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Tem a Bíblia um índice de Livros inspirados? Ou contém a Bíblia uma lista que declara autoritariamente quais livros devem fazer parte dela?

Não, não tem. A lista dos livros que compõem o Cânon do Novo Testamento foi discutida durante os primeiros quatro séculos da história cristã.

O Apocalipse, Hebreus, Tiago, 2Pedro e Judas são alguns dos livros cuja canonicidade foi controvertida. Em adição, alguns cristãos primitivos julgaram que obras como a Didaqué, a Epístola de Barnabé, o Pastor de Hermas e a Epístola de Clemente eram inspiradas. Não foi senão quase no século V (Concílio de Cartago, ano 397) que o Cânon oficial foi definido. Isto quanto ao Novo Testamento, mas quanto ao Antigo Testamento? Foi também tema de discussões definir quais os livros pertenciam ao Cânon do Antigo Testamento. [O próprio Concílio de Cartago tratou do assunto]. Santo Agostinho sustentou que os Apócrifos (Tobias, Judite, Sabedoria, Eclesiástico, Baruc, 1-2Macabeus e adições gregas a Ester e Daniel) eram canônicos, enquanto que São Jerônimo não os considerava como canônicos. De fato, o nome “Apócrifos” foi dado por São Jerônimo quando se empenhava no trabalho da Vulgata (tradução latina das Escrituras). Na versão hebraica das Escrituras, os Apócrifos eram comumente deixados de lado, enquanto que na versão grega (a Septuaginta) os Apócrifos foram incluídos.

Desde aproximadamente o século V, os Apócrifos foram considerados Escrituras, embora não tivesse havido uma declaração que pusesse um ponto final.

Tudo isso mudou quando os Reformadores determinaram o seu Cânon das Escrituras e rejeitaram os Apócrifos. Como resposta, a Igreja Católica, no Concílio de Trento, declarou a canonicidade dos livros Apócrifos, chamando-os “Deuterocanônicos”, ou seja, do Segundo Cânon.

Por fim, sabemos que o eminente teólogo protestante Dr. RC Sproul os denomina “uma coleção falível de livros infalíveis”. Atualmente, os Luteranos não têm um Cânon estabelecido das Escrituras. São livres para considerar Hebreus, Tiago, 2 Pedro e São Judas (Epístolas) como não canônicos, e estão, também, livres para aceitar alguns livros Deuterocanônicos do Antigo Testamento como canônicos. Lutero originalmente chamou o livro de Tiago uma “epístola de palha” e não a aceitou como canônica. Quando os Reformadores Presbiterianos surgiram com sua lista canônica, usaram dois critérios: autoria apostólica e testemunho interior do Espírito.

Desde que bons cristãos através dos tempos (Jerônimo e Agostinho, justamente esses dois) discordaram sobre quais livros eram inspirados, “o testemunho interior” de canonicidade não parece ser uma boa medida para determinar a canonicidade. Para a Cristandade histórica, o ensinamento da Igreja, que é “a coluna e o fundamento da Verdade”, é considerado como a autoridade para determinar quais dos escritos primitivos fazem parte do Cânon das Escrituras.

A menos que você tenha uma fonte infalível para determinar quais livros compõem a Bíblia, que autoridade ela pode ter?

Fonte: Site “Glory to Jesus Christ!”. Tradução: José Fernandes Vidal.

 
 
 

Fonte: Veritatis Splendor Por Pedro Ravazzano

“Quanto a mim, não acreditaria no Evangelho se não me movesse a isso a autoridade da Igreja católica”. Santo Agostinho

O protestantismo vive num círculo vicioso. Vejamos, se hoje os Pais da Reforma ressuscitassem milagrosamente cairiam para trás ao ver a situação das igrejas por eles criadas e, muito provavelmente, seriam chamados de idólatras e pagãos por seus irmãos e filhos. Na verdade não precisamos ir tão longe na imaginação; comparem uma igreja metodista, anglicana, calvinista, luterana dos EUA, da Europa e do Brasil! Os metodistas ingleses e americanos usam imagens – ou ao menos usá-las não é motivo de discussão -, fazem igrejas em estilos góticos, gostam de cantos sacros e apreciam a piedosa devoção. Anglicanos invocam os santos, usam turibulo, seus líderes se paramentam como os Sacerdotes e Bispos católicos, constroem igrejas extremamente belas, usam velas, incensos etc. Já a Catedral Calvinista de Genebra honra a São Pedro, era lá onde Calvino pregava, fica ao lado do Museu da Reforma, quase um Vaticano protestante. Os luteranos do hemisfério norte também seguem diversas tradições católicas que eram respeitadas até mesmo pelos reformadores, se assemelham aos anglicanos quanto a isso. Eu apenas abordei pontos externos, se fosse fazer uma análise teológica as diferenças entre as denominações seriam gritantes. Os Pais da Reforma eram homens, em sua maioria, doutos e cultos, tinham acesso a obras de grande peso na cristandade, dominavam línguas, tinham uma cultura destacada; Lutero era um teólogo com relevo no cenário alemão, Calvino tinha uma formação clássica, Wesley, que apareceu séculos mais tarde, se educou na prestigiosa Universidade de Oxford. A questão que aparece é a seguinte, se esses homens estavam errados na sua hermenêutica bíblica, na compreensão do tal cristianismo primitivo, por que raios um pastor qualquer em pleno mundo moderno se colocaria como o descobridor da verdade cristã? Qual a autoridade que ele usa? Os Pais da Reforma se diziam inspirados pelo Espírito Santo, iluminados por Deus, o mesmo Espírito Santo e o mesmo Deus que “inspira” e “ilumina” os homens que hoje fazem interpretações e chegam a conclusões diferentes das obtidas pelos Luteros e Calvinos da vida – conclusões essas que na época da reforma já não eram nada parecidas! E, muito provavelmente, esses mesmos pastores serão refutados no futuro por outros irmãos seus que enxergaram diferentes verdades na Sagrada Escritura. O mais irônico de tudo isso é que uma das bases fundamentais usadas por eles para endossar essas novas compreensões a respeito do cristianismo e da Bíblia são conhecimentos científicos, ou seja, um respaldo extra-bíblico que influencia no estudo e na hermenêutica dos textos da Sagrada Escritura. Onde foi parar a Sola Scriptura?

Os protestantes consideram a Bíblia auto-sustentável, ou seja, a chave da correta hermenêutica se encontra na própria Escritura. Pois bem, isso deveria confirmar que a hermenêutica bíblica, seja lá de qual tempo, é contínua e inerrante, já que interpreta um Livro eterno e também inerrante, mas não é isso que enxergamos dentro do protestantismo. Existe uma diversidade de análises, uma grande confusão na exegese, na forma de compreender a formação do texto, uma miscelânea de doutrinas oriundas de interpretações bem distintas. Se a Bíblia é auto-sustentável as descobertas históricas e arqueológicas, usadas pelos protestantes atuais como base para um novo olhar – como a defesa do tal cristianismo primitivo -, não se mantém, afinal a ortodoxa hermenêutica independe de fatores externos, se encontra na própria Escritura (Sola Scriptura). Com isso pouco importa se os Pais da Reforma viviam no séc. XVI e hoje vivemos no séc. XXI. Se a Bíblia é de inspiração divina, um Livro Sobrenatural, sua mensagem é para sempre, sua correta interpretação é a mesma ao longo dos séculos, afinal o que muda não é eterno, e o que não é eterno não é divino. Ou seja, um livro escrito por Deus só pode ser compreendido com a assistência de Deus, a ciência humana não seria capaz de entender a riqueza contida nas suas linhas. Ora, sem essa inspiração interpretar a Bíblia é quase como um jogo de sorte. Aí entra um ponto crucial; como conciliar, dentro do protestantismo, diversas interpretações de um único texto? Se a Escritura é divina ela não erra nem se contradiz – ou se descansa no sábado ou no domingo, ou se batiza crianças ou não, ou se usa imagens ou as considera idolatria, ou acredita nos santos ou acha que são deuses pagãos etc etc etc. Não pode haver uma diversidade hermenêutica para uma mesma frase contida no texto bíblico!

Percebam que no protestantismo não há uma continuidade na vivência da mensagem cristã interpretada pelos seus pastores, bispos, reverendos, missionários, apostólos e “bispas”, a todo o momento há ruptura e o surgimento de novas óticas, óticas essas que, como já foi dito, lançam mão de conteúdos extra-bíblicos, colocando de lado um dos pontos essenciais da Reforma Protestante; Somente a Escritura.

Talvez a saída mais natural do protestantismo tenha sido o desenvolvimento de doutrinas liberais, que depois deram origem ao modernismo. Considerar a Escritura um livro Sobrenatural pede, da mesma forma, uma interpretação sobrenatural, ou seja, uma interpretação inspirada. Como haver inspiração quando pululam o número de hermenêuticas tão diferentes e contraditórias? Esse foi o motivo que ajudou, entre alguns outros, na consolidação da corrente liberal dentro do pensamento reformado; se baseiam num arcabouço histórico, arqueológico, literário e filológico para compreender o texto bíblico, execrando tudo que seja contrário ao entendimento da razão humana. De uma maneira ou de outra esse método cria uma hermenêutica mais homogênea, já que acaba com a argumentação de inspiração divina; a medida é a ciência, se passou dela não serve. Entretanto dois problemas surgem; a destruição da origem Divina do texto – ele fica preso aos conhecimentos humanos – e a oposição a Sola Scriptura – na verdade não é lá da preocupação desses protestantes a fidelidade a nada. Ademais, a ciência nessa caso ocupa o espaço que todas as igrejas de origem apostólica dão ao que se chama Tradição, de origem divina e em plena sintonia com a Revelação contida na Escritura.

Um dos fundamentos básicos, quiçá o maior, que distancia o protestantismo da verdadeira religião é a não-aceitação da Sagrada Tradição. Os “reformados” acreditam que a Sagrada Escritura é a única regra da fé, não sendo necessária nenhum outra para viver de forma plena os ensinamentos cristãos, conhecer todo o legado deixado por Nosso Senhor Jesus Cristo. Antes de algum Evangelista pensar em escrever, sob a inspiração do Espírito Santo, os Apóstolos já pregavam e difundiam a Boa Nova. Foram necessárias décadas, depois do Pentecostes, para se iniciar a redação dos livros do Novo Testamento! Como havia comunidades cristãs num período onde não havia a Bíblia? Simples, por meio da pregação oral que trazia consigo a Tradição cristã. Como disse David Goldstein, judeu convertido ao catolicismo “S. Pedro converteu 3000 judeus; o Concílio de Jerusalém foi reunido e a lei judaica foi ab-rogada, antes que uma única linha do Novo Testamento fosse escrita. Antes que S. João escrevesse seu Evangelho, a Igreja católica celebrou seu jubileu de ouro; e S. Paulo poderia dizer que a fé de Cristo tinha sido proclamada por toda parte no mundo”

A primeira referência ao cânon bíblico, como o temos hoje, foi em 367 d.C, numa epístola de Santo Atanásio de Alexandria; santo que escreveu o credo que leva seu nome – credo atanasiano – reconhecido até mesmo por Lutero como grande autoridade doutrinal e incluído pela Igreja Anglicana no ‘Livro de Oração Comum’. Até o séc. IV não havia a mínima concordância de quais seriam os Livros inspirados. Os verdadeiros Evangelhos dividiam espaço com textos gnósticos e heréticos. Além disso raras eram as comunidades que tinham acesso a esses documentos. Todos se confirmavam na fé por meio da adesão oral, conheciam a doutrina cristã através dos ensinamentos proferidos pelos Apóstolos e seus sucessores. Quais os livros eram legitimamente cristãos? Dependiam de onde estivessem. As localidades divergiam na definição das escrituras, algumas acreditavam em livros que depois foram vistos como apócrifos, outras sequer tinham textos dos livros hoje considerados canônicos. Quem duvidaria da apostolicidade e inspiração divina do Pastor de Hermas, Epístola de Barnabé e da Didaché? A leitura desses livros, e de vários outros não-canônicos, era muito comum nas assembléias e nas pregações.

Ora, como então se definiu, se atestou, quais livros eram, de fato, inspirados? Foi uma autoridade externa e extra-bíblica. A lista definitiva dos livros canônicos apareceu no Concílio de Roma (382) e, posteriormente, confirmada nos Concílios de Hipona (393) e Cartago (397). A Sagrada Escritura não veio com um índice, nem o surgimento do seu cânon foi um ato de milagre divino. Os Padres conciliares apenas lançaram mão da Tradição apostólica, aquela que já confirmava os cristãos na fé, a usando como a medida para que assim pudessem endossar a inspiração dos escritos, ao mesmo tempo em que rechaçavam aqueles livros que contradiziam os ensinamentos orais. O próprio Lutero confirmou: “Somos obrigados a reconhecer muitas coisas aos católicos – (como por exemplo), que eles possuem a Palavra de Deus, que nós recebemos deles; de outro modo, não saberíamos nada sobre ela.” [1] Nosso Senhor nos ensinou “Ide, e pregai o Evangelho a toda criatura” (cf. Mt 28,19-20) e não “Ide e difundi as Escrituras”.

Prof. Alessandro Lima, no seu livro Cânon Bíblico, falou que a “atribuição de autoridade divina a um livro, isto é, a definição de sua canonicidade sempre dependeu da autoridade de algo que é exterior ao livro: a Tradição que lhe deu origem (e que portanto lhe é anterior) e o Magistério legitimamente estabelecido por Deus, reconhecido como seu legítimo guardião e difusor.” [2] De fato, o que os protestantes esquecem é que a Sagrada Escritura não fez o cristianismo, foi a Igreja, inspirada pelo Espírito Santo, que criou a Sagrada Escritura. Assim como os israelitas escreviam os textos sagrados quando já viviam a fé monoteísta, os cristãos escreveram os Evangelhos quando já eram crentes. Corinto e Tessalônica já eram cristãs quando São Paulo escreveu suas cartas, Teófilo já professava a fé em Nosso Senhor quando São Lucas o endereçou o Evangelho. A equação feita pelos protestantes é contrária; não foi a Bíblia que criou o cristianismo – afinal quando ainda não havia Escritura já havia fé cristã – mas foi o cristianismo, iluminado com as bençãos do Senhor, que escreveu a Bíblia. A Bíblia não caiu do céu; os livros do Novo Testamento foram escolhidos num Concílio da Igreja Católica, poder magisterial, composto por Padres que acreditavam na Tradição. Os protestantes aceitam esse cânon do Novo Testamento e seguem o cânon do Antigo Testamento definido por um sínodo de fariseus depois da morte de Cristo.

Existem dois grandes intervalos nos primórdios do cristianismo que devem ser levados em conta:

1 – Da ascensão de Cristo aos Céus até o fim da redação da Escritura

2 – Do fim da redação da Escritura até a estruturação do cânon bíblico

No primeiro momento transcorreram 65 anos para que o último livro da Bíblia fosse acabado em meados do ano 100 d.C. Cristo morreu e ressuscitou por volta do ano 30, já os livros do Novo Testamento foram escritos bem depois; o Evangelho de São Marcos no ano 64; o Evangelho de São Lucas e de São Mateus entre os anos 65 e 80; as cartas de São Paulo entre os anos 51 e 67; o Apocalipse entre os anos 70 e 95. Como os cristãos teriam se mantido até lá? Ademais, mesmo que houvesse Evangelho seria humanante impossível, dentro da realidade tecnológica da época, fazer com que todas as comunidades cristãs – que já existiam mesmo sem Bíblia – tivessem acesso aos textos. O que manteve a fé desse povo senão a Tradição oral?

A outra lacuna ainda é maior. Se trata de uma período de séculos onde textos inspirados dividiam espaço com outros que eram produtos da gnose e da heresia. Até mesmo pensadores do quilate de Santo Atanásio (297-373), São Jerônimo (342-420) e Santo Agostinho (354-430) se fiavam em listas de canonicidade que partiam das crenças especificas de suas localidades – claro que até a definição magisterial. Ou seja, houve uma confusão instaurada na Igreja primordial a respeito da inspiração dos textos. Se a Sagrada Escritura se mantém por si mesma por que a disputa, por que a definição do cânon não ocorreu logo no início, desde que o último texto inspirado foi escrito? Simples, a Sagrada Escritura não era auto-autenticável! Não havia nada nela que sancionasse quais os livros que eram inspirados ou não. Nem mesmo havia assinatura nos Evangelhos. Por exemplo, como saber que foi São Mateus quem escreveu o seu Evangelho? Para nós católicos a Tradição sempre nos informou dessa verdade, por isso sempre acreditamos. Protestantes não só rejeitam a Tradição como acreditam na Sola Scriptura. Ora, apenas a Tradição ou o estudo bíblico-histórico poderiam afirmar que Mateus foi o redator do Evangelho que leva seu nome. As duas formas tratam de conclusões extra-bíblicas e, logicamente, se opõe a doutrina da Sola Scriptura.

O fato é que, na ausência da Tradição e do Magistério, simplesmente não há limites para a imaginação no que concerne à interpretação da Bíblia. Se não existe nenhuma autoridade, para além do indivíduo, que estabeleça qual o verdadeiro sentido e qual a verdadeira interpretação da Escritura Sagrada, então é instaurado o “vale tudo”. Em outras palavras, a teologia liberal (da qual o maior expoente foi o alemão Rudolf Bultmann) é uma conseqüência natural do Sola Scriptura. A pessoa, diante do texto bíblico, na prática se sente à vontade para seguir a interpretação que mais lhe aprouver. E quando perguntamos, por exemplo, a um calvinista “por que é assim e não assado, como ensinam os luteranos?”, ficamos sem resposta… Mas nós podemos dizer, como S. Agostinho diria: “É assim porque a Igreja Católica, com a autoridade que recebeu de Seu Fundador, Nosso Senhor Jesus Cristo, nos ensina que é assim!”. Não é a minha interpretação, nem a de fulano, nem a de beltrano que importa. É a interpretação da Igreja!

Como foi dito no começo do texto, a Sola Scriptura descamba para a teologia liberal, afinal a diversidade de interpretações e compreensões do texto bíblico é incompatível com o caráter inerrante e eterno da própria Escritura. Ora, o relevo que hoje os protestantes dão a ciência é o resultado da incapacidade de estipular uma hermenêutica comum. E por que? Simplesmente a Sagrada Escritura não se sustenta sozinha, a Tradição é essencial para o conhecimento pleno da revelação cristã e para a compreensão dos verdadeiros e perenes ensinos contidos no texto sagrado. O Magistério, por sua vez, tem a incumbência de, sustentado na Sagrada Escritura e na Sagrada Tradição, indicar a única e infalível interpretação da Bíblia. Sem a Tradição a Escritura fica confusa e sem o Magistério seu entendimento é impossível. O protestantismo acreditou na Sola Scriptura como forma de renegar a Tradição, colocaram no lugar desses valiosos e preciosos ensinamentos de Cristo o entendimento humano, com isso carrega em seu âmago um princípio genuinamente subjetivo e individual, desde já fadado ao erro e a confusão. A teologia liberal, se sustentando na ciência e renegando a sobrenaturalidade da Bíblia, apenas surge por ser fruto da Sola Scriptura! Com isso concluímos que o protestantismo, desde as suas origens, fincou as bases do relativismo hermenêutico, relativismo esse que é incompatível com um Livro de caráter Divino e, conseqüentemente, eterno e imutável; o triunfo da interpretação individual, no pensamento reformado, se opõe drasticamente a perenidade da mensagem cristã. O que cremos hoje é o que foi crido ontem e é o que será crido amanhã! No protestantismo o que é crido hoje é diferente do que foi crido ontem e é diferente do que será crido amanhã – além, é claro, das diversas formas de se entender o que crê e no que se crê. [1] 21. Commentary on John, cap. 16, como citado em Paul Stenhouse, Catholic Ansewrs to “Bible” Christians (Kensington: Chevalier Press, 1993), p. 31. [2] LIMA, Alessandro. O Cânon Bíblico – A Origem da Lista dos Livros Sagrados. São José dos Campos-SP: Editora COMDEUS, 2007, p. 17


Catedral Anglicana de Cristo e de Santa Maria, em Liverpool, Reino Unido

Visão externa

Nave

Altar-mor, com muitas imagens e santos

Detalhe do altar-mor, em destaque a imagem de Cristo na Última Ceia

Catedral Calvinista de São Pedro, Genebra, Suíça

Visão externa

Vitrais com imagens de santos

Nave

Catedral de Santo Egídio Igreja Mãe do Presbiterianismo, Edimburgo, Reino Unido

Visão externa

Nave

Vitral com imagens de santos

Imagens no pórtico de entrada; santos, heróis e reformadores

Detalhe das imagens

Imagem de John Knox

Imagem de um anjo segurando água benta

Catedral Luterana de São Nicolau, Helsinque, Finlândia

Visão externa

Detalhe das imagens dos Apostólos

Imagem de Lutero

Altar da Catedral

Catedral Metodista de São Paulo, Houston, EUA

Visão externa

Imagem de Cristo

Qual é o verdadeiro protestantismo vindo da verdadeira hermenêutica bíblica? O protestantismo que usa imagens ou o que as considera idolatria? O protestantismo que venera os santos ou o que acha que são deuses pagãos? O protestantismo que celebra a Ceia – mesmo que simbólica – ou o que acredita que não passa de invenção romana? O protestantismo que valoriza algumas tradições ou aquele que diz vivenciar o tal cristianismo primitivo? São muitos protestantismos originados de um mesmo Livro, um Livro eterno e inerrante que não pode ser interpretado, em hipótese alguma, de diversas maneiras. A Verdade é única, se é contraditória não é Verdade, e se não é Verdade não é Deus!

 
 
 

Entrevista ao professor de Novo Testamento Bernardo Estrada

Por Mirko TestaROMA, quarta-feira, 9 de janeiro de 2007 (ZENIT.org).- A consistência histórica dos Evangelhos está em sua própria gênese, na continuidade entre a pregação de Jesus, a pregação apostólica e sua redação, afirma nesta entrevista concedida à Zenit o Pe. Bernardo Estrada, professor de Novo Testamento da Faculdade de Teologia da Universidade da Santa Cruz de Roma, que cita alguns testemunhos alheios à Bíblia, que enriquecem o conteúdo dos Evangelhos.

O senhor pode nos explicar como aconteceu o processo de redação dos Evangelhos?

–Padre Estrada: Podemos dizer que os Evangelhos se iniciam com a pregação de Jesus, que não escreveu de punho e letra praticamente nada, senão aquelas poucas palavras traçadas na terra quando lhe levaram a uma mulher surpreendida em adultério. De Jesus Cristo sabe-se, sobretudo, que pregava. Deve-se sublinhar a este respeito que a exigência de pregar e ensinar de memória era um costume constante da época, porque a escritura era impraticável em condições normais.

Contudo, depois da paixão e morte de Jesus, a pregação da Igreja se fundou justamente no acontecimento pascoal. É este o fundamento de toda a nossa fé, não só porque Paulo o diz ao final da Carta aos Coríntios, mas porque precisamente o kerigma, o anúncio fundamental da Igreja após Pentecostes, foi «Jesus Cristo crucificado e ressuscitado». O Evangelho como tal era, como afirma São Paulo, proclamação da «gozosa mensagem»: Deus nos salvou da morte eterna com a morte e ressurreição de seu Filho Jesus.

Só na segunda metade do século II, São Justino, ao escrever no ano 160 sua «Apologia», afirma que as memórias dos Apóstolos são denominadas «Evangelhos». É o primeiro testemunho no qual se passa do Evangelho como anúncio pregado ao Evangelho como texto. Após esta declaração apostólica, podemos dizer que os autores sagrados, ou seja, os evangelistas dos quais ao menos dois eram apóstolos, chegam à redação dos livros.

Por isso pode-se dizer que os Evangelhos têm uma consistência histórica, porque refletem estes três estágios em sua formação, dando-se sempre uma continuidade. Uma continuidade que une a pregação de Jesus, a pregação apostólica e a redação do Evangelho.

Os Evangelhos «canônicos», ou seja, os aceitos pela Igreja por sua origem «apostólica» e por sua «conformidade com a norma da fé» das primitivas comunidades cristãs e as maiores Igrejas de origem apostólica, foram compostos entre 60 e 100. Quais são os critérios que testificam sua historicidade?

–Padre Estrada: Os expoentes mais radicais da crítica histórica consideravam que havia uma distância tal entre a redação dos Evangelhos e a vida de Jesus que toda uma geração de testemunhas oculares havia desaparecido. Mas isso não é verdade. O primeiro Evangelho, que se sabe que foi escrito por Marcos, remonta-se ao ano 64, ou seja, 34 anos após a data provável da morte de Jesus. Naqueles anos o que se fez? Essencialmente, pregou-se o Evangelho em diversos lugares, refletiu-se sobre esse anúncio, dando-lhe uma sistematização teológica, que é o que Paulo fez. De fato, os Evangelhos se escreveram depois de que Paulo elaborasse praticamente toda a sua teologia. Em torno do ano 64, todas as Cartas haviam sido escritas, inclusive as pastorais, se é que ele foi seu autor. Podemos dizer que, naqueles anos, os Evangelhos sofreram uma evolução mais teológica que biográfica, porque os fatos e palavras da vida de Jesus já estavam comprovados.

Então, quais são os critérios para poder separar com certa segurança o que é histórico do que não é?

–Padre Estrada: Na segunda metade do século XX, desenvolvem-se diversos critérios históricos, entre eles o da «descontinuidade», que se concentra naquelas palavras ou aqueles fatos de Jesus que não podem derivar nem do judaísmo do tempo de Jesus, nem da Igreja primitiva depois d’Ele. Por exemplo, no Evangelho de Mateus, Jesus enfrenta de maneira crítica as escrituras e Moisés, como nenhum rabino jamais fez, revelando a superioridade da nova lei proclamada por Ele, que não se fundamenta no estilo exterior dos fariseus, mas se assenta na intimidade do coração.

Outro critério é o que se chama da «dificuldade», segundo a qual a Igreja não teria nunca comunicado um fato que pudesse humilhar Jesus, como por exemplo a cruz, que é o caso mais emblemático e paradigmático. O batismo por obra de João, se não tivesse acontecido realmente, não teria podido ser imaginado por nenhum autor. Assim como a aparição às mulheres, porque naquele tempo as mulheres não eram testemunhas qualificadas em Israel.

As notáveis afinidades entre os textos de Mateus e Lucas levaram diversos estudiosos a afirmar a existência de uma fonte comum, fazendo pensar que na realidade recorreram a fontes indiretas e não de primeira mão. O que o senhor pensa a este respeito?

–Padre Estrada: Podemos admitir que os Evangelhos de Mateus e Lucas tiveram uma fonte comum, porque existe uma série de narrações, sobretudo de frases, que não aparecem em Marcos. Mas o que surpreende não é que Mateus e Lucas tiveram uma fonte comum, mas as diferenças. Por exemplo, os dois relatam a infância de Jesus, mas cada um o faz através de eventos que o outro sequer conhece. Em Mateus, o protagonista da infância de Jesus é José, enquanto que em Lucas é Maria. Se existissem muitas afinidades, isso teria podido levar a supor que houve um acordo entre os dois. Evidentemente, cada evangelista tinha uma fonte própria à qual recorrer e outra compartilhada.

Há fontes históricas independentes dos Evangelhos canônicos que enriquecem seu conteúdo?

–Padre Estrada: A historicidade dos Evangelhos só é garantida pelos próprios Evangelhos, mediante seu processo de formação. Mas há, contudo, testemunhos alheios à Bíblia que não se devem desprezar. O primeiro é o de Plínio o Jovem, que foi pró-cônsul de Bitínia entre os anos 111 e 113, e que em uma das cartas enviadas ao imperador Trajano escreve que os cristãos «costumavam reunir-se antes do amanhecer e entoar a coros alternos um hino a Cristo como se fosse um deus». Portanto, afirma que estão convencidos da divindade de Cristo.

Suetônio, no entanto, em sua obra «Vida dos doze césares», referindo um fato acontecido em torno do ano 50, afirma que Cláudio «expulsou de Roma os judeus que por instigação de Cresto eram contínua causa de desordem» (Vita Claudi XXIII, 4). Suetônio escreveu «Chrestus» ao invés de «Chrestòs, que era um nome grego muito comum, e Christòs, que queria dizer o «ungido», o «Messias». Portanto, existiam em Roma judeus-cristãos e – diria – judeus não-convertidos que discutiam entre si sobre Cristo e que podiam aparecer aos olhos da autoridade romana como causa de desordem pública.

E depois está o testemunho do historiador romano Tácito que, nos «Anais», narra o incêndio que aconteceu em Roma no ano 64, pelo qual foi acusado o imperador Nero, que fez de tudo «para fazer cessar tal rumor», e por isso «inventou culpados e submeteu a penas refinadas a quem a plebe chamava de cristãos, detestando-os por seus atos abomináveis». Tácito afirma também que «a origem deste nome era Cristo, o qual, sob o império de Tibério, foi condenado ao suplício pelo procurador Pôncio Pilatos; e esta superstição, momentaneamente adormecida, difundia-se de novo, não só na Judéia, ponto central daquele mal, mas também em Roma, onde confluiu de todas as partes e foi considerado honorável tudo o que há nele de torpe e vergonhoso» («Anais» XV, 44).

O elenco completo dos 27 livros do Novo Testamento é fixado pela primeira vez no tempo de Atanásio de Alexandria, em 367 d.C. Como se chega a escolher estes quatro Evangelhos no cânon das Escrituras?

–Padre Estrada: Já antes do final do século II, Santo Irineu, bispo de Lyon e mártir, afirma em uma célebre passagem que «visto que o mundo tem quatro regiões e são quatro os ventos principais (…), o Verbo criador de cada coisa (…), revelando-se aos homens, deu-nos um Evangelho quádruplo, mas unificado por um único Espírito» («Contra as heresias», III 11, 8).

A Igreja havia já definido então os quatro textos que se usavam na liturgia. Vinte anos antes do Irineu, também Justino fala dos quatro Evangelhos ou da memória dos Apóstolos, que eram mencionados ou lidos durante as celebrações eucarísticas. Então como se chegou a esta seleção? Na realidade, chegou-se através de um processo no qual o Espírito Santo se introduziu de forma natural e espontânea. Quando se difundia um texto que afirmava algo estranho, os próprios fiéis, unidos a seu pastor, o rejeitavam. Portanto, não haviam sido preparados por ninguém, ainda que já no século II existia a consciência de que o Evangelho era quádruplo: ou seja, um só, porque uma só é a pregação sobre a vida, as obras e as palavras de Jesus, mas com quatro imagens diversas, cada uma das quais oferece um toque pessoal.

A outra questão que surge agora é como a tradição apostólica chegou a incluir entre os Evangelhos canônicos também o Evangelho de João, o mais diferente com relação aos outros quanto a conteúdo e exposição, tecido com freqüência de reflexões espirituais e teológicas. Também alguns estudiosos atribuem a paternidade deste escrito a discípulos pertencentes a diversas «escolas de João», como se pode notar nesta passagem: «Este é o discípulo que dá testemunho sobre estes fatos e os escreveu; e nós sabemos que seu testemunho é verdadeiro» (João 21, 20).

–Padre Estrada: O fato de que seus autores não sejam necessariamente os quatro que são mencionados nos títulos não desmerece a historicidade dos Evangelhos. Eu gostaria de dizer também que nem sequer há motivo para duvidar se não há razões sérias. Pelo que se refere ao Evangelho de João, é certo que um núcleo se remonta ao apóstolo, mas também houve discípulos que refletiram sobre as palavras de Jesus e encontraram outras fontes e redigiram um Evangelho que se afasta um pouco dos demais. De fato, é o Evangelho mais espiritual, onde não se fala nunca da crucifixão e do sofrimento, porque para o evangelista João, a hora da paixão se identifica com a glorificação e a suprema «elevação» de Jesus.

João já apresenta a missão do Cristo a partir da Ressurreição. É um Cristo que triunfou e venceu a morte. Por outra parte, é impossível explicar o relato tão detalhado e cru da Paixão senão à luz da plena convicção que os evangelistas tinham da Ressurreição. Do contrário, teria sido simplesmente masoquismo! O sofrimento serviu para a nossa salvação.

João relata muitíssimos diálogos de Jesus com o Pai, como se não tocasse a terra, mas que estivesse constantemente imerso na contemplação do rosto de Deus e já glorificado, enquanto nos outros Evangelhos Jesus é um homem com todas as suas características e seus limites humanos. O fato de que o Evangelho de João tenha sido retocado por uma comunidade de discípulos que se encontrava provavelmente em Éfeso, e ampliado ou talvez articulado de outro modo, comprova-se na passagem que você citou, e que é considerada um apêndice, um anexo posterior por parte de um discípulo que faz de João um testemunho veraz. Quando se lê o capítulo 20, compreende-se que estamos ante um final: «Estas coisas foram escritas para que creiais que Jesus é o Cristo, o Filho de Deus e para que, crendo, tenhais vida em seu nome» (João 20, 31).

Lucas, em seu Evangelho, composto por volta dos anos 80 do século I, alude aos «muitos outros» que escreveram sobre os acontecimentos de Jesus, quase testificando a existência de uma multiplicidade de Evangelho, aqueles mesmos Evangelhos que depois foram considerados apócrifos…

–Padre Estrada: Na verdade, quando Lucas inicia o prólogo do Evangelho e diz «porque muitos se puseram a escrever um relato sobre os acontecimentos que sucederam entre nós», não se está referindo a livros, mas aos testemunhos de muitas pessoas que receberam a pregação apostólica e que escreveram os fatos e as palavras de Jesus.

Certamente, essas são as fontes às quais os evangelistas também recorrem. Mas disso não devemos deduzir necessariamente que se tratasse de verdadeiros livros. Talvez Lucas, que tinha presente o Evangelho de Marcos, tenha percebido que outros tentaram redigir ou ordenar os fatos ligados à vida de Jesus. Mas isso não quer dizer que no século II se tivessem difundido os Evangelhos apócrifos. O fragmento mais antigo do «Evangelho de Tomé» se remonta ao final do século II, que provavelmente é a data de composição daquele Evangelho. Não antes. Mas nós sabemos que muitos Evangelhos são datados no século I inclusive nas citações contidas na Primeira Carta de Clemente, um texto atribuído ao Papa Clemente I (88-97) escrito em grego para finais do século I.

Na «Didaquê» ou «Doutrina dos doze Apóstolos», que pode ser considerada como o catecismo cristão mais antigo, tendo sido escrita algumas décadas depois da morte de Cristo, cita-se o «Pai Nosso» exatamente como o recitamos hoje.

Também sabemos que o fragmento mais antigo do Novo Testamento está dentro do papiro Rylands (P. 52), que contém partes do Evangelho de João e se remonta a cerca de 125 d.C., e é portanto uma cópia escrita a menos de 30 anos de distância do original.

Ainda que descartados porque não contêm verdades divinas reveladas, alguns Evangelhos apócrifos chegaram até nós em longos fragmentos, como o «Evangelho copto de Tomé» ou o «Evangelho de Pedro», sendo inclusive utilizados entre os monges cristãos da Síria e da Ásia Menor. Que valor têm? Acrescentam informações úteis ao relato dos quatro evangelistas?

–Padre Estrada: Sobretudo, é necessário dizer que entre os Evangelhos apócrifos há alguns que, ao apresentar a figura de Jesus ou ao renovar o ensinamento, inspiram-se no gnosticismo, que é a teoria filosófico-religiosa dos primeiros séculos do cristianismo (I-IV), e que se contrapôs violentamente à Igreja Católica. Em 1945, na aldeia de Nag Hammdi, no Alto Egito, descobriu-se uma antiga biblioteca copta que custodiava 13 códices, todos escritos no século IV, alguns dos quais continham frases de Jesus, para expressar contudo conceitos não-cristãos.

Todos os estudiosos concordam, por exemplo, em afirmar que o «Evangelho de Tomé» – o que suscitou maior interesse – é um Evangelho gnóstico que contém as doutrinas e as orientações de uma comunidade, nascida como heresia dentro do cristianismo, e que pretendia atribuir a Jesus seu conceito da salvação e todos os princípios da fé segundo seu ponto de vista. Por exemplo, não reconhecem a morte de cruz porque a única salvação viria da «gnose», ou seja, do conhecimento. E que a matéria é sempre causa de pecado ou está ligada ao demônio. O «Evangelho de Tomé», como os outros Evangelhos gnósticos, limita-se a notificar frases de Jesus sem inseri-los na narração do que fez. É uma espécie de «Confúcio cristão» do século II.

Então, podemos perguntar-nos se os Evangelhos apócrifos contêm alguma verdade. Certamente. Por exemplo, os protoevangelhos nos contam os primeiros anos de vida de Jesus. Neste sentido, o mais famoso é o «Proto-evangelho de São Tiago», filho de José, que o teria tido, junto com outros três irmãos e duas irmãs, em um matrimônio anterior ao seu com Maria. Este texto teve certa influência na tradição e na iconografia, tanto que a presença do boi e do burro na gruta do Nascimento e o nome dos pais de Maria, Joaquim e Ana, nos chegam justamente desta fonte.

Certamente, o conteúdo dos Evangelhos apócrifos pode diferir. Alguns contêm verdades e amplificações fantasiosas com relação aos Evangelhos canônicos, assim como um gosto teatral próprio de um cristianismo popular, ainda permanecendo no fundamental da ortodoxia, enquanto muitos outros, sobretudo aqueles de orientação gnóstica, contêm falsidades porque querem convencer da validez de sua heresia.

Sob o perfil histórico, não nos dizem nada além do que já sabemos pelos Evangelhos segundo Mateus e Lucas, dos quais eles dependem. Sua intenção não é histórica, querem fazer obra de edificação. Frente à sobriedade dos Evangelhos, que relatam também realidades sobrenaturais de maneira «natural» e sóbria, sem acrescentar circunstâncias desnecessárias, escolhe-se responder ao desejo do povo cristão acrescentando de maneira mais ampla e colorida detalhes para sublinhar aspectos e fatos da infância e da adolescência de Jesus e Maria. Mas na verdade, dessa forma dão uma imagem de Jesus não conforme a realidade, como acontece no «Evangelho da Infância», de Tomé, onde é descrito como uma criança que já é capaz de fazer milagres.

Portanto, pode-se dizer que se não tivessem ainda que fosse uma pequena parte de verdade, ninguém os teria aceitado. Sua importância está no fato de fazer ver uma época, um desenvolvimento do cristianismo, uma confluência de várias correntes teológicas e religiosas. Sua utilidade está em conseguir mostrar a evolução do cristianismo.

 
 
 
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