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CIDADE DO VATICANO, quinta-feira, 1º de abril de 2010 (ZENIT.org). – A oração de Jesus Cristo durante a Última Ceia constitui o “ato fundador da Igreja”, afirmou Bento XVI nesta tarde de quinta-feira na homilia da Missa na Ceia do Senhor.

O Pontífice presidiu a celebração na Catedral do Papa, a Basílica de São João de Latrão, lembrando o pedido de Cristo de rezar “pelos discípulos daquele tempo e de todos os tempos futuros”.

“Não peço somente por eles – a comunidade dos discípulos reunida no Cenáculo – mas também por aqueles que vão acreditar em Mim por meio da sua palavra, para que eles sejam todos um”, diz Jesus, que então “olha em frente para a história futura em toda a sua amplitude”, “vê os perigos dela e recomenda esta comunidade ao coração do Pai”.

Neste trecho do Evangelho de João, sublinhou o Bispo de Roma, a Igreja “aparece com as suas características essenciais: como a comunidade dos discípulos que, através da palavra apostólica, acreditam em Jesus Cristo e assim se tornam um só”.

“Jesus suplica a Igreja como una e apostólica. Assim esta oração revela-se, propriamente, um ato fundador da Igreja”. Cristo pede que “o anúncio dos discípulos continue ao longo dos tempos”, e que os que crêem “vivam na comunhão interior com Deus e com Jesus Cristo”.

Do mesmo modo, pede que “a partir deste estar interiormente na comunhão com Deus, se crie a unidade visível”, “uma unidade que ultrapasse tanto aquilo que habitualmente é possível entre os homens, que se torne um sinal para o mundo e afiance a missão de Jesus Cristo”.

Exame de consciência

A oração de Jesus, explicou Bento XVI, é uma “garantia de que o anúncio dos Apóstolos não poderá jamais cessar na história”, mas “esta oração também é sempre um exame de consciência para nós”.

“Nesta hora, o Senhor interpela-nos: vives tu, através da fé, em comunhão comigo e, deste modo, em comunhão com Deus? Ou não estarás porventura a viver mais para ti mesmo, afastando-te assim da fé? E, por isto, não serás talvez culpado da divisão que obscurece a minha missão no mundo, que fecha aos homens o acesso ao amor de Deus?”.

“Quando meditarmos na Paixão do Senhor, devemos também sentir a dor de Jesus pela facto de nos encontrarmos em contraste com a sua oração, de fazermos resistência ao seu amor; de nos opormos à unidade, que deve ser para o mundo testemunho da sua missão”.

Importância da relação

O Pontífice abordou em seguida o tema da “vida eterna” de que nos fala Jesus, explicando que com estas palavras refere-se ao “modo autêntico da vida – uma vida que é vida em plenitude e, consequentemente, livre da morte, mas que pode realmente começar já neste mundo; antes, deve ter início aqui: somente se aprendermos já agora a viver de modo autêntico, se aprendermos aquela vida que a morte não pode tirar, é que a promessa da eternidade tem sentido”.

A vida, nos lembra Cristo, é conhecer Deus e seu enviado. “Isto significa antes de mais nada: vida é relação” – comentou o Papa. “Ninguém recebe a vida de si mesmo e só para si mesmo”.

“Somente a relação com Aquele que em Si próprio é a Vida, pode sustentar a minha vida mesmo para além das águas da morte, pode conduzir-me vivo através delas”, destacou Bento XVI.

“Tornemo-nos amigos de Jesus, procuremos conhecê-Lo cada vez mais! Vivamos em diálogo com Ele! Aprendamos d’Ele a vida recta, tornemo-nos suas testemunhas!”, exortou.

A presença de Deus em meio ao seu povo, de fato, “realiza-se na incarnação do Filho”, em quem “completa-se realmente o que tivera início junto da sarça ardente: Deus enquanto Homem pode ser chamado por nós e está perto de nós. Ele é um de nós, sem deixar de ser o Deus eterno e infinito”.

“O mistério eucarístico, a presença do Senhor sob as espécies do pão e do vinho é a máxima e mais alta condensação deste novo estar-conosco de Deus”.

“Nesta hora, deve invadir-nos a alegria e a gratidão por Ele Se ter manifestado; por Ele, o Infinito e o Inacessível para a nossa razão, ser o Deus próximo que ama, o Deus que podemos conhecer e amar”.

Após a homilia, o Santo Padre lavou os pés de doze presbíteros, repetindo o gesto de Jesus.

No momento do ofertório, os fiéis foram convidados a expressar sua solidariedade para com o seminário da diocese de Porto-Príncipe, no Haiti. As ofertas, neste Ano Sacerdotal dedicado aos presbíteros e seminaristas, ajudarão a reconstruir o seminário, destruído pelo terremoto.

Ao fim da Missa, foi realizada uma breve procissão, com a reposição do Santíssimo Sacramento ao altar da capela de São Francisco.

 
 
 

Por Thomas E. Woods Tradução: Kandungus Fonte: EWTN/YouTube

Já ouvimos todos esse papo antes, não ouvimos?

“A Igreja Católica é inimiga da ciência, do progresso e da razão”.

Bom, isso é tudo tolice e nós iremos provar sem dó.

Bem-vindos ao “A Igreja Católica: Construtora da Civilização”. Sou seu anfitrião, Thomas Woods, e gostaria de começar esta série com um fato bem óbvio para a maioria: há um certo “duplo padrão” no mundo quando se fala em Igreja Católica. Você pode dizer o que quiser sobre a Igreja Católica; sua carreira não terminará, ninguém se importará, não haverá indivíduos ofendidos, nem greves de fome… Você diz o que quiser e está tudo bem. Na verdade, você será ainda melhor tratado nos círculos em voga do que antes.

Então, qual o resultado disso?

O resultado é que você pode escapar impune mesmo dizendo as coisas mais absurdas e ridículas sobre a Igreja Católica. E as pessoas acreditam! Elas tendem a acreditar em toda e qualquer calúnia absurda contra a Igreja Católica; mas, pior ainda, alguns católicos – eu acredito – começaram a incorporar algumas dessas críticas e, no fundo, acho que eles mesmos se perguntam: “A Igreja foi, afinal das contas, uma influência positiva na História? Não foi ela responsável só por repressão e ignorância? Não foi ela uma oponente das ciências?” Todos fomos ensinados a acreditar nisto… Aliás, seria um milagre se não acreditássemos!

Porém, não é verdade! E nesta série mostraremos por quê. Iremos exibir a verdadeira glória da Igreja Católica.

Os ataques à Igreja Católica e à crença religiosa em geral aceleraram-se nos últimos cinco anos, mais ou menos. Nós vimos em anos recentes best-sellers escritos por Richard Dawkins, Daniel Dennett e Sam Harris, condenando a crença religiosa em geral como “irracional” e “imbecil”; na verdade, eles estão dizendo às crianças deste país: “Seus pais são tolos por ensiná-los a religião”.

Pior do que isso é que depois do atentado de 7 de julho de 2005 em Londres, o que vemos é essa tendência do terrorismo islâmico dar a intelectuais uma justificativa para que se oponham à todas as religiões, com o argumento de que “toda religião é irracional; toda religiâo pode causar violência; então todas devem ser condenadas”. Por exemplo, no escocês “Sunday Herald”, Muriel Gray afirma: “A causa de toda esta miséria, desordem, violência, terror e ignorância é, evidentemente, a própria religião”.

E ela chama a religião de “disparate da Idade das Trevas”: “Para o governo de um país secular como o nosso” – ela diz – “tratar a religião como se esta tivesse mérito verdadeiro ao invés de tomá-la como um anacronismo absurdo, que educação, conhecimento e experiência podem ‘esperançosamente’ superar com o tempo, é um dos eventos mais deploráveis do século XXI”.

Vou deixar de lado o fato de que ela não sabe usar corretamente a palavra ‘esperançosamente’. Isso é um outro assunto; o principal é que esta é a crítica.

Outra crítica: Polly Toynbee, do “London Guardian” diz: “Chegou o momento de ser sério sobre toda religião e traçar uma linha firme entre o mundo real e o mundo dos sonhos”.

No “London Spectator”, Matthew Parris diz: “Aquilo que une um Mulá extremista a um padre católico ou pastor evangélico protestante é, na verdade, muito mais significativo e interessante do que aquilo que os separam”.

Estas críticas tornaram-se rotina; ouvimo-las [sempre], entra dia, sai dia. Toda religião é inimiga do progresso, mas a Igreja Católica em particular é consistentemente vista como inimiga da ciência e do progresso; do conhecimento, principalmente. Por que isso? Como aconteceu?

Em parte, começou há 200 anos ou pouco mais, durante o assim chamado “Iluminismo”, que apareceu no século XVIII da História Europeia, época em que a classe intelectual se tornou incomumente hostil à Igreja. Eles depreciaram sistematicamente a Idade Média – aliás, é por isso que usaram a palavra “iluminismo”, pois a ideia era que, antes do “ilumininismo”, antes do formidável século XVIII, só havia miséria, atraso e ignorância estimulados pela Igreja Católica; mas então, felizmente, tínhamos intelectuais seculares para nos trazer “esclarecimento”.

Às vezes, acredito que o trabalho mais deprimento do mundo deve ser o de professor de História da Idade Média. Deve ser o trabalho mais deprimente… Imagine você, durante o dia inteiro ensinando sobre a Idade Média e dizendo: “A Idade Média não foi tão ruim! Em verdade, muitas coisas importantes aconteceram na Idade Média! A Igreja Católica tornou possível vários acontecimentos notáveis!” Leciona-se isso durante o dia inteiro; você escreve livros e artigos; você vai inclusive à televisão, ao rádio; você palestra sobre o assunto e o que acontece? Você chega em casa, liga a TV e nada do que fez surtiu efeito… Todos ainda acreditam que o Medievo foi um período de ignorância e repressão; e foi tudo culpa da Igreja Católica! É algo impossível de mudar. Deve ser muito deprimente…

Por quê? Por que são tão resistentes à verdade? Por que é tão difícil fazê-los mudar de ideia? Desde o Iluminismo, algo que se enraizou em nossa cultura e pensamento, foi a presunção de que a Igreja Católica está errada e o Secularismo, a ideia de organizar a sociedade e a vida sem referenciar a Deus, é a fonte do progresso. Assim, naturalmente, tudo que se ligue à Igreja envolve retrocesso, enquanto que se há algo que um intelectual secular nos traz, essa coisa é o progresso. Esta tem sido a lente pela qual a História tem sido vista nos últimos dois séculos.

É por isso que apenas nos últimos, digamos, 50 anos, é que vemos historiadores, enfim, desmentindo esses absurdos e dizendo: “Esperem! A Igreja não só jamais obstruiu as ciências como pode ter as promovido! Os secularistas não apenas nunca criaram, por exemplo, a Ciência Econômica, como na realidade foram padres e professores católicos que a desenvolveram séculos antes!” E por aí vai.

Mas está se levando muito tempo para refutar essa ideia em geral aceita de que a Igreja é responsável por retrocesso e ignorância. Está demorando demais… Vamos refletir sobre algumas dessas áreas em que a Igreja Católica realmente construiu a nossa Civilização.

Escolhi essa palavra conscientemente. Por que pode-se considerar a Igreja Católica sua construtora? Ora, por exemplo, considere a maneira como vemos a “caridade”, o trabalho caridoso: acreditamos que você está fazendo caridade quando ajuda alguém sem nenhuma expectativa de retribuição; quando você o faz porque é bom e porque é certo fazê-lo; você o faz porque sabe que, numa visão mais ampla, aquela pessoa desafortunada é, de algum modo, seu semelhante feito à imagem e semelhança de Deus; então você a ajuda. Você não a ajuda por esperar, três anos depois, visitá-la e dizer: “Lembra-se daqueles 50 dólares que eu te dei?”; ou visitá-la e dizer: “Preciso de votos; preciso de apoio político; me ajude”. Não fazemos isso para poder dizer ao mundo: “Ei! Vejam o quanto eu sou maravilhoso! Eu dei àquele sujeito 10 dólares!” Não fazemos caridade por essas razões; fazemos pelos motivos que já citei: motivos puramente desinteressados.

De onde veio essa ideia? Essa ideia veio da Igreja Católica. Na antiga Grécia ou Roma, se você dissesse: “Oh! Vou ajudar alguém sem nenhuma expectativa de reciprocidade; farei isso por pura bondade”, achariam você demente: “Do que você está falando?!!” Ainda pior seria a ideia de orar e até mesmo tentar ajudar os próprios inimigos: “Quê?!! Ficou louco?!!” Mas hoje admitimos isso como o ideal, como os princípios que um bom homem tenta incorporar. Mas, novamente: de onde eles vêm? Eles vêm da Igreja Católica! A Igreja ensina isso sobre a caridade; o mundo antigo, não.

Então aqui está uma área em que temos as coisas por certo (este é o modo como pensamos: temos por certo!). De onde vêm? Vêm da Igreja Católica. Direi mais da caridade em um [momento] futuro.

E quanto à ideia de “Direito”, de que tenho “direito à propriedade”, ou “direito de não ser assassinado”, por exemplo? De onde vem essa ideia? Sempre nos disseram que os secularistas no Iluminismo, ou pouco antes disto, surgiram com essa ideia no século XVII. De repente, surgiram os direitos! Bom… Isso também não é verdade. E, novamente, a investigação moderna vem para resgatar o Catolicismo. Eu sei que parece estranho… Vocês imaginam que pesquisadores modernos deveriam estar do “outro lado”, mas na verdade professores honestos, tanto católicos quanto não-católicos, dizem que a ideia de Direito remonta ao século XII e que surgiu com juristas de Direito Canônico. Essa ideia tem um significado simples: eu tenho uma certa imunidade contra uma ofensa sua, ou seja, você não pode me matar ou tomar a minha propriedade, coisas assim. O Direito é isso: que seria errado você interferir nessas áreas que são minhas. De onde vem essa ideia libertadora? Do coração da Igreja!

Ou, novamente, a Ciência Econômica… Por acaso, Adam Smith simplesmente pensou em Economia no século XVIII? Saiu tudo da cabeça dele? Ele tinha essa cabeça gigante e toda a Economia brotou dela? Não, na realidade, nos últimos 50 anos, o que os historiadores têm dito? Eles têm dito que os católicos escolásticos, professores que ensinavam principalmente em universidades espanholas e, mais especificamente, na Universidade de Salamanca, é que criaram a Ciência Econômica moderna. Foram eles os fundadores da Economia, não os secularistas do Iluminismo. Isso está sendo descoberto agora. Na parede do meu escritório tenho um retrato em moldura da Universidade de Salamanca. Muitos entrariam lá e perguntariam: “Como assim? Por que, de todas as universidades, você escolheu esta aqui?” É porque eu sei que foi lá que nasceu a Economia; e se você for um profundo interessado como eu, você amará Economia…

Finalmente, o que dizer sobre o nosso comprometimento com a razão? Não nos orgulhamos sempre da civilização ocidental por esse compromisso com o uso da razão? Que usamos a racionalidade para resolver disputas e solucionar debates? Bom, certamente! Mas de onde vem isso? Isso também vem da Igreja Católica! Por quê? Porque o sistema universitário que a Igreja estimulou encorajava o debate rigoroso e a racionalidade era tida como o maior árbitro para decidir todas as questões a se debater. Isto não é o oposto do que te contaram? Nos contaram que a Igreja Católica é inimiga da razão. Pelo contrário: nunca houve maior defensor da razão! Mas não é apenas da razão; é mais das aplicações específicas dela.

Por exemplo, as ciências em especial. As ciências, mais do que imaginamos, devem muito à Igreja. Como isso? É o oposto do que nos dizem. Mas, acreditem ou não, historiadores dos últimos 50 anos dizem que a Igreja Católica é mais e mais responsável pelas ciências. […]

Quantos dos fatos que descobrimos apenas agora são escondidos em escolas regularmente? Nem preciso perguntar. […] Eu acho este o aspecto mais deturpado e adulterado da História católica e mais usado para golpear a Igreja. Quero mostrar que isso é em grande medida feito injustamente. Digo “apenas agora”, pois na verdade nos últimos 50 anos cientistas que escrevem a História da Ciência começaram a repensar os velhos argumentos contra a Igreja, dizendo: “Querem saber? Pensando melhor, a Igreja fez coisas muito importantes!”

Há uma razão pela qual a ciência foi estabelecida e mantida por tanto tempo na civilização ocidental enquanto não o foi em outras. No fim das contas, isso não ocorre “apesar” da Igreja Católica, mas em certos aspectos “por causa” dela. Há 100 anos, tudo bem, você poderia ter lido um livro de Andrew Dickson White sobre uma lendária guerra entre Ciência e Religião no Ocidente. Hoje, esse livro é considerado praticamente uma piada entre professores; é tão ultrapassado quanto ridículo.

Hoje, há professores como Edward Grant escrevendo livros editados pela Universidade de Cambridge; Thomas Goldstein, A.C.Crombie, David Lindberg e muitos outros. E todos eles concordam que você não pode dizer simplesmente que a Igreja foi uma oponente das ciências. Pelo contrário, há aspectos do pensamento católico que foram indispensáveis para o desenvolvimento da ciência; e veremos especificamente quais foram eles. Mas, neste momento, desejo que saiba que esse velho mito está sendo derrubado por professores. Infelizmente, as descobertas desses mestres ainda não conseguiram chegar ao público mais geral; é o que tentaremos fazer nesta série [de artigos].

Deixe-me dar um exemplo de história típica sobre a Igreja Católica em que as pessoas são ensinadas a crer [nesses mitos] e então refletir por que elas acreditavam tão prontamente quando não havia nem a menor evidência para tanto. Aqui vai um exemplo que até muitos espectadores podem ter acreditado… Até eu acreditei! Não havia razão para pensar de outro modo… É a ideia de que Cristóvão Colombo, quando empregou suas famosas navegações, estava em parte tentando provar que a Terra não era plana, mas sim esférica. Todos nós já ouvimos a história habitual, que Colombo foi avisado: “Não, Colombo, não! Não navegue tão longe! Você irá cair [no abismo] na extremidade da Terra! A Terra é um grande disco plano! Você cairá da margem e será devorado por dragões e aranhas radioativas e gigantes”, algo assim… Ele foi advertido a não fazer aquilo; mesmo assim, ele fez e isso mostraria o quão valente e formidável ele era.

Veja: não duvido que Colombo era mesmo um grande navegador, mas se ele estivesse aqui hoje, lhe diria que não estava tentando provar que a Terra era redonda. Por quê? Porque todos já sabiam disso! Todos já sabiam que o planeta era uma esfera! Nenhum indivíduo instruído na Europa acreditava que a Terra era plana! Isso é um mito, um mito absurdo! Tente encontrar alguém na História do mundo cristão que acreditava nisso! Procure por eles! Se todos acreditavam, não deve ser assim tão difícil! E, apesar disso, não se consegue encontrar nenhum exemplo. Bem, quero dizer, você pode encontrar 2 exemplos de pessoas de quem você nunca ouviu falar:

1) Lactâncio, por exemplo, que viveu entre os séculos III e IV, não tinha influência alguma e, em todo caso, falava alegoricamente.

2) Outro possível crente foi uma pessoa do século VI chamado Cosmas Indicopleustes. Já ouviram falar dele? Nem eu! E nem ninguém na Europa ocidental, pois Cosmas escrevia em grego e, naquela época, poucos no Ocidente conheciam grego. São Gregório Magno, que foi Papa de 590 a 604, nem ele sabia sequer uma palavra em grego. Então dificilmente alguém poderia ter lido Cosmas; ele só foi traduzido para o latim em 1706!

Logo, qualquer um que possa ter ensinado sobre a “Terra Plana” foi ouvido por 1 ou 2 pessoas! Não tiveram influência nenhuma! A verdade é que todos entendiam que a Terra era uma esfera! O que havia era uma relutância em patrocinar a viagem de Colombo, mas não porque acreditassem que ele cairia da extremidade; o motivo para que tivessem medo era que eles pensavam que Colombo havia subestimado muito o tamanho dessa esfera… Colombo dizia: “Oh, não! Não se preocupem! A Terra não é tão grande! Só vou dar uma voltinha e volto logo! Tudo terminará bem!” Mas diziam a ele: “Não, a Terra é muito maior do que você pensa e você acabará morrendo de fome! Você vai navegar, navegar e navegar e não haverá terra alguma”. Para sorte de Colombo, uma porção de continentes “brotou” lá no meio, ao contrário das suas expectativas e para sorte dele e da sua tripulação. É por isso que não queriam que ele fosse e não porque achavam que ele ia cair da extremidade [da Terra].

Percebo que isso é tão oposto ao que lhe ensinaram, que você deve estar achando que estou inventando isso tudo, não? “É claro que acreditavam em Terra Plana”. Mas prometo a vocês que não. Existe até um livro inteiro escrito para resolver a questão que segue: se ninguém acreditava em Terra Plana, como esse mito pode ter começado? E a resposta vem em um pequeno livro escrito por um rapaz chamado Jeffrey Burton Russell; ele escreveu um livro chamado “Inventando a Terra Plana”. Ele descobriu que havia um pequenino grupo de intelectuais no século XIX que deu à luz esse mito: eles o criaram porque fazia a Igreja Católica parecer ridícula, porque no século XIX havia muito debate e disputa com a Igreja sobre Darwin e outros assuntos e a ideia era a de que se podia retratar a Igreja como sendo tão ridícula que chegou ao ponto de ensinar que a Terra era plana; então, poderiam mostrá-la como uma oponente absolutamente desprezível. Assim, inventaram essa história para colocar a Igreja sob um juízo absurdo.

Tenho certeza de que eles não tinham ideia da durabilidade desse mito, que ainda no século XXI ainda o ensinariam! Tenho certeza de que em algum lugar, neste momento, alguém é ensinado: “A Igreja idiota dizia que a Terra era plana e o bravo e heróico Colombo a desmentiu”. Isso nunca tem fim… Mas por que não tem? Por que possui tanta durabilidade? A razão é que o mito serve bem a este estereótipo iluminista: “A Igreja Católica é estúpida; ela impede o progresso; ela nos força a acreditar em asneiras”. É precisamente o que vemos no mito da Terra Plana, não? Quem acreditaria que a Terra era plana? Os antigos gregos até mediram a circunferência da Terra! Obviamente sabiam que era redonda! Como é que a Igreja pensou diferente?

Aqui está um bom exemplo de que o mito pode ser facilmente derrubado, mas ele não foi porque serve a um propósito. Tentasse você inventar um mito agora, sobre qualquer pessoa famosa que pudesse pensar, e dissesse que Fulano e Sicrano acreditavam em tal e qual coisa, duraria uns três segundos! Contudo, as pessoas crêem naquilo em que estão preparadas para crer; e as pessoas estão preparadas para crer no pior sobre a Igreja Católica.

O objetivo desta série [de artigos] […] é ir atrás não apenas desses pequenos mitos, mas construir um edifício para mostrar as glórias da Igreja Católica; não apenas para dizer: “Oh, a Igreja, na verdade, não fez isso; a Igreja não foi tão má nessa questão”. Não iremos avançar se a nossa mensagem for: “A Igreja Católica: não tão má quanto você pensava”. Precisamos de algo mais vigoroso; mais vigor em nossa mensagem. Precisamos dizer: “Não apenas a Igreja Católica não é tão má quanto você pensava, como não ensinava que a Terra era plana”. Não dá para vencer só correndo para apagar os incêndios; ninguém jamais construiu um casa só apagando o fogo! Incêndios devem ser apagados, é verdade, mas achamos que não dá para construir se só fazemos isso. Se sempre deixarmos que os oponentes da Igreja definam o debate, então sempre ficaremos na defensiva. Parece-me que, dado o estado da nossa Civilização, já é tempo de partir para a ofensiva e mostrar às pessoas todas as glórias da Igreja, mostrar toda essa história oculta, para que não precisemos dizer: “Oh, não somos tão maus quanto vocês pensam”.

Somos muito mais gloriosos do que nós mesmos imaginamos! E estaremos contra, francamente, pessoas muitíssimo influentes neste mundo…

Tenho certeza de que vocês se recordam que a Constituição da União Europeia exclui toda menção à influência cristã na Civilização Ocidental. Quão teimoso você precisaria ser, para cercado por catedrais e obras religiosas, e dos frutos que a Igreja nos deu; quão cego você teria de ser para não mencionar que a Igreja teve algum papel na criação dessa Civilização? A Constituição da União Europeia inicia e termina com a ideia de qual “Civilização Ocidental”? “Isso aí vem da Antiguidade Greco-Romana e, depois, da Renascença e do Iluminismo”. E aquele período de cerca de 1000 anos entre essas coisas, sei lá o que ocorreu! Provavelmente nada demais…

Essa é a concepção padrão, a mesma que muitos tinham até uns 50 ou 100 anos atrás. Hoje, qualquer historiador de Idade Média digno do seu salário sabe que isso tudo são asneiras e as rejeitaria com uma gargalhada. Mas os arquitetos da União Europeia excluem a menção à Igreja ou a Cristo em seu documento de fundação. Não é que sejam idiotas – se fosse isso, seria simples: apresentaríamos os fatos e tudo estaria bem -, é que eles são hostis à Igreja. Nada mais óbvio. Veja o que fazem na União Europeia! Por acaso eles se parecem com católicos devotos? Eles não têm interesse em propagar a verdade sobre a Igreja e é por isso que nós, católicos, temos uma obrigação especial: temos de aprender tudo o que pudermos sobre a nossa Fé, temos de espalhar esse conhecimento e temos de contar às pessoas a verdadeira História da Igreja Católica, porque se não nos defendermos, ninguém o fará por nós!

Escrevi um livro chamado “Como a Igreja Católica construiu a Civilização Ocidental”, porque achei que já fosse tempo de contar a nossa História. É o que farei nos próximos [artigos]: contar a nossa História. Os próximos 3 [artigos] serão dedicados ao tema “Igreja e Ciência” e vocês terão tanta munição que não saberão o que fazer com ela depois de concluirmos esses próximos [artigos]…

Vocês sabiam, por exemplo, que os Jesuítas – a Companhia de Jesus – foram tão exímios nas ciências que, neste exato momento, 35 crateras lunares têm o nome de cientistas jesuítas? Sabiam que 1 entre cada 20 dos maiores matemáticos da História fazia parte da Companhia de Jesus? Ou que os Jesuítas ajudaram a fundar e se tornaram os maiores praticantes do estudo de terremotos, a Sismologia?

E poderíamos citar tantos outros exemplos: teoria atômica; estudo do Antigo Egito; física; e eu poderia aqui continuar citando… Há muitas maneiras pelas quais a Igreja contribuiu com as ciências! Então, até o próximo [artigo] da série: “A Igreja Católica: Construtora da Civilização”.

VOCÊ SABIA?

  1. Que a Igreja Católica Romana forneceu mais ajuda e apoio financeiro ao estudo da Astronomia, por mais de seis séculos – da recuperação do saber antigo da Baixa Idade Média ao Iluminismo -, do que qualquer outra e, provavelmente, todas as outras instituições? (J.L.Heilbron – Universidade da Califórnia, em Berkeley).

  2. Que a Igreja Católica teve de empreender a tarefa de introduzir a lei do Evangelho e o Sermão da Montanha entre os povos bárbaros que tinham o homicídio como a mais honrosa ocupação e a vingança como sinônimo de justiça? (Christopher Dawson).

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Por Pedro Ravazzano

Novamente venho escrever sobre o relativismo, não porque seja prolixo, mas porque tal heresia sempre me assusta. Qualquer pessoa sensata que entra em contato com as posturas adotadas pelos heterodoxos de plantão fica perplexa com a total falta de honestidade, um déficit nas mais básicas noções de lógica e coesão. Obviamente, esse comportamento é parte integral da essência do relativismo; o relativismo é a negação de si próprio, já que a sua construção se fundamenta sobre a contradição. Por isso o combate pede um trabalho hercúleo, afinal somos obrigados a ensinar as mais preliminares noções, do contrário, seria iniciar a discussão com uma porta.

Antes de qualquer coisa, vale a pena explicar brevemente o que é o relativismo. Essa doutrina – sim, é uma doutrina – acredita que tudo é relativo, que não existe idéia absoluta nem uma Verdade una. A moral, a política, a ética, a religião, não passam de construções humanas que devem se adaptar ao mundo e suas transformações. Assim, o relativismo é o precursor social do niilismo com a negação do sentido existencial do ser humano já que, o pensamento relativista, com suas constantes e essenciais vicissitudes, se coloca na antípoda da defesa de Deus, do Princípio. A Divindade parte da imutabilidade e infalibilidade, já o relativismo parte da mutabilidade e falibilidade.

O relativismo, por sua vez, é a arma usada pelo exército do modernismo; “a síntese de todas as heresias”, como disse São Pio X. A teologia modernista parte de um pressuposto fundamentalmente paradoxal; a transformação do dogma, a adaptação dos ensinamentos doutrinais, a flexibilidade eclesiológica e o relaxamento moral. O modernismo foi desenvolvido sob a influência do espírito protestante alemão, reflexo mais do que natural da Sola Fide e Sola Scriptura adotadas por Lutero. Entretanto, o que era cabível dentro do pensamento luterano era essencialmente incompatível com o Catolicismo. O pensamento modernista, ao pregar a reforma de todo o arcabouço da Igreja e seus ensinamentos, acabava que desconstruía a própria idéia de Igreja, dogma, doutrina, papado e cristianismo, já que a relativização da crença desaguava na relativização da assistência Divina, o que atingia em cheio toda a Revelação. Vale frisar, antes de qualquer coisa, que o relativismo e o modernismo são contraditórios por natureza; se tudo é relativo “tudo é relativo” é relativo, se tudo é relativo é relativo logo nem tudo é relativo. Ou seja, é uma contradição em concreto considerar o relativismo uma verdade, já que o relativismo nega a existência da verdade.

Debater eclesiologia com os relativistas é digno de um jesuíta em plena América Latina no séc. XVII. Não duvide se transformar indígenas pagãos em exímios católicos seja a mesma proeza, ou até mais fácil, que converter um defensor do relativismo num ultramontano. Dois pontos que quero frisar; primeiro, chega a ser ridículo a posição de certos religiosos relativistas. Vale lembrar, antes de qualquer coisa, que a triste situação de muitos fiéis, com defesas cegas do erro, reflete a deformação recebida por párocos alimentados pela heresia. Tais religiosos quase sempre adotam – ou pretendem adotar – uma postura que eles consideram “moderna”. Para isso, não apenas compactuam com o mais radical modernismo, como se transformam em infantis e retardados promotores da prostituição da fé. Os Sacerdotes, tomados pela heterodoxia, se recusam a combater o erro e a heresia – “heresia” é uma palavra que não existe no seu vocabulário – mas, em compensação, são os primeiros a negociar a crença. Vejam que se trata de uma dupla ação intimamente ligada; o açucaramento da religião, onde a defesa da Verdade e da fé são vistas como posturas ultrapassadas, e a flexibilidade e permissividade na defesa e convivência do erro. Ora, não precisa ser um grande gênio para imaginar os frutos dessa promiscuidade doutrinal!

O politicamente correto religioso é tão forte que defender de maneira inconteste a nossa crença passou a ser visto como retrógrado. Interessante que essa ditadura do relativismo favorece o triunfo da mentira em todos os cantos. O fato de considerar os protestantes, por exemplo, hereges, não impede que haja diálogo, ao contrário, o verdeiro ecumenismo nasce da premissa básica de que há diferenças e oposições, mas, acima de tudo, parte de um entendimento acerca da Verdade. Ora, se eu sei que a doutrina Católica é diferente dos ensinamentos protestantes como pensar numa unidade dentro da contradição? A Verdade não é dúbia, relativa e contraditória! Apenas aqueles que não estimam a fidelidade à Verdade – tanto dentro do Catolicismo como no protestantismo – concebem a possibilidade de falar em união quando existem diferenças tão acentuadas e essenciais.

Os relativistas dentro da Igreja, além disso, vivem numa situação intrinsecamente paradoxal; rechaçam, condenam e não aceitam ensinamentos basilares da doutrina católica, mas mesmo com tal postura se consideram legítimos representantes da…Igreja? Ora, qual a lógica? Não há! Vejamos: os relativistas negam a Igreja sempre que não acatam seus ensinamentos ou se mostram opositores ao que é ensinado pelo Magistério. Como católicos, deveriam acreditar que a Igreja foi edificada e instituída por Cristo! Ademais, incoerentemente, precisam da mesma Igreja para autenticar aquilo em que ainda acreditam, como no próprio sacerdócio que ostentam, afinal quem garante que o Sacerdote é, de fato, Sacerdote?

Agora vamos pensar um pouco, com honestidade: Se a Igreja mudou então Deus mudou, já que a Igreja ensina com o múnus dado por Deus. Assim, concluímos: ou Deus não ensinou através da Igreja, logo a Igreja é mentirosa e meramente humana, ou Deus mudou e, consequentemente, a Igreja também, mas se Deus mudou Deus não é Deus, já que Deus não muda, não é falível e contraditório. Então vejam bem, os relativistas ou acreditam numa Igreja de homens, promotora de doutrinas de homens – portanto falível, errante – ou acreditam num Deus que não é Deus, crêem num deus (com “d” minusculo) nem-todo-poderoso e mutável! Claro que a maioria dos defensores do relativismo não acredita diretamente nestes absurdos, mas estes são os resultados lógicos da falta de lógica dos relativistas.

Além da consequência teológica inevitável, ainda há o choque com a Tradição da Igreja e sua história; se o demônio não existe o que era aquilo que tentava Santo Antão? Se a Missa não é Sacrifício o que era aquilo que os Sacerdotes celebravam e compreendiam? Se a Igreja não é a Barca de Pedro o que era aquilo que os Santos Padres defendiam? Se o Papa não é Vigário de Cristo e Sumo Pontífice o que eram aqueles documentos Conciliares? Se a Igreja não é Una o que era aquilo que todo o povo de Deus acreditava? Etc. O relativismo se choca com 2000 anos de caminhada, 2000 de Cristianismo e Cristandade. Até parece que a Revelação findou-se em 1970, quando houve a ascensão das tresloucadas doutrinas heterodoxas.

O mais caricato é que mesmo se tais absurdos fossem concebíveis – o que não são – pediria, no mínimo, um desenvolvimento orgânico e natural, o que não ocorreu. A Igreja e o povo de Deus dormiram piedosos e ortodoxos e acordaram irreverentes e heréticos? Não houve uma mudança de mentalidade que concebesse uma transformação religiosa tão abrupta. Quer dizer que os fiéis quando iam a uma Missa bem celebrada não mais sabiam o que era aquilo – como um índio vendo Frei Henrique celebrando – portanto era necessário popularizar? Quer dizer que quando um crente abria o catecismo não entendia absolutamente nada, daí que se fizesse uma catequese inculturada? Primeiro que nada justificaria a corrupção dos Verdadeiros ensinamentos – se são Verdadeiros são eternos, portanto imutáveis – e, em segundo lugar, essa mudança de mentalidade simplesmente não existiu como pintam os heterodoxos, até porque não haveria tempo suficiente para que em poucas décadas o mundo estranhasse a linguagem da Igreja. O que houve, então? O triunfo de hereges e modernistas tanto nas paróquias, conventos, mosteiros, como em toda sociedade, o que acarretou a formação dos fiéis sobre o espírito do relativismo e heterodoxia. Realmente, homens e mulheres educados dentro da cartilha modernista e habituados com a laicização do Sacerdote e clericalização do leigo teriam dificuldades em entender a profundidade da doutrina católica e a riqueza mística da Santa Missa bem celebrada.

O relativismo é o grande inimigo da Igreja, não só por causa da sua força, mas porque se encontra dentro das fileiras católicas. Hoje, infelizmente, é muito comum se deparar com Sacerdotes que diminuem o caráter sacrificial da Missa, Monges que menosprezam a consagração, Frades que abraçam o comunismo, Freiras que arrancam os hábitos. O pensamento relativista, fortalecido em várias frentes, entre elas a Teologia da Libertação, tomou os noviciados e seminários, desconstruiu a formação religiosa e lançou no mundo um séquito de Presbíteros, Irmãos etc que disseminam a anti-Igreja através de um discurso que, se analisado logicamente, deságua na descrença e no ateísmo. A desonestidade do relativismo é essencial, tanto é assim que mesmo defendendo absurdos descomunais os seguidores do modernismo ainda se consideram católicos enquanto adotam posturas e posições que menosprezam o Magistério, o papado, o Catolicismo.

De fato, é muito triste perceber que muitas congregações e ordens foram tomadas de assalto por soldados do relativismo e, assim, pilhadas pelos promotores da discórdia. Reflitam e vejam como é comum religiosos que diminuem a vida do Fundador, tentando podar o seu legado e carisma com uma caricata adaptação dos seus ensinamentos; nada cabe mais hoje, tudo era reflexo de um tempo. A própria espiritualidade não passa ilesa, é deformada e corrompida, transformam numa sombra do que era. Tanto é assim que é muito difícil encontrar religiosos religiosos, ou seja, seguidores da proposta primordial. Quase sempre viram escravos do que chamo de “povocentrismo”; tudo é do povo, para o povo e com o povo, e aqui me refiro ao sentido realmente revolucionário do termo.  Agora vejamos, se o Fundador foi inspirado pelo Espírito Santo na descoberta de um novo carisma e na fundação de uma Congregação, então estamos falando de uma obra de caráter eterno, já que os ensinamentos de Deus refletem a Sua imutabilidade. Ora, essa tentativa de “modernizar” as espiritualidades, passando por cima dos legados primitivos e verdadeiros, é válida? Não só não é como destrói e corrompe o real carisma entregue pelo Senhor. Assim, já não estamos falando de Ordens mas sim dos rabiscos feitos pelos homens. Do mesmo modo que o Cristianismo se encontra centrado na figura de Jesus Cristo, as Congregações devem se sustentar sobre a figura do fundador, buscando nele o constante exemplo e o grande espelho a ser seguido. Entretanto, quando os religiosos se negam a seguir o pai espiritual apelam para contextualização, alegando que a sua mensagem apenas refletia um momento e uma era. Com esse discurso, os heterodoxos justificam a própria inércia e desmotivação ao não procurar trilhar o mesmo caminho do fundador, uma estrada de piedade, ortodoxia e fidelidade, justamente o que os relativistas mais repudiam.

O “povocentrismo” foi definido com sabedoria pelo então Cardeal Ratzinger no livro “Dogma e Anúncio”: “uma Igreja que só olhasse para fora, que só tentasse bitolar-se pela capacidade de compreender dos contemporâneos do momento, não ousando mais viver alegre e despreocupada no interior da fé mesma, morreria internamente e terminaria finalmente não tendo mais nada a dizer nem seque para fora”. Essa brilhante explanação do atual Papa nos obriga a refletir sobre a crueldade do relativismo. De fato, uma Igreja que negociasse a Verdade visando a Sua adaptação e aceitação junto aos homens, chegaria ao ponto de, renegando Ela própria, não mais poder levar às almas a mensagem cristã. Nosso Senhor estaria tão descaracterizado, Seus ensinos tão corrompidos, que o reconhecimento da Boa Nova estaria impossibilitado. Todas as vezes que o relativismo modifica ou transforma as verdades de fé, humaniza a Verdade, a rebaixa às contradições e erros inerentes do homem, ou seja, exclui o caráter eterno e imutável intrínseco de Deus. Assim, é facilmente perceptível que o relativismo encaminha a humanidade a um ateísmo prático. Concluímos, então, que o “povocentrismo” é a própria negação da Verdade, já que se fundamenta na relativização do Seu esplendor e na redução da Sua mensagem.

A luta contra o relativismo perpassa pela conscientização acerca do conflito travado dentro da Igreja. Além de conhecer a realidade e seus frutos, devemos nos armar com Cristo e Seus ensinamentos e nos submeter ao comando do Seu General, o Santo Padre. Nessa tempestade de heresias e profanações nada mais seguro do que a grande nau comandada pelo Sumo Pontífice. Assim como a Arca de Noé navegou por mares confusos e dominados pelo caos, a Barca de Pedro desliza pelas águas, passando pelos vendavais, trovoadas e maremotos. Sim, existem baixas entre os capitães, marujos e marinheiros, mas a Barca se mantém intacta e ilesa, sempre ostentando o brilho do seu casco e fazendo flamular a bandeira de cristo no mais alto ponto do mastro.

 
 
 
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