo aos Coríntios mostra com nitidez que a reunião da “Ceia do Senhor” era a reunião de culto maior dos cristãos, como se verifica nos capítulos de 11 a 16. No entanto, é verdade que desde o início muitos foram tentados a “judaizar” o cristianismo, pela observância das prescrições da Lei Mosaica. A comunidade dos gálatas é exemplo disso, e por causa disso S. Paulo dirigiu-lhes uma epístola para tratar tal questão, na qual não poderia ter sido mais claro e incisivo: “Ó insensatos gálatas! Quem vos fascinou a vós, ante cujos olhos foi apresentada a imagem de Jesus Cristo crucificado? Apenas isto quero saber de vós: recebestes o Espírito pelas práticas da Lei ou pela aceitação da fé? Sois assim tão levianos? Depois de terdes começado pelo Espírito, quereis agora acabar pela carne?” (Gl 3,1-3) Se porém alguém ainda duvidar que S. Paulo se referisse inclusive à observância do sábado, neste trecho veja o que escreveu aos colossenses: “Que ninguém vos critique por questões de comida ou bebida, pelas festas, luas novas OU SÁBADOS. Tudo isso nada mais é que uma sombra do que haveria de vir, pois a realidade é Cristo” (Cl 2,16-17) S. Paulo Apóstolo confirma, mais uma vez e de maneira totalmente objetiva, que o Antigo Testamento (e faz questão de incluir a observância do sábado) foi como “uma sombra” em vista do Novo, o qual o substituiu no cumprimento da Morte e Ressurreição do Senhor Jesus Cristo (o que inclui, na prática comum da Igreja, o domingo como Dia do Senhor). “Jesus lhes propôs: ‘Qual de vós será o homem que, tendo uma ovelha, e, num sábado, esta cair em um buraco, não fará todo o esforço para retirá-la de lá?’” (Mt 12,11) Sim, poderíamos com muita tranquilidade encerrar este estudo por aqui. Tudo já foi dito, confirmado e provado, biblicamente e teologicamente. Mas há muitas outras confirmações bíblicas – das quais tanto fazem questão os protestantes, judaizantes ou não – de que o domingo é o Dia do Senhor, e fazemos questão de apresentá-las para que esta abordagem fique completa, como sempre foi o estilo d”O Fiel Católico”. Ocorre que no Livro do Apocalipse (1,10) S. João escreve: “Num domingo, fui arrebatado em êxtase, e ouvi, por trás de mim, voz forte como de trombeta”. Este trecho insuspeito, que aos olhos desavisados pode parecer secundário, é de fundamental importância para se resolver de uma vez por todas a questão, porque a expressão inicial, que comumente traduzida em português para “num domingo”, no original grego diz literalmente: “TE KURIAKÉ HÉMERÀ”, que significa “No Dia do Senhor”1. Contamos com pelo menos três testemunhos patrísticos dos primeiros dois séculos que atestam a relação entre o primeiro dia da semana e o “Dia do Senhor” aí referido: a Didaché (14,1), documento que é anterior a alguns livros do Novo Testamento da Bíblia (leia); a referida Epístola aos Magnésios (9,1) de Sto. Inácio e o Evangelho de S. Pedro (35 e 50). Aí está, judaizantes, a Bíblia Sagrada, simples e diretamente, afirmando com todas as letras que o Domingo é o Dia do Senhor. Conclusão Embora muitos não imaginem, a tendência atual das novas seitas ditas “cristãs” em voltar a guardar o sábado deriva do pensamento da fundadora do Adventismo do Sétimo Dia, a Sra. Ellen G. White, que afirmava em seus escritos que a instituição do domingo como dia do Senhor era uma “invenção do Papado”, e que quem observasse este dia como Dia do Senhor receberia a marca da Besta. Por esta razão, alguns adventistas (acreditando mais na senhora White do que na Bíblia, nos Profetas, nos Apóstolos, nos cristãos dos primeiros séculos e no próprio Cristo) têm procurado fundamentar tal afirmação pesquisando desesperadamente aonde teria o Papado feito tal instituição… O melhor que fizeram até agora foi afirmar que o Papado substituiu o Dia do Senhor de sábado para domingo durante o Concílio de Laodicéia na Frígia, realizado no ano 360. O que não querem enxergar é que o Concílio de Laodiceia apenas confirmou a doutrina apostólica da observância do domingo contra os cristãos judaizantes. Na realidade este Concílio não foi Geral, mas Local, e por essa razão não envolveu o Bispo de Roma e nem tinha o poder de alcançar a Igreja inteira espalhada pelo mundo. Devemos lembrar, isto sim, o que é fato concreto: que os decretos contra os cristãos judaizantes foram instituídos pelos Apóstolos durante o Concílio de Jerusalém (cf. At 15). Conforme já exposto, tais decretos não favoreciam a observância do Sábado como Dia do Senhor. Os Bispos de Jerusalém sempre foram fiéis a esses decretos, conforme podemos observar no testemunho de S. Cirilo, Bispo de Jerusalém (313 – 386dC): “Não cedas de forma alguma ao partido dos samaritanos ou aos judaizantes: por Jesus Cristo de agora em diante foste resgatado. Mantenha-te afastado de toda observância de sábados, sobre o que comer ou como te purificar. Abomina especialmente todas as assembleias dos perversos heréticos.” (S. Cirilo de Jerusalém. Carta 4, 37) Aí estão apresentados e contemplados os fatos, caríssimo leitor. Há inúmeros outros documentos historiográficos antigos atestando a celebração cristã por excelência e o dia de guarda dos cristãos no domingo; alguns deles constam do nosso primeiro estudo (leia), outros ainda podem ser encontrados mediante pesquisa. Não os acrescentaremos a este estudo para que não se torne longo por demais. A decisão, entretanto e como sempre, ficará por sua conta: entre optar pela opinião de Ellen White e das novas comunidades protestantes ou pelo testemunho dos Profetas, dos santos Apóstolos, dos primeiros cristãos e de Nosso Senhor Jesus Cristo. Só você pode decidir. ___________ 1. Pode ser comprovado no website de estudos protestantes ‘BibliaHub’ (em inglês) de tradução fiel direta do original em grego, que traz ‘On the Lord’s day (No dia do Senhor) I was in the Spirit…’. Vide: biblehub.com/bsb/revelation/1.htm. ___________ Fontes e referências: • LIMA, Alessandro. Apostolado Veritatis Splendor: Dia do SENHOR: ságado ou domingo?. Disponível em veritatis.com.br/article/3948. Acesso 16/3/2017. • BAUER. Johannes B. Dicionário bíblico-teológico, São Paulo: Loyola, 1994, pp.110-111. • BOGAERT, Pierre-Maurice et al. Dicionário enciclopédico da Bíblia, São Paulo: Loyola, Paulinas, Paulus, Academia Cristã. Verbete ‘Domingo’. www.ofielcatolico.com.br

  • A Imaculada Conceição de Maria Santíssima e a Concepção Virginal de Nosso Senhor Jesus Cristo

    O QUE QUER DIZER “Imaculada Conceição” de Nossa Senhora? Muita gente sabe que essa expressão se refere a Virgem Maria, mas não entendem bem o que significa. O nome próprio “Conceição” ou “Maria da Conceição” é dado a muitas meninas em honra da Imaculada Conceição (ou Concepção) de Maria de Nazaré. A palavra conceiçãoou concepção significa, aqui, o ato de ser concebido ou gerado um novo ser humano no seio de uma mulher. Imaculada significa “sem mancha; sem mácula”, no caso, de pecado. Logo, o significado é concebida sem pecado. Mas o que isso quer dizer? Não poucos pensam que quando a Igreja usa estes termos está se referindo à pureza imaculada da concepção de Jesus no seio de Maria. É certo que Jesus não nasceu da relação natural de uma mulher e um homem, mas por Obra do Espírito Santo. É isto o que afirmamos no Credo, quando dizemos: “…Nasceu da Virgem Maria..”. Mas não é por causa de sua virgindade que a Igreja dá a Nossa Senhora o título de “Imaculada Conceição”. Este título se refere à concepção da própria Maria no seio de sua mãe. Não significa, de modo algum, que sua concepção foi virginal como a de Jesus Cristo, como afirma o livro de Rodrigo Alvarez (veja). Dizer isto, na realidade, é cair em grave heresia. Maria, totalmente humana, nasceu como as pessoas comuns, isto é, da relação conjugal de seus pais naturais, que a Igreja chama São Joaquim e Santa Ana (ou Sant’Ana). A Conceição Imaculada de Maria é uma outra coisa: não tem nada a ver com seus pais, por mais virtuosos que fossem, mas sim é um Dom especialíssimo que Deus Todo Poderoso quis dar a Maria: significa que desde o início de sua existência ela esteve livre do Pecado original. A Sã Doutrina nos ensina que toda a humanidade participa do Pecado dos primeiros seres humanos, que a Bíblia denomina “Adão e Eva”. É como uma marca hereditária –, espiritual e física –, que uma pessoa transmite a todos os seus descendentes. Por isso, todos nós vivemos intensamente a experiência do pecado e de sermos pecadores. Se formos sinceros, reconheceremos que não seguimos sempre retamente a nossa consciência. A carne é fraca e somos vencidos pela gula, pela luxúria, pela ira, pelo desânimo e por toda sorte de más influências, que nos chegam tanto dos nossos inimigos visíveis (como as más amizades) quanto invisíveis (os demônios tentadores). Toda a grande família humana ficou marcada por esta mancha. Só e exclusivamente Jesus Cristo, Deus feito homem, pode livrar-nos do pecado e das suas consequências. Pela Fé e pelo Batismo nos reconciliamos com Deus e voltamos a viver como seus filhos e filhas. Maria, a Mãe do Senhor (Theotokos), entretanto, recebeu por Graça Divina um privilégio especialíssimo. Porque no plano de Deus ela estava destinada a ser a mãe de Jesus Cristo, o Salvador, ela foi liberta da mancha do Pecado desde a sua concepção. Assim, ela jamais esteve separada de Deus e pôde alinhar, com um “sim” incondicional e sem vestígio de hesitação, sua vontade à Vontade do Altíssimo. É esta santidade de Maria Cheia de Graça (κεχαριτωμένη) que a Igreja proclama quando fala de sua Imaculada Conceição. Cheia de Graça, salva por Cristo Apesar de a palavra grega κεχαριτωμένη (um vocativo) poder ser corretamente traduzida como “agraciada”, como insistem os protestantes, vemos que Gabriel Arcanjo não a chama “Maria”, mas recorre ao uso deste termo, que já indica o motivo da escolha por ela e o quão importante seria sua participação na história da salvação (Lc 1,28). É como se no momento da Anunciação, Maria tivesse trocado de nome para, assim, ser chamada pelo título que a representava espiritualmente. Agraciada? Sim, desde o momento de sua concepção. O uso dessa palavra denota a altíssima importância de Maria no relato do evangelista, uma vez que, em toda a literatura bíblica, nesse único versículo nos são apresentados dois fatos humanamente incomparáveis: 1) a única vez, em todo o projeto de salvação, que uma mulher foi saudada por um Anjo; 2) o único registro bíblico do uso do vocativo κεχαριτωμένη, indicando que a Graça manifestada em Maria traria ao mundo, dentro de si – de sua carne e seu sangue – o próprio Deus encarnado (Mt 1,23). Maria não recebeu uma graça particular dentro do tempo, como qualquer um de nós, mas sim anterior ao tempo; anterior e transcendente mesmo à sua própria existência. Maria foi já, por assim dizer, “planejada” por Deus em estado de graça: “Não temas, Maria! Encontraste Graça junto de Deus!” (Lc 1,30). Assim como Jacó foi escolhido antes mesmo do seu nascimento (Rm 9,11-13), Maria foi escolhida, preservada e preparada para a missão de ser portadora de Deus, Tabernáculo da Nova e Eterna Aliança. Como pode, entretanto, a Igreja ensinar que Nossa Senhora foi concebida sem pecado, se, segundo a Bíblia e a Tradição cristã, Jesus morreu na Cruz para salvar toda a humanidade do pecado, e que não pode haver salvação fora d’Ele? Simples. Maria não encontrou salvação fora de Cristo. Jesus, Nosso Senhor –, insistimos –, é o único Redentor e Salvador de todos. É Ele o único Salvador até mesmo das pessoas que viveram antes do seu Nascimento no mundo e, para ilustrar esta verdade, as Escrituras mostram-no descendo à Mansão dos Mortos (Infernus) para para abrir as portas do Céu aos justos que o haviam precedido (cf. CIC §637). Vemos, assim, que a salvação mediante Jesus Cristo não está condicionada ao tempo nem ao espaço, com diz o Apóstolo: “Nem a morte, nem a vida, nem os anjos, nem os principados, nem as coisas do presente, nem do porvir, nem os poderes, nem a altura, nem a profundidade, nem qualquer outra criatura poderá separar-nos do Amor de Deus, que está em Cristo Jesus, nosso Senhor”  (Rm 8,38-39). Foi prevendo a Encarnação e Morte de seu Filho que Deus comunicou a Abraão e a todos os justos do Antigo Testamento a Graça da Fé na sua Promessa de salvação. Como Filho de Deus feito homem, Jesus é o único que não precisou ser salvo do Pecado que afeta toda a família humana. Assim, Maria também foi salva do Pecado pela Graça que Cristo, seu Filho, iria merecer com sua Paixão e Morte. É esta face fundamental da doutrina católica que os protestantes não querem entender e –, temos que reconhecer –, muitos leigos católicos também parecem desconhecer. Maria, sendo humana, pertence à humanidade pecadora e não poderia se libertar de tal situação por seus próprios méritos. Mas foi capaz de agradar a Deus porque Ele mesmo o quis, isto é, pela força do seu Espírito Santo. Assim é que Maria, Mãe do próprio Deus encarnado, esteve livre do pecado desde o primeiro instante de sua existência – o instante da sua concepção. Exatamente nisso é que consiste o dogma da sua Imaculada Conceição. A grande diferença entre Maria e os outros santos –, e nós mesmo –, é que todos nós somos libertados do Pecado que já existe em nós pela Graça de Cristo. Maria, ao contrário, foi preservada de qualquer pecado desde que foi concebida, porque recebeu naquele instante o Espírito Santo de Deus. Segundo o dogma, isso “era necessário porque era preciso que a Mãe do Senhor, o Tabernáculo da Nova e Eterna Aliança, fosse imaculada, assim como era intocável e feita do ouro mais puro a Arca da Antiga Aliança” Por isso, Maria já é Cheia de Graça antes do momento da Encarnação de Cristo, por efeito do seu Sacrifício Redentor. Por isso, a Igreja a louva e saúda como fez Isabel, cheia do Espírito Santo, chamando-a “Mãe  do Senhor / Mãe de Deus” e “Bendita entre as mulheres” (Lc 1,39-56). Por Pe. João A. Mac Dowell S. J. e Henrique Sebastião _____ Fontes: • Acadêmico Arautos, em: http://academico.arautos.org/2011/12/o-que-significa-imaculada-conceicao/ • Apologética Cristã, Maria Cheia de Graça ou Agraciada?, em: http://accapologeticacristacatolica.blogspot.com.br/2015/07/maria-cheia-de-graca-ou-agraciada.html www.ofielcatolico.com.br

  • O TRATAMENTO DADO AOS ÍNDIOS DEPOIS DA CONQUISTA ESPANHOLA

    UM PARALELO DO TRATAMENTO DADO AOS ÍNDIOS PELOS ESPANHÓIS E PELOS INGLESES NAS AMÉRICAS OS PURITANOS NA COLONIZAÇÃO DOS EUA DIZIAM, ÍNDIO BOM É ÍNDIO MORTO. DESDE AS PRIMEIRAS DESCOBERTAS NO NOVO MUNDO, ESPALHOU-SE NA ESPANHA O DEBATE ENTRE ESTUDIOSOS SOBRE A NATUREZA DOS HABITANTES DAS NOVAS TERRAS. OS SOFISTICADOS ASTECAS, COM SUA AVANÇADA CIVILIZAÇÃO, ERAM EVIDENTEMENTE HUMANOS, APESAR DE SUA RELIGIÃO SER DEMONÍACA. NO CASO DE ALGUMAS TRIBOS DA AMÉRICA CENTRAL QUE AINDA VIVIAM NA IDADE DA PEDRA E FORAM DESCOBERTAS, POR ACASO, PELOS CONQUISTADORES, A QUESTÃO NÃO ESTAVA CLARA. ESSES POVOS ERAM COMPLETAMENTE DIFERENTES DE TODAS AS RAÇAS HUMANAS CONHECIDAS PELOS ESPANHÓIS. ESSAS QUESTÕES FORAM MOTIVO DE GRANDES DEBATES FILOSÓFICOS E TEOLÓGICOS, POIS ERA PRECISO TOMAR PRECAUÇÕES PARA O TRATAMENTO E CONTROLE JUSTO DESSES NOVOS SÚDITOS ESPANHÓIS. AS CONCLUSÕES FORAM CLARAS E FIRMES, MARCANDO UM NOVO AVANÇO NO MUNDO OCIDENTAL: OS ÍNDIOS ERAM SERES HUMANOS CRIADOS POR DEUS, POSSUÍAM DIREITOS HUMANOS E DEVERIAM SER TRATADOS COM JUSTIÇA. ESSES PENSADORES CATÓLICOS LEVARAM A SÉRIO A AFIRMAÇÃO DO PAPA PAULO II, EM 1537, DE QUE OS ÍNDIOS NÃO DEVERIAM SER TRATADOS COMO ANIMAIS IRRACIONAIS E SEREM USADOS EXCLUSIVAMENTE PARA NOSSO PROVEITO E NOSSO SERVIÇO (…)[ELES] NÃO DEVEM TER SUA LIBERDADE E PROPRIEDADE RESTRINGIDAS (…) MESMO QUE NÃO SEJAM CRISTÃOS; ELES PRECISAM SER LIVRES PARA DESFRUTAR DE SUA LIBERDADE E SUAS PROPRIEDADES. 0 PAPA ENFATIZOU O PRINCÍPIO CRISTÃO DE QUE “TODO HOMEM É MEU IRMÃO OU MINHA IRMÃ.” (NÃO IREI ESTENDER AS COMPARAÇÔES ÓBVIAS ENTRE ESSA VISÃO CATÓLICA SOBRE OS DIREITOS HUMANOS DOS ÍNDIOS, QUE OS COLONIZADORES FRANCESES NA AMÉRICA DO NORTE TAMBÉM COMPARTILHAVAM, E O MODO COMO OS INGLESES E SEUS DESCENDENTES VIAM OS ÍNDIOS COM QUE TINHAM DE LIDAR. QUEM FOI QUE DISSE, “ÍNDIO BOM É ÍNDIO MORTO?”). NOS PRIMEIROS ANOS DEPOIS DA CONQUISTA, A CONVERSÃO DOS ASTECAS E OUTRAS TRIBOS MEXICANAS AO CRISTIANISMO SE DEU LENTAMENTE, A DESPEITO DO GRANDE ESFORÇO E DEDICAÇÃO DOS MISSIONÁRIOS FRANCISCANOS. PARTICULARMENTE EM ÁREAS ONDE HAVIA POUCA PRESENÇA GOVERNAMENTAL, A RELAÇÃO ENTRE COLONIZADORES ESPANHÓIS E OS ÍNDIOS, EM GERAL, ERA TENSA, E ISSO DIFICULTAVA A RECEPTIVIDADE DOS NATIVOS Ã RELIGIÃO DO HOMEM BRANCO. EM 1531, NO ENTANTO, OCORREU A MISTERIOSA APARIÇÃO DA IMAGEM DE UMA JOVEM MULHER – CLARAMENTE A VIRGEM MARIA – EM UM MANTO PERTENCENTE A UM ASTECA DE MEIA IDADE. ESTE HOMEM, JUAN DIEGO, LEVAVA UM BUQUÊ DE ROSAS PARA O BISPO. AS FLORES LHE HAVIAM SIDO DADAS POR UMA JOVEM MULHER QUE LHE APARECERA ALGUMAS VEZES E PEDIRA PARA QUE O BISPO CONSTRUÍSSE UMA IGREJA PARA ELA. QUANDO JUAN DIEGO, DEPOIS DE MUITO ESFORÇO, CONSEGUIU VER O BISPO E ABRIU SUA FILMA (MANTO), SURPREENDEU-SE AO PERCEBER QUE TODOS OS INDIVÍDUOS PRESENTES SE AJOELHARAM EM VENERAÇÃO: HAVIA NO FILMA A IMAGEM EXTRAORDINÁRIA DE NOSSA SENHORA DE GUADALUPE. A IMAGEM FOI SUBMETIDA A DIVERSAS ANÁLISES CIENTÍFICAS E, ATÉ HOJE, NÃO SE CONSEGUIU IDENTIFICAR COMO FOI FEITA. ELA NÃO FOI PINTADA (APESAR DE TER SIDO RETOCADA COM TINTA AO LONGO DOS SÉCULOS); O TECIDO DEVERIA TER SE DESINTEGRADO EM APENAS UMA GERAÇÃO, MAS ATÉ HOJE ESTÁ EM PERFEITAS CONDIÇÕES, MAIS DE QUATRO SÉCULOS DEPOIS DO SEU APARECIMENTO; AMPLIADA EM ALTA DEFINIÇÃO NOTAM-SE FIGURAS NO OLHO DE NOSSA SENHORA, COMO SE ESTIVESSEM REFLETIDAS EM UM OLHO VIVO NO MOMENTO EM QUE A IMAGEM FOI FIXADA; ESSAS SÃO APENAS ALGUMAS CARACTERÍSTICAS DESSA RELÍQUIA LENDÁRIA. MAIS SINGULARMENTE, A IMAGEM LEMBRA UMA MULHER ASTECA GRÁVIDA E INCLUI SÍMBOLOS QUE EXPRIMIRAM UMA MENSAGEM ESPIRITUAL AOS ASTECAS. DESDE QUE A IMAGEM APARECEU, MILAGRES FORAM ASSOCIADOS A ELA, E EM SEIS ANOS CERCA DE 8 MILHÕES DE ASTECAS FORAM CONVERTIDOS À FÉ CATÓLICA. • A IMPORTÂNCIA DESSA CONVERSÃO EM MASSA NÃO PODE SER SUBESTIMADA. CONQUISTADORES E CONQUISTADOS AGORA COMPARTILHAVAM UMA RELIGIÃO COMUM. EM RAZÃO DE OS ESPANHÓIS NÂO SEREM, COMO OS INGLESES, RACIALMENTE PRECONCEITUOSOS, ELES AGORA ESTAVAM DISPOSTOS A SE CASAR COM OS NATIVOS, PRODUZINDO EVENTUALMENTE UMA SOCIEDADE MUITO MAIS HOMOGÊNEA EM TERMOS RACIAIS DO QUE JAMAIS EXISTIU AO NORTE DO MÉXICO. ESSE TIPO DE CONDUTA NUNCA FOI PRATICADA EM GRANDE ESCALA PELOS INGLESES DISCRIMINADORES. (AQUI ALGUÉM PODERIA DIZER: “POCAHONTAS É UM DOS POUCOS CASOS.) #HistóriadaInquisição

  • A VERDADEIRA HISTÓRIA SOBRE A LENDA NEGRA NO MÉXICO.

    • A VERDADEIRA HISTÓRIA SOBRE A LENDA NEGRA DOS MASSACRES DOS ASTECAS • QUANDO HERNÁN CORTÉS DESEMBARCOU NO MÉXICO, EM 1519, COM CERCA DE TREZENTOS HOMENS, NÃO TINHA IDÉIA CLARA DO QUE O ESPERAVA, TRAZIA APENAS A CRENÇA NA EXISTÊNCIA DE UMA CIDADE BELA E RICA GOVERNADA POR UM IMPERADOR, LOCALIZADA EM ALGUM LUGAR AFASTADO DA COSTA. AO TOMAR O CAMINHO RUMO A ESTA CIDADE, ELE OBTEVE MAIS INFORMAÇÕES COM AS VÁRIAS TRIBOS INDÍGENAS QUE ENCONTROU, MAS ELE E SEUS HOMENS NÃO ESTAVAM PREPARADOS PARA A DIMENSÃO DO QUE ENCONTRARAM. • HÁ DOIS MITOS POPULARES QUE VÊM SENDO DESMENTIDOS HÁ ALGUM TEMPO, EMBORA UM DELES AINDA PERSISTA. SÃO OS MITOS MODERNOS SOBRE OS “NOBRES SELVAGENS” E SEU PARAÍSO — UM PARAÍSO QUE ESTAVA INTACTO ATÉ A CHEGADA DO HOMEM BRANCO, E O MITO DOS ANTEPASSADOS ALTAMENTE CIVILIZADOS DOS SELVAGENS, QUE ESTAVAM MUITO À FRENTE DOS EUROPEUS EM QUASE TUDO. A IMAGEM QUE TEMOS ATUALMENTE DA CONQUISTA DO MÉXICO POR CORTÉS É MUITO MAIS EQUILIBRADA DO QUE AQUELA COMUM ATÉ A METADE DO SÉCULO XX. • A CIVILIZAÇÃO DOS ASTECAS, PARCIALMENTE CONSTRUÍDA SOBRE AS CONQUISTAS ANTERIORES DOS TOLTECAS, ERA CONSTITUÍDA DE UMA CURIOSA MISTURA DE ELEMENTOS. ARQUITETURA E ENGENHARIA ASTECAS HAVIAM PRODUZIDO UMA CAPITAL DE IMENSA BELEZA E REFINAMENTO, COM CANAIS, JARDINS E TEMPLOS, QUE DEIXARAM OS ESPANHÓIS MARAVILHADOS. O SECRETÁRIO DE CORTÉS, BERNAL DIAZ, REGISTROU A OPINIÃO DE ALGUNS SOLDADOS ESPANHÓIS. ELES DIZIAM QUE, EM TERMOS DE VARIEDADE DE BENS E ORGANIZAÇÃO EFICIENTE, NÃO HAVIAM VISTO, NAS GRANDES CIDADES DA EUROPA, NADA QUE PUDESSE SE EQUIPARAR AO GRANDE MERCADO DE TENOCHTITLAN (LOCALIZADO NA ATUAL CIDADE DO MÉXICO). • EM SUMA, OS ASTECAS ERAM CIVILIZADOS. NO ENTANTO, TAL COMO EM TODAS AS CIVILIZAÇÕES, A DELES TINHA COMO BASE A SUA RELIGIÃO, E ESTA ERA UM DOS CULTOS MAIS SINISTROS REGISTRADOS EM TODA A HISTÓRIA. ALGUNS HISTORIADORES RECENTES SUGEREM QUE OS PIORES DOGMAS DESSA RELIGIÃO FORAM CRIADOS E ERAM MANIPULADOS POR UM CÍNICO E AMBICIOSO SACERDOTE ASTECA COM O INTUITO DE ASSEGURAR O DOMÍNIO DO SEU POVO SOBRE AS OUTRAS TRIBOS DA REGIÃO. SEJA COMO FOR, OS ASTECAS PRATICAVAM SACRIFÍCIOS HUMANOS EM LARGA ESCALA, EM MÉDIA DE DEZENAS DE MILHARES DE VITIMAS POR ANO, A FIM DE AGRADAR AOS SEUS DEUSES. GRANDE PARTE DOS SACRIFICADOS ERA CAPTURADA DURANTE AS GUERRAS QUE OS ASTECAS PROVOCAVAM COM O OBJETIVO DE RECOLHER VÍTIMAS; OUTROS ERAM ESCRAVOS. MUITAS CRIANÇAS DE FAMÍLIAS ASTECAS ERAM ESCOLHIDAS PARA SEREM SACRIFICADAS AOS DEUSES EM TROCA DE FERTIDADE AGRÍCOLA. ELAS ERAM MANTIDAS EM VIVEIROS POR UM CURTO PERÍODO DE TEMPO E, EM SEGUIDA, LEVADAS AO LOCAL DE EXECUÇÃO, ONDE TINHAM AS GARGANTAS CORTADAS. OS ASTECAS DIZIAM QUE SUAS LÁGRIMAS ERAM UM BOM SINAL, UM SINAL DE CHUVA. • A MAIORIA DAS VÍTIMAS NÃO SE RENDIA TÃO FACILMENTE. ELAS ERAM FORÇADAS A ESCALAR OS DEGRAUS DA PIRÂMIDE NA QUAL UM SACERDOTE AS ESPERAVA PARA RETIRAR O CORAÇÃO DE SEU PEITO E COLOCÁ-LO, AINDA BATENDO, NA BOCA DE UM ÍDOLO. ERA PRÁTICA COMUM ENTRE OS GUERREIROS ASTECAS VESTIR-SE COM A PELE ARRANCADA DOS CORPOS, AINDA PINGANDO SANGUE, E CORRER PELAS RUAS. O QUE SOBRAVA DO SACRIFÍCIO DAS VÍTIMAS ERA JOGADO NOS DEGRAUS PARA ALIMENTAR ANIMAIS OU USADO EM FESTAS CANIBAIS DAS CLASSES ALTAS E BAIXAS. (DIAZ, DESCREVENDO UM JANTAR QUE O IMPERADOR MONTEZUMA OFERECEU AOS ESPANHÓIS, OBSERVEM QUE CORTÉS PASSOU A CARNE ADIANTE; ELE DEVE TER OUVIDO DAS TRIBOS NÃO ASTECAS RUMORES SOBRE ANTROPOFAGIA OU SUSPEITOU SOBRE O QUE ACONTECIA NO ALTO DA PIRÂMIDE EM TENOCHTITLAN, A CAPITAL GOVERNADA POR MONTEZUMA.) • ESSAS PRÁTICAS EXPLICAM POR QUE, QUANDO CERCA DE TREZENTOS ESPANHÓIS DESEMBARCARAM NO LESTE DO MÉXICO, ELES FORAM RAPIDAMENTE RECEBIDOS POR DEZENAS DE MILHARES DE ÍNDIOS DAS TRIBOS QUE HÁ MUITO TEMPO ERAM VITIMAS DOS GUERREIROS ASTECAS. QUEM REALMENTE FEZ “A CONQUISTA” SENÃO ESSES SOLÍCITOS ALIADOS, QUE ESTAVAM EM NÚMERO MUITO MAIOR QUE OS ESPANHÓIS? NOS PRIMEIROS ESTÁGIOS DAS RELAÇÕES COM OS ASTECAS, O OBJETIVO DOS ESPANHÓIS NÃO ERA CONQUISTÁ-LOS, MAS ESTABELECER RELAÇÕES AMIGÁVEIS ENTRE ELES E O REI DA ESPANHA. NATURALMENTE, ELES TAMBÉM ESPERAVAM CONVERTER OS ASTECAS DA SUA RELIGIÃO DIABÓLICA AO CRISTIANISMO, MAS DE MANEIRA PACIFICA. QUANDO CORTÉS PERCEBEU QUE OS SACRIFÍCIOS HUMANOS ERAM REAIS, ELE PRENDEU MONTEZUMA E ORDENOU QUE ACABASSE COM A PRÁTICA. MONTEZUMA ASSIM O FEZ, MAS ISSO CAUSOU A ALIENAÇÃO DA POPULAÇÃO ASTECA, PARTICULARMENTE DA CASTA SACERDOTAL. QUANDO CORTÉS PRECISOU DEIXAR TENOCHTITLAN TEMPORARIAMENTE, INICIOU-SE UM CONFLITO ENTRE ESPANHÓIS E ASTECAS, EM QUE MONTEZUMA FOI MORTO POR UMA PEDRA LANÇADA, AO QUE PARECE, POR UM ASTECA — TALVEZ EM RETALIAÇÃO POR ELE TER PARADO OS SACRIFÍCIOS. • OS ASTECAS VIAM AS GUERRAS COMO UM MODO DE CAPTURAR VÍTIMAS PARA OS SACRIFÍCIOS HUMANOS; POR ISSO, QUANDO ECLODIU A GUERRA COM OS ESPANHÓIS, OS ASTECAS RECUSARAM A SE RENDER. ACREDITAVAM QUE OS ESPANHÓIS FARIAM COM ELES O QUE ELES MESMOS FAZIAM COM SEUS PRISIONEIROS. ESSA TRÁGICA MÁ INTERPRETAÇÃO, ALÉM DAS PROFUNDAS DIFERENÇAS DE TÁTICAS MILITARES ENTRE OS DOIS LADOS, CAUSOU A MORTE DESNECESSÁRIA DE MUITOS GUERREIROS ASTECAS. AS PERDAS ESPANHOLAS, POR OUTRO LADO, INCLUÍRAM SOLDADOS CAPTURADOS E SACRIFICADOS NO TEMPLO, ONDE TIVERAM SUAS CABEÇAS CORTADAS, TRAZIDAS DE VOLTA AO CAMPO DE BATALHA E MOSTRADAS AOS SEUS COMPANHEIROS. O PRÓPRIO CORTÉS SOBREVIVEU EM DIVERSAS OCASIÕES NA BATALHA FINAL, NA QUAL PODERIA FACILMENTE TER SIDO MORTO; NO ENTANTO, OS ASTECAS ACREDITAVAM QUE O LÍDER DOS INIMIGOS NÃO DEVERIA SER EXECUTADO NO CAMPO DE BATALHA, DEVERIA SER CAPTURADO E SACRIFICADO. OS GUERREIROS QUE TENTARAM APROXIMAR-SE DE CORTÉS DISPUTARAM ENTRE SI PARA VER QUEM LEVARIA CRÉDITO PELA CAPTURA – ISSO PERMITIU QUE ELE ESCAPASSE. • HISTORIADORES AINDA DEBATEM A QUESTÃO DE COMO UM PEQUENO NÚMERO DE ESPANHÓIS, EM UMA TERRA TOTALMENTE DESCONHECIDA, PÔDE TER DERROTADO O GRANDE IMPÉRIO ASTECA COM TANTA FACILIDADE E DE MANEIRA TÃO COMPLETA. CERTAMENTE, O GRANDE NÚMERO DE NATIVOS QUE SE UNIRAM AOS ESPANHÓIS, MOVIDOS POR ÓDIO À CRUELDADE ASTECA FOI UM FATOR DECISIVO. ALÉM DISSO, OS ESPANHÓIS POSSUÍAM VASTA SUPERIORIDADE ERA ARMAMENTOS E TÁTICAS MILITARES, PARTICULARMENTE EM TÉCNICAS DE CERCO. APÓS A VITÓRIA ESPANHOLA, CORTÉS RECONSTRUIU A CAPITAL DEVASTADA E CONCEDEU TERRAS A SEUS HOMENS E TAMBÉM A ASTECAS EMINENTES. CIDADES NATIVAS AUTOGOVERNADAS FORAM ESTABELECIDAS ONDE OS ESPANHÓIS NÃO PODIAM VIVER OU TRABALHAR. OS INDÍGENAS GOVERNAVAM A SI PRÓPRIOS USANDO SUA LÍNGUA NATIVA (NÁUATLE) E TINHAM DE PAGAR IMPOSTOS E PERMITIR QUE MISSIONÁRIOS OS VISITASSEM. EXCETO POR UM NÚMERO PEQUENO DE PRISIONEIROS DE GUERRA, CORTÉS NÃO PERMITIU A ESCRAVIDÃO, E O REI FELIPE III MAIS TARDE ABOLIU TODA SERVIDÃO E TRABALHO INDÍGENA NAS PLANTAÇÕES DE AÇÚCAR. EM 1539, O PAPA HAVIA EXCOMUNGADO QUALQUER UM QUE FOSSE CULPADO DE ESCRAVIZAR OU ROUBAR OS ÍNDIOS. DEVEMOS PARAR AQUI PARA CONSIDERAR SE ALGUMA CONQUISTA ANTERIOR NA HISTÓRIA TEVE UM PROCEDIMENTO DESSE TIPO OU SE OS INGLESES E AMERICANOS TIVERAM COMPORTAMENTO SEMELHANTE NA SUA CONQUISTA DOS ÍNDIOS NORTE-AMERICANOS. (A RESPOSTA É, EVIDENTEMENTE, NÃO.) • MAS, HAVIA ALGO DE VERDADEIRO POR TRÁS DA PROPAGANDA DE ABUSOS ESPANHÓIS? CERTAMENTE, MAS NADA NA ESCALA ALEGADA PELOS INIMIGOS DA ESPANHA. ALGUNS DOS SUCESSORES DE CORTÉS NO GOVERNO FORAM CRUÉIS E GANANCIOSOS, E O REI DA ESPANHA ESTAVA MUITO LONGE DALI. GRANDE PARTE DA DIFICULDADE EM CONTROLAR OS ABUSOS NAS COLÔNIAS – TAL COMO OCORREU NAS COLÔNIAS DE TODAS AS OUTRAS NAÇÕES – DECORRIA DO LONGO TEMPO NECESSÁRIO PARA COMUNICAÇÃO COM AS AUTORIDADES GOVERNAMENTAIS NO PAÍS DE ORIGEM. PARA LIDAR COM ESSE PROBLEMA, O REI ELEGEU O BISPO DO MÉXICO COMO “PROTETOR DOS ÍNDIOS,” O PRIMEIRO DETENTOR DESSE TÍTULO ENVIOU EM UM NAVIO PARA A ESPANHA PROVAS FALSIFICADAS CONTRA O GOVERNADOR ESPANHOL LOCAL; O GOVERNADOR ACABOU SENDO SUBSTITUÍDO. • HOUVE ABUSOS, MAS OS BENEFÍCIOS FORAM ABUNDANTES. NO GOVERNO DE CORTÉS, O PRIMEIRO HOSPITAL PARA INDÍGENAS FOI ESTABELECIDO E, EM 1534, HAVIA ESCOLAS PARA MENINAS ÍNDIAS. EM 1539, MONTOU-SE A PRIMEIRA MÁQUINA DE IMPRESSÃO DO NOVO MUNDO, QUE DISPONIBILIZOU TRADUÇÕES DE DIVERSAS OBRAS PARA OS ÍNDIOS. ORFANATOS, ESCOLAS DE ARTESANATO E FACULDADES, VIERAM EM SEGUIDA, E ATÉ UMA UNIVERSIDADE PARA ESTUDANTES ASTECAS FOI FUNDADA, EM 1551. O CURRÍCULO FOI BASEADO NO DA UNIVERSIDADE DE SALAMANCA, E OS ASTECAS PROVARAM SER ESTUDANTES DILIGENTES. QUANDO A PRIMEIRA TURMA GRADUOU-SE, OS ESPANHÓIS TENTARAM COLOCAR OS ALUNOS NA DIREÇÃO DA ESCOLA, PARA QUE ELES MESMOS DIRIGISSEM-NA PARA O SEU PRÓPRIO POVO. NÃO FUNCIONOU; OS ASTECAS PODIAM SER ESTUDANTES BRILHANTES, MAS NAQUELE MOMENTO AINDA NÃO TINHAM HABILIDADES DE GESTÃO E ORGANIZAÇÃO. COM O TEMPO ESSAS HABILIDADES VIRIAM, A PONTO DE UM DESCENDENTE DE MONTEZUMA SER FUTURAMENTE APONTADO VICE-REI DO MÉXICO PELO REINO ESPANHOL. RACISTAS OS ESPANHÓIS NÃO ERAM. #HistóriadaInquisição

  • AS MENTIRAS PROTESTANTES SOBRE A EXPLORAÇÃO ESPANHOLA NO MÉXICO E PAÍSES VIZINHOS

    AS MENTIRAS PROTESTANTES SOBRE A EXPLORAÇÃO ESPANHOLA NO MÉXICO E PAISES VIZINHOS Vamos ver em um trecho da obra de Diane Moczar, algumas referências dos puritanos, palavras, como, índio bom é índio morto. A mentira: os exploradores espanhóis do Novo Mundo foram cruéis e gananciosos. Ao cumprir as ordens de seus mestres católicos, eles trouxeram miséria incalculável aos pacatos nativos do continente americano. Chegamos aqui a um mito que exemplifica como as mentiras históricas geralmente são motivadas por uma combinação de objetivos. A “Lenda Negra” conta que os espanhóis foram um povo cruel e brutal, o que é provado pela maneira como trataram as tribos americanas no século XVI, 0 fato de os conquistadores serem católicos os torna ainda piores; eles e seus missionários reprimiram brutalmente a religião e cultura de povos altamente civilizados como os astecas, levando-os à morte, doença e escravidão, enquanto lhes ensinavam um cristianismo pela violência e imposição. Este conto histórico foi originalmente produto de propaganda política inglesa e holandesa, motivada pelo nacionalismo e pela rivalidade colonial no Novo Mundo, tal como pelo fanatismo religioso dos reformistas protestantes. Até recentemente, a maioria dos livros didáticos ingleses e americanos, desde a escola elementar até a faculdade, incluía algumas versões da Lenda Negra. Por exemplo, na edição de 1996 da obra The American National History of the United States, do professor John A. Garraty, da Universidade de Columbia, lemos que os conquistadores espanhóis “formaram seu império arrancando-o de mãos inocentes; sob aspectos importantes, a colonização da América está entre os piores exemplos de covardia da história humana”. Alguns anos antes, em 1959, um atlas popular informava aos jovens leitores que a economia colonial inglesa dependia da pesca e da agricultura, ao passo que os espanhóis preferiam “a mineração, a pecuária e a escravidão” – a afirmação é ilustrada pela imagem de um espanhol segurando um chicote e açoitando escravos. Segundo esse Atlas, não havia agricultores nas colônias espanholas e, nas inglesas, não havia escravos. No mesmo ano, leitores do Saturday Evening Post, podiam ler as mentiras saboreando como uma verdade, aprendiam que os colonizadores espanhóis haviam deliberadamente infectado os indígenas com varíola para exterminá-los. A situação historiográfica começou a mudar recentemente, em razão do trabalho de alguns historiadores bem preparados que desafiaram a Lenda Negra e conduziram uma bem-vinda revisão desse velho conto. Novos estudos sobre as origens, o crescimento e a disseminação da lenda mostram como a atitude dos anglo-saxônicos não apenas distorceu nossa visão da História como também deteriorou a relação dos estadunidenses com os países sul-americanos. O foco deste texto é como a lenda relata as conquistas espanholas no Novo Mundo. Primeiramente, discutirei o caso do envolvimento espanhol no México, já que para os americanos o México é mais conhecido que as outras colônias da América do Sul. 0 cenário histórico da Lenda Negra Após a expulsão final dos mouros da Espanha por Fernando e Isabel, em 1492, da unificação do país e da criação de uma monarquia central forte, a Espanha entrou na sua era de ouro. As descobertas de um obscuro velejador genovês, cujas expedições Isabel financiara naquele mesmo ano decisivo, revelariam um desconhecido continente para a colonização espanhola e forneceriam uma quantidade de metais preciosos e outras riquezas nunca antes vista pelos espanhóis. A Espanha alcançaria grande prosperidade, poder e prestígio na Europa, Mais ao norte, a Inglaterra, outrora o poder marítimo dominante, estava irritada com o aparecimento desse novo rival e seu sucesso no Novo Mundo e não poupou esforços para reivindicar seus direitos nas terras americanas. Infelizmente, para os navegantes ingleses, não havia minas de ouro na Nova Escócia; o melhor que conseguiram em suas expedições anteriores foi a descoberta de bons locais para pesca, Com o desdobrar do século XVI, os pontos de atrito entre as potências do sul e do norte aumentaram. No final do século, Espanha e Inglaterra eram rivais no comércio, nas colônias, na política e na religião; na segunda metade daquele século, os governantes Felipe II e Elisabete I haviam se tornado inimigos implacáveis. Felipe Fora casado com a meia-irmã de Elisabete, Maria Tudor. Durante seu breve reinado de cinco anos, Maria Tudor foi a única governante legítima e católica depois de Henrique VIII. Elisabete, criada como protestante, havia prometido a Felipe e Maria que quando subisse ao trono permitiria que o catolicismo continuasse a prosperar na Inglaterra. Entretanto, quebrou essa promessa logo após a morte de Maria. Tornou-se rainha e, rapidamente, instituiu uma terrível perseguição aos não anglicanos. Aos olhos de Felipe e da maioria da Europa, Elisabete não era sequer a verdadeira soberana da Inglaterra porque era a filha ilegítima de Henrique e Ana Bolena – e porque Maria Stuart, rainha católica da Escócia, tinha direitos de reivindicar o trono (0 que revela a razão pela qual Elisabete mandou decapitá-la quando teve a oportunidade). Felipe havia decidido apoiar Maria. “Preste bem atenção nesse período da história, veja que as colônias inglesas eram uma frustração econômica e de recursos naturais, o sucesso dos EUA hoje, se deu por conta de muita sabotagem e exploração das colônias espanholas e portuguesas”. Além dessa rixa política, Elisabete levava a cabo a odiosa conduta diplomática de enviar piratas para depredar colônias e navios espanhóis. Esses piratas, os famosos “Cães do Mar” eram recompensados por seus feitos heroicos, que envolviam saquear, assassinar e escravizar colonos espanhóis no Caribe, na Flórida e em outros locais, e confiscar os navios espanhóis carregados de tesouros. A rivalidade religiosa entre Elisabete e Felipe era inexorável e afetou suas respectivas posições políticas na Europa. Felipe tornou-se o grande defensor do catolicismo perante a difusão do protestantismo, enquanto Elisabete apoiava a causa protestante em todo lugar, por razões políticas e religiosas. Felipe foi também um dos grandes defensores católicos do Ocidente contra os ataques ameaçadores dos turco-otomanos à Europa, ataques por terra e mar. A Inglaterra, por outro lado, mantinha alianças comerciais com os turcos, tal como fizeram vários reis católicos franceses. Isso significa que, quando os confrontos reais sérios entre o Ocidente e os turcos ocorreram, os dois mais poderosos Estados do norte mantiveram-se neutros – a menos que se leve em conta a força simbólica enviada pela França para socorrer Viena, em 1683, um tanto tarde naquela situação. #HistóriadaInquisição

  • A Virgem Maria na Bíblia – Novo e Velho Testamentos

    Por vezes, pensa-se que a Virgem não é muito evocada na Bíblia… Mostraremos que as citações diretas, no Novo Testamento, são muito mais numerosas do que pensamos e que têm um significado muito peculiar, em momentos cruciais da vida de Cristo. Por outro lado, as alusões indiretas à Maria são numerosas e muito importantes: descobrimos, por exemplo, que Maria é a única no mundo que passa mais de trinta anos ao lado de Cristo durante a sua vida terrena; que ela é Aquela à quem o Apocalipse chama a “Arca da verdadeira Aliança”; Aquela à quem, sobretudo, o anjo da Anunciação saudou como a “cheia de graça” e que pode anunciar à toda a Criação: “de agora em diante me chamarão bem-aventurada todas as gerações”… O Antigo Testamento está, também ele, repleto de figuras, imagens e profecias nas quais tanto o Magistério como os Padres da Igreja, os seus Doutores e Santos reconheceram o anúncio daquela que deu ao mundo o Messias esperado. Do “Gênesis” ao Livro do Profeta Isaías, e até aos últimos profetas da Primeira Aliança… prefigurações e outros anúncios, respeitantes à Virgem Mãe do Salvador, atravessam todo o Antigo Testamento, do Pentateuco aos Profetas, passando pelos Livros Históricos e Sapienciais! Maria pertence ao Novo Testamento. Ela nasceu no tempo do Novo Testamento. Todos os relatos específicos e diretos que falam dela, estão no Novo Testamento. Porém, podemos formular-nos uma pergunta: O Antigo Testamento referiu-se alguma vez a Mãe do Messias esperado? Existem textos bíblicos que, mesmo em sentido figurado, mencionam algo sobre a Mãe do Filho de Deus? Podemos associar alguns textos do Antigo Testamento e aplicarmos a Maria? ANÚNCIOS DE MARIA NO ANTIGO TESTAMENTO Segundo a visão cristã, Eva, a primeira mulher, cedo tornou-se aquela com quem Adão arrastou toda a humanidade no naufrágio do pecado original. Deus prometeu um Salvador, e a mãe do Redentor foi anunciada naquele mesmo momento, no texto do Gênesis já citado: “Farei reinar a inimizade entre ti e a mulher” (Gn.3,15) A mais autêntica das filhas de Abraão Abraão, nosso “pai na fé”, obedeceu de maneira total e incondicional aos desígnios de Deus, mesmo quando, exteriormente, lhe era difícil compreender como se cumpririam tais promessas. O Papa João Paulo II, na sua homilia em Nazaré, a 25 de Março de 2000, chamou à Virgem Maria a “mais autêntica das filhas de Abraão” já que, pela sua fé, se tornou a Mãe do Messias e a Mãe de todos os crentes (cf. Homilia publicada no Obsservatore Romano, edição semanal em língua portuguesa). Eis os símbolos da Virgem Maria que podemos encontrar na Bíblia hebraica, o Antigo Testamento para os cristãos: Imagens e figuras de Maria no Antigo Testamento: Podemos encontrar imagens da Virgem Mãe no Gênesis e em Isaías, a Filha de Sião, o Jardim do Éden, a Amada do Cântico dos Cânticos e a Arca da Aliança. Rute pode ser um símbolo de Maria e da Igreja, porque aparece providencialmente colocada na árvore genealógica de Cristo. Também em Ester e Judite podemos ver um símbolo de Maria, já que são associadas ao Salvador no desenrolar do plano divino da Salvação. Podemos agrupar estes diversos anúncios de Maria no Antigo Testamento em 3 “categorias”: – imagens: Estrela da Manhã; Torre de David, Trono da Sabedoria, etc…; – figuras: Sara, Raquel, Débora, Judite, Ester e tantas outras…; – profecias: Gn.3,15; Is.7,11; etc… Ao lado de Cristo, Maria é a maior glória do povo judeu. A Virgem Maria pode ser vista, a par de Cristo, como a maior glória do povo judeu. Foi do seio deste povo da Aliança que Deus escolheu esta excepcional figura que viria a dar à luz o Salvador da Humanidade. Por isso, ninguém melhor do que a Santa Virgem para interceder, junto de Deus, pela contínua promoção das relações judeu-cristãs. Muitos estudiosos afirmam que o tema mariano está “escondido” sob três modos no Antigo Testamento: preparação moral, preparação tipológica e preparação profética. 1) Preparação moral: como a humanidade estava corrompida pelo pecado, Deus escolhe uma linhagem de fé e santidade para que o seu filho possa nascer da raça humana. 2) Preparação tipológica (linguagem simbólica): constatamos que no Antigo Testamento, muitas mulheres foram favorecidas com nascimentos milagrosos (Sara, Judite…). Todas estas mulheres fazem parte dos ancestrais do Messias esperado. Maria aparece como símbolo da “Filha de Sião” (Sof 3, 14-17), o lugar da residência de Javé. Maria também é simbolizada com a nova Arca da Aliança (dentro da Arca era depositada a LEI), que vai trazer dentro de si a Lei definitiva (revelação) de Deus, seu próprio Filho, Jesus. ”Rejubila-te, filha de Sião,solta gritos de alegria, Israel! Alegra-te e exulta de todo o coração, filha de Jerusalém! 15O Senhor revogou tua sentença, eliminou teu inimigo. O Senhor, o rei de Israel, está no meio de ti, não verás mais a desgraça. 16Naquele dia, será dito a Jerusalém: Não temas, Sião! Não desfaleçam as tuas mãos! 17O Senhor teu Deus está no meio de ti, como um herói que salva! Ele exulta de alegria por tua causa, ele te renova por seu amor, ele se regozija por causa de ti com gritos de alegria, 18como nos dias de festa.” (Sof 3, 14-18) 3) Preparação profética: Além do texto acima, temos mais alguns que podem ser aplicados a Maria: a)Ct 4,7: Tu és toda formosa, amada minha, e em ti não há mancha. O texto pode fazer alusão à concepção imaculada de Maria; b)Jer 31,22: Até quando andarás errante, ó filha rebelde? pois o senhor criou uma coisa nova na terra: uma mulher protege a um varão. c) Gn 3,15: Porei inimizade entre ti e a mulher, e entre a tua descendência e a sua descendência; esta te ferirá a cabeça, e tu lhe ferirás o calcanhar. Uma consideração sobre este texto.. O texto é muito significativo e apresenta, numa primeira leitura, a luta até o fim dos tempos entre a humanidade e o demônio. O termo “Ela te ferirá a cabeça” pode aludir tanto a Maria, a nova Eva, como a Igreja. d) Is 7,14: Portanto o Senhor mesmo vos dará um sinal: eis que uma virgem conceberá, e dará à luz um filho, e será o seu nome Emanuel. Considerando o texto… Embora o texto faz referência ao nascimento de um herdeiro na linhagem de Davi, pode ser muito bem ser aproveitado como uma profecia Mariana. e) Miq 5, 1-4: Agora, ajunta-te em tropas, ó filha de tropas; pôr-se-á cerco contra nós; ferirão com a vara no queixo ao juiz de Israel. 2 Mas tu, Belém Efrata, posto que pequena para estar entre os milhares de Judá, de ti é que me sairá aquele que há de reinar em Israel, e cujas saídas são desde os tempos antigos, desde os dias da eternidade. 3 Portanto os entregará até o tempo em que a que está de parto tiver dado à luz; então o resto de seus irmãos voltará aos filhos de Israel. 4 E ele permanecerá, e apascentará o povo na força do Senhor, na excelência do nome do Senhor seu Deus; e eles permanecerão, porque agora ele será grande até os fins da terra. Sobre o texto… Mesmo não apontando diretamente uma referência mariana, o texto fala diretamente de um rei-pastor, saído da tribo de Davi. Seu nascimento se projeta para o futuro (os verbos estão no futuro). MARIA NO EVANGELHO DE JOÃO João escreveu o seu evangelho por volta do ano 90-100 d.C. É também autor do livro do Apocalipse. Tanto o quarto evangelho com o livro do Apocalipse apresentam, por serem os escritos mais tardios, uma reflexão bem mais madura sobre Jesus. O Evangelho de João está dividido em três partes: a) Prólogo (Jo 1, 1-18) b) Livro dos Sinais (Jo 1,19 – 12,50) c) Livro da Exaltação (Jo 13-20) Menciona a Mãe de Jesus em três ocasiões: uma indiretamente, na encarnação do Filho de Deus (Jo 1, 14), e as duas de uma maneira bem explicita: as Bodas de Caná (Jo 2, 1-12) e na Morte de Jesus (Jo 19, 25-27). 1) Jo 1,14: (PROLOGO) E o Verbo divino se fez carne, e habitou entre nós, cheio de graça e de verdade; e vimos a sua glória, como a glória do unigênito do Pai. Embora o texto não mencione Maria, porque a intenção do autor é mostrar a origem divina de Jesus (Verbo de Deus), dá-se a entender que Ela está implícita no processo da encarnação de Jesus (“e habitou entre nós”). Não podemos, em hipótese alguma, afirmar que este é um texto mariano, mas quando se fala em “encarnação” do Verbo Divino, Maria é lembrada. 2) Jo 2, 1-12 (AS BODAS DE CANÁ) 1 Três dias depois, houve um casamento em Caná da Galiléia, e estava ali a mãe de Jesus; 2 e foi também convidado Jesus com seus discípulos para o casamento. 3 E, tendo acabado o vinho, a mãe de Jesus lhe disse: Eles não têm vinho. 4 Respondeu-lhes Jesus: Mulher, que tenho eu contigo? Ainda não é chegada a minha hora. 5 Disse então sua mãe aos serventes: Fazei tudo quanto ele vos disser. 6 Ora, estavam ali postas seis talhas de pedra, para as purificações dos judeus, e em cada uma cabiam duas ou três metretas. 7 Ordenou-lhe Jesus: Enchei de água essas talhas. E encheram- nas até em cima. 8 Então lhes disse: Tirai agora, e levai ao mestre-sala. E eles o fizeram. 9 Quando o mestre-sala provou a água tornada em vinho, não sabendo donde era, se bem que o sabiam os serventes que tinham tirado a água, chamou o mestre-sala ao noivo 10 e lhe disse: Todo homem põe primeiro o vinho bom e, quando já têm bebido bem, então o inferior; mas tu guardaste até agora o bom vinho. 11 Assim deu Jesus início aos seus sinais em Caná da Galiléia, e manifestou a sua glória; e os seus discípulos creram nele. 12 Depois disso desceu a Cafarnaum, ele, sua mãe, seus irmãos, e seus discípulos; e ficaram ali não muitos dias. Este relato encontra-se inserido no chamado “bloco dos sinais”. É cheio de uma simbologia muito grande. Os sinais apresentam um sentido de revelação da pessoa de Jesus e têm uma intima relação com a fé. Quando Jesus realiza um milagre, este serve de sinal para que as pessoas vendo possam acreditar em Jesus. Em Mateus, Marcos e Lucas, os milagres que Jesus realiza indicam o poder de Deus sobre as forças do mal. Os sinais que o quarto evangelho mencionam também expressam a Glória de Deus, que com Jesus, aos poucos vai se manifestando ao mundo. Analisando o texto… Um primeiro dado interessante que se percebe à primeira vista é que João não menciona o nome “Maria”. Ele refere-se a Maria chamando-a de “Mulher” ou “Mãe de Jesus” (seis vezes). A explicação é simples: João gosta de apresentar certas pessoas como modelos de seguidores do projeto de Jesus. Maria, portanto, é um modelo, uma figura símbolo que aceitou a mensagem de Jesus. Apesar de ser uma festa de casamento, os personagens principais não são os noivos e sim Jesus e Maria. Apesar de usar uma linguagem de um casamento, João quer mostrar, com este relato, que o pacto (casamento) entre o povo da Antiga Aliança (Israel) e Deus estava desgastado, sem vida, vazio, devido o abismo do pecado ,br> O relato data muito a seqüência dos dias, com destaque especial “ao terceiro dia” , alusão simbólica à Aliança no Monte Sinai (Ex 19, 11.9) e principalmente à Ressurreição de Jesus. Ao fazer chegar até Jesus a problemática da falta de vinho, Maria se apresenta como aquela que, conhecendo as necessidades da humanidade, pede ajuda para Jesus. Aqui está simbolizado o papel de intercessora atribuído a Maria. A primeira reação de Jesus ao afirmar “Mulher, que tenho eu contigo” (ou, que importa a mim e a ti), parece ser um tanto ríspida com relação a Maria, mas serve para ilustrar o deslocamento de perspectiva: que Jesus chama os seus interlocutores (na pessoa de Maria) para perceber um outro nível de sua presença. A palavra “mulher” pode representar três idéias: pode lembrar Gn 3, referindo a Eva-Mulher que trouxe o pecado ao mundo. Assim Maria, a nova Mulher trouxe a salvação, Jesus; Maria, Mulher, pode representar todo o povo de Israel (Filha de Sião); Pode traduzir todo o reconhecimento da figura feminina na comunidade de João pelo papel evangelizador que as mulheres desempenhavam no testemunho do Evangelho. Depois de realizar o milagre da transformação da água em vinho, o relato tem um desfecho muito significativo. E é para lá que apontava João: Assim deu Jesus início aos seus sinais em Caná da Galiléia, e manifestou a sua glória; e os seus discípulos creram nele.( v11). Com isso, o autor acentua a centralidade do relato: mostrar quem é Jesus (aquele que traz o vinho novo, a Nova Aliança, o Novo Pacto, a alegria, a plenitude, a graça, a salvação) e a fé dos discípulos que aderem ao projeto do Filho de Deus. E todo o projeto do Reino de Deus é simbolizado através da figura das Bodas, o grande Banquete, as Núpcias do Cordeiro, a grande Festa da plena e definitiva alegria. Jesus é o novo NOIVO. Maria-mulher é aquela que leva os discípulos a crerem em Jesus. Incentiva os filhos a fazerem a vontade do seu Filho. 3) Jo 19, 25-27 (MARIA JUNTO À CRUZ) 25 Estavam em pé, junto à cruz de Jesus, sua mãe, e a irmã de sua mãe, e Maria, mulher de Clôpas, e Maria Madalena. 26 Ora, Jesus, vendo ali sua mãe, e ao lado dela o discípulo a quem ele amava, disse a sua mãe: Mulher, eis aí o teu filho. 27 Então disse ao discípulo: Eis aí tua mãe. E desde aquela hora o discípulo a recebeu em sua casa. O texto mostra que estavam presentes junto à cruz de Jesus quatro mulheres: a mãe de Jesus, uma irmã de Maria, Maria esposa de Cléofas e Maria Madalena e também o discípulo amado. As mulheres, como já vimos, representam o serviço generoso e destacado que elas exerciam na comunidade; o “discípulo amado” representa o modelo ideal de todo cristão que apesar das contrariedades e cruzes da vida, permanece fiel a Cristo. Ao colocar Maria junto à cruz de Jesus, o autor do livro, quer: simbolizar a presença da mãe sofredora que sempre esteve ao lado de Jesus e de todo aquele que sofre; fazer uma relação entre as Bodas de Cana onde Maria esteve presente no inicio das atividades do seu Filho, como no pleno cumprimento de sua missão, através da morte da Cruz. Tanto o discípulo amado com Maria, são representações da Igreja: Maria como geradora de novos filhos (mulher, membro constitutivo da Igreja e mãe da comunidade); O Discípulo amado como representante de todos os fiéis que seguem Jesus custe o que custar. Resumindo, podemos sintetizar a figura de Maria no quarto evangelho como: – discípula fiel – pessoa de fé – mãe da comunidade – mulher solidária MARIA NO EVANGELHO DE LUCAS e ATOS DOS APÓSTOLOS… SINOPSE. O livro de Lucas foi escrito por volta dos anos 79-80 d. C. Teve como destinatário primeiro um certo “Teófilo” (Lc 1,1 e At 1,1-2), cuja identidade é desconhecida. A evidência mostra que o livro foi escrito especialmente para os gentios. Lucas se esforça para mostrar os costumes judaicos e, algumas vezes substitui nomes gregos por hebraicos. Como bom médico que foi, Lucas retrata a figura de Cristo mostrando todo o seu lado humano e misericordioso que socorre, cura, liberta e salva a todos sem distinção. Como também é autor do livro dos Atos dos Apóstolos, Lucas compreende a HISTÓRIA DA SALVAÇÃO em três tempos ou etapas e organiza toda a sua obra a partir desta perspectiva: 1ª etapa: período preparatório à vinda de Jesus Salvador ( O antigo Israel espera com alegria a manifestação do Messias e prepara a sua vinda) 2ª etapa: A vida de Jesus: sua encarnação, sua presença, sua manifestação, paixão, morte, ressurreição e glorificação. 3ª etapa: tempo da Igreja que se faz por obra do Espírito Santo. A Igreja é a grande portadora da salvação a todos os povos. Estes três períodos ou etapas se articulam a partir de Jerusalém. Segundo os estudiosos do tema, Lucas é o evangelista que mais fala de Maria. Num total de 152 versículos do NT sobre Maria, 90 são de Lucas (1 versículo aparece no livro dos Atos e 89 no terceiro evangelho). Lucas nos apresenta muitas qualidades de Maria. Ela é o exemplo vivo do discípulo e seguidor de Jesus, que acolhe a Palavra de Deus com fé, guarda e medita em seu coração e põe em prática, produzindo muitos e bons frutos. Maria é apresentada como a grande peregrina na fé. O “SIM” dado a Deus na sua juventude é renovado constantemente no decorrer de toda a sua vida. Maria não nasce como uma santa pronta e acabada. Ela passa por crises e situações difíceis e desafiadoras contribuindo para o seu crescimento na fé. Por outro lado, Maria nos lembra que Deus escolhe preferencialmente os pobres e os pequenos para iniciar seu Reino. Maria é uma pessoa de coração pobre todo aberto para Deus; tem um coração solidário e serviçal sempre disponível a ajudar os mais necessitados. MARIA NO EVANGELHO DE MARCOS… SINOPSE: Marcos escreve o seu evangelho por volta do ano 60 d.C. Acredita-se que o escritor, ao preparar o seu livro, teve em mente os cristãos gentios. O evangelista tem com preocupação primeira mostrar que Jesus é o Filho de Deus. Esse é a sua grande tese verificada a partir do primeiro versículo: “Princípio do evangelho de Jesus Cristo, Filho de Deus.” . Um Filho de Deus que é confirmado pelos discípulos, através da pessoa de Pedro (Mc 8,29) e testemunhado pelo centurião na morte de Jesus (Mc 15,39); um Filho de Deus que se deixa reconhecer na medida que se caminha ao seu lado assumindo o seu projeto de vida. O Evangelho de Marcos está tecido em duas grandes partes: – Primeira parte: (Mc 1,1 – 8,26). Neste primeiro bloco Jesus aparece na Galiléia inaugurando o Reino de Deus que vem com toda força. A prática de Jesus é contestada pelos escribas e fariseus. Diante da sua proposta vão se formando dois grupos: os que seguem Jesus (discípulos e multidão) e os que não aceitam a proposta de Jesus. – A segunda parte (restante do evangelho) apresenta as condições e os elementos necessários para seguir Jesus. Seguimento que não significa “ir atrás” mas entrar no caminho de sua vida, identificar-se com ele, deixar tocar pela sua pessoa, fazer parte de sua missão de inaugurar o Reino e vencer as forças do anti-reino. Maria aparece duas vezes durante todo o seu relato. As citações são poucas, mas muito significativas onde ela é apresentada como a discípula fiel que faz parte essencial da família de Jesus porque cumpre a vontade do Pai e a mulher que acolhe a todos como filhos e irmãos de Jesus. I – Textos marianos: 1)) Mc 3, 20-21. 31-35: A FAMÍLIA DE JESUS. 20 Depois entrou numa casa. E afluiu outra vez a multidão, de tal modo que nem podiam comer 21 Quando os seus ouviram isso, saíram para o prender; porque diziam: Ele está fora de si. 31 Chegaram então sua mãe e seus irmãos e, ficando da parte de fora, mandaram chamá-lo. 32 E a multidão estava sentada ao redor dele, e disseram-lhe: Eis que tua mãe e teus irmãos estão lá fora e te procuram. 33 Respondeu-lhes Jesus, dizendo: Quem é minha mãe e meus irmãos! 34 E olhando em redor para os que estavam sentados à roda de si, disse: Eis aqui minha mãe e meus irmãos! 35 Pois aquele que fizer a vontade de Deus, esse é meu irmão, irmã e mãe. Contexto: No tempo de Jesus, a estrutura familiar exercia importante influência na definição dos papéis e no lugar social ocupado pelo individuo. No judaísmo, as famílias eram classificadas conforme seu grau de pureza de origem, ou seja, se eram imaculadas cruzamento com sangues de estrangeiros ou atingidas por mancha de mistura étnica. A cena bíblica é a seguinte: Jesus e os Doze, recém eleitos, vão a uma casa em Cafarnaum. Havia uma multidão acirrada, a tal ponto que eles nem podiam e não tinham tempo nem para alimentar-se. E quando os “seus” ficaram sabendo disso, saíram para proteger Jesus, porque diziam que Ele tinha “perdido o juízo” . E neste grupo que vai até Jesus, está a figura de Maria, sua mãe. Os parentes de Jesus consideram que Ele estava exagerando no modo como se dedicava à sua missão, porque Jesus desleixa até as suas necessidades mais elementares, como a de comer (v.20) Marcos mostra aqui o caminho progressivo de Maria na fé. O evangelista revela o traço tão humano de Maria de Nazaré que se preocupa pelo Filho, o que denota uma preocupação normal. Num olhar mais profundo, Marcos quer mostrar que o seguimento de Jesus (para fazer parte de sua família) ultrapassa os laços de parentesco. Jesus inaugura uma NOVA FAMÍLIA constituída não mais do sangue e dos laços de parentesco (valor absoluto nas sociedades antigas) e sim daqueles que se juntam ao redor de Jesus para fazer a vontade do Pai. Marcos ensina que até Maria, a criatura mais estreitamente ligada a Jesus pelos laços de sangue (maternidade) teve que elevar a ordem mais alta dos seus valores. Depois de ter levado Jesus no seu ventre, era preciso que Ela o gerasse no coração, cumprindo a vontade de Deus. Uma vontade que se torna manifesta naquilo que Jesus dizia e realizava. Assim, a figura de Maria “mãe” se harmoniza e se completa com a figura de “discípula” e “primeira cristã”. 2)Mc 6, 1-6: JESUS DE NAZARÉ ( O SANTO DE CASA NÃO FAZ MILAGRES) 1 Saiu Jesus dali, e foi para a sua terra, e os seus discípulos o seguiam. 2 Ora, chegando o sábado, começou a ensinar na sinagoga; e muitos, ao ouví-lo, se maravilhavam, dizendo: Donde lhe vêm estas coisas? e que sabedoria é esta que lhe é dada? e como se fazem tais milagres por suas mãos? 3 Não é este o carpinteiro, filho de Maria, irmão de Tiago, de José, de Judas e de Simão? e não estão aqui entre nós suas irmãs? E escandalizavam-se dele. 4 Então Jesus lhes dizia: Um profeta não fica sem honra senão na sua terra, entre os seus parentes, e na sua própria casa. 5 E não podia fazer ali nenhum milagre, a não ser curar alguns poucos enfermos, impondo-lhes as mãos. 6 E admirou-se da incredulidade deles. Em seguida percorria as aldeias circunvizinhas, ensinando. Contexto: O texto de Marcos refere-se a um acontecimento concreto: a rejeição dos Moradores de Nazaré ao anúncio de Jesus e à sua pessoa. Eles não se colocam como inimigos de Jesus, mas se escandalizam dele por sua incredulidade. A fé é um grande requisito para o seguimento de Jesus. a)Mc 6, 3: O “Filho de Maria” 3 Não é este o carpinteiro, filho de Maria, irmão de Tiago, de José, de Judas e de Simão? e não estão aqui entre nós suas irmãs? E escandalizavam-se dele. 4 Então Jesus lhes dizia: Um profeta não fica sem honra senão na sua terra, entre os seus parentes, e na sua própria casa. No costume judeu, o nome da pessoa era conferido ou vinha relacionado por referência ao Pai. Temos alguns exemplos: – Simão, filho de Jonas (Mt 16,13) – Tiago, filho de Zebedeu (Mt 4,21) – Levi, filho de Alfeu (Mc 2,13) Sendo assim, surge a grande pergunta: por que Jesus não é chamado “filho de José”?. Para esta pergunta há quatro tipos de respostas: – Marcos queria enfatizar os traços humanos de Jesus; – É uma referência à concepção virginal de Jesus (obra do Espírito Santo); – Foi um intento de difamação contra Jesus (desvalorizar a sua pessoa pela profissão humilde de José); – José não é citado porque já havia morrido. b) “Os irmãos e as irmãs de Jesus” (v3): Versículo de caráter polêmico principalmente entre os “evangélicos” onde se afirma a existência de outros filhos de Maria. A verdade é que para os conceitos orientais tradicionais, não se define a família como pequeno núcleo “pai-mãe-filhos”, como conhecemos hoje, mas num amplo leque no qual se incluem tanto os parentes próximos como os distantes. No aramaico falado, usado por Jesus e seu povo, não havia uma diferenciação nos conceitos de parentesco (primo, tio, tia, irmão, sobrinho, etc…). A palavra que exprimia e englobava todo este parentesco era “irmãos”, que os gregos traduziram por “adelfos”. Assim, quando ouvimos falar que “tua mãe e teus irmãos estão lá fora…” significa que Maria e os parentes de Jesus queriam protegê-lo um pouco da multidão. Não podemos confundir: “irmãos” de Jesus significa “parentes próximos” dele. Tiago e Joset, chamados de “irmãos de Jesus” são considerandos, dentro desta lógica explicativa, de “parentes próximos” de Jesus e não “irmãos carnais” dele. Se assim não fosse, qual seria a necessidade de Jesus, no alto da cruz, entregar a João, o discípulo a quem amava, os cuidados de Maria quando disse: ” Filho, eis aí a tua mãe” (Jo 19,27)? Não seria mais comum, Tiago e José, se fossem realmente filhos carnais de Maria, tomar conta de sua “mãe” após a morte do “irmão” Jesus? Quando estudarmos o dogma da Virgindade de Maria entenderemos mais esta questão. Com isso, o evangelista quer mostrar a necessidade da fé no ato do seguimento de Jesus. Condição indispensável para reconhecer a sua presença e caminhar com Ele. MARIA NO EVANGELHO DE MATEUS SINOPSE: Mateus (também chamado de Levi), um dos Doze apóstolos, foi sem dúvida um judeu que também era publicano romano. Mateus escreveu o seu evangelho por volta do ano 70 d.C. Tinha como destinatários principalmente os judeus. Este ponto de vista está confirmado pelas referencias às profecias hebraicas, cerca de sessenta, e pelas aproximadamente quarenta citações do Antigo Testamento. Ressalta especialmente a missão de Cristo aos judeus. A intenção de Mateus é a de mostrar que Jesus foi o Messias prometido no Antigo Testamento através do cumprimento das promessas feitas a Abraão e a Davi, passando por todos os profetas. Maria é apresentada como a mãe virginal de Jesus que o concebe pela ação do Espírito Santo sem intervenção humana, mostrando a gratuidade da iniciativa divina. O Evangelho de Mateus amplia bastante a imagem de Maria. Ela aparece na narrativa da origem e da infância de Jesus (Mt 1-2) e em alguns textos referentes à vida pública de Jesus (Mt 12, 46-50 e Mt 13, 53-58). I – GENEALOGIA DE JESUS (Mt 1, 1-25) 1 Livro da genealogia de Jesus Cristo, filho de Davi, filho de Abraão. 2 A Abraão nasceu Isaque; a Isaque nasceu Jacó; a Jacó nasceram Judá e seus irmãos; 3 a Judá nasceram, de Tamar, Farés e Zará; a Farés nasceu Esrom; a Esrom nasceu Arão; 4 a Arão nasceu Aminadabe; a Aminadabe nasceu Nasom; a Nasom nasceu Salmom; 5 a Salmom nasceu, de Raabe, Booz; a Booz nasceu, de Rute, Obede; a Obede nasceu Jessé; 6 e a Jessé nasceu o rei Davi. A Davi nasceu Salomão da que fora mulher de Urias; 7 a Salomão nasceu Roboão; a Roboão nasceu Abias; a Abias nasceu Asafe; 8 a Asafe nasceu Josafá; a Josafá nasceu Jorão; a Jorão nasceu Ozias; 9 a Ozias nasceu Joatão; a Joatão nasceu Acaz; a Acaz nasceu Ezequias; 10 a Ezequias nasceu Manassés; a Manassés nasceu Amom; a Amom nasceu Josias; 11 a Josias nasceram Jeconias e seus irmãos, no tempo da deportação para Babilônia. 12 Depois da deportação para Babilônia nasceu a Jeconias, Salatiel; a Salatiel nasceu Zorobabel; 13 a Zorobabel nasceu Abiúde; a Abiúde nasceu Eliaquim; a Eliaquim nasceu Azor; 14 a Azor nasceu Sadoque; a Sadoque nasceu Aquim; a Aquim nasceu Eliúde; 15 a Eliúde nasceu Eleazar; a Eleazar nasceu Matã; a Matã nasceu Jacó; 16 e a Jacó nasceu José, marido de Maria, da qual nasceu JESUS, que se chama Cristo. 17 De sorte que todas as gerações, desde Abraão até Davi, são catorze gerações; e desde Davi até a deportação para Babilônia, catorze gerações; e desde a deportação para Babilônia até o Cristo, catorze gerações. 18 Ora, o nascimento de Jesus Cristo foi assim: Estando Maria, sua mãe, desposada com José, antes de se ajuntarem, ela se achou ter concebido do Espírito Santo. 19 E como José, seu esposo, era justo, e não a queria infamar, intentou deixá-la secretamente. 20 E, projetando ele isso, eis que em sonho lhe apareceu um anjo do Senhor, dizendo: José, filho de Davi, não temas receber a Maria, tua mulher, pois o que nela se gerou é do Espírito Santo; 21 ela dará à luz um filho, a quem chamarás JESUS; porque ele salvará o seu povo dos seus pecados. 22 Ora, tudo isso aconteceu para que se cumprisse o que fora dito da parte do Senhor pelo profeta: 23 Eis que a virgem conceberá e dará à luz um filho, o qual será chamado EMANUEL, que traduzido é: Deus conosco. 24 E José, tendo despertado do sono, fez como o anjo do Senhor lhe ordenara, e recebeu sua mulher; 25 e não a conheceu enquanto ela não deu à luz um filho; e pôs-lhe o nome de JESUS. Primeiramente o objetivo desta genealogia é o de mostrar que Jesus descende de Abraão e Davi e que, portanto, Ele herda as promessas feitas a esses dois patriarcas de Israel. De Abraão, a promessa da numerosa descendência (Gn12); de Davi, a promessa da eterna realeza (2Sam7). A genealogia de uma pessoa e de uma família tinha enorme importância jurídica e trazia conseqüências para a vida social e religiosa. A pureza de uma linha genealógica dava participação ao descendente nos méritos de seus antepassados. Mateus remonta a origem de Cristo a partir de Abraão passando por todas as gerações até chegar a José, esposo de Maria, da qual nasceu Jesus. Esse elenco de nomes que vai de Abraão a Cristo é subdividido em três grupos e cada grupo abrange 14 gerações: 1o grupo: de Abraão a Davi 2o grupo: de Davi a Jeconias ( exílio na Babilônia) 3o grupo: de Jeconias a Cristo A grande novidade nesta descrição genealógica que passou de geração em geração foi a intervenção da Providencia Divina através do Espírito Santo na geração de Jesus por Maria. Se antes o encadeamento paterno era o elemento fundante na genealogia, aqui nós temos agora uma ruptura visível e explicita: apesar de pertencer a descendência de Abraão e sucessão, José não é o pai biológico de Jesus. Assim, a mensagem do relato resume-se em: o nascimento de Jesus se deve à ação do Espírito Santo em Maria. Mostra que Jesus, o Messias esperado, é fruto da intervenção divina que gratuitamente irrompe a história da humanidade e oferece o seu filho para a salvação do seu povo. José ao receber Maria em sua casa e assumir Jesus dando-lhe o nome (de Jesus), sela definitivamente o vínculo histórico da descendência messiânica. Por outro lado revela a concepção virginal de Jesus. Mt 2, 10-23: ADORAÇÃO DOS MAGOS E FUGA PARA O EGITO 10 Ao verem eles a estrela, regozijaram-se com grande alegria. 11 E entrando na casa, viram o menino com Maria sua mãe e, prostrando-se, o adoraram; e abrindo os seus tesouros, ofertaram-lhe dádivas: ouro incenso e mirra. 12 Ora, sendo por divina revelação avisados em sonhos para não voltarem a Herodes, regressaram à sua terra por outro caminho. 13 E, havendo eles se retirado, eis que um anjo do Senhor apareceu a José em sonho, dizendo: Levanta-te, toma o menino e sua mãe, foge para o Egito, e ali fica até que eu te fale; porque Herodes há de procurar o menino para o matar. 14 Levantou-se, pois, tomou de noite o menino e sua mãe, e partiu para o Egito. 15 e lá ficou até a morte de Herodes, para que se cumprisse o que fora dito da parte do Senhor pelo profeta: Do Egito chamei o meu Filho. 16 Então Herodes, vendo que fora iludido pelos magos, irou-se grandemente e mandou matar todos os meninos de dois anos para baixo que havia em Belém, e em todos os seus arredores, segundo o tempo que com precisão inquirira dos magos. 17 Cumpriu-se então o que fora dito pelo profeta Jeremias: 18 Em Ramá se ouviu uma voz, lamentação e grande pranto: Raquel chorando os seus filhos, e não querendo ser consolada, porque eles já não existem. 19 Mas tendo morrido Herodes, eis que um anjo do Senhor apareceu em sonho a José no Egito, 20 dizendo: Levanta-te, toma o menino e sua mãe e vai para a terra de Israel; porque já morreram os que procuravam a morte do menino. 21 Então ele se levantou, tomou o menino e sua mãe e foi para a terra de Israel. 22 Ouvindo, porém, que Arquelau reinava na Judéia em lugar de seu pai Herodes, temeu ir para lá; mas avisado em sonho por divina revelação, retirou-se para as regiões da Galiléia, 23 e foi habitar numa cidade chamada Nazaré; para que se cumprisse o que fora dito pelos profetas: Ele será chamado nazareno. Nas cenas (adoração dos Magos e Fuga para o Egito) se repete várias vezes “o menino e sua mãe” (v.13, v.14, v.20) . Isso reforça a real maternidade de Maria não aludindo à “paternidade real” de José. II – MARIA NA VIDA PÚBLICA DE JESUS. Apesar de usar a mesma fonte de Marcos quando fala de Maria e dos “irmãos de Jesus” e a cena da casa e da rejeição em Nazaré, Mateus interpreta num outro sentido. 1) Mt 12, 46-50: a família de Jesus e os seguidores 46 Enquanto ele ainda falava às multidões, estavam do lado de fora sua mãe e seus irmãos, procurando falar-lhe. 47 Disse-lhe alguém: Eis que estão ali fora tua mãe e teus irmãos, e procuram falar contigo. 48 Ele, porém, respondeu ao que lhe falava: Quem é minha mãe? e quem são meus irmãos? 49 E, estendendo a mão para os seus discípulos disse: Eis aqui minha mãe e meus irmãos. 50 Pois qualquer que fizer a vontade de meu Pai que está nos céus, esse é meu irmão, irmã e mãe. Aqui aparece claro a idéia e a importância de seguir a Jesus e fazer a sua vontade. Não há, portanto, referencia negativa à família biológica de Jesus. 2) Mt 13, 53-58: O profeta rejeitado em sua pátria 53 E Jesus, tendo concluido estas parábolas, se retirou dali. 54 E, chegando à sua terra, ensinava o povo na sinagoga, de modo que este se maravilhava e dizia: Donde lhe vem esta sabedoria, e estes poderes milagrosos? 55 Não é este o filho do carpinteiro? e não se chama sua mãe Maria, e seus irmãos Tiago, José, Simão, e Judas? 56 E não estão entre nós todas as suas irmãs? Donde lhe vem, pois, tudo isto? 57 E escandalizavam-se dele. Jesus, porém, lhes disse: Um profeta não fica sem honra senão na sua terra e na sua própria casa. 58 E não fez ali muitos milagres, por causa da incredulidade deles. Mateus substitui aqui o “filho de Maria” que aparece em Marcos por “filho do carpinteiro” e suprime a palavra “parentes”. Há dois motivos fundamentais nestas mudanças operadas por Mateus: a)Tiago, que aparece como sendo “o irmão do Senhor” que na verdade é primo de Jesus, é um membro ativo na comunidade atual onde Mateus vive (composta de natureza judeu-cristã) b)Mateus parece ter uma idéia bem clara sobre a concepção virginal de Maria Com isso tudo, fica claro que Maria é vista como mãe virginal do Messias, por ação do Espírito Santo. MARIA NO LIVRO DO APOCALIPSE 12 Todo o livro do Apocalipse é repleto de uma linguagem de muitas imagens e números. Numa primeira vista, parece que o livro é enigmático, assustador e cheio de mistérios. Mas, apesar de usar uma linguagem “não muito clara”, o autor quer reforçar a fé e a esperança dos cristãos frente às perseguições de dificuldades que na qual se encontrava a Igreja primitiva. O uso deste tipo de linguagem (Gênero literário) é bem simples de se explicar: João está preso. Ele manda cartas para os cristãos. Usa linguagem simbólica que só os cristãos entendiam. Caso contrário, as correspondências não chegariam ao seu destino. Portanto, cada imagem, cada número, cada ação…tem o seu significado. Mas nós vamos nos ater somente naquelas passagens que podem fazer referência à pessoa de Maria. Neste caso, o capítulo 12, principalmente porque tem algumas referências sobre uma “mulher vestida de sol”. O Capítulo pode muito bem ser dividido em três partes que apresentam três cenas com os seguintes personagens: 1)1ª cena (Ap 12, 1-6): a mulher, o dragão e a criança. 2)2ª cena (Ap 12, 7-12): a guerra entre as forças de Deus (Miguel) e do mal (Satanás) 3)3ª cena: (Ap 12, 13-17): a mulher perseguida pelo dragão que é vencido. Vamos analisar estas três cenas… 1ª Cena : Ap 12, 1-6 1 E viu-se um grande sinal no céu: uma mulher vestida do sol, tendo a lua debaixo dos seus pés, e uma coroa de doze estrelas sobre a sua cabeça. 2 E estando grávida, gritava com as dores do parto, sofrendo tormentos para dar à luz. 3 Viu-se também outro sinal no céu: eis um grande dragão vermelho que tinha sete cabeças e dez chifres, e sobre as suas cabeças sete diademas; 4 a sua cauda levava após si a terça parte das estrelas do céu, e lançou-as sobre a terra; e o dragão parou diante da mulher que estava para dar à luz, para que, dando ela à luz, lhe devorasse o filho. 5 E deu à luz um filho, um varão que há de reger todas as nações com vara de ferro; e o seu filho foi arrebatado para Deus e para o seu trono. 6 E a mulher fugiu para o deserto, onde já tinha lugar preparado por Deus, para que ali fosse alimentada durante mil duzentos e sessenta dias. Este “grande sinal” significa a importância do acontecimento; ” Céu”, mais que morada de Deus, simboliza o lugar onde estão as forças transcendentais que interferem na história humana; “Mulher vestida de sol” numa primeira leitura não se refere a Maria (Maria não apareceu no céu, não deu à luz no céu e muito menos o menino foi levado para junto de Deus. Foi exatamente o contrário…Ele veio de Junto de Deus, no mistério da encarnação) faz alusão à glória de Deus que reveste o seu povo. O sol que ilumina; “Tem a lua debaixo de seus pés” significa o domínio sobre as coisas temporais; “Coroa de doze estrelas” lembra as doze tribos de Israel, bem como os doze Apóstolos recompensados no final dos tempos; “Dores de parto” recorda todo o sofrimento vivido pelo povo do Antigo Testamento, bem como as perseguições da comunidade do Novo Testamento que quer continuar gerando Jesus para a humanidade através do seu testemunho; “Dragão de sete cabeças e dez chifres” representa o poder político e dominador da época. As “sete cabeças” simboliza a plenitude (o número sete significa a plenitude, a totalidade) de poder. Os “dez chifres” representam os dez governadores senatorias do Império Romano; O “diadema” sobre cada uma das cabeças, referem-se à linhagem nobre de cada um dos governadores. Tanto a Mulher como o Dragão são colocados juntos e em contraposição, simbolizando que as forças do bem e do mal travam um conflito constante na história; A Mulher “deu à luz a um filho, um varão que irá reger todas as nações com um cetro de ferro”. Este versículo lembra o Salmo 2, 7b-9 (Tu és meu Filho, hoje te gerei.8 Pede-me, e eu te darei as nações por herança, e as extremidades da terra por possessão. 9 Tu os quebrarás com uma vara de ferro; tu os despedaçarás como a um vaso de oleiro. ). Não se refere ao nascimento de Jesus em Belém, mas sim na Paixão, quando então sairá vitorioso pela Ressurreição; O “deserto” tanto significa o lugar da tentação (Jesus foi tentado no deserto durante 40 dias e 40 noites) com também o lugar da proteção de Deus; 2ª Cena: Ap 12, 7-12 7 Então houve guerra no céu: Miguel e os seus anjos batalhavam contra o dragão. E o dragão e os seus anjos batalhavam, 8 mas não prevaleceram, nem mais o seu lugar se achou no céu. 9 E foi precipitado o grande dragão, a antiga serpente, que se chama o Diabo e Satanás, que engana todo o mundo; foi precipitado na terra, e os seus anjos foram precipitados com ele. 10 Então, ouvi uma grande voz no céu, que dizia: Agora é chegada a salvação, e o poder, e o reino do nosso Deus, e a autoridade do seu Cristo; porque já foi lançado fora o acusador de nossos irmãos, o qual diante do nosso Deus os acusava dia e noite. 11 E eles o venceram pelo sangue do Cordeiro e pela palavra do seu testemunho; e não amaram as suas vidas até a morte. 12 Pelo que alegrai-vos, ó céus, e vós que neles habitais. Mas ai da terra e do mar! porque o Diabo desceu a vós com grande ira, sabendo que pouco tempo lhe resta. Entram em cena novos personagens: Miguel e seus anjos. A luta que começa no céu desce à terra. Nesta cena não aparece mais a figura da “mulher” e sim “Miguel e o Dragão”. O Dragão é descrito como a “antiga serpente”. Faz lembrar Gn 3,15 ( Porei inimizade entre ti e a mulher, e entre a tua descendência e a sua descendência; esta te ferirá a cabeça, e tu lhe ferirás o calcanhar) que já foi vencida. Conforme o texto, esta vitória sobre a serpente se deu “pelo sangue do cordeiro” (sacrifício deJesus). 3ª Cena: Ap 12, 13-17: 13 Quando o dragão se viu precipitado na terra, perseguiu a mulher que dera à luz o filho varão. 14 E foram dadas à mulher as duas asas da grande águia, para que voasse para o deserto, ao seu lugar, onde é sustentada por um tempo, e tempos, e metade de um tempo, fora da vista da serpente. 15 E a serpente lançou da sua boca, atrás da mulher, água como um rio, para fazer que ela fosse arrebatada pela corrente. 16 A terra, porém acudiu à mulher; e a terra abriu a boca, e tragou o rio que o dragão lançara da sua boca. 17 E o dragão irou-se contra a mulher, e foi fazer guerra aos demais filhos dela, os que guardam os mandamentos de Deus, e mantêm o testemunho de Jesus. 18 E o dragão parou sobre a areia do mar. Esta cena tem como cenário, a terra. Os personagens são: o dragão e a mulher e sua descendência. Já que o dragão perdeu a batalha para Miguel e seus anjos, ele volta-se contra a mulher, que, por sua vez, consegue escapar pela proteção de Deus. Assim, a descendência da mulher (A Igreja), “os que guardam os mandamentos de Deus, e mantêm o testemunho de Jesus”, são continuamente ameaçados pelas forças do mal (serpente). Mas Deus aparece sempre com sua força protetora encorajando os filhos para a vitória final. Conclusão: O Capítulo 12 do Apocalipse é um texto que deve ser interpretado, primeiramente como sendo eclesiológico (A Igreja peregrina que sofre, é perseguida, mas que tem a força de Jesus e do Espírito Santo de Deus para vencer as armadilhas do mal), depois mariológico (Maria, mãe da Igreja que caminha). MARIA NO NOVO TESTAMENTO- SEGUNDO GÁLATAS Faremos um estudo mais detalhado, em ordem cronológica, dos livros bíblicos do Novo Testamento que falam explicitamente de Maria. São eles: – Gálatas (as informações mais antigas sobre Maria) – Livro escrito por volta do ano 50 d.C. – Marcos (escrito por volta do ano 60 d.C) Mateus (escrito por volta do ano 70 d.C) Lucas (escrito por volta do ano 70 d.C.) Atos (também escrito por volta do ano 70 d.C) João (escrito por volta dos anos 90-100 d.C) Apocalipse (também escrito por volta dos anos 90-100 d.C) I – GÁLATAS. Por conter a informação mais antiga sobre Maria, analisaremos um único versículo referente ao estudo mariano. Gal 4, 4. Eis o texto: “Mas, vindo a plenitude dos tempos, Deus enviou seu Filho, nascido de mulher, nascido debaixo de lei, para resgatar os que estavam debaixo de lei, a fim de recebermos a adoção de filhos.” CONTEXTO: O tema central deste versículo é sobre a ENCARNAÇÃO do FILHO DE DEUS, ou seja, o modo através do qual Deus quis vir ao encontro do homem. E isso se deu na “plenitude dos tempos”, isto é, quando o Pai envia o seu Filho ao mundo os tempos do desígnio divino atingem a sua “plenitude”. A encarnação de Cristo é o ponto culminante desta etapa. E Maria é colocada exatamente nesse vértice do plano redentor. Através do seu ministério materno, o Filho do Pai, preexistente ao mundo, se radica na cepa da humanidade. Ela é a MULHER que o reveste com a nossa carne e o nosso sangue. São Paulo quer mostrar com isso a condição real e humana de Jesus. O apóstolo declara que a pessoa de Maria está vitalmente vinculada ao projeto salvífico de Deus. MARIA NOS OUTROS ESCRITOS DA IGREJA Se, no Novo Testamento, encontramos poucas alusões à Virgem Maria, são muitos os outros escritos, pertencentes ao tesouro da Igreja, que evocam a Mãe de Jesus. Primeiramente, temos os escritos da Tradição: dogmas e ensinamentos do Magistério da Igreja (pontifical, conciliar, apostólico), textos e homilias dos Padres da Igreja, textos da liturgia, tratados dos Doutores da Igreja; Há, também, escritos e comentários exegéticos dos teólogos;e ainda, os numerosos testemunhos dos grandes místicos reconhecidos e canonizados; há, enfim, os inumeráveis “Evangelhos Apócrifos” (1): estes escritos constituem mesmo a maior fonte de informação sobre a vida da Mãe do Cristo, porque foram redigidos na época e por pessoas diretamente relacionadas com a vida da Santa Família. Ainda que esses escritos não sejam canônicos(2), muitos deles são considerados escritos fidedignos e são citados, algumas vezes, pela própria Hierarquia da Igreja e seu Magistério. (1) O termo « apócrifo » (do grego apockryphos = escondido) designa um texto geralmente atribuído a um escritor próximo do meio ou da época do Cristo, mas que não foi incluído no cânone das Escrituras bíblicas cristãs. (2) O Cânone (do grego kânon = regra) é a lista das Escrituras cristãs reconhecidas como inspiradas. Um livro é “canônico” quando faz parte da Bíblia, e nisto difere do livro “apócrifo”. Fonte:igrejamilitante

  • Testemunhas de Jeová e 1914

    Uma das doutrinas mais curiosas dos Testemunhas de Jeová afirma que a vinda de Cristo que todos os cristãos aguardam já ocorreu em 1914; porém, de forma invisível. Sim! Você está lendo corretamente: eles afirmam que Cristo retornou, porém, de forma invisível e, por isso, ninguém consegue vê-lo; Ele se encontraria agora reinando sobre a terra. Assim, para analisar profundamente esta doutrina, resolvi fazer este estudo. ANTECEDENTES Para sabermos de onde veio esta doutrina, precisamos estudar um pouco a história da Sociedade Torre da Vigia e suas profecias não cumpridas sobre o fim do mundo. Uma das colunas básicas da Sociedade é o ensinamento sobre o Armagedon e o fim daquilo que denomina “o atual sistema das coisas”. Ao longo da História, se caracterizam [os Testemunhas] por imaginar que o fim encontra-se próximo de cada esquina, anunciando-o reiteradamente para 1914, 1918, 1925, 1941 e 1975. Citarei a seguir alguns extratos de suas publicações: “Tendo em vista a forte evidência da Bíblia, consideramos como uma verdade estabelecida que o fim cabal dos reinos deste mundo e o estabelecimento total do Reino de Deus na Terra se realizarão no final de 1914” (Estudos das Escrituras 2, pp. 76, 78 e 285 [versão em espanhol]). “Neste capítulo apresentamos a evidência bíblica que afirma que os Tempos dos Gentios terminarão em 1914. Isto quer dizer que nesta data o Reino de Deus estará estabelecido firmemente na Terra. O Reino do qual Cristo nos ensinou: ‘Venha a nós o vosso Reino'” (Estudos das Escrituras 3, pp. 247 e 306 [versão em espanhol]). “Esta guerra culminará na batalha de Armagedon, o que significará o estabelecimento permanente e total do Reino do Messias” (A Atalaia, 01.04.1915 [versão em inglês]; reimpressão). No entanto, chegando 1915, nada ocorreu. Ao invés de aprenderem com seu erro, voltaram a tropeçar na mesma pedra outras vezes. “O dia da Vingança, o qual começou com a Guerra Mundial de 1914, explodirá em uma furiosa tormenta em 1918” (Estudos das Escrituras 7, p. 404 [versão em espanhol], 1917). “Nos restam apenas alguns meses antes que se manifeste a grande noite” (A Atalaia, 01.10.1917, p. 6149 [versão em inglês]; reimpressão). “O que nos trará o ano de 1918? (…) Os cristãos esperam ver cumpridas totalmente as esperanças da Igreja” (A Atalaia, 01.01.1918, p. 6191 [versão em inglês]; reimpressão). “Como já indicamos, o grande ciclo de jubileus terminará em 1925. A partir de então será reconhecida a fase terrestre do Reino. Portanto, podemos confiantemente esperar que 1925 marcará o regresso de Abraão, Isaac, Jacó e os fiéis profetas da Antigüidade, especialmente aqueles citados pelo Apóstolo em Hebreus 11″ (Milhões dos que Agora Vivem não Morrerão Jamais, p. 73, 1920). “O mais indispensável entre as coisas que deverão ser restauradas é a vida da raça humana e, como quer que seja, há diversas citações que, sem dúvida, indicam a ressurreição de Abraão, Isaac, Jacó e outros fiéis dos tempos antigos. Estes gozarão do primeiro favor: podemos esperar que o ano de 1925 presenciará o regresso destes fiéis saindo do túmulo plenamente restaurados à perfeição humana e constituindo-se em representantes legais e visíveis da nova ordem das coisas na Terra. Uma vez que o Reino Messiânico esteja estabelecido, o grande Messias, formado por Jesus e sua Igreja glorificada, despensará sobre o mundo as bênçãos por tanto tempo aguardadas e desejadas” (Milhões dos que Agora Vivem não Morrerão Jamais, pp. 72 e 88, 1920). Chegaram, inclusive, a construir uma mansão para que fosse habitada pelos patriarcas quando ressuscitassem (a qual – como você pode imaginar – não ficou sem ser desfrutada [pelo presidente da Sociedade Torre da Vigia]). Como era de se esperar, novamente passou o ano de 1925 e Abraão, Isaac e Jacó não ressuscitaram, e os dirigentes do Corpo Governante pensaram: “Que raios!”. Conta-se que ficaram tristes porque o fim do mundo não ocorreu. O fiasco foi tamanho que o próprio presidente dos Testemunhas de Jeová precisou reconhecer que passou por ridículo quando suas previsões do fim não se cumpriram – coisa que [os fiéis] tomaram como “um exemplo de humildade”: “Exemplos de humildade que devemos imitar…Outro fiel servo de nossos tempos, muitíssimo usado por Jeová, foi Joseph F. Rutherford, citado no início do artigo. Foi um bravo defensor da verdade bíblica e, concretamente, do nome de Jeová. Ainda que fosse geralmente conhecido como ‘o Juiz Rutherford’, era um homem humilde de coração. Por exemplo, em certa ocasião fez catégoricas declarações no tocante a certos acontecimentos que os cristãos poderiam esperar para o ano de 1925. Quando não se cumpriu o que ele esperava, disse humildemente à família de Betel do Brooklyn que havia caído no ridículo“ (A Atalaia, 01.12.1993 [versão em espanhol]). Mesmo assim, continuaram tropeçando na mesma pedra: “A obra do Testemunha [de Jeová] pela Teocracia parece ter se cumprido na maioria dos países da Cristandade; estamos ansiosos e atentamente aguardando o sinal da batalha do Armagedon” (A Atalaia, 01.09.1940 [versão em inglês]). “O novo livro ‘Filhos’ provará ser útil nos últimos meses que restam antes do Armagedon” (A Atalaia, 01.10.1941 [versão em inglês]). “Estamos nos últimos meses que antecedem a batalha do Armagedon” (A Atalaia, 15.09.1941 [versão em inglês]). “Conforme a fidedigna cronologia bíblica, os seis mil anos desde a criação do homem terminarão em 1975 e o sétimo período de mil anos da história humana começará no outono de 1975 da Era Cristã, de forma que os 6000 anos da existência do homem sobre a terra logo terminarão” (Vida Eterna na Liberdade dos Filhos de Deus, pp. 29-30, 1966). “Conforme um cálculo mais recente da conta do tempo na Bíblia, os seis mil anos da existência do homem terminarão na segunda metade do ano de 1975. O milênio bíblico está diante de nós” (A Atalaia, 15.04.1967 [versão em espanhol]). “Fixem-se nisto, irmãos: faltam apenas 90 meses para que se complete a existência do homem na terra” (Ministério do Reino, p. 4, março/1968 [versão em inglês]). O pior de tudo são as conseqüências que psicologicamente pode ocasionar este encontrar o fim do mundo em cada esquina. Por exemplo, na seguinte publicação, recomendam adiar o matrimônio até que chegue a paz eterna sobre a terra: “É melhor que adiemos o nosso matrimônio até que chegue a paz eterna sobre a terra. Agora não devemos aumentar a nossa carga; temos que estar livres para o Senhor” (Filhos, p. 346, 1941). Você é capaz de imaginar quantos Testemunhas de Jeová levaram este conselho a sério e adiaram seus matrimônios no aguardo da paz eterna? Terminaram perdendo o vigor. E numa época onde certos medicamentos não existiam, isto certamente foi para eles um verdadeiro “fim do mundo”: “Ter filhos hoje em dia… Agora, mais do que nunca, ‘o tempo que resta está reduzido’. Sim, é limitado o tempo que resta para que o povo de Jeová conclua a obra que Ele lhe confiou, a saber: ‘Estas boas novas do reino serão pregadas em toda a terra habitada para testemunho de todas as nações; e então virá o fim’ (Mateus 24:14). Essa obra deve ser realizada antes que venha o fim. Por isso, é apropriado que os cristãos se perguntem que efeito terá em sua participação nessa obra vital que se casem ou, se estiverem casados, que tenham filhos“ (A Atalaia, 01.03.1988 [versão em espanhol]). Imagine você quantos casais, considerando que o tempo estava “reduzido”, decidiram não ter filhos! A GERAÇÃO DE 1914 Após tropeçar tantas vezes na mesma pedra, a doutrina da Torre da Vigia tomou a sua forma atual, que afirma que em 1914 Cristo se tornou “presente”, porém, de forma “invisível”, estando agora “subjugando” seus inimigos, após o que estabelecerá por completo o Reino de Deus e a paz eterna: “Em 2 de outubro de 1914, Charles Taze Russell, então presidente da Sociedade Torre da Vigia de Bíblias e Tratados, anunciou expressamente: ‘Os Tempos dos Gentios terminaram; o dia de seus reis passaram’. Quão verídicas demonstraram ser suas palavras! Ainda que tenha sido invisível aos olhos humanos, em outubro de 1914 ocorreu no céu um acontecimento de transcedência mundial: Jesus Cristo, o Herdeiro permanente do ‘trono de Davi’, começou a governar como Rei sobre toda a humanidade (Lucas 1:32,33; Revelação 11:15)” (A Geração de 1914… Por que é significativa?, w92 1/5 6-7 [versão em espanhol]). Esta passagem é bastante reveladora porque tenta converter o grande fracasso de Russell, ao prever o fim do mundo para 1914, em uma previsão cabalmente cumprida. Ainda que qualquer pessoa com um pouco de senso comum possa se perguntar como é que Cristo está reinando se a cada dia que passa o mundo cai em uma maior imoralidade (praticam-se cada vez mais abortos, legaliza-se o casamento-gay, legaliza-se a eutanásia, continuam ocorrendo guerras, assassinatos, roubos etc.), eles criaram uma resposta engenhosa: “Porém, talvez você pergunte: se Cristo começou a governar em 1914, por que pioraram as condições na Terra? Porque, todavia, existia Satanás, o inimigo invisível da humanidade. Satanás teve acesso ao céu até 1914. Porém isso mudou quando o Reino de Deus foi estabelecido em 1914. ‘Ocorreu uma guerra no céu’ (Revelação 12:7). Satanás e seus demônios foram vencidos e lançados à Terra, produzindo efeitos catastróficos na humanidade. A Bíblia predisse: ‘Ai da terra e do mar, porque o Diabo desceu até vocês, possuindo grande ódio, sabendo que tem um curto espaço de tempo!’ (Revelação 12:12)” (A Geração de 1914… Por que é significativa?, w92 1/5 6-7 [versão em espanhol]). Esta doutrina também inclui a crença de que o Reino de Deus sobre a terra seria definitivamente instaurado antes que a geração de 1914 morresse. “Se Jesus empregou a palavra ‘geração’ nesse sentido e a aplicamos a 1914, então as crianças dessa geração têm agora 70 anos de idade ou mais. E outros que estavam vivos em 1914 têm agora cerca de 80 ou 90 anos; e há alguns que até já alcançaram os 100 anos de idade. Ainda vivem muitas milhões de pessoas daquela geração; algumas delas ‘não passarão de modo algum até que sucedam todas as coisas’ (Lucas 21:32). A partir do ponto de vista meramente humano, poderia parecer que tais eventos dificilmente poderiam ocorrer antes que a geração de 1914 desapareça de cena. Porém, o cumprimento de todos os eventos previstos que deveriam afetar a geração de 1914 não depende de medidas humanas, que são relativamente lentas. A palavra profética que Jeová pronunciou por Cristo Jesus é: ‘Esta geração [de 1914] não passará de modo algum até que sucedam todas as coisas’ (Lucas 21:32). Ademais, Jeová – que é a fonte da profecia inspirada e infalível – fará com que se cumpram as palavras do seu Filho em um período relativamente curto (Isaías 46:9,10; 55:10,11). A proximidade do Reino de Deus hoje significa o fim dos divisivos sistemas políticos, religiosos e comerciais da atualidade. Significa que será introduzido um novo governo justo para todas as pessoas obedientes da humanidade. Você pode escolher a vida eterna sob este arranjo de ‘novos céus e uma nova terra’ (2Pedro 3:13; João 17:3). Sim! Você pode chegar a ver esta Nova Ordem prometida, juntamente com os sobreviventes da geração de 1914… A geração que não passará” (1914… A Geração que não Passará, w84 15/5 4-7 [versão em espanhol]). Até aqui, vimos os antecedentes desta doutrina e sua forma final. Passarei agora a fazer uma humilde análise bíblica dos seus argumentos. A MANEIRA DE SE CALCULAR A DATA DE 1914 Demonstrarei agora, textualmente, a forma que os Testemunhas de Jeová apresentam em suas publicações de se efetuar o referido cálculo: “6. Se você abrir a sua Bíblia em Daniel 4, encontrará uma profecia que revela o objetivo de Deus quanto a exercer Sua soberania sobre a Terra. Declara aí que o objetivo pelo qual se cumpre essa profecia é ‘que saibam os viventes que o Altíssimo é Governante no reino da humanidade e a quem Ele quiser dá-lo’ (versículos 2, 3 e 17). Sabemos que esta pessoa “a quem” o Altíssimo dá ‘o Reino’ é Cristo Jesus. E o último livro da Bíblia fala do tempo em que ‘o reino do mundo’ é dado a Cristo como Rei celestial (Revelação 11:15; 12:10). Isto significa, portanto, que a profecia de Daniel trata do tempo em que Deus intervirá nos assuntos humanos, o que ocorrerá dando ‘o reino do mundo’ a Jesus Cristo. Quando a profecia mostra que isso acontecerá?7. O sonho profético registrado em Daniel descreve uma imensa árvore que foi derrubada e rodeada com bandas de ferro e cobre até que passaram ‘sete tempos’ sobre ele. Durante esse tempo se lhe daria ‘o coração de um animal’ (Daniel 4:10-16). O que isto significava? Deus fez Daniel explicar: Nabucodonosor, o rei da Babilônia, perderia o juízo, seria removido de seu trono e lançado para longe dos homens, vivendo como um animal. Depois de 7 anos, o rei recobraria o juízo. Isto, na verdade, ocorreu ao rei e foi reconduzido ao seu trono como a pessoa que reconheceu a superioridade do governo de Deus (Daniel 4:20-37). Entretanto, tudo isto tinha um significado maior e, por essa razão, foi registrado na Bíblia.8. O significado maior tem a ver com um governo mais poderoso, que beneficiaria toda criatura viva da Terra. Desse governo, como diz a profecia, haveria ‘alimento para todos’ e proteção até para os animais e as aves (Daniel 4:12). O único governo que na verdade pode implementar estes benefícios é o Reino de Deus. Os princípios justos desse governo foram demonstrados através da história de Judá, com seus reis em Jerusalém. Porém, pela infidelidade manifestada, Jeová deixou o reino de Judá ser conquistado pela Babilônia, no ano 608 antes da Era Cristã. Foi como se a árvore do sonho fosse cortada e fossem colocadas bandas [de ferro e cobre] ao redor do tôco. Sem intervenção divina, os governos nacionais têm exercido domínio mundial desde então. Visto que estes reinos nacionais são representados na Bíblia como ‘animais’, foi como se um anjo vindo do céu tivesse anunciado: ‘Que lhe seja dado o coração de um animal e passem sete tempos sobre ele’ (Daniel 4:16; 8:1-8,20-22). Com o passar do tempo, porém, aqueles ‘sete tempos’ de governo realizados por governantes semelhantes a animais caducariam. Então as ‘bandas’ seriam removidas e a ‘árvore’ cresceria novamente à medida que começasse a exercer o domínio mundial aquele a quem Jeová daria ‘o reino do mundo’.9. Quanto durariam esses ‘sete tempos’? Muito mais do que sete anos, porque séculos depois Jesus Cristo indicou que estes ‘tempos assinalados das nações’ ainda continuavam. As nações haviam obtido o domínio mundial com a conquista de Jerusalém pela Babilônia, em 607 antes da Era Cristã, e continuariam a tê-lo por mais algum tempo (Lucas 21:24). 10. Note você como a Bíblia se refere aos ‘tempos’ proféticos: Revelação 11:2,3 mostra que 1260 dias compõem 42 meses ou 3 anos e meio. Revelação 12:6,14 menciona o mesmo número de dias (1260), porém os chama de ‘um tempo, e tempos, e metade de um tempo’ ou 3 ‘tempos’ e meio. Cada um desses ‘tempos’ é de 360 dias (3 1/2 x 360 = 1260). Cada dia desses ‘tempos’ proféticos representa 1 ano inteiro, segundo o princípio de ‘um dia para cada ano’ (Números 14:34; Ezequiel 4:6). Assim, portanto, os ‘sete tempos’ são 2520 anos (7 x 360). Contando desde o outono de 607 antes da Era Cristã, quando Babilônia derrubou o típico reino de Deus em Judá, 2520 anos nos conduzem até o outono de 1914 da Era Cristã (606 1/4 + 1913 3/4 = 2520). Nesse ano, ‘o reino do mundo’ seria confiado a Jesus Cristo” (O Ano Marcado… 1914 E.C., pp. 69-85). Para que você possa perceber o absurdo deste método de calcular a data do final dos tempos, deve ler completamente o capítulo 4 de Daniel. (…). Em primeiro lugar, devemos notar que o texto citado, onde os Testemunhas de Jeová dizem que Deus “revela o objetivo quanto a exercer Sua soberania sobre a Terra” se refere não ao final dos tempos, mas a aplicar uma lição em Nabucodonosor, que em sua soberania não reconhecia a soberania de Deus. Deus lhe faz notar, assim, como permitiu que viesse a se tornar rei; com efeito, poderia também tirá-lo do seu trono e colocar nele quem bem desejasse. O próprio Daniel, quando interpreta a profecia, assim o faz: “Esta é a sua interpretação, ó rei, e o decreto do Altíssimo que expediu ao meu senhor, o rei: ‘Serás lançado para longe dos homens e com os animais do campo habitarás; erva, como os bois, terás por comida e serás banhado com o orvalho do céu; sete tempos passarão por ti até que reconheças que o Altíssimo domina sobre o império dos homens e que o dá a quem lhe compraz“ (Daniel 4,24-25). Esta é a explicação do próprio profeta ao interpretar o texto que, segundo os Testemunhas de Jeová, reflete o propósito de Deus de exercer Sua soberania sobre a terra: “É a sentença ditada pelos Vigilantes, a questão decidida pelos Santos, para que todo ser vivo saiba que o Altíssimo domina sobre o reino dos homens: é dada a quem lhe compraz e exalta o mais humilde dos homens” (Daniel 4,17). Assim, tiraram este texto do contexto, porque ali Deus exerce sua soberania humilhando a Nabucodonosor, [mas os Testemunhas de Jeová] fazem crer que se refere à soberania definitiva de Deus no final dos tempos. Porém, essa não é a única vez que tiram os textos de seus contextos; por exemplo, quando afirmam: “Entretanto, tudo isto tinha um significado maior e, por essa razão, foi registrado na Bíblia. O significado maior tem a ver com um governo mais poderoso, que beneficiaria toda criatura viva da Terra. Desse governo, como diz a profecia, haveria ‘alimento para todos’ e proteção até para os animais e as aves (Daniel 4:12). O único governo que na verdade pode implementar estes benefícios é o Reino de Deus”. Além do que já tinha interpretado Daniel quanto a essa profecia, [os Testemunhas] encontram um outro significado “maior” (que, ao que parece, passou despercebido pelo profeta Daniel), tomando por base que se menciona um governo mais poderoso no qual haveria “alimento para todos”, o que – segundo eles – somente poderia se referir ao reinado de Cristo. No entanto, erram novamente, já que o próprio Daniel interpretou que essa árvore, da qual se alimentavam todos os habitantes, era o reinado de Nabucodonosor. “Essa árvore que viste, que se tornou grande e encorpada, cuja altura atingia o céu e que era visível em toda terra, que possuía formosa ramagem e frutos em abundância, que produzia alimento para todos, sob a qual se abrigavam as feras do campo e em cujos ramos faziam ninho os pássaros do céu, sois tu – ó rei – que te tornaste grande e poderoso, cuja grandeza tem crescido e chegado até o céu, e cujo domínio se estende até os confins da terra” (Daniel 4,20-22). Daí associam arbitrariamente os 7 tempos de Nabucodosor em seu coração de animal como uma chave oculta que na verdade significariam 360 anos (uma fórmula matemática também arbitrária) contados a partir da queda de Jerusalém (data que também tem recebido muitas críticas, já que adotam uma data diferente daquela que é aceita em geral pelos historiadores). Antes de escrever este artigo, expressei a minha opinião a diversos Testemunhas de Jeové de que essa associação que faziam do capítulo 4 de Daniel com o fim dos tempos era totalmente arbitrária e não havia razão para se buscar um “significado maior” além daquele que o próprio Daniel, como profeta de Deus, tinha dado à profecia. Eles simplesmente me responderam: “É que você lê a Bíblia como uma estorinha”. Quando comentei com eles que não existia qualquer relação destes 7 tempos com o tempo que seria instaurado o Reino de Deus após a queda de Jerusalém, me disseram: “É que você não tem conhecimento e está com o coração endurecido. Por isso, não consegue entender”. Ninguém pode nada contra argumentos assim “tão convincentes”… A BÍBLIA FALA SOBRE UMA VINDA “INVISÍVEL” DE CRISTO? Entre a incontável quantidade de publicações em que os Testemunhas de Jeová afirmam que Cristo falou de sua presença invisível, encontramos esta: “Pouco antes de encerrar o seu ministério na Terra, Jesus predisse o sinal de sua presença invisível no poder do Reino (Mateus, capítulos 24 e 25). Descreveu claramente como seriam os tempos durante sua presença real e os eventos que cumprem a profeciam mostram que foi entronizado nos céus em 1914. Também apontou uma situação que nesse tempo colocaria à prova a autenticidade da nossa fé. Esta teria a ver com o momento em que Jesus atuaria como Executor para destruir o presente sistema iníquo na grande tribulação, pois disse: ‘Sobre aquele dia e hora ninguém sabe, nem os anjos dos céus, nem o Filho, mas apenas o Pai’. Com isto em mente, passou a dizer: ‘Assim, mantenham-se em alerta, pois não sabem em qual dia virá o seu Senhor’ (Mateus 24:36,42)” (Por que os Testemunhas de Jeová se Mantêm em Alerta?, w94 1/5 21-26). O certo é que se você ler completamente os capítulos 24 e 25 de Mateus não encontrará Jesus jamais falando de sua presença “invisível”. O texto começa quando os discípulos se mostram maravilhados com o Templo [de Jerusalém] e Jesus lhes diz que não restaria pedra sobre pedra: “Ao sair do templo, os discípulos aproximaram-se de Jesus e fizeram-no apreciar as construções. Jesus, porém, respondeu-lhes: Vedes todos estes edifícios? Em verdade vos declaro: não ficará aqui pedra sobre pedra; tudo será destruído. Indo ele assentar-se no monte das Oliveiras, achegaram-se os discípulos e, estando a sós com ele, perguntaram-lhe: Quando acontecerá isto? E qual será o sinal de tua vinda e do fim do mundo?” (Mateus 24,1-3). Como se pode observar, os discípulos fazem duas perguntas [a Jesus]: 1. “Quando acontecerá isto?” – Refere-se à destruição do Templo, sobre o quê Cristo acabara de lhes falar (e que ocorreu em 70 d.C.). 2. “Qual será o sinal de tua vinda e do fim do mundo?” – Aqui, sim, perguntam-lhe sobre a sua [nova] vinda. Os Testemunhas de Jeová alegam que a palavra grega traduzida aqui para “vinda” é “parousía”, mas que na realidade significa “presença”. Consultando dois dicionários de grego (Strong e Barclay), estas fontes dão ambos os significados como possíveis. O certo é que, independente disto, nada aqui faz pensar que será invisível esta “vinda”, “presença” ou como se lhe queira traduzir o termo. A prova se encontra na própria Escritura, quando Cristo responde aos seus discípulos. Ele começa narrando os acontecimentos que ocorreriam antes de sua [nova] vinda (guerras, terremotos, fomes) e que os Testemunhas de Jeová erroneamente interpretam como sinal de que [Jesus] já está presente de forma invisível. Após isto, nos fala sobre sua [nova] vinda: “Então aparecerá no céu o sinal do Filho do Homem. Todas as tribos da terra baterão no peito e verão o Filho do Homem vir sobre as nuvens do céu cercado de glória e de majestade. Ele enviará seus anjos com estridentes trombetas, e juntarão seus escolhidos dos quatro ventos, duma extremidade do céu à outra” (Mateus 24,30-31). Aqui, as próprias palavras de Cristo descartam qualquer vinda “invisível”, porque são enfatizados os seguintes fatos: 1. “Todas as tribos da terra baterão no peito” – Porém, como poderiam bater no peito todas as tribos da terra se ninguém percebeu sua vinda? 2. “Verão o Filho do Homem vir sobre as nuvens do céu cercado de glória e de majestade” – Contudo, seria um absurdo o texto afirmar que “verão” o Filho se ele está “invisível”. 3. “Ele enviará seus anjos com estridentes trombetas, e juntarão seus escolhidos dos quatro ventos” – Isto quer dizer que os eleitos serão levados à presença de Cristo para estar com Ele para sempre. Entretanto, se Cristo já veio e não fez nada disto, será que Cristo se esqueceu de levar os Testemunhas de Jeova? Foram relatados desaparecimentos em massa em 1914? Outro texto em que se assinala com mais clareza a vinda de Cristo encontramos no Apocalipse: “Ei-Lo que vem entre as nuvens. Todos os olhos o verão, mesmo aqueles que o traspassaram. Por sua causa, hão de lamentar-se todas as raças da terra. Sim. Amém”(Apocalipse 1,7). Não sei como os Testemunhas puderam entender que quando se diz: “Todos os olhos o verão”, estaria se referindo a uma vinda “invisível”. Curiosidade: Debatendo com um partidário da vinda invisível de Cristo, este me disse que uma prova de que era invisível é que [a Biblia] diz: “Vem entre as nuvens”, e as nuvens o encobrem!!! (Não, não é brincadeira!). Outro texto muito claro que afirma que Cristo não terá uma vinda invisível, mas que virá para que a Igreja esteja para sempre com ele, é este: “Eis o que vos declaramos, conforme a palavra do Senhor: por ocasião da vinda do Senhor, nós que ficamos ainda vivos não precederemos os mortos. Quando for dado o sinal, à voz do arcanjo e ao som da trombeta de Deus, o mesmo Senhor descerá do céu e os que morreram em Cristo ressurgirão primeiro. Depois nós, os vivos, os que estamos ainda na terra, seremos arrebatados juntamente com eles sobre nuvens ao encontro do Senhor nos ares, e assim estaremos para sempre com o Senhor. Portanto, consolai-vos uns aos outros com estas palavras” (1Tessalonicenses 4,15-18). Aqui também se fala que Cristo virá para se reunir com sua Igreja para sempre. Invisível coisa nenhuma! COMO QUALIFICAR A ATITUDE DA SOCIEDADE TORRE DA VIGIA? Definitivamente, não foi nada responsável da parte da Sociedade Torre da Vigia ter feito uso da ladainha de profecias não-cumpridas sobre o fim dos tempos (mais de dez vezes…), pelas conseqüências permanentes que ocasionaram em seus membros (sem contar quantas vezes caiu no ridículo, coisa que o próprio presidente dos Testemunhas de Jeová reconheceu). Atualmente já deve estar próxima uma alteração na doutrina de 1914, coisa que é necessária, já que a geração de 1914 chegou praticamente ao fim (quando este artigo foi escrito, os Testemunhas de Jeová nascidos nesse ano contavam com 94 anos de idade, e já não devem ser muitos); todavia, “não se chegou ao fim” novamente, como podemos constatar. Um possível sintoma dessa alteração encontramos em uma das frases incluídas de forma explicativa, mantida em quadro à parte, da apresentação intitulada “Por que é publicada [a revista] Despertai!”, pouco antes de 1995 [versão em espanhol]: “Mais importante ainda: esta revista promove a confiança na promessa do Criador em estabelecer um novo mundo pacífico e seguro antes do desaparecimento da geração que presenciou os acontecimentos de 1914”. No entanto, atualmente escrevem assim [versão em espanhol]: “Um novo mundo pacífico e seguro logo substituirá o atual sistema de coisas caracterizado pela maldade e rebelião”. Significa isto que, depois de tropeçarem tantas vezes seguidas na mesma pedra, tentam agora virar o timão? Não sabemos até que venha a ocorrer! Enquanto isso, a doutrina permanece inalterada. QUAL A MORAL DA ESTÓRIA? A mensagem de Cristo é que estejamos sempre preparados, pois não sabemos nem o dia, nem a hora. O fim do mundo não se encontra em cada esquina. Recordemos que, ainda que o mundo viesse a acabar daqui a 4 mil anos, o nosso “fim do mundo” ocorre quando nos chega a morte e precisamos prestar contas a Deus. Como não sabemos quando ocorrerá, o melhor é estar sempre alerta! “Sabei, porém, isto: se o senhor soubesse a que hora viria o ladrão, vigiaria sem dúvida e não deixaria forçar a sua casa. Estai, pois, preparados, porque, à hora em que não pensais, virá o Filho do Homem” (Lucas 12,39-40). Por José Miguel Arráiz Tradução: Carlos Martins Nabeto (apologeticacatolica.com.br)

  • A LENDA NEGRA SOBRE A INQUISIÇÃO

    De que se acusa a inquisição? Em síntese, o que se afirma é o seguinte: Que a Espanha era antissemita. Que os judeus e mouros foram perseguidos. Que todos os processados foram torturados. Que todos eram queimados na fogueira. Que Torquemada era um sádico. Que os reis eram antissemitas. Que a inquisição foi impopular. Que os métodos de tormento empregados pela inquisição foramos mais sangrentos, com o uso de refinados instrumentos de tortura. Que os sacerdotes e inquisidores executavam a tortura e aplicavam a pena capital. Que a inquisição procedia com maldade. Que a inquisição existiu somente pelo gosto de causar sofrimento. Que todos os processados pela inquisição inquisição foram “vítimas”. Que o povo espanhol era fanático e cruel. Que os autos de fé não eram cerimônias solenes, e sim espetáculos sangrentos. Que a inquisição foi um tribunal onipotente e onipresente. Que as prisões eram desumanas. Que a cultura e a ciência foram reprimidas. Que Galileu foi condenado por dizer a verdade. Que se executaram 30 mil pessoas. E um interminável etc. Bem, agora que já sabem das maiores difamações, será mais fácil de entenderem o porquê de eu tocar muito neste assunto, muitos Católicos já foram pegos de surpresa com várias informações sobre a inquisição, para quem não conhece o assunto, parece que estão descobrindo coisas horríveis que a igreja sempre escondeu deles, e de repente uma alma bondosa lhe conta toda a verdade, vamos desmascarar todas essas mentiras dos inimigos da Santa Igreja, nos próximos textos vou mostrar com detalhes como trabalha o pai da mentira.. O QUE FOI A LENDA NEGRA? Texto I Com relação à propaganda, os antigos Defensores da instrução Universal e da Imprensa Livre previam apenas duas possibilidades: a propaganda podia ser verdadeira ou podia ser falsa. Não previram o que de fato aconteceu, sobre tudo em nossas democracias capitalistas ocidentais: o desenvolvimento de uma vasta indústria de comunicação em massa, interessada principalmente não com o verdadeiro ou falso mas sim com o irreal, com o que está mais ou menos totalmente fora de lugar. Em poucas palavras, não levaram em conta o apetite quase infinito de distrações que tem o homem. -Aldous Huxley Certa vez, um homem importante, de cujo nome e condição ninguém se lembra, disse que uma mentira repetida uma quantidade de vezes suficiente acaba por impor-se como a mais incontestável de todas as verdades. Se para provar esta realidade fosse necessário mencionar um caso paradigmático nenhum melhor que o da Inquisição. O certo é que a lenda negra da Inquisição é apenas mais uma das muitíssimas acusações lançadas sobre a Igreja Católica, contra a qual, de forma Quase exclusiva, se dirigiram historicamente esta espécie de Mitos. Existe, como exemplo paradigmático, um caso que não escapa a ninguém, especialmente aos hispanos-americanos: o do descobrimento e pacificação da América. Esta lenda negra em particular concentra a atenção de forma prevalente sobre seus aspectos negativos – erros ou excesso de algumas pessoas particulares, silenciando assim a magnanimidade da obra, principal sua ação evangelizadora exemplar. João Paulo II e chamou a atenção para esse tema em Santo Domingo, observando que “preconceitos políticos, ideológicos e até mesmo religiosos que geram também apresentar de forma apenas negativa a história da igreja neste continente”. O esclarecido Historiador calvinista Pierre Chaunu esmiúça oportunamente esse modus operandi, frequentemente empregado pelos Inimigos da igreja e da Espanha:A lenda anti-hispânica, em sua versão norte-americana (a versão europeia faz finca-pé sobretudo na inquisição), desempenhou o saudável papel de válvula de escape. a pretensa matança dos índios Por parte dos espanhóis no século XVI encobriu a matança norte-americana na fronteira do Oeste ocorrida no século XIX. Deste modo, América protestante conseguiu livrar-se de seu crime, jogando de volta sobre América católica”. A criação do termo “Lenda Negra” cabe a Julián Juderias, Historiador e membro da Real academia de história. desde seu premiado ensaio no início do século XX, descreve-a como: “o ambiente criado pelos relatos fantásticos sobre Nossa pátria que vieram publicamente a luz em todos os países, as descrições grotescas que sempre se fizeram de caráter dos espanhóis como indivíduos em sua coletividade, a negação ou pelo menos a ignorância sistemática de tudo quanto é favorável e formoso nas diversas manifestações da cultura e da arte, as acusações que em todos os tempos se fizeram contra a Espanha”. O American council of education em 1944 Diz: A lenda negra é uma expressão empregada pelos escritores espanhóis para denominar o antigo corpo de propaganda contra os povos da Península Ibérica, que começou na Inglaterra no século XVI e tem sido desde então uma conveniente arma para os inimigos da Espanha e de Portugal nas guerras religiosas, marítimas e coloniais destes quatro séculos”. O dicionário da real academia define-a como: “Opinião contra o espanhol difundida à partir do século XVI, e também “opinião desfavorável e generalizada, geralmente infundada sobre alguém ou algo”. Por lenda negra entende-se em geral os mitos concebidos a partir da literatura caluniosa gerada em tabernáculos protestantes -principalmente França Alemanha e Inglaterra – em tempos de guerra contra a Espanha e o pontificado. Caluniosa, dissemos, pois, como a própria palavra o indica, sua principal característica reside na carência de documentação confiável e comprobatória sobre aquilo que se afirma. É também próprio desta tarde com a narração de relatos fantásticos e e verossímeis, repletos de emoção, que apelam insistentemente ao sentimentalismo (que não é o mesmo que sensibilidade), procurando desta forma desviar a atenção do leitor do objetivo de estudo. Este é um dos artifícios prediletos dos escritores anti-católicos, particularmente ao tratar a questão do Santo Ofício. É o que descobre o insuspeito historiador judeu Cecil Roth: “O gosto pela narrativa histórica muito picante, entremeada com a maior abundância possível de anedotas eróticas, campo em que os franceses ocuparam primeiro lugar, estas tendências reforçaram preconceito tradicional, e o resultado foi que, à medida que avançava o século XIX, aos ataques Protestantes estereotipados somaram diversas obras Com títulos como os segredos da Inquisição. Estas obras deleitavam aos leitores luxuriosos com histórias românticas e muito exageradas (que geralmente acabavam mal), cuja ação transcorria sobre um fundo de torturas desumanas, e salpicadas de batalhas em favor da virtude feminina, com resultados diversos, contra os libidinosos familiares e superiores. É de uma miscelânea de histórias desta espécie que nasceram as impressões do leitor médio inglês e norte-americano de hoje. A Geração Jovem murmura sadismo e complexo de inferioridade perante essa beberagem Infernal, e imagina que se resolveu um problema psicológico. Mas isto é um erro e uma injustiça. Sobre este método desleal, opina Jaime balmes, o grande erudito do século XIX: “Os escritores que procederam assim não podem Com certeza ser considerados muito conscienciosos; pois nem o orador nem o escritor nunca devem perder de vista a regra de que não é legítimo o movimento que excita o ânimo, se antes não se convencem ou não se lhe supõe convencido; e é também uma espécie de má-fé tratar unicamente com argumentos sentimentais matérias que por sua própria natureza só podem ser examinados como convém sobre a luz da Razão fria. Em tais casos não se deve começar por mover, mas sim por convencer; o contrário é enganar o leitor”. A principal finalidade da propaganda protestante era incentivar, nos domínios espanhóis, as revoltas dos súditos contra suas autoridades naturais, objetivo que teria êxito na região de Flandres pelas mãos do desertor e apóstata Guilherme de Orange. Pode-se resumir a lenda Negra como uma modalidade de fazer a guerra pela propaganda. Onde não chegava a fogueira protestante chegava o Pasquim. Embora esta Lenda negra respondesse definitivamente a interesses políticos, econômicos e territoriais, continua valendo o que disse Donoso Cortés: “por trás de toda a questão política a uma questão religiosa”. Deve-se tê-lo bem presente se pretende-se compreender as razões de sua criação. Por sua vez, o célebre Historiador italiano Vittorio messori, co-autor de vários livros de João Paulo II, atribui esta lenda principalmente a motivos geopolíticos, fazendo notar que os ataques contra a inquisição, em sua maioria, Foram alimentados pela propaganda protestante no cenário da luta contra a Espanha pela hegemonia no Atlântico, sendo o historiador protestante Henry Kamen da mesma opinião. A importância territorial que a Espanha adquirira, especialmente como consequência do descobrimento da América, ampliada, ainda por cima, pela coroa, através dos casamentos dinásticos, era notável, verdadeiramente esmagadora. Não é por acaso, certamente, que as primeiras e mais importantes calúnias contra a Espanha e a Igreja Católica tenham surgido em meados do século XVI, com uma Espanha que não conhecia o pôr do sol, dona de um armada Invencível (o único exército eficaz e permanente da Europa), na Vanguarda da Europa no terreno da cultura e da ciência. Exemplo de liberdade, tolerância e harmonia em seus domínios, contava, junto à inquisição, com o apoio Popular total e Incondicional. Uma observação importante em que repara Henry Hello é que os ataques contra a inquisição começariam mais de 300 anos depois da Constituição da primitiva inquisição pontifícia (ano 1231), de traços muito semelhante à espanhola, embora mais rigorosa, segundo afirma a maior parte dos historiadores, fato que confirma em boa medida as razões expostas acima. Uma coisa era certa: se a Inglaterra e os protestantes pretendiam dominar a Europa, então a Espanha deveria ser totalmente destruída, e a melhor e única forma de conseguir era atacando seu fator de unidade: a fé Católica Apostólica e romana, alicerce do império. Sem contar com exércitos que pudessem derrotar os gloriosos e temidos regimentos espanhóis, os reformistas optaram Decididamente pela calúnia e difamação, e inventando histórias sobre seus reis e, principalmente, sobre a maior Instituição da Igreja Católica naquele momento: a inquisição, que castigava e vigiava Ação perniciosa dos hereges. CONTINUA #HistóriadaInquisição

  • Estudando a Sucessão Apostólica

    SUCESSÃO APOSTÓLICA Há algum tempo, li em um fórum evangélico que a doutrina da sucessão apostólica não tinha fundamento bíblico, que era uma tentativa da Igreja Católica em atribuir para si uma autoridade que não lhe cabia. Quero, com o presente estudo de caráter apologético, estudar o que é a sucessão apostólica e o seu fundamento bíblico e histórico. QUE É SUCESSÃO APOSTÓLICA? Quando Cristo veio à terra e edificou a sua Igreja, dentre seus discípulos elegeu doze homens e lhes conferiu autoridade, poder e um ministério a cumprir: pastorear a Igreja. Com a expressão “sucessão apostólica” se indica, em teologia, que os Apóstolos, conscientes de que não viveriam para sempre e por vontade de Cristo, estavam destinados a possuir sucessores que continuariam o seu ministério, com a mesma autoridade que eles receberam de Cristo. A AUTORIDADE Somente pode ostentar autoridade aquele que a tem por direito próprio (Deus) ou aquele a quem lhe foi conferida (delegada). Quando Cristo nomeou os seus Apóstolos lhes conferiu autoridade: “E quando já era dia, chamou a si os seus discípulos e escolheu doze deles, a quem também deu o nome de Apóstolos: Simão, ao qual também chamou Pedro, e André, seu irmão; Tiago e João; Felipe e Bartolomeu; e Mateus e Tomé; Tiago, filho de Alfeu, e Simão, chamado Zelotes; e Judas de Tiago; e Judas Iscariotes, que foi o traidor.” (Lucas 6,13-16) “E convocando os seus doze discípulos, deu-lhes autoridade e poder sobre todos os demônios e para curarem enfermidades.” (Lucas 9,1) Os Apóstolos sempre souberam que a autoridade deles provinha do próprio Cristo que lhes nomeou Apóstolos. “Embora pudéssemos impor nossa autoridade por ser Apóstolos de Cristo, nos mostramos amáveis com vós, como uma mãe cuida com carinho de seus filhos.” (1Tessalonicenses 2,6-7) Eles foram enviados assim como o Pai havia enviado a Cristo (com a mesma autoridade): “Jesus disse-lhes outra vez: ‘A paz esteja convosco. Assim como o Pai me enviou, eu também vos envio’. Dito isto, soprou sobre eles e lhes disse: ‘Recebei o Espírito Santo. Aqueles a quem perdoardes os pecados, estes lhes serão perdoados; aqueles a quem os retiverdes, estes lhes serão retidos.” (João 20,21-23) Os Apóstolos fundavam as igrejas e também estabeleciam as regras a serem observadas, ordenando com toda a autoridade: “Conforme iam passando pelas cidades, iam também entregando, para que observassem, as decisões tomadas pelos Apóstolos e presbíteros em Jerusalém.” (Atos 16,4) Nas epístolas paulinas, vemos comumente São Paulo enviar ordens a todas as igrejas: “No demais, que cada um viva conforme foi apontado pelo Senhor, cada um da forma como foi chamado por Deus. É o que ordeno em todas as igrejas.” (1Coríntios 7,17) Só é possível ter real autoridade quando esta foi conferida por alguém que, por sua vez, possui legítima autoridade. E quando na Igreja primitiva se vêem casos onde certas pessoas ostentam uma autoridade que não lhes correspondia, suas atitudes são severamente condenadas pela Bíblia. Exemplos clássicos encontramos nas pessoas de Alexandro, Himeneo e Fileto, que por conta própria passaram a pregar doutrinas diferentes da Igreja; desconhecendo a autoridade do colégio apostólico, foram excomungados: “Esta é a recomendação que te faço, filho meu, Timóteo, de acordo com as profecias pronunciadas a teu respeito anteriormente. Penetrado por elas, combate o bom combate, conservando a fé e a consciência reta. Alguns, por tê-la rejeitado, naufragaram na fé; entre estes estão Himeneo e Alexandro, a quem entreguei a Satanás para que aprendam a não blasfemar.” (1Timóteo 1,18-20) “Evita o palavreado profano, pois os que a ele se dão cresceram cada vez mais na impiedade e sua palavra evaluirá como gangrena. Himeneo e Fileto estão entre esses: desviaram-se da verdade ao afirmar que a ressurreição já ocorreu e perveteram a fé de alguns.” (2Timóteo 2,16-18) A PRIMEIRA SUCESSÃO APOSTÓLICA A primeira sucessão apostólica que encontramos no Novo Testamento lemos no capítulo 1 dos Atos dos Apóstolos. São Pedro declara a vacância do posto (ministério) de Judas Iscariotes e aponta a necessidade de que alguém a ocupe: “Naqueles dias, Pedro se pôs de pé em meio aos irmãos – o número de pessoas reunidas era de cerca de cento e vinte – e lhes disse: ‘Irmãos, era preciso que se cumprisse a Escritura em que o Espírito Santo, pela boca de Davi, havia falado acerca de Judas, que guiou aqueles que prenderam Jesus. Porque ele era um de nós e obteve um posto neste ministério, convém, pois, que dentre os homens que andaram conosco todo o tempo em que Jesus viveu entre nós, a partir do batismo de João até o dia em que nos foi levado, um deles seja constituído testemunha conosco de sua ressurreição. Apresentaram dois: José, chamado Barsabás, de sobrenome Justo, e Matias. Então oraram assim: ‘Tu, Senhor, que conheces os corações de todos, mostra-nos qual destes dois elegeste para ocupar no ministério do apostolado o posto do qual Judas desertou para ir para onde lhe correspondia’. Lançaram sortes e a sorte caiu sobre Matias, que foi agregado ao número dos doze Apóstolos.” (Atos 1,16-17.21-26) EVIDÊNCIA BÍBLICA DA INSTITUIÇÃO DOS PRESBÍTEROS COM AUTORIDADE POR INTERMÉDIO DOS APÓSTOLOS OU OUTROS PRESBÍTEROS PREVIAMENTE ORDENADOS Comos vimos, está claríssima a consciência que tinham os Apostólos de que o ministério do apostolado não permanecia vacante (posteriormente este ministério será desempenhado pelos bispos). Os Apóstolos também estavam conscientes da obrigação que tinham de que seus sucessorem poderiam exercer seu ministério de forma plena, organizando igrejas e colocando à frente homens capazes. Assim vemos como o livro dos Atos dos Apóstolos nos narra que uma das principais atividades dos Apóstolos era fundar igrejas e designar presbíteros para elas: “Designavam presbíteros em cada igreja e após fazer oração e jejuns, os encomendavam ao Senhor em quem haviam crido.” (Atos 14,23) No começo os presbíteros eram nomeados exclusivamente pelos Apóstolos; posteriormente, também por outros presbíteros já ordenados. Inexistia aqui o que se costuma a ver nas igrejas protestantes, onde alguém que possui um carisma simplesmente funda uma igreja e toma nela o posto de pastor. Exemplos claros encontramos nas epístolas paulinas, onde Paulo menciona a ordenação de Timóteo como presbítero através da imposição das mãos e o exorta a não instituir presbítero a qualquer pessoa (resto claro que ninguém poderia se autoproclamar presbítero). “Por isto te recomendo que reavivas o carisma de Deus que há em ti pela imposição das minhas mãos. Porque o Senhor não nos deu um espírito de timidez, mas de fortaleza, de caridade e de temperança. Não te envergonhes, pois, nem do testemunho que hás de dar de nosso Senhor, nem de mim, seu prisioneiro. Ao contrário, suporta comigo os sofrimentos pelo Evangelho, ajudado pela força de Deus, que nos salvou e nos chamou para uma vocação santa, não por nossas obras, mas por sua própria determinação e por sua graça que nos deu desde toda a eternidade em Cristo Jesus.” (2Timóteo 1,7-9) “Não descuideis do carisma que há em ti, que te foi comunicado pela intervenção profética através da imposição das mãos do colégio de presbíteros.” (1Timóteo 4,14) “Não te precipites a impor as mãos sobre alguém, nem te faças partícipe dos pecados alheios. Conserva-te puro.” (1Timóteo 5,22) Volto a observar que Paulo menciona que a ordenação de Timóteo se deu mediante a imposição das mãos do colégio de presbíteros (outras Bíblias traduzem como “conselho de anciãos”, que é uma expressão sinônima). Vemos, assim, que os primeiros presbíteros foram ordenados pelos próprios Apóstolos e os presbíteros seguintes foram ordenados pelos Apóstolos ou por outros presbíteros previamente ordenados. O certo é que para que uma ordenação ser considerada válida SEMPRE deveria o aspirante ser ordenado por presbíteros ordenados por outros presbíteros até se chegar aos Apóstolos. A esta legítima linha de sucessão chamamos “sucessão apostólica”. O mesmo ocorre com Tito, que também sendo um presbítero, é enviado por Paulo a organizar as igrejas e instituir presbíteros para o seu governo: “O motivo de ter-te deixado em Creta foi para que acabasses de organizar o que faltava e estabeleceres presbíteros em cada cidade, como te ordenei.” (Tito 1,5) A finalidade era sempre clara: “Tu, pois, filho meu, mantei-te forte na graça de Cristo Jesus; e do quanto me tens ouvido na presença de muitas testemunhas, confiai-o a homens fiéis, que sejam capazes, por sua vez, de instruir a outros.” (2Timóteo 2,1-2) Paulo deixou em suas epístolas grande quantidade de recomendações referentes aos assuntos do governo da Igreja. Ele precisava se assegurar que os candidatos a estes ministérios eram irreprováveis porque sabia que no rebanho se infiltrariam lobos devoradores. Com estas diretrizes, a Igreja conseguiria identificá-los facilmente: “É certa esta afirmação: se alguém aspira ao episcopado, deseja uma nobre função. É, pois, necessário que o bispo seja irrepreensível, casado uma única vez, sóbrio, sensato, educado, hospitaleiro, apto para ensinar, não beberrão nem violento, mas moderado, inimigo das pendências, despreendido do dinheiro, que saiba governar a sua própria casa, pois senão como poderá cuidar da Igreja de Deus? Não deve ser neófito, a não ser que, levado pela soberba, caia na mesma condenação do Diabo. É também necessário que tenha boa fama entre os de fora, para que não caia no descrédito e nas redes do Diabo. Também os diáconos devem ser dignos, sem dubiez, nem dados a beber muito vinho nem a negócios sujos; que guardem o mistério da fé com uma consciência pura. Primeiro serão submetidos à prova e depois, se forem irrepreensíveis, se tornarão diáconos.” (1Timóteo 3,1-10) “Os presbíteros que exercem bem o seu cargo merecem remuneração em dobro, principalmente os que se dedicam à pregação e ao ensinamento. A Escritura, com efeito, diz: ‘Não colocarás bocal no boi que trilha’ e também: ‘O operário é digno do seu salário’. Não admitas nenhuma acusação contra um presbítero se não vier acompanhada do testemunho de duas ou três pessoas. Aos culpados, repreendei-os diante de todos, para que os demais tenham temor.” (1Timóteo 5,17-20) “Ao sectário, após uma e outra advertência, evita-o; já sabes que esse é pervertido e peca, condenado por sua própria sentença.” (Tito 3,10-11) Veja também Tito 1,5-11. A IGREJA É VISÍVEL Muitas das igrejas protestantes que negam a sucessão apostólica costumam a ver também a Igreja não como um organismo visível (composto por todos os batizados e com as hierarquias constituídas pelos Apóstolos: bispos, presbíteros e diáconos), mas como um organismo invisível em que cada crente possui uma relação pessoal com Deus, sendo isto suficiente. Para eles não importa muito a que Igreja se freqüenta, desde que a relação pessoal com Deus seja verdadeira. Este tipo de ideologia é muito perigosa, pois ainda que se possa aceitar a tese de que nessas igrejas existem muitos crentes com pureza de intenção que podem alcançar a salvação eterna (CIC cc. 818, 819 e 847), isto é muito diferente de afirmar que não importa a que Igreja se freqüenta pois se encontrará salvação da mesma forma. Isto sem contar que a idéia de uma Igreja invisível choca de frente com o ensino da Bíblia. Como poderia Paulo impor a disciplina de excomunhão contra Himeneo, Alexandro e Fileto se a Igreja fosse invisível? (Estes simplesmente optariam por fundar uma igreja na outra esquina). No entanto, na Bíblia, a Igreja sempre é descrita não como um ente invisível, mas como o corpo de Cristo, em que cada membro ocupa uma função: “Pois bem, vós sois o corpo de Cristo e cada um, por sua vez, seus membros. Assim Deus vos pôs na Igreja primeiramente como Apóstolos; em segundo lugar, como profetas; em terceiro lugar, como mestres; depois, os milagres; a seguir, o dom das curas, da assistência, do governo, da diversidade de línguas. Por acaso são todos Apóstolos? Ou todos profetas? Ou todos mestres? Todos têm o poder de operar milagres? Todos têm o carisma das curas? Todos falam línguas? Todos interpretam?” (1Coríntios 12,27-30) Uma forma de visualizar a Igreja, segundo a Escritura, é enxergá-la como um edifício espiritual, onde alguns são representados como bases ou colunas (Apóstolos), sendo Cristo a pedra angular: “Assim, pois, já não somos estranhos nem forasteiros, mas concidadãos dos santos e familiares de Deus, edificados sobre a base dos apóstolos e profetas, sendo o próprio Cristo a pedra angular, em quem toda edificação bem construída se eleva até formar um templo santo no Senhor, em quem também vós estais sendo juntamente edificados, até ser morada de Deus no Espírito.” (Efésios 2,19-22) Resta muito claro para mim que a visão de uma Igreja como um ente invisível, onde o conjunto de crentes encontra-se disperso, não é a que se encontrava na mente de Cristo, quanto este disse que haveria um só rebanho e um só Pastor. QUAIS IGREJAS RECONHECEM A DOUTRINA DA SUCESSÃO APOSTÓLICA? Atualmente reconhecem a doutrina da sucessão apostólica a Igreja Católica, a Igreja Ortodoxa, as igrejas orientais, a igreja nestoriana e a igreja anglicana. Algumas igrejas luteranas também reconhecem tal doutrina, mas na prática, para a maioria das igrejas protestantes a sucessão apostólica não é importante e chega, inclusive, a ser negada. Na verdade, sabem que se a reconhecerem sem possuírem uma legítima sucessão a fundação de sua denominação restaria injustificada e obrigatoriamente precisariam reconhecer a invalidez da autoridade de seus próprios pastores. Tradução: Carlos Martins Nabeto (apologeticacatolica.com.br) Fonte: apologéticacatolica.org

  • We Were Warned!

    St. Francis of Assisi: “The devils will have an unusual power, the immaculate purity of our order, and of others, will be so much obscured that there will be very few Christians who will obey the true sovereign Pontiff with loyal hearts and perfect charity. At the time of this tribulation a man, not canonically elected, will be raised to the Pontificate, who, by his cunning, will endeavor to draw many into error and death. Some preachers will keep silent about the truth and others will trample it underfoot and deny it. Sanctity of life will be held in derision even by those who outwardly profess it, for in those days Jesus Christ will not send them a true pastor but a destroyer.” (Works of the Seraphic Father St. Francis of Assisi, Washbourne, 1882 , p. 248) We were warned. The state of apostasy in the Church is as a result of the negligence and disobedience of Catholics both high and low. “If men could amend their lives”, She(Our Lady of La Salette) said amid tears. Craving for worldly praise, we often trample on the laws of God and uphold that of man; to appear well learned in the sight of men, we inordinately seek for knowledge especially the unnecessary knowledge. In such state of mind, how could we not embrace heresies which appeared as novelties in our time; for we often crave for that which is new and unusual at the expense of the old truths. The novelty of our time is modernism, and being trapped by its alluring sophistries we became too weak to defend the truth of our Catholic faith. Hence the words of our dear Pope St. Pius X: “All the strength of Satan’s reign is due to the easy-going weakness of Catholic. Oh! If I might ask the Divine Redeemer, ‘what are wounds in the midst of Thy hands?’ The answer would not be doubtful: ‘With these I was wounded by My friends who did nothing to defend Me, and who on every occasion, made themselves accomplices of My Adversary.” In the parable of the wheat and the weed, the enemy sowed weeds when the servants were asleep; and like these servants, we, in that dreadful sleep of negligence became unaware of the enemy’s deadly move. Oh! how truthful were the words of Our Lord; “watch and pray that you may not enter into temptation.” For if we spent more time in prayer and in guarding of our souls against the temptations of the world – especially that of pride – we would never had been so weak like the servants, who never thought of guarding the wheat by fencing the field or  awaken by the perceptible noise of the intruder. Realizing the dreadful consequences of negligence we now cry; “Surely, the enemy has done this!” . Today, we now see (false) “Popes” who approve other pagan religions in the name of ecumenism. True Catholics can’t repress a shudder see at the sight of different types of “masses'(sacrilege), such as the clown mass, the beach mass etc. What about the gay lobby, pedophile clergy ….must I go on. When Melanie, who lived in great sorrow ever since the apparition, finally decided to pen down the secret of La Salette, J. S. Kennedy wrote the following: “When it came to the actual writing out of her secret, Melanie temporized, burst into tears … She sat down, took hold of a pen, and began to write. Once she looked up to ask the meaning of the word ‘Infallibe’ … A little later, she asked the spelling and meaning of Anti-Christ.” (Light on the Mountain Pg. 131). Today, Our Lord, like the owner of the field in the parable of the weed, says, “Let them both grow together until the harvest time, I will tell the reapers : gather the weeds first and bind them in bundles to be burned, but gather the wheat into My barn.”

  • SANTO TOMÁS DE AQUINO ACABANDO COM MAOMÉ

    Tão maravilhosa conversão do mundo para fé cristão é de tal modo certíssimo indício dos sinais ávidos no passado, que eles não precisaram ser reiterados do Futuro, visto que os seus efeitos os evidenciavam. Seria realmente o maior dos sinais miraculosos se o mundo tivesse sido induzido, sem aqueles maravilhosos sinais, por homens rudes e vulgares, a crer em verdades tão elevadas, a realizar coisas tão difíceis e a desprezar bens tão valiosos. mas ainda: em nossos dias Deus, por meio dos seus santos, não cessa de operar Milagres para confirmação da Fé. No entanto, os iniciadores de seitas errôneas seguiram caminho oposto, como se tomou patente em Maomé. Ele seduziu os povos com promessas referentes aos desejos carnais, excitados que são pela concupiscência. Formulou também preceitos, conformes àquelas promessas, relaxando, desse modo, as rédeas que seguram os desejos da carne. Além disso, não apresentou o testemunhos da verdade, senão aqueles que facilmente podem ser conhecidos pela razão natural de qualquer Medíocre ilustrado. Além disso, introduziu, em verdades que tinha ensinado, fábulas e doutrinas falsas. Também não apresentou sinais Sobrenaturais. Ora, só mediante estes há conveniente testemunho da Inspiração Divina, enquanto uma ação visível, que não pode ser senão divina, mostra que o mestre da Verdade está inspirado de modo invisível. Mas Maomé manifestou ter sido enviado pelo Poder Das Armas, que também são sinais dos ladrões e dos tiranos. Ademais, desde o início, homens sábios, versados em coisas divinas e humanas, nele não acreditaram. Nele, porém, acreditaram homens que, animalizados no deserto, eram totalmente ignorantes da doutrina Divina. no entanto, foi a multidão de Tais homens que obrigou os outros a obedecerem, pela violência das Armas, a uma lei. Finalmente, nenhum dos oráculos dos Profetas que antecederam dele deu testemunho. Visto que ele deturpou com fabulosas narrativas quase todos os fatos do velho e do Novo Testamento. Tudo isso pode ser verificado ao se estudar a lei. Já também por isso, e de caso sagazmente pensado, não deixou para leitura de seus seguidores os livros do velho testamento, para que não o acusassem de impostura. Fica assim comprovado que os que lhe dão fé à palavra crêem levianamente. #Históriadaidademédia #Igreja

  • A Igreja Católica: Construtora do Sistema Universitário

    Continuando a resposta sobre as mentiras sobre as universidades e a igreja católica, pois, hoje em dia não é como nos dias de Lutero e Calvino, onde espalhavam suas mentiras em panfletos, aproveitando a recém criada prensa, hoje só aceita a mentira, os vaidosos e os que não aceitam que foram enganados por conversas maliciosas, lembrando a mentira 👇, logo mais abaixo a história como aconteceu. (Mentiras do catolicismo romano refutadas. 1 – “Quem Criou o Sistema Universitério foi a ICAR… só que não – As Universidades mais antigas do mundo foram Islâmicas: a primeira foi a Universidade de Al-Karaouine, no Marrocos, fundada em 859 D.C., seguida pela Universidade Al-Azhar, fundada entre 970 e 972 no Egito, e depois pela Universidade de Nizamyya, no Irã em 1065. Só lá pelo ano de 1088 é que a Europa teve a sua primeira Universidade em Bolonha na Itália, seguida pela Universidade de Paris em 1229 – e não eram nem vinculadas a Igreja e precisaram de aprovação do Clero para existir). O ensino superior no Ocidente Os primeiros passos em direção ao sistema de universidades tal qual temos hoje foram dados no início da Idade Média, quando os bispos começaram a criar as escolas catedráticas. Essas instituições urbanas eram mais desenvolvidas que as escolas dos mosteiros, que geralmente se localizavam no campo ou em cidades pequenas. Com o término da invasão estrangeira e o renascimento econômico do século XI – um ponto de mudança na história da Europa as cidades europeias puderam se desenvolver, pela primeira vez desde a queda de Roma. As escolas montadas pelos bispos dessas novas cidades e vilas, localizadas perto das esplêndidas catedrais que haviam acabado de ser construídas, atraíam estudantes de lugares distantes. Essas escolas ofereciam um currículo mais avançado, e seus corpos docentes incluíam estudiosos atraídos para os novos centros urbanos, em razão das grandes bibliotecas e de maiores oportunidades de aprendizado e en- sino. Um dos primeiros filósofos escolásticos, Pedro Abelardo (que merece ser conhecido por algo mais que o seu trágico caso de amor com a estudante Heloísa) foi um dos professores na escola da catedral de Notre-Dame, em Paris. Devemos salientar que os antigos clássicos da literaturateratura latina – e mais tarde os textos gregos, geralmente traduzidos – formavam a maior parte do currículo das artes. O que era lido, memorizado, comentado e analisado nas escolas era o amplo corpo dos textos clássicos que sobreviveram à queda de Roma nas bibliotecas monásticas. É, portanto, simplesmente falso afirmar que a herança clássica esteve enterrada, ignorada e conscientemente reprimida pela maléfica Igreja durante mil anos – e foi somente libertada pelos intelectuais do Renascimento, livres enfim da influência católica na cultura. (Essa visão a respeito dos intelectuais do Renascimento também é falsa – eles eram quase todos católicos.) As provas de que os estudantes medievais estavam mergulhados nos clássicos la- tinos são esmagadoras; eles aprendiam a lê-los, a imitar o seu estilo e a memorizâ-los. Cícero era um dos favoritos, E quando Heloísa, inconsolada por sua renúncia a Abelardo, entrou para o convento, recitou versos latinos enquanto andava pelo corredor e, depois, aliviou seu sofrimento com a leitura dos filósofos estoicos. Cidade e Toga A participação dos papas no sistema universitário estendeu-se a muitos outros assuntos. Um olhar de relance sobre a história da universidade medieval revela que não eram incomuns os conflitos entre a universidade e o povo ou o governo local. Os habitantes da cidade nutriam com frequência sentimentos ambivalentes em relação aos estudantes universitários; por um lado, a universidade era um presente para os comerciantes locais e para a atividade econômica em geral, uma vez que os estudantes traziam dinheiro para gastar; mas, por outro lado, esses estudantes podiam ser irresponsáveis e indisciplinados. Como explicava um comentarista moderno, os habitantes das cidades em que se situavam as universidades medievais amavam o dinheiro, mas odiavam os estudantes. Como resultado, ouvia-se muitas vezes os estudantes e os seus professores queixarem-se de que eram “tratados com abuso pelos cidadãos locais, com dureza pela polícia, desatendidos nas suas demandas legais e ludibriados no preço dos aluguéis, alimentos e livros”. No meio dessa atmosfera tensa, a igreja rodeou os estudantes universitários de uma proteção especial, concedendo-lhes o chamado benefício do clero. Os clérigos gozavam na Europa medieval de um estatuto especial: maltratá-los era um crime extraordinariamente grave; tinham o direito de que as suas causas fossem julgadas por um tribunal eclesiástico, e não pelo civil. Os estudantes universitários, como atuais ou potenciais ao estado clerical, passaram também a gozar desses privilégios. Os governantes civis também lhes estenderam muitas vezes uma proteção similar: em 1200, Felipe Augusto da França concedeu e confirmou esses privilégios aos estudantes da Universidade de Paris, permitindo-lhes ter as suas causas julgadas por um tribunal especial, que certamente lhes seria mais simpático do que os tribunais da cidade. Os papas intervieram em defesa da universidade em numerosas ocasiões. Em 1220, o papa Honório III (1216-1227) pôs-se dos lado dos professores de Bolonha, que protestavam contra as violações das suas liberdades. Quando o chanceler de Paris instituiu em que se jurasse lealdade à sua pessoa, o papa Inocêncio III (1198-1216) interveio. Em 1231, perante a intromissão das autoridades diocesanas locais na autonomia institucional da universidade, o papa Gregório IX lançou a bula Parens Scientiarum, em favor dos mestres de Paris. Nesse documento, concedeu efetivamente à Universidade de Paris o direito à autonomia de governo, com a qual podia elaborar as sua próprias regras a respeito dos cursos e pesquisas; e submeteu-a diretamente à jurisdição pontifícia, emancipando-a da interferência diocesana. “Com esse documento – escreve um historiador -, a Universidade de Paris atingiu a maioridade e entrou na história do direito como uma corporação intelectual plenamente formada, destinada ao preparo e aperfeiçoamento acadêmicos”. Foi ainda nesse mesmo documento que o papa procurou zelar pela justiça e concórdia no ambiente universitário, mediante a concessão de um privilégio conhecido como cessatio – o direito de os alunos entrarem em greve, se fossem tratados de modo abusivo. Consideravam-se justa causa para a greve os preços extorsivos fixados para o alojamento, a injúria ou mutilação de um estudante sem que houvesse uma satisfação adequada dentro do prazo de quinze dias, bem como a prisão ilegal de um estudante. Tornou-se comum que as universidades remetessem as suas queixas aos papas. Em várias ocasiões, os pontífices intervieram para obrigar as autoridades universitárias a pagar aos professores os seus salários; assim o fizeram Bonifácio VIII, Clemente V, Clemente VI, e Gregório IX. Não é de admirar, pois, que um historiador tenha declarado que “o mais sólido e confiável professor [das universidades] foi o Papa de Roma. Foi ele quem lhes concedeu, aumentou e protegeu um estatuto privilegiado em um mundo de frequentes conflitos de jurisdições”. No seu estágio Inicial, a universidade carecia de edifícios ou de campus próprio. Consistia em um corpo de professores e alunos, não em um local específico. As aulas eram ministradas em catedrais ou em salas privadas. Não havia bibliotecas, e teria sido difícil adquirir significativas coleções de livros, mesmo que as universidades possuíssem instalações próprias. Os livros absolutamente necessários aos estudantes eram em geral alugados, em vez de comprados. Ao que parece, muitos estudantes universitários medievais provinham de famílias de poucas posses. A maior parte dos estudantes de artes (em sentido amplo) tinha entre catorze e vinte anos de idade. Muitos matriculavam-se na universidade com o objetivo de se prepararem para uma profissão, e por isso não é de surpreender que o curso mais frequentado fosse o de Direito. Havia também frades entre os estudantes: eram homens que desejavam simplesmente ampliar os seus conhecimentos ou contavam com o patrocínio de um superior eclesiástico. O que é que se estudava nessas instituições? Começava-se pelas sete artes liberais, para os principiantes, e prosseguia-se com o direito civil e canônico, a filosofia natural, a medicina e a teologia. Quando as universidades ganharam forma no século XII, foram as felizes beneficiárias dos frutos daquilo que alguns historiadores denominaram “a Renascença do século XII. Os intensos esforços de tradução permitiram recuperar muitas das obras do mundo antigo – sobre a geometria euclidiana, a lógica, a metafísica, a filosofia natural e a ética aristotélica -, bem como as obras de medicina de Galeno. Também os estudos jurídicos começaram a florescer, particularmente em Bolonha, quando foi descoberto o Digesto, coleção das decisões dos jurisconsultos romanos mais célebres, tranformadas em lei e integradas no Corpus juris civilis pelo imperador Justiniano no século VI, e que está na base de todos os códigos civis modernos. #Históriadaidademédia

  • A Igreja Católica: Construtora das Universidades

    O ensino A universidade fundada pela igreja no séc XII era uma realidade completamente nova: uma instituição dedicada ao ensino superior. Esta invenção cristã era muito diferente das academias chinesas que treinavam os mandarins ou das escolas zen. As novas universidades não se dedicavam exclusivamente ao conhecimento do passado. Pelo contrário, como acontece ainda hoje, os seus professores ganhavam fama por suas inovações. Os professores universitários medievais dedicaram-se a descoberta do conhecimento. Não repetiram apenas o conhecimento dos gregos; criticaram e corrigiram os antigos. As duas primeiras universidades foram fundadas em Bolonha e Paris, respectivamente em meados do século XII. As universidades de Cambridge e Oxford foram fundadas cerca de 1200, seguidas por uma onda de novas instituições no séc. XIII: Toulouse, Orleans, Nápoles, Salamanca, Sevilha, Lisboa, Grenoble, Pádua, Roma, Perúgia, Pisa, Modena, Florença, praga, Cracóvia, Viena, Heidelberg, Colónia, Ofen, Erfurt, Leipzig e Rostock. Há o preconceito de que não se tratavam de verdadeiras universidades, tendo apenas três ou quatro professores e algumas dezenas de alunos, na realidade, em meados do século XIII, Paris, Bolonha, Oxford e Toulouse tinham entre mil e mil quinhentos alunos cada universidade, e quinhentos novos alunos entravam anualmente para a universidade de Paris. Quanto a qualidade, foi nestas mesmas universidades que nasceu a ciência. Recorde-se que eram instituições intensamente cristãs: todos os professores eram ordenados pela igreja, e foi de onde se constituíram os primeiros cientistas famosos. Um “Rio de Ciência” Este tipo de rigor filosófico caracterizou a vida intelectual das primeiras universidades. Não é de estranhar que os papas e outros homens da Igreja situassem as universidades entre as grandes jóias da civilização cristã. Era comum ouvir descrever as Universidades de Paris como a “nova Atenas” – uma designação que evoca as ambições de Alcuíno quando, vários séculos antes, no período carolíngio, se propunha estabelecer uma nova Atenas no reino dos francos. O papa Inocêncio IV (1243-1254) descreveu as universidades como “rios de ciência cuja água fertiliza o solo da Igreja universal”, e o papa Alexandre IV (1254-1261) chamou-as “lâmpadas que iluminam a casa de Deus”. E é ao apoio dado pelos papas que se devem o crescimento e o êxito do sistema universitário. “Graças a essas intervenções pontifícias – escreve o historiador Henri Daniel-Rops-, o ensino superior foi capaz de expandir-se. A igreja foi sem dúvida a matriz de onde saiu a Universidade, o ninho de onde ela levantou vôo”. É um fato comprovado que uma das mais importantes contribuições medievais para a ciência moderna foi a liberdade de pesquisa no mundo universitário, onde os acadêmicos podiam debater e discutir as proposições apoiadas na certeza da utilidade da razão humana. Contrariamente ao retrato grosseiramente inexato que se tem feito da Idade Média, a vida intelectual medieval prestou contribuições indispensáveis à civilização ocidental. “Os mestres da Idade Média – concluiu David Lindberg em The Beginning ir Westem Science (1992) – criaram uma ampla tradição intelectual, sem a qual o subsequente progresso na filosofia natural teria sido inconcebível”. Christopher Dawson, um dos grandes historiadores do século XX, observou que, desde os tempos das primeiras universidades, “os mais altos estudos eram dominados pela técnica da discussão lógica: a questio e o debate público, que tão amplamente determinaram a forma da filosofia medieval, sobretudo nos seus principais expoentes. <>”. O historiador da ciência Edward Grant concorda com esse juízo: “O que foi que tornou possível a civilização ocidental desenvolver a ciência e as ciências sociais de um modo que nenhuma outra civilização havia conseguido até então? Estou convencido de que a resposta está no penetrante e profundamente arraigado espírito de pesquisa que teve início na Idade Média como consequência natural da ênfase posta na razão. Com exceção das verdades reveladas, a razão era entronizada nas universidades medievais como árbitro decisivo para a maior parte dos debates e controvérsias intelectuais. Os estudantes, imersos em um ambiente universitário, consideravam muito natural empregar a razão para pesquisar as áreas do conhecimento que não haviam sido exploradas anteriormente, assim como discutir possibilidades que antes não haviam sido consideradas seriamente”. A criação da Universidade, o compromisso com a razão e com a argumentação racional e o abrangente espírito de pesquisa que caracterizou a vida intelectual medieval representam “um dom da Idade Média latina ao mundo moderno […], ainda que nunca se venha a reconhecê-lo. Talvez esse dom conserve para sempre a condição de segredo mais bem guardado que a civilização ocidental teve durante os quatro séculos passados”. Foi um dom da civilização cujo centro era a Igreja Católica. Referência bibliográfica: Thomas Woods e Rodney Stark #Históriadaidademédia #Igreja

  • É A MAÇONARIA QUE COMANDA A GUERRA CONTRA A CIVILIZAÇÃO CRISTÃ

    No dia seguinte ao da publicação da Encíclica em que Leão XIII denunciou novamente ao mundo a franco-maçonaria como sendo o agente secreto da guerra contra a Igreja e contra a ordem social, o bulletin de la Grande loge symbolique Écossaise exprimiu o pensamento da seita nestes termos: “O mínimo que a franco-maçonaria pode fazer é agradecer ao soberano pontífice por sua última Encíclica. Leão XIII, com uma autoridade incontestável e com grande luxo de provas, acaba de demonstrar, mais uma vez, que existe um abismo intransponível entre a igreja, da qual ele é o representante, e a revolução, da qual a franco-maçonaria é o braço direito. É bom que aqueles que estão hesitantes Parem de entreter vãs esperanças. É preciso que todos se habituem a compreender que é chegada a hora de optar entre a ordem antiga, que se apóia na revelação, e a nova ordem, que não reconhece outros fundamentos que não sejam a ciência e a Razão Humana, entre o espírito de autoridade e o Espírito de liberdade”. Este pensamento foi novamente Expresso na convenção de 1902, pelo orador encarregado de pronunciar o discurso de encerramento: “…O que nos sesepara? É um abismo, abismo que não será coberto senão no dia em que triunfar a Maçonaria, obreira incansável do Progresso democrático e da justiça social… até lá, nada de trégua, de repouso, de aproximação, de concessões… É a última fase da luta da igreja e da congregação contra nossa sociedade republicana e laica. O esforço deve ser Supremo… derrubada da igreja, todo o resto ruirá. Também La Lanterne, órgão oficioso de nossos governantes e da franco-maçonaria, não cessou de dizer todos os dias em todos os tons: “Antes de qualquer outra questão, antes da questão social, antes da questão política, é preciso terminar de vez com a questão clerical. É a chave de todo o resto. Se cometermos o crime de capitular, de retardar Nossa ação, de deixar o adversário escapar, logo o Partido Republicano e a república estarão perdidos.. A igreja não nos permitiria recomeçar a experiência. Ela sabe hoje que a república lhe seria mortal, e se esta não a matar, é ela que matará a república. Entre a república e a igreja existe um duelo de morte. Apressemo-nos em esmagar a Infame, ou resignemo-nos a deixar a liberdade sufocada durante séculos”. Sobe vão pretexto, acontece uma revolta em Barcelona; incêndios e massacres forçam o governo espanhol a colocar a cidade em estado de Sitio.. O instigador Ferrer é preso. Em vez de ser fuzilado incontinenti, é entregue ao tribunal militar, que o condena a morte. O julgamento é ratificado. Despachos mentirosos são enviados ao jornais de todos os países: Ferrer não foi julgado segundo as leis. Seu defensor não pode agir amplamente. O clero, e até o Papa são envolvidos. “A mão sangrenta da igreja, parte no processo, escreve La Lanterne, conduziu tudo; e os soldados do rei da Espanha limitam-se a executar suas vontades. Todos os povos devem se revoltar contra essa religião de morte e de sangue”. Em apoio, uma caricatura representa um padre segurando um punhal. Ameaças de represálias, de assassinato do Rei e do Papa Chovem em Madri e em Roma. Petições circulam em Roma, Paris, Bruxelas, Londres, Berlim, para protestar contra o julgamento. Ferrer é executado. Logo se produzem manifestações, várias sangrentas nas principais cidades da França e de todos os países europeus. por cúmulo uma espécie de Triunfo quer glorificá-lo nas ruas de Paris, com a cobertura da polícia e a participação do exército, Ao canto da Internacional. Os governantes são interpelados nos diversos parlamentos, protesto são assinados pelos conselhos departamentais, municipais. 57 cidades da França decidem dar o nome de Ferrer a uma de suas ruas. A espontaneidade e o conjunto prodigioso dessas manifestações por uma causa estranha aos interesses dos diversos países indica uma organização que se estende a todos os povos, tendo capacidade de ação nas mais Humildes localidades. entre as peças do processo de Barcelona, há uma que estabelece que Ferrer pertencia à grande loja internacional, o Misterioso centro de onde se exerce sobre o mundo o poder oculto da maçonaria. #maçonaria

  • TRANSUBSTANCIAÇÃO E A PRESENÇA REAL DE CRISTO NA EUCARISTIA

    PARTE III “ISTO É O MEU CORPO (…) ISTO É O MEU SANGUE” (MATEUS 26, 26-28) HIPÓLITO DE ROMA ” Apresse-se todo fiel a receber a Eucaristia, antes de provar Qualquer coisa. Se ele a receber porque tem fé, o que quer que depois lhe seja Dado, ainda que mortal não poderá prejudicá-lo. Esforcem-se todos para que o Infiel não prove a Eucaristia, nem que o faça um rato ou outro animal, e para que dela não caia qualquer parcela e se perca: ela é o corpo de Cristo, que deve ser comido pelos crentes e não deve ser negligenciada” (tradição Apostólica). ORÍGENES DE ALEXANDRIA “Não temes comungar o corpo de Cristo, e aproximando-se da Eucaristia como se estivesses limpo e puro? Como podes desprezar o juízo de Deus? não te lembras que está escrito: ‘por isso há entre vós muitos fracos, doentes e muitos que morrem? Por que muitos fracos? porque não julgam a si mesmos, não se examinamos, não entendem o que é participar da igreja, nem [entendem] o que é aproximar-se de tantos e tão exímios sacramentos. Sofrem aquilo que costumam sofrer aqueles que têm febre. quando se atrevem comer dos manjares do Santos, Isto é, acarretam ruína para si mesmos” (comentários sobre os salmos 37,2,6). “Em razão disso, Graças aos demônios, Celso é um homem que desconhecem a Deus e Suas Obras. Não, ao contrário, Damos graças ao criador de tudo; comemos os pães oferecidos com a ação de graças e a oração sobre os dons recebidos pelos tornados pela oração Eucaristia em corpo Santo e santificador dois que se servem dele com propósito (contra Celso 8,33). “Conhecei a vós mesmos, vós que estais acostumados a assistir os dizendo os mistérios: quando recebemos o corpo do Senhor, o guardais com todo cuidado e veneração, para que não caia nada dele, nem desapareça nada do dom consagrado; isto porque, Como acreditais, sereis réus – e por justo motivo – se perdeste algo por negligência. E se, com justa razão, empregais tanto Cuidado para conservar o seu corpo, como poderíeis julgar menos ímpio a negligência [em seguir a] sua palavra?” (homilia sobre Êxodo 13, 3). “Portanto, se sobre com ele (Jesus) para celebrar a Páscoa, ele te dará o cálice do novo testamento E também o pão da Benção; concederá o seu corpo e o seu sangue” (homilia sobre Jeremias 19,13). ” [Anteriormente,] o Maná era alimento em Enigma; agora, claramente a carne do verbo de Deus é verdadeiro alimento como ele mesmo diz: minha carne é verdadeiramente comida e meu sangue é verdadeiramente bebida (homilia sobre números 7,2). NOVACIANO DE ROMA “Apressando-se a ir ao espetáculo [dos gladiadores], mal tendo saído do sacrifício do Senhor (missa), este Infiel, carregando consigo a Eucaristia (como é de costume), passou com o santo (a Eucaristia) pelo caminho do prostíbulo, por entre os corpos obscenos das prostitutas. Desta forma, merece muito mais repreensão em razão do caminho que adotou do que pelo prazer [moral proporcionados pelo] espetáculo” (dos espetáculos 5). Bibliografia: a fé cristã primitiva, Carlos Martins Nabeto

  • TRANSUBSTANCIAÇÃO E PRESENÇA REAL DE CRISTO NA EUCARISTIA

    PARTE IV “ISTO É O MEU CORPO (…) ISTO É O MEU SANGUE” (MATEUS 26, 26-28) ANÔNIMO(séc IIIl) “Dignai enviar o teu santo espírito sobre estas criaturas e mudar o pão no corpo do senhor e salvador Jesus Cristo, vírgula e o cálice no sangue do Novo Testamento” (Eucológio o egípcio). HILÁRIO DE POITIERS “O verbo se fez realmente carne e nós, na refeição do Senhor, recebemos realmente a carne do verbo(…) Ele nos dá tanto a realidade de sua carne quanto à realidade de sua divindade no sacramento da sua carne” (da Trindade 8,13) “Se é verdade que ‘a palavra se fez carne’, também é verdade que no sagrado alimento (Eucaristia) Recebemos a palavra feita a carne. Por isso, devemos estar convencidos que permanece em nós, de um modo conatural, aquele que (…) também mesclou no sacramento que nos Comunica a sua carne com a natureza da eternidade(…) por sua carne, ele está em nós e nós nele (…) Ele mesmo atesta que estamos em alto grau nele, pelo Sacramento em que nos comunica a sua carne e o seu sangue(…) esta é, portanto, a fonte de nossa vida: a presença de Cristo por sua carne em nós, [seres]” (carnais da Trindade 8,13 traço 16) “Ele mesmo diz: ‘minha carne é verdadeiramente comida e meu sangue é verdadeiramente bebida. Quem come da minha carne e bebe do meu sangue fica em mim e eu nele’ (João 6,56). quanto a verdade da carne e do sangue não há lugar para dúvida: é verdadeiramente carne e verdadeiramente sangue, como vemos pela própria declaração do Senhor e por nossa fé em suas palavras. Esta carne, uma vez comida, e este sangue, bebido, fazem que sejamos também nós um em Cristo e o Cristo em nós. Não é isto verdade? Não o será para os que negam ser Jesus Cristo verdadeiro Deus! Ele está em nós, pois, por sua carne, e nós nele, e ao mesmo tempo o que nos somos está com ele em Deus” (da Trindade). “ATANÁSIO DE ALEXANDRIA “Verás os Levitas trazer pães e um cálice de vinho, e colocá-los sobre a mesa. Enquanto não forem feitas as invocações e orações, não há nada além de pão e cálice vinho, porém, após terem sido pronunciadas as grandes e admiráveis orações, então o pão se converte em corpo de Nosso Senhor Jesus Cristo e o vinho e se converte em seu sangue. Acuda-nos à celebração dos mistérios. Enquanto não se fizerem as orações e invocações, este pão e este vinho São simplesmente Pão e Vinho. mas, depois de se pronunciar essas grandes orações e Santas invocações, o verbo desce ao pão e ao cálice, e [estes] se convertem no corpo do verbo (aos recém batizados página 26,325). EFRÉM DA SÍRIA “Chamou o pão ‘seu corpo vivo’ encheu-o de si próprio e do seu espírito (…) e aquele que o come com fé, come fogo e espírito (….) tomai e comei-o todos; e, com ele, comei o espírito santo. De fato, é verdadeiramente o meu corpo, e quem o come viverá eternamente (homilia para a Semana Santa 4). “Em teu pão se esconde o espírito, /que não pode digerir-se; /em teu vinho está o fogo, que não pode beber-se./ O Serafim não podia aproximar seus dedos das brasas,/ E elas só puderam aproximar-se os lábios de Isaías;/ nem os dedos as tomaram, nem os lábios as digeriram;/ mas o senhor concedeu a nós ambas coisas./ O fogo desceu com Ira para destruir os pecadores,/ mas o fogo da Graça Desce sobre o pão e ali permanece./ Em vez do fogo que destruiu o homem,/ comemos o fogo no pão/ e fomos salvos” (hinos sobre a fé 10,8-10). #Eucaristia

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    Discussão aprofundada sobre se Jesus é Deus ou não. O meu oponente (que queria permanecer anônimo) respondeu sistematicamente a uma parte do meu artigo, Jesus é Deus: provas bíblicas. Suas palavras estarão em azul. O artigo é projetado para fluir para frente e para trás, a fim de dar uma idéia das questões que estão sendo debatidas e como os dois lados discutem e respondem. Os leitores podem assim decidir qual apresentação é mais razoável, plausível e fiel à Bíblia. As passagens bíblicas (pelo menos as que eu uso) são da versão King James, a menos que seja observado de outra forma. As citações do meu artigo anterior serão recortadas. Não alterei as partes do meu parceiro de diálogo, além de algumas correções de ortografia e gramática. Este artigo foi postado com sua permissão expressa. Nós dois ficamos muito satisfeitos com ele. Olá. Isto é em resposta a uma discussão contínua que aconteceu em Paltalk, na qual eu espero esclarecer e defender a posição: Jesus não é igual a Deus Pai (referido como Jeová no artigo daqui a diante) em concordância com a escritura em 1 Pedro 3:15: ”Mas bem-dizei Cristo Senhor em vossos corações, prontos sempre para responder a todo o que vos pedir razão daquela esperança que há em vós; mas (fazei isso) com modéstia e respeito”. Esta é a minha tentativa de apelar [para] o raciocínio e a lógica de um leitor imparcial. Eu sinto que sou obrigado a corrigir e defender contra a aplicação incorreta das as escrituras apresentadas, e para garantir que ninguém esteja lendo mais no texto que é apresentado nele. As palavras tiradas de 1 João 4:15 dizem muito clararamente: “Todo aquele que confessar que Jesus é o Filho de Deus, Deus permanece nele, e ele em Deus.”. Vi muitos homens racionais e inteligentes lendo o verso citado acima e, em suas mentes, lendo “Deus o Filho” e não o “filho de Deus”. E esses mal-entendidos e tradições estão embutidos profundamente nos corações de muitas pessoas honestas. Minha tentativa aqui não é avançar ensinamentos ou doutrinas pessoais do homem, mas aquilo que apenas as escrituras dizem sobre Jesus e Deus, sempre tendo em mente a compreensão e o meio ambiente dos judeus monoteístas rigorosos naquele momento e o papel que o Messias deveria desempenhar no cumprimento da profecia. Esta é a primeira seção do que eu sinto que vai ser um tema discutido por um bom tempo, Jesus é igual a Deus? Que evidências usaríamos para tirar tal conclusão e estando em harmonia com a Bíblia? I) Mateus IV, 7 Jesus disse-lhe: Também está escrito: Não tentarás o Senhor teu Deus. [O Demônio estava tentando jesus em pessoa] Primeiro, concordo com esta escritura, Deus não pode ser tentado, Jesus está claramente dizendo que você não deve tentar (ou testar) Deus. Se nesta declaração você está tentando dizer que, não é possível seduzir Jesus, há três exemplos disso acontecendo com Jesus e Satanás no deserto, o pão, o templo e a questão da adoração. Não estou dizendo que é impossível seduzir Jesus (o que mostra o meu comentário original entre parênteses). Estou dizendo que o diabo nesta passagem estava tentando Jesus, e Jesus disse que não devemos tentar Deus; portanto, por dedução, alguém poderia concluir que Jesus era Deus (se, de fato, ele estava se referindo à tentativa do demônio de tentá-Lo aqui). Mas eu não reivindico muito este versículo em particular. Eu acho que é uma das provas mais fracas em todo o meu artigo. Isso não é problema para mim, é claro, pois há muito mais por vir, como veremos. É simplesmente uma possibilidade interessante. É possível tentar seduzir a Deus (Jesus sendo Deus Filho), mas o que é impossível é que Deus (ao contrário dos homens caídos) sucumbam à tentação. Então o diabo tenta, mas ele falha Em primeiro lugar, olhe para o que você disse e tenha em mente que estou respondendo aos seus versiculos escolhidos em que você mesmo disse que não viu resposta em 20 anos. “Aqui está o artigo que ninguém jamais tentou refutar. Eu tenho desafiado TJs entre outros há mais de 20 anos para me oferecer uma refutação ponto a ponto das evidências bíblicas que compilei aqui “(Dave Armstrong, correspondência). Está correto. Você deve ser altamente elogiado, com certeza, ter a coragem de fazer o que ninguém mais estava disposto a fazer durante todos esses anos. Mas não esqueçamos: tudo o que você respondeu é a metade da primeira seção do meu artigo, Jesus é Deus: Prova bíblica. Esse artigo tem 14 seções principais, com muitos textos de prova, todos juntos. Você lidou com cerca de 20. Além disso, meu artigo de acompanhamento para o artigo sobre Jesus, chamado Holy Trinity: Biblical Proofs, também tem dez seções importantes e dezenas e dezenas de mais textos de prova. Você apenas riscou a superfície Então, certo, o leitor deveria estar se perguntando o que realmente Dave Armstrong queria ao escolher este versículo como seu texto de prova? Eu quis dizer exatamente o que eu escrevi acima: é simplesmente uma possibilidade interessante Ele está dizendo que Deus pode ser tentado pelo mal ? Eu já disse: “É possível tentar seduzir a Deus (Jesus sendo Deus Filho), mas o que é impossível é que Deus (ao contrário dos homens caídos) sucumbam à tentação”. Isso está em harmonia com a visão bíblica em Tiago 1:13..kjv “… Deus não pode ser tentado pelo mal” Sim, porque o significado nessa passagem é o mesmo que a segunda parte da minha frase acima Então Dave continua a dizer – e eu o cito – “Não estou dizendo que é impossível tentar Jesus”; “Estou dizendo que o diabo nesta passagem estava tentando Jesus”. Observe como ele diz que foi tentado, não estava tentando nem tentando executar em sua resposta. Como eu posso perguntar que alguém possa concluir que isso é Deus então? Porque o diabo pode tentar fazê-lo. Ele não pode ter sucesso (baseado em – como você diz, Tiago I, 13). Você acha que ninguém pode tentar tentar ou testar Deus (que era o que eu argumentava)? Esse seria um ponto de vista muito interessante, à luz dos abundantes dados bíblicos em contrários a ele: Exôdo XVII, 2: o qual murmurando contra Moysés, disse: Dá-nos agua para bebermos. Moysés respondeu-lhes: Porque murmurais contra mim? porque tentais ao Senhor? * Exôdo XVII, 7: E poz áquelle logar o nome de Tentação, por causa da murmuração dos filhos de Israel, e porque elles tentaram ao Senhor, dizendo: O Senhor está no meio de nós, ou não ? * Deuteronômio VI, 16: Não tentarás o Senhor teu Deus, como o tentaste no logar da tentação. * Salmo LXXVII, 18: E tentaram a Deus nos seus corações, pedindo iguarias que fossem do seu gosto. * Salmo LXXVII,41: E voltaram a tentar a Deus, e a irritar o santo de Israel. * Salmo LXXVII, 56: Eles, porém, tentaram e irritaram de novo ao Deus excelso, * Salmo CV, 14: E cobiçaram delícias no deserto. e tentaram a Deüs no lugar sem água. * Malaquias III, 15: Por isso nós chamamos agora ditosos aos homens arrogantes, pois que eles prosperam vivendo na impiedade; eles provocam a Deus, e (apesar disso) ficam salvos. * Atos V, 9: Pedro então disse para ela: Porque vos combinastes para tentar o Espírito do Senhor? * Atos XV, 10: Logo, porque tentais agora a Deus, impondo um jugo sobre as cervizes dos discípulos, que nem nossos pais, nem nós podemos suportar? Vamos revisar. Sim, vamos… Examine os seguintes pontos: 1) O Diabo tenta Jesus! O que você admite em sua resposta “Estou dizendo que o diabo nesta passagem tentou Jesus” (resposta 1)2) Deus não pode ser tentado pelo mal! Tiago 1:133) Qualquer forma de raciocínio dedutivo pode concluir que esse são a mesma pessoa? Não com uma séria contradição bíblica.4) As suas citações seguintes apoiam a sua posição ou a minha sobre este assunto? O meu, sem dúvida, já que seu raciocínio baseia-se em ignorar a simples distinção entre tentar tentar Deus e ter sucesso. (isto é, # 2 tem dois sentidos distintos, e você assume falsamente apenas um, então sua conclusão é falsa porque uma das suas premissas é falsa). A Bíblia afirma que em um sentido Deus é “tentado”, pelo menos dez vezes. Nega o outro sentido. Como eu estava discutindo o primeiro, não cometi nenhum erro lógico, nem eu contradisse a Bíblia minimamente. Mas, claramente, você não conseguiu seguir meu argumento lógico (e mais bíblico). É muito claro que Jesus está afirmando que ele (Jesus) não deve colocar Deus o Pai à prova. Não é absolutamente claro que se refere ao Pai sozinho. Deixe-me interpor algo aqui, qual é a sua posição? Você já declarou que Jesus foi tentado, não foi ? “Estou dizendo que o diabo nesta passagem estava tentando a Jesus” (você) Por favor, reveja suas próprias citações que suportam minha visão. Isso já foi explicado duas vezes. *** A resposta de Jesus é de Dt. 6:16, o que significa que o diabo não deve tentá-lo, mas que ele não deve colocar Deus o Pai à prova. Isso se refere ao incidente em Massah, onde as pessoas exigiram sinais de presença de Deus (Ex. 17: 1-7) (p. 821). #Eucaristia

  • TRANSUBSTANCIAÇÃO E PRESENÇA REAL DE CRISTO NA EUCARISTIA

    PARTE II “ISTO É O MEU CORPO (…) ISTO É O MEU SANGUE” (MATEUS 26, 26-28) IRENEU DE LIÃO ” Aconselhando também aos seus discípulos a oferecerem a Deus As Primícias das suas criaturas, não por que precisasse mas para que eles não se mostrassem inoperantes e ingratos, tomou o pão que deriva da criação, deu Graças, dizendo: Isto é o meu corpo; do mesmo modo, tomou o cálice, e provém como nós da criação o declarou seu sangue e estabeleceu a nova oblação do novo testamento. é esta a mesma oblação que a igreja recebeu dos Apóstolos e que, no mundo inteiro, ela oferece a Deus que nos dá o alimento, como Primícias dos dons de Deus na (Nova Aliança contra as heresias 4,17, 5). ” Como poderão (os hereges) ter certeza de que o pão ao qual deram Graças é o corpo do Senhor e o cálice de vinho o seu sangue se não o reconhecem como filho do criador do mundo, Isto é, o seu verbo pelo qual o lenho frutifica, brotam as fontes e a terra dá primeiramente a erva, depois a espiga e por fim a espiga cheia de trigo? Como ainda podem afirmar que a carne se corrompe e não pode participar da vida quando ela se alimenta do corpo e do sangue do Senhor? Então, ou mudam sua maneira de pensar ou se abstenha de oferecer as ofertas de que falamos acima Pão e Vinho. Quanto a nós, Nossa maneira de pensar e estar de acordo com a Eucaristia e a Eucaristia confirma a nossa doutrina, pois oferecemos o que já é seu, proclamando, como é justa, a comunhão e a unidade da carne e do espírito. Assim como pão que vem da terra, ao receber a invocação de Deus, já não é pão comum, mas a Eucaristia, feita de dois elementos: ou terrestre e o Celeste; do mesmo modo, nossos corpos, por receberem a Eucaristia Já não são corruptíveis, por terem a esperança da Ressurreição (contra as heresias 4,18, 3-4). ” Ele (Jesus) ainda reconheceu como seu próprio sangue o Cálice tirado da natureza criada, com o qual fortifica o nosso sangue, e proclamou ser seu próprio corpo o pão tirado da natureza criada com o qual se fortificam os nossos corpos; se, portanto, o cálice que foi misturado e o pão que foi produzido recebem a palavra de Deus e se tornam a Eucaristia, Isto é, o sangue e o corpo de Cristo, e se por eles cresce e se fortifica a substância da nossa carne, como podem entender que a carne seja incapaz de receber o dom de Deus que consiste na vida eterna, quando ela é alimentada pelo sangue e pelo corpo de Cristo e é membro deste corpo? Como diz o bem-aventurado apóstolo na epístola aos Efésios: somos membros de seu corpo, formados pela carne e pelos seus ossos; e não fala de algum homem pneumático e indivisível porque o espírito não tem ossos nem carne mas da estrutura do homem que nada tinha feito de carne, nervos e ossos, alimentado pelo cálice que é o sangue de Cristo e é fortificado pelo pão que é o seu corpo. Assim como a muda da videira, depositada na terra depois frutifica, e o Grão de Trigo caido no solo e destruído, Ressurge multiplicado pela ação do Espírito de Deus que tudo sustém e, em seguida, pela Arte dos homens, se fazem dessas coisas vinho e pão pelo que pela palavra de Deus se tornam na Eucaristia, Isto é, no corpo e sangue de Cristo; da mesma forma; os nossos corpos, alimentados por esta Eucaristia, depois de serem decompostos, ressuscitarão, no seu tempo, quando o verbo de Deus os fará ressuscitar para a glória de Deus Pai, porque Ele dará a imortalidade ao que é corruptível já que o poder de Deus se manifestará na fraqueza (contra as heresias 5,2, 2-3) TERTULIANO DE CARTAGO ” Com grande desejo tenho querido comer a Páscoa convosco antes de padecer, ó destruidor da lei que ainda esperava observar a Páscoa, tão seguro de que deleitaria pela carne do cordeiro judeu. Ou será que era ele, aquele que tendo que ser levado ao sacrifício Como Uma Ovelha e que, Como uma Ovelha perante o tosquiador, não deveria de abrir sua boca, desejava realizar a figura de seu sangue salvífico? Poderia também ter sido entregue por qualquer estranho para que não dissesse eu que também neste Salmo estava sendo cumprido: ‘Aquele que come pão comigo levantou seu pé contra mim porém, isto teria sido próprio de outro Cristo,não daquele que cumprir as profecias… Tendo declarado, pois, que ele, com grande desejo, teria desejado comer a sua própria Páscoa, pois seria indigno que Deus desejasse algo alheio, tendo tomado o pão e distribuído aos discípulos, pelo seu corpo, dizendo: Este é o meu corpo, Isto é, figura de meu corpo porém não teria sido, mas sim corpo verdadeiro. é demais, uma coisa vã como é um fantasma não poderia conter a figura. ou se por isto é o pão fez seu corpo, porque parecia de corpo verdadeiro, logo deveria entregar por nós o pão. Fazia para o vazio de Marcião que fosse crucificado o pão e nada mais para o melão que Marcião teve ao invés do coração? Não entendeu que é antiga esta figura do corpo de Cristo, que diz por Jeremias: Urgiam tramas contra mim, dizendo: venham! lancemos uma lasca em seu pão, isto é, a cruz em seu corpo. assim portanto, aquele que ilumina as antigas figuras, ao chamar de pão ao seu corpo, declarou suficientemente o que queria significar então o pão. assim, na comemoração do Cálice, e constituindo o Testamento selado com o seu sangue, confirmou a substância de seu corpo. porque o sangue não pode ser de corpo algum que não seja de carne. porque se alguma propriedade não carnal do corpo se nós opõe, certamente se não for Carnal não terá sangue. Assim a prova da realidade do corpo se confirmar pelo Testamento da carne e a prova da realidade da Carne pelo testemunho do Sangue Bom e para que reconheça a antiga figura do sangue do vinho, diz Isaías (…) muito mas manifestamente o gênesis, na benção de Judá, de cuja tribo deveria provir a origem da carne de Cristo, já então esboçava a Cristo em Judá: lavará – disse – em vinho as suas vestes e em sangue e uvas o seu manto, significando a estola e manto a carne, e o vinho o sangue. Assim agora consagrou seu sangue no vinho aquele que então fez o vinho figura de seu sangue” (contra Marcião 4,40). “Pelo qual, pelo sacramento do pão e do Cálice, já temos provado no evangelho a verdade do corpo e do sangue do Senhor em contrário do fantasma pregado por Marcião (contra Marcião 5,8). “O sacramento da Eucaristia confiado pelo senhor durante a ceia e a todos, o tomamos também nas reuniões antes do amanhecer e não da mão de outros senão daqueles de quem presidem (…) Sofremos aflição se cai ao chão algo de nosso cálice ou também do nosso pão” (da coroa 3) #Eucaristia

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