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CÓRDOBA, 22 Jun. 10 / 05:59 pm (

ACI/Europa Press).- O Bispo de Córdoba, Dom Demetrio Fernández, assinalou que “a política anti-natalista”, quer dizer, a que permite o aborto, “leva à destruição da sociedade”, de tal modo que, “sociedades européias prósperas, como foram a Alemanha, França ou a Holanda, entre outras, agora são sociedades que morrem, que vão se esgotando”, e o mesmo ocorre na Espanha.

Em uma entrevista concedida à agência Europa Press, Dom Fernández assinalou que essa é uma realidade que qualquer pessoa pode constatar, “pois, se não houver filhos, não há trabalhadores suficientes, embora seja só isso, mas esta questão não parece preocupar a ninguém e só o recorda e fala sobre isto a Igreja“, cuja posição contrária à nova Lei do Aborto é clara: que se permita “matar as crianças no seio de suas mães impunemente” é uma ação própria de “bárbaros”.

Por isso, “a Igreja, que está a favor da vida“, sairá ao encontro “das mães que se vêem muitas vezes obrigadas (a abortar), não tendo outra saída, já que por parte das instituições públicas todas são ajudas para abortar, mas não há nenhuma ajuda para quem quer levar adiante sua gravidez e dar à luz”. Será a Igreja a que deverá “suprir” esta falta de apoios institucionais às mães em dificuldades, daquelas que “nem sequer têm a possibilidade de dar à luz, querendo fazê-lo”, pois “tudo a empurra a abortar e ninguém a ajuda a levar a feliz término sua maternidade”.

Além disso, isso ocorre em uma sociedade “que não é capaz de gerar a seguinte geração, o qual é uma catástrofe tremenda. Quer dizer, que uma nação não seja capaz de engendrar a geração seguinte é o maior fracasso de uma sociedade, porque não foi capaz de transmitir a vida à próxima geração, já que só o fez pela metade ou para um terço, de modo que isso deverá ser suprido de outra maneira, como se faz ante uma catástrofe”, neste caso se trata “da catástrofe natalista que estão sofrendo a Europa, Espanha e Andaluzia, e será preciso arrumar esta situação como seja possível, mas não deixará de ser uma catástrofe”.

Este argumento é o que levou a Bispo à conclusão de que “a política antinatalista destrói à sociedade”. Contudo, a Igreja defende “o amor e o apreço à vida” e confia que, apesar de tudo, um número suficiente de cristãos transmitam a vida abundantemente, para que se continue a espécie e não se extinga”.

“Não procura a moda”

A Igreja, conforme insistiu Dom Fernández, “está a favor da vida, a favor das mães que querem dar à luz, a favor de proteger a vida nascente”, resultando que, “quando a Igreja pronuncia este discurso, colide contra todos os discursos que estão de moda, mas a Igreja não procura a moda, busca o bem do homem e o primeiro bem do homem é o direito a nascer”.

Neste contexto, o Bispo disse que parecem bem “os recursos de inconstitucionalidade” expostos contra a nova Lei do Aborto e também as ações “para impedir que a Lei se aplique, pois todo isso entra dentro do jogo democrático”, sendo positivo tudo aquilo “que vai na linha de que sejam mortos o mínimo de crianças possíveis no seio de suas mães, que é o lugar mais seguro deste mundo”.

Infelizmente, conforme sublinhou o Prelado, o seio materno “está convertendo-se no lugar mais ameaçado deste mundo para o próprio homem, o qual é tremendo, mas é assim, pois se trata de um problema social”, ante o qual a solução passa por “mudar a mentalidade da sociedade, recordando os valores fundamentais da vida”.

 
 
 

Arcebispo convida a promover a cultura cristã


BELO HORIZONTE, sexta-feira, 12 de fevereiro de 2010 (ZENIT.org).- “Na polissemia das culturas que confeccionam o rico mapa da humanidade na sua história, não se podem desconsiderar o patrimônio e a força de referência da Cultura Cristã”, afirma o arcebispo de Belo Horizonte (Brasil), Dom Walmor Oliveira de Azevedo.

Em artigo enviado a ZENIT nesta sexta-feira, o prelado afirma que, quem crê em Cristo, tem a tarefa de promover a Cultura Cristã.

O substrato da Cultura Cristã “é consistente e tem força de sustentação de projetos e entendimentos necessários para a construção da paz e a conquista da justiça”.

Essa riqueza – segundo o arcebispo –, “não pode ser relativizada ou travestida por práticas religiosas que reduzem a nobreza e largueza do ideal cristão a interesses que, mesquinhamente, estão no âmago do proselitismo, da prosperidade ou da pretensiosa e falsa manipulação miraculosa da ação e da presença de Deus”.

“A cultura cristã tem uma fonte inesgotável na rica dinâmica da fé que o Cristianismo configura”, explica.

Dom Walmor cita como exemplo “a ajuda clarividente que o Cristianismo oferece quando se trata da distinção entre religião e política e o princípio da liberdade religiosa”.

“É inquestionável o grande relevo, no plano histórico e cultural, desse entendimento. Outros discernimentos geram e alimentam fundamentalismos e totalitarismos perniciosos para a liberdade humana e a indispensável consideração da autonomia das realidades terrestres”, afirma.

“A cultura cristã recebe riquezas fantásticas da dinâmica da fé radicada nos Evangelhos, proporcionando uma visão de equilíbrio indispensável para o presente e futuro da história da humanidade. A fé cristã cultiva e conserva, por sentido de fidelidade, o inestimável patrimônio, em entendimento e prática, da transcendência da pessoa humana.”

O arcebispo enfatiza que a dinâmica da fé cristã “guarda perenemente uma fonte de sustento que a humanidade precisa para encontrar respostas e saídas para questões cruciais vividas nesse momento”.

Dom Walmor recorda que a “preocupação justa com os mecanismos de sustentabilidade da vida em nosso planeta guarda a questão candente e instigante sobre o sentido e o fim da aventura humana, incluindo a sua necessidade de paz e de justiça”.

“Quem, além de Deus, pode oferecer uma resposta plenamente adequada às interrogações humanas mais radicais? Esta resposta, que só Deus pode dar, se revela e se dá no seu Filho, Jesus Cristo, feito homem, o Redentor da humanidade, por sua morte e ressurreição vitoriosa”, afirma.

Cristo “é a fonte inesgotável e referência insubstituível da caridade que pode transformar completamente o homem, fomentando a prática da justiça e fecundando as inadiáveis transformações sociais e políticas”.

Quem crê em Cristo – prossegue Dom Walmor – “tem a tarefa de analisar bem o mapa demográfico, a política e as culturas, empenhando-se na promoção da Cultura Cristã”.

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VATICANO, 13 Jan. 10 / 01:04 pm (

ACI).- Em meio de uma jornada dominada pela dor pelo terremoto que golpeou o Haiti, para quem o Papa Bento XVI pediu urgentemente a ajuda da comunidade internacional, o Santo Padre dedicou a Audiência Geral de hoje às ordens mendicantes do século XIII, dominicanos e franciscanos, e explicou que solo os Santos, guiados Por Deus são “os autênticos reformadores da vida da Igreja e da sociedade”.

Em sua habitual catequese na Sala Paulo VI e perante umas nove mil pessoas, o Pontífice se referiu às ordens fundadas por São Francisco de Assis e São Domingo de Gusmão, assinalando os que alcançam a santidade, como estes dois grandes fundadores, convertem-se em “mestres com a palavra e testemunhas com o exemplo, promovem uma renovação eclesiástica estável e profunda”.

Santos como Francisco de Assis e Domingo de Gusmão “foram capazes ler com inteligência os “sinais dos tempos”, intuindo os desafios que a Igreja daquela época deveria enfrentar, como o aparecimento de grupos radicais que se afastavam da verdadeira doutrina cristã; o aumento das populações urbanas sedentas de uma intensa vida espiritual; e a transformação cultural que eclodia a partir das Universidades”. Um destes desafios era “a expansão de vários grupos e movimentos de fiéis que, embora inspirados por um desejo legítimo de vida cristã autêntica, colocavam-se freqüentemente fora da comunhão eclesiástica”.

Entre estes grupos, disse o Papa, estavam os cátaros ou albigenses, que re-propuseram antigas heresias como “o desprezo do mundo material, a negação da livre vontade e a existência de um princípio do mal equiparável a Deus”.

Movimentos como aqueles tiveram êxito, “não só por sua sólida organização, mas também porque denunciavam uma desordem real na Igreja, causado pelo comportamento pouco exemplar de diversos representantes do clero”, acrescentou Bento XVI

Entretanto, os franciscanos e os dominicanos “demonstraram que era possível viver a pobreza evangélica sem separar-se da Igreja”, renunciando não somente à posse de bens materiais, mas também rechaçando que a comunidade fosse proprietária de terrenos e bens imóveis, testemunhando assim “uma vida extremamente sóbria para ser solidários com os pobres e confiar apenas na Providência”.

O estilo pessoal e comunitário das ordens mendicantes, “somado à adesão total ao ensino da Igreja e à sua autoridade foi muito apreciado pelos pontífices da época, que ofereceram seu pleno apoio a essas novas experiências eclesiásticas, reconhecendo nelas a voz do Espírito”.

“Também hoje, inclusive vivendo em uma sociedade em que prevalece o ter sobre o ser, somos muito sensíveis aos exemplos de pobreza e solidariedade”, observou Bento XVI, recordando que Paulo VI afirmava que “o mundo escuta com agrado aos mestres quando também há testemunhas. Esta é uma lição que não deverá ser esquecida jamais na obra de difusão do Evangelho: viver em primeira pessoa o que se anuncia, ser espelho da caridade divina”.

Do mesmo modo, as ordens responderam à exigência muito difundida em sua época da instrução religiosa, pregando e tratando “temas muito próximos à vida da gente, sobre tudo a prática das virtudes teologais e morais, com exemplos concretos, facilmente compreensíveis”.

Dada sua importância, estas ordens mendicantes promoveram instituições leigas como os grêmios ou as autoridades civis as consultavam freqüentemente. Os franciscanos e dominicanos foram assim “os animadores espirituais da cidade medieval” e “puseram em marcha uma estratégia pastoral adequada às transformações da sociedade”. Em um tempo em que as cidades cresciam, construíram seus conventos em zonas urbanas e viajaram de um lugar a outro, “abandonando o princípio de estabilidade que tinha caracterizado a vida monástica durante séculos”.

Outra grande provocação eram “as transformações culturais”, que tornavam muito vivaz a discussão nas universidades. Daí que os frades “entrassem nos ateneus mais famosos como estudantes e professores, erigissem centros de estudo e incidissem significativamente no desenvolvimento do pensamento”.

Ao falar das chamadas “terceiras ordens” dependentes dos franciscanos e dominicanos, onde se reuniam os leigos, o Santo Padre disse que “a proposta de uma ‘santidade leiga’ conquistou muitas pessoas. Como recordou o Concílio Ecumênico Vaticano II, a chamada à santidade não está reservada a alguns, mas é universal. Em todos os estados de vida, seguindo as exigências de cada um deles, encontra-se a possibilidade de viver o Evangelho. Também hoje todo cristão deve ter a ‘medida alta da vida cristã’ em qualquer estado de vida ao que pertença!”.

“Hoje, vivendo em uma sociedade em que com freqüência prevalece o ‘ter’ sobre o ‘ser’, somos muito sensível aos exemplos de pobreza e solidariedade, que os fiéis oferecem com opções valentes. Também hoje não faltam iniciativas similares: os movimentos, que partem realmente da novidade do Evangelho e o vivem com radicalidade no hoje, ficando nas mãos de Deus, para servir ao próximo. Esta é uma lição para não esquecer nunca na obra da difusão do Evangelho, viver pessoalmente o que se anuncia, ser espelho da caridade divina”.

Ao finalizar sua catequese, Bento XVI ressaltou que “hoje também há uma “caridade da verdade e na verdade”: “uma “caridade intelectual” para iluminar as inteligências e conjugar a fé com a cultura”.

“A tarefa dos franciscanos e dominicanos nas universidades medievais é um convite a estar presentes nos lugares de elaboração do saber para propor, com respeito e convicção, a luz do Evangelho sobre as questões fundamentais que correspondem ao ser humano, a sua dignidade e o seu destino eterno”, concluiu o Papa Bento.

 
 
 
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